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Brasil amplia compradores de milho, reduz dependência do Irã e acende alerta para exigências de qualidade
País exportou 6,74 milhões de toneladas para 69 destinos no primeiro trimestre de 2026; avanço do Vietnã e liderança do Egito reforçam a necessidade de padronização e controle de umidade no pós-colheita.

O Brasil começou 2026 com uma mudança importante no mapa das exportações de milho. O número de países compradores passou de 63 para 69 no primeiro trimestre, ao mesmo tempo em que o mercado se tornou menos dependente de um único destino e mais diversificado. A liderança passou para o Egito, o Vietnã ganhou espaço entre os principais importadores e o Irã perdeu participação na pauta brasileira.

Foto: Claudio Neves
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que as exportações brasileiras de milho em grão classificadas sob o NCM 1005.90.10 movimentaram US$ 1,48 bilhão entre janeiro e março deste ano. O valor representa crescimento de 13,1% em relação ao mesmo período de 2025. Em volume, os embarques aumentaram 14,6%, passando de 5,88 milhões para 6,74 milhões de toneladas.
Além do aumento nas vendas, o resultado chama atenção pela redistribuição dos destinos. O Egito assumiu a liderança das compras, com importações de US$ 367,7 milhões, alta de 30% na comparação anual. Já o Vietnã registrou expansão de 257% nas aquisições e passou a integrar o grupo dos três maiores compradores do cereal brasileiro.
Em sentido contrário, o Irã reduziu sua participação nas exportações. Em 2025, o país concentrava 35,3% da pauta brasileira de milho. Neste primeiro trimestre, a fatia caiu para 20,9%. Segundo a análise dos dados, é a primeira vez que o Brasil encerra um trimestre sem depender fortemente de um único cliente externo.
A diversificação dos mercados é vista pelo setor como um fator positivo, mas também impõe novos desafios. Países importadores têm exigido padrões mais rigorosos de qualidade, rastreabilidade e conservação dos grãos, especialmente em relação às condições de armazenamento e ao controle de umidade.
Esse tema ganha relevância porque parte dos embarques enquadrados no NCM 1005.90.10 inclui lotes de milho de

Foto: Divulgação
pipoca a granel, uma cultura reconhecida pela maior sensibilidade às condições de pós-colheita. Nesses casos, pequenas variações no teor de umidade podem comprometer características essenciais do produto, como a capacidade de expansão dos grãos, a uniformidade dos lotes e a conservação durante o transporte.
O crescimento das exportações, portanto, amplia a discussão sobre a necessidade de investimentos em tecnologia e manejo pós-colheita. O controle adequado da umidade, a secagem eficiente e o armazenamento em condições apropriadas tornaram-se fatores estratégicos para garantir a qualidade dos grãos e atender às exigências de mercados cada vez mais competitivos.
Na prática, a expansão do número de compradores indica que o milho brasileiro ganhou espaço no comércio internacional. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de manter padrões elevados de qualidade para preservar a competitividade e ampliar a presença do país em mercados que valorizam regularidade de fornecimento e produtos com especificações cada vez mais rigorosas.

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Inteligência Artificial pode permitir simulação completa da safra antes do plantio
Da pulverização seletiva ao uso de gêmeos digitais, tecnologias já reduzem custos, aumentam a precisão das operações e prometem transformar a agricultura tropical nos próximos anos.

A inteligência artificial deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma ferramenta cada vez mais presente nas propriedades rurais brasileiras. Aplicações que vão desde a identificação de doenças em plantas até o monitoramento de rebanhos por drones já fazem parte da rotina do campo e apontam para uma nova etapa da agricultura tropical, baseada em dados, automação e previsibilidade.

Chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira: “Vamos usar a IA para olhar o presente e projetar o futuro, simulando quebras de safra e possíveis problemas. Isso traz uma realidade preditiva e muito mais rápida para o produtor brasileiro” – Foto: Divulgação/Embrapa Soja
O tema esteve no centro das discussões da Reunião de Pesquisa de Soja, realizada na última semana em Londrina (PR). Durante painel sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) na agricultura, o chefe-geral da Embrapa Agricultura Digital, Stanley Oliveira, apresentou um panorama das tecnologias já disponíveis e das transformações esperadas para os próximos anos.
Segundo ele, a corrida global pela IA no agro já tem protagonistas definidos. A China lidera o desenvolvimento de robôs agrícolas e o uso de constelações de satélites para monitoramento terrestre, enquanto os Estados Unidos concentram quase 40% das AgTechs do mundo. O Brasil, por sua vez, busca ocupar um espaço estratégico ao desenvolver soluções adaptadas às condições da agricultura tropical.
Entre as aplicações já disponíveis no país, Oliveira destacou a

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pulverização seletiva nas lavouras de soja, principal cultura agrícola brasileira. “Temos equipamentos que detectam a área com infestação de plantas daninhas e aplicam o herbicida de forma customizada. Um estudo de caso no Mato Grosso mostra que o retorno financeiro desse investimento se paga em apenas dois anos”, afirmou.
A tecnologia também tem ampliado a precisão das operações agrícolas. Sistemas de monitoramento por satélite e ferramentas de visão computacional já conseguem identificar culturas em tempo real e diferenciar, automaticamente, as plantas cultivadas das ervas daninhas.

Foto: Shutterstock
Na robótica agropecuária, os avanços seguem a mesma velocidade. Pequenos robôs já circulam por pomares realizando a contagem de frutas, como maçãs e laranjas, sem tocar nas árvores e com alto nível de precisão.
Uma fazenda virtual para prever o futuro
Se as aplicações atuais já chamam atenção, a próxima etapa promete mudanças ainda mais profundas. Oliveira projeta que, nos próximos cinco anos, a inteligência artificial permitirá a adoção em larga escala dos chamados “gêmeos digitais” (digital twins) nas propriedades rurais.
A tecnologia consiste em criar uma réplica virtual da fazenda, alimentada por dados de solo, clima, cultivares,

Foto: Divulgação/Freepik
máquinas e histórico produtivo. Com esse ambiente digital, o produtor poderá testar cenários, prever perdas e simular toda a safra antes mesmo do plantio. “Vamos usar a IA para olhar o presente e projetar o futuro, simulando quebras de safra e possíveis problemas. Isso traz uma realidade preditiva e muito mais rápida para o produtor brasileiro”, explicou.
A expectativa é que a inteligência artificial também acelere a pesquisa agropecuária. No melhoramento genético de plantas e animais, por exemplo, o cruzamento de grandes volumes de dados pode reduzir o tempo necessário para desenvolver novas variedades e linhagens mais produtivas e resistentes.
Desafios ainda limitam expansão
Apesar das perspectivas, a expansão da IA no campo ainda enfrenta obstáculos importantes. Entre eles estão a falta de mão de obra qualificada e o acesso desigual às tecnologias, especialmente entre pequenos e médios produtores.

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Segundo Oliveira, cerca de 80% dos produtores rurais brasileiros pertencem a esses dois grupos, o que torna a democratização das ferramentas digitais uma prioridade. “É preciso socializar o conhecimento técnico por meio de plataformas acessíveis, inclusive em parceria com as big techs”, afirmou.
A estratégia defendida pela Embrapa passa por três pilares: ampliar a digitalização das atividades rurais, automatizar o maior número possível de processos e reduzir o custo das tecnologias, tornando as soluções de inteligência artificial economicamente viáveis para um número maior de propriedades.
Para Oliveira, a adoção dessas ferramentas não deve ser vista como uma ameaça aos empregos no campo, mas como uma forma de aumentar a eficiência das operações. “Ao falar de IA não estamos dizendo que haverá redução de empregos, mas sim ganho de produtividade, redução de custos e mitigação de riscos. O produtor que antes fazia tudo de forma manual deve ser capacitado para usar a IA na linha de frente, otimizando os processos dentro da fazenda”, enfatizou.
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Agricultura regenerativa coloca saúde do solo no centro da produção
Pesquisadores e produtores relatam redução de custos, maior resistência a secas e doenças e ganhos econômicos em propriedades que adotam práticas voltadas à recuperação do solo.

A agricultura regenerativa ainda não possui uma definição única e universal, mas há um ponto de consenso entre pesquisadores: a recuperação da saúde do solo é a base para tornar os sistemas produtivos mais resilientes e eficientes. O tema esteve entre os destaques da Reunião de Pesquisa de Soja, promovida pela Embrapa Soja ma última semana em Londrina (PR), reunindo pesquisadores e produtores que já colocam esse conceito em prática.

Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Rodrigo Mendes: “A regeneração vai além de indicadores isolados e deve ser observada na capacidade do sistema agrícola responder aos desafios do ambiente” – Foto: Divulgação
Para o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Rodrigo Mendes, a agricultura regenerativa precisa ser avaliada por um conjunto de indicadores que vão além da produtividade. Entre eles estão a atividade microbiológica do solo, a presença de enzimas produzidas por microrganismos e estudos de sequenciamento do microbioma, capazes de revelar mudanças na diversidade microbiana ao longo do tempo. “A regeneração vai além de indicadores isolados e deve ser observada na capacidade do sistema agrícola responder aos desafios do ambiente”, afirma. “Essa agricultura apresenta maior resiliência aos estresses bióticos e abióticos, como ataques de doenças e períodos de seca. Nesse contexto, solos mais saudáveis contribuem para a estabilidade dos sistemas de produção”, acrescenta.
Segundo Mendes, a recuperação da biodiversidade microbiana é um dos caminhos para reduzir a dependência de defensivos químicos. Embora a substituição total ainda seja considerada um desafio, ele avalia que os bioinsumos têm potencial para ampliar sua participação nos sistemas produtivos. “A substituição dos defensivos químicos ainda é um desafio, mas considero os bioinsumos uma oportunidade para reduzir a dependência dos químicos”, afirma.
O pesquisador destaca ainda que, além dos ganhos ambientais, a agricultura

Foto: Luiz Renato
regenerativa pode trazer benefícios econômicos ao produtor. Entre eles estão a redução dos custos de produção e a maior resistência das lavouras a condições adversas. “Em períodos de estiagem, por exemplo, propriedades que adotam práticas regenerativas tendem a apresentar menor impacto produtivo em comparação aos sistemas mais convencionais”, observa.
Ele ressalta que os avanços da ciência têm permitido compreender melhor as relações entre plantas e microrganismos, abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento de sistemas agrícolas mais eficientes. “Esse conhecimento abre novas perspectivas para a construção de sistemas agrícolas mais produtivos, resilientes e sustentáveis, capazes de atender às demandas futuras da agricultura brasileira”, diz.
Ciência e produtores testam modelo no Cerrado
A aproximação entre pesquisa e campo é um dos pilares do Projeto Regenera Cerrado, apresentado durante o evento. A iniciativa reúne produtores rurais e pesquisadores de instituições de pesquisa para monitorar e validar práticas de agricultura regenerativa já adotadas em propriedades do sudoeste de Goiás.

Foto: Patryck Madeira
Segundo Priscila Terrazan, do Instituto Biosistêmico, o objetivo é avaliar, em condições reais de produção, se essas estratégias são economicamente viáveis e capazes de gerar ganhos produtivos. “A partir dos resultados obtidos, o projeto pretende disseminar conhecimentos e incentivar a adoção dessas estratégias por produtores de diferentes regiões do país”, afirma.
Os primeiros resultados já indicam efeitos positivos. De acordo com Priscila, os três primeiros anos de monitoramento mostraram ganhos econômicos em propriedades familiares de até 400 hectares quando comparadas a sistemas convencionais. “Os resultados apontam ganhos em comparação aos sistemas convencionais. A expectativa é que os próximos anos de pesquisa permitam compreender melhor esses sistemas e aprimorar sua eficiência econômica”, explica.
Na avaliação dela, um dos diferenciais do projeto é a participação direta dos agricultores na construção do

Foto: Manoel Ricardo
conhecimento. “Nesse modelo, o agricultor deixa de ser apenas receptor de tecnologia e passa a atuar como protagonista na construção do conhecimento”, ressalta.
Mais de dez anos de experiência no campo
Enquanto pesquisadores buscam ampliar as evidências científicas sobre a agricultura regenerativa, alguns produtores já acumulam mais de uma década de experiência com esse modelo.
É o caso do produtor Erik Van Den Broek, da Fazenda Tropical, em Rio Verde (GO). A propriedade cultiva cerca de 4 mil hectares de grãos por ano, principalmente soja e milho, além de integrar pecuária, horticultura e piscicultura.

Foto: Márcia Silveira
Segundo Broek, a agricultura regenerativa busca equilibrar o sistema produtivo por meio de práticas como o uso de biológicos, a produção de compostos orgânicos dentro da própria fazenda e o manejo sustentável do solo e das plantas. “O modelo não elimina o uso de defensivos químicos, mas prioriza a tomada de decisão baseada em monitoramento constante, análise de campo e critérios técnicos que permitam reduzir impactos ambientais sem comprometer a produtividade”, pontua.
Para ele, a principal mudança está na forma de conduzir a lavoura. Em vez de aplicações preventivas e decisões padronizadas, a estratégia passa a considerar o comportamento do ambiente e os processos naturais. “O objetivo é encontrar um ponto de equilíbrio em que não haja prejuízo econômico, ao mesmo tempo em que se preserva a biologia do solo e a sustentabilidade da produção”, salienta.
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Após veto ao PL dos Safristas, FPA acusa governo de dificultar políticas voltadas ao campo
Projeto permitia que trabalhadores temporários do campo mantivessem o Bolsa Família durante a safra. Bancada ruralista também critica bloqueio de R$ 461 milhões do seguro rural.

O veto integral do governo federal ao Projeto de Lei 715/2023, conhecido como PL dos Safristas, ampliou o embate entre o Palácio do Planalto e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A proposta previa que trabalhadores contratados temporariamente para atividades sazonais no campo pudessem manter o benefício do Bolsa Família durante o período de contratação formal.
Na justificativa encaminhada ao Congresso Nacional, o governo argumentou que a medida resultaria em “despesa obrigatória de caráter continuado”, o que motivou o veto integral ao projeto. A proposta havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados e tinha como objetivo estimular a formalização do trabalho temporário no campo. Pelo texto,

Deputado Rafael Pezenti (MDB-SC): “É bom para os trabalhadores safristas porque eles atuam na formalidade, amparados pela legislação” – Foto: Divulgação/FPA
os trabalhadores poderiam ser contratados com carteira assinada, garantindo direitos como FGTS, INSS, férias e 13º salário, sem perder o acesso ao programa social.
Para a Frente Parlamentar da Agropecuária, o veto representa um retrocesso e desestimula a formalização da mão de obra rural. O coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), afirmou que a medida traria benefícios tanto para os trabalhadores quanto para o próprio governo. “É bom para os trabalhadores safristas porque eles atuam na formalidade, amparados pela legislação. É bom para o governo porque passa a recolher tributo sobre esses contratos”, declarou.
O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), também criticou a decisão e defendeu que a proposta ampliaria a proteção social sem impedir a inserção dos trabalhadores no mercado formal. “Nós estamos garantindo que aquele trabalhador temporário, de safra, possa ter a carteira assinada e garantir o benefício social”, afirmou.

Presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR): “Nós estamos garantindo que aquele trabalhador temporário, de safra, possa ter a carteira assinada e garantir o benefício social” – Foto: Divulgação/FPA
O projeto recebeu apoio de diferentes partidos durante a tramitação na Câmara dos Deputados. Por isso, o veto causou reação dentro da bancada ruralista, que promete trabalhar pela derrubada da decisão presidencial no Congresso.
Relator da matéria na Câmara e coordenador da Comissão de Direito de Propriedade da FPA, o deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) disse que a medida prejudica trabalhadores e produtores rurais. “O governo jamais poderia vetar um projeto que permite remunerar melhor os trabalhadores rurais sem que eles percam o acesso aos programas sociais. Vamos trabalhar para derrubar esse veto”, afirmou.
Autor da proposta original, o deputado Zé Vitor (PL-MG) argumenta

Coordenador da Comissão de Direito de Propriedade da FPA, o deputado Evair de Melo (Republicanos-ES): “O governo jamais poderia vetar um projeto que permite remunerar melhor os trabalhadores rurais sem que eles percam o acesso aos programas sociais” – Foto: Divulgação/FPA
que a medida também poderia contribuir para reduzir a informalidade no campo e aproximar trabalhadores do mercado formal. “Isso gera qualificação de mão de obra, aproximação das pessoas ao mercado de trabalho e garante segurança aos produtores rurais que possam empregar sem o risco de se manterem na clandestinidade ou na informalidade”, disse.
Segundo o vice-presidente da FPA, senador Jaime Bagattoli (PL-RO), a proposta teria impacto em diversas cadeias produtivas que dependem de trabalhadores temporários, como a fruticultura e as culturas permanentes. “Nós vamos fortalecer a fruticultura no Vale do São Francisco, a colheita de café no Espírito Santo, em Rondônia e Minas Gerais, além da colheita de maçã e cebola em Santa Catarina. Vamos resolver um problema em diversos estados”, afirmou.

Deputado Zé Vitor (PL-MG): \”[Proposta] garante segurança aos produtores rurais que possam empregar sem o risco de se manterem na clandestinidade ou na informalidade” – Foto: Divulgação/FPA
Críticas se estendem a outras medidas
A reação da FPA ao veto do PL dos Safristas ocorre em um momento de tensão entre a bancada e o governo federal em torno de outras pautas ligadas ao agronegócio.
Nesta semana, o Senado aprovou o projeto que cria uma linha especial para renegociação de dívidas rurais. Apesar da aprovação, parlamentares afirmam que o governo já sinalizou a possibilidade de veto ao texto, o que aumentou a preocupação dentro da bancada.
Outro ponto de atrito é o bloqueio de aproximadamente R$ 461 milhões

Vice-presidente da FPA, senador Jaime Bagattoli (PL-RO): “[Com a proposta] vamos resolver um problema em diversos estados” – Foto: Divulgação/FPA
do orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O valor corresponde a uma parcela significativa dos recursos previstos para 2026 e, segundo entidades do setor, pode reduzir o alcance da política de gestão de risco no campo.
Para Rafael Pezenti, as decisões recentes indicam um distanciamento entre o governo e as demandas do setor agropecuário. “Em menos de uma semana, o governo Lula bloqueou mais de R$ 460 milhões do Seguro Rural e vetou o PL dos Safristas”, criticou.
A expectativa da FPA agora é articular apoio no Congresso Nacional para tentar derrubar o veto presidencial e manter a pressão sobre outras pautas consideradas prioritárias para o setor.



