Conectado com

Suínos

Brasil intensifica ações para ampliar reconhecimento internacional como país livre de Peste Suína Clássica

Estratégia envolve monitoramento epidemiológico e integração entre serviços veterinários e entidades do setor.

Publicado em

em

Foto: Ari Dias

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e a Associação Brasileira das Empresas de Genética Suína (ABEGS) participaram, na última terça-feira (10), de reunião híbrida no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), com foco no debate sobre a erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) no Brasil.

Foto: Divulgação/ABCS

O encontro ocorreu na sede do Mapa, em Brasília, no âmbito do Departamento de Saúde Animal (DSA), vinculado à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), e foi conduzido pelo diretor do DSA, Marcelo Motta.

Entre as prioridades debatidas estiveram as estratégias de intervenção nos municípios dos estados do Piauí e do Ceará que compõem a Zona Não Livre (ZnL) de PSC e que registraram ocorrência da doença nos últimos cinco anos, com o objetivo de erradicar a circulação viral.

A diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, reforçou que a agenda foi positiva, com encaminhamentos concretos para a expansão da Zona Livre. Segundo ela, as equipes do DSA/Mapa irão atuar, em conjunto com os Serviços Veterinários Estaduais, na realização de inquéritos soroepidemiológicos para avaliação da circulação viral. “Diversos estados que integram a Zona Não Livre têm a perspectiva de, até 2028, apresentar o pleito de reconhecimento internacional à Organização Mundial de Saúde Animal, avançando no Plano Brasil Livre de PSC”, afirmou.

Para o presidente da ABEGS, Alexandre Rosa, o avanço sanitário é decisivo tanto para o crescimento sustentável da suinocultura brasileira

Diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke: “Alguns mercados estratégicos exigem que o Brasil seja reconhecido como livre de Peste Suína Clássica para autorizar a importação de material genético” – Foto: Divulgação/ABCS

quanto para a abertura de novos mercados internacionais, especialmente para a exportação de material genético. “Alguns mercados estratégicos exigem que o Brasil seja reconhecido como livre de Peste Suína Clássica para autorizar a importação de material genético. Por isso, avançar na erradicação da PSC é fundamental para ampliar o acesso a esses mercados, fortalecer a competitividade da genética suína nacional e consolidar, no cenário internacional, a qualidade da sanidade brasileira”, destacou.

Na avaliação das entidades, o alinhamento técnico e institucional entre o Mapa e o setor produtivo é decisivo para consolidar um ambiente sanitário seguro e competitivo para a cadeia suinícola. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, reforçou que a atuação integrada entre o poder público e a iniciativa privada é essencial para o sucesso do plano de erradicação da PSC. “O trabalho conduzido pelo MAPA, em diálogo permanente com o setor produtivo, é fundamental para avançarmos de forma segura na erradicação da PSC. A construção conjunta de soluções técnicas fortalece a defesa sanitária, dá previsibilidade ao produtor e preserva a credibilidade da suinocultura brasileira nos mercados nacional e internacional”, ressaltou.

Participaram da reunião, de forma online, representantes da ABEGS, da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), da Embrapa Suínos e Aves e da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves). Presencialmente, estiveram presentes representantes da ABCS e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Fonte: Assessoria ABCS

Show Rural

Show Rural exibe robô alimentador de suínos

Sistema analisa dados zootécnicos e comportamentais para reduzir perdas, ajustar ambiência e apoiar decisões rápidas nas granjas.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Show Rural

O 38º Show Rural Coopavel destaca a suinocultura em um pavilhão repleto de inovações que prometem revolucionar a gestão de granjas. A principal atração é a demonstração de um robô alimentador de suínos, uma tecnologia de ponta que integra inteligência artificial e visão computacional para otimizar a produção.

O supervisor de Fomento de Suínos da Coopavel, Gustavo Bernart, ressalta a importância do equipamento. “Esse robô não apenas monitora o consumo de ração nas baias, mas também realiza a pesagem automática dos animais por meio de câmeras. Isso permite uma melhor conversão alimentar e padroniza o peso para a indústria”, ressalta.

Foto: Divulgação/Show Rural

Além disso, o sistema analisa o comportamento dos suínos, permitindo que o produtor, via smartphone ou tablet, tome decisões rápidas e eficazes, como identificar animais doentes ou ajustar a ambiência, reduzindo perdas e otimizando o manejo.

Além do robô, o pavilhão apresenta painéis controladores da qualidade da água, importante para a saúde dos animais e soluções avançadas em ambiência, que garantem o conforto térmico e o bem-estar dos suínos, resultando em melhor desempenho. “Muitas granjas ainda carecem de inovações em ambiência. Trouxemos tecnologias que tornam esse aspecto mais atrativo e eficiente para o produtor”, comenta Bernart.

A receptividade do público tem sido muito boa. “Produtores e até mesmo empresários de outros setores demonstram grande interesse em entender o potencial de investimento e as práticas inovadoras da suinocultura”, expôs.

Como funciona?

O robô faz todo o acompanhamento de consumo de ração nas baias, determinado pela própria Coopavel para a parte de consumo de ração e estímulo dos animais. É dotado de câmeras que fazem a leitura de indicadores importantes sobre a saúde do animal. Isso ajuda tanto no processo para fazer uma melhor conversão alimentar quanto até para a indústria em trazer os animais com um peso padrão. Além disso faz outra leitura, do comportamento desse animal.

O produtor numa tela de celular ou num tablet consegue ver tanto o consumo de ração, peso dos animais e comportamento, fazendo com que ele tome uma ação mais rápida num tratamento mais efetivo, melhorando a ambiência. “Então tudo isso é uma inovação dentro do Show Rural”, menciona Bernart.

Há ainda painéis controladores de qualidade de água oferecida aos animais.

Fonte: Assessoria Show Rural
Continue Lendo

Suínos

Capal premia destaques da suinocultura e reforça incentivo à eficiência produtiva

Programa reconhece produtores com melhor desempenho técnico e estimula evolução contínua nas granjas.

Publicado em

em

Foto: Ana Cláudia Pereira

No mês de janeiro, aconteceu a primeira premiação do Programa Melhores da Suinocultura, promovido pela Capal Cooperativa Agroindustrial. A iniciativa, que tem o objetivo de mostrar os resultados técnicos da produção, reconhecer o trabalho dos produtores e incentivar a transparência e a melhoria contínua do sistema, reconheceu seis cooperados.

Durante o ano de 2025, os resultados zootécnicos da produção foram coletados para a análise, cuja premiação foi dividida em diferentes categorias, como Unidade de Produção de Leitões (UPL), Ciclo Completo e Unidade de Terminação (UT).

Desenvolvimento constante e apoio ao produtor

Na premiação, as lideranças da Capal reforçaram que o reconhecimento vai além dos resultados técnicos, mas representa evolução contínua e compromisso com a atividade.

Para Nisley Travaini, coordenador de Assistência Técnica – Suínos, o intuito é incentivar o crescimento de cada produtor. “Que todos saiam daqui mais motivados do que chegaram. O verdadeiro desafio não é superar os outros, é superar a si mesmo”, afirmou durante o evento de premiação.

O presidente do Conselho de Administração da Capal, Erik Bosch, enfatizou o papel da cooperativa no apoio à modernização das granjas e no acompanhamento técnico constante: “Não tenham medo de investir em equipamentos. Nesse sentido, a equipe da suinocultura está à disposição para fazer um ótimo trabalho, no acompanhamento dos produtores”.

Já a diretora industrial, Valquíria Demarchi Arns, ressaltou o significado do momento de celebração. Para ela, a participação no evento demonstra o empenho e a dedicação dos suinocultores ao longo do ano. “É um orgulho ver a casa cheia, com tantas pessoas que se dedicaram, se esforçaram, para ver os resultados deste programa. Temos o momento para trabalhar, mas também para comemorar”, ressaltou.

Vencedores 2025

Na categoria UPL (Unidade Produtora de Leitões), os vencedores foram, respectivamente, primeiro e segundo lugar, Cornellis Hoogerheide Neto e Henk Salomons. Stieven Elgersma foi reconhecido na categoria Ciclo Completo. Na categoria Unidade de Terminação Aurora, Luan Pot ficou em primeiro lugar e Johannes Bosch, em segundo. Leonardo Noordegraaf ficou em primeiro lugar na categoria Unidade de Terminação – Compra e Venda.

Cada categoria tem critérios de avaliação específicos, como percentual de mortalidade; conversão alimentar; pontuação no check-list do Sistema Aurora Coop; participação em palestras técnicas; entrega de resíduos no programa Descarte Certo; atualização de informações no aplicativo; entre outros.

Fonte: Assessoria Capal
Continue Lendo

Suínos

Doença do Edema amplia impactos silenciosos na suinocultura e exige estratégias preventivas

Presença da Verotoxina pode comprometer desempenho produtivo mesmo sem sinais clínicos, elevando perdas econômicas nas granjas.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Artigo escrito por Daniela Bruna Ferrandin, global Product Manager Latam Hipra; Rafael Cé Viott, technical Services Hipra

A Doença do Edema (DE) é tradicionalmente reconhecida como uma enfermidade que acomete leitões após o desmame, sendo causada por cepas patogênicas de Escherichia coli (E. coli) que colonizam o intestino delgado e possuem a capacidade de produzir a toxina Shiga 2e, também conhecida como Verotoxina 2e (Vt2e). Essas cepas são transmitidas principalmente pela via fecal-oral, a partir de um ambiente previamente contaminado, por meio de água, alimento ou equipamentos, o que torna sua disseminação dentro das granjas um desafio constante.

Uma vez produzida, a Verotoxina tem a capacidade de atravessar a barreira intestinal e alcançar a corrente sanguínea, onde se liga a receptores específicos presentes nas células endoteliais dos vasos sanguíneos. Essa ligação desencadeia uma série de lesões que resultam em extravasamento de líquidos e formação de edemas em diferentes tecidos e órgãos. Os sinais clínicos clássicos da Doença do Edema incluem inchaço das pálpebras e da face, espirros, dificuldade respiratória, incoordenação motora e, em muitos casos, morte súbita de leitões, com ou sem manifestação prévia de sinais clínicos.

Figura1 : Graduação de necrose de orelha presente em leitões vacinados.

A enfermidade ocorre com maior frequência entre 3 e 10 dias pós-desmame, podendo também afetar animais nas semanas finais da fase de creche e início de terminação. A mortalidade pode variar de 10% a 30% nos surtos clínicos, podendo ultrapassar 50% em casos agudos não controlados. Essas perdas diretas, somadas à redução no ganho de peso e ao aumento da variabilidade entre lotes, geram impactos econômicos expressivos sobre a rentabilidade da produção.

No entanto, a manifestação clínica representa apenas a face mais visível de uma condição muito mais complexa. A Verotoxina também pode desencadear uma enterotoxemia subclínica, atualmente reconhecida como Síndrome Associada à Verotoxina (SAV). Nessa forma, os animais aparentam estar saudáveis, mas sofrem com alterações intestinais e vasculares silenciosas, resultando em perdas produtivas significativas. Estudos demonstram que baixas concentrações da toxina são capazes de comprometer a permeabilidade e a integridade da mucosa intestinal, reduzindo a absorção de nutrientes, a eficiência alimentar e o ganho de peso.

Além disso, as lesões vasculares e intestinais provocadas pela Verotoxina aumentam a suscetibilidade a infecções bacterianas secundárias, devido à perda da barreira epitelial intestinal. Em nível vascular, a toxina pode induzir microangiopatia trombótica, interferindo na coagulação sanguínea e resultando em isquemia e necrose de extremidades como cauda e orelhas — sinais de causas multifatoriais, frequentemente subestimados, mas que refletem o dano sistêmico provocado pela toxina.

Tabela1 : Peso de abate de leitões vacinados.

Detecção e controle

A detecção da Verotoxina pode ser realizada de maneira prática e não invasiva, por meio da coleta de fluido oral ou amostras de fezes, permitindo identificar lotes sob risco mesmo na ausência de sinais clínicos. A confirmação da presença da toxina é um indicador direto da circulação de cepas patogênicas de E. coli, orientando a necessidade de adoção de medidas de controle específicas e direcionadas.

Entre as estratégias disponíveis, a vacinação específica contra a Verotoxina tem se mostrado a ferramenta mais eficaz para prevenir tanto a formas clínica da DE quanto as manifestações da síndrome. Diversos estudos comprovam o efeito positivo da vacina inativada e altamente segura, desenvolvida especificamente para proteger os suínos contra os efeitos da Verotoxina 2e. Além da redução direta na mortalidade associada à DE durante a fase de creche, pesquisas recentes demonstraram que a vacinação tem reflexos positivos também na fase de terminação.

Leitões vacinados e desafiados pela Verotoxina apresentaram melhor desempenho produtivo, com 3,05 kg a mais de peso de abate em comparação aos animais não vacinados. Ainda, a incidência de lesões de necrose de orelha foi significativamente menor nos animais vacinados (15,74%) em relação ao grupo controle (36,12%), evidenciando o impacto sistêmico positivo da imunização.

Figura 2 : Diagnóstico da presença de Verotoxina em fluído oral.

Esses resultados reforçam que a Doença do Edema deve ser compreendida não apenas como uma condição clínica isolada, mas como parte de uma síndrome multifatorial associada à Verotoxina, capaz de comprometer simultaneamente a saúde intestinal, o equilíbrio vascular e o desempenho zootécnico dos suínos. O controle efetivo dessa síndrome só é possível com a vacinação específica para a Verotoxina, que atua prevenindo tanto os efeitos clínicos quanto os subclínicos da enterotoxemia, proporcionando uma produção mais estável, saudável e rentável.

Mais do que tratar sintomas, a vacinação representa a base de uma estratégia preventiva moderna, científica e eficaz contra a Síndrome Associada à Verotoxina.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo