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Brasil está na corrida pela carne de frango cultivada

Embrapa leva adiante pesquisa que deve gerar em laboratório um protótipo de filé de frango até o final deste ano. Já existem 25 projetos nessa direção no mundo. Dois países têm legislação aprovada para o consumo.

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Por razões de demanda, de sustentabilidade, de bem-estar animal, de inovação. São várias as molas propulsoras, mas o mundo está em busca da produção da carne de frango em laboratório e o Brasil faz parte dessa maratona. Um dos projetos existentes no País é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma das instituições de pesquisa do agronegócio mais respeitadas no Brasil e no mundo, que pretende estar com o seu protótipo de filé de frango cultivado pronto até o final deste ano.

Engenheira de Alimentos da Embrapa Suínos e Aves, Vivian Feddern, lidera pesquisa da carne de frango cultivada – Fotos: Divulgação/Embrapa

O trabalho pelo desenvolvimento da carne de frango cultivada da Embrapa acontece desde o começo de 2022 na Unidade Suínos e Aves da instituição, que fica na cidade de Concórdia, no estado de Santa Catarina. Com recursos próximos de R$ 1 milhão, conseguidos na organização internacional The Good Food Institute (GFI) por meio de um edital, o projeto tem atualmente a colaboração de 15 profissionais de áreas que vão de zootecnia e veterinária até química, genética, medicina, engenharia de alimentos, economia e bioinformática.

Tudo começou com a inquietude da engenheira de alimentos Vivian Feddern, que trabalha com qualidade de carnes na Embrapa Suínos e Aves e foi estimulada a imergir no assunto da carne cultivada. Após fazer pesquisas sobre o tema, apresentações em auditório e tentativas não muito bem-sucedidas de publicar textos sobre o assunto em revistas vide a resistência ao tema, ela viu no edital a chance de transformar a teoria em prática e inserir a Embrapa de vez nessa investigação de vanguarda.

Vieram a formação de uma equipe multidisciplinar unindo conhecimentos de vários campos, a compra de equipamentos e o início dos trabalhos em laboratório. Feddern, que é líder do projeto e tem mestrado e doutorado em Engenharia e Ciência de Alimentos, conta que a escolha foi por retirar as células de ovos embrionados de frango para produzir a carne. Em uma explicação simplificada do processo, as células são colocadas em recipientes em meio nutritivo com substâncias que necessitam para crescer e se multiplicar, em ambiente que precisa ser renovado.

Início do trabalho com biomaterial
Em uma fase posterior, as células irão para um biorreator, máquina comprada pelo projeto que já foi entregue na Embrapa, mas que ainda necessita de equipamentos correlatos para entrar em funcionamento. No biorreator haverá expansão maior das células e possibilidade de mais controles sobre o processo, entre outros benefícios. De acordo com Feddern, no momento, o trabalho está focado em fazer as células se grudarem, formando um filezinho de sassami, que é o objetivo do projeto. “A gente precisa fazer ficar em 3D, ter uma estrutura, uma cara de carne mesmo”, explica a pesquisadora.

Feddern conta que a base da carne cultivada é a reconstrução de tecidos. Ela vê no cultivo o benefício de poder adicionar produtos à carne, como fibra ou ômega, por exemplo, fazendo um alimento personalizado. O projeto na Embrapa, porém, tem como objetivo reproduzir apenas um filé do frango tradicional. “A nossa meta é fazer com que pelo menos seja igual, porque melhorado, personalizado, já seria um passo além”, diz.

Mercado e preços

Depois do protótipo pronto, a Embrapa deve procurar uma empresa para tocar o projeto, o que incluiria a inserção da carne de frango cultivada no mercado. De acordo com Feddern, já há empresas interessadas. O trabalho dentro da Embrapa também prevê, no entanto, os estudos de viabilidade econômica do produto. A pesquisadora conta que no momento a carne cultivada está longe de conseguir competir com o preço do frango tradicional. Ela acredita que daqui 10 ou 15 anos poderá haver paridade nos valores.

A pesquisadora também tem a percepção que num primeiro momento a carne de frango cultivada será consumida apenas por pessoas de maior renda ou por aqueles que querem provar. Feddern diz que as pessoas estão muito curiosas em relação ao gosto. “E o bom dela é que tem o apelo de sustentabilidade também”, complementa. Se fossem colocados aditivos descritos acima na carne, ela ficaria ainda mais cara, segundo Feddern.

Onde há consumo

Já existe consumo de carne cultivada em alguns países do mundo. No caso do frango, há legislação aprovada para o consumo em Singapura e nos Estados Unidos. Nesse último país, as licenças são dadas para empresas e produtos específicos. Atualmente duas companhias já estão autorizadas a vender nos Estados Unidos. No Brasil não há legislação ainda. Feddern acredita que quando ela sair, deverá vir de forma conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No mundo, existem atualmente 25 projetos de carne de frango cultivada em andamento. A líder do projeto na Embrapa não vê no novo produto uma ameaça à carne de frango tradicional e acredita que haverá espaço para as duas. “A carne tradicional nunca vai terminar”, afirma. Ela percebe, inclusive, nesse cultivo a possiblidade de produção por países como os árabes, que não têm as condições climáticas adequadas para criar frangos. A engenheira acredita que os árabes possam ser parceiros do Brasil na área, com cooperação técnica, desenvolvimento e compartilhamento de know-how.

Fonte: Anba

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Degradação do solo compromete produtividade e amplia custo no campo

Áreas com perda de matéria orgânica e avanço da erosão desafiam modelo baseado em insumos químicos, enquanto bioinsumos ganham espaço como estratégia de reconstrução biológica e redução da dependência externa.

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Foto: Divulgação

O solo agrícola brasileiro dá sinais claros de esgotamento. A perda de matéria orgânica, o desequilíbrio biológico e a redução da fertilidade natural já impactam a produtividade das lavouras e elevam o custo de produção em diferentes regiões do país, colocando em xeque a eficiência do atual modelo produtivo. Esse processo, que muitas vezes avança silenciosamente, já é sentido diretamente no campo e no bolso do produtor.

Na prática, a degradação se traduz em menor disponibilidade de nutrientes, queda da atividade microbiana e aumento da suscetibilidade à erosão. “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor. Esse desequilíbrio pressiona a rentabilidade e compromete a sustentabilidade do sistema produtivo”, afirma administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque.

Administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque: “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor”

Estudos conduzidos pela Embrapa apontam que os solos brasileiros apresentam, em média, erodibilidade moderada, com áreas de maior risco concentradas principalmente no Nordeste, onde já se observam processos de desertificação. O levantamento reforça a necessidade de ações prioritárias de conservação e manejo para evitar a perda de terras produtivas.

O desafio é ainda mais evidente nas pastagens. Levantamentos recentes indicam que cerca de 109 milhões de hectares apresentam algum nível de degradação, demandando investimentos elevados em recuperação e manejo adequado para manter a atividade pecuária viável no longo prazo.

Para Sheilla, esse cenário expõe os limites do modelo baseado na intensificação química, com uso crescente de fertilizantes e corretivos para compensar a perda da qualidade do solo. “A dependência de insumos importados torna o produtor mais vulnerável à volatilidade cambial e a choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, a degradação física e biológica reduz a eficiência desses insumos, criando um ciclo de mais gasto e menor resposta agronômica”, avalia.

Diante desse contexto, ganha espaço a discussão sobre a reconstrução biológica do solo. O Programa Nacional de Bioinsumos, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar o uso de insumos de base biológica como estratégia para reduzir a dependência externa, fortalecer a sustentabilidade e elevar a eficiência produtiva da agropecuária brasileira. O programa prevê estímulos à pesquisa, apoio a biofábricas e disseminação dessas tecnologias em diferentes regiões do país.

Os bioinsumos incluem microrganismos benéficos, biofertilizantes e soluções voltadas à nutrição do solo e ao controle biológico, com foco na recuperação da microbiota, na melhoria da estrutura física do solo e no fortalecimento dos ciclos naturais de nutrientes. “Essas tecnologias contribuem para maior resiliência das lavouras, especialmente em cenários de estresse hídrico e climático”, explica Sheilla.

Nesse movimento, o solo deixa de ser visto apenas como suporte físico da planta e passa a ser tratado como um organismo vivo: condição considerada essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo.

Fonte: Assessoria Vitalforce
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Calor extremo amplia risco sanitário e pressiona cadeias de proteína animal

Com temperaturas acima da média e maior variabilidade climática, setor reforça biossegurança para proteger produção e preservar exportações recordes de carne bovina.

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Foto: Shutterstock

A temporada de verão mantém e tende a intensificar o padrão de calor extremo observado no último ano no Brasil. Em 2025, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do território nacional, e os primeiros meses da estação já registram episódios de calor intenso combinados com maior instabilidade climática. O ambiente favorece a proliferação de vírus, bactérias e vetores, elevando o risco sanitário nas propriedades rurais.

Foto: Luiza Biesus

O cenário impõe um desafio direto ao agronegócio, especialmente às cadeias de proteína animal, cuja competitividade externa depende do controle rigoroso de sanidade. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), indicam que, em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram recorde de 3,5 milhões de toneladas embarcadas.

O aumento das temperaturas intensifica o estresse térmico nos animais, amplia a carga microbiana nos ambientes de produção e eleva o risco de contaminação durante transporte e manejo. Para o engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica, a resposta precisa ser estrutural. “Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo. Depender apenas de higienização manual já não basta. A tecnologia se tornou prioridade para garantir padronização, rastreabilidade e resposta ágil a ameaças sanitárias”, ressalta Dias.

Engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica: “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio” – Foto: Arquivo pessoal

Soluções automatizadas de biossegurança permitem hoje monitorar etapas críticas, como limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas, controle de temperatura e fluxo de animais. A digitalização desses processos gera registros auditáveis, que facilitam a comprovação de conformidade perante mercados exigentes, como União Europeia, China e países do Oriente Médio. “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio. Com verões mais quentes e instabilidade climática crescente, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica”, destaca Dias.

A combinação entre aquecimento global, maior frequência de eventos climáticos extremos e exigências sanitárias mais rigorosas desloca a proteção sanitária para o centro da estratégia de competitividade do setor. Para a pecuária brasileira, o desafio vai além da estação: trata-se de estruturar sistemas resilientes capazes de assegurar produtividade e acesso a mercados ao longo de todo o ano.

Fonte: O Presente Rural com Grupo Setta
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Câmara Setorial do Trigo de São Paulo abre agenda de 2026 com debate sobre safra e mercado

Reunião em 05 de março, na Cooperativa Capão Bonito, discutirá próximo ciclo produtivo e expectativas de produção.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O setor do trigo de São Paulo se reúne no dia 05 de março para a primeira reunião da Câmara Setorial do Trigo do estado, que será realizada no auditório da Cooperativa Capão Bonito, a partir das 10 horas. O encontro, que terá transmissão on-line, pelo canal do Sindustrigo no YouTube, promove debates estratégicos voltados ao cenário produtivo e de mercado da cultura no estado, além da eleição do presidente que assume o grupo por dois anos.

Os interessados em acompanhar a transmissão online podem se inscrever clicando aqui.

Entre os temas em pauta estão a avaliação dos materiais disponíveis e as novidades para a próxima safra, com apresentações da OR Sementes, GDM Seeds e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Também serão discutidos o andamento do plantio, as expectativas de produção e produtividade, a partir de reporte das principais cooperativas do estado, e a conjuntura do trigo nos mercados nacional e internacional, que será apresentada pelo consultor em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Jonathan Pinheiro.

Segundo o presidente da Câmara, Nelson Montagna, a reunião marca o início de um ciclo estratégico para o setor que, diante do atual patamar de preços, tem como expectativa a manutenção da área cultivada em São Paulo, com eventuais ajustes pontuais relacionados à rotação de culturas.

O dirigente explica que a última safra apresentou boa qualidade e que a perspectiva é de repetição desse desempenho no próximo ciclo. Montagna também reforça a importância de manter o estímulo ao aumento da produção paulista, especialmente considerando a expectativa de crescimento da moagem no estado, impulsionada pela reforma tributária.

“São Paulo deve ampliar de forma significativa sua capacidade de processamento, o que abre espaço para maior absorção do trigo produzido localmente. Ainda que a reforma possa favorecer a competitividade de grãos oriundos de outras regiões, o estado segue com condições favoráveis para fortalecer sua própria cadeia produtiva”, afirma.

Fonte: Assessoria Sindustrigo
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