Avicultura Impactos econômicos à cadeia
Brasil busca estratégia de regionalização e diversificação de mercados para conter perdas com gripe aviária
Medidas visam limitar impactos nos embarques de carne de frango após foco em granja comercial no Rio Grande do Sul.

A confirmação do primeiro caso de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil, registrada em Montenegro (RS) em 16 de maio, acendeu um sinal de alerta no setor avícola. Segundo análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os impactos da doença sobre o comércio exterior e a dinâmica interna do setor devem ser significativos, ao menos no curto prazo.

Fotos: Jonathan Campos
A principal preocupação imediata é com a forte redução nas exportações de carne de frango, que devem apresentar queda acentuada já nas próximas semanas.
O Brasil exporta, em média, mais de US$ 800 milhões por mês em carne de frango, e boa parte dessa receita está em risco diante do autoembargo decretado pelo país e das sanções adotadas por parceiros como China, União Europeia, Canadá, África do Sul, Chile, México, entre outros.
Negociações e regionalização
O cenário pode começar a se estabilizar se os embargos forem regionalizados, se limitando ao município de Montenegro ou ao estado do Rio Grande do Sul, mas isso depende da eficácia das negociações com os importadores e, principalmente, da ausência de novos focos da doença.

Foto: Ari Dias
Impactos no mercado interno
Além do impacto externo, o mercado interno também deve sentir os efeitos. Com o redirecionamento de parte da produção destinada à exportação, a tendência é de aumento da oferta no mercado doméstico, o que pode gerar pressão de baixa sobre os preços da carne de frango.
A depender da duração dos embargos, essa dinâmica pode também afetar temporariamente os mercados de carne bovina, suína e grãos.
Incertezas sanitárias
A consultoria destaca ainda a incerteza quanto à evolução da crise sanitária. Testagens seguem em andamento e novos casos ou a ausência deles devem determinar o rumo da retomada comercial. Caso surjam novas notificações, os impactos econômicos poderão se intensificar.
Diversificação de mercados
Apesar do cenário desafiador, o Itaú BBA aponta alguns fatores de mitigação que podem ajudar o

Brasil a atravessar a turbulência com menores perdas. Um dos principais é a diversificação dos mercados importadores.
Em 2024, os oito principais destinos responderam por 58% das exportações brasileiras de carne de frango, sendo a China o maior deles, com 13%. No entanto, no caso dos miúdos, a dependência é maior, com 44% das vendas destinadas à China e 15% à África do Sul.
Margens favoráveis e custos
Outro ponto positivo é que o setor avícola brasileiro vinha operando com margens favoráveis, impulsionado por um bom equilíbrio entre oferta e demanda.
A produção tem crescido de forma moderada, e os preços do milho, principal insumo da ração, tendem a recuar no segundo semestre, diante das boas condições para o desenvolvimento da safrinha.

Liderança global
A liderança do Brasil no mercado global também é uma vantagem estratégica. O país é o maior exportador mundial de carne de frango, com quase 5 milhões de toneladas embarcadas, à frente dos Estados Unidos (3 milhões) e União Europeia (1,8 milhão).
Mesmo com o avanço da gripe aviária em diversos países, a Tailândia, quarto maior exportador, é o único grande player sem registro de H5N1 em 2025, o que pode lhe conferir vantagens momentâneas, especialmente no mercado asiático.
Flexibilidade operacional
Por fim, a capacidade das grandes processadoras de redirecionar a produção para unidades localizadas em estados não afetados também tende a suavizar os efeitos do embargo.
Essa flexibilidade operacional, aliada ao atual cenário de custos e margens, permite um eventual ajuste mais rápido da produção caso os impactos se prolonguem.
Desafio à resiliência do setor
A consultoria conclui que o episódio representa um teste relevante para a resiliência do setor avícola brasileiro, exigindo resposta rápida, transparência nas informações sanitárias e habilidade nas negociações internacionais.
A recuperação da normalidade depende, sobretudo, de uma contenção efetiva da doença e da manutenção da credibilidade sanitária do país no cenário global.

Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.
Avicultura
São Paulo confirma caso de gripe aviária em ave silvestre
Diagnóstico foi feito em ave resgatada em área urbana de Guaíra. Defesa Agropecuária iniciou investigação epidemiológica e reforçou medidas sanitárias.

O estado de São Paulo registrou o primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) de 2026. A confirmação foi feita pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA-SP) após análise de amostras coletadas de uma irerê (Dendrocygna viduata), ave silvestre resgatada em uma área urbana e encaminhada ao zoológico de Guaíra, no Departamento Regional de Barretos.
O material foi coletado pela Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), no dia 8 de julho. A IAAP é uma forma grave da gripe aviária, que pode provocar elevada mortalidade entre as aves.
Após a confirmação do diagnóstico, a Defesa Agropecuária adotou uma série de medidas sanitárias. O trânsito de animais no zoológico de Guaíra foi interditado, e teve início uma investigação epidemiológica para avaliar possíveis riscos de disseminação do vírus.
A vigilância também foi intensificada em três granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco. Segundo a Secretaria da Agricultura, duas dessas propriedades estão em período de vazio sanitário e não possuem aves alojadas. Além do monitoramento, equipes técnicas prestaram orientações aos responsáveis pelas granjas.
As autoridades reforçam que o consumo de carne de aves e ovos não transmite a gripe aviária. A recomendação é que a população não manipule aves doentes ou encontradas mortas e comunique imediatamente qualquer suspeita à Defesa Agropecuária. Caso seja necessário o contato com esses animais, o procedimento deve ser realizado apenas com o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou que acompanha o caso em conjunto com a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). A pasta também monitora as pessoas envolvidas na ocorrência.
De acordo com a SES, São Paulo não registrou casos de gripe aviária em humanos até o momento. A secretaria destaca que a infecção em pessoas ocorre, principalmente, por meio do contato direto com aves infectadas.
Para orientar a resposta a esse tipo de ocorrência, o estado mantém um Plano de Contingência para Influenza Aviária em Humanos, elaborado em 2023 e atualizado em 2025 pela Coordenadoria de Controle de Doenças (CCD).



