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Brasil e EUA se unem para discutir sustentabilidade na produção agropecuária
Semelhança da pecuária praticada no Rio Grande do Sul (BR) e Flórida (EUA) é um dos motivos de aproximação da Embrapa com o USDA e a Universidade da Flórida.

A Embrapa, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e a Universidade da Flórida (UF), vão se reunir em Bagé (RS), na sede da Embrapa Pecuária Sul, na próxima segunda-feira (18) para discutir estratégias de pesquisa em parceria visando a sustentabilidade da agropecuária dos dois países. O objetivo da iniciativa é promover a cooperação entre as instituições brasileiras e norte-americanas em torno de temas de interesse mútuo, envolvendo estudos relacionados à adaptação às mudanças climáticas e à mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE) na pecuária, por meio do desenvolvimento de práticas agrícolas sustentáveis que sejam viáveis no Brasil e nos EUA.
Entre as estratégias que serão debatidas está a redução da dependência agrícola por fertilizantes, com foco tanto no desenvolvimento de produtos menos agressivos ao ambiente, como em processos de aumento do uso eficiente de nutrientes do solo usado na agropecuária. Estudos neste sentido já estão sendo desenvolvidos através de colaboração entre a Embrapa, a Universidade da Flórida, o Serviço de Pesquisa da USDA e o Centro Internacional de Desenvolvimento de Fertilizantes (IFDC). O projeto, intitulado Fertilize for Life (F4L), deve contar, inclusive, com financiamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e outras agências americanas.
O evento contará com a presença do Conselheiro para Agricultura dos EUA e representante do USDA no Brasil, Michael Conlon, e da especialista em Agricultura do USDA na Embaixada Americana em Brasília, Carolina Castro, além do professor em Forrageiras e Ciências de Pastagens da UF, José Dubeux, que proferirá uma palestra sobre a iniciativa F4L, além de apresentar as principais pesquisas da UF envolvendo os tópicos de mudanças climáticas, mitigação e adaptação à emissão de gases de efeito estufa, com foco na pecuária, e sistemas de pastagens sustentáveis.
O Estado da Flórida e o Rio Grande do Sul possuem características semelhantes quanto aos sistemas pecuários, baseados em pastagens. Nesse sentido, esforços de pesquisa conjuntos podem gerar resultados comuns. “Esse trabalho em conjunto visa, justamente, lançar o olhar sobre um dos principais problemas globais atualmente, que são as mudanças climáticas. Ao se trabalhar estratégias conjuntas para tornar mais eficiente e sustentável as atividades agropecuárias, estamos buscando tornar os sistemas produtivos mais resilientes, atacando, por exemplo, o problema da emissão dos gases de efeito estufa, mas também é importante pensar que estas estratégias podem diminuir a dependência da importação de fertilizantes no Brasil e EUA”, destacou o coordenador do Labex (Laboratório da Embrapa no Exterior) nos EUA e pesquisador da Embrapa, Alexandre Varella.
Com o encontro, espera-se a formação de um plano de trabalho para colaboração em pesquisa (projetos conjuntos, intercâmbio de pesquisadores e estudantes, eventos internacionais conjuntos) entre Embrapa e Universidade da Flórida. “A expectativa é de que, a partir dos debates e troca de informações científicas, possa haver um alinhamento para novas oportunidades de colaboração entre as Unidades da Embrapa e a UF no tema de adaptação às mudanças climáticas em sistemas pecuários a base de pastagens que são dominantes tanto no sul do Brasil, em parte do Cerrado brasileiro quanto na Flórida”, completou Varella.
Conforme o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pecuária Sul, Marcos Borba, a visita da comitiva norte-americana e o interesse de cooperação demonstram o alinhamento do trabalho desenvolvido na Embrapa em Bagé com questões atuais discutidas globalmente, relacionadas à sustentabilidade da pecuária. “O que estamos estabelecendo como agenda de trabalho está bastante alinhado com o que outros países, e no caso países importantes para a pecuária, como é o caso dos EUA, estão também trabalhando. Outro aspecto a ser destacado é a oportunidade de interação e desenvolvimento de trabalhos conjuntos na busca de resultados complementares orientados à promoção da sustentabilidade dos sistemas de produção pecuários nos dois países. Para nós isso é extremamente relevante porque significa uma espécie de certificação da nossa programação de pesquisa, relacionada aos grandes desafios da pecuária no mundo contemporâneo e das oportunidades que temos de estabelecer cooperação com a Universidade da Flórida”, disse.
O público do evento é restrito a convidados e contará com a presença de pesquisadores, professores, cientistas, representantes das Unidades da Embrapa, das Universidades e de outros órgãos governamentais federais, estaduais e municipais, além de lideranças empresariais, jornalistas, órgãos de imprensa e outros grupos interessados no tema.
Currículo do palestrante
Jose Dubeux é professor de Forragens e Ciências de Pastagens na Universidade da Flórida. Reconhecido internacionalmente como uma autoridade em eficiência no uso de nutrientes em sistemas agrícolas, com ênfase na mitigação e adaptação às mudanças climáticas, emissões de metano da pecuária e sistemas integrados de produção agrícola-pecuária, Dubeux é membro da Sociedade Americana de Agronomia e da Sociedade de Ciência de Culturas da América e Presidente Associado do Departamento de Agronomia da UF. Em sua carreira, Dubeux e sua equipe já assinaram 695 publicações, incluindo 286 artigos revisados por pares, e orientaram 36 estudantes de pós-graduação.
F4L
Coordenada pelo Labex EUA em parceria com diversas Unidades da Embrapa, a UF, o USDA e o IFDC, a iniciativa F4L está em processo de implantação, e busca pesquisar a eficiência no uso de fertilizantes e nutrientes do solo em resposta às mudanças climáticas e da crise de oferta e preços de fertilizantes globalmente. Ao desenvolver tecnologias para reduzir a utilização de fertilizantes e ao utilizar os nutrientes do solo de forma mais eficiente nos sistemas agrícolas e pecuários, a iniciativa também busca promover a redução das emissões de gases com efeito de estufa nos sistemas produtivos.
A colaboração envolve aproximadamente 63 pesquisadores e gestores de diversas instituições, organizados em quatro grupos de trabalho: gestão de precisão, big data e inteligência artificial; produtos biológicos, biologia do solo e saúde do solo; novos produtos incluindo fertilizantes organominerais; e utilização mais eficiente das fontes de nutrientes através de sistemas integrados floresta-agricultura-pecuária.
Programação
08h30: Abertura;
09h: Palestra Dr. José Dubeux, Professor da Universidade da Flórida;
10h: Debate;
10h30: Café e atendimento a imprensa;
11h: Palestra Sistema ILP, com o pesquisador Naylor Perez, e Emissões de GEE da Pecuária, com a pesquisadora Cristina Genro;
12h30: Almoço;
13h30: Palestra Recursos Genéticos e Melhoramento de Forrageiras, com o pesquisador Daniel Montardo, e Sistema de Pastagens Biodiversas, com o pesquisador Danilo Sant’Anna;
15h: Visita e debate de campo na Fazenda São José de Werner Cavol: sistemas forrageiros para recria e terminação;
18h: Encerramento.

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MBRF integra Índice Carbono Eficiente da B3
Empresa passa a integrar o ICO2 após fusão entre Marfrig e BRF, com reconhecimento à gestão das emissões de gases de efeito estufa.

A MBRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, integra a carteira 2026 do Índice Carbono Eficiente da B3 (ICO2 B3), que reconhece empresas com desempenho consistente na gestão e na transparência das emissões de gases de efeito estufa (GEE), contribuindo para o avanço da transição para uma economia de baixo carbono. No processo de avaliação, 94 companhias foram analisadas, das quais 65 foram selecionadas para compor a nova carteira.
Esta é a primeira avaliação da companhia como MBRF, após a fusão entre Marfrig e BRF, concluída em 2025. No ciclo anterior, a Marfrig integrou o ICO2 B3 pelo quinto ano consecutivo, enquanto a BRF participou da carteira pela 14ª vez.
“A inclusão da MBRF na carteira do ICO2 B3 evidencia a robustez das práticas para mitigação e adaptação climáticas da companhia e reflete a consolidação de uma trajetória construída por Marfrig e BRF, já reconhecidas individualmente pela eficiência na gestão das emissões. Agora, ampliamos esse legado, com uma atuação integrada, em maior escala e com compromisso permanente com a agenda climática”, afirma Paulo Pianez, diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da MBRF.
Criado pela B3 em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ICO2 avalia indicadores como metas de mudanças climáticas atreladas a remuneração variável dos executivos, reporte público de emissões de gases de efeito estufa, estudo de identificação de riscos e/ou oportunidades relacionados ao clima, plano de transição alinhado à ambição de limitar o aquecimento global a 1,5°C (conforme preconizado pelo Acordo de Paris), metas de descarbonização da cadeia de valor, entre outros.
Mudança do clima
Para mitigar os efeitos da mudança do clima e contribuir para o fortalecimento de uma economia de baixo carbono, a MBRF estabeleceu compromissos e metas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Os desafios climáticos foram validados pela Science Based Targets initiative (SBTi) e estão alinhados com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5º C, conforme estabelecido no Acordo de Paris. O plano de ação está baseado em quatro frentes de ação: cadeia livre de desmatamento, agropecuária de baixo carbono, transição energética e eficiência operacional.
Entre as ações, destacam-se a geração de créditos de carbono certificados, com rentabilidade compartilhada ao longo da cadeia; o desenvolvimento de sistemas integrados de lavoura-pecuária-floresta (ILPF), certificados em parceria com a Embrapa; o uso de fontes renováveis, que já respondem por cerca de 50% da eletricidade consumida nas operações industriais, além da adoção de energia solar em aproximadamente 60% da criação de aves e suínos. A empresa também atua na intensificação e no manejo adequado de pastagens, evitando a supressão de vegetação nativa, investe no Programa de Produção Sustentável de Bezerros da IDH – The Sustainable Trade Initiative, e promove o melhoramento genético integrado que reduz o tempo de preparo dos animais para o abate, contribuindo para a diminuição das emissões.
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Florescimento da soja define potencial produtivo da lavoura
Fatores climáticos, nutrição equilibrada e manejo adequado são decisivos para o pegamento de flores e a formação de vagens.

O florescimento da soja marca uma das fases mais estratégicas do ciclo da cultura, pois é nesse período que se define grande parte dos componentes de produtividade. Aspectos fisiológicos, ambientais e de manejo atuam de forma integrada e podem favorecer ou limitar o pegamento de flores e a formação de vagens, refletindo no rendimento final da lavoura.
Entre os principais fatores que influenciam o florescimento estão o fotoperíodo, a temperatura, a disponibilidade hídrica e a nutrição da planta. Fotoperíodo e temperatura atuam conjuntamente sobre o desenvolvimento da soja, sendo que cada cultivar apresenta exigências específicas de soma térmica para completar seu ciclo.

Foto: Shutterstock
Já o déficit hídrico reduz a divisão e o alongamento celular, diminui a área foliar e o porte das plantas, resultando em menor formação de nós. Como consequência, ocorre redução no número de flores, vagens e grãos, afetando diretamente os componentes de produção.
A nutrição equilibrada também é determinante nessa fase. Todos os macro e micronutrientes são importantes, mas alguns se destacam durante o florescimento da soja, como fósforo, potássio, cálcio, boro, magnésio, cobalto e molibdênio. Esses nutrientes estão diretamente ligados à formação das flores, à polinização, ao transporte de carboidratos, à nodulação e ao enchimento de grãos. Deficiências nutricionais, especialmente de cálcio e boro, podem provocar baixa formação de flores e vagens.
Segundo o PhD em Agronomia em Ciência do Solo, Roni Fernandes Guareschi, além dos fatores abióticos, questões de manejo também interferem no florescimento e, por isso, requerem planejamento e correta execução das práticas agrícolas neste momento. “As análises de solo e foliar permitem identificar e corrigir desequilíbrios nutricionais que comprometem o desenvolvimento da planta e aumentam o risco de abortamento. A escolha de sementes de alta qualidade, de variedades adaptadas à região, o respeito à janela de plantio e um manejo eficiente de pragas e doenças são fundamentais para garantir um florescimento uniforme e dentro do potencial de cada cultivar”, afirma.
Florescimento e o início do verão
A qualidade da semente utilizada na implantação da lavoura exerce forte influência no florescimento. Sementes com alto vigor, boa germinação e sanidade favorecem um estabelecimento mais rápido e uniforme, com sistema radicular mais desenvolvido e maior eficiência na absorção de água e nutrientes, resultando em maior número de flores, vagens e grãos.

Foto: Gilson Abreu
Nesse contexto, o suporte técnico especializado contribui para decisões mais assertivas ao longo do ciclo. “Além de auxiliar na escolha da variedade mais adequada para cada região e condição climática, o time de campo orienta o produtor durante toda a safra com análises de solo e foliar e na seleção correta dos insumos para promover estandes mais uniformes e maior segurança na floração e formação de vagens”, destaca Guareschi.
Com a lavoura em fase reprodutiva e sob condições típicas do início do verão, o produtor deve ter ainda mais atenção ao manejo. “Monitorar a nodulação da soja, acompanhar pragas e doenças de forma contínua e adotar estratégias para estimular o máximo potencial fisiológico da planta são cuidados essenciais para minimizar os efeitos dos estresses abióticos e preservar o desempenho da cultura”, reforça.
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Dia de Campo da Copacol apresenta pesquisas e tecnologias para elevar a produtividade
Evento reúne cooperados no CPA, em Cafelândia (PR), e destaca manejo, cultivares e cenário do mercado de commodities.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo Centro de Pesquisa Agrícola (CPA). “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.
- Valter Pitol fez a abertura do Dia de Campo de Verão da Copacol
- O secretário Márcio Nunes foi recebido por Valter Pitol

Cooperado Lucas visitou o CPA com o filho Gustavo: “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras”
Entre os temas abordados estiveram os resultados de pesquisa referente a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção; plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades; manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo e um painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA. A abertura do evento também contou com uma palestra especial sobre tendências do mercado de commodities com o palestrante Étore Baroni, da Stone-X Brasil.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor que participou do evento no primeiro dia.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Nesta sexta-feira (09) um novo grupo de produtores participa do Dia de Campo de Verão da Copacol. As atividades começam a partir das 08 horas no CPA, em Cafelândia (PR).
- Cooperados puderam tirar dúvidas sobre os resultados das pesquisas
- A equipe técnica da Copacol recebeu os cooperados em cada etapa
- O secretário de Agricultura e do Abastecimento do Paraná conheceu as áreas de pesquisa do CPA








