Avicultura Prevenção de emergências sanitárias
Brasil inicia testes em humanos de vacina contra gripe aviária
Estudo clínico busca preparar o País para enfrentar futuras pandemias com vírus de alta letalidade.

O Brasil iniciou uma nova etapa na prevenção de possíveis pandemias provocadas pela gripe aviária. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o Instituto Butantan a dar início aos testes clínicos em humanos da vacina contra o vírus influenza A (H5N8). O imunizante é o primeiro do país voltado especificamente para essa variante da gripe aviária, que já demonstrou capacidade de infectar mamíferos e levanta preocupações sobre seu potencial de disseminação global.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O imunizante começou a ser desenvolvido em janeiro de 2023, com base em cepas vacinais cedidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A tecnologia utilizada é a mesma empregada nas vacinas contra a influenza sazonal, já produzidas em larga escala pelo Butantan.
Estudo clínico será realizado com 700 voluntários
As fases 1 e 2 do ensaio clínico envolverão 700 participantes entre adultos e idosos, distribuídos em cinco centros de pesquisa nas cidades de São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Ribeirão Preto (SP), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE). O estudo será realizado em etapas, conforme resultados de segurança forem sendo validados.
A primeira fase contemplará 70 adultos de 18 a 59 anos, que receberão duas formulações distintas da vacina. Se os dados indicarem segurança, o grupo será ampliado para mais 280 pessoas. Em seguida, a segunda fase incluirá inicialmente 70 idosos, podendo ser expandida para outros 350 voluntários com mais de 60 anos, caso os resultados sigam positivos.
A vacina será aplicada em duas doses, com intervalo de 21 dias. O estudo é do tipo duplo-cego, em que nem os

Foto: Divulgação/Freepik
voluntários nem os pesquisadores sabem quem está recebendo o imunizante e quem está recebendo placebo. Esse modelo é considerado o mais robusto para avaliar a segurança e a resposta imunológica da vacina.
Potencial de pandemia preocupa cientistas
Embora os casos de gripe aviária em humanos sejam raros, o subtipo H5N8 do vírus influenza A é monitorado de perto por autoridades sanitárias internacionais. Segundo a OMS, a taxa de letalidade nos casos humanos conhecidos é próxima de 50%, e os contágios geralmente ocorrem após contato com aves infectadas ou seus dejetos.
Em 2023, um estudo publicado na revista Science apontou que uma única mutação poderia tornar o H5N8 transmissível entre humanos, o que aumentaria drasticamente o risco de uma pandemia. “O vírus de influenza A (H5N1) está sendo transmitido de aves para aves, de aves para mamíferos, de mamíferos para mamíferos, de aves para humanos e de mamíferos para humanos. Só não vimos ainda a transmissão de pessoa para pessoa, mas existe o potencial de o vírus adquirir essa capacidade, o que é muito perigoso porque aumenta o risco de uma pandemia”, alertou Paulo Lee Ho, gerente de Desenvolvimento e Inovação de Produtos do Butantan.
Butantan projeta produção de 30 milhões de doses

Foto: Divulgação/Ministério da Saúde
Caso o imunizante comprove segurança e eficácia nas etapas finais, o Instituto Butantan estima que poderá produzir até 30 milhões de doses. O volume seria suficiente para responder rapidamente a surtos emergenciais, especialmente entre trabalhadores da avicultura e outros grupos de maior exposição.
Segundo o diretor do Instituto, Esper Kallás, o objetivo é garantir que o Brasil esteja preparado para agir com agilidade diante de uma eventual crise sanitária. “A preparação é a melhor forma de prevenção. Ainda que o vírus não esteja circulando entre humanos no país, o cenário global exige vigilância e estratégia”, afirmou.
O estudo clínico será finalizado até 2026 e faz parte dos esforços para fortalecer a capacidade nacional de resposta a ameaças virais com alto potencial pandêmico, com base nos aprendizados deixados pela pandemia de Covid-19.

Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.
Avicultura
São Paulo confirma caso de gripe aviária em ave silvestre
Diagnóstico foi feito em ave resgatada em área urbana de Guaíra. Defesa Agropecuária iniciou investigação epidemiológica e reforçou medidas sanitárias.

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) de 2026. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) após análise de amostras coletadas de uma irerê (Dendrocygna viduata), ave silvestre resgatada em uma área urbana e encaminhada ao zoológico de Guaíra, no Departamento Regional de Barretos.
O material foi coletado pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), no dia 8 de julho. A IAAP é uma forma grave da gripe aviária, que pode provocar elevada mortalidade entre as aves.
Após a confirmação do diagnóstico, a Defesa Agropecuária adotou uma série de medidas sanitárias. O trânsito de animais no zoológico de Guaíra foi interditado, e teve início uma investigação epidemiológica para avaliar possíveis riscos de disseminação do vírus.
A vigilância também foi intensificada em três granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco. Segundo a Secretaria da Agricultura, duas dessas propriedades estão em período de vazio sanitário e não possuem aves alojadas. Além do monitoramento, equipes técnicas prestaram orientações aos responsáveis pelas granjas.
As autoridades reforçam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite a gripe aviária. A recomendação é que a população não manipule aves doentes ou encontradas mortas e comunique imediatamente qualquer suspeita à Defesa Agropecuária. Caso seja necessário o contato com esses animais, o procedimento deve ser realizado apenas com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que acompanha o caso em conjunto com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A pasta também monitora as pessoas envolvidas na ocorrência.
De acordo com a SES, São Paulo não registrou casos de gripe aviária em humanos até o momento. A secretaria destaca que a infecção em pessoas ocorre, principalmente, por meio do contato direto com aves infectadas.
Para orientar a resposta a esse tipo de ocorrência, o estado mantém um Plano de Contingência para Influenza Aviária em Humanos, elaborado em 2023 e atualizado em 2025 pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).



