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Bovinos podem sofrer estresse térmico com temperaturas de 23°C

Especialista destaca que dependendo de alguns fatores, como umidade, mesmo em temperaturas brandas, animal já pode começar a sofrer estresse térmico e suas consequências

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Para aprofundar ainda mais os problemas produzidos pelo estresse térmico em bovinos de corte, o jornal O Presente Rural entrevistou o médico veterinário, doutor em Ciência Animal e Pastagens, Lucas Mari, gerente de Suporte Técnico para América do Sul da Lallemand Animal Nutrition. Ele destaca que dependendo, de alguns fatores, como a umidade, mesmo em temperaturas brandas, de 23 graus Celsius, o animal já pode começar a sofrer estresse térmico e suas consequências. Confira.

O Presente Rural – Quando o gado de corte entra no estresse térmico? Qual sua zona de termoneutralidade?

Lucas Mari – Quando falamos de estresse térmico, é muito importante salientar que não é apenas a temperatura alta que interfere negativamente no desempenho e saúde dos animais ou de gado de corte, que é o caso aqui. A alta umidade é um fator que, associado à temperatura elevada, diminui o desempenho em especial nos países tropicais, como o Brasil. Outro fator importante é que, em boa parte do país, a alta temperatura ocorre durante um período em que a umidade relativa do ar é também alta. A junção da temperatura e umidade relativa do ar compõem uma variável chamada THI (do inglês Temperature Humidity Index) ou ITU, Índice de Temperatura e Umidade. Assim consideramos que o animal de corte começa a sofrer com o estresse térmico a partir de THI maior que 72, de acordo com a descrição no quadro 1. Mesmo em temperaturas relativamente brandas, por exemplo de 23°C, se a umidade relativa do ar for superior a 80% já há estresse térmico para o animal.

Quadro 1

Índice de Temperatura e Umidade, as células destacadas em amarelo são os valores em que animais de corte são afetados (THI > 72).

O Presente Rural – Em que regiões do Brasil o estresse térmico é mais acentuado?

Lucas Mari – Não há locais no Brasil em que o estresse térmico não seja um problema. Talvez a região Sul tenha um impacto menos marcado, mas isso não quer dizer que não ocorra. No verão, o estresse térmico também afeta os animais que são criados nesta região. Mas claro, a região Centro-Norte do país é onde os animais mais sofrem com o estresse térmico.

O Presente Rural – Quais os problemas que o estresse térmico causa no desempenho zootécnico dos animais?

Lucas Mari – Animais que estão submetidos ao estresse térmico acabam por terem desempenhos reduzidos em virtude, diretamente, do gasto energético para dissipar o calor produzido e, indiretamente, dos processos fisiológicos ou até patológicos envolvidos. Dentre as consequências estão redução do consumo de matéria seca. Em estudo na Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, os pesquisadores verificaram que a partir de 24°C há queda na ingestão. Aos 27°C há perdas de 4% no consumo, aos 30°C as perdas são de cerca de 10% e aos 35°C há queda de 28%. Além disso, há diminuição da atividade normal; aumento do fluxo sanguíneo direcionado à pele e redução, consequente, para os órgãos; menor ganho de peso; aumento da frequência respiratória e aumento da transpiração; busca de sombra e vento e aumento do consumo de água. Um impacto do estresse térmico no animal é acidose ruminal, com o aumento da temperatura e umidade há perda de saliva, ou seja, o animal baba e diminui a capacidade de tamponamento ruminal, seja pela falta de bicarbonato salivar, seja pela maior dificuldade de produção deste bicarbonato. Também devido à queda no consumo, a ruminação é diminuída e favorece a acidose, pois menos saliva é produzida.

O Presente Rural – Quais os problemas que o estresse térmico causa no desempenho reprodutivo dos animais?

Lucas Mari – Em especial para reprodução, se pensarmos nas fêmeas, o estresse térmico tem impacto direto. Há recomendação para não se inseminar uma fêmea caso sua temperatura retal esteja acima de 39°C. Se isso ocorrer, há grande risco de o sêmen ser perdido.

O Presente Rural – Quais os problemas que o estresse térmico causa na saúde e bem-estar dos animais?

Lucas Mari – Vale lembrar que a temperatura alta ocorre em período de grande precipitação, em boa parte dos locais onde há criação de gado de corte. Assim, animais em confinamento podem sofrer com barro e isso afeta o bem-estar, sua saúde e desempenho. Além disso, a temperatura e umidade altas criam condições favoráveis para o crescimento de microrganismos patogênicos, o que também poderá aumentar a frequência de animais doentes.

Como o animal faz para dissipar calor?

Lucas Mari – Existem dois tipos de resfriamentos: evaporativo e não-evaporativo. Lembrando da física, o resfriamento não-evaporativo ocorre por três maneiras de troca de calor: radiação, condução e convecção. Estas três maneiras dependem de um gradiente de temperatura para ocorrer. A radiação e a condução ocorrem por troca atmosférica, enquanto a condução ocorre por contato. Mas para que o resfriamento não-evaporativo ocorra, deve ter superfície ou temperatura atmosférica menor que a temperatura corporal do animal. Por sua vez, a importância do resfriamento evaporativo é maior em temperaturas atmosféricas mais altas e torna-se mais efetiva quando a temperatura de cerca de 20°C é atingida. Há duas maneiras evaporativas de resfriamento: resfriamento pelo trato respiratório e resfriamento pela superfície corporal. Também há medida que a temperatura atmosférica aumenta, mais o animal depende da troca pela superfície corporal, pode-se dizer que a pele (e sudorese) é o verdadeiro “radiador” dos ruminantes.

O Presente Rural – Como o manejo na pecuária de corte pode ajudar a reduzir o estresse térmico?

Lucas Mari – Água é básico em todo momento, mas sobretudo durante o período mais quente. E ela deve estar disponível em quantidade e com qualidade, deve ser dimensionada conforme a lotação do pasto ou curral de confinamento. É importante dar acesso ao bebedouro por todos os lados, isso impede que animais dominantes tomem conta do ponto de água, o ideal é ter mais que um bebedouro disponível/curral. Existem trabalhos sendo conduzidos ultimamente avaliando a melhoria na ambiência de animais de corte, mesmo em confinamento, a aspersão dos currais, por exemplo, já é mais comum, embora com objetivos diferentes, como diminuir a poeira, traz benefício ambiental. Poucos se preocupavam com sombra para animais de corte, há o entendimento de que os zebuínos são tolerantes ao calor e não precisam destas “regalias”, mas se observarmos mesmo rebanhos de Nelore, em muitos momentos do dia os animais estão embaixo de árvores, se elas estão disponíveis. O sombreamento de parte dos currais de confinamentos já foram avaliadas com resultados benéficos no GPD de animais desde o início dos anos 2000. Normalmente estas faixas com tela do sombreamento têm recomendação para serem posicionadas no terço final do curral, mas não junto à cerca, paralela à linha de cocho. Cerca de 5 m2 de sombra/animal é a recomendação mais geral.

Em termos de nutrição e alimentação recomenda-se dividir as refeições em mais vezes/dia, fornecer maior quantidade no horário mais fresco, adequar a nutrição (forragem de qualidade, leveduras vivas, antioxidantes). Em termos nutricionais algumas considerações: estar atento aos níveis de K, Mg, Na, Cl para compensar possíveis perdas via sudorese; se silagem for ofertada, inoculantes com L. buchneri tem efeito benéfico em aumentar sua estabilidade. Retire a silagem apenas no momento de fornecer.

O Presente Rural – Quais as novas ferramentas que podem auxiliar o produtor na redução do estresse térmico para rebanhos de corte?

Lucas Mari – Dentro do tema de aditivos nutricionais, temos trabalhado com a levedura viva Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077. Em estudo recente conduzido na Universidade do Texas A&M em novilhos de corte suplementados com Saccharomyces cerevisiae CNCM I-1077 mostrou-se muito efetivo em melhorar o ambiente ruminal neste período de desafio ruminal que é o verão, o que leva ao estresse térmico. O ganho de peso médio diário foi de 1,55 kg para o grupo controle, sendo que o grupo que recebeu suplementação da levedura viva teve ganhos de 1,59 kg/animal/dia. Os animais tratados também tiveram melhores pesos de carcaça após 72 dias de suplementação (365,1 vs. 360,5 kg de carcaça). Destaco que da mesma forma o animal ainda sentirá os efeitos deste período de calor, o que ocorre é que o rúmen está mais preparado para passar por este desafio.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas No Oeste do Paraná

Pecuária do Show Rural amplia genética e aposta em inovação para elevar produtividade

Coopavel leva novas raças, expositores inéditos e soluções tecnológicas em nutrição animal ao 38º Show Rural, em Cascavel (PR).

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Foto: Coopavel

A área de Pecuária da Coopavel prepara uma programação especial e repleta de novidades para o 38º Show Rural, que será desenvolvido de 09 a 13 de fevereiro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Reconhecido como um dos maiores eventos técnicos do agronegócio mundial, o Show Rural é uma vitrine para inovação, tecnologia e aprimoramento contínuo de setores estratégicos da cadeia produtiva da agropecuária.

Entre os destaques da área pecuária deste ano estarão a ampliação e a diversificação dos animais de exposição, com a inclusão de novas raças, reforçando o foco no melhoramento genético. Uma das novidades será a apresentação da raça Braford, além da participação inédita da Fazenda Basso Pancotte, de Soledade, interior do Rio Grande do Sul, que trará ao evento três raças de alto padrão genético – Braford, Angus e Brangus. A propriedade é reconhecida nacionalmente por premiações em eventos como a Expointer, o que agrega ainda mais qualidade técnica à exposição durante o Show Rural.

Segundo a coordenadora de Pecuária da Coopavel, a zootecnista Josiane Mangoni, a finalidade é oferecer ao produtor rural acesso direto às mais recentes evoluções do setor. “O Show Rural é uma grande oportunidade de mostrar a capacidade genética, os avanços em melhoramento e tudo o que há de mais atual para o desenvolvimento da pecuária. Teremos novos expositores e raças, ampliando o conhecimento e as possibilidades para quem atua na atividade”.

Mais produtividade

Outro ponto de grande relevância será o Pavilhão Tecnológico da Pecuária, que trará uma série de inovações voltadas à nutrição animal, com destaque para novas rações Coopavel, fórmulas e produtos de alta tecnologia. As soluções apresentadas vão ter como foco o aumento da produtividade, especialmente em propriedades leiteiras, além da melhoria do manejo e da eficiência no dia a dia das fazendas. “Vamos apresentar produtos que chegam para facilitar a vida do pecuarista, melhorar o manejo, otimizar resultados e acompanhar a evolução da pecuária moderna. São soluções pensadas para tornar a atividade mais eficiente, sustentável e rentável”, ressalta Josiane Mangoni.

Com o tema A força que vem de dentro, o 38º Show Rural Coopavel espera receber, em cinco dias de visitação, entre 360 mil e 400 mil pessoas do Brasil e exterior. São produtores rurais, pecuaristas, filhos e mulheres de produtores, técnicos, acadêmicos, diretores e equipes das maiores empresas nacionais e internacionais do agro. O acesso ao parque é gratuito, bem como a utilização de qualquer das 22 mil vagas do estacionamento.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Reforço no combate à brucelose e tuberculose bovina reduz focos no Paraná em 2025

Ações de vigilância, diagnóstico, vacinação e educação sanitária resultaram em redução de 20% nos casos de brucelose e consolidam a estratégia do Paraná para proteger a pecuária, a saúde pública e a competitividade do setor agropecuário.

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Foto: Divulgação/Adapar

O Governo do Estado, por meio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), manteve em 2025 uma atuação contínua e estratégica no campo da sanidade e qualidade das práticas agropecuárias no Estado. Entre as diversas ações realizadas, como orientações diretas ao setor produtivo animal e vegetal, fiscalização do transporte de cargas vivas, produtos, subprodutos, insumos, controle de defensivos agrícolas, investigação e controle de zoonoses, entre outras, destacou-se o trabalho de prevenção, controle e combate à brucelose e à tuberculose bovina.

Essas doenças têm grande relevância para as cadeias produtivas do Estado, especialmente para a pecuária leiteira, a segunda maior do país. A Adapar atuou de forma prioritária em relação a elas, reforçando o compromisso do Paraná com a segurança sanitária, a sustentabilidade e a competitividade do setor agropecuário.

As ações de prevenção e controle das enfermidades são conduzidas pela Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina (DIBT), vinculada ao Departamento de Saúde Animal (Desa).

Foto: Gisele Rosso

O Diretor de Defesa Agropecuária da Adapar, Renato Rezende Young Blood, destaca a importância dessas iniciativas para evitar problemas sanitários e garantir a saúde dos rebanhos no Estado. “A Adapar vem fazendo um excelente trabalho focado em ações preventivas e de educação sanitária, em áreas prioritárias com maior risco ou maior incidência das doenças, conseguindo assim melhores resultados, trazendo segurança para o consumo dos alimentos e para a saúde da população”, pondera o gestor.

Segundo dados da DIBT, os números parciais da ocorrência de focos das doenças no Paraná até novembro do ano passado são positivos. Houve uma queda relevante de 20% do número de focos de brucelose, considerando o mesmo período de 2024. Mesmo com menor expressão, o número de focos de tuberculose bovina caiu em 0,5% se comparados com novembro de 2024.

O chefe do Desa, Rafael Gonçalves Dias, explica que a redução no número de focos representa um avanço importante para erradicar as doenças, mas as ações devem ser contínuas. “Durante o ano de 2024 foi registrado um alto volume de focos, e, embora em 2025 as ações de vigilância, novas ferramentas para o diagnóstico, educação sanitária e fiscalização tenham contribuído para a diminuição dos casos, a brucelose e a tuberculose continuam ocorrendo em diversas regiões do Estado, o que exige atenção e trabalho contínuo em relação ao controle das duas doenças,” afirma.

Antropozoonoses

Ambas as doenças são de origem bacteriana e podem ser transmitidas aos seres humanos, o que as classifica como antropozoonoses. A

Foto: Breno Lobato

brucelose tem seu nome ligado à bactéria Brucella abortus, o agente causador da condição que pode afetar tanto humanos, quanto diversas espécies de animais. A brucelose causa importantes prejuízos reprodutivos, produtivos e econômicos na bovinocultura.

No aspecto reprodutivo, provoca abortos, retenção de placenta, nascimento de bezerros fracos e queda da fertilidade de fêmeas e machos, comprometendo o desempenho do rebanho.

Do ponto de vista produtivo, reduz a produção de leite, aumenta o intervalo entre partos e diminui o ganho de peso dos bezerros, afetando diretamente a eficiência da propriedade.

Esses problemas resultam em impactos econômicos significativos, com perdas por descarte de animais, reposição de matrizes, queda no valor genético do rebanho, custos sanitários adicionais e possíveis restrições ao comércio, comprometendo a competitividade da produção bovina.

Foto: Arnaldo Alves/AEN

Enquanto isso, a tuberculose bovina é uma doença bacteriana crônica, que pode afetar ruminantes, suínos, aves, animais silvestres e humanos. A bactéria responsável pela enfermidade é a Mycobacterium bovis. Assim como a brucelose, a tuberculose também pode resultar em perdas econômicas significativas e é considerada uma das zoonoses mais importantes para a saúde pública.

Entre os animais, a brucelose é disseminada principalmente pelo contato com secreções de fêmeas infectadas, como restos placentários, fetos abortados e fluidos uterinos, além do contato direto entre reprodutores. Já a tuberculose bovina se transmite, sobretudo, pela inalação de aerossóis em ambientes fechados, quando animais infectados eliminam o agente ao tossir ou respirar.

Para os humanos, ambas as doenças podem ser transmitidas pelo contato direto com animais doentes ou seus materiais biológicos, mas a principal via é o consumo de produtos de origem animal não tratados, especialmente leite cru e derivados não pasteurizados, que representam o maior risco sanitário. Essas formas de transmissão reforçam a importância da vigilância, do manejo adequado e da adoção de práticas seguras de consumo.

Segundo o representante do Desa, as zoonoses têm alto impacto coletivo, reduzem a eficiência produtiva do rebanho e afetam diretamente

Foto: Divulgação

a reputação do Estado, do município e da propriedade com relação à comercialização dos seus produtos, “Há impactos diretos produtividade, cerca de 15 a 20% da redução da produção de leite, perda de peso, infertilidade, abortamento e descarte de animais precoces. Além disso, também existem os impactos indiretos, como a perda de mercados internacionais, desvalorização dos animais e da propriedade, redução da competitividade, além da questão do risco da saúde pública”, explica.

O médico veterinário também falou sobre a atuação contínua da Adapar, responsável pela gestão do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose bovinas. “O pilar do programa está na realização da vigilância epidemiológica por meio dos testes dos animais e da vacinação contra a brucelose. Todo produtor e criador de gado leiteiro deve realizar os testes do rebanho pelo menos uma vez por ano e a vacinação é obrigatória para todos os animais, independente da aptidão, tanto de corte quanto de leite, ou misto”, detalha.

Prevenção

A vacinação contra a brucelose bovina é obrigatória em bezerras de 3 a 8 meses de idade. As propriedades que apresentam casos confirmados de brucelose ou tuberculose devem passar pelo saneamento completo, com a realização de testes em todo o rebanho para identificar e eliminar possíveis animais portadores, garantindo o controle da doença e a segurança sanitária da propriedade.

Os testes reagentes devem ser imediatamente comunicados à Adapar. Não existe vacina para a tuberculose, portanto o controle da doença é realizado a partir da detecção e eliminação dos animais positivos. É importante a aquisição de animais com exames negativos.

Ações desenvolvidas

Foto: Arnaldo Alves

Em 2025, a Adapar realizou ações em áreas estratégicas. Uma das ações foi realizada na região de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. Foram fiscalizadas 47 propriedades, com um total de 3.893 animais vistoriados. A ação serviu como piloto para replicação em municípios que apresentam baixo índice de vacinação.

Entre as ações do programa, se destacam o controle da comercialização dos insumos utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose, bem como da comercialização da vacina contra a brucelose; a habilitação e o cadastramento de médicos-veterinários autônomos e privados para a realização dos exames e da vacinação; e a certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose.

Em 2025, foram publicadas as portarias 96 e 276, que regulamentam uma alternativa complementar para o diagnóstico de ambas as doenças: a realização do Elisa (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay). As portarias instituem no Estado mais uma opção de diagnóstico, contribuindo para a identificação de animais positivos e para o fortalecimento das ações de vigilância nas propriedades.

Foto: Arnaldo Alves

A médica-veterinária e chefe da DIBT, Marta Cristina Diniz de Oliveira Freitas, comenta sobre como a Adapar auxilia na capacitação de médicos-veterinários para a realização do teste em todo o Estado. “A divisão priorizou ações de educação sanitária, principalmente no que se refere à atualização dos médicos-veterinários habilitados quanto ao correto uso do teste de Elisa para casos de focos em saneamento de tuberculose bovina. Existem critérios a serem considerados para o uso do teste, capaz de detectar os animais que não reagiram no teste padrão ouro, que é o teste de tuberculinização”, explica.

Ela ainda comenta sobre o principal motivo da realização do teste. “O objetivo do uso desse teste é conseguir detectar os animais que já estão doentes há tanto tempo que não reagem mais no teste convencional. Então, a tendência é que nós consigamos detectar animais que estão nessa situação e, por fim, diminuir o tempo de saneamento da propriedade”, expõe a médica-veterinária.

A vigilância para detecção da tuberculose bovina foi ampliada para os rebanhos de corte, com a identificação do Mycobacterium bovis por meio de PCR – sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, um método de laboratório que cria múltiplas cópias de um trecho de DNA para estudo –, em lesões observadas no abate.

Foto: José Adair Gomercindo

Esse diagnóstico está sendo realizado no laboratório da Adapar, o Centro de Diagnóstico Marcos Enriette (CDME). Além disso, a divisão vem implementando melhorias nos sistemas internos da agência, aperfeiçoando o software utilizado para o gerenciamento e o acompanhamento do programa, tornando as ações mais eficientes e integradas.

O programa também tem como objetivo o investimento em ações de educação sanitária, com foco no conceito de Saúde Única, que integra as saúdes animal, humana e ambiental. Ao longo do ano passado, foram realizadas palestras e atividades de capacitação em diversos escritórios regionais da Adapar, incluindo Irati e Laranjeiras do Sul, na região Centro-Sul; Maringá e Umuarama, no Noroeste; Cascavel e Toledo, no Oeste; e Pato Branco, no Sudoeste do Estado. Essas ações reforçam a importância da prevenção e do manejo sanitário adequado junto a produtores rurais e profissionais das áreas envolvidas.

Fonte: AEN-PR
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Exportações de carne bovina batem recorde em 2025

Brasil embarca 3,5 milhões de toneladas, amplia receita para US$ 18 bilhões e fortalece presença em mais de 170 mercados, com liderança da China e avanço expressivo em destinos estratégicos.

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Foto: Shutterstock

Com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o maior já registrado nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Foram ao todo 3,50 milhões de toneladas, um incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.

A China foi o principal destino da carne bovina brasileira em 2025, respondendo por 48% do volume total exportado, com 1,68 milhão de toneladas, que somaram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, destacaram-se os Estados Unidos, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Na sequência, vêm o Chile (136,3 mil toneladas; US$ 754,5 milhões), a União Europeia (128,9 mil toneladas; US$ 1,06 bilhão), a Rússia (126,4 mil toneladas; US$ 537,1 milhões) e o México (118,0 mil toneladas; US$ 645,4 milhões).

Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos. As exportações para a China avançaram 22,8% no acumulado do ano, enquanto os Estados Unidos registraram alta de 18,3%. A União Europeia apresentou crescimento de 132,8%, e o Chile, de 29,8%. Também se destacaram os aumentos para a Argélia (+292,6%), o Egito (+222,5%) e os Emirados Árabes Unidos (+176,1%).

Segundo o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a resiliência e a maturidade do setor. “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida.

Os resultados de 2025 refletem a atuação conjunta da ABIEC, de suas empresas associadas e do setor público, com destaque para a parceria com a ApexBrasil, por meio do Projeto Setorial Brazilian Beef, e para o diálogo permanente e o apoio do Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores (MRE), além da interlocução institucional com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Para 2026, a avaliação da Associação é de otimismo com realismo, com expectativa de estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento e ambiente favorável ao avanço em mercados estratégicos. “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo. A visão é de um crescimento mais qualificado, com previsibilidade, competitividade e maior valor agregado, e sempre atento às questões geopolíticas”, conclui Perosa.

Dezembro

No mês de dezembro de 2025, o Brasil exportou 347,4 mil toneladas de carne bovina, com receita de US$ 1,85 bilhão. A China liderou as compras no mês, com 153,1 mil toneladas, seguida pelos Estados Unidos (27,2 mil toneladas), Chile (17,0 mil toneladas) e União Europeia(11,9 mil toneladas).

Fonte: Assessoria ABIEC
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