Bovinos / Grãos / Máquinas
Brasil envia 111 bovinos de raça Gir ao Equador
Ação contou com a fiscalização dos auditores fiscais federais agropecuários para assegurar protocolos sanitários e bem-estar animal.

Uma operação especial, que garantiu o embarque de 111 bovinos de raça com destino ao Equador, no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), foi concluída no início desta semana. A ação contou com a fiscalização dos auditores fiscais federais agropecuários, responsáveis por garantir que os animais cumprissem todas as exigências sanitárias internacionais e viajassem em condições adequadas de bem-estar. O lote, formado majoritariamente por exemplares da raça Gir Leiteiro, vai contribuir para o melhoramento genético do rebanho equatoriano. Os bois já desembarcaram em Quito e seguirão para propriedades rurais no país, todos em boas condições de saúde.
Os bovinos, provenientes de criadores da região de Uberaba (MG), foram adquiridos por produtores e por projetos de parceria público-privada no país vizinho com o objetivo de melhorar a genética do rebanho leiteiro do Equador. Conhecida por sua adaptação a climas quentes e úmidos, a raça Gir, quando cruzada com Holandesa ou Jérsei, gera animais de alta produtividade e resistência, aumentando a eficiência da pecuária leiteira.

Inspeção de saúde dos animais e a emissão do Certificado Zoosanitário Internacional ficaram a cargo dos auditores fiscais federais agropecuários
De acordo com o auditor fiscal federal agropecuário André Marcondes, que é médico veterinário e atua no Aeroporto de Viracopos, a preparação para a exportação começou meses antes do embarque, com seleção criteriosa dos animais e quarentena em propriedade aprovada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela pasta similar no Equador. Nesse período, foram realizados exames para detecção de doenças e tratamento contra parasitas, seguindo protocolos do país importador.
A inspeção de saúde dos animais e a emissão do Certificado Zoosanitário Internacional ficaram a cargo dos auditores fiscais federais agropecuários do Serviço de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) de Viracopos. O documento é uma exigência que deve ser cumprida antes do embarque.
“Tão importante quanto os protocolos sanitários são os cuidados com o bem-estar animal. Nessa operação, cada detalhe é cuidadosamente pensado e planejado para reduzir ao máximo o estresse dos animais. Desde a definição do trajeto dos caminhões, o horário de saída da propriedade, o horário da chegada deles ao aeroporto, o tempo de descanso no Terminal de Carga Viva até o embarque nas baias de viagem. Tudo é pensado levando em conta o bem-estar animal”, afirmou o médico veterinário responsável pela fiscalização.
A operação foi conduzida pela AlvoAgro, especializada na exportação de animais vivos, que ressalta a importância da genética brasileira para o mercado externo e o impacto positivo no desempenho do rebanho leiteiro equatoriano. Segundo Marcelo Eduardo Guandalini, as negociações para a importação dos bois começaram há mais de um ano.

Inspeção federal assegura que cada animal viaje com segurança e em conformidade com as normas de bem-estar
Para o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, operações como essa reforçam o papel estratégico dos auditores na garantia da qualidade dos embarques de animais vivos. “Assim como temos a responsabilidade de proteger a saúde pública e o status sanitário do Brasil, nosso trabalho assegura que cada animal viaje com segurança e em conformidade com as normas de bem-estar, fortalecendo a credibilidade do país no mercado internacional de genética bovina”, afirmou.
O Anffa Sindical reforça que a fiscalização agropecuária é um pilar essencial para assegurar a sanidade e o bem-estar animal em operações internacionais, além de contribuir para a confiança mútua entre países parceiros. A cooperação técnica e sanitária com nações do Mercosul e de outros blocos econômicos é fundamental para expandir mercados, fortalecer cadeias produtivas e promover um comércio agropecuário sustentável e seguro.

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Exportações de lácteos caem em janeiro e déficit supera US$ 71 milhões
Leite em pó lidera compras externas, e queijos registram alta de quase 18% nas importações.
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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso
Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.
O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.
Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.
Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.
Como funciona o programa
Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).
Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.
O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.
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Nova ferramenta digital busca aumentar produtividade na pecuária de corte
Sistema de apoio à decisão analisa rebanhos estabilizados e transforma dados técnicos em projeções práticas para o campo.

O Simulador Pecuaria.io, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul (RS), pretende impactar a gestão da pecuária de corte ao oferecer simulações gratuitas e intuitivas que ajudam o produtor a entender, na prática, como cada decisão de manejo impacta a produtividade e o resultado econômico da fazenda. A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet, e permite comparar cenários, projetar indicadores zootécnicos e planejar investimentos, tornando a gestão do rebanho mais estratégica, previsível e eficiente.

A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet – Foto: Divulgação
Segundo Vinicius Lampert, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, o projeto foi concebido como um sistema de apoio à decisão (SAD), com base em indicadores zootécnicos e econômicos que traduzem informações complexas em resultados práticos. “A proposta é permitir que o produtor simule diferentes cenários zootécnicos do rebanho e compreenda como ajustes em alguns indicadores influenciam a eficiência produtiva e financeira da pecuária”, reforça.
Lampert destaca que a ferramenta analisa o desempenho da fazenda em rebanhos estabilizados, especialmente em sistemas de ciclo completo (do nascimento ao abate). Na prática, rebanhos estabilizados referem-se a sistemas fechados e em equilíbrio, onde a proporção de cada categoria animal reflete diretamente as taxas de nascimentos, mortes e vendas da própria propriedade, sem a necessidade de comprar gado externo. Em breve será lançada também uma versão específica para ser utilizada em sistemas de cria (produção de bezerros). “Trata-se de uma ferramenta que combina simplicidade, embasamento científico e aplicabilidade direta no campo”, ressalta Lampert.
Já para Thomás Capiotti, diretor-executivo da Inovatech, a inovação trazida pelo projeto é sem precedentes. “Uma métrica que mostra claramente que estamos no caminho certo é que, após uma palestra que ministramos na Expointer 2025, usuários de 14 estados passaram a utilizar a plataforma Pecuaria.io em menos de um mês. Participei de eventos de inovação em diversos lugares e afirmo, com convicção, que o que estamos construindo aqui é revolucionário. Estou certo de que estamos resolvendo uma dor real do mercado com esta AgTech, que tem um potencial de escalabilidade gigantesco. O agro brasileiro representa um terço do PIB e alimenta cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo. Trazer inovação para um setor tão estratégico é, sem dúvida, uma oportunidade transformadora para o Brasil”, destacou.
Para Lampert, a ferramenta representa um avanço significativo para a adoção de tecnologias digitais na pecuária de corte. “Com ela, buscamos aproximar a ciência da rotina de gestão das fazendas. É um simulador que combina simplicidade de uso com embasamento técnico sólido, permitindo avaliar resultados e planejar melhorias com mais segurança”, ressalta.
O objetivo é facilitar o planejamento estratégico e reduzir as incertezas da gestão produtiva ao conectar informações técnicas e econômicas de forma prática e visual. “O Simulador Pecuaria.io, é um exemplo de como a tecnologia pode ser usada para profissionalizar a pecuária, tornando a gestão mais previsível, sustentável e rentável”, enfatiza o pesquisador.
Desafio da produtividade no campo
Apesar da relevância econômica da pecuária de corte no Brasil, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à baixa produtividade por hectare. Segundo Lampert, isso se deve, em grande parte, à dificuldade em avaliar o efeito integrado de decisões de manejo, como ajustes na taxa de desmame, idade de abate e acasalamento ou na capacidade de suporte das pastagens.
O pesquisador observa que, muitas vezes, o produtor tem acesso aos dados, mas falta uma ferramenta que traduza essas informações em projeções claras sobre o impacto na produção a partir de dados reais por ele informados. “O Simulador Pecuaria.io foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna”, finaliza o pesquisador.






