Avicultura
Brasil condena até 6% mais carcaças de frangos por dermatose do que outros países
Lesões cutâneas, como dermatites e pododermatites, representam um desafio constante para a indústria avícola, impactando negativamente o valor do produto final, elevando os custos do processo industrial e reduzindo a produtividade.

A qualidade da carcaça, o rendimento do lote e a lucratividade do produtor rural dependem diretamente da saúde da pele das aves de corte. Lesões cutâneas, como dermatites e pododermatites, representam um desafio constante para a indústria avícola, impactando negativamente o valor do produto final, elevando os custos do processo industrial e reduzindo a produtividade.
Neste contexto, o manejo adequado das aves de corte surge como um pilar fundamental para a prevenção de lesões cutâneas e, consequentemente, para a competitividade do setor. Fatores como o bem-estar animal, as condições das estruturas, a alta densidade populacional e o desempenho das linhagens influenciam diretamente a saúde da pele das aves.

Médica-veterinária, especialista em Defesa Sanitária e Inspeção de Produtos de Origem Animal, com ênfase em Legislação, Luiza Fernanda da Silva Sabino: “Compreender e gerenciar as dermatoses nos frangos de corte é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar das aves, bem como para manter a qualidade e a produtividade da indústria avícola” – Foto: Arquivo pessoal
Com o objetivo de aprofundar o debate sobre a prevalência de dermatose em frangos de corte e sua relação com o manejo pré-abate, a médica-veterinária, especialista em Defesa Sanitária e Inspeção de Produtos de Origem Animal, com ênfase em Legislação, Luiza Fernanda da Silva Sabino, palestra no Bloco Abatedouro e Nutrição do 24º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), que começa nesta terça (09) e segue até quinta-feira (11) no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).
No Brasil, de acordo com a palestrante, as condenações parciais de carcaças de frangos de corte devido a dermatoses podem chegar a 7%, índice muito superior ao de outros países, que geralmente fica entre 1 e 2%. “Esses dados são de alguns trabalhos realizados no país, mesmo com informações muito variáveis de condenações de uma empresa para outra, devido a diferenças regionais e comportamento sazonal”, expõe a especialista.
Tipos de dermatoses
A dermatose é uma enfermidade que engloba diversas lesões cutâneas, como calo de peito e dermatites. Entre as principais, a médica-veterinária cita as dermatites de contato, gangrenosa, micótica e scabby-hip.
As dermatites de contato ocorrem nas áreas de contato da pele com a cama e parecem como lesões erosivas e superficiais, muitas vezes acompanhadas de manchas marrom- -avermelhadas. Já a dermatite gangrenosa é uma condição mais grave, ligada intimamente ao comprometimento do sistema imunológico das aves. “A contaminação por agentes patogênicos como Clostridium septicum e Staphylococcus coagulase positivo leva a infecções com aspecto fibrinoso ou caseoso, ocorrendo entre a pele e a musculatura”, explica Luiza.
Enquanto a dermatite micótica é caracterizada por uma coloração amarelo-acastanhada da pele, frequentemente acompanhada de espessamento cutâneo. E, por último, a scabby-hip ou dermatite traumática está associada a densidade populacional, empenamento lento e o comportamento agressivo dos machos, que causam arranhões na pele. “Compreender e gerenciar essas dermatoses é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar das aves, bem como para manter a qualidade e a produtividade da indústria avícola”, frisa a profissional.
Manejo pré-abate
A médica-veterinária enfatiza a importância do manejo pré-abate na saúde e no bem-estar dos frangos de corte, uma vez que o trato com os animais desempenha um papel de extrema importância na incidência e gravidade das lesões de pele. Para garantir resultados satisfatórios desde o manejo até o produto final, Luiza ressalta alguns pontos fundamentais. Entre eles, o jejum antes do abate, que deve ser realizado respeitando o período estabelecido na legislação. “Um jejum excessivamente longo pode levar as aves ao estresse e à desidratação, tornando a pele seca e propensa a lesões e infecções”, elenca.
Durante o carregamento das aves, explica Luiza, é essencial realizar a captura de forma adequada para evitar lesões na pele. Movimentações bruscas e contato com superfícies ásperas podem causar abrasões e contusões. “Além disso, a densidade de alojamento nas caixas de transporte também é importante. A superlotação pode aumentar o estresse e a agressividade entre as aves, resultando em lesões cutâneas, como por exemplo, as arranhaduras”, menciona
Durante o transporte até o abatedouro, é essencial garantir que as aves sejam mantidas confortáveis, com ventilação adequada. A especialista afirma que esta etapa é crítica, visto que a vibração do caminhão e as mudanças de temperatura durante o transporte aumentam o estresse das aves.
Aumento da prevalência de dermatoses
Alguns fatores podem contribuir de forma significativa para o aumento dos casos de lesões de pele no período pré-abate das aves. Entre eles, Luiza cita a ambiência

inadequada nos galpões, caracterizada por temperaturas extremas ou pela alta umidade. “Além disso, a elevação da densidade populacional pode agravar essa condição, aumentando o estresse e a competição entre as aves”, afirma.
A especialista também salienta que a limpeza e a higiene do galpão desempenham um papel significativo na prevenção de lesões cutâneas. “É fundamental realizar a remoção regular de penas, fezes e detritos, evitando o acúmulo de patógenos e controlando parasitas para evitar infestações que possam prejudicar a saúde da pele das aves”, aponta.
Outro ponto importante é o manejo nutricional inadequado, que pode contribuir para o surgimento de lesões de pele. “Dietas deficientes em certos aminoácidos ou com teor elevado de proteína podem impactar negativamente a saúde da pele e das penas das aves”, revela Luiza.
Como mitigar dermatoses no pré-abate seleção genética e a nutrição das aves
O período pré-abate compreende o tempo desde o início do jejum de ração até a sangria dos frangos no frigorífico. Durante esse intervalo, as aves podem ser submetidas a diversos fatores estressantes, incluindo estresse térmico, restrição alimentar e outras condições que afetam seu bem-estar. “Cuidados com o jejum controlado, retirada de água no momento certo, carregamento adequado, limite de animais e peso nas caixas, de forma a evitar mortalidade das aves, ventilação adequada no transporte e espera até o momento da pendura e insensibilização são essenciais para minimizar impactos no processo produtivo”, elenca a médica-veterinária.
Entre as medidas de manejo mais eficazes para reduzir a incidência de dermatoses em frangos de corte durante o transporte e a espera pré-abate está a subdivisão das aves em grupos. Essa subdivisão pode ser realizada utilizando as próprias caixas de transporte, o que ajuda a minimizar a atividade das aves e facilita a contenção e a captura. “Ao organizar as aves em grupos menores, evitamos a agitação excessiva, reduzindo desta forma a chance de saltos e impactos entre os animais durante o transporte. Essa prática é fundamental para diminuir a incidência de lesões de pele, garantindo o bem-estar das aves e a qualidade do produto final”, enfatiza a doutora em Defesa Sanitária e Inspeção de Produtos de Origem Animal. Além disso, a subdivisão em grupos permite um melhor controle das condições de transporte, proporcionando um ambiente mais confortável e seguro para as aves durante todo o processo pré-abate. Essa é uma prática simples, porém eficaz, que contribui significativamente para a prevenção de dermatoses e para a preservação da integridade da pele das aves”, ressalta.
Seleção genética e a nutrição das aves
A seleção genética e a nutrição desempenham papéis-chave na susceptibilidade das aves às dermatoses, bem como na busca por estratégias para melhorar sua
resistência a essas condições. O avanço do potencial genético do frango de corte atual é impulsionado por programas de melhoramento animal, visando cada vez mais a eficiência produtiva. “Para a produção de carne, é desejável que as aves apresentem características como rápido crescimento uniforme, boa conversão alimentar, empenamento precoce, boa pigmentação da pele, peito largo e pernas curtas, além de serem resistentes a doenças”, enumera, acrescentando: “Nas últimas décadas, o melhoramento genético tem sido responsável por grande parte da evolução da avicultura, proporcionando aves mais produtivas e saudáveis”.
O rápido crescimento das aves implica em um apetite voraz, exigindo uma ingestão diária de grande quantidade de ração para atender às suas demandas nutricionais. Nesse sentido, a escolha e o manejo adequado dos comedouros e bebedouros são essenciais. “A utilização de rações deficientes em certos aminoácidos, como metionina e cisteína, ou com teor elevado de proteína pode estar associada à ocorrência de dermatoses. Além disso, a adequada nutrição é fundamental para o funcionamento eficaz do sistema imunológico, pois a pele está constantemente exposta a diversos patógenos”, salienta Luiza
Impactos econômicos
A especialista em Defesa Sanitária e Inspeção de Produtos de Origem Animal destaca os impactos negativos causados pelos atrasos nos processos e pelo reprocesso das carcaças afetadas por dermatoses. “Além das perdas das partes condenadas, a quantidade de carcaças que perdem a integridade da pele resulta em uma redução significativa do valor agregado às carcaças comercializadas e aos cortes que seguem determinados padrões de exigência, principalmente quando se trata do comércio de exportação”, elenca. Tanto para o frango inteiro quanto para cortes com pele, o impacto é direto no rendimento de carcaça e no setor industrial como um todo. “Quando há a condenação da carcaça, há o prejuízo financeiro envolvido, uma vez que, mesmo que o frigorífico não pague o produtor pela ave condenada, o rendimento da produção é comprometido, já que com a mesma estrutura, mão-de-obra, custos e tempo poderiam ter uma produção e rendimento maior, perdendo assim produtividade e competitividade”, evidencia.
Importância da pesquisa
Em relação às lacunas de pesquisa atuais no entendimento das dermatoses em frangos de corte e sua relação com o manejo pré-abate, Luiza destaca a necessidade de pesquisas contínuas para aprofundar o conhecimento nessa área específica. “Identificar as causas das dermatoses em frangos de corte e propor medidas eficazes para melhorar a saúde e o bem-estar dessas aves é essencial. Isso inclui considerar fatores multifatoriais como a densidade populacional, restrição alimentar condições da cama e qualidade dos comedouros e bebedouros, bem como avaliar o impacto econômico e sanitário, classificar as lesões para avaliação do produto final e garantir o bem-estar e saúde das aves”, reforça Luiza.
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Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Conflito no Oriente Médio pressiona exportações brasileiras de frango
Risco sobre rotas marítimas estratégicas pode elevar fretes, seguros e custos de energia, com impacto nas margens do setor.

A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos reposiciona o risco geopolítico no radar do agronegócio brasileiro. Embora não haja, até o momento, interrupção formal de contratos, o setor avalia que o impacto pode se materializar por meio de custos logísticos mais elevados, volatilidade cambial e pressão sobre insumos energéticos.
O Oriente Médio é destino relevante para a pauta agropecuária do Brasil. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que milho, açúcar e carnes de aves figuram entre os principais produtos embarcados para a região. As carnes de frango e miúdos comestíveis respondem por 14,5% das exportações brasileiras destinadas a esses mercados, atrás apenas de milho e açúcar.
A dependência regional de importações de proteína animal mantém a demanda estruturalmente ativa. A preocupação, segundo representantes do setor, não está na absorção do produto, mas na previsibilidade operacional.
Logística no centro da incerteza

Foto: Claudio Neves
O foco das atenções recai sobre corredores marítimos estratégicos, como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho, por onde transita parcela expressiva do comércio global de energia e mercadorias. Qualquer instabilidade nessas rotas tende a encarecer o frete marítimo, elevar prêmios de seguro e alongar prazos de entrega.
Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal afirmou que acompanha a evolução do cenário. “A ABPA e suas associadas estão mapeando e monitorando os pontos críticos à logística na área influenciada pelo conflito. Neste momento, o setor analisa rotas alternativas que foram utilizadas em outras ocasiões de crises na região”, informou a entidade.
A associação ressalta que “não há embarques significativos de carne de frango para o Irã”, o que reduz o risco de impacto direto sobre contratos bilaterais com o país. O efeito esperado, portanto, é indireto e sistêmico.
Petróleo e frete como vetores de transmissão
A região é peça central na oferta global de petróleo. Em momentos de escalada militar, o preço da commodity tende a reagir, influenciando tanto o custo do bunker, combustível utilizado por navios, quanto despesas com transporte terrestre e produção industrial.

Foto: Ari Dias
Análise publicada pela Farmnews aponta que a principal via de transmissão da crise para o agro brasileiro deve ocorrer por meio da energia e dos fertilizantes. “Crises geopolíticas na região não necessariamente derrubam a demanda por alimentos, mas aumentam a imprevisibilidade operacional”, destaca o estudo.
Para o frango brasileiro, que opera em ambiente de forte concorrência internacional e margens ajustadas, qualquer elevação de frete ou atraso logístico pode comprimir resultados. O mesmo raciocínio vale para milho e açúcar, que lideram a pauta regional.
No curto prazo, exportadores avaliam rotas alternativas e monitoram contratos de frete. No médio prazo, a trajetória do petróleo e o comportamento do transporte marítimo devem definir a extensão dos impactos sobre custos e competitividade.
Até aqui, o fluxo comercial segue sem ruptura formal. O ponto de atenção está no custo de manter esse fluxo em um ambiente de risco elevado.
Avicultura
Queda do frango vivo reduz poder de compra do avicultor paulista
Após quatro meses consecutivos de perdas, produtor consegue adquirir menos milho e farelo de soja, apesar do ritmo recorde das exportações brasileiras.

Os recuos nos preços do frango vivo ao longo de fevereiro devem consolidar o quarto mês consecutivo de perda no poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja, conforme apontam pesquisadores do Cepea.
Até o dia 25, o frango registra o menor patamar real desde maio de 2024, considerando série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026. No mesmo período, os preços médios do milho permanecem praticamente estáveis, enquanto os do farelo de soja apresentam leve alta.
Em São Paulo, a média do frango vivo está em R$ 5,04 por quilo nesta parcial de fevereiro, recuo de 2,1% frente a janeiro. Segundo o Cepea, o ritmo recorde das exportações da proteína brasileira tem ajudado a conter uma desvalorização mais intensa no mercado interno.
Com a atual relação de troca, o produtor paulista consegue adquirir 4,47 quilos de milho com a venda de um quilo de frango, volume 1,9% inferior ao de janeiro. No caso do farelo de soja, a compra possível é de 2,73 quilos por quilo de ave comercializada, queda de 2,6% na mesma comparação.



