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Brasil é cinco vezes menos eficiente por condenações de carcaças

Especialista em processos de qualidade, Eder Barbon, explica que condenações deixam país menos competitivo que concorrentes internacionais

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As condenações de carcaças em frigoríficos ainda é um grande problema para o mercado avícola brasileiro. Seja por hematomas, contusões ou fraturas, contaminações, o problema gera grandes perdas para a indústria. Tomar os devidos cuidados no manejo, apanha, transporte, sensibilização e corte é fundamental para diminuir estes números. O especialista em processos de qualidade da Cobb-Vantress, Eder Barbon, falou sobre as “Condenações em frigoríficos e condenações de campo que implicam no rendimento” durante o Encontro Técnico Avícola, que aconteceu em Maringá, PR, em junho.

O especialista explica que a parte da carcaça que está sendo condenada tem ficado em até 20% do frango, ou seja, em uma carcaça de três quilos, o montante não aproveitado é de 600 gramas. “Isso é muito carne, e esse percentual vem aumentando significativamente”, diz. Ele explica que se comparar o Brasil com outros países da América Latina, Estados Unidos e Europa, o país é cinco vezes menos eficiente neste quesito que os concorrentes. “O Brasil é competitivo em produção, tecnologia, temos soja e milho, uma produtividade sensacional, a nossa conversão alimentar é uma das melhores do mundo. Porém, quando falamos em condenações e perdas, estamos falando que somos cinco vezes menos eficientes. Isso é um número significativo para nós”, afirma. Ele informa que o número de condenas no Brasil chega a 1,5%, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Nos outros países, esta porcentagem é de somente 0,3%.

Ele exemplifica: em uma planta que abate um milhão de frangos por semana, esta condena de 1,5% significa uma perda de aproximadamente US$ 182 mil no Brasil, enquanto que na América Latina e Estados Unidos esta perda é de US$ 36 mil. “Por ano, estamos falando em US$ 2 milhões que perdemos no Brasil por condenações em uma empresa desse porte”, sustenta.

As perdas em valores citadas pelo profissional são por conta da lucratividade que o Brasil perde se comparado a outros países. “Estamos falando que no Brasil temos um percentual, um dado do Ministério, de 1,5%, ou seja, dos 21 milhões de frangos que abatemos diariamente, 1,5% é jogado fora, condenado”, afirma. Isso acontece, de acordo com ele, porque o Brasil é o único país que faz a limpeza da carcaça com uma faca. “Na verdade, nossa limpeza é feita com uma faca e nos outros países se faz com um chuveiro ou lavando a carcaça. Por isso a classificação é diferente”, conta.

O profissional ainda informa que desde 2014, quando os Estados Unidos começaram com o antibiótico free, as condenas naquele país se mantiveram bem abaixo do que se observa no Brasil.

Quais as origens das condenas?

Barbon informa que um ponto importante, que para a planta é fundamental, é a uniformidade dos lotes. “Quando mais desuniforme o produtor mandar o frango para as plantas, pior vai ser o aproveitamento, em todos os setores, desde a pendura, atordoamento, escaldagem e depenagem”, conta. Ele explica que é mais difícil regular um equipamento para frangos com diferentes tamanhos. “Você não consegue, porque, na verdade, quando o frango chega na depenadeira, está apertado para depenar o frango pequeno e então faz o que com o grande? Arrebenta principalmente a asa”, diz.

A uniformidade, que é uma responsabilidade do campo, é fundamental. “Falamos em uniformidade acima de 75%, que é considerado um número mágico, porque baixou desse percentual já condena. O percentual de perda ou lesão tende a aumentar na planta se diferente desse número”, comenta.

Já o problema que causa as maiores condenações na planta é, principalmente, o tipo de equipamento e as pessoas. “Com as pessoas é preciso fazer treinamentos, e nos equipamentos ter a correta regulagem”, informa. As contaminações são outro problema que podem causar condenações, e elas podem vir de diversas origens, tanto do campo quanto da planta. “Temos que ter uma carcaça sem contaminação, se não, jogamos fora 20% do peso da ave”, menciona o especialista.

Contusões e fraturas

Barbon explica que as contusões acontecem principalmente na apanha. “A apanha tem melhorado bastante no Brasil. A América Latina tem bastante dificuldade nesse quesito, mas nós já nos conscientizamos quanto ao tipo de apanha que deve ser feito, e talvez, 99% das empresas hoje faz a apanha pelo dorso, em que o percentual de lesão é menor”, conta.

O profissional comenta que é fácil ver quando uma contusão foi feita na apanha, transporte ou alguma outra fase antes de chagar na planta industrial. “Quando vemos uma asa com lesão hemorrágica esverdeada entendemos que isso veio do carregamento ou do campo. Isso porque acima de sete horas temos o escurecimento do hematoma. Dessa forma fica fácil identificar o que é do campo e o que é da planta”, expõe.

Já na planta, Barbon explica que o que pode causar lesão é, principalmente, o cortador de pescoço. “A pessoa pode acabar cortando parte da asa, atingir uma veia ou artéria. E estas asas cortadas vão para o lixo. A porcentagem de asa que perdemos hoje é impressionante, é muito grande”, diz. De acordo com ele, o Brasil é um grande exportador de asas, especialmente para a China, mas perde parte desse mercado, que acaba indo para a graxaria.

Apanha e transporte

O especialista alerta que é preciso fazer o monitoramento das equipes de apanha também. “Se não monitorarmos, não conseguimos identificar se existe algum problema”, comenta. Ele reitera ainda a importância de sempre a apanha ser feita pelo dorso do animal, evitando assim qualquer possível lesão.

O transporte das aves é outro ponto que merece bastante atenção das equipes de trabalho. O especialista diz que é importante se atentar ao número de aves por gaiola, isso porque ainda é comum ver animais com as asas sendo pressionadas, gaiolas arrebentadas ou de qualidade ruim. Estes quesitos são importantes também para evitar mortalidade no transporte, explica. “Eu tenho visto de 0,05 a 0,5% a mortalidade de transporte. Isso é muita ave. Uma planta que abate 300 mil frangos por dia, se colocarmos essa porcentagem de perda no transporte, é um volume grande de dinheiro perdido”, afirma.

Outro ponto destacado por Barbon é sobre molhar as aves na saída da granja. “Quando está muito calor, é preciso muita água, porque se jogar pouca água vai acontecer o efeito contrário e as aves vão morrer por sufocamento”, diz. Ele comenta que algumas empresas têm adaptado os arcos de desinfecção para molhar bastante as aves na saída, o que tem funcionado muito bem.

Nesta fase tão importante, outros pontos são também imprescindíveis para que os animais cheguem nas melhores condições até a planta frigorífica. Entre as citadas pelo especialista estão a conservação das gaiolas e o treinamento dos motoristas dos caminhões. “Tem que fazer esse treinamento, porque eles precisam estar cientes da importância de tudo isso, porque o DIF e a Europa nos cobram o bem-estar animal e temos que passar essa situação para o pessoal”, conta.

A área de espera é outro importante momento e que precisa de atenção, afirma. “Nossa recomendação é que tenha duas filas de ventilador, que é essencial que não exista um ponto cego sem ventilação, porque o frango precisa disso, já que a capacidade respiratória dele está cada vez mais difícil”, diz.

Quanto a isso, algo que funciona muito bem, de acordo com Barbon, é um aspersor na parte superior. “É melhor que dos lados, porque precisamos refrigerar o ambiente, não o frango. Assim, o aspersor em cima do galpão serve para melhorar a condição do ambiente do galpão, melhorando o resultado”, afirma.

Insensibilização

Existem, basicamente, dois métodos de insensibilização utilizados: a gás, utilizado na Europa, e a metodologia elétrica, utilizado pelo Brasil e Estados Unidos. Para o especialista, a sensibilização a gás é mais tranquila, sendo que a porcentagem de lesão neste tipo de atordoamento é muito menor que o elétrico.

Barbon explica que muitas lesões vêm justamente da insensibilização. “Lesões em asas é comum, principalmente se trabalharmos com uma voltagem alta dentro da cuba”, diz. Ele explica que a voltagem que a Europa preconiza é muito alta. “Os Estados Unidos trabalham com 28 volts, já nós com 120 volts. Isso é muito por ave”, afirma. Ele explica que as lesões feitas por conta da insensibilização são características. “O tempo de permanência na cuba deve ser menos de 10 segundos, porque se as condições não forem boas vai acontecer até 20% de lesão”, explica.

Outro ponto destacado por Barbon é que algumas empresas têm aumentado a temperatura para escaldagem dos animais. “Isso é perigoso, porque se a temperatura passar de 56 ° Celsius começa a ter problemas que vão custar mais dinheiro para planta, principalmente de absorção de água no peito. Nesta condição o peito queima e perde até 2% de absorção e você nem vê, sem contar que derrete a gordura corporal”, informa. A recomendação do profissional, e que, segundo ele, funciona bem, é ter dois ou três tanques de escalda, sendo o primeiro com uma água mais contaminada, o segundo e terceiro com água mais limpa. “Funciona bem e você consegue ter um rendimento muito melhor do frango, principalmente do peito”, diz.

A dependeira, de acordo com o especialista, também pode causar prejuízos, principalmente quebrando as patas das aves. “A porcentagem de quebra chega a ser de 90%. A depenadeira também aumenta as condenações na planta”, enumera.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Saúde Animal

Efeito de extrato a base de lúpulo e prebiótico na permeabilidade intestinal de galinhas em sistema cage-free

Eliminação completa ou diminuição do uso de antimicrobianos na indústria de proteína animal pode causar efeitos no bem-estar animal e rendimentos na produção

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Artigo escrito por Fabrízio Matté, consultor Técnico da Vetanco Brasil

A redução ou, preferencialmente, eliminação do uso de melhoradores de desempenho com atividade antimicrobiana é uma tendência internacional, fortemente recomenda pela Organização Mundial da Saúde (OMS), devido a sua associação direta ou indireta à diversos problemas de saúde pública, humana e animal. A eliminação completa ou diminuição do uso de antimicrobianos na indústria de proteína animal pode causar efeitos no bem-estar animal e rendimentos na produção. Com o objetivo de mitigar estes efeitos, há interesse crescente no uso de produtos alternativos aos antimicrobianos, principalmente aqueles derivados de extratos naturais, com menor probabilidade de apresentar efeitos negativos associados aos antimicrobianos clássicos.

Neste trabalho, foram utilizados dois aditivos alimentares associados: um que contém uma combinação de extratos herbais e excipientes ativos do lúpulo e gérmen de trigo e um Prebiótico, composto por ácidos orgânicos (acético, fórmico e propiônico) e parede de levedura purificada (MOS e Betaglucanos), inseridos em uma partícula mineral protetora, tornando-os capazes de agir nos diferentes segmentos do trato intestinal das aves.

Patógenos entéricos, classicamente controlados com uso de subdoses de antimicrobianos, podem produzir toxinas que induzem lesões na barreira intestinal. A barreira intestinal é constituída de uma monocamada contínua de células epiteliais fortemente unidas por complexos de junções intercelulares, que quando saudáveis e íntegras, previnem a translocação paracelular de compostos indesejados, incluindo grandes moléculas, toxinas e microrganismos do lúmen do intestino para a lâmina própria e posteriormente para a corrente sanguínea. Desta forma, a medida da integridade intestinal é um forte indicador da saúde intestinal em aves de produção.

Materiais e métodos

Foram utilizados dois aviários com 9.000 aves cada, entre 74 e 75 semanas de idade. O aviário tratado recebeu inclusão de 1kg/ton do Extrato Herbal a base de lúpulo e 1,5 kg/ton de Prebiótico no alimento das aves, enquanto o aviário Controle não recebeu nenhum prebiótico ou antimicrobiano. O tratamento ocorreu por um período de 23 dias. Foram realizadas duas coletas de sangue periférico para análise da integridade intestinal.

A determinação da integridade intestinal foi realizada utilizando metodologia previamente descrita por estudos. Primeiramente, moléculas fluorescentes grandes (FITC-dextran 4000 kDA) são administradas pela via oral nas aves e, passado o tempo necessário para trânsito intestinal (2h30min), são coletadas amostras de sangue periférico, e o soro é analisado em um leitor de fluorescência. A existência de lesões intestinais com danos nas junções intercelulares pode permitir a passagem de moléculas tóxicas da luz intestinal para circulação sanguínea. Desta forma, lesões ou processos inflamatórios na mucosa intestinal, também permitem a passagem pela via paracelular do corante fluorescente FITC – dextran, que poderá ser detectado na corrente sanguínea e quantificado.

Resultados

Antes do período de tratamento, na primeira coleta, não foi possível identificar diferença significativa na integridade intestinal entre os grupos Controle e Tratado.

Entretanto, após os 23 dias de tratamento combinado com Extrato Herbal e o Prebiótico, uma segunda coleta foi realizada (44 dias depois do início do tratamento). Nesta segunda coleta, foi possível identificar aumento significativo (Teste T de Student, P < 0,05) na permeabilidade intestinal no grupo Controle (n=14), quando comparado ao grupo Tratado (n=12).

Discussão

O uso de compostos naturais, como exemplo os extratos naturais ricos em humulonas e lupulonas, assim como a parede de levedura (ricas em oligossacarídeos de manana – MOS) e os ácidos orgânicos, apresentam alto potencial para controle de Clostridium perfringens, Salmonella spp. e outros patógenos entéricos altamente prejudiciais à saúde intestinal.

Os principais componentes encontrados no lúpulo, são os α-ácidos (Humulonas), responsáveis pelo característico sabor amargo do vegetal, e os β-ácidos (Lupulonas), qual possuem uma excelente atividade bactericida frente a bactérias Gram-positivas.

Por outro lado, o uso de uma associação de ácidos orgânicos e parede de levedura protegidos por um carrier mineral atua favorecendo a multiplicação e colonização dos segmentos intestinais por bactérias acidófilas (ácido-tolerantes e produtoras de ácidos) no intestino de aves.

O uso associado de Extrato Herbal e do Prebiótico em aves apresentou um efeito significativo na proteção da integridade intestinal.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição

Nutrição de precisão em frangos de corte tem quatro pontos-chave

Ajustes serão necessários para adequar às condições de criação e necessidades específicas

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Divulgação/Agroceres

Artigo escrito por Flávio José de Araújo Ruiz, gerente regional de vendas da Agroceres Multimix

Quando pensamos em “precisão”, algumas palavras vêm à mente, como: exatidão, certeza, acerto, impecabilidade, perfeição e primor. Antes de termos a precisão em qualquer situação, precisamos definir o objetivo – o alvo -, pois sem a acurácia do acerto no objetivo não alcançaremos a precisão. A definição do objetivo estabelece as metas, que direcionam nossos esforços. Já dizia o ditado: “para quem não tem destino, qualquer caminho serve”. Temos, portanto, que definir – primeiramente – nossos objetivos, como: peso ao abate, produção em toneladas de carne, qual conversão alimentar e qual custo, entre outros.

Costumo dizer que a avicultura se assemelha muito à Fórmula 1. O que há de mais novo em tecnologia está nessa atividade. A velocidade de mudança é alta e constante. A cada ano, um novo carro ou uma nova genética. A corrida é curta. São 42 voltas ou 42 dias. As tomadas de tempo são medidas na terceira casa decimal, assim como o custo do frango também é avaliado. Todos os corredores estão na mesma volta, já na avicultura, quem não está no mesmo padrão de custo está fora do mercado. Assim como cada corrida é única, tem um circuito específico, um ajuste de carro diferente, na avicultura precisamos fazer os ajustes necessários para cada objetivo, de cada empresa e de cada mercado. O mecânico e os engenheiros fazem os ajustes necessários para atingir todo potencial do carro, da mesma forma que os nutricionistas fazem para aprimorar todo o potencial do frango.

O processo de nutrição de precisão envolve todo sistema de alimentação das aves e se assemelha ao PDCA. O PDCA é uma ferramenta de gestão na qual temos a fase de planejamento (Plan), execução (Do), checagem (Check) e de agir ou ajustar (Act).

Na fase de planejamento, definimos as exigências nutricionais das aves com base no nosso objetivo de desempenho e determinamos as matrizes nutricionais dos alimentos que vamos trabalhar. As exigências nutricionais das aves são obtidas de diferentes fontes. Podemos tomar como base manuais de linhagens, experimentos de doses-respostas, equações de exigências de nutrientes, o conceito de proteína ideal, programas de modelagem biológica, sempre levando em conta o custo final da operação. A definição de objetivos de desempenho, de mercado (interno/externo), de custo, de comercialização (carcaça/corte), de restrições (ração vegetal/antibiotic free), vai nos guiar na definição inicial das exigências nutricionais.

Ajustes serão necessários para adequar às condições de criação e necessidades específicas. Genética, sexo, desafio sanitário, clima, temperatura, umidade, qualidade do ar, tipo de galpão, respostas de desempenho, densidade, oferta e qualidade de matéria prima, capacidade e qualidade da fábrica de ração, são alguns aspectos a serem considerados. O programa de promotores e anticoccidianos vai ser ajustado de acordo com os desafios de campos e as restrições de uso do mercado a ser comercializado. O perfil de vitaminas também deve ser ajustado, se a ração for peletizada ou extrusada.

O nutricionista deve coletar as informações necessárias, para definição dos níveis nutricionais a serem trabalhados. Hoje, já existem aplicativos que ajudam na coleta dessas informações, gerando um amplo banco de dados com históricos que facilitam a tomada de decisão. Programas de modelagem abastecidos com diversas variáveis de criação e com equações que refletem a realidade também auxiliam na definição da estratégia nutricional, porém todas estas ferramentas não substitui a visita técnica do nutricionista ao campo.

Ingredientes

A determinação e acurácia das matrizes nutricionais dos ingredientes escolhidos são de extrema importância para que o nível nutricional da formulação pré-definida corresponda à realidade. A amostragem define a representatividade do que se realmente tem na fábrica. Um plano de amostragem deve ser definido baseado na quantidade, no número de fornecedores e na frequência de entrega da matéria-prima. Um laboratório para controle de qualidade é crucial para um bom banco de dados de nutrientes. Hoje o uso do Nirs (Near Infra Red Spectrometry) nos possibilita um número muito grande de informações que devem ser trabalhadas, pois, de outra forma, continuam sendo apenas dados. As análises de matérias-primas nos possibilitam atualizar as matrizes e nos ajudam a manter a qualidade, monitorando e qualificando fornecedores.

Após definido os níveis nutricionais da fórmula e as matrizes dos ingredientes, podemos executar a formulação. Essa já é uma fase do “fazer” do PDCA. No processo de otimização de fórmula podemos ter alguns estudos, como uma análise paramétrica, na qual avaliamos a viabilidade econômica de ingredientes alternativos. Verificamos também a melhor distribuição de um ingrediente restrito para o melhor custo no geral. Verificamos o consumo total de matéria-prima durante o mês, o peso do custo de cada ingrediente e a contribuição nutricional de cada um.

O controle de qualidade de uma fábrica de ração está tanto no processo de planejamento, ajudando a construir a matriz nutricional, quanto na rotina de execução de uma fórmula. Análises rápidas, como: classificação do milho, urease do farelo de soja, peróxidos em farinhas de origem animal e óleos, ajudam muito a restringir a entrada de ingredientes de baixa qualidade na fábrica, possibilitando, inclusive, a elaboração de um ranking de fornecedores, ajudando no direcionamento de compras. A verificação de todo processo de produção ajuda a manter a qualidade do produto acabado.

Fábrica coração

A fábrica de ração é o coração de uma integração de frangos de corte. Ela é capaz de contribuir com o sucesso ou fracasso de toda a operação. As Boas Práticas de Fabricação (BPF) nos auxiliam a manter esse processo em conformidade, com os padrões pré-estabelecidos. Em todo processo produtivo deve ser checado os pontos críticos e cada um deve ter seu padrão e seus indicadores a serem avaliados. O cuidado na recepção da matéria-prima, direcionamento ao silo correto de armazenagem, evitando contaminação cruzada, fazendo uma devida pré-limpeza do milho – se possível utilizando uma mesa densimétrica para melhorar ainda mais a qualidade do milho a ser armazenado -, tudo isso contribui para garantir que cada ingrediente tenha seu destino correto dentro da fábrica.

O processo de armazenagem deve preservar a qualidade do ingrediente estocado. Além disso, a moagem dos ingredientes favorece a homogeneidade das partículas e facilita a mistura; e o diâmetro geométrico médio (DGM) deve ser monitorado. A pesagem é parte crucial do processo, e uma pequena variação pode levar ao fracasso, por isso as balanças devem ser aferidas e esta etapa deve ter um cuidado especial. A qualidade de mistura é crucial para que a ração fique homogenia, evitando segregação de partículas e contribuindo para que todas as aves, ao se alimentarem, possam ter acesso aos mesmos nutrientes e aditivos. Esse processo deve ser monitorado através do coeficiente de variação de mistura (CV).

O direcionamento de silo para armazenagem do produto acabado deve ser verificado para evitar contaminação cruzada, colocando em risco todo o processo produtivo. A expedição e transporte devem ser controlados para evitar equívocos de envio de rações erradas. Não adianta todo processo anterior ter a “nutrição de precisão”, ou seja, uma fórmula perfeita, que corresponde integralmente a realidade dos ingredientes misturados, processos de fabricação adequado, mas entregue uma granja que não corresponde à sua fase.

Na granja

Na granja, a alimentação das aves deve ser garantida. Ter fácil acesso ao alimento e água, uma boa relação de equipamentos, densidade compatível com o tamanho da granja e número de equipamentos, água de qualidade, favorecerão o bom resultado. Nessa etapa, além da execução da alimentação, está a fase de “check”. Dados devem ser coletados para verificarmos o andamento da resposta à formulação, como: o peso das aves, semanal ou diário. Já existe tecnologia de balanças dentro do galpão que nos dão informação em tempo real. O consumo de ração pode ser monitorado com avaliação do volume nos silos, diariamente. Existem silos com células de carga que nos dão o consumo on line da ração.

A medição do consumo de água nos evidencia qualquer alteração no comportamento das aves. O monitoramento da saúde intestinal, junto com o desempenho do plantel, nos auxilia na resposta ao programa de aditivos. A manutenção da biossegurança e o acompanhamento de desafios também permitem ações corretivas rápidas. O controle de uma boa ambiência e qualidade do ar favorece o desempenho e manifestação de todo o potencial das aves com o alimento.

O monitoramento das respostas deve ser seguido de perto pelo nutricionista que, prontamente, fará as correções necessárias da formulação. Essa seria a fase do “act”, agir. Dessa forma, inicia-se uma nova formulação, que deve ser guiada pelo nutricionista em todo o processo (fórmula), até chegar ao bico da ave e se transformar em carne. Lembrando que: sempre guiado pelo objetivo central de produção da empresa.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura

Importância dos minerais orgânicos para animais de alta performance

Os minerais orgânicos se caracterizam por apresentar maior biodisponibilidade e, portanto, menores taxas de excreção por parte dos animais

Publicado em

em

Jonas Oliveira

Artigo escrito por Verônica Lisboa Santos, Juliana Bueno da Silva, Fabiana Goulin Luiggi e Carlos Ronchi

Os animais de produção necessitam receber suplementação mineral de modo a atender suas necessidades de macro e micro minerais. A forma química dos minerais é um fator importante para sua absorção e aproveitamento nas diferentes rotas metabólicas que compõem o organismo. Estes podem ser fornecidos sob a forma de sais inorgânicos, como sulfatos e óxidos, ou orgânicas. Os minerais orgânicos são apresentados como elementos de maior biodisponibilidade relativa quando comparados a fontes inorgânicas, ou seja, possibilitam maior absorção e são melhor utilizados pelos animais. A absorção do mineral orgânico no trato intestinal não sofre o processo de competição iônica, normalmente determinada pela presença de maior concentração de íons minerais.

Os microminerais, também denominados minerais traço, em virtude de sua pequena inclusão nas dietas, atuam como componentes de estruturas proteicas ou como co-fatores, auxiliando na alteração ou modulação alostérica da estrutura terciária de enzimas, tornando-as ativas ou inativas.  Há muitos anos, os nutricionistas têm utilizado minerais na forma inorgânica (ex.: sulfato de zinco, selenito de sódio, sulfato de cobre, etc.) buscando atender às exigências minerais dos animais. Ao alcançarem o trato gastrointestinal, os minerais devem ser inicialmente solubilizados para liberarem íons e serem absorvidos. No entanto, estando na forma iônica parte dos minerais podem se complexar com outros componentes da dieta, como por exemplo o ácido fítico, dificultando sua absorção, ou ser completamente complexado, tornando-se indisponíveis aos animais.

Outro importante fator deve ser considerado: antes que um íon metálico possa ser absorvido, ele não deve estar envolvido com a hidroxi-polimerização, atravessar as barreiras e chegar ao enterócito. Os metais ingeridos podem ser subdivididos em duas categorias gerais: aqueles solúveis em uma ampla variação de pH no trato gastrintestinal, ex. sódio, cálcio e magnésio e aqueles suscetíveis à reação de hidroxipolimerização, como o alumínio, o manganês, o zinco, o cobre e o ferro. Eles são prontamente solúveis em ácido (ex. no estômago de monogástricos), mas em condições de alcalinização no intestino delgado, as moléculas de água as quais eles estão ligados perdem rapidamente seus prótons para formar compostos hidroxi-metálicos. Conforme a solução acidifica e se aproxima do pH neutro, outros prótons são liberados pelas moléculas de água coordenadas ao redor do metal numa tentativa de manter o equilíbrio. Isto pode levar a uma ampla polimerização dos hidróxi-metais e, por fim, precipitação, tornando o metal não disponível para a absorção.

Os minerais traços participam em várias funções bioquímicas no organismo, de forma que várias tentativas têm sido feitas para torná-los mais biodisponíveis, ao protege-lo das condições do trato gastrintestinal. Um bom ligante deve impedir ou interferir com a hidroxi-polimerização e talvez competir com a mucina para permanecer ligado ao metal. Ele não pode, por outro lado, se ligar tão forte de forma a impedir sua absorção e atuação metabólica. Aminoácidos e pequenos peptídeos estão entre os ligantes que melhor protegem os metais de transição no trato digestivo.

Tendo em vista estas alterações negativas, alguns nutricionistas utilizam níveis mais elevados de minerais, grande parte das vezes baseados em seu próprio conhecimento prático. Isto pode funcionar, mas há grande possibilidade de ocorrer uma interação negativa na absorção de minerais, bem como aumentar os níveis excretados dos mesmos, com consequente impacto negativo ao meio ambiente. Atualmente, observa-se um maior interesse no fornecimento de minerais orgânicos ou fontes quelatadas de minerais traço. Os minerais orgânicos proporcionam maior índice de absorção e rapidez da mesma e seu transporte é facilitado e partindo da hipótese de que são mais facilmente absorvidos e retidos no organismo, podem ser adicionados a uma concentração muito mais baixa na dieta do que minerais inorgânicos, sem qualquer efeito negativo sobre o desempenho produtivo, e podem, potencialmente, reduzir a excreção de minerais.

As diferentes ações exercidas pelos minerais no organismo dependem primeiramente de sua absorção no intestino e da sua distribuição nos diferentes tecidos do organismo animal.

Não basta simplesmente fornecê-los nas dietas, mas oferecer minerais em quantidade e qualidade que atendam às necessidades nutricionais das diferentes espécies. Cuidando para que não haja excessos ou deficiências, ambas condições muito prejudiciais em vários pontos.

Pesquisas

Testes realizados a campo e em universidades referência na nutrição animal atestam sobre a eficácia na utilização dos minerais orgânicos.

Zinco orgânico na dieta de frangos de corte sobre o desempenho produtivo e a qualidade de patas

Local: granja no Estado do Paraná, Brasil.

Material e métodos

Com o objetivo de avaliar o efeito da suplementação de Zinco orgânico sobre o desempenho produtivo e a qualidade de patas de frangos de corte foram utilizados dois lotes de frangos de corte, sendo: Lote 1 – 599.688 aves recebendo dieta controle (sem suplementação do mineral orgânico) e Lote 2 – 962.740 aves suplementadas com 400g/ton de Zinco orgânico em todas as fases de produção.

Resultados e Conclusão

As aves suplementadas com Zinco orgânico apresentaram resultados de desempenho produtivo superiores.

Da mesma forma, o grupo de aves que recebeu Zinco orgânico na alimentação, apresentou proporção de 60% de patas do tipo A (objetivo da indústria) contra 20% do controle. O ganho financeiro líquido adicional foi de 8,91% em relação ao controle (em toneladas de patas).

A suplementação com Zinco orgânico propiciou melhores índices de desempenho produtivo e melhor qualidade de pata aos frangos de corte.

Efeito da inclusão de cobre, manganês e zinco orgânicos na dieta de poedeiras sobre a excreção mineral, produção de qualidade de ovos

Pesquisador: Pro. Dr. Evandro de Abreu Fernandes

Local: Universidade Federal de Uberlândia – UFU, Uberlândia – Minas Gerais

Materiais e métodos

Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão dos minerais orgânicos Cobre, Manganês e Zinco sobre a produção, qualidade dos ovos e excreção de minerais na dieta de poedeiras em segundo ciclo de postura, foram utilizadas 250 aves, com 100 semanas de idade, distribuídas em cinco tratamentos. A substituição total de minerais inorgânicos por minerais de fonte orgânica na dieta de poedeiras mostrou-se eficiente para reduzir a excreção dos oligoelementos avaliados sem comprometer a produção e a qualidade da casca de ovos.

Cálcio orgânico sobre a qualidade interna dos ovos de poedeiras

Local: Granja produtora de ovos, São Paulo, Brasil.

Materiais e Métodos

Com objetivo de avaliar a qualidade interna dos ovos de poedeiras, foram utilizados dois lotes com 27.000 poedeiras cada. A avaliação teve duração de 10 semanas (73 a 83 semanas de idade das aves). O lote 1 recebeu dieta basal, sem a suplementação do mineral orgânico e o lote 2 recebeu dieta basal com a suplementação de Cálcio orgânico (1kg/ton).

Resultados e Conclusão

Aves que consumiram cálcio orgânico na dieta produziram ovos mais pesados, com maior índice de unidade Haugh (indicativo da qualidade interna de ovos), e maior altura de albúmen, coloração de gema, espessura e resistência de casca, sugerindo que o cálcio, na forma orgânica, apresentou maior biodisponibilidade para a absorção e consequente aproveitamento das aves.

Considerações Finais

A evolução das técnicas de criação tem possibilitado melhores desempenhos produtivo e reprodutivo das aves, permitindo aos nutricionistas formularem dietas cada vez mais específicas, de modo a atender, com maior precisão, as exigências dos animais. Entretanto, as variações na biodisponibilidade de minerais, as reações de hidroxipolimerização as quais os mesmos podem ser expostos até sua chegada aos enterócitos e os problemas ambientais cada vez mais crescentes com o uso de fontes inorgânicas nas rações têm alertado pesquisadores a buscarem alternativas que resultem em maior aproveitamento destes nutrientes e menor excreção pelos animais. Os minerais orgânicos se caracterizam por apresentar maior biodisponibilidade e, portanto, menores taxas de excreção por parte dos animais, possibilitando com que os mesmos possam, potencialmente, expressar melhor o seu genótipo. Este melhor desempenho indica um melhor benefício metabólico e fisiológico por parte do animal, proporcionando a otimização das funções e dos sistemas, conforme resultados obtidos nos trabalhos realizados.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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