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Bovinos e os GEEs: o papel da genética e da eficiência alimentar

Estudos evidenciam que essas espécies animais são responsáveis por apenas cerca de 3,9% dos gases emitidos na atmosfera. Em contrapartida, os veículos de transporte contribuem com cerca de 30%, a geração de eletricidade com combustíveis fósseis mais 30% e a indústria/comércio outros 30%.

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Foto: Divulgação/FZEA/USP

Por José Bento Sterman Ferraz, professor titular de Genética e Melhoramento Animal da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA/USP)

Existe um equívoco quando se fala em volume de emissão de gases de efeito estufa (GEE) pelos ruminantes. Estudos evidenciam que essas espécies animais são responsáveis por apenas cerca de 3,9% dos gases emitidos na atmosfera. Em contrapartida, os veículos de transporte contribuem com cerca de 30%, a geração de eletricidade com combustíveis fósseis mais 30% e a indústria/comércio outros 30%. Além disso, o tempo de ação do metano emitido pelos animais na atmosfera é de 12 anos, enquanto o CO2 lançado ao ar por outras atividades fósseis tem vida útil por 1.000 anos.

Também é importante apontar que, após 12 anos, o metano se transforma em CO2 biogênico e é absorvido pelas plantas por meio da fotossíntese. Ou seja, os bovinos comem o capim novamente e o ciclo recomeça. Em comparação, outras atividades apenas adicionam mais CO2 na atmosfera, acumulando de forma contínua um tipo de GEE que dura cerca de um milênio e que forma um verdadeiro escudo que impede que os raios solares sejam refletidos para o espaço, gerando aquecimento de nossa atmosfera.

A questão envolve diferentes interesses, o que leva muitos a se acharem no direito de propagar fake news, como a de que a pecuária é a grande responsável pelas emissões de GEE. Além de ser uma inverdade, isso mancha a imagem da pecuária e do agronegócio como um todo, de um dos setores econômicos mais importantes do país, responsável por aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB).

Eficiência alimentar

A pequena parcela de gases emitidos pela pecuária está diretamente ligada à eficiência alimentar dos ruminantes. O ponto central é que animais menos eficientes precisam de mais tempo consumindo alimentos para transformar em carne e, portanto, mais tempo gerando GEE. A conta é simples: o animal que possui capacidade para conversão de alimentos em carne de forma mais rápida pode ser abatido em menos tempo e parar de gerar esses gases.

Os bovinos mais eficientes neste quesito possuem conteúdo microbiológico do trato digestivo diferenciado – algo que é regulado pela seleção genética. Isso significa que podemos melhorar de forma contínua, geração após geração, a eficiência alimentar dos animais e, consequentemente, ter maior precocidade de abate. Essa é a grande contribuição da genética para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

Já presenciei em fazendas pecuárias, num mesmo lote, animais que consomem até três vezes mais matéria seca do que os mais eficientes – que proporcionam maior retorno ao negócio. Em termos econômicos esse fato tem impacto negativo gigantesco para a lucratividade da propriedade, assim como para o volume de GEE emitido. Para alcançar esse bom nível de seleção genética para qualquer característica produtiva, como a eficiência alimentar, a vaca, que é a verdadeira matriz da indústria da pecuária, tem papel essencial e temos que selecionar para vacas mais produtivas.

Outro fator determinante para a maior ou menor emissão de metano envolve a tecnologia da alimentação dos bovinos. Quanto mais moderna e eficiente, mais contribui para a redução das emissões. Assim, o investimento em insumos nutricionais de maior qualidade é bom para todos, inclusive para o futuro do planeta. Justiça seja feita, a China tem contribuído bastante para esse avanço tecnológico e genético, na medida em que somente compra animais com, no máximo, quatro dentes, ou seja, menos de 3 anos de idade. Essa exigência levou os pecuaristas brasileiros a investirem no melhoramento genético, para levar os animais para abate mais cedo. Além disso, são mais bem remunerados, por entregarem para a indústria animais com carne de melhor qualidade.

Cautela na seleção

A seleção genética é essencial para a eficiência alimentar, contribuindo para a redução das emissões de GEE. Porém, o pecuarista não pode olhar apenas para esta característica. Muitos investem nisso porque depositar músculo é muito mais barato, em termos energéticos, do que depositar gordura. Fica aqui um alerta: a presença de gordura na carne significa melhor qualidade no produto final. Além disso, a falta de gordura corporal impacta a reprodução do rebanho, já que novilhas que apresentam menor deposição de gordura não entram em ciclo mais cedo, ou têm mais problemas reprodutivos, como ficarem prenhas quando primíparas, que as que têm reserva de gordura.

Eu explico melhor: a novilha que resulta de genética selecionada apenas para produção de carne e melhor eficiência alimentar vai precisar parir e gerar um novo bezerro – e aí está seu desafio, pois se não tiver reserva de gordura corporal terá problemas na reconcepção, especialmente como primípara ou secundípara. Por isso, destaco que é importante selecionar animais para eficiência alimentar, mas de forma complementar e não como único critério. A solução é a visão holística para unir produtividade e cuidado com o meio ambiente.

O investimento em genética, com o uso de inseminação artificial e escolha adequada dos touros, representa muito pouco em relação aos custos totais da fazenda pecuária e proporciona um retorno que se perpetua nas novas gerações de bovinos. Mesmo assim, inexplicavelmente, há uma certa resistência de pecuaristas – especialmente os pequenos – na adoção dessa biotécnica reprodutiva ou na escolha de touros adequados para a monta natural. Neste campo, temos a felicidade de contar com o trabalho da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) para democratizar o acesso à Inseminação Artificial visando colaborar cada vez mais com o avanço em produtividade e sustentabilidade da pecuária leiteira e de corte por meio da multiplicação da genética de qualidade.

É importante ressaltar que o mercado de genética mudou muito nesses últimos anos. Menos de 30% das vacas brasileiras são inseminadas, mostrando grande potencial para as biotécnicas reprodutivas, mas cerca de 70% de nossas mais de 70 milhões de vacas são fecundadas por touros, de monta natural ou repasse e não podemos ignorar a importância do uso de touros geneticamente selecionados. A oferta desse tipo de touros, com frete grátis ou subsidiado em todo o país, está ajudando muito na difusão de material genético de alta qualidade. É dessa forma, de escolha adequada de material genético adequado às necessidades de cada pecuarista, evitando modismos, que seguiremos combatendo falsas informações e contribuindo com a segurança alimentar de milhões de pessoas.

O acesso à edição digital do Bovinos, Grãos & Máquinas é gratuito. Para ler a versão completa on-line, basta clicar aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural com José Bento Sterman Ferraz

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Preços do boi devem se manter firmes nos próximos meses

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, a combinação de demanda externa forte e oferta ajustada sustenta o mercado, mas a gestão da cota chinesa será determinante para evitar oscilações.

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A combinação de demanda externa robusta e oferta ajustada deve manter os preços do boi sustentados nos próximos meses, segundo dados da Consultoria Agro Itaú BBA. No entanto, a gestão da cota chinesa será crucial para evitar oscilações bruscas e impactos negativos sobre a demanda no segundo semestre.

O fluxo de exportações segue intenso, ainda mais forte que no ano passado, e pode receber impulso adicional com embarques para a China dentro da cota. A menos que a oferta de gado terminado aumente de forma significativa, cenário diferente do observado neste início de ano, os preços tendem a permanecer firmes, podendo até manter o movimento de alta mesmo durante o período de safra.

Ainda há dúvidas sobre a utilização da cota chinesa após a imposição das medidas de salvaguarda. A Abiec solicitou apoio do governo para coordenar o processo, enquanto permanece a incerteza sobre cargas que já estavam em trânsito e chegaram à China a partir de 1º de janeiro, estimadas em 350 mil toneladas, que podem ficar fora da cota. Uma coordenação inadequada pode gerar pressão altista temporária nos preços, seguida de possível queda nas cotações.

Em 2025, o Brasil exportou 1,1 milhão de toneladas de carne bovina para a China em agosto. Com uma maior corrida por embarques neste ano, esse volume pode ser alcançado mais cedo. Por outro lado, se houver moderação na oferta ao longo do ano, o impacto negativo sobre os preços tende a ser suavizado. De toda forma, a atenção permanece voltada à demanda externa no segundo semestre, caso a decisão chinesa sobre a cota não seja alterada.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Acrimat em Ação 2026 leva conhecimento técnico sobre bovinos ao interior do Mato Grosso

Segunda rota percorrerá oito polos produtivos, abordando gestão de pessoas e práticas para aumentar a eficiência das fazendas.

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Foto: Acrimat

Depois do sucesso da primeira etapa, o Acrimat em Ação 2026 segue fortalecendo a presença da entidade no interior do estado com o início da segunda rota, a partir do dia 19 de fevereiro. A expectativa é manter o alto nível de participação e engajamento dos produtores, consolidando o projeto como uma das maiores iniciativas itinerantes da pecuária mato-grossense.

Nesta nova etapa, o projeto percorrerá oito importantes polos produtivos: Paranatinga, Canarana, Ribeirão Cascalheira, Vila Rica, Água Boa, Nova Xavantina, Barra do Garças e Rondonópolis. Municípios estratégicos que representam a força e a diversidade da pecuária nas regiões médio-norte, nordeste e sudeste do estado.
A segunda rota chega embalada pelos números históricos da primeira etapa, que registrou recorde de público em todas as cidades visitadas. O resultado reforça a importância do contato direto com o produtor rural, levando informação técnica, debates relevantes e conteúdo voltado à realidade de quem está no campo.

Neste ano, a palestra será ministrada por Ricardo Arantes, que abordará o tema liderança e gestão de pessoas no agro. A proposta é provocar reflexões práticas sobre o papel do líder dentro da propriedade, a formação de equipes mais engajadas e a importância da gestão estratégica de pessoas para alcançar melhores resultados no campo. O conteúdo busca ir além da teoria, trazendo aplicações diretas para o dia a dia das fazendas e para a construção de negócios rurais mais eficientes e sustentáveis.

Em 2026, o Acrimat em Ação percorrerá 32 municípios, divididos em quatro rotas estratégicas, ampliando o alcance da entidade e garantindo que a informação chegue a todas as regiões do estado. A segunda rota reafirma esse compromisso: ouvir o produtor, levar conhecimento e fortalecer a representatividade da pecuária de Mato Grosso.

O presidente da Acrimat, Nando Conte, destacou que o crescimento da primeira rota reforça a credibilidade do projeto e aumenta a responsabilidade para as próximas etapas. “Tivemos um aumento de 20% no público e recorde de participação em todas as cidades da primeira rota. Isso mostra que o produtor quer estar próximo da entidade, quer informação e quer participar das discussões. Para a segunda rota, a nossa meta é a mesma: manter esse crescimento, bater novos recordes e fortalecer ainda mais a pecuária mato-grossense”, afirmou.

Nesta edição, o evento itinerante conta com a parceria de Senar, Imac, Fs Bioenergia, Grupo Canopus, Sicredi e Fortuna Nutrição Animal.

Fonte: Assessoria Acrimat
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Embrapa abre inscrições para a 12ª Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto

Iniciativa realizada no CTZL, em Brasília (DF), vai avaliar novilhas Gir Leiteiro, Guzerá, Sindi e cruzamentos ao longo de 12 meses.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Proprietários de novilhas das raças Gir Leiteiro, Guzerá e Sindi e cruzamentos têm nova oportunidade de atestarem o potencial genético de seus animais para a produção de leite a pasto com a chancela da Embrapa e da Associação de Criadores de Zebu do Planalto (ACZP). Realizada no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da Embrapa Cerrados, em Brasília (DF), a Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto chega à 12ª edição e busca promover o melhoramento genético das raças participantes, contribuindo para o incremento da produtividade e a sustentabilidade da pecuária leiteira no Brasil Central.

Coordenador da Prova pela Embrapa Cerrados, o pesquisador Carlos Frederico Martins explica que serão identificadas, dentro de um grupo de animais contemporâneos de cada raça, as novilhas que, em 305 dias de lactação em pasto rotacionado, se destacarem na produção de leite, na reprodução (intervalo entre o parto e a concepção), na idade ao parto (precocidade), na qualidade do leite, na persistência de lactação e na avaliação morfológica. As características têm diferentes pesos e compõem o Índice Fenotípico de Seleção, pelo qual os animais serão classificados ao final das avaliações.

São oferecidas 20 vagas para novilhas da raça Gir Leiteiro, 20 para novilhas da raça Guzerá, 20 para novilhas Sindi e 20 para cruzamentos. Cada criador proprietário poderá inscrever até três animais de cada raça. Para participar da Prova, as novilhas devem estar registradas na Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) nas categorias de Puro de Origem (PO) ou Puro por Avaliação (PA); também devem estar obrigatoriamente gestantes de sete meses, sendo o parto efetivado dentro do período de adaptação no CTZL.

A Prova terá a duração de 12 meses, sendo dois meses de adaptação e 10 meses de avaliação. As novilhas deverão parir no período de 02 de dezembro a 15 de fevereiro de 2027, de acordo com os períodos limites de parição estabelecidos pela ABCZ. Assim, deverão ser inseminadas ou cobertas entre os dias 02 de março a 10 de abril. Os animais deverão dar entrada no CTZL (DF 180, Km 64 s/n, em Brasília) a partir do dia 03 de novembro e permanecer até janeiro de 2028. Os resultados da 12ª prova serão divulgados a partir de abril de 2028.

As inscrições dos animais poderão ser realizadas até o dia 30 de outubro na ACZP, pelo e-mail aczp.df@uol.com.br. Para uma novilha inscrita, será cobrado o valor de R$ 3 mil, divididos em cinco vezes mensais; para duas novilhas inscritas, R$ 2,4 mil por novilha, divididos em cinco vezes mensais; e para três novilhas inscritas, R$ 2 mil por novilha, divididos em cinco vezes mensais.

Acesse o regulamento e veja todos os detalhes sobre a Prova e as inscrições.

Para mais informações, entre em contato no CTZL, com Adriano de Mesquita, Carlos Frederico Martins e Fernando Peixoto (61-3506-4063; adriano.mesquita@embrapa.brcarlos.martins@embrapa.brfernando.peixoto@embrapa.br😉 ou na ACZP, com Marcelo Toledo (61-3386-0025; marcelo@geneticazebuina.com.br).

A 12ª Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto no Centro de Tecnologia para Raças Zebuínas Leiteiras da Embrapa Cerrados tem o apoio da ABCZ, da Associação Brasileira de Criadores de Sindi, da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal, da Emater-DF, da Federação de Agricultura do Distrito Federal, do Sindicato dos Criadores de Bovinos, Equinos e Bubalinos do Distrito Federal, da Empresa de Pesquisa de Minas Gerais, da Empresa de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização Fundiária da Paraíba, da Universidade de Brasília e da Alta Genetics.

Para informações sobre as edições anteriores da Prova, acesse clicando aqui.

Fonte: Assessoria Embrapa Cerrados
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