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Notícias “A carne na estrada”

Brasil lança nova estratégia de promoção da carne bovina na China  

Rodadas de negócios, seminário e jantar premium em Nanjing marcam início de projeto de interiorização da carne brasileira no mercado chinês.

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The Beef and Road: Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, e Roberto Perosa, presidente da Abiec, com chef Zhu Yinfeng - Fotos: Divulgação/Abiec

Em mais um passo estratégico para consolidar a presença da carne bovina brasileira no mercado chinês, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) realizaram, na quinta-feira (15), a primeira etapa do projeto The Beef and Road: Bridging the Brazil-China Beef Routes, na cidade de Nanjing.

O evento marcou o início de uma nova fase nas ações promocionais do setor, que visa a interiorização das iniciativas comerciais com foco em cidades fora dos grandes centros como Pequim e Xangai. “A China é o mais importante parceiro comercial do Brasil. Nós realizamos o maior encontro empresarial entre China e Brasil, com a presença do presidente Lula, e agora estamos aqui em Nanjing, uma cidade muito importante, promovendo um seminário e uma rodada de negócios, fundamentais para ampliarmos significativamente a presença dos produtos brasileiros neste mercado”, afirmou Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, que vem participando de diversas ações que compõem missão à China desde o início da semana.

Viana destacou ainda a importância do contato direto entre compradores chineses e empresas brasileiras. “Aqui, por exemplo, temos mais de 30 compradores chineses e mais de 25 empresas brasileiras oferecendo proteína animal, no caso a carne bovina, de ótima qualidade. Os chineses estão conhecendo com mais detalhes o sabor dos produtos brasileiros. Estamos eliminando os intermediários, os atravessadores. Promovemos um encontro direto entre quem compra e quem vende. E mais: as pessoas não precisam percorrer cidade por cidade. Esse trabalho da Apex, em parceria com a Abiec, evita tudo isso. Reúne compradores e vendedores no mesmo espaço, e os negócios acontecem. Por isso, estou muito contente por estarmos ajudando quem trabalha e produz no Brasil a vender seus produtos na China”, ressaltou.

A China é o principal destino da carne bovina do Brasil. As exportações para o país representam 62% do total embarcado pelo setor, segundo dados da Abiec. Com o avanço do projeto The Beef and Road, a expectativa é ampliar esse alcance, diversificando os canais de distribuição e consolidando a imagem da carne brasileira como segura, saborosa e sustentável. “A gente está com uma nova estratégia de posicionamento da carne brasileira na China. Queremos que o consumidor chinês conheça e saiba que a carne que está consumindo é do Brasil. Por isso, estamos com essa nova parceria com o setor, com um escritório específico da carne brasileira na China, em Pequim – que inauguramos ontem -, realizando rodadas de negócios e ações na gastronomia. Na sequência, vamos participar de uma feira importante em Xangai, a Sial China, na semana que vem. É uma estratégia integrada para levar a carne brasileira ainda mais para o interior do país”, explicou Laudemir Müller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil.

A programação de hoje incluiu rodadas de negócios, apresentações culturais e o tradicional Brazilian Beef Dinner, promovido com a participação de autoridades locais, empresários e representantes da cadeia de proteína animal. Durante o jantar, os convidados puderam degustar cortes premium preparados pelo renomado chef Zhu Yinfeng, detentor de uma estrela Michelin, ao som da tradicional dança chinesa Jialing Pinjia.

A iniciativa contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). “É um momento de muita alegria ver que o projeto que idealizamos lá atrás, junto com a Apex, está se concretizando aqui no interior da China”, afirmou o presidente da Abiec, Roberto Perosa. Outras ações do projeto estão sendo realizadas em Hangzhou, capital da província chinesa de Zhejiang, nesta sexta-feira (16).

A ApexBrasil é parceira da Abiec na realização do projeto Brazilian Beef, uma iniciativa estratégica que, desde 2001, já investiu mais de R$ 60 milhões na promoção comercial da carne bovina brasileira no exterior. O projeto tem como principal objetivo fortalecer a imagem do produto nacional, destacando sua qualidade, segurança e confiabilidade junto aos mercados importadores.

Escritório da Carne Brasileira na China 

Na última quarta-feira (14), foi inaugurado o Escritório da Carne Brasileira na China, uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Abiec, com o apoio da ApexBrasil. Localizado no Prosper Center, no distrito de Chaoyang – centro diplomático e comercial de Pequim, o novo espaço funcionará como um hub institucional e operacional para as ações das entidades brasileiras em toda a Ásia, fortalecendo o relacionamento com parceiros locais e ampliando a presença do Brasil nos principais mercados do continente.

Missão à China 

Na oportunidade da visita oficial do presidente Lula à China, a ApexBrasil vem realizando uma série de inciativas de promoção comercial no país asiático que começaram na última segunda-feira (12).

A missão começou com o Seminário Empresarial China-Brasil, que reuniu mais de 700 empresários de ambos os países, e resultou em anúncio de R$ 27 bilhões em investimentos chineses no Brasil em setores como indústria automotiva, energia renovável, tecnologia, mineração, saúde, logística e alimentos. E na quarta-feira (14), o foco das iniciativas foi na promoção do agro brasileiro. A Agência realizou o seminário Diálogos Brasil-China para Segurança Alimentar, reunindo entidades setoriais do agro nacional e chinesas, inaugurou o novo escritório da carne brasileira na China, em parceria com ABIEC e ABPA, e assinou mais uma parceria com a Luckin Coffee, que agora terá 34 novas lojas temáticas do Brasil na China.

A missão será encerrada com a participação do Brasil na Sial China, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo, que acontece entre 19 e 21 de maio, em Xangai. A delegação brasileira será composta por empresas expositoras e contará com um pavilhão nacional organizado pela ApexBrasil.

Fonte: Assessoria ApexBrasil

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Esmagamento de soja nos EUA aumenta para 71 milhões de toneladas

Alta na demanda por farelo sustenta mercado, mas maior oferta global limita ganhos.

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Foto: Claudio Neves

Os Estados Unidos devem ampliar o esmagamento de soja nos próximos anos, impulsionados pelas novas regras para biocombustíveis publicadas no fim de março. As medidas elevam os mandatos e estimulam a produção de diesel renovável, o que aumenta a demanda por derivados como farelo e óleo.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a produção de diesel de biomassa nos EUA pode chegar a 5,5 bilhões de galões em 2026, ante 3,35 bilhões no ano anterior. Para 2027, a estimativa sobe para 5,9 bilhões de galões. As regras mantiveram integralmente os incentivos para matérias-primas importadas até o fim de 2027, o que deve sustentar as importações para a produção de biocombustíveis.

Foto: Shutterstock

O impacto já aparece nas projeções oficiais. No relatório de abril do USDA, o esmagamento de soja nos EUA foi estimado em 71 milhões de toneladas, alta de 1 milhão de toneladas frente ao levantamento anterior. A demanda por farelo também avançou, chegando a 39,2 milhões de toneladas, com aumento de 725 mil toneladas.

Além do cenário nos EUA, fatores externos também influenciam o mercado. A greve dos caminhoneiros na Argentina pode dar suporte aos preços no curto prazo, dependendo da duração do movimento.

Por outro lado, a expectativa é de maior oferta global nas próximas semanas. Com o avanço da colheita e do esmagamento na Argentina a partir de meados de maio, o país deve ampliar a competitividade do óleo de soja, o que tende a pressionar os prêmios brasileiros.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Fórum de Biogás e Biometano confirma próxima edição para 2027 em Santa Catarina

Chapecó receberá o evento após crescimento de 14,3% no número de plantas no estado.

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Foto: César Silvestro/Divulgação FSBBB

O 9º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB) será realizado entre os dias 27 e 29 de abril de 2027, em Chapecó (SC). O anúncio foi feito no encerramento da 8ª edição do evento, realizada na última semana em Foz do Iguaçu (PR), pelo pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz.

A edição de 2026 reuniu mais de 900 participantes ao longo de três dias de programação, entre 14 e 16 de abril. O evento contou com cerca de 50 horas de atividades e a participação de 65 painelistas, que abordaram temas como políticas públicas, mercado e produção de biogás. No espaço de negócios, 62 empresas e organizações apresentaram soluções voltadas à cadeia produtiva.

8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano em Foz do Iguaçu (PR), de 14 a 16 de abril –
Foto: Welligton Sauer/Divulgação FSBBB

Além das palestras, o Fórum promoveu premiações, apresentações de startups e visitas técnicas a sete unidades produtoras de biogás e biometano em municípios do Oeste do Paraná. O encontro também teve participação internacional, com representantes de 16 países e de 19 estados brasileiros.

Durante o evento, o Centro Internacional de Energias Renováveis apresentou a edição 2025 do Panorama do Biogás, que aponta crescimento do setor no Brasil. O país soma 1.803 plantas em operação, alta de 5% em relação ao ano anterior, com aumento de 6% no volume produzido. A produção está presente em 617 municípios.

A geração de energia elétrica segue como principal destino do biogás, concentrando 62% do volume. Já o segmento de biometano também avança, com aumento de cerca de 11% no número de plantas dedicadas a essa produção.

Na Região Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul estão entre os estados com maior número de unidades. Santa Catarina, que sediará a próxima edição do Fórum, registrou crescimento de 14,3% em 2025, passando de 138 para 161 plantas em operação.

O FSBBB é realizado pelo CIBiogás, pela Embrapa Suínos e Aves e pela Universidade de Caxias do Sul, com organização da Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera). O evento ocorre de forma itinerante na Região Sul.

Fonte: Assessoria FSBBB
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Assentamentos rurais reúnem 1,1 milhão de famílias e mostram desafios econômicos

Dados oficiais indicam renda média reduzida e baixa participação em algumas atividades.

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Foto: Freepik

O número de famílias homologadas em assentamentos no país chegou a 1,1 milhão, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ainda assim, a realidade dessas pessoas contrasta com um dos propósitos da Reforma Agrária: promover justiça social e cidadania.

De acordo com o último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 86% dos municípios com assentamentos a renda média mensal das famílias assentadas é inferior a um salário mínimo. Na época da pesquisa, os rendimentos correspondiam a apenas 53% do mínimo vigente, o equivalente a cerca de R$ 453,56.

O levantamento também mostra que a produção dos assentamentos ainda tem participação reduzida entre as principais atividades rurais. No caso do leite, por exemplo, dos mais de 30 bilhões de litros produzidos no Brasil, 64,2% vieram da agricultura familiar. Já os assentados responderam por apenas 2,8% desse total.

Zé Silva

Deputado Zé Silva: “O governo tem uma responsabilidade muito grande para garantir que a Reforma Agrária seja uma política pública técnica e não ideológica, e que além da terra tenha assistência técnica de qualidade, tenha infraestrutura produtiva, infraestrutura de saúde, energia, estrada de qualidade”

Além da realidade de subsistência, o Brasil ainda enfrenta dificuldade para assentar famílias acampadas. Segundo o Incra, 166,8 mil famílias estavam nessa condição em 2025.

Diante desse quadro, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende que a Reforma Agrária seja conduzida como política pública técnica, sem viés ideológico e com foco em oferecer condições reais de melhoria de vida aos assentados. O integrante da bancada, deputado Zé Silva (União-MG), destacou esse entendimento.

“O governo tem uma responsabilidade muito grande para garantir que a Reforma Agrária seja uma política pública técnica e não ideológica, e que além da terra tenha assistência técnica de qualidade, tenha infraestrutura produtiva, infraestrutura de saúde, energia, estrada de qualidade”, afirmou.

Projeto aperfeiçoa regras da Reforma Agrária

Nesse contexto, a FPA também apoia uma proposta que pode dar mais eficiência à seleção de famílias para a Reforma Agrária. O Projeto de Lei 3.768/2021 altera a data-limite para regularização de lotes ocupados em assentamentos criados pelo Incra.

Além disso, a proposta obriga o governo federal a elaborar planejamento financeiro para as etapas posteriores à criação de novos assentamentos, com o objetivo de assegurar a viabilidade do programa.

Zé Vitor

Autor do projeto e coordenador político da FPA, deputado Zé Vitor: “Propomos a parceria entre o Incra e o município para a execução do processo de seleção dos beneficiários, por considerarmos que as secretarias municipais que lidam com os inscritos têm condições de colaborar para tornar o processo de seleção mais justo e eficiente”

Outro ponto prevê que municípios, estados e a própria União ofereçam condições mínimas de infraestrutura, como abastecimento de água, estradas e energia elétrica. Para isso, o município também deverá ser consultado antes da instalação de um novo assentamento.

“Propomos a parceria entre o Incra e o município para a execução do processo de seleção dos beneficiários, por considerarmos que as secretarias municipais que lidam com os inscritos têm condições de colaborar para tornar o processo de seleção mais justo e eficiente”, enfatizou o autor do projeto e coordenador político da FPA, deputado Zé Vitor (PL-MG).

Atualmente, a proposição tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O relator é o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR).

Pacote anti-invasão reúne propostas contra ocupações ilegais

Além da proposta que aperfeiçoa a regulamentação da Reforma Agrária, outros dois projetos integram o pacote anti-invasão da FPA e restringem a atuação de movimentos ligados a ocupações ilegais.

Um deles é o Projeto 1.373/2023, de autoria do ex-deputado Lázaro Botelho e do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que impede invasores de terra de acessar programas públicos.

A matéria prevê que essas pessoas não possam participar da Reforma Agrária e, caso já integrem o programa, sejam excluídas e percam a posse do lote eventualmente ocupado. Também ficam impedidas, por dois anos após o fim da invasão, de acessar crédito subsidiado, benefícios fiscais, programas de assistência social e de participar de licitações ou contratações com o poder público.

Outro dispositivo do texto, que tramita atualmente na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara, estabelece prazos para a emissão de títulos. A proposta determina que a titulação provisória ocorra em até dez anos, e a definitiva em até cinco anos após a provisória.

Na mesma linha, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 939/2025 restringe a atuação de grupos ligados a invasões. A pauta susta um decreto presidencial de 2025 que criou o Plano Nacional de Proteção a Defensores de Direitos Humanos. Na avaliação da bancada, o ato ampliou o amparo estatal a organizações militantes envolvidas em ocupações de propriedades privadas e contribuiu para a instrumentalização da política fundiária.

A matéria é de autoria do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, e do coordenador Institucional da frente, deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Na justificativa, os autores apontam ainda que o decreto ameaça pessoas e a segurança jurídica dos produtores rurais.

José Rocha

Deputado José Rocha: “Todos nós precisamos de alimento na mesa”

“Na prática, trata-se de deturpar o papel constitucional do Estado, permitindo que a regularização fundiária, que deveria ser política técnica, impessoal, baseada em critérios legais, seja utilizada como mecanismo de suposta “proteção” a grupos que podem se autodeclarar defensores de direitos humanos, ainda que envolvidos em invasões ou ocupações ilegais”, comentaram. Apresentada no final do ano passado, a proposta aguarda despacho da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

Para o integrante da bancada, deputado José Rocha (União-BA), os projetos caminham no sentido de ampliar a segurança jurídica e enfrentar as ocupações ilegais. “Todos nós precisamos de alimento na mesa. Quem produz esse alimento é o produtor rural, é o cara que está trabalhando, com custos altos, e conseguiu adquirir a sua terra, e aí de uma hora para outra se vê atropelado por invasões, invasões que são políticas, ideológicas, descabidas e sem nenhum sentido”, destacou.

Fonte: Assessoria FPA
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