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Bovinos Senepol ganham sumário de animais avaliados geneticamente

Hoje, 80% da reprodução de gado Senepol é artificial, e uma fêmea bem ranqueada pode custar R$ 34 mil reais e um reprodutor, R$ 14,5 mil reais

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Touros e matrizes da raça Senepol agora contam com um Sumário de Touros próprio, disponível em versão impressa e digital. O sumário descreve os animais avaliados geneticamente quanto a diversas características de importância econômica e oferece ao pecuarista subsídios para a tomada de decisão nos processos de seleção genética e cruzamentos de sua propriedade. O sumário é resultado de trabalho de melhoramento genético realizado desde 2010 por pesquisadores da Embrapa. Hoje, 80% da reprodução de gado Senepol é artificial, e uma fêmea bem ranqueada pode custar R$ 34 mil reais e um reprodutor, R$ 14,5 mil reais.

A elaboração do Sumário é gradativa e feita em parceria com o Programa Geneplus, o Núcleo Brasileiro de Melhoramento do Senepol e a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol), explica Gilberto Menezes da Embrapa Gado de Corte (MS), centro de pesquisa responsável pelos trabalhos. Tudo começa pela coleta de dados dos animais nas propriedades e segue com as provas de avaliação de desempenho, um dos exemplos é a Prova de Avaliação de Desempenho do Senepol (PADS), realizada desde 2011. A prova avalia em condições padronizadas o desempenho dos animais a pasto, identificando aqueles com alto potencial para um futuro teste de progênie, metodologia que avalia os touros pelo desempenho produtivo de seus descendentes. Dessa forma, auxilia no reconhecimento de touros jovens promissores.O trabalho foi liderado pelo melhorista Luiz Otávio Campos da Silva.

Os tourinhos em destaque seguem para o Programa de Avaliação de Touros Jovens (ATJPlus Senepol). Conforme Gilberto, a ideia é testar mais rapidamente os animais, pois "a forma mais eficiente de descobrir se um animal é superior geneticamente é por seus filhos. Se ele produz filhos de qualidade, ele é um melhorador". Os pesquisadores acreditam que ter essa certeza quando o animal ainda é jovem transmite confiabilidade aos produtores na hora de adquirir o sêmen de um reprodutor, que pode ser usado puro ou em cruzamento.

O raciocínio se mantém em relação às novilhas. Fêmeas integrantes do Programa Safiras do Senepol são avaliadas em quesitos como critérios visuais, ganho de peso, carcaça, eficiência alimentar, escore de trato reprodutivo, frame e população folicular, que determinam o potencial da novilha em tornar-se ou não uma doadora (óvulos), por uma equipe técnica que conta com pesquisadores da Embrapa. "É um grande diferencial conhecer a competência das doadoras, suas qualidades e deficiências quando usadas seja em monta natural ou inseminação", frisa o coordenador técnico do Programa, José Antônio Fernandes Júnior.

"As provas de desempenho e avaliação genética fazem com que a assertividade de seleção seja aprimorada e isso é um beneficio ímpar para o crescimento da raça, seja em genética pura ou em cruzamento", considera também Gilmar Goudard, presidente da ABCB Senepol. Ele comenta que o Sumário é uma antiga solicitação dos criadores, dada sua importância como fonte de informação genética para tomada de decisão.

Experiência a campo

No Pantanal Sul-mato-grossense (Miranda-MS), o rebanho jovem do pecuarista Roberto Coelho participa das provas de desempenho desde o início. Segundo ele, a maioria dos criadores Senepol ainda utiliza embriões, sendo assim, touros com boa avaliação em quesitos como ganho de peso, precocidade e qualidade de carcaça concorrem em melhores condições no mercado.

O melhorista Gilberto Menezes revela que os estudos conduzidos envolvem estratégias de seleção, cruzamentos e genômica. Ele ratifica que o interesse dos criadores pela raça caribenha nos últimos anos foi decisivo para inseri-la, definitivamente, em linhas de pesquisa. "Em 2014 foi a terceira raça com maior produção de sêmen no Brasil, perdendo somente para Angus e Nelore. É uma raça que tem apelo e por isso demanda informações técnico-científicas. Precisamos conhecer para orientar os produtores". Dados da Associação apontam um rebanho estimado em, aproximadamente, 46 mil cabeças (puro e cruzado) registradas na entidade, um acréscimo de 28% em relação a 2014 e 70% comparado a 2013, com leilões (machos e fêmeas) saltando de 12 em 2011 para 45 no ano passado.

Cruzamento industrial

Outra iniciativa da equipe integrada por Menezes é investir em cruzamentos. Por duas safras consecutivas, fêmeas meio-sangue Angus+Nelore, meio-sangue Caracu+Nelore e Nelore foram inseminadas com touros Senepol, Caracu e Guzerá. O acompanhamento dos animais é do nascimento ao abate, que ocorre com no máximo 24 meses. 

Os estudos comparam as raças zebuínas (indianas) e taurinas (europeias) quanto à produção de carne de qualidade, considerando critérios como fertilidade, desempenho e acabamento, maciez, perda de água por cozimento e cor. "Ao final, teremos nove grupos genéticos distintos e com o experimento em duas safras há garantia e segurança nos resultados e os primeiros sairão em 2018", garante Menezes. Os técnicos pretendem estruturar uma plataforma com esses dados e disponibilizar ao produtor as possibilidades confiáveis de cruzamentos.

Pecuarista e presidente da ABCB Senepol, Goudard observa na propriedade e no bolso o efeito dos cruzamentos. Os abates técnicos de meio-sangue com Senepol enquadram-se na cota Hilton de exportação, com cortes especiais que no mercado internacional têm valor, normalmente, mais alto. Dessa forma, para ele, "criar um taurino 100% adaptado aos trópicos com a capacidade de cobrir a vacada, em um território onde 90% da monta é natural, é um ganho por não precisar mudar o sistema de manejo". Outra vantagem indicada por ele é a heterose (vigor híbrido) de 100%. Gilberto Menezes explica que a heterose é um ganho no desempenho do cruzado gerado pelo acasalamento de indivíduos de raças diferentes, e quanto mais distante geneticamente as raças envolvidas no cruzamento forem, maior será o efeito. No caso de um touro Senepol cruzado com vacas zebuínas, a heterose é máxima.

Genômica

Com olhar adiante, neste ano, a pesquisadora Andréa Egito deu os primeiros passos a fim de avaliar a estrutura genética da raça e validar genes candidatos. Com base em um banco de dados de fenótipos e dados genômicos (DNA), serão identificados genes que influenciam determinadas características econômicas. Segundo ela, os estudos podem evidenciar os gargalos genéticos e auxiliar no monitoramento e na manutenção sustentável da variabilidade genética.

"A dinâmica dos processos de seleção artificial associada às biotécnicas reprodutivas pode levar à diminuição da variação genética pelo aumento da endogamia (consanguinidade). No caso da raça Senepol, isso é preocupante, uma vez que existe a utilização maciça de touros e matrizes de destaque e o uso constante de biotécnicas de transferência de embriões (TE) e da fertilização in vitro (FIV) para auxiliar no incremento populacional", esclarece a médica-veterinária, que ressalta a relação direta entre o incremento da eficiência em programas de melhoramento e a seleção de animais superiores e variabilidade genética disponível.

Desenvolver um teste molecular para identificação de animais com genótipo de musculatura dupla é outro foco dos melhoristas. "A musculatura dupla é uma síndrome hereditária que ocorre, especialmente, na região do quarto traseiro, na qual os músculos são protuberantes com seus limites e contornos bem visíveis sob a pele", explica Fabiane Siqueira. A mutação é causada por um gene e aparece em outras raças, como Charolês e Limousin. Os bovinos com este fenótipo apresentam ossos finos, redução do tamanho dos órgãos internos, susceptibilidade a doenças respiratórias, dificuldades no parto e redução de fertilidade.

Para a doutora em genética, elaborar um teste de DNA que avalie a mutação em animais Senepol permite identificar geneticamente os indivíduos que apresentam a síndrome da musculatura dupla, subsidiando o criador nos processos de acasalamento e seleção. Os especialistas e profissionais da área acreditam que esses estudos poderão agregar valor a um produto que se tornou uma importante opção nos rebanhos brasileiros de melhoramento genético.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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