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Brasil é o único país do Mercosul afetado por veto da União Europeia
Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a exportar para o mercado europeu. Vendas brasileiras ao bloco somaram US$ 1,8 bilhão em 2025.

A nova regulamentação da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal criou uma situação incomum dentro do Mercosul. Dos quatro países do bloco que possuem relevância nas exportações agropecuárias, apenas o Brasil ficou fora da lista de nações habilitadas a atender às exigências sanitárias europeias.

Foto: Edinan Ferreira
A decisão foi formalizada pela Comissão Europeia e afeta categorias importantes para o comércio brasileiro, como carne bovina, carne de aves, carne de cavalo, pescado, mel e tripas animais. Argentina, Paraguai e Uruguai, por outro lado, permanecem habilitados a exportar esses produtos aos países europeus.
O cenário coloca o Brasil em posição de desvantagem frente aos seus concorrentes regionais em um mercado reconhecido pelo alto valor agregado dos produtos e pelas exigências sanitárias rigorosas.
Mercado movimenta quase US$ 2 bilhões
Embora a medida só entre em vigor em setembro, o tamanho do mercado em jogo ajuda a explicar a preocupação do setor exportador.
Dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que a União Europeia importou 368,1 mil toneladas de produtos brasileiros abrangidos pela nova regulamentação ao longo de 2025. As vendas renderam aproximadamente US$ 1,8 bilhão ao país.

Foto: Shutterstock
A carne bovina lidera com ampla margem. No ano passado, os embarques para o bloco europeu alcançaram US$ 1,048 bilhão, consolidando a Europa como um dos principais destinos da proteína brasileira.
A carne de frango aparece na sequência, com receita de US$ 762,9 milhões. Também fazem parte da pauta exportadora volumes menores de carne de peru, carne suína, carne de cavalo, carne ovina e carne de pato.
No conjunto, a União Europeia figura entre os mercados mais relevantes para as proteínas animais brasileiras, tanto pelo faturamento quanto pelo perfil dos produtos comercializados.
Motivo da exclusão
A decisão europeia está ligada à política do bloco para reduzir o risco de resistência antimicrobiana.

Foto: Claudio Neves
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para demonstrar que conseguirá cumprir integralmente, até setembro de 2026, todas as exigências relacionadas ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal.
As regras europeias restringem o uso de substâncias consideradas críticas para a saúde humana e proíbem sua utilização para fins como promoção de crescimento ou aumento de produtividade dos animais.
Na avaliação de Bruxelas, ainda faltam garantias de que os mecanismos brasileiros de controle e comprovação atenderão aos padrões exigidos pelo bloco.
Corrida contra o prazo
Apesar da retirada da lista de países autorizados, a porta para uma reversão continua aberta.
Como as novas regras só passarão a valer em setembro, o governo brasileiro ainda dispõe de alguns meses para apresentar informações complementares e negociar soluções com as autoridades europeias.
Para recuperar a habilitação, o país precisará demonstrar que os animais destinados ao mercado europeu não utilizam os antimicrobianos vetados pela legislação do bloco.
Isso poderá ocorrer por meio de novas restrições regulatórias sobre o uso desses medicamentos ou pela implementação de sistemas de rastreabilidade capazes de comprovar o cumprimento das exigências ao longo de toda a cadeia produtiva.
O desafio é relevante porque, caso a situação não seja revertida, o Brasil perderá acesso a um mercado que continuará aberto aos demais integrantes do Mercosul, ampliando a concorrência regional justamente em um dos destinos mais valorizados para as exportações de proteína animal.

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Brasil e Coreia do Sul criam grupo para destravar acordo comercial com o Mercosul
Países buscam retomar negociações paralisadas desde 2021. Iniciativa pretende identificar pontos de resistência e avançar em um possível tratado entre o bloco sul-americano e a economia asiática.

Brasil e Coreia do Sul criaram um grupo de trabalho para tentar avançar nas negociações de um acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. A iniciativa busca identificar os principais pontos de divergência entre os lados e encontrar alternativas para retomar as discussões sobre um tratado que começou a ser negociado em 2018, mas não avançou nos últimos anos.

Foto: Caroline de Vita/Mapa
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (27), após uma reunião entre representantes dos dois países em Brasília. Segundo o governo brasileiro, o grupo será coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. “Decidimos criar um grupo de trabalho que vai identificar sensibilidades dos dois lados e evitar que elas sejam um empecilho para a retomada das negociações de um acordo do Mercosul com a Coreia”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A Coreia do Sul é uma das principais economias da Ásia e um importante parceiro comercial do Brasil. As negociações com o Mercosul envolvem temas como redução de tarifas, acesso a mercados, regras sanitárias e barreiras técnicas.
Oportunidade
Durante o encontro, o governo sul-coreano defendeu a retomada das tratativas como uma forma de ampliar a

Imagem criada pelo ChatGPT/Emili Schneider/OP Rural
presença de empresas dos dois lados. A avaliação é que um acordo poderia abrir novas oportunidades para companhias coreanas na América do Sul e facilitar a inserção brasileira no mercado asiático. “Em um momento em que há muitas incertezas no âmbito comercial, o acordo entre Brasil e Coreia não pode mais esperar. Ele é para agora. Acreditamos que o acordo entre Mercosul e Coreia vai trazer para as empresas coreanas uma maior oportunidade de entrar no mercado da América do Sul e trazer uma nova perspectiva ao mercado asiático para o Brasil, via Coreia”, enfatizou o presidente sul-coreano.
A retomada das negociações ocorre em um período de maior instabilidade no comércio internacional, marcado por disputas tarifárias e mudanças nas relações entre grandes economias.
Minerais críticos entram na agenda bilateral
Além do comércio, Brasil e Coreia do Sul assinaram acordos de cooperação em áreas como defesa, educação, energia, ciência e tecnologia, esporte e exploração espacial.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil
Um dos temas tratados foi a cadeia de minerais críticos, considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia renovável e indústria de alta tecnologia. O governo sul-coreano destacou o potencial brasileiro no fornecimento desses recursos. “Como se sabe, o Brasil é um dos principais detentores dos minerais críticos. E hoje concordamos em expandir a cooperação em todo o ciclo de vida desses minerais, fortalecendo a cooperação mútua de maneira benéfica”, ressaltou.
A agenda também incluiu acordos para intercâmbio de políticas educacionais, cooperação entre instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico aplicado à indústria, além de intercâmbio esportivo entre atletas e especialistas.
Comunidade coreana no Brasil
Após a agenda em Brasília, a comitiva sul-coreana segue para São Paulo. A cidade concentra a maior comunidade coreana do país, com mais de 50 mil pessoas.
O Brasil é o principal destino de imigrantes coreanos na América Latina, e a comunidade mantém presença relevante

Foto: Shutterstock
em áreas como comércio, indústria, tecnologia e serviços.
Países defendem cooperação internacional
Durante as declarações após a reunião, os dois governos também destacaram a defesa do diálogo diplomático e da solução pacífica de conflitos. “Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo”, afirmou Lula.
O governo sul-coreano reforçou a importância da estabilidade internacional para ampliar a cooperação econômica. “É importante a paz para termos segurança. Sem a necessidade de luta ou guerra”, declarou o presidente sul-coreano.
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China, Paraguai e Palau abrem mercados para produtos agropecuários brasileiros
Novos acordos sanitários ampliam oportunidades para exportação de cálculos biliares bovinos, suínos vivos e carnes de diferentes espécies.

As autoridades sanitárias da China, do Paraguai e de Palau aprovaram novos requisitos que permitem a entrada de produtos agropecuários brasileiros nesses mercados. As medidas envolvem a exportação de cálculos biliares bovinos para o mercado chinês, suínos vivos destinados ao abate para o Paraguai e carnes bovina, ovina, caprina e suína para Palau.

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Com a China, o Brasil assinou um protocolo sanitário que estabelece as condições para exportação de cálculos biliares bovinos. O produto, utilizado principalmente pela indústria de Medicina Tradicional Chinesa, passa a ter regras definidas para inspeção, certificação e controle das remessas entre os dois países.
O acordo amplia o comércio de um subproduto da cadeia pecuária brasileira e cria uma nova possibilidade de aproveitamento econômico de materiais provenientes da produção bovina. A China é um dos principais destinos das proteínas animais brasileiras e tem papel estratégico para a expansão das exportações do agronegócio nacional.
No Paraguai, as autoridades sanitárias aprovaram o modelo de Certificado Sanitário Internacional (CSI) para a exportação de suínos vivos brasileiros destinados ao abate. A medida estabelece o padrão documental necessário para os embarques e abre uma nova alternativa comercial para a cadeia suinícola nacional.
Já Palau aprovou os modelos de CSI para importação de carnes bovina, ovina, caprina e suína produzidas no Brasil.

Foto: Shutterstock
Com a aprovação dos certificados, empresas brasileiras poderão iniciar os procedimentos de habilitação e atender aos requisitos sanitários exigidos pelo país insular.
As aberturas fazem parte da estratégia brasileira de ampliar o acesso a mercados internacionais por meio de acordos sanitários. Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), uma abertura de mercado ocorre quando o país importador reconhece que as garantias sanitárias oferecidas pelo Brasil atendem aos seus requisitos para determinado produto.
Impacto para o agro
A ampliação de destinos comerciais reduz a dependência de poucos compradores e aumenta as possibilidades de comercialização para diferentes cadeias produtivas. No caso das carnes, a abertura de novos mercados ocorre em um momento de busca por maior diversificação das exportações brasileiras de proteína animal.
Além dos produtos tradicionais, como carne bovina e suína, o avanço de negociações envolvendo subprodutos de origem animal mostra a tentativa da indústria de ampliar o aproveitamento econômico da produção pecuária brasileira.
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Brasil e China discutem avanço de acordo comercial e cooperação em tecnologia
Negociações para um acordo Mercosul-China entram na agenda bilateral, que também inclui parcerias em inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes.






