Notícias Mesmo sob pressões globais
Brasil amplia mercados e fortalece imagem como fornecedor confiável de proteína animal
Com destaque para carne de frango, bovina e suína, o país tem ampliado mercados, diversificado destinos e fortalecido sua presença internacional por meio de uma diplomacia agropecuária cada vez mais estratégica.

Em um cenário geopolítico marcado por tensões comerciais, guerras e instabilidade climática, o Brasil se posiciona como um dos principais protagonistas mundiais na produção e exportação de proteínas animais. Com destaque para carne de frango, bovina e suína, o país tem ampliado mercados, diversificado destinos e fortalecido sua presença internacional por meio de uma diplomacia agropecuária cada vez mais estratégica.
Esse avanço não se dá por acaso. A atuação coordenada entre o setor produtivo e governo federal tem sido essencial

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Serroni Perosa: “As pressões comerciais e sanitárias fazem parte do comércio internacional. O Brasil é um exemplo em sanidade animal” – Foto: Divulgação/Alimenta
para abrir portas em mercados exigentes, negociar condições sanitárias e sustentar a imagem do Brasil como fornecedor confiável de alimentos em escala global. Em 2024, por exemplo, o País manteve a liderança como maior exportador mundial de carne de frango, ampliou embarques de carne suína para o Sudeste Asiático e retomou com força os embarques de carne bovina para a China, mesmo diante das exigências sanitárias rigorosas e da concorrência acirrada.
Ao mesmo tempo, o país lida com desafios complexos: a pressão internacional por sustentabilidade, a necessidade de manter padrões sanitários rigorosos e as exigências técnicas de diferentes mercados. “As pressões comerciais e sanitárias fazem parte do comércio internacional. O Brasil é um exemplo em sanidade animal e acaba de ser reconhecido como país livre de febre aftosa sem vacinação, um status importante para nós e para o mundo. Isso demonstra a seriedade com que tratamos a sanidade, fruto da atuação dos órgãos públicos e do empenho do setor privado. Seguimos entregando um produto de alta qualidade e muito competitivo, o que mantém o Brasil com portas abertas nos mercados mais exigentes”, ressalta o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Serroni Perosa, que endossou o grupo de especialistas do Alimenta – Congresso e Feira Internacional de Proteína Animal, realizado nesta semana no Campus da Indústria da Fiep, em Curitiba (PR).
Diplomacia e pragmatismo em meio às tensões
A instabilidade política em importantes mercados importadores, como Rússia e parte do Oriente Médio, é um fator que poderia comprometer a previsibilidade das exportações. No entanto, o Brasil tem adotado uma postura pragmática e firme na manutenção dos fluxos comerciais, mesmo diante de cenários instáveis. “O Brasil mantém as negociações com esses mercados, mesmo com dificuldades como questões de acesso ou formas de pagamento. O fluxo continua ativo, pois entendemos que alimentos não devem ser parte de disputas geopolíticas”, afirmou Perosa.

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Serroni Perosa – Foto: ” Seguimos entregando um produto de alta qualidade e muito competitivo, o que mantém o Brasil com portas abertas nos mercados mais exigentes” Divulgação/Alimenta
Essa visão estratégica também se estende à forma como o país responde às crescentes pressões ambientais e protecionistas impostas por mercados desenvolvidos. Com exigências sanitárias e de rastreabilidade cada vez mais rígidas, principalmente por parte da União Europeia e dos Estados Unidos, o Brasil vem se estruturando para oferecer garantias de sustentabilidade em toda a cadeia produtiva. “O Brasil tem dado respostas efetivas, tanto no nível governamental, com a redução do desmatamento, quanto no setor privado”, destaca Perosa, enfatizando que uma das iniciativas mais relevantes nesse sentido é o Plano Nacional de Rastreabilidade Individualizada Bovina, o qual permite monitorar toda a origem dos animais, assegurando que não venham de áreas desmatadas. “Muitas empresas já fazem esse controle hoje. Com a individualização, será possível consolidar esse processo em todo o território, reforçando a sustentabilidade da produção brasileira”, reforçou.
Interdependência estratégica
Diante do peso da China como principal destino das proteínas animais brasileiras, não são raras as críticas sobre uma suposta dependência excessiva do mercado asiático.
Para o presidente da Abiec, no entanto, essa leitura desconsidera a dinâmica real do comércio global de alimentos. “O Brasil produz alimentos e vende para onde há consumidores. A Ásia, especialmente a China, tem uma população enorme e depende de países que possam fornecer alimentos. Não se trata de dependência do mercado chinês, mas de uma relação de interdependência e complementaridade”, analisou Perosa.

Presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Serroni Perosa: “Brasil produz alimentos e vende para onde há consumidores. A Ásia, especialmente a China, tem uma população enorme e depende de países que possam fornecer alimentos”
Segundo o executivo, o que há é uma convergência entre oferta e demanda, sustentada pela qualidade do produto brasileiro e pela necessidade da China em manter fontes confiáveis de suprimento. A relevância da região levou a Abiec a inaugurar recentemente um escritório em Pequim. A iniciativa visa fortalecer o relacionamento institucional e comercial com a China e ampliar o diálogo com outros países asiáticos. “Diversificar faz parte da estratégia comercial de qualquer empresa e nós temos esse olhar, sem deixar de reconhecer a relevância da Ásia como parceira”, expôs.
Exigências externas
Com o aumento das exigências por sustentabilidade, rastreabilidade e bem-estar animal nos mercados internacionais, o Brasil tem buscado se antecipar às novas demandas. “O objetivo é não apenas atender às exigências externas, mas também reforçar a posição do Brasil como um dos líderes na produção de proteína animal com responsabilidade ambiental e social”, enfatizou.
Segundo Perosa, a pecuária nacional vem passando por mudanças importantes, como a ampliação do controle sobre a origem dos animais e o avanço de práticas mais sustentáveis. “A Abiec participa desse processo apoiando políticas públicas, estudos técnicos e iniciativas que buscam tornar a rastreabilidade individual obrigatória em todo o território. Também acompanhamos pesquisas sobre captura de carbono na pecuária e incentivamos práticas de manejo que respeitem o bem-estar animal”, salientou.
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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



