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Brasil aposta em automonitoramento da pesca para proteger espécies migratórias

Ferramentas apresentadas na COP15 usam dados para reforçar gestão e conservação.

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Foto: Fernando Dias/Seapi

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) apresentou dois painéis na 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), na última segunda-feira (23). Ambos trouxeram ferramentas que demonstram a aplicação dos dados na gestão dos recursos pesqueiros, contribuindo para a conservação da biodiversidade no país.

O primeiro painel foi promovido pela Secretaria Nacional de Pesca Artesanal (SNPA) do MPA e teve o tema “Automonitoramento na pesca artesanal: uma ferramenta escalável para a conservação de espécies migratórias e a implementação da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS)”.

Já o segundo painel foi organizado conjuntamente pela Secretaria Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura (SERMOP), pela Secretaria Nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva (SNPI) e pela Assessoria Especial Internacional (ASIN) do MPA. O tema foi: “Respostas regionais a vulnerabilidades climáticas da dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e da piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii)”.

Automonitoramento na pesca artesanal

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O secretário-executivo do MPA, Edipo Araujo, abriu as falas no painel da pesca artesanal. Ele destacou a necessidade de se avançar na implementação do automonitoramento. “Encorajo todos vocês que a gente possa aproveitar essa mesa da melhor forma para trazer para dentro dessa discussão o automonitoramento e que a gente possa avançar nas ferramentas de automonitoramento para que a gente possa trazer e construir políticas mais robustas com a coparticipação de todos os envolvidos na atividade pesqueira”, declarou.

O secretário Nacional da Pesca Artesanal, Cristiano Ramalho, explicou o papel estratégico do automonitoramento. “É uma ferramenta, não só de geração de dados, é importante dizer isso, mas de participação e de reconhecimento democrático do Estado brasileiro, dos saberes e fazeres das populações locais. E resposta ao quadro de injustiça climática e combate ao racismo ambiental”, destacou.

A secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa da Pesca e Aquicultura, Carolina Dória, também apresentou os desafios diante da implementação do automonitoramento, como a falta de continuidade na gestão. “O reconhecimento formal do automonitoramento como parte de política pública de monitoramento pesqueiro é essencial e é isso que a gente pretende implementar ainda nessa gestão. Apesar desses desafios, esses resultados já demonstram que o automonitoramento é uma ferramenta viável, replicável e escalável, especialmente em países com grande diversidade socioambiental, como o Brasil e os nossos parceiros, nossos vizinhos”, concluiu.

Vulnerabilidade climática

No segundo painel do dia, também promovido pelo MPA, além do tema principal, sobre as “Respostas regionais a vulnerabilidades climáticas da dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e da piramutaba (Brachyplatystoma vaillantii)”, também foi apresentado o dashboard sobre rotas migratórias e habitat da piraíba (Brachyplatystoma filamentosum).

O evento organizado pela SERMOP, SNPI e ASIN, dá suporte ao Plano de Aceleração de Sistemas Alimentares Aquáticos como Soluções Climáticas da Agenda de Ação da COP30 da UNFCCC, com contribuições da iniciativa Transformação Azul da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), da Coalizão dos Alimentos Azuis Aquáticos da Cúpula das Nações Unidas dos Sistemas Alimentares e do Centro Internacional para a Gestão de Recursos Aquáticos Vivos (WorldFish).

Para Edipo Araujo, essas iniciativas são apenas o começo e ainda é necessário superar obstáculos. “Nós ainda temos muitas barreiras. Precisamos ampliar o diálogo e acredito que num futuro próximo poderemos celebrar esses avanços, manejando esses recursos, que tem a sua importância ambiental, ecológica e social para as populações que vivem das águas”, concluiu.

 Programação – A COP15 segue até o dia 29 de março. Clique e confira a lista com todos os painéis.

Fonte: Assessoria MPA

Peixes

Sexto lote do seguro-defeso será pago a mais de 110 mil pescadores

Ministério do Trabalho libera R$ 179,7 milhões para beneficiários cadastrados e em conformidade com os novos requisitos do programa.

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Foto: Divulgação/MPA

O pagamento do sexto lote do seguro-defeso será feito nesta terça-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A parcela, no valor de R$ 179,7 milhões, beneficiará 110.904 pescadores que estejam devidamente cadastrados e de acordo com os novos requisitos do programa.

O benefício garante uma renda fixa de R$ 1.621 durante a paralisação da pesca, chamada de defeso. Durante o período de reprodução de cada espécie, que pode durar até cinco meses, a atividade pesqueira é interrompida.

O seguro-defeso é empenhado nos estados da Bahia, do Maranhão, Piauí, Pará e Amazonas. Têm direito ao programa os trabalhadores que têm a pesca como única fonte de renda, não recebem benefício previdenciário contínuo e residem nos municípios abrangidos pelo defeso.

Foto: Pixabay

Também é necessário comprovar o empenho da atividade por meio do Relatório do Exercício da Atividade Pesqueira (REAP), estar com registro de pesca regular e ter inscrição no CadÚnico.

As exigências para receber o benefício foram alteradas em novembro do ano passado para diminuir pagamentos indevidos e evitar fraudes. Também foi reformulada a gestão do defeso, que deixou de ser administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Apesar de o número de benefícios fraudados ser relativamente pequeno, as consequências das fraudes são significativas, pois o programa já alcançou mais de 2 milhões de cadastrados no seu auge. “O MTE tem trabalhado para garantir o pagamento de todos os pedidos de seguro-defeso que passaram por análise criteriosa, assegurando o direito de quem realmente vive da pesca”, afirmou o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

Até o momento, o MTE já destinou R$ 616,3 milhões para o pagamento do benefício. Entre 1º de novembro de 2025 e 14 de março de 2026, a gestão do programa recebeu 1.198.473 requerimentos. Os estados com maior número de solicitações são o Pará (351.502), Maranhão (336.803), Amazonas (106.632), a Bahia (81.765) e o Piauí (63.025).

Fonte: Agência Brasil
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Peixes

Estudo detecta Salmonella em 88% das pisciculturas avaliadas no Centro-Oeste

Levantamento em Mato Grosso identifica a bactéria em 31,5% das amostras, aponta dez sorotipos circulantes e indica vísceras e período seco como pontos críticos de contaminação nos viveiros.

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Fotos: Yuri Porto

Estudo realizado em viveiros de peixes nativos no Centro-Oeste brasileiro revelou a presença da bactéria Salmonella spp. em ambientes de produção aquícola da região. Os monitoramentos microbiológicos detectaram o patógeno em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, principal polo produtor dessas espécies no País. Os dados alertam para a necessidade de reforçar a vigilância e a biossegurança nos ambientes de criação.

As ações foram coordenadas pela pesquisadora Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), e contaram com a participação dos professores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Eduardo Figueiredo e Luciana Savay-da-Silva.

Fogaça explica que quando os pontos críticos de contaminação são detectados precocemente, é possível adotar medidas preventivas que reduzem os riscos e aumentam a segurança do alimento e a sustentabilidade da produção.

A pesquisa integra uma série de estudos conduzidos por cientistas da Embrapa, universidades e instituições parceiras para compreender os riscos microbiológicos associados à produção de peixes cultivados e orientar medidas de prevenção que garantam um pescado seguro e a competitividade do setor aquícola.

Estudo avaliou pisciculturas em diferentes biomas

O trabalho foi conduzido em viveiros localizados nos biomas Pantanal e Cerrado e abrangeu 184 amostras provenientes de peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais silvestres e domésticos presentes nas áreas de cultivo.

As análises microbiológicas seguiram protocolos internacionais e foram confirmadas por testes moleculares, permitindo identificar a ocorrência da bactéria, os sorotipos circulantes e os perfis de sensibilidade a antimicrobianos. Os resultados indicaram a presença de dez sorotipos diferentes, com predominância dos intitulados Saintpaul e Newport, além de níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, embora sem detecção de cepas multirresistentes.

Além disso, a análise estatística indicou que as vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção, e que a ocorrência do patógeno foi mais elevada no período seco, sugerindo influência de fatores ambientais e de manejo na dinâmica da contaminação. Esses resultados permitiram identificar pontos críticos ao longo da fase de produção e fornecer subsídios para o desenvolvimento de protocolos de biossegurança voltados à piscicultura brasileira.

Outro estudo avaliou 55 cepas de Salmonella, isoladas da tambatinga (híbrido de tambaqui) cultivada, e analisou a sua suscetibilidade a antibióticos de uso clínico. Nenhuma das cepas apresentou sorotipos clássicos associados a surtos humanos graves (como Typhi, Enteritidis ou  Typhimurium), e todas foram sensíveis aos antibióticos testados, indicando baixo risco de resistência nas condições avaliadas.

A pesquisadora ressalta que o estudo foi restrito à área de produção e não a toda a cadeia produtiva. “Isso não significa que o produto final necessariamente estará contaminado, pois os controles sanitários, o processamento industrial e o cozimento adequado podem reduzir ou eliminar o risco”, complementa.

Na prática, a contaminação microbiológica do pescado pode ocorrer ainda na fase de produção, nos viveiros, podendo ser significativamente reduzida na indústria. A segurança final do alimento depende também do armazenamento adequado e do preparo correto pelo consumidor, etapas fundamentais para prevenir a contaminação alimentar.

Os fatores que contribuem para a contaminação podem ser inúmeros. Mas a professora da UFMT pontua que o fato dos viveiros serem de fácil acesso para pássaros, animais silvestres (jacarés, capivaras, entre outros), animais de criação (aves, suínos, caprinos, bovinos) e também animais domésticos (cachorro, gatos) propicia o contágio do solo e da água dos tanques de criação, tornando a contaminação dos peixes praticamente inevitável.

Outro ponto a ser levado em consideração é o atual fluxo de processamento desses peixes nos frigoríficos, onde a primeira etapa é a lavagem com água hiperclorada, seguida pela retirada das vísceras e guelras. “Estudos em laboratório e também em escala piloto já demonstraram que seria mais eficiente invertermos essas etapas, sendo interessante primeiro a retirada das vísceras e guelras, ainda em uma área suja, e depois a lavagem hiperclorada”, esclarece Savay-da-Silva.

Continuidade das pesquisas e abordagem Saúde Única

Os pesquisadores destacam que a presença de diferentes sorotipos com relevância epidemiológica reforça a necessidade de programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única, que considera a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental.

Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras, investigar fatores de risco específicos associados aos sistemas produtivos e desenvolver protocolos de boas práticas que possam ser adotados diretamente pelos viveiros. “Nosso objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas para o setor produtivo, contribuindo para alimentos mais seguros e para a competitividade da aquicultura brasileira”, enfatiza Fogaça.

Fonte: Assessoria Embrapa Agroindústria de Alimentos
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Peixes

Tilapicultura avança no interior de São Paulo com produção mensal de 300 toneladas

Peixes são engordados com manejo intensivo e seguem para processamento em São Paulo e Minas Gerais.

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Foto: Shutterstock

A tilapicultura segue em expansão no interior paulista, com destaque para o município de Riolândia, no noroeste do estado. Na cidade, uma empresa mantém produção mensal de aproximadamente 300 toneladas de tilápia-do-nilo, destinadas integralmente a frigoríficos localizados em São Paulo e Minas Gerais.

O ciclo produtivo começa com a chegada dos peixes vindos de Monte Aprazível (SP), ainda com cerca de 30 gramas. Eles são mantidos em tanques até atingirem peso entre 900 gramas e 1 quilo, faixa considerada ideal para o mercado.

Ao longo da engorda, os animais recebem alimentação frequente, com fornecimento de ração a cada 15 minutos, totalizando cerca de 350 quilos por dia. O manejo adotado contribui tanto para o desenvolvimento quanto para a sanidade dos peixes.

A estrutura produtiva conta com recursos tecnológicos voltados à eficiência operacional. Entre eles, sistemas que permitem a imersão e submersão dos tanques, facilitando a higienização, além de motores hidráulicos que tornam mais ágil o processo de retirada dos peixes.

Em atividade desde 2008, a empresa tem ampliado sua capacidade com novos investimentos. A partir de 2024, foram aplicados cerca de R$ 3,5 milhões em melhorias, incluindo a adoção de uma balsa automatizada, utilizada no abastecimento de ração com maior precisão.

O avanço da produção acompanha o desenvolvimento do setor no estado. São Paulo ocupa a segunda posição no ranking nacional de produção de tilápia, atrás do Paraná, e conta com uma cadeia de processamento estruturada. Pesquisas conduzidas pelo Instituto de Pesca também têm fortalecido a atividade, como a implantação do primeiro banco de germoplasma da tilápia-do-nilo no Brasil.

Fonte: O Presente Rural
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