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Brasil apresenta 10 propostas para uso da terra na COP 30

Documento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura propõe frear desmatamento, restaurar ecossistemas, expandir sistemas agropecuários sustentáveis e mobilizar financiamento climático.

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Fotos: Gabriel Faria

O setor de uso da terra foi responsável por até 21% das emissões globais de gases de efeito estufa na última década. Ao mesmo tempo, concentra algumas das soluções mais acessíveis e eficazes para reduzir essas emissões, como frear o desmatamento, restaurar ecossistemas e adotar práticas agropecuárias sustentáveis. Para levar esse debate à COP 30, a Conferência do Clima da ONU, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura lança a publicação “Propostas para uma Transição Climática Global para o Setor do Uso da Terra”.

“O Brasil, como país-sede COP 3O, tem a responsabilidade de apresentar soluções concretas nessa agenda. Estamos falando de experiências brasileiras que podem ser replicadas em escala mundial para combater o desmatamento, valorizar a floresta em pé, restaurar ecossistemas e mobilizar financiamento climático”, avalia Carolle Alarcon, gerente executiva da Coalizão Brasil, ressaltando: “A urgência é clara: no ano passado, o aumento da temperatura média global superou 1,5 grau Celsius, um limite estabelecido no Acordo de Paris. É hora de investir em uma nova economia, e essa transição passa por soluções para o uso da terra.”

Foto: Gisele Rosso

O documento destaca que a COP 30 ocorrerá em um ponto de inflexão: eventos extremos cada vez mais frequentes, como secas, enchentes, ondas de calor e incêndios florestais, comprometem a produção agrícola, agravam a crise hídrica e expõem populações vulneráveis à insegurança alimentar. Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, a implementação da agenda climática tornou-se urgente.

Para Fernando Sampaio, cofacilitador da Coalizão Brasil, a agropecuária brasileira tem um papel decisivo na segurança alimentar e na transição climática global: “já temos tecnologias e práticas sustentáveis consolidadas, como a integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto e o manejo de pastagens, que reduzem emissões e aumentam a produtividade. O desafio agora é escalar essas soluções, com apoio técnico, financiamento e políticas públicas que valorizem quem produz com responsabilidade”, aponta Sampaio, que também é diretor de Sustentabilidade da Abiec, acrescentando: “O Brasil pode ser referência mundial em uma agropecuária de baixo carbono, que alia competitividade, conservação ambiental e segurança alimentar, e a COP 30 é o momento estratégico para mostrar isso ao mundo.”

Na nova publicação, a Coalizão Brasil apresentou dez propostas concretas para o enfrentamento dos desafios climáticos, que exigem investimentos consistentes em inovação, tecnologia e adaptação. Muitas delas já contam com políticas públicas no Brasil, cujos resultados podem inspirar outras nações a adotar iniciativas semelhantes.

Entre os exemplos nacionais que podem ganhar escala estão planos para combate ao desmatamento na Amazônia (PPCDAm), de recuperação da vegetação nativa (Planaveg) e de fomento à agricultura de baixo carbono (ABC+). “É fundamental mobilizar recursos financeiros na velocidade e na magnitude que a emergência climática exige. O Brasil tem projetos maduros e de alto impacto prontos para receber investimentos, mas precisamos de mecanismos que facilitem o acesso ao financiamento climático, especialmente para pequenos e médios produtores”, destaca Karen Oliveira, cofacilitadora da Coalizão Brasil e diretora para Políticas Públicas e Relações Governamentais na The Nature Conservancy (TNC Brasil), complementando: “Isso significa alinhar fundos e políticas públicas para direcionar capital a iniciativas que conciliam produção, conservação e inclusão social. A COP 30 é uma oportunidade de transformar compromissos em fluxos reais de recursos, capazes de acelerar a transição para uma economia de baixo carbono e com boas práticas a partir das Soluções Baseadas na Natureza”.

O documento, lançado em primeira mão na Climate Week de Nova York em setembro, será entregue à presidência da COP 30 e a representantes de diversos ministérios, como Agricultura e Pecuária, Meio Ambiente, Fazenda e Relações Exteriores. As propostas completas podem ser acessadas no site da Coalizão.

As propostas da Coalizão

As medidas descritas pela rede foram divididas nos três eixos da Agenda de Ação da COP 30, divulgada pela presidência da cúpula em junho:

Gestão Sustentável de Florestas, Oceanos e Biodiversidade

Propostas:

  1. Aumentar investimentos para controlar e reverter o desmatamento e a degradação florestal;
  2. Promover a restauração de paisagens e florestas em larga escala;
  3. Incorporar ações integradas de prevenção e combate a incêndios florestais;
  4. Ampliar mecanismos de pagamentos por serviços ambientais;
  5. Fortalecer a rastreabilidade socioambiental das cadeias produtivas.

Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares

Propostas:

  1. Recuperar áreas degradadas e ampliar sistemas agropecuários de baixo carbono e regenerativos;
  2. Implementar sistemas alimentares mais resilientes, adaptados e sustentáveis.

Catalisadores e Aceleradores (Financiamento, Tecnologia e Capacitação)

Propostas:

  1. Definir padrões globais para finanças agrícolas sustentáveis;
  2. Reconhecer a bioeconomia como estratégia global para o desenvolvimento sustentável;
  3. Destinar pelo menos 50% das metas do financiamento climático para adaptação.

Fonte: Assessoria Coalizão Brasil

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IBGE usa inteligência artificial para mapear campos agrícolas no Brasil

Tecnologia com machine learning integra manual da ONU e promete dados mais precisos, rápidos e baratos para o agro.

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Foto: Jonathan Campos

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou uma tecnologia inovadora capaz de automatizar a identificação e o monitoramento de campos agrícolas em todo o território nacional. O método, que utiliza Inteligência Artificial e Machine Learning (ML), integra o novo Manual da ONU sobre Sensoriamento Remoto para Estatísticas Agrícolas, colocando o Instituto na vanguarda do uso de ML para a produção estatística agropecuária.

Na prática, os algoritmos modernizam o setor ao entregar resultados mais próximos à realidade, com maior agilidade e frequência de atualização. O trabalho marca a segunda contribuição do IBGE para publicações da ONU sobre estatísticas agropecuárias e observação da terra no ciclo de 2025.

Toda a metodologia foi desenvolvida e implementada pela Gerência de Inteligência em Dados Agropecuários e Inovação (GIDAI/COAGRO/DPE) e está publicada no capítulo Semantic Segmentation for Automatic Field Boundary Delineation do “UN Handbook on Remote Sensing for Agricultural Statistics” (Manual prático da ONU sobre Sensoriamento Remoto para Estatísticas Agrícolas). O artigo é assinado pelos técnicos do IBGE Ian Nunes e Octavio Oliveira, além do professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Hugo Oliveira e do pesquisador independente Edemir Ferreira.

Tecnologia inovadora capaz de automatizar a identificação e o monitoramento de campos agrícolas em todo o Brasil – Imagem: Reprodução/IBGE

Ao utilizar redes neurais profundas, a metodologia desenvolvida inova ao aprender os padrões do agro brasileiro, permitindo a identificação precisa de áreas contínuas com atividade agropecuária. O avanço elimina a dependência de processos manuais, conferindo ao sistema autonomia para delimitar automaticamente os talhões, que são subdivisões estratégicas, ou seja, áreas normalmente homogêneas dedicadas a uma única cultura. O talhão é a menor unidade de análise da atividade agropecuária no Brasil. “O modelo é pré-treinado para assimilar características intrínsecas ao nosso território, o que lhe confere robustez. Ele aprende a generalizar padrões complexos da paisagem brasileira antes mesmo de ser ajustado para a tarefa específica de encontrar e desenhar talhões. O resultado é um sistema muito mais preciso e com menor custo de anotação de dados”, analisa Ian Monteiro Nunes, pesquisador do IBGE e responsável pela Gerência de Inteligência em Dados e Inovação (GIDAI).

O professor da UFV, Hugo Oliveira, explica que o principal papel do ML diante desse conjunto de bases de dados consolidadas é o processamento dos dados. “Em vez de depender exclusivamente de especialistas humanos e/ou de visitas de campo dispendiosas, o processo de produção de estatísticas agropecuárias se beneficia do uso ML principalmente pela automação de algumas tarefas que anteriormente precisavam de um conjunto de profissionais treinados para serem realizadas”, ressalta.

Método, que integra o novo Manual da ONU sobre Sensoriamento Remoto para Estatísticas Agrícolas, utiliza Inteligência Artificial e Machine Learning (ML) – Imagem: Reprodução/IBGE

Além da precisão elevada, Ian Nunes e Hugo Oliveira destacam que a automação traz ganho de escala e redução de custos, garantindo um impacto contínuo no monitoramento do território. Segundo os pesquisadores, a estratégia pode encurtar o intervalo da produção de dados oficiais. Para Ian Nunes, essa agilidade permite ajustar políticas públicas a mudanças granulares de produção com a rapidez que o contexto atual exige.

Mudanças aplicadas no dia a dia

Na prática, a nova tecnologia será um pilar do 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, viabilizando uma coleta de dados geoespacializados com detalhamento inédito no país. Além do retrato censitário, o sistema permitirá o acompanhamento contínuo das mudanças no uso da terra, identificando, por exemplo, a expansão e modificação de lavouras. Outro ganho crucial está na projeção de safras, pois ao delimitar com exatidão a área plantada e cruzar esse dado com modelos de rendimento, o IBGE poderá aprimorar a produção de estatísticas.

Com essa inovação, o Instituto passa a contar com uma ferramenta que indica áreas em expansão, potenciais usos agropecuários e apoia diretamente o trabalho de campo das também das pesquisas regulares, como a Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) e o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA).

Esforço coletivo e nacional para construção dos algoritmos

A construção da base de dados que alimenta as redes neurais usadas pela metodologia é um projeto contínuo de anotação que iniciou há 17 meses e só é possível por meio de uma força-tarefa que envolveu mais de uma centena de profissionais de quase todas as Superintendências do IBGE espalhadas pelo Brasil. Juntos, a equipe fez a anotação manual de mais de 1,6 milhão de polígonos (campos agrícolas) sobre imagens de satélite. “Isso é um marco para a produção estatística nacional. É crucial destacar que, sem o apoio maciço e o engajamento das Superintendências, não teria sido possível avançar e obter os resultados que alcançamos”, ressalta Ian Nunes.

Sistema delimita automaticamente os talhões, subdivisões estratégicas que são a menor unidade de análise da atividade agropecuária no Brasil – Imagem: Reprodução/IBGE

A versatilidade do método extrapola as fronteiras agrícolas, tornando-se aplicável a qualquer desafio de mapeamento territorial, seja rural ou urbano. Para o IBGE, a tecnologia abre novas frentes: desde a classificação refinada de cobertura e uso da terra até o mapeamento de áreas verdes intraurbanas e a delimitação precisa de favelas. Há ainda potencial para inovar em outras áreas, como na demografia, utilizando o sistema para apoiar estimativas populacionais em recortes geográficos específicos.

Publicações da ONU com participação do IBGE

Esta é a segunda publicação da ONU em 2025 que conta com a participação ativa de técnicos do IBGE, reforçando o protagonismo do Instituto no cenário estatístico internacional. O atual projeto é conduzido pelo UN Committee of Experts on Big Data and Data Science (UN CEBD) em parceria com o UN Expert Group on Rural, Agricultural and Food Security Statistics (CEAG), um desdobramento direto do Task Team on Earth Observations for Agricultural Statistics.

Para Ian, a publicação no manual da ONU é um reconhecimento de que o IBGE busca a fronteira do conhecimento, aplicando ciência de dados de ponta para modernizar e aprimorar suas estatísticas. “O trabalho da GIDAI/COAGRO, alicerçado no esforço das unidades regionais, serve agora como um estudo de caso e um guia prático para outros países que buscam incorporar a observação da Terra e a Inteligência Artificial em seus sistemas oficiais. A busca de longo prazo é transformar a maneira como produzimos estatísticas agropecuárias”, salienta.

Fonte: Agência de Notícias IBGE
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Copel e setor produtivo criam força-tarefa para atender demanda por energia no Paraná

Companhia e entidades do G7 alinham plano de ação para ampliar o atendimento energético e sustentar o avanço da produção e das grandes safras no Estado.

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Foto: Divulgação/Copel

A Copel e representantes das entidades que compõem o G7, grupo que reúne as lideranças do setor produtivo paranaense, vão formar grupos de trabalho para definir soluções de curto prazo a demandas por energia dos setores industrial, agroindustrial e cooperativista do Estado.

Foto: Divulgação/Copel

O alinhamento foi definido na última quarta-feira (28) pelo presidente da companhia, Daniel Slaviero, em conjunto com os presidentes das entidades de classe, durante a primeira reunião do G7 deste ano, realizada na sede da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar). “Temos objetivos comuns. Temos absolutamente o mesmo interesse, que é atender aos clientes. Vamos fazer um plano de ação para atuar em curtíssimo, curto, médio e longo prazos. Essa interlocução é muito importante”, afirmou Daniel Slaviero.

Na reunião, à qual esteve presente o vice-governador Darci Piana, participaram os presidentes do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken; da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos; da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette; e da Faciap, Flávio Furlan, que elencaram as necessidades de cada setor, com ênfase no primeiro atendimento às demandas dos representados pelas entidades. Também participou o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Luiz Gustavo Vidal Pinto.

Piana destacou a importância da colaboração entre as partes envolvidas. Ele mencionou pontos críticos, como a necessidade de que empreendimentos de grande porte procurem a Copel antes de sua instalação, garantindo que a rede de energia esteja dimensionada para a futura operação. Além disso, ressaltou a importância da parceria no manejo vegetal, o cuidado com a regularidade da geração distribuída para evitar oscilações na rede e lembrou que produtores rurais podem solicitar a extensão da rede trifásica para suas propriedades com subsídios. “Estes assuntos são os que têm os maiores problemas”, afirmou.

“Teremos uma das maiores safras do Paraná. Devemos receber um pouco acima de 30 milhões de toneladas de grãos. A responsabilidade é

Foto: Divulgação/Copel

enorme e temos a energia como insumo principal”, salientou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken.

Show Rural

Como parte das ações em conjunto com o setor produtivo, a Copel estará presente no Show Rural Coopavel, entre os dias 9 e 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste, com estande próprio e equipes técnicas para orientações e compartilhamento de informações sobre a conexão à nova rede trifásica, com 25 mil km implantados em todo o Paraná, dos quais 4,3 mil quilômetros na região Oeste para o atendimento a 50 municípios.

No próximo dia 10, equipes da companhia participarão da reunião com representados da entidade das regiões Oeste e Sudoeste para elencar as demandas locais. A Copel estará representada na reunião, conforme acordado na reunião do G7, bem como de outros encontros regionais da Fiep, com cronogramas ainda a serem definidos.

A Copel irá participar também, no dia 09 de março, em Palmeira, nos Campos Gerais, no evento que abre o encontro de núcleos da Ocepar

Foto: Divulgação/Copel

com as cooperativas Witmarsum e Cerwit. Na sequência, até o dia 12, a companhia também terá técnicos participando dos encontros regionais em Francisco Beltrão, nas Cooperativas de Beltrão; Medianeira, na Cooperativa Lar e em Campo Mourão, na Coamo.

Resultados

Em relação às demandas trazidas durante a reunião, o presidente da Copel afirmou que a companhia irá analisar os casos específicos de cada entidade e encaminhar soluções. Aos representantes do G7, Daniel Slaviero sugeriu uma reunião de retorno para avaliar o avanço das ações. “Está clara a disposição e o trabalho que vamos fazer. Está clara a necessidade dos clientes relacionada ao tempo de resposta e recomposição da energia. Vamos nos reencontrar em 90 dias em uma reunião executiva para o andamento dos processos”, disse Slaviero.

Para o presidente da Fetranspar e coordenador do G7 na reunião, Sérgio Malucelli, a reunião com a Copel teve bom encaminhamento. “Na reunião tudo ficou bem encaminhado. A Copel entendeu os nossos problemas e vamos trabalhar em conjunto”, frisou.

O presidente da Copel esteve acompanhado do diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antônio Villela de Abreu; da diretora de Operação e Manutenção da Copel, Karine Torres e dos diretores Comercial, Julio Omori e de Comunicação, David Campos.

Fonte: AEN-PR
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Proteínas animais e lácteos puxam alta dos alimentos em 2025

Queijos e carnes acumulam valorização no ano, mesmo com queda nos preços do leite UHT em dezembro.

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As proteínas animais estiveram entre os principais vetores de pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil em 2025. A carne bovina, a carne suína e os derivados lácteos encerraram o ano com altas expressivas, refletindo custos elevados, oferta ajustada e demanda firme, tanto no mercado interno quanto externo. O movimento impactou diretamente o orçamento do consumidor e ajudou a sustentar a inflação de alimentos ao longo do período.

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Dados do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, mostram que, apenas em dezembro, a carne bovina teve aumento médio de 2,3% no país, enquanto a carne suína subiu 2,2% na comparação mensal. No acumulado do ano, os queijos registraram valorização de 12,4%, consolidando-se entre os itens mais pressionados da cesta alimentar.

Apesar desse cenário, o fechamento de 2025 trouxe um alívio pontual para o segmento lácteo. O leite UHT apresentou queda média nacional de 5,3% em dezembro, movimento que também foi observado de forma mais intensa na Região Sul, onde a retração chegou a 7,7%. Outros derivados do leite também recuaram no Sul, como queijos (-3,8%) e leite em pó (-3,3%), contribuindo para conter a inflação de curto prazo.

Segundo Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento das proteínas animais ao longo do ano ajuda a explicar o cenário inflacionário observado. “2025 foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como carnes e café, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor”, analisa.

No caso específico da carne bovina, a combinação entre custos de produção mais altos, ajustes na oferta e a força das exportações

Foto: Shutterstock

contribuiu para a valorização do produto ao longo do ano. Já na cadeia do leite, a elevação dos preços de derivados como os queijos refletiu tanto o encarecimento da matéria-prima em determinados períodos quanto o aumento dos custos industriais e logísticos.

Além das proteínas animais, outros itens essenciais da cesta de consumo também fecharam 2025 em alta. A margarina acumulou aumento de 12,1%, o creme dental subiu 11,7% e a cerveja registrou elevação de 6,2%, evidenciando um cenário disseminado de reajustes ao longo do ano.

O destaque negativo ficou novamente com o café, que liderou as altas no acumulado anual. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o produto ficou 40,7% mais caro, com o preço médio passando de R$ 53,58 para R$ 76,36. A elevação ocorreu mesmo diante de uma safra brasileira estimada em 56,5 milhões de sacas, crescimento de 4,3% em relação a 2024, segundo a Conab. No entanto, a produção de café arábica, variedade mais consumida no mercado interno, caiu 9,7%, impactada por baixa produtividade e condições climáticas adversas, o que reduziu a oferta e pressionou os preços.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Apesar das altas acumuladas, dezembro trouxe quedas relevantes em itens básicos da alimentação, ajudando a amenizar a inflação no curto prazo. Além do leite UHT, os ovos recuaram 3,6% e o arroz, 2,2%, no fechamento do ano.

No recorte regional, a Região Sul apresentou comportamento heterogêneo dos preços em dezembro. Enquanto os legumes lideraram as altas, com avanço de 8,4%, também registraram elevação a água mineral (3,8%), os biscoitos (3,5%), os bovinos (3,4%) e o sabonete (2,7%). Por outro lado, além dos lácteos, o frango teve queda de 3,1% no período.

No cenário macroeconômico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em dezembro de 2025, acelerando em relação a novembro e indicando a manutenção de um ambiente inflacionário, ainda que com comportamento desigual entre os diferentes grupos de consumo.

Para 2026, a avaliação da Neogrid é de um cenário mais moderado, embora ainda desafiador. “Itens sensíveis ao câmbio e à conjuntura global devem seguir pressionados, enquanto mercadorias básicas tendem a apresentar maior estabilidade, reduzindo o risco de uma inflação disseminada. Ainda assim, fatores climáticos e macroeconômicos continuam exigindo atenção”, conclui Anna Carolina Fercher.

Fonte: O Presente Rural com Neogrid
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