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Brasil é referência na alimentação escolar, diz especialista

Refeições atendem inclusive alunos com restrições alimentares.

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Fotos: Roberto Dziura Jr.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que oficialmente completou 70 anos, é reconhecido pelas Nações Unidas como “um dos maiores e melhores projetos de alimentação escolar do mundo”. A avaliação é de Daniel Balaban, diretor do Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil.

Segundo Balaban, o Pnae ganhou destaque a partir de 2009, com a entrada em vigor da lei que estabeleceu parâmetros rigorosos de qualidade, tirando o espaço de biscoitos açucarados para priorizar refeições completas e nutritivas nas escolas.

A mudança é sentida na rotina de profissionais como Fernando Luiz Venâncio, ex-metalúrgico que hoje chefia a cozinha da Escola Johnson, em Fortaleza (CE). Ele e sua equipe preparam três refeições diárias para mais de 400 estudantes, incluindo pratos típicos como baião de dois e o aclamado creme de galinha, feito sem ingredientes como creme de leite ou queijo para atender a restrições alimentares.

Nutrição e Agricultura Familiar no Cardápio

A presença de nutricionistas é uma exigência fundamental da lei de 2009, garantindo que os cardápios atendam às necessidades nutricionais, se conectem à cultura local e restrinjam ao máximo de 15% a presença de ultraprocessados.

Além disso, a legislação exige o privilégio de alimentos da agricultura familiar, com um mínimo de 30% das compras vindas dessa origem. Marli Oliveira, agricultora familiar em Ocara (CE), afirma que a venda garantida para as escolas “faz diferença na vida do agricultor, principalmente nos pequenos municípios”.

Um levantamento do Observatório da Alimentação Escolar (OAE) traduz esse impacto em números: a cada R$ 1 que o Pnae investe na agricultura familiar, o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresce R$ 1,52 na agricultura e R$ 1,66 na pecuária. A partir de 2026, a participação da agricultura familiar pode chegar a pelo menos 45%, caso a alteração aprovada pelo Congresso seja sancionada.

Modelo de Exportação e Combate à Fome

Fotos: Diego Vargas

O sucesso do Pnae inspira outros países. Na 2ª Cúpula da Coalização Global pela Alimentação Escolar, o Brasil compartilhou experiências de cooperação. São Tomé e Príncipe, por exemplo, teve suas nutricionistas formadas online por brasileiras e adotou o princípio de priorizar alimentos locais.

Hoje, o Pnae atende 40 milhões de estudantes todos os dias, da creche à Educação de Jovens e Adultos (EJA). “O programa ajudou o Brasil a sair do Mapa da Fome da ONU”, observa Daniel Balaban. Ele enfatiza que, para muitos alunos, a principal refeição do dia é na escola, tornando o programa uma ferramenta vital contra a insegurança alimentar.

Desafios na Execução e Visão dos Gestores

Apesar dos elogios internacionais, o Pnae enfrenta desafios estruturais e orçamentários. Em 2025, o orçamento federal foi de R$ 5,5 bilhões, com o repasse diário por estudante variando entre R$ 0,41 (EJA) e R$ 1,37 (creches e ensino integral). Os valores federais ficaram congelados por cinco anos antes do último reajuste, em 2023. A complementação de verba por estados e municípios é obrigatória, mas, segundo o OAE, mais de 30% dos municípios das regiões Norte e Nordeste deixam de fazê-lo.

Em outro levantamento do OAE, 47% das nutricionistas entrevistadas afirmaram não conseguir cumprir todas as exigências nutricionais do programa devido a problemas como:

  • Falta de estrutura para o preparo dos alimentos.
  • Inflação dos alimentos e orçamento curto.
  • Falta de profissionais de nutrição e cozinheiros.

Para Albaneide Peixinho, presidente da Associação Brasileira de Nutrição, esses problemas são reflexo da visão desatualizada de muitos gestores públicos. “Infelizmente, a visão que a maioria dos gestores ainda tem é de que o programa se chama ‘merenda’. [Eles] entendem como um programa assistencialista e acham que é um grande favor que estão fazendo”, critica a especialista, que coordenou o Pnae por 13 anos.

Albaneide lembra que o Pnae é um “programa pedagógico de promoção à saúde”, onde a formação de hábitos saudáveis é tão crucial quanto a oferta de refeições para a melhoria do ensino-aprendizagem. Ela conclui que, apesar de o Pnae ser uma referência mundial e estar assegurado na Constituição, “ainda há muito a avançar”.

Fonte: Agência Brasil

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Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões

Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

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Foto: Divulgação

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.

Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.

Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.

Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”

O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.

A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.

Fonte: Assessoria Copercampos
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea

Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

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Foto: Shutterstock

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.

O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).

Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.

No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.

Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.

 

Fonte: Assessoria Cepea
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina

Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

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Fotos: Bruna Leticia/MB Comunicação

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan

Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.

Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.

Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.

O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.

Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.

Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.

O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.

Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação

“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.

A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.

Fonte: Assessoria Sebrae
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