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Notícias Safra 2018/19

Brasil deve ter 2ª safra de milho 21% maior com ganho de produtividade

Expectativa é puxada tanto por um aumento de área quanto por perspectivas de melhores produtividades

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REUTERS/Marcelo Rodrigues Teixeira

A produção de milho na segunda safra 2018/19 do Brasil deve crescer cerca de 21% ante a passada, puxada tanto por um aumento de área quanto por perspectivas de melhores produtividades, embora incertezas pairem sobre o mercado após perdas na colheita soja, mostrou uma pesquisa da Reuters na terça-feira (19).

Conforme a média de nove estimativas de consultorias e entidades do setor, o Brasil deverá produzir 65,3 milhões de toneladas de milho na chamada safrinha, contra 53,9 milhões na temporada anterior, marcada por condições adversas em várias regiões, sobretudo no Paraná.

Tal incremento é puxado, em parte, pela área 4,2% maior ante 2017/18, segundo a pesquisa, que apontou um plantio de 12 milhões de hectares para a safra que será colhida em meados do ano. A safrinha responde por cerca de dois terços da produção nacional de milho.

A expansão reflete o ânimo do produtor com os preços. O indicador de milho do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, está cerca de 20% acima do visto um ano atrás, na casa dos R$ 41 por saca.

Em paralelo, há tempos não se via uma janela de plantio tão “ideal”. Com a colheita de soja adiantada, produtores estão avançando também com a semeadura do cereal de safrinha, deixando as lavouras por mais tempo expostas ao período de chuvas, o que pode lhes garantir melhores rendimentos. “Estamos otimistas porque o cumprimento adequado da janela de cultivo da soja diminuiu os riscos climáticos associados ao cultivo do milho”, afirmou o analista Vitor Belasco, da IEG FNP.

Com o plantio em uma época mais favorável, a produtividade poderia atingir 5,13 toneladas por hectare, ante 4,67 toneladas no ano passado, segundo estimativa preliminar do Rabobank, baseada em linha de tendência. No Paraná, Estado mais afetado pela estiagem durante a safrinha do ano passado, as condições estão melhores agora. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), mais de 90% das lavouras encontram-se em estágio bom, e o Estado tende a elevar a colheita em 40%.

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro do cereal, a expectativa do Imea é de produtividades cerca de 3% superiores, acima de 6 toneladas por hectare. O Estado deve produzir quase 29 milhões de toneladas de milho na segunda safra 2019/19.

Belasco, da IEG FNP, acrescentou ainda que, graças ao dólar apreciado durante a corrida eleitoral, o produtor conseguiu antecipar a comercialização a preços remuneradores, obtendo financiamento necessário para arcar com os investimentos que podem garantir maiores rendimentos agrícolas.

Preocupações

Apesar do cenário favorável, o mercado não descarta riscos à segunda safra de milho do Brasil. E o temor recai basicamente sobre o clima, já que a estiagem que prejudicou a soja deixa os produtores receosos. “O produtor está muito cauteloso. A irregularidade do clima é um fator de peso na decisão dele. Paraná e Mato Grosso do Sul tiveram perdas muito significativas (com a soja). Então o produtor vai ficar com o pé atrás para aumentar essa área (de milho). Vai tomar essa decisão em cima da hora”, disse a analista Alaíde Ziemmer, da AgRural.

Em paralelo, uma nova tributação em Mato Grosso também enfurece os produtores, com impacto maior previsto na semeadura de 2020.

Fonte: Reuters
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Notícias Brasil

Abiove reduz safra de soja em 2019 e eleva previsão de colheita de 2018

Com a mudança no número da colheita de 2018, a Abiove elevou para 2,79 milhões de toneladas a previsão de estoques iniciais em 2019

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Arquivo/OP Rural

A safra de soja do Brasil em 2019 foi estimada na terça-feira (19) pela associação da indústria Abiove em 116,9 milhões de toneladas, redução de 1 milhão de toneladas na comparação com a projeção de janeiro, com o setor ajustando seus números após uma seca atingir a colheita deste ano.

Em comunicado, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) ainda elevou em quase 2 milhões de toneladas a previsão da safra passada, para um recorde de 123,08 milhões de toneladas.

Com a mudança no número da colheita de 2018, a Abiove elevou para 2,79 milhões de toneladas a previsão de estoques iniciais em 2019, ante 778 mil toneladas de soja na previsão de janeiro.

Dessa forma, a associação manteve as previsões de exportação (70,1 milhões de toneladas) e processamento (43,2 milhões de toneladas) de soja em 2019, ainda que tenha reduzido a projeção de safra.

Na comparação com a temporada passada, as exportações de soja do Brasil, maior exportador global da oleaginosa, vão cair 16,2%. Em 2018, o país colheu uma safra recorde e ainda foi beneficiado pela forte demanda da China, que reduziu compras do produto dos EUA devido a uma disputa comercial com os norte-americanos.

As exportações brasileiras do grão, farelo e óleo de soja deverão somar 32,8 bilhões de dólares, praticamente estável ante a projeção de janeiro, mas uma forte redução ante o recorde de 2018, de 40,9 bilhões de dólares, segundo os números da Abiove.

A soja tem sido nos últimos anos o principal produto exportado pelo Brasil.

Fonte: Reuters
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Notícias Diz autoridade norte-americana

EUA e China retomarão negociações comerciais na próxima semana

Negociações entre a China e os EUA estão nas etapas finais, com uma data-alvo para o acordo até o final de abril

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Mark Schiefelbein/Pool via REUTERS

O representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, planejam viajar para a China na próxima semana para outra rodada de negociações comerciais com o vice-premiê chinês, Liu He, disse uma autoridade do governo do presidente norte-americano, Donald Trump, nesta terça-feira.

A retomada da negociação presencial, a primeira desde que Trump atrasou o prazo de 1º de março para aumentar as tarifas sobre importações chinesas no valor de 200 bilhões de dólares, foi relatada pela primeira vez pelo Wall Street Journal.

Segundo o jornal, que cita autoridades do governo norte-americano, He irá a Washington na semana seguinte.

As negociações entre a China e os EUA estão nas etapas finais, com uma data-alvo para o acordo até o final de abril, de acordo com a reportagem.

Washington e Pequim adotaram tarifas de importação sobre os produtos um do outro que custaram bilhões de dólares às duas maiores economias do mundo, afetaram os mercados e prejudicaram cadeias de oferta e de indústria.

Fonte: Reuters
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Notícias Tensão no setor

Acordo sobre trigo entre EUA e Brasil preocupa produtores brasileiros e argentinos

Pelo pacto, os EUA poderiam exportar 750 mil toneladas do cereal ao ano ao Brasil sem pagar a tarifa de 10% estabelecida para compras do produto fora do Mercosul

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Cleverson Beje

Um acordo anunciado na terça-feira (19) entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, que prevê a implementação da uma cota isenta de tarifa para moinhos brasileiros importarem trigo norte-americano, foi recebido com preocupações por integrantes do setor agrícola no Mercosul. Pelo pacto, os EUA poderiam exportar 750 mil toneladas do cereal ao ano ao Brasil sem pagar a tarifa de 10% estabelecida para compras do produto fora do Mercosul.

No caso do Brasil, um dos maiores importadores mundiais de trigo, com importações de cerca de 7 milhões de toneladas ao ano, as compras sem tarifa do produto dos EUA poderão fazer concorrência com o produto brasileiro, desestimulando o cultivo no caso de haver pressão sobre preços no mercado interno pelo aumento da oferta importada.

Na Argentina, principal exportador de trigo ao Brasil, onde os brasileiros compram a maior parte do que importam, a notícia sobre o acordo com os EUA também gerou reclamações. “Se permanecer uma exceção à tarifa de 10%, isso não é tão ruim. Mas se isso se tornar uma norma, então seria extremamente preocupante”, declarou à Reuters o presidente da câmara da indústria argentina de trigo ArgenTrigo, David Hughes.

Em geral, quando a oferta no Brasil e no Mercosul não é suficiente para atender a demanda dos brasileiros, o governo autoriza uma cota temporária isenta de tarifa, com o objetivo de ajudar a indústria e evitar pressões inflacionárias.

Mas, pelo acordo firmado entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, a isenção de tarifa para 750 mil toneladas seria permanente, entrando como parte das negociações agrícolas entre Brasil e Estados Unidos acontecidas em Washington esta semana.

A isenção tarifária para uma cota permanente, aliás, faz parte de um acordo na rodada Uruguai de negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas nunca implementado pelo Brasil. “Isso é ruim para nós”, disse o produtor argentino Jorge Bianciotto, que administra 2.300 hectares em Pergamino, na importante região produtora dos Pampas argentinos.

Dos 1,2 milhão de toneladas de trigo importado pelo Brasil em janeiro e fevereiro deste ano, a Argentina forneceu quase tudo, ou 1,1 milhão de toneladas, segundo dados do governo publicados no site da Associação Brasileira das Indústrias do Trigo (Abitrigo), que representa os moinhos. Dos EUA, pagando tarifa, brasileiros importaram apenas 10 mil toneladas no mesmo período.

No ano passado, das 6,8 milhões de toneladas que o Brasil importou, um volume de 5,9 milhões de toneladas de trigo veio da Argentina e 330 mil do Paraguai, com os EUA vendendo 270 mil toneladas —os demais países forneceram volumes menores.

A Abitrigo afirmou que apenas vai se pronunciar quando receber a confirmação do acordo.

Queixa no Paraná

“Sempre trabalhamos junto ao governo para que não fosse aprovada a isenção tarifária… São mais 750 mil toneladas, que vão concorrer com o trigo nacional, e é sabido que os americanos subsidiam o trigo deles lá”, disse uma liderança do setor produtivo no Paraná, principal Estado produtor nacional do cereal.

Falando na condição de anonimato, para não se indispor com o governo, ele disse ainda que o trigo dos EUA virá para concorrer com o produto do Paraná que vem sendo vendido aos moinhos do Norte e Nordeste do país, duas das regiões que provavelmente receberão o maior volume do produto norte-americano, pelos custos menores de frete.

A liderança afirmou ainda que provavelmente a exportação dos EUA vai prejudicar a intenção de plantio no Paraná, em momento em que o produtores locais estão se preparando para iniciar o cultivo da nova safra.

O acordo entre EUA e Brasil também estabelece condições técnicas para permitir a importação de carne de porco dos EUA pelos brasileiros, gerando por ora menos protestos do que entre os agricultores.

“O setor de suínos do Brasil se manifestou em concordância com a abertura, ao mesmo tempo em que espera reciprocidade de tratamento com a autorização de todos os Estados brasileiros para exportar carne suína para os EUA”, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal em nota.

Em contrapartida, os EUA também concordaram em enviar inspetores ao Brasil para uma “visita técnica” de auditoria ao sistema brasileiro de inspeção de carne bovina in natura, para que o produto brasileiro possa voltar a ser exportado aos norte-americanos.

Fonte: Reuters
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