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Brasil lança ferramenta para medir e reduzir emissões de metano na pecuária

ABC+Calc permite estimar impacto de práticas de manejo de resíduos e orientar políticas públicas para cortar metano em até 30% até 2030.

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Fotos: Lucas Scherer
Com o desafio de alinhar a produção agropecuária à agenda climática global, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Embrapa e o Instituto 17, desenvolveram a ABC+Calc, uma ferramenta inovadora voltada ao monitoramento das emissões no manejo de resíduos da produção animal (MRPA). A iniciativa é fruto de uma cooperação no âmbito do Plano ABC+ e da Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC), programa liderado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), que visa combater as mudanças climáticas e melhorar a qualidade do ar por meio da redução de poluentes de vida curta, como o metano.

A criação da ABC+Calc surgiu a partir da necessidade de melhorar a sistematização e centralização das informações nos níveis federal e estadual que atuam diretamente na implementação do Plano ABC+. Com a ABC+Calc, gestores públicos podem utilizar dados simples, como número de animais e o tipo de sistema de produção adotado, para estimar o potencial de mitigação de metano e monitorar a evolução das práticas de manejo nos territórios. “A ferramenta facilita a compreensão do cenário de emissões, concentrando as informações em único ambiente”, explica o pesquisador Airton Kunz, da Embrapa Suínos e Aves (SC).

Fotos: Lucas Scherer

Ainda de acordo com ele, a ABC+Calc se insere diretamente nas estratégias do Plano ABC+ ao oferecer uma base técnica para o monitoramento das ações ligadas ao Manejo de Resíduos da Produção Animal (MRPA), um dos oito eixos dos Sistemas, Práticas, Produtos e Processos de Produção Sustentáveis (SPS) que estruturam o plano. “A ferramenta, portanto, é fundamental para medir os impactos das práticas adotadas e orientar as decisões técnicas e políticas com maior precisão”, enfatizou o pesquisador. O MRPA é uma estratégia fundamental para o Brasil, considerando que o setor agropecuário responde por 76% das emissões de metano do país, das quais 5,7% estão associadas ao manejo de dejetos animais. A redução dessas emissões é crucial para que o País atinja a meta de reduzir o metano em 30% até 2030 e avance na trajetória de neutralidade climática até 2050.

Uso prático e integração com políticas públicas

Voltada para o uso dos comitês gestores estaduais e pelo próprio MAPA, responsável pelo monitoramento nacional do Plano ABC+, a ABC+Calc é uma ferramenta de apoio às políticas públicas. Com ela, será possível gerar dados sistematizados que não apenas apoiam o cumprimento das metas do Plano ABC+, mas também atenderão diretamente as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) brasileiras no setor agropecuário.

A expectativa é que a calculadora seja, além de replicada em todos os estados, expandida para outras áreas dos SPS do plano ABC+, fortalecendo ainda mais a base de dados disponível para planejamento e acompanhamento climático. Há também a intenção de integrar os dados da ABC+Calc ao Inventário Nacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa, sob responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

“Esperamos que a ABC+Calc se consolide como uma ferramenta pública estratégica para o Brasil, com alto potencial de replicabilidade em nível nacional. O objetivo é que ela esteja a serviço de políticas públicas eficazes na mitigação das emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário — um passo fundamental rumo a uma produção mais sustentável e alinhada às metas climáticas globais”, enfatizou o pesquisador da Embrapa.

Treinamento com GGEs como base para a implementação

Após a conclusão da ferramenta, no fim de 2024, a equipe gestora do projeto iniciou a fase de Capacitação em Manejo de Resíduos da Produção Animal (MRPA) em diversos estados do Brasil. De acordo com a responsável pelos treinamentos, Deisi Cristina Tapparo, gestora técnica do projeto, o momento foi de transformar o conhecimento técnico em ação estruturada com a participação ativa dos GGEs do Plano ABC+, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária e especialistas do setor.

 

Os treinamentos iniciaram em abril com o primeiro grupo. Foram selecionados estados com metas de MRPA no Plano de Ação Estadual (PAE) e o treinamento foi dividido em duas etapas, uma online (introdutória) e outra presencial. “O objetivo foi aprofundar nas oportunidades e desafios específicos de cada estado no MRPA e a utilização da ABC+ Calc”, conta ela. Outro propósito foi o de capacitar os grupos para estruturar políticas estaduais e ações concretas para a implementação do MRPA”. De abril a julho foram capacitados gestores em Santa Catarina, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia.

Projeto e entregas

O desenvolvimento da calculadora é uma das entregas previstas no projeto “Integrando a Mitigação de Metano nas Estratégias Nacionais de Agricultura”, que está sendo conduzido na parceria entre as instituições Mapa, Embrapa, Instituto 17, CCAC. De acordo com Deisi Tapparo, até fim de 2025, a iniciativa prevê três entregas estruturantes: fortalecimento da capacidade técnica dos estados; ferramentas de apoio à política pública, como a ABC+Calc; e levantamento e sistematização de informações técnicas sobre a cadeia pecuária e as soluções de manejo de resíduos da produção animal (MRPA).

Para o pesquisador Airton Kunz, por meio de uma abordagem técnica e territorial, o projeto deixa um legado robusto para a política pública agrícola brasileira, conectando conhecimentos locais às diretrizes nacionais e promovendo um campo mais sustentável, justo e eficiente.

Fonte: Assessoria Embrapa Suínos e Aves

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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