Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Braford avança no cruzamento industrial e amplia presença na pecuária de corte

Raça sintética formada por Hereford e zebuínos combina adaptação ao clima tropical, precocidade e qualidade de carcaça, impulsionando sua presença em diferentes regiões do país.

Publicado em

em

Fotos: Lucas Nunes

Rusticidade, adaptação ao clima tropical e qualidade de carcaça têm impulsionado o avanço da raça Braford na pecuária brasileira. Composta predominantemente por sangue Hereford e zebuíno, no padrão mais difundido de 5/8 Hereford e 3/8 zebuíno, a raça reúne a adaptabilidade dos bovinos tropicais à precocidade, à docilidade e ao padrão de carcaça das linhagens britânicas. O resultado é um animal que transita com facilidade entre diferentes sistemas de produção e regiões do País.

Médico-veterinário, produtor rural e presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Eduardo de Souza Soares: “O Braford se adaptou aos mais variados ambientes do nosso país. Entrega rentabilidade em sistemas pastoris e também responde muito bem quando inserido em sistemas de confinamento ou de terminação intensiva em cocho”

O médico-veterinário, produtor rural e presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), Eduardo de Souza Soares afirma que a versatilidade é a principal marca do Braford. Segundo ele, se trata de um animal de porte moderado, manso e com carcaça alinhada às exigências da exportação. “O Braford se adaptou aos mais variados ambientes do nosso país. Entrega rentabilidade em sistemas pastoris e também responde muito bem quando inserido em sistemas de confinamento ou de terminação intensiva em cocho”, afirma.

Hoje, a raça está presente em praticamente todas as regiões brasileiras, com criadores em Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Sergipe, além da forte base da criação na região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul.

De acordo com Soares, o Braford ganhou escala por meio do cruzamento industrial com outras raças zebuínas, agregando desempenho produtivo e valorização comercial aos bezerros. A demanda crescente por carne de maior valor agregado tem impulsionado esse movimento. Diante de um consumidor mais exigente e disposto a pagar por qualidade, cresce cada vez mais a procura por animais com genética britânica na composição, reconhecida mundialmente pela maciez e pelo padrão de carcaça. “O mercado hoje paga por qualidade. Os frigoríficos estão buscando cada vez mais animais que entreguem padrão de carcaça e maciez, e isso está diretamente ligado à genética britânica. Quando o produtor usa o Braford no cruzamento, ele aumenta a produtividade e consegue vender seus terneiros e bezerros com maior valor agregado”, atesta o presidente da ABHB.

Melhoramento acelera ganhos produtivos

O crescimento da raça também está associado ao investimento em genética. O programa de melhoramento conduzido pela associação fornece avaliações zootécnicas aos criadores, complementando a seleção visual tradicional. Além disso, a ampla disseminação da transferência de embriões e das fertilizações in vitro acelerou o ganho genético da raça nos últimos anos.

Foto: Divulgação/Fazenda Basso Pancote

Segundo o presidente da ABHB, a combinação de ferramentas reprodutivas e critérios técnicos de seleção elevou o padrão dos rebanhos e contribuiu para consolidar o Braford como alternativa tanto para produção de genética quanto para fornecimento de animais comerciais.

A estratégia se conecta diretamente ao mercado de carne certificada. O Programa Carne Certificada Braford, coordenado pela entidade, foi o primeiro do gênero no Brasil. A proposta é garantir ao consumidor a procedência e a padronização da carne identificada com a marca da raça. “Quando o consumidor reconhece que há certificação e padrão de qualidade dentro da embalagem, a demanda cresce. E isso vem se intensificando nos últimos anos”, salienta Soares.

Modelo de seleção no Rio Grande do Sul

Na prática, a evolução genética da raça pode ser observada em propriedades como a Fazenda Basso Pancotte, em Soledade (RS). O empreendimento iniciou as atividades em 2006, sob comando de Neide Basso e Jair Pancotte, com a proposta de construir um modelo de criação focado em alto desempenho.

De acordo com o médico-veterinário da fazenda, Daniel Borelli, o trabalho começou com a raça Angus e forte investimento em inseminação artificial e transferência de embriões. O desempenho em exposições como a Expointer e a Exposição de Uruguaiana consolidou o foco em melhoramento genético.

Com o tempo, o mercado passou a demandar animais mais adaptáveis a diferentes condições climáticas. Foi nesse contexto que a fazenda incorporou embriões de Brangus e Braford ao plantel. “Nos últimos 10 anos, o salto da raça Braford dentro da propriedade foi muito expressivo”, afirma Borelli.

Segundo ele, a procura por material genético cresceu à medida que os pecuaristas perceberam a versatilidade da raça. Hoje, a fazenda comemora resultados em exposições internacionais e a produção de animais comerciais destinados ao cruzamento industrial.

Manejo e adaptação

Por ser uma raça sintética, resultado da combinação de duas linhagens puras, o Braford herdou características que facilitam o manejo. “A influência zebuína, com contribuição de raças como Brahman, Nelore e Tabapuã ao longo do processo seletivo, garante pelo fino e maior resistência a parasitas em regiões quentes”, ressalta Borelli.

Médico-veterinário da Fazenda Basso Pancotte, Daniel Borelli: “ A influência zebuína, com contribuição de raças como Brahman, Nelore e Tabapuã ao longo do processo seletivo, garante pelo fino e maior resistência a parasitas em regiões quentes” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Ele ainda destaca que o controle de carrapatos, por exemplo, tende a ser mais simples em comparação a raças exclusivamente britânicas. “A docilidade transmitida pelo Hereford também favorece a condução dos animais. Na Fazenda Basso Pancotte, o manejo é realizado a pé, sem registros de problemas de temperamento”, pontua.

A mobilidade do rebanho, aliada à fertilidade e à precocidade de carcaça, completa o conjunto de atributos que têm sustentado a expansão da raça. Para os criadores, se trata de um equilíbrio entre produtividade e adaptação às condições tropicais.

Com presença consolidada no Sul e avanço no Centro-Oeste e no Sudeste, o Braford se firmou como ferramenta estratégica tanto para programas de cruzamento quanto para atender a um mercado que paga mais por carne com origem e padrão definidos. A combinação entre genética, certificação e adaptação ambiental explica o momento favorável da raça no campo brasileiro.

Braford nasce da adaptação ao clima e ganha escala na pecuária brasileira

A formação da Braford no Brasil não foi resultado de um experimento isolado, mas de uma resposta técnica a um problema produtivo. Nos campos do Sul, criadores buscavam um bovino que mantivesse o padrão de carne europeu e, ao mesmo tempo, suportasse calor, radiação solar intensa e pressão de parasitas.

O ponto de partida foi o cruzamento entre Hereford e zebuínos. No fim da década de 1960, nasceram, em Rosário do Sul (RS), na Fazenda Santa Clara, de Rubem Silveira Vasconcelos, os primeiros animais oriundos do acasalamento entre Hereford e Tabapuã. Em Uruguaiana (RS), outros criadores utilizavam inseminação de vacas Hereford com Nelore. As iniciativas tinham motivações convergentes como rusticidade, pigmentação ocular e maior capacidade de adaptação sem abrir mão da qualidade da carcaça.

Inicialmente o resultado do cruzamento que deu origem à raça chegou a ser chamada de Pampiana, ajustado aos campos de basalto da fronteira Oeste gaúcha, onde o verão impõe temperaturas elevadas e luminosidade intensa. A consolidação técnica, porém, exigia padronização.

Foi no início dos anos 1980 que a Associação Brasileira de Hereford e Braford, em parceria com a Embrapa Pecuária Sul, iniciou um trabalho de orientação aos criadores para unificar critérios de formação. Nesse momento, a raça passou a adotar o nome Braford, alinhado ao padrão internacional.

O reconhecimento oficial veio em duas etapas. Em 1993, o Ministério da Agricultura e Pecuária enquadrou a Braford como raça em formação. A oficialização definitiva ocorreu 10 anos depois, com a publicação da Portaria nº 587, de 05 de junho de 2003. A formalização, na prática, consolidou um processo que já estava sedimentado a campo.

A base genética mais difundida se tornou o chamado padrão Mercosul, com 3/8 de sangue zebuíno e 5/8 Hereford. A pelagem conhecida como ‘camiseta’ com corpo vermelho, cara branca e pigmentação ao redor dos olhos, se tornou identidade visual da raça e resposta objetiva à incidência solar.

Do zebuíno, a Braford incorporou rusticidade e resistência a ectoparasitas. Do Hereford, herdou fertilidade, habilidade materna, temperamento e qualidade de carne. A síntese se traduz em carcaças com boa cobertura de gordura e marmoreio, atributo diretamente associado à maciez.

Em sistemas intensivos ou em confinamento, os animais podem ser abatidos entre 14 e 18 meses, com pesos que variam de 380 a 480 quilos, dependendo do manejo alimentar. A precocidade ampliou o uso da raça também no cruzamento industrial, estratégia que impulsionou sua presença para além do Sul.

Hoje, a Associação Brasileira de Hereford e Braford é a certificadora exclusiva de reprodutores e matrizes Braford no país, mantendo controle genealógico e diretrizes de seleção. A raça está distribuída em diferentes regiões brasileiras e avança em mercados externos, sustentando a reputação de carne de qualidade associada à adaptabilidade.

A trajetória da Braford evidencia um movimento clássico da pecuária nacional: a partir da necessidade ambiental, estruturar tecnicamente a solução e, por fim, institucionalizar o modelo produtivo. O que começou como ajuste genético regional tornou-se um ativo estratégico na bovinocultura de corte brasileira.

Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Preço médio da carne bovina exportada sobe 14,6%

Faturamento cresce 29% e China já utiliza 43% da cota anual livre de tarifa adicional.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina in natura somaram 233,79 mil toneladas em março, alta de 8,95% sobre igual mês de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos. Em receita, o avanço foi mais intenso: 29,14%, alcançando US$ 1,36 bilhão.

O resultado confirma uma mudança de ritmo observada no primeiro trimestre. Em janeiro e fevereiro, o crescimento do volume havia sido de 28,7% e 24%, respectivamente, na comparação anual. Já em março, a expansão física perdeu força, mas a valorização do preço médio em dólar compensou. A alta da arroba do boi gordo no mercado interno e a recente desvalorização da moeda norte-americana pressionaram os valores internacionais da carne brasileira.

A carne in natura responde por cerca de 90% das exportações do setor. Considerando também industrializados e subprodutos, como miudezas, tripas e sebo, o faturamento total em março chegou a US$ 1,476 bilhão, aumento de 21,42%, enquanto o volume total recuou 6,65%, para 270,53 mil toneladas.

No acumulado do primeiro trimestre, as exportações totais do setor bovino somaram US$ 4,32 bilhões, alta de 32,29% sobre o mesmo período de 2025, com volume de 827,64 mil toneladas (+10,98%). Apenas a carne in natura respondeu por US$ 3,98 bilhões (+37,45%) e 700,98 mil toneladas (+19,92%). O valor médio de exportação subiu 14,61%, de US$ 4.954 para US$ 5.642 por tonelada.

A China permaneceu como principal destino, com compras de US$ 1,816 bilhão no trimestre (+41,83%) e 325,68 mil toneladas (+39,35%). O preço médio pago pelo país asiático subiu 15%, para US$ 5.578 por tonelada. A China respondeu por 46,42% do volume e 45,6% da receita da carne in natura brasileira no período.

Foto: Fernando Dias

Há, porém, um descompasso estatístico relevante. O governo chinês contabiliza, para efeito da cota tarifária de 1,106 milhão de toneladas livres da sobretaxa de 55%, apenas as cargas que chegam aos portos chineses a partir de 1º de janeiro, mesmo que tenham sido embarcadas no Brasil no ano anterior.

Dados divulgados pelo Ministério do Comércio da China indicavam 372,08 mil toneladas já internalizadas nos dois primeiros meses do ano. Somando o volume embarcado em março apurado no Brasil, chega-se a uma estimativa de 474,08 mil toneladas no trimestre, o equivalente a 42,86% da cota. Restariam 631,92 mil toneladas ainda livres da tarifa adicional, número sujeito a revisão conforme novos dados chineses.

Os Estados Unidos mantiveram a segunda posição entre os compradores. As vendas de carne in natura cresceram 60,96% em valor, para US$ 588,98 milhões, e 28,51% em volume, para 98,17 mil toneladas. O preço médio atingiu US$ 6 mil por tonelada, alta de 25,25%. O país enfrenta déficit interno estimado em 2,5 milhões de toneladas em 2026, segundo o USDA, e respondeu por 14% do volume e 14,8% da receita brasileira.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A União Europeia ocupa a terceira posição. No trimestre, as vendas de carne in natura ao bloco somaram US$ 187,96 milhões (+29,48%) e 21,713 mil toneladas (+21,16%), com preço médio de US$ 8.656 por tonelada (+6,86%). Considerando industrializados e subprodutos, o total exportado ao bloco atingiu US$ 251,57 milhões (+49,84%).

Entre outros mercados relevantes, o Chile ampliou as compras em 27,6% em volume e 36,9% em valor, chegando a 38.764 toneladas e US$ 224,1 milhões. A Rússia elevou aquisições em 73,4% em volume e 91,1% em valor. O México fechou o grupo dos seis maiores destinos, com 18.374 toneladas (+37,5%) e US$ 105,3 milhões (+55,6%).

Ao todo, 106 países ampliaram as importações de carne bovina brasileira no primeiro trimestre, enquanto 49 reduziram as compras. O desempenho parte de uma base elevada de comparação, após sucessivos recordes mensais em 2025, o que ajuda a explicar a desaceleração do ritmo físico observada em março, compensada pela valorização dos preços.

Fonte: Assessoria Abrafrigo
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Exposição Nacional revela campeões Angus e Ultrablack com forte padrão racial

Julgamento reuniu criatórios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, destacando animais pela consistência genética, fertilidade e biotipo funcional.

Publicado em

em

Foto: Lucas Nunes

A primeira Exposição Nacional das raças Angus e Ultrablack realizada em Vacaria, nos Campos de Cima da Serra (RS), definiu um conjunto de campeões que, além dos títulos na pista, asseguraram passaporte para o leilão do Secretariado Mundial Angus no Brasil em 2027. O julgamento ocorreu na última sexta-feira (17), com avaliação do jurado argentino Mauricio Groppo.

Entre os destaques, cabanhas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina concentraram os grandes campeonatos nas duas raças, com vitórias de Bortolozzo, Floripana, Conquista, Basso Pancotte e Rincon del Sarandy.

Terneiros Angus

Nas fêmeas Angus, a Grande Campeã Terneira foi a intermediária do Box 19 (TAT: IA79), da Cabanha Bortolozzo, de Antônio Prado (RS). “Vencer em casa com uma terneira de genética própria reforça a consistência do nosso trabalho. Ela é filha de uma irmã inteira dos touros que ganharam a Expointer no ano passado. Se destaca pela feminilidade aliada à potência, dentro do biotipo buscado pelo jurado: uma fêmea larga, comprida e feminina”, enfatiza Vinícius Bortolozzo.

Já na categoria Reservada Grande Campeã Terneira foi a do Box 4 (TAT: FIVG83), da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade (RS). Já a Terceira Melhor Terneira saiu do Box 28 (TAT: 2531), da Genética AGP, de Campos Novos (SC).

A Grande Campeã Fêmea Angus foi a vaca adulta do Box 53 (TAT: FIV637), da Cabanha Floripana, de Urubici (SC). O mesmo animal já havia conquistado o título máximo na Nacional de 2025, em Chapecó (SC). “É a primeira vez que conquistamos o título de bi-grande campeã nacional com a mesma vaca, o que comprova a consistência do animal ao longo do tempo. Ela reúne equilíbrio, feminilidade e potência. Trinta dias após parir, já estava prenhe novamente, evidenciando a fertilidade”, ressalta o criador Oreste Melo Júnior.

E na classe Reservada Grande Campeã foi a vaca adulta do Box 55 (TAT: TE3626), da Reconquista Agropecuária, de Alegrete (RS). A Terceira Melhor Fêmea foi a do Box 49 (TAT: 2404), da Genética AGP.

Na Ultrablack, o Grande Campeonato de Fêmeas foi vencido pela vaca jovem do Box 7 (TAT: 355), da Fazenda da Conquista, de São Joaquim (SC). A Reservada ficou com a novilha maior do Box 6 (TAT: 455), do mesmo criatório. A Terceira Melhor Fêmea foi a terneira menor do Box 1 (TAT: UT206), da Fazenda Renascença, de Vargem (SC).

Nos machos Ultrablack, a Fazenda da Conquista também levou o Grande Campeonato com o touro jovem do Box 12 (TAT: 364). “Os quatro animais que trouxemos foram premiados, o que confirma o critério adotado no criatório. Em apenas 11 anos selecionando Angus e Ultrablack, mostramos que é possível competir em alto nível”, menciona o pecuarista Marcos Pagani.

Já na categoria Reservado ficou campeão o touro do Box 11 (TAT: UT169), da Fazenda Renascença, e o Terceiro Melhor Macho foi o do Box 10 (TAT: 450), novamente da Conquista.

Entre os terneiros Angus, o Grande Campeão foi o do Box 58 (TAT: FIVG73), da Fazenda Basso Pancotte. “Essa vitória representa inovação. É um terneiro com um pai inédito na raça no Brasil. É a prova do que ele vinha imprimindo no Uruguai e na Argentina. Aqui, este touro se confirmou com este terneiro, com pureza racial, masculinidade e uma precocidade impressionantes”, frisou o criador Pedro Gomes.

O Reservado saiu do Box 56 (TAT: FIVG87), do mesmo criatório, e o Terceiro Melhor foi o do Box 777 (TAT: 4028), da Reconquista Agropecuária.

O Grande Campeão Angus foi o touro jovem do Box 92 (TAT: TE4173), da parceria Rincon del Sarandy, de Uruguaiana (RS). “Este touro grande campeão é resultado de uma parceria entre criadores. Competimos na pista, mas fora dela mantemos uma relação de cooperação”, salientou o criador José Paulo Dornelles Cairoli.

O Reservado foi o touro do Box 93 (TAT: TE3844), e o Terceiro Melhor Macho foi o do Box 83 (TAT: NORTON036), da Cabanha Vila Fertilitá, de Blumenau (SC).

Fonte: Assessoria
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Leite mais caro no campo eleva preços nas prateleiras

Menor oferta impulsiona derivados e acende alerta para queda no consumo.

Publicado em

em

Foto: Luísa Berg

Os preços do leite voltaram a subir no Brasil e já impactam o bolso do consumidor. Dados do Cepea, da Esalq/USP, mostram que o valor pago ao produtor avançou 5,43% em fevereiro, alcançando média de R$ 2,1464 por litro. Foi a segunda alta consecutiva.

A elevação está ligada, principalmente, à menor oferta no campo. O período do ano, com pastagens prejudicadas, tem limitado a produção e elevado os custos com alimentação do rebanho. Além disso, produtores têm adotado postura mais cautelosa após as quedas de preços registradas em 2025, reduzindo investimentos na atividade.

Os custos de produção também seguem em alta. Em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46%, com destaque para o aumento do diesel, que encarece as operações nas propriedades.

No mercado, o reflexo foi imediato. Com menos leite disponível, os preços dos derivados dispararam no atacado. O leite UHT registrou alta de 18,27% em março, com média de R$ 4,16 por litro, chegando a R$ 4,94 na primeira quinzena de abril. O queijo muçarela subiu 6,11%, atingindo R$ 30,73 por quilo, e já alcança R$ 34,33 em abril. O leite em pó também apresentou avanço, com valorização de 4,17% e média de R$ 30,01 por quilo.

A alta acelerada preocupa agentes do setor, que temem redução no consumo nos próximos meses diante dos preços mais elevados.

Foto: Isabele Kleim

Para compensar a menor oferta interna, o Brasil ampliou as importações de lácteos. Em março, as compras externas cresceram 33,3%, somando mais de 242 milhões de litros em equivalente leite. O leite em pó concentrou a maior parte desse volume, com participação de 80,8%. Como as exportações avançaram em ritmo menor, de 11,2%, o país registrou déficit de US$ 95,25 milhões na balança comercial do setor.

Por outro lado, há sinal de alívio nos custos de alimentação animal. O preço do milho recuou 4,1% na primeira quinzena de abril, influenciado pelo avanço da colheita e menor demanda. O farelo de soja também caiu 2,2% no período, diante da expectativa de safra recorde, estimada em 179,15 milhões de toneladas.

Com isso, o poder de compra do pecuarista melhorou. Atualmente, são necessários cerca de 31,82 litros de leite para adquirir uma saca de milho, indicador superior ao observado no início do ano.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.