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Brasil conclui missão na Tailândia com avanços em cooperação agropecuária, negociações comerciais e promoção do agro brasileiro
Como segundo maior importador de produtos agrícolas da Ásia, país é um parceiro estratégico para o Brasil no Sudeste Asiático, com grande potencial para a diversificação de exportações agrícolas.

Na última semana, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), representado pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, esteve em Bangkok, na Tailândia, para uma série de compromissos estratégicos, incluindo o Encontro dos SECOMs, SECTECs e Adidos Agrícolas do Sudeste Asiático e Oceania.

Fotos: Divulgação/Mapa
O evento, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), sob a liderança do Presidente Jorge Viana, e pelo Ministério das Relações Exteriores, em parceria com o Mapa, teve como objetivo discutir novas estratégias e ações pragmáticas para expandir e aprofundar as relações econômicas entre o Brasil e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e Oceania.
A Asean, composta por Brunei, Camboja, Singapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Tailândia e Vietnã, se consolidou como o terceiro principal destino das exportações brasileiras em 2023, superando o Mercosul. Atualmente, o Brasil exporta mais para cinco economias da Asean – Singapura, Malásia, Tailândia, Indonésia e Vietnã – do que para países tradicionais do G7, como Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália.
O evento também foi uma oportunidade para explorar o estudo “Impulso das Exportações”, da ApexBrasil, que
identificou mais de 2000 oportunidades para produtos brasileiros na Asean, com destaque para combustíveis, produtos alimentares e manufaturados.
Ainda durante a missão, Luis Rua, acompanhado da adida agrícola na Tailândia, Ana Carolina Lamy, se reuniu com o Embaixador do Brasil na Tailândia, José Borges dos Santos Junior, e com autoridades tailandesas, incluindo a Dra. Nalinee Taveesin, representante comercial do país e assessora da primeira-ministra Paetongtarn Shinawatra, e membros do Departamento de Desenvolvimento da Pecuária (DLD), para discutir temas de negociações comerciais, cooperação nas áreas de pecuária, segurança alimentar e sustentabilidade agrícola.
Nos encontros, foram abordados o compromisso mútuo de promover o comércio entre os dois países, especialmente no setor agropecuário, e o potencial de ampliação do comércio de produtos agropecuários, considerando as exigências sanitárias locais para garantir o alinhamento entre as duas nações. Dra. Nalinee destacou o Brasil como o principal parceiro comercial da Tailândia na América Latina e Caribe e o 23º no mundo, com o comércio bilateral somando US$ 6,266 bilhões em 2023, ano que também marca o 65º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países. Durante as conversas, ficou evidente que o Brasil pode servir como um importante portal para produtos tailandeses na América do Sul, assim como a Tailândia pode ser uma ponte de entrada para produtos brasileiros na Asean.
Além disso, houve discussões sobre a troca de conhecimentos em técnicas de pecuária sustentável, como o sistema “Grass-fed” no Brasil, onde o gado é criado de forma natural e alimentado diretamente com pastagem. Os países também comemoraram a resolução da disputa sobre açúcar na Organização Mundial do Comércio (OMC), encerrada permanentemente em 24 de fevereiro de 2024, durante a 13ª Conferência Ministerial da OMC em Abu Dhabi. Esse acordo histórico reflete o bom relacionamento entre Tailândia e Brasil e fortalece a cooperação em acordos internacionais.
A missão também foi uma oportunidade para o secretário da SCRI alinhar pessoalmente estratégias com os demais adidos agrícolas da região: Juliano Vieira, no Vietnã; Bruno Breitenbach, na Indonésia; Luiz Caruso, em Singapura; e Daniela Aviani, na Austrália.
“Com o encerramento desta missão, reafirmamos nosso compromisso com a expansão do agro brasileiro nos mercados internacionais, alinhando nossos esforços aos do MRE e da ApexBrasil para aumentar e diversificar as exportações para a Asean. Esta visita à Tailândia fortaleceu os laços entre nossos países e abriu novas possibilidades de cooperação com toda a região, em um momento em que o mercado asiático ganha ainda mais relevância para o comércio global brasileiro”, destacou o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua.
Comércio tailandês
A Tailândia, como segundo maior importador de produtos agrícolas da Ásia, é um parceiro estratégico para o Brasil no
Sudeste Asiático, com grande potencial para a diversificação de exportações agrícolas, incluindo produtos como lácteos, carne bovina, uvas, castanhas e cafés especiais, entre outros.
Nos últimos anos, as exportações agrícolas brasileiras para a Tailândia registraram um aumento expressivo, passando de pouco mais de US$ 1,3 bilhão em 2014 para US$ 3 bilhões em 2023. O complexo de soja tem sido responsável por mais de 95% do total exportado pelo Brasil para o mercado tailandês.

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Embrapa aponta queda nos custos de suínos e estabilidade na produção de frangos
Indicadores reforçam cenário de ajuste nos custos, com destaque para variação nos preços da ração.

Os custos de produção de suínos voltaram a cair em março, mantendo a tendência observada desde janeiro, enquanto os custos do frango de corte ficaram praticamente estáveis. Os dados são da Embrapa Suínos e Aves, divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS).
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte permaneceu em R$ 4,72, com índice de 365,38 pontos. No acumulado de 2026, há alta de 1,44%, enquanto nos últimos 12 meses o resultado é negativo em 2,95%. A ração, principal componente do custo (63,60%), teve leve alta de 0,37% em março, mas acumula queda de 8,72% em um ano.

Já em Santa Catarina, o custo do quilo do suíno vivo recuou de R$ 6,36 em fevereiro para R$ 6,30 em março, redução de 0,96%. O índice ICPSuíno caiu para 360,63 pontos. No ano, a retração acumulada é de 2,71%, enquanto em 12 meses chega a -1,76%. A ração, que representa 72,22% do custo total, diminuiu 0,55% no mês e acumula queda de 1,96% em 2026.

Paraná e Santa Catarina são utilizados como referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs), por concentrarem a maior produção nacional de frangos de corte e suínos, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas para estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Como suporte à gestão nas propriedades, a Embrapa oferece ferramentas gratuitas, como o aplicativo Custo Fácil, que permite gerar relatórios personalizados e separar despesas, além de uma planilha específica para granjas integradas disponível na plataforma da CIAS.
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Aurora Coop leva produtores e colaboradores à China em ação pelos 57 anos
Concurso cultural premia três histórias com viagem a Xangai e visita à primeira unidade internacional da cooperativa.

Ao completar 57 anos nesta quarta-feira (15), a Aurora Coop celebra sua trajetória ao lado de quem a constrói diariamente. A cooperativa promoveu o concurso cultural “Meu trabalho alimenta o mundo” e premiou três participantes com uma viagem à Xangai, na China, para conhecer a primeira unidade internacional da Aurora Coop.
A proposta convidou cooperados e colaboradores a refletir sobre o próprio papel dentro da cadeia produtiva e a responder como suas atividades contribuem para levar alimentos a mais de 80 países. O resultado foi expressivo: 707 histórias enviadas por colaboradores da Aurora Coop e outras 115 por empresários rurais de cooperativas filiadas dos segmentos de suinocultura e avicultura, que produzem para exportação.

Produtora Roberta Kickow, de Iporã do Oeste/SC, associada à Cooper A1, foi escolhida entre os empresários rurais participantes
A seleção dos vencedores contemplou três categorias. Entre os empresários rurais, foi escolhida a produtora Roberta Kickow, de Iporã do Oeste/SC, associada à Cooper A1, cooperativa filiada do Sistema Aurora Coop. Nas unidades industriais, o destaque ficou com o colaborador Paulo José Frantz, do Frigorífico Aurora Coop de Maravilha/SC. Entre as demais unidades, a vencedora foi Diana Graminho, da matriz, em Chapecó/SC.
Como premiação, os três viajarão em maio para Xangai, onde permanecerão por sete dias. O roteiro inclui visita ao escritório da Aurora Coop na cidade, participação na SIAL Xangai 2026 — uma das maiores feiras de alimentos do mundo — e atividades culturais. A viagem ocorre em um momento simbólico para a cooperativa, que inaugurou a Aurora Coop Xangai, a primeira unidade internacional da cooperativa.
O coordenador de Marketing Internacional da Aurora Coop, Leandro Merlin, acompanhará o trio e destaca a proposta da experiência. “A campanha é uma celebração de quem faz a cooperativa acontecer todos os dias. Em Xangai, será possível compreender, de forma concreta, o alcance desse trabalho em um ambiente global, por meio de uma cultura totalmente diferente da nossa”, sublinha.

Entre as demais unidades da Aurora Coop, a vencedora foi Diana Graminho, da matriz, em Chapecó/SC
Para o diretor internacional da Aurora Coop, Dilvo Casagranda, o concurso estimulou uma leitura mais ampla sobre o funcionamento da cooperativa. “Somos uma cadeia formada por muitos elos, e todos têm sua importância. O empresário rural, a indústria e as áreas agropecuárias, comerciais e corporativas atuam de forma integrada para atender às exigências do mercado internacional e entregar ao mundo alimentos de excelência. Queremos que os representantes de toda essa cadeia ampliem sua visão e levem esse aprendizado aos demais colegas”.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destaca o significado da data e o reconhecimento às pessoas que sustentam a cooperativa. “Celebrar os 57 anos da Aurora Coop passa, necessariamente, por reconhecer quem está na base de tudo o que construímos até aqui. Este concurso nos permitiu conhecer histórias que mostram, com muita clareza, como o trabalho de cada pessoa se conecta a algo maior: garantir prosperidade para todos que fazem parte desse grande empreendimento cooperativo. Valorizar essas histórias é reconhecer que a nossa presença global nasce do esforço de mais de 150 mil famílias que fazem a nossa cooperativa avançar com consistência e responsabilidade”.
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Chuvas irregulares e temperaturas acima da média elevam risco para safrinha do milho em 2026, aponta StoneX
Fase de transição do El Niño-Oscilação Sul indica 60% de chance de neutralidade até junho e possibilidade de retorno do El Niño no segundo semestre, ampliando a variabilidade climática e a incerteza sobre o planejamento agrícola no Brasil e na América do Sul.

As previsões climáticas para os próximos meses indicam um período de transição do El Niño-Oscilação Sul (ENOS), com maior probabilidade de neutralidade ao longo do outono e do início do inverno e risco crescente de fortalecimento do El Niño no segundo semestre de 2026. O cenário, analisado na 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, lançado na última terça-feira (14), reforça a necessidade de cautela do agronegócio diante de chuvas mais irregulares, temperaturas acima da média em diversas regiões e impactos regionais desiguais sobre a produção. O relatório pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.
Segundo os principais centros internacionais de monitoramento climático, a chance de neutralidade do ENOS é de cerca de 60% entre

Analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Jaramillo Giraldo: “Os próximos meses de transição devem ser marcados por um cenário climático instável” – Foto: Divulgação/StoneX
março e maio e de 70% entre abril e junho, com projeções semelhantes se estendendo até julho. A partir do segundo semestre, os modelos passam a indicar aquecimento do Pacífico Equatorial, com aumento da probabilidade de formação de um El Niño. “Os próximos meses de transição devem ser marcados por um cenário climático instável, em que o sinal do oceano aponta para neutralidade, enquanto o aquecimento global de fundo segue pressionando as temperaturas e aumentando a volatilidade regional”, afirma a analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Giraldo, acrescentando: “Isso exige decisões mais cautelosas no campo, porque os padrões clássicos do ENOS já não explicam, sozinhos, o comportamento do clima.”
Clima entre abril e junho
As análises mais recentes da temperatura da superfície do mar indicam anomalias positivas em escala global para o trimestre abril–maio–junho, incluindo sinais de aquecimento no Pacífico Equatorial e no Atlântico Sul. Este último pode favorecer episódios pontuais de maior aporte de umidade para o Sul do Brasil, especialmente quando combinado à atuação de sistemas atmosféricos regionais.

Foto: Divulgação/Pixabay
Em termos de precipitação, abril apresenta sinais de chuvas abaixo da média em regiões do Sudeste Asiático, Indonésia e Sul da Austrália, enquanto partes do Equador, da Colômbia e do Norte da Argentina tendem a registrar volumes acima da média. Em maio, a tendência de chuvas mais elevadas pode alcançar áreas do Noroeste do Brasil, ao passo que América Central e Norte da América do Sul entram em um período mais seco.
Para junho, os modelos indicam neutralidade pluviométrica em grande parte da África e chuvas acima da média em áreas do Brasil e do extremo oeste da Colômbia. “O ponto-chave não é apenas quanto vai chover, mas quando e onde. A irregularidade espacial e temporal das precipitações permanece como o principal desafio para o agro no curto prazo”, destaca Carolina.
Impactos esperados para o agronegócio
Na América do Sul, o cenário de transição climática amplia as incertezas sobre a finalização da safrinha do milho. A possível intensificação da corrente de jato subtropical pode dificultar o avanço regular de frentes frias pelo interior do continente, reduzindo a umidade no Sudeste e no Centro-Oeste e antecipando o fim das chuvas em estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Esse movimento pode afetar a formação de biomassa e a produtividade em fases críticas do ciclo agrícola.
Apesar disso, a umidade observada em parte do Brasil nos meses anteriores é compatível com indícios de supersafra de grãos em

Foto: Gilson Abreu/AEN
2025/2026 e favorece a recuperação parcial de culturas como café e cana-de-açúcar, especialmente em regiões com melhor recomposição hídrica.
Em contrapartida, episódios recentes de excesso de chuva em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais mostraram que volumes elevados também podem impor restrições operacionais, atrasar colheitas e comprometer janelas ideais de plantio. “O agro está lidando com um clima mais errático. O mesmo sistema que traz benefício para uma região pode gerar perdas em outra. Por isso, o planejamento precisa considerar margem de segurança e gestão ativa de risco climático”, avalia a analista.
Segundo semestre no radar
Para o segundo semestre, o relatório da StoneX alerta para o risco adicional da sinergia entre um possível El Niño e o Dipolo Positivo do Índico (+IOD). Caso ambos se consolidem a partir de julho, o risco de seca severa tende a aumentar em regiões da Oceania e também no Norte e Nordeste do Brasil, o que pode afetar cadeias agrícolas estratégicas e elevar a volatilidade dos mercados. “Mesmo com a neutralidade no curto prazo, o segundo semestre merece acompanhamento constante. O clima está em transição, e as decisões tomadas agora precisam levar em conta esse grau elevado de incerteza”, salienta Carolina.






