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Brasil é cinco vezes menos eficiente por condenações de carcaças

Especialista em processos de qualidade, Eder Barbon, explica que condenações deixam país menos competitivo que concorrentes internacionais

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As condenações de carcaças em frigoríficos ainda é um grande problema para o mercado avícola brasileiro. Seja por hematomas, contusões ou fraturas, contaminações, o problema gera grandes perdas para a indústria. Tomar os devidos cuidados no manejo, apanha, transporte, sensibilização e corte é fundamental para diminuir estes números. O especialista em processos de qualidade da Cobb-Vantress, Eder Barbon, falou sobre as “Condenações em frigoríficos e condenações de campo que implicam no rendimento” durante o Encontro Técnico Avícola, que aconteceu em Maringá, PR, em junho.

O especialista explica que a parte da carcaça que está sendo condenada tem ficado em até 20% do frango, ou seja, em uma carcaça de três quilos, o montante não aproveitado é de 600 gramas. “Isso é muito carne, e esse percentual vem aumentando significativamente”, diz. Ele explica que se comparar o Brasil com outros países da América Latina, Estados Unidos e Europa, o país é cinco vezes menos eficiente neste quesito que os concorrentes. “O Brasil é competitivo em produção, tecnologia, temos soja e milho, uma produtividade sensacional, a nossa conversão alimentar é uma das melhores do mundo. Porém, quando falamos em condenações e perdas, estamos falando que somos cinco vezes menos eficientes. Isso é um número significativo para nós”, afirma. Ele informa que o número de condenas no Brasil chega a 1,5%, de acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Nos outros países, esta porcentagem é de somente 0,3%.

Ele exemplifica: em uma planta que abate um milhão de frangos por semana, esta condena de 1,5% significa uma perda de aproximadamente US$ 182 mil no Brasil, enquanto que na América Latina e Estados Unidos esta perda é de US$ 36 mil. “Por ano, estamos falando em US$ 2 milhões que perdemos no Brasil por condenações em uma empresa desse porte”, sustenta.

As perdas em valores citadas pelo profissional são por conta da lucratividade que o Brasil perde se comparado a outros países. “Estamos falando que no Brasil temos um percentual, um dado do Ministério, de 1,5%, ou seja, dos 21 milhões de frangos que abatemos diariamente, 1,5% é jogado fora, condenado”, afirma. Isso acontece, de acordo com ele, porque o Brasil é o único país que faz a limpeza da carcaça com uma faca. “Na verdade, nossa limpeza é feita com uma faca e nos outros países se faz com um chuveiro ou lavando a carcaça. Por isso a classificação é diferente”, conta.

O profissional ainda informa que desde 2014, quando os Estados Unidos começaram com o antibiótico free, as condenas naquele país se mantiveram bem abaixo do que se observa no Brasil.

Quais as origens das condenas?

Barbon informa que um ponto importante, que para a planta é fundamental, é a uniformidade dos lotes. “Quando mais desuniforme o produtor mandar o frango para as plantas, pior vai ser o aproveitamento, em todos os setores, desde a pendura, atordoamento, escaldagem e depenagem”, conta. Ele explica que é mais difícil regular um equipamento para frangos com diferentes tamanhos. “Você não consegue, porque, na verdade, quando o frango chega na depenadeira, está apertado para depenar o frango pequeno e então faz o que com o grande? Arrebenta principalmente a asa”, diz.

A uniformidade, que é uma responsabilidade do campo, é fundamental. “Falamos em uniformidade acima de 75%, que é considerado um número mágico, porque baixou desse percentual já condena. O percentual de perda ou lesão tende a aumentar na planta se diferente desse número”, comenta.

Já o problema que causa as maiores condenações na planta é, principalmente, o tipo de equipamento e as pessoas. “Com as pessoas é preciso fazer treinamentos, e nos equipamentos ter a correta regulagem”, informa. As contaminações são outro problema que podem causar condenações, e elas podem vir de diversas origens, tanto do campo quanto da planta. “Temos que ter uma carcaça sem contaminação, se não, jogamos fora 20% do peso da ave”, menciona o especialista.

Contusões e fraturas

Barbon explica que as contusões acontecem principalmente na apanha. “A apanha tem melhorado bastante no Brasil. A América Latina tem bastante dificuldade nesse quesito, mas nós já nos conscientizamos quanto ao tipo de apanha que deve ser feito, e talvez, 99% das empresas hoje faz a apanha pelo dorso, em que o percentual de lesão é menor”, conta.

O profissional comenta que é fácil ver quando uma contusão foi feita na apanha, transporte ou alguma outra fase antes de chagar na planta industrial. “Quando vemos uma asa com lesão hemorrágica esverdeada entendemos que isso veio do carregamento ou do campo. Isso porque acima de sete horas temos o escurecimento do hematoma. Dessa forma fica fácil identificar o que é do campo e o que é da planta”, expõe.

Já na planta, Barbon explica que o que pode causar lesão é, principalmente, o cortador de pescoço. “A pessoa pode acabar cortando parte da asa, atingir uma veia ou artéria. E estas asas cortadas vão para o lixo. A porcentagem de asa que perdemos hoje é impressionante, é muito grande”, diz. De acordo com ele, o Brasil é um grande exportador de asas, especialmente para a China, mas perde parte desse mercado, que acaba indo para a graxaria.

Apanha e transporte

O especialista alerta que é preciso fazer o monitoramento das equipes de apanha também. “Se não monitorarmos, não conseguimos identificar se existe algum problema”, comenta. Ele reitera ainda a importância de sempre a apanha ser feita pelo dorso do animal, evitando assim qualquer possível lesão.

O transporte das aves é outro ponto que merece bastante atenção das equipes de trabalho. O especialista diz que é importante se atentar ao número de aves por gaiola, isso porque ainda é comum ver animais com as asas sendo pressionadas, gaiolas arrebentadas ou de qualidade ruim. Estes quesitos são importantes também para evitar mortalidade no transporte, explica. “Eu tenho visto de 0,05 a 0,5% a mortalidade de transporte. Isso é muita ave. Uma planta que abate 300 mil frangos por dia, se colocarmos essa porcentagem de perda no transporte, é um volume grande de dinheiro perdido”, afirma.

Outro ponto destacado por Barbon é sobre molhar as aves na saída da granja. “Quando está muito calor, é preciso muita água, porque se jogar pouca água vai acontecer o efeito contrário e as aves vão morrer por sufocamento”, diz. Ele comenta que algumas empresas têm adaptado os arcos de desinfecção para molhar bastante as aves na saída, o que tem funcionado muito bem.

Nesta fase tão importante, outros pontos são também imprescindíveis para que os animais cheguem nas melhores condições até a planta frigorífica. Entre as citadas pelo especialista estão a conservação das gaiolas e o treinamento dos motoristas dos caminhões. “Tem que fazer esse treinamento, porque eles precisam estar cientes da importância de tudo isso, porque o DIF e a Europa nos cobram o bem-estar animal e temos que passar essa situação para o pessoal”, conta.

A área de espera é outro importante momento e que precisa de atenção, afirma. “Nossa recomendação é que tenha duas filas de ventilador, que é essencial que não exista um ponto cego sem ventilação, porque o frango precisa disso, já que a capacidade respiratória dele está cada vez mais difícil”, diz.

Quanto a isso, algo que funciona muito bem, de acordo com Barbon, é um aspersor na parte superior. “É melhor que dos lados, porque precisamos refrigerar o ambiente, não o frango. Assim, o aspersor em cima do galpão serve para melhorar a condição do ambiente do galpão, melhorando o resultado”, afirma.

Insensibilização

Existem, basicamente, dois métodos de insensibilização utilizados: a gás, utilizado na Europa, e a metodologia elétrica, utilizado pelo Brasil e Estados Unidos. Para o especialista, a sensibilização a gás é mais tranquila, sendo que a porcentagem de lesão neste tipo de atordoamento é muito menor que o elétrico.

Barbon explica que muitas lesões vêm justamente da insensibilização. “Lesões em asas é comum, principalmente se trabalharmos com uma voltagem alta dentro da cuba”, diz. Ele explica que a voltagem que a Europa preconiza é muito alta. “Os Estados Unidos trabalham com 28 volts, já nós com 120 volts. Isso é muito por ave”, afirma. Ele explica que as lesões feitas por conta da insensibilização são características. “O tempo de permanência na cuba deve ser menos de 10 segundos, porque se as condições não forem boas vai acontecer até 20% de lesão”, explica.

Outro ponto destacado por Barbon é que algumas empresas têm aumentado a temperatura para escaldagem dos animais. “Isso é perigoso, porque se a temperatura passar de 56 ° Celsius começa a ter problemas que vão custar mais dinheiro para planta, principalmente de absorção de água no peito. Nesta condição o peito queima e perde até 2% de absorção e você nem vê, sem contar que derrete a gordura corporal”, informa. A recomendação do profissional, e que, segundo ele, funciona bem, é ter dois ou três tanques de escalda, sendo o primeiro com uma água mais contaminada, o segundo e terceiro com água mais limpa. “Funciona bem e você consegue ter um rendimento muito melhor do frango, principalmente do peito”, diz.

A dependeira, de acordo com o especialista, também pode causar prejuízos, principalmente quebrando as patas das aves. “A porcentagem de quebra chega a ser de 90%. A depenadeira também aumenta as condenações na planta”, enumera.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura Produção de alimentos

Mundo pós-pandemia: quais os desafios para a avicultura de postura?

O Brasil é uma potência mundial em produção de alimentos e cada vez mais se posiciona como líder deste segmento. Para ampliar nos próximos dez anos ainda mais a sua produção, o país terá três grandes oportunidades de crescimento nas áreas de grãos, carnes e biocombustíveis.

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Divulgação/Arquivo/OP Rural

O Brasil é uma potência mundial em produção de alimentos e cada vez mais se posiciona como líder deste segmento. Para ampliar nos próximos dez anos ainda mais a sua produção, o país terá três grandes oportunidades de crescimento nas áreas de grãos, carnes e biocombustíveis. Esse cenário é vislumbrado pelo engenheiro agrônomo e professor da USP, Marcos Fava Neves, que ministrou a palestra magistral na abertura do 19º Congresso de Ovos da APA, promovido de 22 a 24 de março pela Associação Paulista de Avicultores, em Ribeirão Preto, SP.

Engenheiro agrônomo e professor da USP, Marcos Fava Neves: “A avicultura é craque quando se fala do emprego de novas tecnologias, mas é preciso investir cada vez mais em transformação digital para impulsionar os negócios da cadeia” – Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Segundo Fava, o mercado dos grãos é extremamente promissor, com estimativa até 2030 do Brasil deter 63% do comércio mundial.  “Eu acredito que com o trabalho que vem sendo muito bem feito pela Abramilho e pela Embrapa temos condições de abastecer a necessidade de milho da avicultura, da suinocultura, da produção de ração, do etanol e passar os americanos na exportação projetada para os próximos dez anos”, anseia, otimista o professor da USP. Caso este cenário se consolide, o Brasil vai liderar nove das principais cadeias produtivas do mundo.

De acordo com Fava, o grão aumenta o consumo por alimento da sociedade mundial em 40 milhões de toneladas por ano e o aumento na produção de carnes deve impulsionar a demanda por grãos. “Temos que ser obcecados em produzir mais proteína para colocar no mundo, mas não podemos bobear com o grão, que representa um mercado tão importante”, enfatizou, ao lembrar que o país perdeu o equivalente a metade da Argentina na safra 2021/2022 de soja – cerca de 25 milhões de toneladas.

O Brasil usa atualmente para fins agropecuários 257 milhões de hectares para produção de grãos, no entanto, o país precisa para abastecer a crescente demanda mundial com a demanda de carne, grãos e biocombustível apenas 252 milhões de hectares. Como isso é possível? Dá para fazer essa expansão sem crescer área? Fava afirma que sim. “Temos uma vantagem muito grande que é a quantidade de área que se pode usar duas vezes, então o Brasil está produzindo essa enormidade de grãos usando hoje 72 milhões de hectares, dos quais utiliza 54 milhões de hectares na 1ª safra e destes 18 milhões são usados duas vezes, para produção da 2ª e da 3ª safra”, exalta o engenheiro agrônomo, ampliando: “Se conseguirmos expandir dez milhões de novos hectares em dez anos e pegar 18 milhões de hectares de 2ª safra das áreas usadas é possível fazer a produção necessária que o mercado precisa”, afirma.

Nos últimos dois anos o Brasil expandiu em área para produção de grãos cerca de seis milhões de hectares, o que acarretou problemas com insumos para a agricultura. “Fomos nós que criamos esse problema e não nossos fornecedores”, expõe Fava.

Sustentabilidade

O professor da USP demonstra uma preocupação bastante grande com a expansão da área para agricultura, admitindo que o país precisa trabalhar mais fortemente as questões de sustentabilidade e se posicionar mundialmente como uma potência ambiental, iniciando esse trabalho pela diminuição do desmatamento da Amazônia, que desempenha papel imprescindível na manutenção de serviços ecológicos, como a garantia da qualidade do solo, dos estoques de água doce e da proteção da biodiversidade. “Diferente do Brasil, a Europa não vai conseguir elevar a energia para 87% renovável, o biocombustível para 25%, matriz energética renovável incluindo os combustíveis para 48% e não vai conseguir manter dois terços de área preservada. O que nós temos que fazer é trabalhar a matemática e resolver o problema, não ficar esperando que ganhe proporções maiores”, pondera Fava.

Fertilizantes

O professor da USP é categórico ao afirmar que houve overreaction do mercado, ou seja, reação exagerada ao problema, uma vez que não é tão grave quanto se apresenta, visto que os fluxos estão acontecendo. “O preço vai cair até meados de março de 2023, porque está todo mundo realizando pesquisa, aumentando investimento em produção de fertilizantes, com isso a oferta vai passar a demanda e o preço vai cair fortemente”, avalia.

Preço dos grãos

Fava vislumbra um cenário muito bom para os preços dos grãos no país em se confirmando o seguinte cenário: Ucrânia consegue semear milho e trigo no mês que vem, uma vez que não haverá bloqueio de máquinas agrícolas; o clima continuará sendo bom sobre a 2ª safra brasileira, a venda da saca da soja está a US$ 17 bushel e o milho a US$ 7,5 bushel, preço que incentiva o plantio em território americano, uma vez que os produtores estadunidenses têm produtos para fertilizar e o clima se apresenta favorável para a safra; dificuldade dos preços com a presença de insumos; estima-se que agricultores brasileiros vão aumentar em um milhão de hectares a área de grãos e o clima sobre a 1ª safra é bom. “Se estas cinco variáveis se confirmarem os preços dos grãos começam a cair de forma consistente a partir de setembro. Por isso, tenho alertado aos produtores para fazerem a venda antecipada da sua produção aos preços de hoje para enfrentar principalmente o seu custo de produção”, menciona.

Reconfiguração geopolítica e impactos no agro

Fava fez uma análise dos acontecimentos que estão impactando as cadeias produtivas em 2022, elencando entre eles os eventos climáticos adversos (secas, geadas, chuvas etc.), a pandemia animal (Peste Suína Africana), a pandemia da Covid-19, as greves e interrupções do transporte, invasões, guerras, embargos, inéditos boicotes privados a países, aglutinação de consumidores, blocos de países e cooperação (Rússia e China), grandes oscilações em preços: intensificação dos desajustes entre a oferta e demanda, crise energética global com a inflação, além do fortalecimento de pragas e doenças.

Engenheiro agrônomo e professor da USP, Marcos Fava Neves: “Temos que ser obcecados em produzir mais proteína para colocar no mundo, mas não podemos bobear com o grão, que representa um mercado tão importante”

Para enfrentar esse cenário nebuloso que se desenha a nossa frente, o professor da USP diz que o momento exige planejamento estratégico setorial e aglutinação de esforços, sugerindo novas estratégias para se pensar.

Avicultura spotify

Fava diz que o momento atual do setor avícola é de jogar com o Spotify (trabalhar com aplicativos em tempo real). Além da gestão com excelência e das tecnologias empregadas na produção, aponta quatro caminhos ao produtor para empregar novas tecnologias na propriedade: fazer a gestão por metro quadrado e não mais por hectare, aplicações localizadas de defensivos, ou seja, somente sobre a planta daninha; e a digitalização de dados da produção.

“A avicultura é craque quando se fala do emprego de novas tecnologias, mas é preciso investir cada vez mais em transformação digital para impulsionar os negócios da cadeia, gerenciando dados e informações da produção em tempo real. É preciso expandir cada vez mais, obter ganhos com a economia circular e a integração das atividades; investir em  fontes renováveis de energia – baixando custos e créditos de carbono; agricultura regenerativa, bioinsumos e outros produtos alternativos, aliados a economia compartilhada (low asset).

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura de postura

Congresso de Ovos da APA retorna com novidade sobre controle do cascudinho

Estudo dos pesquisadores Helton Fernandes dos Santos e Masaio Mizuno Ishizuka foi premiado na categoria de Trabalho técnico-científico – Manejo.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

De volta ao calendário nacional de avicultura de postura depois de três anos da sua última edição em razão da interrupção dos eventos presenciais pela pandemia da Covid-19, o Congresso de Ovos da Associação Paulista de Avicultura (APA) atraiu, em março, cerca de 700 congressistas, entre produtores, técnicos, extensionistas, pesquisadores, estudantes e outras lideranças envolvidas no setor.

Coordenador da Comissão Técnica, José Roberto Bottura: “A formação do temário é baseada em conteúdo de pesquisa, em novidades do setor e do que está em destaque na atualidade” – Fotos: Divulgação/APA

Realizado no Centro de Convenções de Ribeirão Preto (SP), o evento recebeu profissionais de todas as regiões do país, reforçando sua importância para a atualização do segmento avícola em território brasileiro e na América do Sul. “Retomar presencialmente o Congresso foi uma alegria muito grande, porque a gente gosta do contato com as pessoas, do calor humano que a presença das pessoas provoca e principalmente da conversa olho no olho, que tanto sentimos falta em tempos de pandemia”, enfatizou o coordenador da Comissão Técnica, José Roberto Bottura.

Com mais de 40 profissionais envolvidos na organização, Bottura diz que toda a programação foi pensada para aperfeiçoar e melhorar os métodos adotados em todos os processos da cadeia avícola. “A formação do temário é baseada em conteúdo de pesquisa, em novidades do setor e do que está em destaque na atualidade. Quando organizamos o Congresso utilizamos a seguinte métrica: 70% dos temas são sugeridos pelos congressistas na avaliação final que realizamos em cada Congresso, ou seja, são temas que vão de encontro com o interesse da cadeia, além de temas recomendados pelos técnicos que estão a campo; e outros 30% englobam temas que normalmente o setor não quer ouvir, por serem um tanto delicados de serem tratados, mas que o debate se faz necessário para avançarmos enquanto cadeia produtiva”, afirma o coordenador da Comissão Técnica, adiantando que para 2023 a expectativa é receber em torno de 750 congressistas.

Presidente da APA, Érico Antonio Pozzer: “Estamos trabalhando em conjunto com outras entidades a fim de buscar cada vez melhores soluções para o setor”

O presidente da APA, Érico Antonio Pozzer, destacou o papel da entidade e a importância de manter o status sanitário do país. “Estamos trabalhando em conjunto com outras entidades a fim de buscar cada vez melhores soluções para o setor. O que quero chamar atenção é para o nosso status sanitário em um momento que estamos vendo doenças nos planteis em várias partes do mundo. Nós aqui no Brasil estamos conseguindo manter o nosso status sanitário sem nenhuma proibição ou prejuízo para a exportação. O que peço para vocês é que continuem a fazer o dever de casa, tomando todas as medidas recomendadas pelas associações e órgãos competentes, a fim de que possamos manter nosso status sanitário avícola nacional, invejado mundialmente”, declarou.

Presente desde a primeira edição do evento, a professora da USP da área de epidemiologia e coordenadora do Comitê de Sanidade Avícola do Estado de São Paulo, Masaio Mizuno Ishizuka, é bastante atuante, com diversos estudos publicados ao longo das últimas cinco décadas.

Pesquisadores Helton Fernandes dos Santos e Masaio Mizuno Ishizuka foram premiados na categoria de Trabalho técnico-científico – Manejo com uma pesquisa sobre o controle do cascudinho na avicultura

E neste ano trouxe ao Congresso uma pesquisa sobre o controle do cascudinho na avicultura, realizado em conjunto com o professor da Universidade Federal de Santa Maria, RS, Helton Fernandes dos Santos. A pesquisa foi premiada na categoria de Trabalho técnico-científico – Manejo. “É muito importante participar deste evento, debater a avicultura e contribuir para buscarmos soluções eficazes para o setor. Neste sentido tenho colaborado todos os anos com alguma atividade e para esta edição fui convidada a realizar cinco experimentos em todas as fases de criação das aves de postura visando o controle e a mitigação do cascudinho, uma praga que prejudica muito a avicultura criada sobre cama. A nossa experiência mostrou que a Metilxantina, um produto natural de largo espectro, obtido do café e da erva mate, é capaz de controlar tanto a larva como o cascudinho já adulto no vazio sanitário e durante o alojamento, com estudo de campo comprovando sua eficácia”, expôs Masaio.

A programação do 19º Congresso de Ovos da APA contou com uma série de palestras, painéis e debates envolvendo as temáticas de produção de ovos, avicultura 4.0, cenário atual dos grãos, exportação de ovos, sanidade animal, nutrição e doenças aviárias, além da apresentação de trabalhos científicos.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Problemas respiratórios desafiam biosseguridade da avicultura brasileira

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

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Fotos: Divulgação

Responsáveis por grandes perdas econômicas, as doenças do sistema respiratório em frango de corte podem atingir toda a cadeia produtiva da granja, levando, inclusive, a condenação do lote a nível de abate. Dado a sua importância, o médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back, foi um dos convidados do 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) para tratar sobre o assunto, que fez parte da programação do Bloco Nutrição e Manejo do evento realizado pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 05 a 07 de abril, em Chapecó, SC.

Médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back: “Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo”

Dentre as doenças respiratórias mais recorrentes em aves nas criações comerciais, citadas por Back, estão Mycoplasma gallisepticum, Pneumovírus aviário (PVA), Newcastle, Coriza Infecciosa (Gôgo), Colibacilose, além de Bronquite infecciosa e a Escherichia coli que especialmente foram tratadas pelo profissional no SBSA.

Normalmente os problemas respiratórios são resultantes de causas multifatoriais, que incluem agentes infecciosos, problemas de ambiência e falhas de manejo. “As doenças respiratórias sempre existiram em maior ou menor grau e vão continuar existindo pelas próprias condições dos modelos de criação de aves no país”, sentencia Back em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

Um bom programa de biosseguridade inclui alojamento de aves de idade única e procedentes de um mesmo estabelecimento, certificado em relação ao controle de doenças, boas práticas de conservação e uso das vacinas, boas práticas de produção e conservação da ração, tratamento da água com cloro, restrição de acesso de pessoas e veículos não relacionados ao trabalho nas propriedades, com sistema de desinfecção para calçados e veículos que necessitam acessar o local, impedir a entrada de outros animais na granja, manter um programa de controle de pragas, fazer correto manejo ambiental (temperatura, umidade, ventilação), fazer correto manejo das excretas/cama, assim como de aves mortas e de ovos descartados, ter um programa de limpeza e desinfecção, além de fazer a nebulização dos galpões.

“Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo. É muito importante fazer o monitoramento dos agentes infecciosos associados com os problemas respiratórios, tanto de ambiência quanto de nutrição e da capacidade imunitária dos animais. O trabalho deve começar na matriz, seguir para os intervalos entre lotes, na densidade de aves por metro quadrado, no manejo, na ambiência, no controle do ar que as aves respiram, na ventilação interna, nos gases produzidos pelas excreções das aves, entre outros. A palavra-chave é monitoramento”, pontua Back.

Controle e tratamento 

Conforme Back, a maior parte do controle é feito antes da doença aparecer. “O controle é feito em toda cadeia, desde o material genético até o intervalo entre os lotes, atribuídos de duas a três semanas justamente para reduzir a incidência de problemas respiratórios. Quando se faz um bom manejo e oferece uma boa ambiência as chances de ter um problema respiratório diminuem”, reforça.

O tratamento é variável, existe em determinadas circunstâncias que o uso de produtos específicos para controle da Bronquite infecciosa e da Escherichia coli funcionam, no entanto apenas ajudam a contribuir para reduzir o problema, mas não são uma solução, aponta Back. “Não há um tratamento que resolva todo o problema, tem que identificar a causa para reduzir a incidência”, reforça.

Sinais clínicos e consequências 

Entre os principais sinais clínicos de doenças respiratórias nas aves estão espirro, secreção nasal e ocular, edema facial, dificuldade respiratória e estertores. E as lesões mais comuns provocadas incluem sinusite, traqueíte, bronquite, pneumonia e aerossaculite. De maneira geral, doenças no sistema respiratório em aves reflete em desempenho baixo, perda de peso e piora da conversão alimentar, o que resulta em aumento de custos com medicações e nos índices de mortalidade. “Os problemas respiratórios podem acontecer em qualquer idade, inclusive ao nascimento, se estender por toda vida da ave, gerando necessidade de medicamento, além de poder provocar mortalidade”, menciona Back.

A região Sul do país e mais especificamente o Estado do Paraná apresentou em 2021 um aumento exponencial de mortalidade em frangos de corte, com as primeiras ocorrências de doenças respiratórias identificadas em abril, com seu pico atingido entre os meses de junho a agosto.

Através de exames laboratoriais constatou-se que os casos nos planteis paranaenses tinham em comum duas características: estavam associados com a Escherichia coli – agente causador da Colibacilose aviária, identificada nas três primeiras semanas de vida dos frangos, elevando a mortalidade das aves em idade jovem; e a um quadro de Aerosaculite, não evidente durante a criação do frango, mas sendo detectado no momento do abate, gerando condenação do lote, criando uma restrição de velocidade da linha de abate e um impacto econômico muito grande para a indústria.

De acordo com Back, diversos estudos foram e continuam sendo realizados, mas ainda não se chegou à origem do agente causador que pode ter afetado os aviários paranaenses.

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Fonte: O Presente Rural
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