Bovinos / Grãos / Máquinas
Brahman anuncia campeões da 90ª ExpoZebu
Raça foi a única a contar com dois tipos de julgamento na exposição, chamando atenção dos jurados pela evolução, principalmente em funcionalidade.

A 90ª ExpoZebu, principal exposição de raças zebuínas do mundo, terminou no último domingo, 4 de maio, em Uberaba (MG), evidenciando o avanço genético do zebu brasileiro. A raça Brahman, única a contar com dois tipos de julgamento na exposição, chamou a atenção dos jurados pela evolução, principalmente em funcionalidade. “A raça deu um salto grande na parte funcional, com animais precoces, de biotipo mais equilibrado e de bons aprumos, mas sem perder a caracterização racial. Esse avanço é de suma importância para a pecuária comercial, pois garante uma genética dentro do padrão que o mercado de carne vem exigindo”, assegura o jurado Carlos Alberto de Souza Celestino.
Ele foi responsável tanto pela escolha dos campeões da modalidade Brahman a Campo quanto do Julgamento de Pista. “Apesar de serem modalidades com preparação diferente, os animais de ambas mostraram uma morfologia bem próxima, biotipo frigorífico similar, dentro do padrão racial. É o que realmente desejamos dentro de uma raça, que pista e campo sigam na mesma direção. Essa evolução tem refletido inclusive no mercado internacional, pois o Brahman brasileiro é muito valorizado lá fora”, acrescenta Celestino, que tem vasta experiência no julgamento de Brahman, dentro e fora do Brasil.
Nesta edição histórica da ExpoZebu, a Fazenda Terra Verde, de Marília/SP, alcançou o importante feito de ter animais campeões em ambas as disputadas, levando para casa os Grandes Campeonatos de Macho e Fêmea na modalidade Pista e o Grande Campeonato de Machos na modalidade Campo, além de outras premiações. A propriedade pertence ao criador Clodoaldo Sergio Bendilatti.
Na pista, o Grande Campeão foi MR Terra Verde 1886 e a Grande Campeã foi MS Terra Verde 1824. A Reservada Grande Campeã também pertence ao criatório: MS Terra Verde 1779. A fazenda ainda levou o prêmio de Grande Campeão Brahman a Campo com o touro MR Terra Verde 2125 e o de Reservada Grande Campeã Brahman a Campo com a fêmea MS Terra Verde 1764 FIV. Ele ainda foi o Melhor Expositor e Melhor Criador de Brahman de Pista e Melhor Expositor e Melhor Criador do Brahman a Campo.
Outra fazenda que conseguiu premiações importantes na ExpoZebu foi a Agropecuária W2R, de Pardinho/SP, do expositor Wilson Roberto Rodrigues. Ela venceu no Brahman a Campo, com a Grande Campeã Miss W2R POI 1526 e Reservado Grande Campeão MR W2R Royal 1644, e na categoria Modelo Frigorífico sendo conquistada pelo Campeão MR W2R Espião 1651.

Presidente da ACBB, Gustavo Rodrigues
A Fazenda Portobello, de Mangaratiba/RJ, que pertence ao Resort Portobello Ltda., conquistou o título de Reservado Grande Campeão Pista com o touro MR 3770 Portobello.
Durante a ExpoZebu, a raça Brahman teve o Leilão Brahman Portobello e Terra Verde, ocorrido no dia 02 de maio, que atingiu R$ 730 mil em comercialização de animais.
De acordo com o presidente da ACBB, Gustavo Rodrigues, a 90ª ExpoZebu foi uma vitrine importante para a raça, com diversas comitivas estrangeiras visitando o estande da entidade no interior do parque. “Nos próximos meses, a raça estará presente em vários eventos, dentre eles a 5ª Prova de Performance e Desempenho da Raça Brahman/BoicomBula, que começa agora em maio, em Botucatu (SP), e a Feicorte 2025, onde os visitantes poderão participar da degustação de carne Brahman”, finaliza Rodrigues.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Exportações de lácteos caem em janeiro e déficit supera US$ 71 milhões
Leite em pó lidera compras externas, e queijos registram alta de quase 18% nas importações.
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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso
Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.
O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.
Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.
Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.
Como funciona o programa
Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).
Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.
O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.
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Nova ferramenta digital busca aumentar produtividade na pecuária de corte
Sistema de apoio à decisão analisa rebanhos estabilizados e transforma dados técnicos em projeções práticas para o campo.

O Simulador Pecuaria.io, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul (RS), pretende impactar a gestão da pecuária de corte ao oferecer simulações gratuitas e intuitivas que ajudam o produtor a entender, na prática, como cada decisão de manejo impacta a produtividade e o resultado econômico da fazenda. A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet, e permite comparar cenários, projetar indicadores zootécnicos e planejar investimentos, tornando a gestão do rebanho mais estratégica, previsível e eficiente.

A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet – Foto: Divulgação
Segundo Vinicius Lampert, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, o projeto foi concebido como um sistema de apoio à decisão (SAD), com base em indicadores zootécnicos e econômicos que traduzem informações complexas em resultados práticos. “A proposta é permitir que o produtor simule diferentes cenários zootécnicos do rebanho e compreenda como ajustes em alguns indicadores influenciam a eficiência produtiva e financeira da pecuária”, reforça.
Lampert destaca que a ferramenta analisa o desempenho da fazenda em rebanhos estabilizados, especialmente em sistemas de ciclo completo (do nascimento ao abate). Na prática, rebanhos estabilizados referem-se a sistemas fechados e em equilíbrio, onde a proporção de cada categoria animal reflete diretamente as taxas de nascimentos, mortes e vendas da própria propriedade, sem a necessidade de comprar gado externo. Em breve será lançada também uma versão específica para ser utilizada em sistemas de cria (produção de bezerros). “Trata-se de uma ferramenta que combina simplicidade, embasamento científico e aplicabilidade direta no campo”, ressalta Lampert.
Já para Thomás Capiotti, diretor-executivo da Inovatech, a inovação trazida pelo projeto é sem precedentes. “Uma métrica que mostra claramente que estamos no caminho certo é que, após uma palestra que ministramos na Expointer 2025, usuários de 14 estados passaram a utilizar a plataforma Pecuaria.io em menos de um mês. Participei de eventos de inovação em diversos lugares e afirmo, com convicção, que o que estamos construindo aqui é revolucionário. Estou certo de que estamos resolvendo uma dor real do mercado com esta AgTech, que tem um potencial de escalabilidade gigantesco. O agro brasileiro representa um terço do PIB e alimenta cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo. Trazer inovação para um setor tão estratégico é, sem dúvida, uma oportunidade transformadora para o Brasil”, destacou.
Para Lampert, a ferramenta representa um avanço significativo para a adoção de tecnologias digitais na pecuária de corte. “Com ela, buscamos aproximar a ciência da rotina de gestão das fazendas. É um simulador que combina simplicidade de uso com embasamento técnico sólido, permitindo avaliar resultados e planejar melhorias com mais segurança”, ressalta.
O objetivo é facilitar o planejamento estratégico e reduzir as incertezas da gestão produtiva ao conectar informações técnicas e econômicas de forma prática e visual. “O Simulador Pecuaria.io, é um exemplo de como a tecnologia pode ser usada para profissionalizar a pecuária, tornando a gestão mais previsível, sustentável e rentável”, enfatiza o pesquisador.
Desafio da produtividade no campo
Apesar da relevância econômica da pecuária de corte no Brasil, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à baixa produtividade por hectare. Segundo Lampert, isso se deve, em grande parte, à dificuldade em avaliar o efeito integrado de decisões de manejo, como ajustes na taxa de desmame, idade de abate e acasalamento ou na capacidade de suporte das pastagens.
O pesquisador observa que, muitas vezes, o produtor tem acesso aos dados, mas falta uma ferramenta que traduza essas informações em projeções claras sobre o impacto na produção a partir de dados reais por ele informados. “O Simulador Pecuaria.io foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna”, finaliza o pesquisador.






