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Suínos

Brasil amplia exportação de carne suína para El Salvador

Novo acordo reforça presença do produto no mercado internacional.

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O governo brasileiro concluiu negociações que abrem novos mercados para produtos agropecuários em El Salvador, Filipinas e Trinidad e Tobago, com destaque para a carne suína.

Em El Salvador, foi autorizada a exportação de carne suína e seus derivados, o que amplia as oportunidades para a cadeia produtiva e permite maior agregação de valor ao produto brasileiro. Em 2025, o Brasil já havia exportado mais de US$ 103 milhões em itens agropecuários ao país, e a nova abertura tende a fortalecer esse fluxo comercial.

As negociações também incluem a liberação para exportação de feno seco para as Filipinas, mercado com cerca de 112 milhões de habitantes e que importou mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025, além da autorização para envio de sementes de coco para Trinidad e Tobago, que adquiriu mais de US$ 61 milhões do agro brasileiro no mesmo período.

Com os novos acordos, o agronegócio brasileiro soma 555 aberturas de mercado desde o início de 2023. Os resultados são fruto da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Ministério das Relações Exteriores.

Fonte: O Presente Rural com Mapa

Suínos

Cada grau a mais na temperatura reduz em 462 g/dia o consumo de ração dos suínos

Além de comer menos, os animais mudam o padrão alimentar. Em dias quentes, concentram a ingestão de ração nos horários mais frescos, como o início da manhã e o fim da tarde ou da noite.

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O avanço das mudanças climáticas colocou a ambiência no centro das decisões da produção suína. O aumento da temperatura média global, impulsionado principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa, já afeta de forma direta o desempenho, a saúde e o bem-estar dos animais.

Para sistemas intensivos, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, o clima deixou de ser um elemento de fundo e passou a ser um fator limitante da eficiência produtiva. Desde o final do século XIX, a temperatura média da superfície da Terra subiu cerca de 1,14 °C. Além disso, as estações estão mudando de duração: verões mais longos e invernos mais curtos já são observados em várias regiões do mundo.

Nesse cenário, ambientes com altas temperaturas e umidade representam um desafio crescente para a produção de alimentos. Estimativas apontam que cerca de um terço da produção global pode estar em risco diante do aquecimento global.

Zootecnista Bruno Silva, mestre e doutor em Bioclimatologia Animal, PhD em Nutrição de Suínos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG): “A eficiência na produção de suínos em condições de calor extremo exige a combinação de ambiência adequada, manejo bem planejado e nutrição ajustada” – Foto: Divulgação/Abraves

Na suinocultura, os impactos são ainda mais evidentes. Os suínos possuem uma faixa estreita de conforto térmico, que varia conforme idade, genética e fase produtiva. Fora dessa zona, o animal precisa gastar energia para tentar manter a temperatura corporal, o que compromete o desempenho. “O clima é hoje um dos principais fatores que impedem a produção suína de atingir seu máximo potencial em regiões quentes”, afirmou o zootecnista Bruno Silva, mestre e doutor em Bioclimatologia Animal, PhD em Nutrição de Suínos e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nas últimas décadas, a produção de suínos cresceu de forma acelerada em países da América Latina e da Ásia, regiões marcadas por temperaturas elevadas e alta umidade. Mesmo com avanços genéticos e nutricionais, o desempenho médio nesses locais ainda fica abaixo do observado em países de clima temperado, como os da Europa. “Em áreas tropicais, o estresse térmico não é um evento pontual, como as ondas de calor em regiões temperadas, ele é uma condição quase permanente”, ressaltou.

Efeito do calor

Quando expostos ao calor excessivo, os suínos adotam uma estratégia simples para tentar se proteger: comem menos. A redução do consumo de ração diminui a produção de calor gerada pela digestão, mas traz efeitos em cadeia. Há perda de peso, menor crescimento muscular, queda na produção de leite das porcas e prejuízos à reprodução e à longevidade produtiva dos animais.

Esse efeito é ainda mais forte em animais de alta genética, selecionados para crescimento rápido e alta deposição de carne magra. Esses animais produzem mais calor corporal por causa do metabolismo elevado. “O mesmo avanço genético que aumentou a produtividade também tornou os suínos mais sensíveis ao calor”, explica o zootecnista.

Estudos mostram que cada grau a mais na temperatura ambiente o animal pode reduzir a ingestão diária de ração em 462 gramas/dia. Em porcas lactantes, a ingestão pode cair para pouco mais de dois terços do necessário para atender às exigências nutricionais, comprometendo tanto a fêmea quanto a leitegada.

Além de comer menos, os animais mudam o padrão alimentar. Em dias quentes, concentram a ingestão de ração nos horários mais frescos, como o início da manhã e o fim da tarde ou da noite. “O comportamento alimentar passa a ser guiado pela tentativa de escapar do calor”, evidencia o doutor em Bioclimatologia Animal.

Papel da ambiência no galpão

A dificuldade dos suínos em dissipar calor agrava o problema. Diferentemente de outras espécies, eles têm poucas glândulas sudoríparas e praticamente não suam. A principal forma de perder calor é pela respiração ofegante e pelo contato com superfícies mais frias. “Quando a umidade do ar é alta, a evaporação fica menos eficiente, tornando o ambiente ainda mais estressante”, menciona Silva.

Por isso, a ambiência do galpão, que inclui temperatura, ventilação, umidade e radiação térmica, tem impacto direto sobre a produção. “Sistemas de ventilação, resfriamento evaporativo, resfriamento do piso e uso de gotejamento de água estão entre as estratégias mais adotadas para reduzir o calor sentido pelos animais. São soluções eficazes, mas muitas vezes caras, o que exige avaliação cuidadosa de custo e benefício”, observa o PhD em Nutrição de Suínos.

Além do manejo ambiental, ajustes na alimentação também ganham espaço. Dietas com maior densidade nutricional e menor produção de calor durante a digestão ajudam a compensar a menor ingestão de ração. Mudanças no horário de fornecimento dos alimentos, priorizando os períodos mais frescos do dia, também podem melhorar o desempenho. “A eficiência na produção de suínos em condições de calor extremo exige a combinação de ambiência adequada, manejo bem planejado e nutrição ajustada”, enfatiza o especialista, acrescentando: “Em um contexto de aquecimento global, cuidar do ambiente deixou de ser apenas uma questão de bem-estar animal e se tornou uma estratégia essencial para a sustentabilidade econômica da suinocultura”.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Abate de suínos no Brasil bate recorde com 60,7 milhões de cabeças

Alta de 4,3% é impulsionada pelas exportações e pela redução nos custos de produção, com avanço em 15 estados.

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Foto: Roberto Dziura

O Brasil abateu 60,69 milhões de suínos em 2025, aumento de 4,3% frente a 2024 e novo recorde da série histórica iniciada em 1997, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O crescimento foi observado em 15 das unidades da federação. Santa Catarina manteve a liderança nacional, com 28,2% do total abatido, seguida por Paraná e Rio Grande do Sul.

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O desempenho foi sustentado pelo avanço das exportações, com destaque para as Filipinas, principal destino da carne suína brasileira. No mercado interno, mesmo com a oferta elevada, os preços se mantiveram firmes.

A redução nos custos de produção, especialmente com ração devido à supersafra de grãos, contribuiu para o equilíbrio das margens e estimulou o setor ao longo do ano.

No quarto trimestre, foram abatidas 15,29 milhões de cabeças, alta de 5,8% em relação ao mesmo período de 2024, mas recuo de 3,5% frente ao trimestre anterior.

Fonte: Agência IBGE
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Suínos

Preço do suíno se estabiliza em março após queda no início de 2026

Equilíbrio entre oferta e demanda segura cotações, mesmo com aumento de 2,5% no abate e pressão nos custos de produção.

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Após queda nas cotações nos meses de janeiro e fevereiro, o preço do suíno estabilizou em março (Gráficos 1 e 2), mostrando recente ajuste na oferta e demanda. Dados preliminares do SIF indicam um aumento do abate ao redor de 2,5% no primeiro bimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

Gráfico 1: Indicador Ccarcaça Suína Especial – Cepea/Esalq (R$/kg) em São Paulo (SP), mensal, nos últimos 60 dias úteis, até dia 19 demarço de 2026.

Gráfico 2: Indicador Suíno vivo – Cepea/Esalq (R$/kg) em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, mensal, de outubro de 2025 a 19 de março de 2026.

O aumento da oferta no mercado doméstico já vinha ocorrendo em 2025, conforme apontam os dados definitivos de abate do IBGE, publicados no último dia 18, indicando que a produção brasileira de carne suína (carcaças) aumentou quase 300 mil toneladas (5,54%) em relação a 2024 (Tabela 1).

Como o incremento das exportações em 2025 foi de pouco mais de 140 mil toneladas, a disponibilidade interna cresceu 3,73% (156 mil toneladas), excedente que o mercado doméstico absorveu bem e que determinou ultrapassarmos a barreira dos 20 kg per capita ano de consumo (Gráfico 3).

Tabela 1: Balanço da suinocultura brasileira de 2019 a 2026 e crescimento percentual de alguns índices no período.

Gráfico 3: Evolução do Consumo per capita de carne suína no Brasil, de 2015 a 2026, em kg por habitante por ano.

Quando se analisa a participação das Unidades Federativas no abate, chama a atenção o crescimento percentual expressivo da produção, de 2025 em relação a 2024, muito acima da média, dos estados de Minas Gerais (11,35% em toneladas) e Mato Grosso do Sul (14,36% em toneladas), sendo que este último ultrapassou o Mato Grosso e assumiu a quinta posição no ranking nacional (Tabela 2).

O crescimento do abate de Minas Gerais, cujo plantel de produtores independentes é o maior do Brasil, explica em parte o porquê os preços de suínos para abate praticados neste estado, desde março de 2025, estão abaixo de São Paulo.

Tabela 2: Abate brasileiro anual de suínos por Unidade Federativa, em 2025 e 2024, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg), participação de cada estado sobre o total e diferença de um ano para o outro. Destaque em azul para crescimento e em laranja para redução de 2025 em relação a 2024.

Um fator importante a se observar é a competitividade da carne suína com as outras carnes. A virada de ciclo pecuário finalmente se concretizou com a redução de abate de bovinos nos meses de janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado (SIF), depois de mais de dois anos de abate crescente.

Essa redução da produção refletiu diretamente na alta das cotações do boi gordo, com a arroba se aproximando da marca de 350 reais no mercado paulista (Gráfico 4).

Gráfico 4: Indicador mensal do Boi gordo Cepea/Esalq (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 6 meses (até 19/03/2026).

Porém esta alta do boi gordo ainda não refletiu com a mesma intensidade no varejo que reduziu as margens significativamente neste início de ano, com spread (percentual) em relação ao atacado em níveis muito mais baixos que a média dos últimos anos, conforme demonstra o gráfico 5, a seguir.

Sem a alta do preço da carne bovina ao consumidor final na mesma proporção que o preço pago ao produtor, a interferência do preço do boi gordo sobre as cotações do suíno vivo torna-se insignificante.

Gráfico 5: Spread varejo/atacado da carne bovina em São Paulo.

O frango que já vinha com a precificação em baixa desde a virada do ano, agora sofre com o agravamento do conflito no Oriente Médio que é o destino de quase 1/3 das exportações brasileiras desta proteína. Não se espera a suspensão completa dos embarques para aquele destino, porém o aumento do custo logístico já está posto e pode reduzir significativamente os volumes exportados de frango que mantém trajetória de queda nas cotações (Gráfico 6).

Gráfico 6: Cotação média mensal do Frango refriado em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de março até dia 19/03/2026.

Com produção de suínos crescente e mercado doméstico “andando de lado” a pergunta é: “como está a exportação?” um importante canal de comercialização e que vem ganhando cada vez mais espaço e que, em 2025, ultrapassou os 23% da destinação da produção nacional, assumindo o terceiro lugar no comércio mundial e ultrapassando o Canadá.

A resposta é: “vai muito bem em 2026!” com crescimento acima do esperado, sendo que, no acumulado de janeiro e fevereiro, com 204,7 mil toneladas de carne suína in natura, superou em 8,3% os volumes embarcados no mesmo bimestre de 2025. Isto representa pouco mais de 15 mil toneladas a mais exportadas, num período em que, estimativas preliminares indicam um crescimento da produção ao redor de 2,5% (+22 mil toneladas), ou seja, haveria um excedente no primeiro bimestre em torno de 7 mil toneladas que foram ofertadas a mais no mercado doméstico em janeiro e fevereiro de 2026.

A mesma relativa estabilidade do mercado de carne suína não ocorre quando o assunto é custo de produção. O atraso do plantio da segunda safra de milho, que hoje representa quase 80% de toda produção nacional deste cereal, é motivo de preocupação e determinou uma alta considerável nas cotações nas últimas semanas (Gráfico 7).

Gráfico 7: Preço médio diário do Milho (R$/SC 60kg) em Campinas (SP), nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/03/2026.

O custo das rações só não subiu mais porque as cotações do farelo se soja têm se mantido relativamente estáveis, mas a relação de troca entre o preço do suíno vivo e os principais insumos, milho e farelo de soja, vem caindo mês a mês, desde outubro de 2025, conforme o gráfico 8, a seguir.

Gráfico 8: Relação de troca do suínos : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/25 a março/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de março de 2026 até dia 20/03/2026.

Esta pressão nos custos, aliada ao recuo das cotações do suíno, determinaram, no início deste ano, margens muito apertadas na suinocultura, próximas do ponto de equilíbrio (Tabela 3). Como se não bastassem as incertezas climáticas para o estabelecimento da “safrinha” de milho, as consequências indiretas do conflito no Oriente Médio trazem pressão sobre o preço dos combustíveis e fertilizantes, o que resulta em inflação em toda cadeia de produção, além de ameaçarem e/ou encarecerem a logística no fluxo de exportações de frango, o que pode reduzir a competividade da carne suína no mercado doméstico, dificultando uma eventual retomada de ciclo de alta nas cotações do suíno.

Tabela 3: Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados, mensais, nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido) de janeiro a dezembro de 2025; janeiro e fevereiro de 2026 e a média anual de 2024. Destaque para o mês de fevereiro/26 com a menor margem de lucro do período apresentado.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “Os impactos do conflito no Oriente Médio já são percebidos no agronegócio brasileiro e o suinocultor deve ficar atento aos movimentos especulativos comuns nesse ambiente de incertezas” – Foto: Divulgação/ABCS

“Apesar das exportações de carne suína ainda em crescimento, o setor se encontra em um dos momentos mais delicados dos últimos dois anos, com fortes indicativos de que estamos saindo de um ciclo muito favorável para um período bastante desafiador para a atividade. Os impactos do conflito no Oriente Médio já são percebidos no agronegócio brasileiro e o suinocultor deve ficar atento aos movimentos especulativos comuns nesse ambiente de incertezas”, ressalta o presidente da ABCS, Marcelo Lopes.

Ele orienta buscar informações de fontes confiáveis e embasadas, “É fundamental para que as decisões sejam tomadas com o máximo de assertividade possível. O preço e o custo são definidos por inúmeros fatores, mas sempre o principal deles é o equilíbrio entre oferta e procura”, salienta.

Fonte: Assessoria ABCS
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