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Brasil e Coreia do Sul ampliam cooperação agrícola e elevam relação a Parceria Estratégica

Declaração conjunta firmada em Seul também prevê acordos em tecnologia, saúde, medicamentos, educação e reforço no comércio bilateral, com plano de ação para os próximos três anos.

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Em visita oficial a Seul nesta segunda-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, anunciaram a elevação das relações entre Brasil e Coreia do Sul ao patamar de Parceria Estratégica. A decisão foi formalizada em declaração conjunta que prevê acordos nas áreas de agricultura, tecnologia, medicamentos e ampliação do intercâmbio cultural e educacional.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após agenda na Índia, Lula se reuniu pela manhã com o presidente coreano e, em entrevista, os dois destacaram o compromisso com a ampliação do comércio bilateral e com a defesa de valores democráticos diante de cenários de extremismo, desinformação e ameaças autoritárias. “Realizei uma visita oficial em 2005 e voltei em 2010, por ocasião da Cúpula do G20. Desde então, nenhum outro mandatário brasileiro veio ao país. Esse hiato é incompatível com os vínculos sociais e econômicos existentes entre nossos povos. Hoje, elevamos o relacionamento entre Brasil e Coreia ao patamar de Parceria Estratégica e lançamos um Plano de Ação com iniciativas concretas para os próximos três anos”, afirmou Lula.

Comércio e investimentos

O presidente brasileiro ressaltou o peso da relação econômica entre os dois países. Segundo ele, o Brasil é o principal destino dos investimentos sul-coreanos na América Latina. “O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina. Com intercâmbio de US$ 11 bilhões, a Coreia é nosso quarto parceiro comercial na Ásia. Agora, damos início a um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada”, enfatizou.

A agenda econômica inclui a assinatura de um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva, com o objetivo de facilitar o comércio

Foto: Ricardo Stuckert/PR

bilateral, promover harmonização regulatória e ampliar a segurança jurídica para empresas dos dois países. “Celebramos um Acordo-Quadro de Integração Comercial e Produtiva que vai facilitar o comércio bilateral, promover harmonização regulatória e trazer mais segurança para as empresas. Firmamos ainda um memorando que vai fortalecer a cooperação financeira em torno de agendas de interesse comum dos dois países”, afirmou Lula.

O presidente também mencionou a retomada das negociações comerciais entre o Mercosul e a República da Coreia, interrompidas em 2021. “Em relação às negociações entre o Mercosul e a República da Coreia, discutimos caminhos para retomar as tratativas interrompidas em 2021”, declarou.

Transição energética e tecnologia

Na avaliação do governo brasileiro, a transição energética surge como um dos eixos centrais da nova etapa da parceria. Lula citou oportunidades nas cadeias de minerais críticos, insumos estratégicos para baterias, energias renováveis e indústria de alta tecnologia. “A transição energética abre novas frentes de complementaridade entre setores produtivos. As cadeias de minerais críticos guardam inúmeras oportunidades de agregação de valor. Há amplo espaço para cooperação em segmentos de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial”, destacou.

A menção a semicondutores e inteligência artificial indica a tentativa brasileira de atrair investimentos em setores intensivos em capital e

Foto: Ricardo Stuckert/PR

tecnologia, área em que a Coreia do Sul é referência global.

Saúde e produção de medicamentos

A cooperação na área da saúde foi destacada como um dos pontos centrais da declaração conjunta. Segundo Lula, os instrumentos assinados abrangem desde a produção de medicamentos e vacinas até pesquisa em diagnóstico e inovação tecnológica. “Na área de saúde, os instrumentos abrangem produção de medicamentos e vacinas, pesquisa em diagnóstico de doenças transmissíveis e doenças crônicas, bem como genômica avançada e saúde digital”, elencou.

O escopo inclui tanto doenças infecciosas quanto crônicas, além de áreas estratégicas como genômica e digitalização de sistemas de saúde, sinalizando a intenção de fortalecer a capacidade produtiva e tecnológica brasileira no setor farmacêutico.

Democracia e soberania popular

Além dos acordos econômicos e tecnológicos, os dois presidentes reforçaram, em suas declarações, o compromisso com a democracia e com a soberania popular.

Em meio ao avanço de movimentos extremistas em diferentes partes do mundo, Lula e Lee destacaram a importância da cooperação internacional para enfrentar desinformação e ameaças autoritárias, posicionando a nova Parceria Estratégica também como um alinhamento político-institucional.

Com a visita, o governo brasileiro busca reequilibrar sua agenda externa na Ásia e ampliar o protagonismo em cadeias globais de valor, enquanto a Coreia do Sul consolida o Brasil como plataforma de investimentos e acesso ao mercado latino-americano.

Fonte: O Presente Rural

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Soja sobe no mercado interno com demanda externa aquecida e clima irregular no Sul

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada aponta prêmios de exportação mais atrativos e postura cautelosa de produtores diante da estiagem.

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Foto: Jaelson Lucas

Os preços internos da soja subiram na semana passada. Pesquisadores do Cepea apontam que esse movimento se deve à aquecida demanda externa, em decorrência da maior atratividade dos prêmios de exportação no Brasil, e à postura cautelosa de produtores brasileiros, especialmente os do Sul, diante das incertezas relacionadas à irregularidade das chuvas.

No campo, colaboradores consultados pelo Cepea relatam redução de produtividade em áreas afetadas pela estiagem. Por outro lado, as chuvas recentes favoreceram lavouras ainda em desenvolvimento no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

De acordo com a Conab, até 14 de fevereiro, a colheita nacional de soja atingia 24,7% da área, abaixo dos 25,5% registrados no mesmo período do ano passado e dos 27,1% da média dos últimos cinco anos.

Fonte: Assessoria Cepea
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PIB cresce 2,2% em 2025, mas perde fôlego com juros a 15% e impacto do tarifaço dos EUA

Prévia da Fundação Getulio Vargas aponta quinto ano seguido de alta, investimento no maior nível em três anos e PIB recorde de R$ 12,63 trilhões, apesar da desaceleração no segundo semestre.

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Foto: Vosmar Rosa

A economia brasileira cresceu 2,2% em 2025 na comparação com 2024, segundo o Monitor do PIB divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas. O levantamento é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede o conjunto de bens e serviços produzidos no país.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O resultado marca o quinto ano consecutivo de expansão, embora com desaceleração frente a 2024, quando o crescimento foi de 3,4%. Em dezembro, o PIB ficou estável (0%) ante novembro, e o quarto trimestre também não apresentou variação em relação ao terceiro, sinalizando perda de dinamismo ao longo do ano.

Investimento e consumo

O consumo das famílias avançou 1,5% em 2025. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos em máquinas, equipamentos e construção, cresceu 3,6%. A taxa de investimento alcançou 17,1%, o maior nível dos últimos três anos.

No setor externo, as exportações aumentaram 6,2%, enquanto as importações subiram 5,1%. Em valores correntes, o PIB atingiu R$ 12,63 trilhões, o maior da série histórica. O PIB per capita chegou a R$ 59.182, também recorde.

Juros freiam ritmo

Para a coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, Juliana Trece, o aperto monetário foi determinante para a

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

desaceleração. “Nota-se evidente perda de fôlego do PIB ao longo de 2025, com a taxa, na série ajustada sazonalmente, tendo iniciado o ano com forte crescimento e terminado estável no quarto trimestre de 2025”, afirmou.

Segundo ela, 2025 foi marcado por “forte aperto monetário e imposição de tarifas ao Brasil”. O ciclo de alta da taxa Selic começou em setembro de 2024, quando o Banco Central do Brasil elevou os juros de 10,5% ao ano até 15% em junho de 2025, patamar mantido até agora.

A política buscou conter a inflação, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística por meio do IPCA, que permaneceu 13 meses fora do intervalo de tolerância da meta oficial de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Juros elevados encarecem o crédito, desestimulam consumo e investimentos e tendem a reduzir o ritmo da atividade. Ainda assim, 2025 terminou com a menor taxa de desemprego da série histórica.

Foto: Divulgação

Efeito das tarifas dos EUA

Outro fator citado foi o aumento de tarifas imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a partir de agosto de 2025. A medida atingiu parte das exportações brasileiras para o mercado americano.

Em novembro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, estimou que 22% das vendas brasileiras aos Estados Unidos estavam sujeitas às sobretaxas. Nesta sexta-feira, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária.

Resultado oficial

O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetros da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na última quinta-feira (19), que indicou expansão de 2,5% em 2025.

O resultado oficial do PIB será apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no dia 03 de março.

Fonte: Agência Brasil
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Estudo aponta alta global na toxicidade de pesticidas e coloca Brasil entre os mais críticos

Pesquisa internacional com 625 substâncias em 201 países mostra avanço consistente do risco à biodiversidade, concentração do impacto em poucas moléculas e dificuldade para cumprir a meta da ONU até 2030.

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Foto: Cenipa/Divulgação

O grau de toxicidade dos pesticidas aumentou em todo o mundo de 2013 e 2019, com o Brasil entre os países líderes. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista Science e contraria a meta de redução de riscos dos pesticidas até 2030, estabelecida na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP15).

Pesquisadores alemães da universidade de Kaiserslautern-Landau avaliaram 625 pesticidas em 201 países. Eles utilizaram o indicador de

Foto: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

Toxicidade Total Aplicada (TAT), que considera o volume usado e o grau de toxicidade de cada substância. Seis de oito grupos de espécies estão mais vulneráveis aos níveis crescentes de toxicidade. São eles: artrópodes terrestres (como insetos, aracnídeos e lacraias), cuja toxicidade aumentou 6,4% ao ano; organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%); invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%).

O TAT global diminuiu apenas para plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5% ao ano). Humanos fazem parte desse último grupo. “O aumento das tendências globais de TAT representa um desafio para o alcance da meta de redução de risco de pesticidas da ONU e demonstra a presença de ameaças à biodiversidade em nível global”, diz um dos trechos do estudo.

Brasil em destaque

Foto: Fernando Dias

O Brasil aparece como um dos principais protagonistas desse cenário. O estudo identifica o país como detentor de uma das maiores intensidades de toxicidade por área agrícola em todo o planeta, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.

Além disso, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem juntos por 53% a 68% da toxicidade total aplicada no mundo.

A relevância brasileira está diretamente ligada ao peso do agronegócio, especialmente de culturas extensivas. Embora cereais tradicionais e frutas ocupem grandes áreas, a toxicidade associada a culturas como soja, algodão e milho exerce impacto significativamente maior em relação à extensão cultivada.

Tipos de pesticidas

Um dos achados mais relevantes do estudo indica que o problema é altamente concentrado: em média, apenas 20 pesticidas por país respondem por mais de 90% da toxicidade total aplicada.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O levantamento aponta que diferentes classes químicas dominam os impactos. Classes de inseticidas, como piretroides e organofosforados, contribuíram com mais de 80% do TAT de invertebrados aquáticos, peixes e artrópodes terrestres. Neonicotinoides, organofosforados e lactonas representaram mais de 80% do TAT de polinizadores.

Organofosforados, juntamente com outras classes de inseticidas, foram os que mais contribuíram para os TATs de vertebrados terrestres. Herbicidas acetamida e bipiridil contribuíram com mais de 80% para o TAT das plantas aquáticas, enquanto uma mistura mais ampla de herbicidas (incluindo acetamida, sulfonilureia e outros) definiu o TAT das plantas terrestres. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, pertencem a essas classes e têm sido associados a riscos ambientais e à saúde humana.

Fungicidas conazol e benzimidazol, juntamente com os inseticidas neonicotinoides, ​​aplicados no revestimento de sementes, contribuíram principalmente para o TAT dos organismos do solo.

Meta global distante

O estudo também avaliou a trajetória de 65 países. O diagnóstico é de que, sem mudanças estruturais, apenas um país (Chile) atingirá a meta da ONU de redução de 50% da toxicidade dos pesticidas até 2030.

Segundo os pesquisadores, China, Japão e Venezuela estão no caminho para atingir a meta e apresentam tendências de queda em todos os indicadores. Mas precisam de uma aceleração nas mudanças de uso de agrotóxicos.

Tailândia, Dinamarca, Equador e Guatemala estão se afastando da meta, com pelo menos um indicador dobrando nos últimos 15 anos. Eles precisam reverter as tendências de rápido aumento para voltar a trajetória anterior.

Todos os outros países do estudo, o que inclui o Brasil, precisam retornar os riscos de pesticidas aos níveis de mais de 15 anos atrás. O que significa reverter padrões de uso das substâncias consolidadas há décadas, em termos de volume e toxicidade das misturas.

Os pesquisadores indicam três frentes principais para conter a escalada dos riscos: substituição de pesticidas altamente tóxicos, expansão da agricultura orgânica e adoção de alternativas não químicas. Tecnologias de controle biológico, diversificação agrícola e manejo mais preciso são apontadas como estratégias capazes de reduzir impactos sem comprometer produtividade.

Fonte: Agência Brasil
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