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Brasil é único grande exportador de carne suína com previsão de crescimento em 2025, aponta economista
Alta produtividade, custos de ração mais baixos e novos mercados internacionais fortalecem a competitividade do Brasil no mercado global de carne suína, mas especialistas alertam para a necessidade de gestão cuidadosa e equilíbrio na expansão.

A suinocultura brasileira atravessa um dos períodos mais promissores da última década. Depois de anos marcados por margens apertadas e volatilidade nos custos, o setor vive uma fase de alívio, resultado direto da queda nos preços dos principais insumos da ração, como milho e farelo de soja, e da conquista de novos mercados internacionais.
De acordo com Cesar de Castro Alves, engenheiro agrônomo, mestre em Economia Aplicada e gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, o cenário atual combina produtividade, eficiência e um reposicionamento estratégico do Brasil no comércio global de proteínas animais. “O momento é de margens bastante favoráveis e sustentáveis no curto prazo. Estimamos um spread da ordem de 24% na média dos sete primeiros meses de 2025 e 18% nos últimos dois anos terminados em julho. Para comparação, a média histórica desde 2006 é de -1%, e desde 2014, de apenas 3%. O momento é favorável e esperamos que assim continue pelo menos nos próximos seis meses”, destacou durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em outubro, em Belo Horizonte (MG).

Engenheiro agrônomo, mestre em Economia Aplicada e gerente de Consultoria Agro do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves: “A concentração das exportações em um único país trouxe ganhos rápidos no passado, mas também expôs o setor à volatilidade. Hoje, vemos uma estrutura de exportação mais equilibrada, o que é positivo para a sustentabilidade do negócio”
O especialista explica que a análise das margens da atividade é feita a partir dos custos de produção apurados pela Embrapa Suínos e Aves, combinados com os preços do suíno vivo na região Sul e em Minas Gerais, ponderados pela participação desses estados nos abates nacionais.
O ambiente positivo é sustentado, sobretudo, pela boa safra de milho 2024/25, estimada em 135 milhões de toneladas, 11% acima da anterior e próxima do recorde histórico de 2022/23, de 137 milhões. “Esse volume é mais do que suficiente para atender o consumo interno e ainda garantir exportações robustas, sem pressão sobre os preços”, observa Alves.
O milho, principal componente das rações, deve ter demanda doméstica de 57 milhões de toneladas, alta de 1% sobre o ciclo anterior. O uso para etanol de milho, que vem crescendo de forma consistente, deve alcançar 21 milhões de toneladas, avanço de 21%. “Mesmo com esse aumento expressivo, ainda teremos estoques de passagem confortáveis, na casa de 15 milhões de toneladas, contra 9 milhões no ano anterior”, detalha Alves.
Diversificação e novos destinos
Enquanto a China reduz gradualmente suas compras, após o pico de demanda gerado pela Peste Suína Africana entre 2019 e 2020, o Brasil vem consolidando novos mercados e maior diversificação de destinos. “A concentração das exportações em um único país trouxe ganhos rápidos no passado, mas também expôs o setor à volatilidade. Hoje, vemos uma estrutura de exportação mais equilibrada, o que é positivo para a sustentabilidade do negócio”, afirma Alves.
A experiência recente mostra que momentos de margens muito favoráveis tendem a estimular a produção, o que, se não for acompanhado pela demanda, pode gerar ciclos de ajuste dolorosos, com redução de preços e saída de produtores menos tecnificados. “Como a suinocultura tem um ciclo produtivo mais longo que a avicultura, ajustes de oferta e demanda são mais lentos. Por isso, o desafio agora é manter o crescimento com equilíbrio, evitando os excessos do passado”, explica.
Cautela com otimismo
Apesar do cenário positivo, o especialista recomenda cautela. O comportamento do câmbio, o ritmo de crescimento das exportações e a evolução dos custos de produção, especialmente no segundo semestre de 2026, serão determinantes para manter a rentabilidade. “O produtor vive um momento de margens confortáveis, mas não pode perder de vista o aprendizado das crises anteriores. Gestão, eficiência e governança são essenciais para atravessar os ciclos com estabilidade”, enfatiza Alves.
Desafios e oportunidades
Se o custo dos insumos tem sido um dos principais pilares do bom momento da suinocultura, o equilíbrio desse cenário ainda depende de fatores que extrapolam o controle do produtor. O milho, base da alimentação dos suínos, volta ao centro das atenções, agora por um motivo oposto ao de anos anteriores: o risco de excesso de oferta e queda de competitividade no mercado externo.
Segundo Alves, o Brasil colheu uma safra volumosa, mas enfrenta dificuldade para exportar parte expressiva desse cereal. “A necessidade de exportação desse montante de milho esbarra atualmente na ausência de competitividade, visto que o cereal brasileiro segue negociado acima da paridade de exportação com o produto dos Estados Unidos, cuja safra caminha muito bem, podendo superar 400 milhões de toneladas”, explica.
Com a colheita americana se aproximando, a concorrência nos portos internacionais tende a se acirrar, o que pode resultar em estoques de passagem ainda maiores no Brasil. “Não será trivial ao país exportar esse volume todo de milho”, observa o analista, mencionando que a comercialização também avança em ritmo mais lento. “Menos da metade da produção foi vendida, o que aumenta a pressão sobre os armazéns e sobre os preços internos”, destaca.
Etanol de milho muda o jogo

Em contrapartida, o avanço da produção de etanol de milho, impulsionado pela Lei do Combustível do Futuro, deve alterar de forma estrutural o mapa de consumo do grão. O aumento gradual da mistura obrigatória do biocombustível à gasolina abre um horizonte de demanda robusto para os próximos anos. “O boom do etanol de milho no Brasil cria uma demanda considerável pelo cereal, o que vai gerar maior concorrência com os consumidores de ração”, avalia Alves.
A notícia, porém, não é negativa para o setor de proteínas animais. O crescimento das plantas de etanol vem acompanhado de uma oferta crescente de coprodutos, como os DDGs (grãos secos de destilaria), ingredientes ricos em proteína e energia, que podem substituir parcialmente o milho e o farelo de soja na alimentação animal. “A produção de milho irá se expandir acompanhando o setor, o que deve gerar quantidades substanciais de coprodutos do processo industrial, beneficiando diretamente as proteínas animais”, aponta o economista do Itaú BBA.
Farelo de soja mais competitivo
A dinâmica é semelhante no mercado de soja. O aumento do esmagamento doméstico para atender à produção de biodiesel também tende a ampliar a oferta de farelo no mercado interno e a abrir espaço para o Brasil disputar novas fatias das exportações globais, tradicionalmente dominadas pela Argentina. “O Brasil deverá avançar como exportador de farelo, e isso deve pressionar os preços domésticos para baixo no médio e longo prazo. Acreditamos que os preços de DDG e farelo de soja no país ficarão bastante competitivos, favorecendo diretamente as proteínas animais”, projeta Alves.
Mercado global
O cenário internacional também contribui para reforçar o bom momento da suinocultura brasileira. De acordo com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção global de carne suína deverá crescer apenas 0,2% em 2025, alcançando 116,7 milhões de toneladas. Os dois maiores produtores mundiais, China e União Europeia, respondem juntos por 67% da produção e devem manter volumes estáveis, a China sem variação relevante e a Europa com uma leve queda de 0,9%.
Entre os grandes exportadores, apenas o Brasil deve registrar crescimento nas vendas externas neste ano, com alta estimada de 4,5%, segundo o USDA. “O crescimento acumulado até julho foi de quase 15%. O desempenho brasileiro tem surpreendido e reforça a competitividade do país no mercado internacional”, reforça o analista.
Há seis anos, com o avanço da Peste Suína Africana na China, a produção do país asiático despencou de 54 milhões de toneladas em 2018 para 36 milhões em 2020, uma retração de 32% em dois anos. Para suprir a escassez interna, as importações chinesas saltaram de 1,4 milhão para 5,3 milhões de toneladas no período, abrindo um mercado extraordinário para o Brasil, que passou a destinar mais de 50% de suas exportações à China.
Com a recuperação da produção chinesa, que retornou a 55 milhões de toneladas em 2022, o Brasil conseguiu realizar um movimento que o setor vinha perseguindo há anos: diversificar os destinos das exportações. “Mesmo com a redução das vendas à China, o país teve enorme sucesso em compensar esse recuo com a conquista de novos mercados, o que garante mais estabilidade e previsibilidade ao setor”, avalia Alves.
Filipinas, Japão e Coreia do Sul estão entre os principais mercados onde a carne suína brasileira vem ampliando espaço, com destaque para as Filipinas, que hoje representam 20% das exportações brasileiras, ante os 50% que a China detinha em 2020. Essa desconcentração da pauta exportadora é vista como um dos avanços mais relevantes do setor nos últimos anos.
Crescimento com equilíbrio

Mesmo com o sucesso nas exportações, o consumo doméstico segue em alta e continua respondendo por cerca de 75% da produção nacional, uma base sólida que ajuda a proteger o setor das oscilações externas. “O cenário atual favorável tem relação com a boa oferta de grãos, que se traduz em custos menores de ração, mas também é fruto do trabalho de longo prazo de construção da demanda interna e externa pela carne suína brasileira”, expõe Alves.
O especialista, no entanto, reforça que a suinocultura é um setor intrinsecamente volátil e que a gestão financeira precisa seguir em alerta. “As boas margens tendem a estimular o aumento da produção, mas isso precisa vir acompanhado da expansão contínua da demanda, para evitar desequilíbrios no futuro próximo”, adverte.
Com o mercado de milho cada vez mais competitivo, dividido entre exportações, indústria de etanol e alimentação animal, Alves enfatiza que, neste momento, o setor suinícola deve priorizar eficiência produtiva, inovação tecnológica e acompanhamento contínuo do cenário global de grãos e proteínas. “É um momento de bons ventos, mas também de prudência. O sucesso daqui para frente dependerá da capacidade de equilibrar expansão e segurança de mercado”, analisa.
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Acordo Mercosul-UE deve abrir mercado europeu para queijos e produtos da agricultura familiar
Ministro Paulo Teixeira afirma que a iniciativa amplia oportunidades para produtores familiares, com destaque para queijos mineiros, e pode elevar exportações de lácteos ao mercado europeu sem tarifas.

O acordo comercial de livre comércio firmado entre o Mercosul e a União Europeia (UE) beneficiará a agricultura familiar brasileira, com destaque para aqueles que produzem café e frutas, disse o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira. Ele acredita que há também potencial para os produtos lácteos, em especial para os queijos de Minas Gerais.
Nas palavras de Paulo Teixeira, “a agricultura familiar vai bombar” com o acordo firmado entre os dois blocos.
O ministro participou nesta terça-feira (20) do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). “A agricultura familiar vai ganhar muito com esse acordo”, ressaltou o ministro ao lembrar que a produção de café no país é predominantemente de agricultores familiares. “Eles, agora, poderão vender o café que tiver já processado sem taxas”, disse o ministro.

Foto: Gilson Abreu
Paulo Teixeira disse que a abertura de novos mercados acabou sendo estimulada pela imposição de tarifas pelos Estados Unidos. “Isso abriu o mercado consumidor europeu, que é um mercado rico. Os europeus são ricos e poderão comprar vários produtos da agricultura familiar”. “Além do café, tem as frutas. O açaí, por exemplo, está bombando no mundo inteiro. Temos também manga, uva, melão. Os agricultores familiares poderão vender os seus produtos na Europa sem taxas. A agricultura familiar vai bombar”, acrescentou o ministro.
Outro produto com grande potencial para conquistar o mercado europeu são os lácteos brasileiros, segundo Paulo Teixeira. “Precisaremos produzir mais lácteos para exportar. Temos um grande mercado de queijo. Inclusive de queijos mineiros, que são muito famosos no mercado interno e que poderão também ser vendidos para o mercado externo”. “Vamos ter de comprar queijo francês, mas poderemos exportar queijo mineiro para a França. Temos de pensar grande nesse novo tempo de acordo entre Mercosul e União Europeia”, disse.
Ele lembrou que a região mineira da Serra da Canastra tem queijos que são vendidos como especiarias no Brasil, com grande potencial para ser consumido também pelos europeus.
O ministro ressaltou que os investimentos do governo federal na agricultura familiar, via Plano Safra, têm batido recordes, o que tem

Foto: Jean Joaquim
resultado, também, no aumento das vendas de máquinas de pequeno porte para os agricultores. “Tenho a honra de dizer que o que puxa hoje a indústria de máquinas no Brasil são as máquinas pequenas dos agricultores familiares. O agricultor familiar está vendendo mais produtos porque melhorou a renda na sociedade brasileira. Com essa melhoria de renda, o primeiro investimento que a família faz é em alimentação”, argumentou Paulo Teixeira.
Segundo o ministro, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) pode ajudar os agricultores familiares na busca pelos novos mercados, inclusive com o auxílio dos adidos agrícolas dos ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
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O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar antecipou que, em breve, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará políticas públicas voltadas à “transferência de saberes e conhecimentos da Embrapa” para a agricultura familiar, em especial para os jovens que se mantiverem no campo para produzir alimentos para o Brasil e o mundo. “Queremos estimular os jovens que já estão na agricultura a buscarem instituições científicas, como universidades e Embrapa, que cada dia mais disponibilizam seus conhecimentos para a agricultura familiar”, acrescentou o ministro.

Foto: Divulgação
Outra informação antecipada pelo ministro durante o programa é o pacote de desapropriações de terras, previsto para ser anunciado na sexta-feira (23) pelo presidente Lula durante encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador. “Teremos uma grande entrega agora na sexta-feira, durante esse encontro. Ali, Lula deve anunciar um grande pacote de desapropriações para a reforma agrária no Brasil. O que nós estamos procurando é a paz no campo, e a reforma agrária é a maneira de se conseguir paz no campo”, adiantou.
Segundo Teixeira, esse pacote inclui, além de terras, crédito, assistência técnica, orientações e a possibilidade de organização por cooperativas. “Terá também acesso aos programas de compras públicas”.
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Brasil destaca ciência e tecnologia no agro em evento que marca nova gestão do IICA
Posse do novo diretor-geral reuniu autoridades de mais de 30 países e abriu espaço para ampliar cooperação em inovação, sustentabilidade e pesquisa agropecuária nas Américas.

O Brasil participou da cerimônia de posse de Muhammad Ibrahim como novo diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para o período 2026-2030. O evento reuniu ministros da agricultura e autoridades governamentais de mais de 30 países e marcou a transição conduzida pelo Diretor-Geral cessante, Manuel Otero.
Na condição de presidente da Junta Interamericana de Agricultura (JIA), órgão máximo de governança do Instituto, o Brasil teve papel central no ato. Representando o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, o secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Soares, oficializou a posse do novo dirigente.

Durante a missão no país, foi realizada reunião bilateral entre o novo diretor-geral do IICA e representantes do Mapa. No encontro, foram discutidas prioridades estratégicas do Brasil e diretrizes para cooperação com o organismo internacional. O Brasil reiterou apoio ao novo mandato, ressaltando a importância de aprofundar a colaboração em áreas como sustentabilidade, inovação agropecuária, pesquisa e fortalecimento tecnológico em toda a região.
A delegação brasileira contou com a participação da presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, do secretário-adjunto da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Marcel Moreira, da encarregada de negócios da Embaixada do Brasil em San José, Maria Aparecida Weiss, da adida agrícola do Mapa na Costa Rica, Priscila Rech Pinto Moser e da assessora da secretaria-executiva do Mapa, Sibelle Silva.
Em seu discurso de posse, Muhammad Ibrahim afirmou assumir o cargo com “gratidão, humildade e profundo senso de propósito” e destacou o compromisso de atuar de forma integrada com todos os países das Américas, respeitando as especificidades dos diferentes sistemas agroalimentares. O novo Diretor-Geral também ressaltou a intenção de fortalecer a excelência institucional do IICA e ampliar parcerias técnicas baseadas em ciência, transparência e cooperação.
O que é o IICA?
O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) é o organismo especializado do Sistema Interamericano dedicado ao desenvolvimento agrícola e ao bem-estar rural. Presente nos 34 países das Américas, o Instituto apoia os governos na formulação e implementação de políticas públicas voltadas a um setor agropecuário mais produtivo, inovador, sustentável e resiliente.
Entre as principais áreas de atuação do IICA estão o aumento da produtividade agropecuária; inovação e transformação digital no campo; adaptação e mitigação às mudanças climáticas; fortalecimento da segurança alimentar; desenvolvimento rural inclusivo; e melhoria da competitividade e do comércio agrícola.
O que é a JIA?
A Junta Interamericana de Agricultura (JIA) é o órgão máximo de governança do IICA e reúne os países membros, representados por seus ministros da Agricultura. A JIA se reúne, em geral, a cada dois anos para definir prioridades políticas e estratégicas e orientar a atuação do Instituto nas Américas.
O ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, assumiu a presidência da JIA em 4 de novembro de 2025, durante a Conferência de Ministros da Agricultura das Américas, passando a liderar as deliberações e a agenda hemisférica de cooperação agrícola no período subsequente.
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Brasil e Costa Rica ampliam parceria estratégica no agronegócio
Agenda bilateral avançou em cooperação técnica, inovação, intercâmbio genético e financiamento sustentável, com foco em bioinsumos e agricultura de baixo carbono.

O secretário-executivo adjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, e o vice-ministro do Ministério da Agricultura e Pecuária da Costa Rica (MAG), Fernando Vargas, reuniram-se em uma agenda conjunta voltada ao fortalecimento da cooperação bilateral no setor agropecuário, com foco em sustentabilidade, bioinsumos, inovação tecnológica, intercâmbio de material genético e financiamento da agricultura de baixo carbono.
Durante o encontro, a Costa Rica apresentou os avanços na construção de sua Estratégia Nacional de Bioinsumos, desenvolvida com forte referência na experiência brasileira. O país destacou o objetivo de reduzir o uso de insumos químicos na agricultura e ressaltou a experiência do Brasil em registro, validação científica e uso de bioinsumos em escala.
A delegação brasileira compartilhou os resultados do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que, desde 2010, viabilizou a adoção de tecnologias sustentáveis em mais de 50 milhões de hectares e contribuiu para a mitigação de cerca de 60 milhões de toneladas de CO₂. O Brasil reafirmou a disposição em compartilhar metodologias e boas práticas que poderão apoiar as metas costarriquenhas.

Foto: Ministerio de Agricultura y Ganaderia da Costa Rica (MAG)
Outro tema central da reunião foi o interesse do Instituto Nacional de Inovação e Transferência em Tecnologia Agropecuária (INTA), da Costa Rica, no intercâmbio de material genético animal e vegetal com o Brasil. A delegação brasileira manifestou apoio à iniciativa, destacando a necessidade de avanços nos protocolos sanitários para viabilizar o intercâmbio seguro entre ambos os países.
A Costa Rica também demonstrou interesse em tecnologias brasileiras de agricultura digital, incluindo o uso de drones, estações meteorológicas e ferramentas de monitoramento climático aplicadas à extensão rural.
No campo sanitário, houve avanços em temas prioritários da agenda bilateral, com destaque para a organização de auditoria voltada à habilitação de estabelecimentos brasileiros. As delegações também discutiram o fortalecimento da cooperação institucional entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Serviço Nacional de Saúde Animal da Costa Rica (Senasa).
No âmbito do financiamento, a Costa Rica apresentou seu novo programa nacional inspirado no ABC, voltado ao apoio a produtores que adotem práticas sustentáveis, com foco inicial em pecuária, café e cana-de-açúcar.
O encontro contou ainda com a participação da encarregada de negócios da Embaixada do Brasil em San José, Maria Aparecida Weiss; da diretora de Cooperação Internacional do MAG, Adriana Lobo; da chefe de Extensão de Serviços Agropecuários do MAG, Karla Mena; do diretor-executivo do INTA, José Roberto Camacho; da adida agrícola do Mapa na Costa Rica, Priscila Rech Pinto Moser; da assessora da Secretaria-Executiva do Mapa, Sibelle Silva; além de representantes da Embaixada do Brasil em San José.
Contexto econômico
Com cerca de 5,1 milhões de habitantes, a Costa Rica possui um PIB estimado em US$ 64,3 bilhões e PIB per capita aproximado de US$ 12,6 mil. O setor agrícola tem papel relevante na economia do país, sendo o segundo maior gerador de divisas, atrás apenas do setor de equipamentos médicos, enquanto o setor alimentício ocupa a terceira posição.



