Notícias “A carne na estrada”
Brasil lança nova estratégia de promoção da carne bovina na China
Rodadas de negócios, seminário e jantar premium em Nanjing marcam início de projeto de interiorização da carne brasileira no mercado chinês.

Em mais um passo estratégico para consolidar a presença da carne bovina brasileira no mercado chinês, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) realizaram, na quinta-feira (15), a primeira etapa do projeto The Beef and Road: Bridging the Brazil-China Beef Routes, na cidade de Nanjing.
O evento marcou o início de uma nova fase nas ações promocionais do setor, que visa a interiorização das iniciativas comerciais com foco em cidades fora dos grandes centros como Pequim e Xangai. “A China é o mais importante parceiro comercial do Brasil. Nós realizamos o maior encontro empresarial entre China e Brasil, com a presença do presidente Lula, e agora estamos aqui em Nanjing, uma cidade muito importante, promovendo um seminário e uma rodada de negócios, fundamentais para ampliarmos significativamente a presença dos produtos brasileiros neste mercado”, afirmou Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, que vem participando de diversas ações que compõem missão à China desde o início da semana.
Viana destacou ainda a importância do contato direto entre compradores chineses e empresas brasileiras. “Aqui, por exemplo, temos mais de 30 compradores chineses e mais de 25 empresas brasileiras oferecendo proteína animal, no caso a carne bovina, de ótima qualidade. Os chineses estão conhecendo com mais detalhes o sabor dos produtos brasileiros. Estamos eliminando os intermediários, os atravessadores. Promovemos um encontro direto entre quem compra e quem vende. E mais: as pessoas não precisam percorrer cidade por cidade. Esse trabalho da Apex, em parceria com a Abiec, evita tudo isso. Reúne compradores e vendedores no mesmo espaço, e os negócios acontecem. Por isso, estou muito contente por estarmos ajudando quem trabalha e produz no Brasil a vender seus produtos na China”, ressaltou.
A China é o principal destino da carne bovina do Brasil. As exportações para o país representam 62% do total embarcado pelo setor, segundo dados da Abiec. Com o avanço do projeto The Beef and Road, a expectativa é ampliar esse alcance, diversificando os canais de distribuição e consolidando a imagem da carne brasileira como segura, saborosa e sustentável. “A gente está com uma nova estratégia de posicionamento da carne brasileira na China. Queremos que o consumidor chinês conheça e saiba que a carne que está consumindo é do Brasil. Por isso, estamos com essa nova parceria com o setor, com um escritório específico da carne brasileira na China, em Pequim – que inauguramos ontem -, realizando rodadas de negócios e ações na gastronomia. Na sequência, vamos participar de uma feira importante em Xangai, a Sial China, na semana que vem. É uma estratégia integrada para levar a carne brasileira ainda mais para o interior do país”, explicou Laudemir Müller, gerente de Agronegócios da ApexBrasil.
A programação de hoje incluiu rodadas de negócios, apresentações culturais e o tradicional Brazilian Beef Dinner, promovido com a participação de autoridades locais, empresários e representantes da cadeia de proteína animal. Durante o jantar, os convidados puderam degustar cortes premium preparados pelo renomado chef Zhu Yinfeng, detentor de uma estrela Michelin, ao som da tradicional dança chinesa Jialing Pinjia.
A iniciativa contou com a presença de representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). “É um momento de muita alegria ver que o projeto que idealizamos lá atrás, junto com a Apex, está se concretizando aqui no interior da China”, afirmou o presidente da Abiec, Roberto Perosa. Outras ações do projeto estão sendo realizadas em Hangzhou, capital da província chinesa de Zhejiang, nesta sexta-feira (16).
A ApexBrasil é parceira da Abiec na realização do projeto Brazilian Beef, uma iniciativa estratégica que, desde 2001, já investiu mais de R$ 60 milhões na promoção comercial da carne bovina brasileira no exterior. O projeto tem como principal objetivo fortalecer a imagem do produto nacional, destacando sua qualidade, segurança e confiabilidade junto aos mercados importadores.
Escritório da Carne Brasileira na China
Na última quarta-feira (14), foi inaugurado o Escritório da Carne Brasileira na China, uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e da Abiec, com o apoio da ApexBrasil. Localizado no Prosper Center, no distrito de Chaoyang – centro diplomático e comercial de Pequim, o novo espaço funcionará como um hub institucional e operacional para as ações das entidades brasileiras em toda a Ásia, fortalecendo o relacionamento com parceiros locais e ampliando a presença do Brasil nos principais mercados do continente.
Missão à China
Na oportunidade da visita oficial do presidente Lula à China, a ApexBrasil vem realizando uma série de inciativas de promoção comercial no país asiático que começaram na última segunda-feira (12).
A missão começou com o Seminário Empresarial China-Brasil, que reuniu mais de 700 empresários de ambos os países, e resultou em anúncio de R$ 27 bilhões em investimentos chineses no Brasil em setores como indústria automotiva, energia renovável, tecnologia, mineração, saúde, logística e alimentos. E na quarta-feira (14), o foco das iniciativas foi na promoção do agro brasileiro. A Agência realizou o seminário Diálogos Brasil-China para Segurança Alimentar, reunindo entidades setoriais do agro nacional e chinesas, inaugurou o novo escritório da carne brasileira na China, em parceria com ABIEC e ABPA, e assinou mais uma parceria com a Luckin Coffee, que agora terá 34 novas lojas temáticas do Brasil na China.
A missão será encerrada com a participação do Brasil na Sial China, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo, que acontece entre 19 e 21 de maio, em Xangai. A delegação brasileira será composta por empresas expositoras e contará com um pavilhão nacional organizado pela ApexBrasil.

Notícias
Brasil exporta 23,5 milhões de toneladas de soja no início do ano
Ritmo acelerado de embarques mantém país à frente no mercado internacional e amplia vantagem sobre concorrentes.
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Itaipu compra mais uma área para assentar indígenas no Paraná
Nova fazenda de 107 hectares deve substituir área de 9 hectares ocupada por 27 famílias. Aquisição integra acordo de R$ 240 milhões para compensar impactos da formação do reservatório da usina.

Com recursos da Itaipu Binacional, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) adquiriram mais uma área para assentamento da comunidade Avá Guarani, na região Oeste do Paraná.
O imóvel, com 107 hectares, está localizado entre os municípios de São José das Palmeiras e Santa Helena, a cerca de 120 quilômetros (km) de Foz do Iguaçu, na Tríplice Fronteira, entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A Fazenda América, que passará a se chamar Tekoha Pyahu, é dez vezes maior do que o espaço ocupado hoje pelas 27 famílias, cerca de 90 pessoas, que serão agora transferidas, segundo a Itaipu. Atualmente, elas vivem em situação precária em um terreno de apenas 9 hectares, localizado na faixa de proteção do reservatório da usina. A expectativa é que a mudança ocorra em até dois meses. “A mudança será importante para nossa comunidade, especialmente para as crianças. Teremos um local adequado para viver, ter escola, posto de saúde, entre outros direitos que iremos conquistar lá”, afirmou o cacique Dioner, líder da aldeia Pyahu.
Para ele, o processo de reparação de danos que a Itaipu está fazendo é o “mínimo que se pode fazer para os Avá Guarani”.
A compra de terras faz parte do acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025, e firmado por Itaipu com comunidades indígenas, Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Incra, Funai e Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo é assegurar reparação histórica pela violação a direitos humanos dos Avá-Guarani. Isso porque, na década de 1970, quando a usina começou a ser construída, em plena ditadura militar brasileira, a etnia Avá-Guarani sofreu o impacto do alagamento de suas terras tradicionais com a criação do reservatório do empreendimento, a partir do represamento do rio Paraná, na divisa com o Paraguai, que compartilha a gestão da usina com o Brasil.
O acordo estabelece medidas para assegurar a territorialização das comunidades locais e prevê a destinação aos indígenas de pelo menos 3 mil hectares de terra que serão adquiridos pelo consórcio Itaipu Binacional, ao custo inicial de R$ 240 milhões. “Trata-se de respeito, de reparação histórica e de promoção de condições de vida digna para essa população”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri.
Ele lembrou ainda que a solução foi construída de forma articulada com as instituições parceiras e as próprias comunidades.
No acordo homologado pelo STF, a Itaipu Binacional se comprometeu a implementar ações de restauração ambiental nas áreas adquiridas e a financiar serviços essenciais, como fornecimento de água, energia elétrica, saneamento, saúde e educação. Caberá à Funai o procedimento de destinação final da posse permanente e usufruto exclusivo às comunidades indígenas. O processo de obtenção dos imóveis rurais passa por análise fundiária e técnica tanto da Funai quanto do Incra.
Itaipu ainda informou que, por meio de convênios com associações de pais e mestres de escolas e do projeto Opaná – Chão Indígena, estão sendo promovidas iniciativas voltadas ao fortalecimento da cultura, do idioma e do modo de vida dos Avá Guarani, além de ações de assistência técnica em agroecologia e de educação antirracista.
Balanço do acordo
Até o momento, o valor total investido pela Itaipu para a compra de terras para as comunidades indígenas afetadas na construção da usina está em R$ 84,7 milhões. O valor já inclui o pagamento pela fazenda América, que custou R$ 17,6 milhões.
Também foram adquiridas a Fazenda Brilhante, de 215 hectares, em Terra Roxa, onde foram alocadas três comunidades que, juntas, têm 68 famílias; a Fazenda Amorim, de 209 hectares, em Missal, para onde serão transferidas 36 famílias que ocupam uma área na Faixa de Proteção do Reservatório da Itaipu; parte do Haras Mantovani, de 68 hectares, em Terra Roxa; e uma área de 9,8 hectares para a comunidade Arapy, de Foz do Iguaçu. A meta é chegar a 3 mil hectares, com investimento total de R$ 240 milhões.
A área total obtida até agora supera os 700 hectares, o equivalente a 700 de futebol padrão Fifa.
Notícias
Acordo leva dados do campo ao Judiciário e muda análise de recuperação rural
Ferramenta com inteligência artificial e dados geoespaciais permitirá verificar produção, safra e atividade em tempo real para embasar decisões judiciais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em conjunto com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça, celebrou o Acordo de Cooperação Técnica, voltado a viabilizar e fomentar o uso da Infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) como instrumento de auxílio técnico nos processos de recuperação judicial de produtor rural.

Foto: Carlos Silva/Mapa
A oficialização foi feita na última terça-feira (14), na sede do CNJ, em Brasília, pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin; e pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques.
Durante a cerimônia de assinatura, o ministro André de Paula avaliou a assinatura do ACT como um passo relevante no fortalecimento da segurança jurídica e da eficiência do Estado brasileiro. Para ele, o desafio não é restringir o acesso à Justiça, mas assegurar que ela opere com base em informação qualificada e critérios técnicos. “A integração da Infraestrutura de Verificação Agrícola, a VMG, permitirá ao Judiciário acessar dados objetivos e auditáveis sobre a atividade rural, oferecendo aos magistrados informações concretas sobre produção, safra e funcionamento das propriedades rurais. Isso permitirá maior precisão à análise dos casos concretos, viabilizando decisões mais seguras, mais rápidas e mais transparentes”, explicou o ministro.
André de Paula enfatizou, ainda, que a iniciativa ajuda a proteger o produtor que realmente enfrenta dificuldades financeiras, ao mesmo tempo em que contribui para identificar possíveis casos de uso indevido da recuperação judicial.
O atestado digital VMG, é uma ferramenta baseada em inteligência artificial e tecnologias geoespaciais capaz de verificar a correta aplicação de recursos disponibilizados aos produtores rurais por

Foto: Carlos Silva/Mapa
meio das linhas de financiamentos que tem como requisito de liberação pelos agentes financeiros a apresentação de um projeto técnico.
Em seu discurso, o ministro Edson Fachin ressaltou que a celebração do acordo permitirá avançar no fortalecimento da prestação jurisdicional e na segurança jurídica. Segundo Fachin, a medida contribuirá para dar mais integridade ao sistema, proteger o produtor rural que atua de forma adequada e resguardar os interesses legítimos dos credores, desestimulando o uso indevido da recuperação judicial. “Hoje damos uma resposta a esses desafios, reconhecendo o papel estratégico do agronegócio na economia nacional e a necessidade de enfrentar tensões climáticas, econômicas e estruturais, que têm impactado, inclusive, o aumento da judicialização, especialmente na recuperação judicial do produtor rural. Por isso, a incorporação da VMG representa um avanço significativo, ao aproximar a decisão judicial da realidade empírica”, disse.

Foto: Carlos Silva/Mapa
O que diz o ACT
Segundo o documento, o Acordo de Cooperação Técnica abrangerá, sobretudo, o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia da Corregedoria Nacional de Justiça, incluindo a verificação das reais condições de funcionamento do devedor, a análise da perspectiva de safra e a identificação de indícios de fraude; o monitoramento contínuo da atividade rural durante o processamento da recuperação judicial; a verificação de conformidade socioambiental das propriedades rurais; e a análise da viabilidade econômica da atividade rural do devedor.
Dessa forma, o acordo estabelece três metas principais: a implantação de um projeto-piloto em comarca selecionada, no prazo de até 30 dias; a capacitação integral de magistrados e servidores da unidade participante, também no prazo de até 30 dias; e a disponibilização do acesso à plataforma de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) a todos os Tribunais de Justiça do país, no prazo de até 120 dias.
O acordo terá vigência de cinco anos e poderá ser renovado automaticamente por igual período.






