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Brasil colhe mais, mas ainda perde 10% dos grãos no armazenamento

Com déficit de 139 milhões de toneladas em capacidade estática, setor aposta em monitoramento digital e automação de silos para reduzir perdas e ampliar eficiência

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Foto: Licia Rubinstein

O armazenamento de grãos permanece como um dos principais gargalos estruturais do agronegócio brasileiro. Embora o país avance em produtividade e consolide safras recordes, ainda enfrenta perdas significativas e déficit de capacidade estática.

De acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), cerca de 10% da produção nacional de grãos é perdida durante o armazenamento. Ao mesmo tempo, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que o Brasil produziu mais de 350 milhões de toneladas na última safra, mas dispõe de capacidade inferior à necessidade, com déficit estimado em aproximadamente 139 milhões de toneladas.

Foto: José Fernando Ogura

A tendência é de ampliação desse descompasso. Para a safra 2025/26, a Conab projeta colheita superior a 356 milhões de toneladas, o que intensifica a pressão sobre a infraestrutura armazenadora e eleva o risco de perdas qualitativas e quantitativas.

Nesse contexto, tecnologias de monitoramento avançado em silos ganham protagonismo. O engenheiro mecânico e especialista em Gestão de Projetos, Mathias Abreu, avalia que a digitalização redefine os padrões de controle na armazenagem. “Em um cenário de margens cada vez mais apertadas e pressão por eficiência, a automação e o monitoramento digital de temperatura e umidade surgem como ferramentas fundamentais para reduzir perdas e elevar a eficiência operacional em cooperativas, indústrias e fazendas”, afirma.

Engenheiro mecânico e especialista em Gestão de Projetos, Mathias Abreu: “Para os produtores, o impacto é duplo: diminuição das perdas e maior previsibilidade na comercialização”

As soluções disponíveis no mercado combinam sensores de alta precisão, inteligência artificial e softwares integrados capazes de monitorar, em tempo real, variáveis críticas como temperatura e umidade. O sistema identifica focos de calor e potenciais riscos de deterioração antes que comprometam a qualidade do produto armazenado.

Segundo o especialista, a adoção de silos automatizados responde diretamente ao aumento da escala produtiva e à necessidade de gerir grandes volumes com menor intervenção manual. “Para os produtores, o impacto é duplo: diminuição das perdas e maior previsibilidade na comercialização”, destaca.

Com margens pressionadas e produção crescente, a eficiência no armazenamento deixa de ser apenas uma etapa logística e passa a integrar a estratégia de competitividade do agronegócio brasileiro.

Fonte: O Presente Rural

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Disputa entre EUA e China reposiciona Brasil no comércio global de grãos

Redirecionamento da demanda chinesa, safra recorde, recuperação do milho e maior uso dos portos do Arco Norte impulsionaram o Brasil a novos patamares em 2025, mesmo com tensões comerciais e riscos geopolíticos.

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Fotos: Cláudio Neves

O ano de 2025 foi marcado por um ambiente global desafiador, influenciado pela chamada “guerra comercial 2.0” entre Estados Unidos e China, iniciada após a imposição de novas tarifas pelo governo norte‑americano a partir de abril. As medidas elevaram substancialmente o custo de uma série de produtos chineses e provocaram retaliações igualmente fortes.

Em determinados momentos, as tarifas aplicadas aos produtos norte‑americanos superaram 100%, tornando inviável durante meses o comércio entre as duas maiores economias do mundo. Nesse cenário, a soja voltou a ser um dos principais alvos da disputa, levando a China a interromper temporariamente suas compras dos Estados Unidos e a redirecionar a demanda para a América do Sul, especialmente para o Brasil.

Foto: Daiane Mendonça

A combinação entre o redirecionamento do fluxo comercial e a safra recorde de 2024/25 permitiu ao Brasil atingir um novo recorde histórico nas exportações de soja, chegando a 108,2 milhões de toneladas em 2025. Esse volume representa um crescimento de 9% em relação ao ano anterior e supera em 6% o recorde anterior registrado em 2023.

A China se manteve como o principal destino da oleaginosa brasileira, absorvendo 85,43 milhões de toneladas, o equivalente a 79% de tudo o que foi exportado. Esse montante é 17,7% superior ao de 2024 e 14,7% maior que o recorde de 2023. A Espanha ocupou a segunda posição, com aproximadamente 4 milhões de toneladas.

Arco Norte ganha protagonismo na logística da soja

O porto de Santos permaneceu na liderança, com 34,57 milhões de toneladas movimentadas em 2025 — alta de 24% em relação ao ano anterior.

Logo atrás aparece o porto de São Luís, no Maranhão, que exportou 15,85 milhões de toneladas, crescimento de 14%. O movimento também evidencia o avanço consistente dos portos do chamado Arco Norte nos últimos anos, com Belém ultrapassando Rio Grande e se consolidando como alternativa crescente.

Milho tem recuperação após queda em 2024

As exportações brasileiras de milho atingiram 40,98 milhões de toneladas em 2025, alta de 3% em comparação com o ano anterior, embora ainda distantes do recorde de 55,89 milhões de toneladas em 2023.

O Irã voltou à liderança entre os compradores, adquirindo 9,08 milhões de toneladas, um salto de 109% em comparação com 2024.

O Egito também ampliou suas compras, enquanto a China caiu para a quinta posição.

Na logística do milho, Santos liderou com 14,69 milhões de toneladas, embora com queda anual. Belém manteve a segunda posição com 6,76 milhões, enquanto Paranaguá registrou forte retomada, saltando para 5,03 milhões de toneladas.

Perspectivas para 2026

Para 2026, as projeções mostram espaço para novos avanços, embora com desafios. No caso da soja, a expansão dependerá do comportamento da demanda chinesa e da evolução das relações comerciais entre China e Estados Unidos. Ainda assim, o país pode alcançar 112 milhões de toneladas exportadas.

No milho, o principal ponto de atenção é o contexto geopolítico envolvendo o Irã, mas a demanda chinesa pode favorecer novamente a América do Sul. As expectativas apontam para exportações próximas de 44 milhões de toneladas. “O que observamos em 2025 foi uma mudança estrutural no fluxo global de grãos. A combinação entre disputas comerciais e vantagens competitivas do Brasil reposicionou o país como fornecedor prioritário em um momento de reorganização das cadeias agrícolas internacionais”, avalia Luiz Roque, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.

Segundo ele, a dependência chinesa da América do Sul ficou ainda mais evidente, e esse movimento deve continuar exigindo atenção à dinâmica geopolítica. “A relação EUA–China seguirá como o principal vetor de incerteza. Cada ajuste tarifário ou diplomático tem potencial para reconfigurar o comércio agrícola, e o Brasil precisa estar preparado para responder rapidamente”, diz.

Sobre o milho, Roque destaca que o comportamento dos importadores tradicionais e emergentes também moldará 2026. “Vemos uma recomposição gradual da demanda, com alguns mercados retomando força e outros passando por realinhamentos internos. O ambiente continua construtivo, mas sensível a fatores externos, especialmente no Oriente Médio”, afirma.

O especialista ressalta o papel estratégico da logística. “A competitividade brasileira está cada vez mais vinculada ao avanço dos corredores logísticos, especialmente no Arco Norte. Essa evolução amplia a eficiência da nossa originação e reforça o potencial de crescimento para o próximo ciclo”, reforça.

Fonte: Assessoria Hedgepoint Global Markets
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Brasil conquista novo mercado para farinhas de origem animal e amplia presença no Equador

Negociações com as autoridades do Equador, permitirão ao Brasil exportar farinha de vísceras de aves e farinha de sangue bovino.

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Foto: Claudio Neves

O governo brasileiro conduziu negociações com as autoridades do Equador que permitirão ao Brasil exportar farinha de vísceras de aves e farinha de sangue bovino para aquele país.

Ao fortalecer o comércio bilateral, essa autorização amplia oportunidades para a indústria brasileira de insumos destinados à alimentação animal, agregando valor aos produtos das cadeias de aves e de bovinos.

Farinha de sangue bovino – Foto: Divulgação

Em 2025, o Brasil exportou para o Equador mais de US$ 346 milhões em produtos agropecuários, com destaque para papel, cereais e café.

Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 537 aberturas de mercado desde o início de 2023.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Assessoria Mapa
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Cooperativismo ganha espaço como modelo econômico voltado ao desenvolvimento regional

Artigo ressalta papel do Sistema OCB na formulação de políticas públicas e no fortalecimento institucional do setor.

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Foto: Shutterstock

O cooperativismo representa, em sua essência, uma nova forma de compreender e organizar a economia. Trata-se de um modelo societário que supera a dicotomia histórica entre o econômico e o social, demonstrando que é possível gerar resultados consistentes, competitivos e sustentáveis, sem abrir mão do compromisso com as pessoas e com a comunidade. São negócios feitos por pessoas e para pessoas, estruturados sobre o trabalho colaborativo, a participação democrática e o esforço conjunto em torno de objetivos comuns.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).

As cooperativas nascem para enfrentar desafios coletivos. Elas emergem da necessidade concreta de produtores, trabalhadores e cidadãos que, unidos, encontram soluções mais eficientes e justas para problemas que, individualmente, seriam difíceis de superar. Em suas raízes estão o senso de comunidade, a transparência na gestão, a sustentabilidade das ações e a integridade como valores inegociáveis. Essa combinação de princípios confere ao cooperativismo uma identidade singular, que o posiciona como protagonista de uma economia mais equilibrada e inclusiva.

Não por acaso, a Constituição Federal reconhece e prestigia esse papel ao estabelecer, no parágrafo 2º do art. 174, o dever do Estado de apoiar e estimular o cooperativismo. Trata-se de um comando claro, que vai além do reconhecimento simbólico de sua relevância. Significa transformar esse apoio em políticas públicas efetivas, capazes de fortalecer o ambiente institucional e assegurar o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, conforme também prevê o artigo 146. A regulamentação coerente desses dispositivos é fundamental para garantir segurança jurídica e condições isonômicas de atuação.

Os administradores públicos devem compreender o cooperativismo como parceiro estratégico na implementação de políticas de inclusão financeira e produtiva, geração de renda, ampliação do acesso a mercados e promoção do desenvolvimento regional e local. As cooperativas têm capacidade comprovada de contribuir no combate à fome, na dinamização das economias locais e na construção de soluções sustentáveis para desafios estruturais do país.

É igualmente essencial que os órgãos de regulamentação, controle e fiscalização reconheçam o cooperativismo como modelo econômico sólido e socialmente responsável, assegurando-lhe ambiente favorável à participação em processos licitatórios e demais contratações públicas. Também defendemos marcos regulatórios que incentivem a presença cooperativista em novos mercados, como telecomunicações e saneamento básico, ampliando oportunidades e fortalecendo a concorrência com responsabilidade social.

A ampliação dos canais institucionais de diálogo com o poder público é outro ponto prioritário. O Sistema OCB, conforme estabelece a Lei Geral das Cooperativas, deve ser ouvido nos processos de formulação de políticas, regulamentos e legislações de interesse do setor. Trata-se de garantir coerência normativa e reconhecer a representatividade de um movimento que organiza milhões de brasileiros.

Santa Catarina é prova concreta da força desse modelo. Nosso Estado tornou-se referência nacional de um cooperativismo avançado, capaz de impulsionar o desenvolvimento das microrregiões, gerar emprego e renda e apoiar programas de relevante interesse social. Ao fortalecer as cooperativas, fortalecemos uma nova economia, mais humana, participativa e comprometida com o futuro.

Fonte: Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
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