Conectado com

Notícias

Brasil adicionou 22,8 milhões de toneladas de fósforo em seus solos nos últimos 50 anos

Esse legado de fósforo na terra, que hoje é avaliado em mais de U$ 40 bilhões, pode ajudar o Brasil a se precaver contra uma possível escassez futura do nutriente ou variações no preço do insumo

Publicado em

em

Estudo realizado por pesquisadores da Embrapa Solos(RJ) e de outras instituições brasileiras revela que quase metade do fósforo (P) aplicado na agricultura em forma de fertilizante inorgânico nos últimos 50 anos continua na terra. Cálculos apontam que um total de 45,7 milhões de toneladas, ou teragramas (Tg), de fósforo foi aplicado no Brasil desde 1960, quando começou a utilização regular desse insumo. Hoje, estima-se que 22,8 Tg desse montante continue fixado no solo.

Esse legado de fósforo na terra, que hoje é avaliado em mais de U$ 40 bilhões, pode ajudar o Brasil a se precaver contra uma possível escassez futura do nutriente ou variações no preço do insumo. Em 2008, por exemplo, o preço da rocha de fosfato aumentou 800% em um período de 18 meses.

Em 2050, serão 105 milhões de toneladas

Para avaliar esse recurso, foram examinadas as dinâmicas de fósforo em seis experimentos de longa duração (14 a 38 anos) em solos do Cerrado, onde se acredita que a maior parte da expansão e da intensificação da agricultura deve ocorrer. A estimativa é que o resíduo de fósforo em terras brasileiras possa chegar a 105 Tg em 2050.

O estudo, publicado na Nature Scientific Reports, no artigo Transitions to sustainable management of phosporus in Brazilian Agriculture (Transições para o manejo sustentável de fósforo na agricultura brasileira, tradução livre), chama a atenção para uma questão importante na discussão do excesso de uso do nutriente. O fósforo aplicado sucessivamente em solos brasileiros, principalmente na produção de grãos, desde 1970, aliado a práticas conservacionistas, como o plantio direto, gerou um legado, promovendo o acúmulo de um capital natural. “Nosso solo absorveu esse fósforo. Por isso, precisamos aplicá-lo cada vez em menor quantidade na terra, reduzindo seu uso na adubação”, revela Vinícius Benites, pesquisador da Embrapa Solos e um dos autores do artigo.

Controvérsias sobre o uso do fósforo

O estudo responde a diversas críticas de pesquisadores atuantes em países de agricultura de clima temperado. “Há aproximadamente dois anos, alguns cientistas de países do Hemisfério Norte começaram a questionar o que seria uma aplicação excessiva do fósforo na agricultura tropical, principalmente no Brasil”, lembra Benites. “Por lá, eles consideram o fósforo como um poluente, em vez de insumo. É necessário observar que nossos solos tropicais, para produzir, têm uma demanda muito maior de fósforo do que a terra de países de clima temperado”, completa.

Luís Prochnow, diretor geral do Instituto Internacional de Nutrição de Plantas no Brasil (IPNI), pondera: “Realmente existem trabalhos criticando alguns aspectos do uso de fósforo no Brasil. Tais argumentos se referem normalmente à grande quantidade que utilizamos para tornar a nossa agricultura eficiente e produtiva. Questiona-se algumas vezes se o custo [da aplicação de fósforo] não é muito elevado e se não estamos esgotando as reservas no mundo muito rapidamente”.

O professor Luciano Gatiboni, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) vê algumas contradições nas críticas. “É interessante observar que as reclamações sobre o uso do fósforo na agricultura brasileira têm vindo de países nos quais foram utilizados fertilizantes fosfatados por séculos e hoje boa parte dos seus solos apresentam teores excessivos desse elemento, valores tão altos que causam poluição ambiental. Obviamente, nessas condições, a eficiência da adubação é próxima a 100%, pois há tanto fósforo armazenado no solo pelas adubações anteriores que não há fixação. Então, eles criticam o Brasil por estar fazendo o que já foi feito no passado por eles", avalia.

Prochnow também discorda da argumentação dos pesquisadores europeus: “Temos que considerar que precisamos de fósforo em quantidades elevadas para construir a fertilidade dos nossos solos, mas temos uma agricultura muito eficiente, bem mais eficaz do que a das regiões temperadas”.

Manejo adequado manterá fósforo por muitas décadas

Um bom exemplo é que no Brasil é possível fazer dois ou mais cultivos ao ano em uma mesma área, realizando o manejo adequado com aplicação dos princípios fundamentais para uso de fertilizantes, conhecido como o conceito 4C: utilizar a fonte de fertilizante correta, na dose correta, no momento correto e no local correto. “Se o utilizarmos com sabedoria, teremos reservas de fósforo por muitas décadas. Ademais, tenho convicção de que serão estabelecidas formas eficientes de se reciclar esse nutriente. Isso será imperativo no futuro. Resumindo, não devemos confundir as coisas. Precisamos de agricultura forte no Brasil, que necessita de fósforo bem manejado. Isso é perfeitamente possível”, completa Prochnow.

O fósforo é elemento vital para a saúde e o vigor das plantas. Alguns fatores de crescimento associados ao fósforo são melhoria na qualidade da plantação, maior resistência a doenças e suporte ao desenvolvimento da planta por todo ciclo de vida. Além disso, ele está presente de modo intensivo na agricultura, na utilização do NPK, sendo um dos três nutrientes principais para as plantas, ao lado do nitrogênio e do potássio, na composição dos fertilizantes.

Esse debate se torna ainda mais importante diante da escassez do recurso, explica Benites: “Importamos metade do fósforo que utilizamos. Existem reservas de fosfato no Brasil, mas elas são compostas por minerais de menor qualidade, o que aumenta o custo da produção. Por essa razão, torna-se mais barato importá-lo. Ele é um elemento limitado. As grandes minas estão localizadas no norte da África, muitas em regiões de conflitos geopolíticos. Ainda existe fósforo suficiente para abastecer a agricultura por algum tempo. Porém, em breve, ele vai se tornar uma preocupação quando pensarmos na segurança alimentar no mundo”.

Fósforo secundário

A perspectiva de escassez leva os pesquisadores a alertar para a necessidade de se pensar em sistemas de produção que racionalizem o uso desse insumo. Uma alternativa abordada no artigo publicado na revista Nature é o uso do fósforo secundário, presente nos dejetos da produção animal ou nos resíduos do processamento da cana-de-açúcar, por exemplo. Esse material já é utilizado na Austrália. Estimativas indicam que o fósforo secundário pode suprir até 20% da demanda brasileira de grãos por volta de 2050, com investimento em tecnologias de recuperação do nutriente.

O diretor do IPNI acredita que o aproveitamento do fósforo secundário é uma possibilidade concreta. “Porém, ainda precisamos evoluir muito em tecnologia e em distribuição dessas fontes. A reciclagem de fósforo será fundamental em um futuro próximo e a viabilidade técnica será estabelecida, bem como existirão forças econômicas para que essas fontes possam ser utilizadas. É necessário que o País se preocupe e pesquise esse assunto. Alguns têm feito isso com clareza e da forma científica necessária”, declara Prochnow.

Luciano Gatiboni também tem uma visão otimista sobre o tema. “Acredito que o Brasil pode tranquilamente manter seu protagonismo como principal produtor de alimentos e bioenergia no futuro, sem críticas quanto à eficiência de uso de fertilizantes fosfatados, se conseguir usar eficientemente na agricultura as fontes secundárias de nutrientes com a inclusão de fertilizantes oriundos do reuso do fósforo. Melhor ainda se conseguirmos desenvolver tecnologias para usar pelo menos parte do fósforo fixado no solo e acumulado pelo histórico de adubações”, sugere o professor da Udesc.

Alguns países, como Cuba e China, buscaram uma saída mais radical e usam no campo o fósforo presente nos dejetos humanos, já que 80% do fósforo ingerido é excretado.

Fonte: Embrapa Solos

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 + 11 =

Colunistas Opinião

ICMS dos combustíveis de 29% para 17%: uma luz

É preciso criar políticas públicas que sejam assertivas para reduzir a inflação no país e diminuir os gastos dos brasileiros com itens essenciais.

Publicado em

em

Giuliano De Luca/OP Rural

O preço dos combustíveis tem sido um dos maiores vilões do brasileiro há um bom tempo. Os aumentos sucessivos registrados nos postos tornou a ação de encher o tanque praticamente uma ostentação. Pior que isso, a inflação dos combustíveis tem um efeito cascata, que desemboca nos alimentos, roupas, equipamentos, em tudo o que a sociedade consome, degradando a renda do brasileiro como fungo no pão velho.

Não resta dúvidas que os combustíveis são essenciais para viver em sociedade, assim como a energia elétrica, o gás natural, comunicações e transporte coletivo. São coisas básicas que fazem parte da natureza da vida em sociedade. Sem esses bens, praticamente nada do que se faz hoje existiria.

Mas, para a legislação brasileira, até agora, esses bens são considerados supérfluos. Ou seja: dispensáveis, desnecessários, entre outros sinônimos. No entanto, uma luz.

A Câmara dos Deputados aprovou, e agora segue para o Senado, o projeto que torna esses itens essenciais e necessários, impedindo que Estados cobrem taxa superior à alíquota geral do ICMS, que varia entre 17% e 18%. Ou seja, teórica e tecnicamente, caso aprovado e sancionado, o brasileiro vai começar a pagar menos impostos nesses itens essenciais.

No Paraná, para se ter uma ideia, o ICMS sobre os combustíveis é de 29%. Cairia pelo menos em 11%, o que reduziria substancialmente o preço pago na bomba do posto. Além disso, o projeto pode reduzir os gastos na hora de cozinhar, tomar um banho quente ou até mesmo fazer uma viagem de avião.

O projeto é uma iniciativa do governo federal e seus aliados para tentar reduzir a inflação no Brasil, além, é claro, de colaborar com as famílias brasileiras, reduzindo o peso dessas contas básicas no salário do mês.

Muitos vão dizer que o projeto é uma manobra para garantir a reeleição do presidente Jair Bolsonaro, outros vão dizer que o problema do preço dos combustíveis é a política de preços da Petrobras, que segue o mercado internacional, ao invés de cobrar pelo que gasta para extrair mais algum lucro. E essas pessoas até podem ter razão.

Mas o fato é que reduzir o preço dos combustíveis e da energia elétrica são uma necessidade extrema e urgente para o Brasil. Esses dois itens têm elevado a inflação vertiginosamente nos últimos meses. É preciso criar políticas públicas que sejam assertivas para reduzir a inflação no país e diminuir os gastos dos brasileiros com itens essenciais, como alimentos, combustíveis e energia elétrica.

O cenário está longe do ideal, mas é importante comemorar cada avanço que o Brasil dá para tentar sair desse atoleiro. É muito complexo sair de uma situação de inflação, de preços nas alturas, mas parado não dá pra ficar.

A sociedade brasileira tem que comemorar cada avanço (ainda não foi sancionado), mas especialmente cobrar ainda mais atitudes em prol da sociedade. É preciso agir, com pulso firme e coerência, para equilibrar precisamente a arrecadação dos governos e a renda da população brasileira.

Fonte: Por Giuliano De Luca, editor do Jornal O Presente Rural
Continue Lendo

Colunistas Artigo

O negacionismo contra o agro tecnológico

Há duas espécies de negacionistas que desmerecem a moderna agropecuária no Brasil. Uma é formada por economistas ortodoxos. Outra pela esquerda caviar. Ambas ofendem a evolução tecnológica.

Publicado em

em

Divulgação

Mesmo com dinamismo do agro puxando desenvolvimento de importantes setores secundários, ainda há economistas ortodoxos. Há duas espécies de negacionistas que desmerecem a moderna agropecuária no Brasil. Uma é formada por economistas ortodoxos. Outra pela esquerda caviar. Ambas ofendem a evolução tecnológica.

Nesse artigo, vou tratar dos primeiros. Depois, falo dos ideólogos do atraso.

Certos economistas do século passado, ligados ao pensamento tradicional, teimam em analisar o agronegócio como se a agricultura ainda funcionasse isolada na economia. Chamam-na de “setor primário”. Baseados no problema chamado de “doença holandesa”, criticam a “comoditização” da economia brasileira. Dizem que levará ao atraso do país.

Conforme relatada na literatura econômica, a doença holandesa é definida como a valorização permanente da taxa de câmbio de um país, devido à existência de vantagens comparativas naturais que favorecem suas exportações primárias.

Chama-se “holandesa” por ter sido analisada, inicialmente, na economia dos Países Baixos, onde a descoberta e exportação de gás natural no Mar do Norte apreciou o câmbio e prejudicou a indústria manufatureira do país. Isso ocorreu nos anos 1960.

O tempo passou, entramos na era tecnológica. Em pleno século 21, porém, os economistas ortodoxos ainda utilizam a teoria das vantagens comparativas– idealizada por David Ricardo em 1817– para condenar a exportação considerada “primária”.

Aonde está o equívoco?

No fato de que a competitividade agrícola do Brasil, frente ao mundo, não depende mais de “vantagens naturais”, mas sim de fortíssimos investimentos realizados no processo tecnológico de produção do agro.

Estudos referenciados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Ministério da Agricultura e Embrapa, elaborados por especialistas como José G. Gasquez, José Eustáquio R. Vieira e Eliseu Alves, mostram que a tecnologia passou, há 40 anos, a ser a variável básica para explicar, em 60%, o crescimento da produção rural no Brasil; o fator terra caiu para 20%, idem o fator trabalho.

Quer dizer, resumindo a história: cada tonelada de grão, ou carne, ou celulose e algodão, frutas ou o que for, oriundo do agro e exportado pelo país, contém tanta tecnologia nela embutida quanto um bem manufaturado. Ou muitas vezes mais.

Todo um pacote tecnológico elevou fortemente a produtividade da agropecuária: variedades de plantas geneticamente adaptadas aos trópicos, raças e cruzamentos de animais precoces e super produtivos, controle fitossanitário rigoroso, correção e fertilização do solo, maquinários controlados por GPS e gestão sustentável. A média de crescimento da PTF (Produtividade Total dos Fatores) foi de 3,8% a.a nos últimos 20 anos.

Conclusão: é grave erro, conceitual e metodológico, tratar os produtos da exportação do atual agronegócio como os daquela época do modelo exportador de açúcar colonial ou do café latifundiário.

Se a indústria ficou para trás, o problema nada tem a ver com as exportações agrícolas, mas com sua incapacidade de inovação tecnológica. Preferiu depender de benefícios públicos para manter competitividade. E perdeu. …

O agro, pressionado pelos acordos de livre comércio da OMC (Organização Mundial do Comércio) desde a rodada Doha, conseguiu alterar a política agrícola, a partir da estabilidade trazida pelo Plano Real, e correu atrás da produtividade, contando com a ajuda das incríveis “Embrapas” da vida.

Nos complexos produtivos atuais, onde se mescla o campo com a cidade, pode-se até dizer que a equação histórica do desenvolvimento se inverteu: é o dinamismo do agro, impulsionado pelas exportações, que puxa importantes setores secundários e terciários da economia.

A realidade está aí para comprovar: o agronegócio se tornou o melhor negócio do país

Fonte: Por Xico Graziano, Conselheiro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS)
Continue Lendo

Notícias Área livre de febre aftosa sem vacinação

Governo e entidades do setor produtivo trabalham intensamente na proteção sanitária do Paraná

Estado completou um ano da certificação de área livre de febre aftosa sem vacinação, chancelada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em maio deste ano. Com o selo, o mercado torna-se mais favorável para vendas de proteína animal a outros países.

Publicado em

em

Fotos: Jonathan Campos/AEN

O Paraná completa nesta sexta-feira (27) um ano da certificação de área livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de uma luta de mais de 50 anos do Governo do Estado e do setor produtivo. O status sanitário foi confirmado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), na 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da OIE, realizada em maio do ano passado em Paris, na França.

Maior produtor e exportador de proteína animal do País, com liderança em avicultura e piscicultura, o reconhecimento internacional tem contribuído para a abertura de mercados para a carne paranaense e outros produtos de origem animal, com a possibilidade de comercialização a países que pagam melhor pelo produto, como Japão, Coreia do Sul e México.

“Nossos rebanhos já não são mais vacinados e há anos o vírus não circula mais no Estado. Com o apoio das entidades do setor produtivo, organizamos toda a estrutura de sanidade animal. Esse reconhecimento vai ajudar a abrir mercado para a carne produzida no Paraná, ampliando os investimentos no Estado, que vão gerar mais emprego e renda para a população”, afirmou o governador Carlos Massa Ratinho Junior.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Aparecido Calegari, a parceria entre iniciativa privada e Estado foi essencial para conseguir a conquista. “Graças ao esforço do Governo e aos parceiros do setor produtivo, comemoramos um ano da certificação internacional. O esforço coletivo proporcionou avanços e benefícios, uma vez que esse reconhecimento abre mais mercados para a carne produzida no Paraná”, disse.

“O Estado do Paraná é o maior produtor de proteína animal do País, sendo grande parte produzida pelos agricultores familiares. Eles fazem parte dessa grande engrenagem de sucesso, mantendo seus rebanhos e criações saudáveis, seguindo todas as recomendações sanitárias e, agora, atualizando seus rebanhos para garantir o status conquistado”, completou.

Ágide Meneguette, presidente do Sistema Faep/Senar, afirma que os resultados estão aparecendo e muitos investimentos e sinalizações de novos mercados já estão sendo estruturados no Paraná, como, por exemplo, a construção do novo frigorífico da Frimesa, em Assis Chateaubriand. Além disso, ele explica que o diálogo da entidade é constante com os produtores e que toda a produção foi valorizada um ano após o reconhecimento internacional.

“Percebemos que o produtor rural paranaense está cada vez mais engajado em crescimento, alavancado pelo status sanitário”, afirmou.

Além disso, explica Meneguette, outro impacto positivo do status sanitário foi a redução de custos para o produtor e a possibilidade de mudar o foco para outras áreas da produção. “A dose da vacina de febre aftosa variava no Estado, na média de R$ 1,20. A economia não vem somente no valor de doses, mas no envolvimento de todo o processo: diminui mão de obra; reduz o gasto com insumos, como seringas, pistolas automáticas e agulhas; diminui as lesões ocasionadas pela vacina. É uma economia significativa no protocolo sanitário da propriedade”, disse.

Essa redução, segundo ele, é mais uma oportunidade para o pecuarista dedicar mais atenção em outros âmbitos produtivos ou até mesmo em outras doenças, a exemplo da brucelose e tuberculose.

Novos Negócios

Alexandre Monteiro, médico veterinário e analista da Gerência de Desenvolvimento Técnico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), explica que a conquista internacional foi um passo importante para a produção agropecuária, principalmente para as cooperativas e, um ano após a conquista, o setor produtivo de proteína animal já se prepara para abrir caminho a um novo patamar de produção e exportação.

“As cooperativas têm investido bastante no relacionamento com os parceiros comerciais e na prospecção dos novos mercados”, disse.

Segundo ele, nesse primeiro ano, tem sido feita uma mobilização forte com países como Japão e Coreia do Sul, que não estavam abertos. “As cooperativas têm feito um trabalho forte de aproximação desses mercados e têm tido alguns avanços comerciais. Temos condições de manter isso e ampliar a exportação para novos mercados e alcançar novas oportunidades comerciais”, completou.

O selo ainda trouxe mudanças no trabalho das cooperativas, principalmente em relação no sentido sanitário. “Elas têm intensificado os trabalhos de prevenção, sempre orientando os seus produtores, fazendo um trabalho de fomento a campo e incentivando a manutenção desse status, porque depois da conquista tem a manutenção”, acrescentou.

Para Irineo da Costa Rodrigues, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), o momento é de comemorar, já que o selo favorece também a abertura aos mercados estrangeiros até mesmo para a avicultura, que não é diretamente afetada pela febre aftosa.

“A avicultura não é afetada por essas doenças, No entanto, quando temos uma área livre de aftosas sem vacinação isso mostra que o Estado está organizado, tanto pela área pública como pela iniciativa privada, que fez um trabalho em conjunto. Se o Estado é eficiente contra a febre aftosa, é claro que é eficiente também na sanidade que poderia afetar a avicultura”, destacou.

Vigilância

Desde que o último foco da doença foi confirmado, em 2006, o governo estadual e o setor produtivo se organizaram para melhorar a estrutura sanitária paranaense, o que incluiu a criação da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), o reforço da fiscalização nas divisas e o controle dos rebanhos. A imunização contra a aftosa foi interrompida em 2019 e a campanha de vacinação, que acontecia duas vezes por ano, foi substituída pela de atualização de rebanhos. O cadastro é obrigatório para garantir a rastreabilidade e a sanidade dos animais.

Isso só foi possível graças a um extenso inquérito epidemiológico, com coletas de amostras de sangue de quase 10 mil animais em 330 propriedades rurais, provando que o vírus já não circula no Paraná. Agora, 25 médicos veterinários e 13 técnicos de manejo e meio ambiente vão reforçar o trabalho permanente de controle da Adapar.

“Tivemos uma mudança em todo nosso sistema. Passamos de uma situação de fazer vacinação para fazer vigilância sanitária, o que nos permite acompanhar atentamente todos os rebanhos do Paraná. Em maio e junho tem a atualização de rebanho. Estamos fazendo essa vigilância, a partir da retirada da vacina, reforçando nosso quadro com médicos veterinários, e técnicos”, explicou o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins.

“Fazemos um apelo aos produtores, é muito importante que façam a atualização, compareçam às nossas unidades, e hoje pode ser feito pelo aplicativo, internet, escritórios dos municípios, sindicatos rurais. É importante sabermos quantas cabeças temos para que essa vigilância seja efetiva”, destacou.

“Vemos a importância desse trabalho desenvolvido pela Adapar. As cooperativas vêm apoiando essas campanhas de cadastramento do rebanho, orientando seus produtores, e incentivando essa atuação. O cadastramento é fundamental para termos o controle e o cuidado com a produção do nosso Estado. A produção pecuária é o bem de maior valor e no sentido sanitário”, complementou Monteiro, da Ocepar.

Produção

Em 2021, o Estado produziu mais de 6,2 milhões de toneladas de carne de porco, boi e frango. O Estado é responsável por 33,6% da produção nacional de frango e 22% em piscicultura de cultivo, liderando os setores.

Também ocupa o segundo posto em relação à carne suína, com 21% da produção brasileira e mantém a vice-liderança na produção de leite (13,6%) e ovos (9%). A expectativa com a abertura de mercados é que o Estado atinja a liderança nacional na produção de suínos.

Para o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara, o principal recado que o Paraná passa é mostrar ao mundo uma estrutura produtiva mais desenvolvida e sadia, com um serviço de inspeção sanitária de qualidade. “Tudo isso vai refletir em novos negócios e na geração de empregos, que foi o motivo para lutarmos por essa chancela. O aumento na produção, com a expansão de novas plantas e abertura de mais turnos, significa mais gente trabalhando”, afirmou.

Fonte: AEN Paraná
Continue Lendo
Yes 2022

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.