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Brasil amplia fronteiras agrícolas com conversão de pastagens degradadas

Estudo da Embrapa revela potencial de 28 milhões de hectares para a agricultura, com impacto direto na produção de grãos, valorização da terra e ganhos ambientais.

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Foto: Breno Lobato

O Brasil possui uma das maiores áreas de pastagens do mundo, o que representa uma oportunidade para o uso mais eficiente da terra por meio da agricultura. Segundo dados do MapBiomas referenciados em 2023, o país possui 164 milhões de hectares de pastagens, dos quais uma parcela significativa é considerada degradada ou subutilizada.

Entretanto, a conversão das áreas de pastagem não é simples e exige o cumprimento de múltiplos critérios agronômicos e ambientais, como fertilidade do solo, relevo e capacidade de mecanização agrícola, regime hídrico e logística para os insumos e escoamento da produção.

Foto: Jan Kroon

Com a finalidade de mapear terras agrícolas e recursos naturais, a Embrapa conduziu um trabalho de pesquisa que identificou 28 milhões de hectares de pastagens com níveis de degradação entre intermediário e severo que apresentam potencial para a implantação de culturas agrícolas, levando em conta restrições como terras indígenas e assentamentos quilombolas, áreas com alta prioridade de conservação da biodiversidade, infraestrutura, como distância entre as principais rodovias e disponibilidade de armazéns, áreas agrícolas atuais e as informações disponibilizadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático. Os estados com as maiores áreas aptas para conversão são Mato Grosso (5,1 milhões de hectares), Goiás (4,7 milhões de hectares), Mato Grosso do Sul (4,3 milhões de hectares), Minas Gerais (4,0 milhões de hectares) e Pará (2,1 milhões de hectares).

O sucesso da conversão da pastagem em lavoura de grãos depende diretamente do diagnóstico e do manejo adequado das características, físicas, químicas e biológicas do solo e, dependendo do nível de degradação da pastagem, há necessidade maior de utilização de insumos, como calcário e fertilizantes e de operações mecanizadas, como descompactação e nivelamento do solo.

Ao considerarmos os custos médios por hectare dos clientes do programa Reverte, parceria entre Syngenta, The Nature Conservancy e Itaú BBA, que visa aliar a expansão da produção agrícola com a conservação da vegetação nativa e recursos naturais no Cerrado, chegamos em uma necessidade de investimento total de cerca de R$ 482,6 bilhões para a conversão dos 28 milhões de hectares de pastagem para soja.

A incorporação de 28 milhões de hectares para a produção de soja representa cerca de 59% de aumento sobre os 47,5 milhões de hectares atuais, ou 34% sobre os 81,7 milhões de hectares de grãos estimados pela Conab na safra 2024/25.

Considerando a área por UF identificada no estudo da Embrapa e a produtividade média estadual da Conab para a safra 2024/25, chegamos em uma produção potencial de 104,7 milhões de toneladas de soja. Em termos absolutos, o aumento de aproximadamente 105 milhões de toneladas equivale a adicionar mais de duas safras do Mato Grosso, que produz cerca de 47 milhões de toneladas, ou duas Argentinas, elevando a oferta potencial para algo em torno de 275 milhões de toneladas de soja.

Foto: DivulgaçãoArquivo OPR

Com a possibilidade da realização da segunda safra, projetamos uma produção potencial para o milho, considerando a área potencial de soja por estado, a relação de área milho/soja média das últimas dez safras e a média de produtividade por UF para o milho 2ª safra. A partir dessas premissas, chegamos em um potencial de crescimento da área de milho 2ª safra do Brasil de 10,2 milhões de hectares, baseado nos 28 milhões de hectares de soja e, claro, mantida a proporção atual de participação do milho em cada estado. O incremento potencial da produção seria de 52,8 milhões de toneladas.

Portanto, considerando o potencial de produção a partir da conversão dos 28 milhões de hectares de pastagem, teríamos soja e milho, somados, adicionando aproximadamente 158 milhões de toneladas (soja 104,7 e milho 2ª safra 52,8 milhões de toneladas). Comparando a safra atual dos dois grãos, de 300 milhões de toneladas (soja 170 milhões de toneladas e milho 130 milhões de toneladas), esse volume (158 milhões de toneladas) representaria um incremento de 52% na produção.

Além do sentido econômico e ambiental no médio-longo prazo, há outros ganhos que acompanham a decisão de converter áreas degradadas em lavouras, como o potencial de valorização da terra. Essa conversão costuma vir acompanhada de significativa valorização do ativo fundiário. Na média nacional, terras de lavoura valem cerca de 2,4 vezes o preço de terras de pastagem equivalentes.

Ao cruzarmos os dados de pastagens disponíveis por UF com os preços de terras, foi possível identificar um potencial de valorização das áreas de R$ 904,7 bilhões. Adotando uma taxa de câmbio R$/US$ de 5,75, conforme projeção da área de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco para 2025, teríamos US$ 157,3 bilhões de potencial de valorização dos 28 milhões de hectares passíveis de conversão no Brasil.

Os exercícios e análises aqui apresentados servem como uma referência de ordens de grandeza, dado que muitas variáveis podem influenciar esses resultados. De qualquer forma, os números ajudam a mostrar a oportunidade de alavancar, simultaneamente, ganhos econômicos, ambientais e sociais com a conversão de pastagens degradadas, ainda que alguns desafios, como ampliação do acesso à crédito, expansão da assistência técnica, capacitação no campo e monitoramento eficaz pós-conversão, necessitem ser superados.

Fonte: Consultoria Agro Itáu BBA

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Fundesa elege vice-presidente e aprova dois novos integrantes

Instituto Desenvolve Pecuária e Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios passam a integrar o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul.

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Foto: Thais D'Avila

Duas assembleias foram realizadas quarta-feira (15) na Casa da Sanidade Animal, sede do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, com 100% de presença dos conselheiros no formato presencial e virtual. Na primeira assembleia, de prestação de contas do primeiro trimestre de 2026, foram aprovados os números de arrecadações, rendimentos e aplicações. O saldo do fundo é de R$ 188,9 milhões e no período foram aportados R$ 2,64 milhões em diferentes frentes relacionadas às quatro cadeias produtivas que compõem o fundo – aves, suínos, bovinos de corte e leite.

A distribuição dos aportes, teve 43%, R$ 1,16 milhão, direcionada à indenização de produtores pelo abate sanitário de animais com registro de doenças de notificação obrigatória. Destaque para o apoio financeiro ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, com a compra de insumos, aquisição e calibração de  equipamentos entre outros, totalizando R$ 394,9 mil. O Fundesa também adquiriu 10 mil brincos de identificação de bovinos, no valor de R$ 109 mil, que serão utilizados no Projeto Piloto de Rastreabilidade Bovina no Rio Grande do Sul.

Novos integrantes

Na sequência da prestação de contas trimestral ordinária, uma Assembleia Extraordinária tratou de temas ligados ao estatuto e regimento interno do Fundesa. Foi realizada a eleição e posse do novo vice-presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, da Farsul. O cargo de vice-presidente estava vago desde janeiro, com a saída de Gedeão Pereira do Conselho Deliberativo do Fundesa. O presidente do Fundesa registrou agradecimentos a Gedeão pela contribuição ao fundo ao longo de nove anos.

Lopes agradeceu a confiança e colocou-se à disposição para, junto com os demais conselheiros, trabalhar em prol da proteína animal gaúcha. Domingos Velho Lopes já foi secretário da Agricultura e, na pasta, teve a dimensão da importância do Fundesa-RS para o pleno andamento do Serviço Veterinário Oficial do estado.

Os conselheiros também aprovaram o ingresso de dois novos integrantes no Conselho Deliberativo do Fundesa. A partir de agora, integram o Fundo a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Estado – Apil, e o Instituto Desenvolve Pecuária, Idepec.   “Ambas atuam diretamente nas áreas de interesse do fundo, e representam contribuintes do Fundesa, seja à frente de pecuaristas, seja à frente de agroindústrias”, afirma Kerber, que disse estar na expectativa da contribuição das entidades no debate da sanidade animal gaúcha.

As duas novas entidades se somam às atuais dez representações das quatro cadeias produtivas que compõem o fundo. Asgav, Sipargs, Acsurs, Sips, Sicadergs, Fecoagro, Farsul, Fetag, Febrac e Sindilat.

Fonte: Assessoria Fundesa/RS
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Sanepar vence prêmio com usina que transforma esgoto em energia

Unidade de biogás se sobressai no país ao converter resíduos em energia renovável e reforçar protagonismo no setor.

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Fotos: Sanepar

A ETE Belém – Biogás, também conhecida como USBioenergia ou USBio, é campeã na categoria unidades ou plantas geradoras de biogás (Saneamento) no Prêmio Melhores do Biogás Brasil, promovido no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. O evento, realizado em Foz do Iguaçu na terça-feira (14), reconhece profissionais e empresas que geram iniciativas sustentáveis no setor.

Localizada em Curitiba, a ETE-Belém é fruto de iniciativas inovadoras da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para transformar resíduos, ou seja, o lodo gerado no processo de tratamento de esgoto, em energia renovável, o biogás. A Companhia possui mais de 200 estações de tratamento equipadas com reatores anaeróbicos (que utilizam microrganismos para decompor a matéria orgânica), em todo o Paraná.

Esta é a terceira vez que a Sanepar garante o prêmio nessa categoria, sendo duas delas com a ETE-Belém e uma com a Atuba Sul, também em Curitiba. Em 2023, a estação de Tratamento de Esgoto Ouro Verde, de Foz do Iguaçu, foi eleita a mais sustentável o País na mesma premiação.

“A Sanepar celebra a premiação tendo a certeza de que está no caminho da sustentabilidade. Quando destinamos nossos investimentos à transformação do lodo em biogás, estamos aplicando a economia circular que não apenas nos beneficia, mas toda a cadeia produtora também. O reconhecimento, que vem com o prêmio, é de todos os empregados que participam do processo e fazem a Companhia ser destaque em todas as áreas em que atua”, comemorou o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.

Com capacidade para processar diariamente 900 m³ de lodo da ETE Belém — o equivalente a cerca de 36 caminhões-pipa — e 150 toneladas de resíduos orgânicos de grandes geradores, a unidade se consolida como um gigante da economia circular. A operação é sustentada por dois biodigestores de 5.000 m³ cada, que juntos comportam o volume de quatro piscinas olímpicas de material em tratamento.

Graças a um sistema de pós-digestão que garante a estabilização total dos resíduos e elimina passivos ambientais, a planta atingiu um desempenho otimizado: a produção de 18.000 Nm³ (metros cúbicos normais) de biogás por dia. Na prática, esse resultado converte toneladas de descarte urbano em uma fonte de energia renovável, pronta para o aproveitamento energético. A premiação demonstra o posicionamento da Sanepar como uma das principais operadoras de biogás do Brasil.

Trabalho complexo

O gerente de tratamento de esgoto em Curitiba e responsável pela unidade, Raphael Tadashi Diniz, recebeu o prêmio em nome da Companhia e explica que o trabalho conta com o apoio da diretoria que dispõe de investimentos em inovação e novos negócios, e também da equipe operacional.

“Agradeço principalmente a quem trabalha diretamente na ETE Belém e na Usina de Biogás, que são os verdadeiros guerreiros. Seja no processo de operação, manutenção, que estão no dia a dia da estação, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Um trabalho bastante complexo, mas que eles fazem com satisfação e contribuem muito para esse reconhecimento e a conquista desse importante prêmio”, disse ele, ao agradecer, em nome da equipe.

Destaque

Somente no primeiro bimestre de 2026, a unidade recebeu mais de 6 milhões de toneladas de lodo e outros resíduos orgânicos. Nesse período, a eficiência da usina resultou na geração de 1.517,50 MWh. Em outras palavras, essa eletricidade seria suficiente para abastecer uma cidade de 12 mil habitantes por um mês inteiro. O processo que é uma alternativa à disposição de lodo e resíduos orgânicos em aterros sanitários, reduz, portanto, custos operacionais e impactos ambientais.

“Essa premiação representa a validação de uma estratégia de inovação que transforma passivos ambientais em ativos energéticos. Na Sanepar, entendemos que os resíduos não são o fim da linha, mas potenciais fontes de recursos”, afirmou Gustavo Rafael Collere Possetti, Especialista em Pesquisa e Inovação da Sanepar.

“Ao otimizarmos a codigestão de lodo com outros resíduos orgânicos, estamos escalando nossa capacidade de gerar energia limpa e reduzindo emissões de gases de efeito estufa. Essa iniciativa exemplifica como a ciência aplicada ao saneamento pode impulsionar a descarbonização, a transição energética e fortalecer a segurança energética do Paraná”, destacou Possetti.

Fonte: AEN-PR
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Embrapa aponta queda nos custos de suínos e estabilidade na produção de frangos

Indicadores reforçam cenário de ajuste nos custos, com destaque para variação nos preços da ração.

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Foto: Shutterstock

Os custos de produção de suínos voltaram a cair em março, mantendo a tendência observada desde janeiro, enquanto os custos do frango de corte ficaram praticamente estáveis. Os dados são da Embrapa Suínos e Aves, divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS).

No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte permaneceu em R$ 4,72, com índice de 365,38 pontos. No acumulado de 2026, há alta de 1,44%, enquanto nos últimos 12 meses o resultado é negativo em 2,95%. A ração, principal componente do custo (63,60%), teve leve alta de 0,37% em março, mas acumula queda de 8,72% em um ano.

Já em Santa Catarina, o custo do quilo do suíno vivo recuou de R$ 6,36 em fevereiro para R$ 6,30 em março, redução de 0,96%. O índice ICPSuíno caiu para 360,63 pontos. No ano, a retração acumulada é de 2,71%, enquanto em 12 meses chega a -1,76%. A ração, que representa 72,22% do custo total, diminuiu 0,55% no mês e acumula queda de 1,96% em 2026.

Paraná e Santa Catarina são utilizados como referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs), por concentrarem a maior produção nacional de frangos de corte e suínos, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas para estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Como suporte à gestão nas propriedades, a Embrapa oferece ferramentas gratuitas, como o aplicativo Custo Fácil, que permite gerar relatórios personalizados e separar despesas, além de uma planilha específica para granjas integradas disponível na plataforma da CIAS.

Fonte: Assessoria Embrapa Suínos e Aves
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