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Suínos / Peixes Mercado

Bolsas de Suínos garantem preço e segurança para produtores brasileiros

Com a bolsa, o suinocultor tem mais informações e maior segurança no momento de comercializar o suíno

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Quem trabalha com a suinocultura sabe a grande montanha-russa que é esse mercaado. Alguns anos está bom, em outros nem tanto. Os preços pagos e também custeados pelo suinocultor fazem toda a diferença no ânimo de todos da cadeia. Mas algo que tem ajudado muitos suinocultores de diversos Estados é a Bolsa de Suínos. Uma ferramenta utilizada por suinocultores de vários estados, como Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A partir dela, o suinocultor tem mais informações e maior segurança no momento de comercializar o suíno, sabendo que o preço que está recebendo é o justo para o momento.

Cada Bolsa com as suas particularidades, trocando informações, os Estados conseguem definir um preço, fazendo o suíno brasileiro mais valorizado e o suinocultor mais bem remunerado. Para entender como funciona isso, a reportagem de O Presente Rural conversou com os responsáveis das Bolsas de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.

Santa Catarina

O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, explica que a Bolsa de Suínos de Santa Catarina era feita em forma de pesquisa de mercado até o ano de 2018. “Em julho daquele ano aconteceu uma reunião em Concórdia com os representantes do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Assim, começamos a trabalhar com uma bolsa unificada entre esses Estados. Mais tarde entrou também Goiás e Minas Gerais”, lembra. No início a Bolsa de Santa Catarina acontecia todas as segundas-feiras. “Mas a de Minas Gerais sempre acontecia na quinta-feira, por isso uma sempre servia de referência para a outra”, conta.

De acordo com Lorenzi, Santa Catarina define os preços da Bolsa a partir das informações que são coletadas com produtores de todas as regiões do Estado. “Eles passam para nós a comercialização que tiveram na semana, os preços acertados e as tendências de mercado para a próxima semana. A Bolsa fica sobre aquilo que foi vendido e mais a perspectiva de mercado para a próxima semana”, explica. Ele conta que trabalhar dessa forma tem sido um grande balizador de mercado, já que a maioria dos suinocultores independentes do Estado se espelham na Bolsa para vender os animais, assim como os grandes produtores de suínos já têm contrato firmado com o preço da Bolsa.

No início de janeiro, informa o presidente da ACCS, houve uma mudança na Bolsa e ela passou a acontecer nas quintas-feiras, assim como acontece em Minas Gerais e São Paulo. “Fizemos essa mudança para unificar a informação. Então, na parte da manhã conversamos com os produtores e próximo ao meio dia conversamos entre os responsáveis pelas Bolsas de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais para alinharmos as negociações e preços sobre aquilo que é a realidade do mercado”, explica.

Para Lorenzi, a Bolsa tem sido muito positiva para os suinocultores catarinenses. “Se a gente olhar a avaliação do que fazemos, aqui trabalhamos com regiões específicas como o Extremo-Oeste, Meio-Oeste e Sul do Estado. Então, por mais que a gente compila os dados e colocamos um valor único na Bolsa, acrescentamos também como ficaram as negociações nessas regiões. O Extremo-Oeste sempre tinha o menor preço de todos, mas isso, por falta de informação de mercado”, comenta. Segundo a liderança, hoje a região tem o melhor preço do Estado, porque como não há tantos produtores independentes naquela região e a procura é muito grande os produtores começaram a se organizar melhor com o preço. “Em geral houve uma unificação de preços no Estado”, diz.

O presidente da ACCS conta que após o fechamento da Bolsa os preços são enviados para grupos de WhatsApp de suinocultura de todo o país, além de outras redes sociais, site da associação e nas rádios regionais do Estado. “O pessoal já sabe que na quinta-feira tem o preço da Bolsa. É importante ser essa referência e aumenta a nossa responsabilidade, mas estamos aí para fazer bem feito”, acrescenta.

Lorenzi comenta que 2019 foi um ano histórico para a suinocultura. “Tivemos até março uma retração de preços, mas depois disso começou uma recuperação e os custos de produção ficaram estáveis. A gente conseguiu recuperar parte do dinheiro perdido nos últimos quatro anos”, conta. Para ele, a expectativa é que 2020 continue promissor. “Mas com um diferencial. Percebemos que os custos de produção estão aumentando, especialmente quanto ao preço do milho e do farelo de soja. Então, com os custos de produção aumentando, pode diminuir um pouco a margem de lucro do produtor comparando ao ano passado”, afirma.

Minas Gerais

Funcionando há 40 anos, desde 1980, a Bolsa de Suínos do Estado de Minas Gerais (BSEMG) tem se tornado uma referência, não somente ao suinocultor mineiro, mas também para outras Bolsas do país. De acordo com o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), João Carlos Leite, as reuniões da Bolsa acontecem todas as quintas-feiras, quando são definidos os preços para a semana. “Definimos o preço a partir de uma análise que fazemos do nosso software, das informações que temos, para ser algo justo para todos”, informa.

Ele explica que este software que a Bolsa utiliza trata-se de uma plataforma que conta com informações de produção, comercialização, exportação, entre outros. Destas informações são retirados dados relativos ao total de animais vendidos, peso médio de cargas, peso médio de vendas avulsas, idade média das cargas, animais retidos, retenção para o dia da venda, venda prevista, venda realizada, animais vendidos por faixa de pesos, entre outros dados estão disponíveis para análise. “Isso torna possível o entendimento do mercado no qual a entidade está inserida. E nos ajuda bastante no momento de definir o preço, porque dá mais confiabilidade ao que estamos fazendo. Tanto o produtor quanto o frigorífico se sentem mais seguros em adotar os preços”, afirma.

Para Leite, é possível entender e prever os movimentos de mercado quando se trabalha em cima de números. “A Bolsa de Suínos de Minas Gerais trabalha hoje com uma arrojada plataforma de dados que mapeia diariamente e entende o mercado através de dados gentilmente cedidos por suinocultores e que são automaticamente retirados de seus sistemas de gestão, o que nos dá a segurança de entender a disponibilidade de suínos no Estado de forma automatizada e bastante precisa. Temos vários outros dados que complementam a plataforma, mas vale lembrar das exportações e do acompanhamento do abate oficial a nível Brasil. O processamento desses dados permite acompanhar a disponibilidade interna de carne suína (DICS). Isso tudo facilita a tomada de decisão dos suinocultores na hora da discussão de mercado junto aos frigoríficos” conta.

A tomada de decisão de preços é feita na própria sede da ASEMG, onde eles tem um espaço somente para isso. “Negociamos com produtores e frigoríficos. A intenção é chegar em um consenso com o melhor preço para todos”, diz. Para Leite, se não tiver a Bolsa, tanto o produtor quanto o frigorífico ficam sem referência. “Dessa forma, todos saem tranquilos, sabendo que vão negociar a um preço justo. É bom para todos”, comenta. Segundo ele, existe uma relação de confiança entre todos os envolvidos.

Além de todos os dados do software que são analisados, no momento da decisão do preço também são levados em conta fatores como mercado interno, externo e as exportações. “No mercado interno vemos os preços que estão sendo praticados em São Paulo e no Sul. Mas nós pegamos também o que está acontecendo no nosso mercado para definir um preço. Além disso, acompanhamos ainda todo o mercado externo no geral”, comenta. Os preços que são decididos na Bolsa são informados imediatamente para todos os suinocultores não somente de Minas, mas também do país. “Temos grupos de WhatsApp, no nosso Twitter, outras redes sociais e também no nosso site”, informa.

Para Leite, a média praticada em 2019 foi positiva. “Superou as expectativas dos suinocultores. Podemos dizer que ano passado foi um ano bom para nós. Teve toda a questão da China e o mercado de carnes foi positivo”, analisa. Segundo ele, as expectativas é que 2020 seja parecido. “As informações que temos é que este ano continue a mesma movimentação do ano passado. Não dá pra China se recompor ainda. Mas, para 2021 não se fala muito ainda”, explica.

São Paulo

Funcionando como um parâmetro de preços para o suinocultor de São Paulo, a Bolsa de Suínos é feita no Estado há 25 anos, desde 1994. Com algumas peculiaridades das demais, a cotação da Bolsa paulista é feita diariamente, porém, uma vez por semana é oficializado o valor que será referência na comercialização, explica o presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Júnior. “A Bolsa foi criada para que o produtor e o frigorífico possam ter condições de sinalizar o preço mais próxima da realidade do mercado”, informa.

De acordo com Ferreira, a definição de preços, como ocorre cotação diária, é oficializada nas quintas-feiras. “Nós fazemos uma pesquisa junto aos frigoríficos e aos produtores. Na oportunidade eles têm a chance de opinar sobre o preço de referência ou de comercialização”, explica. A liderança expressa que a participação dos suinocultores é decisiva na precificação, uma vez que quanto mais produtores participam, a possibilidade de ocorrer algum erro na referência é menor. “A Bolsa tem sinalizado positivamente para os produtores. Ela acaba sendo uma referência, um patamar de pesquisa de mercado. E já que existe há muitos anos, ela é um instrumento que ajuda o produtor na decisão de venda e gestão”, comenta.

Ferreira informa que os preços são baseados observando o mercado como um todo, tanto São Paulo quanto Estados com maior consumo. “Observamos também como estão as exportações naquela semana ou mês. Prevalece sempre a teoria da oferta e da demanda, por isso que é importante a cotação, porque ela nos baliza tanto no preço, quanto na oferta dos animais”, diz.

Após a cotação ser feita, os preços já são encaminhados para todos. “A informação é online. Assim que termina a Bolsa já é divulgado o preço através de todas as ferramentas que temos disponíveis, como redes sociais, WhatsApp, e-mail e site. Nós trabalhamos muito para que a informação chegue o mais rápido possível ao nosso produtor”, conta Ferreira. Ele informa que a Bolsa ocorre de forma presencial em Campinas, SP. Mas quando há necessidade de fazer de forma online, ela é realizada dentro da estrutura física da associação, que está localizada na cidade de Espírito Santo do Pinhal, SP.

Para Ferreira, o primeiro semestre do ano passado foi negativo para o setor, porém, no semestre seguinte foi mais positivo em termos de preço. “Ocorreu uma rentabilidade no segundo semestre que desafogou um pouco o produtor, já que as perdas de 2017 e 2018 foram grandes”, comenta. Já quanto a 2020, a liderança diz que a associação está sugerindo que o produtor trabalhe este ano para melhorar os investimentos, principalmente na fábrica de ração, instalações, equipamentos e material genético. “O importante é que o suinocultor tenha uma granja forte em termos de competitividade na produção e produtividade”, conta.

Segundo ele, é importante que primeiro o produtor arrume a casa no que foi estragado nos últimos anos, especialmente 2017 e 2018. E somente em um segundo momento que ele pense em aumentar o plantel. “Isso por ainda existir instabilidade no mercado. Temos que ter cautela em aumentar a produção sem saber para onde vamos vender”, diz.

Além disso, há expectativas ainda para melhora no mercado interno, acredita Ferreira. “A economia dá sinais de melhora e isso significa que o trabalhador brasileiro, tendo emprego e salário, tem a possibilidade de um maior consumo de proteína animal. Por isso, acreditamos que este ano será positivo para os produtores”, comenta. Porém, a preocupação, segundo a liderança, está nos custos de produção. “Principalmente no mercado de milho e farelo de soja em questão do câmbio, já que hoje ele tem grande participação em virtude da maioria dos produtos, como milho, vitaminas e aminoácidos, serem todos dolarizados”, explica.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

Qual o melhor relatório de custos de suínos?

Se não usarmos a ferramenta correta a resposta pode não atender as reais necessidades e questionamentos

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Foto: O Presente Rural

 Artigo escrito por Luis César Nogueira e Silva, administrador com ênfase em análise de sistemas com MBA em Gestão de negócios, Controladoria e Finanças Corporativas

luiscesarnogueira@gmail.com

Essa é uma ótima pergunta e está sempre presente nas reuniões de avaliação financeira do negócio de produção de suínos.

É comum empresários e produtores demonstrarem a intenção de receber todas as respostas em apenas um relatório financeiro, mas, se não usarmos a ferramenta correta a resposta pode não atender as reais necessidades e questionamentos.

Para isso precisamos montar um “Dashboard” – ou seja, um painel de interface gráfica que proporciona a visualização dos principais indicadores de desempenho econômicos financeiros.

Facilmente podemos fazer uma analogia com o painel de nosso carro, em uma rápida olhada temos várias informações importantes para o momento e avaliações, tais como:

  • Se teremos combustível para chegar ao destino
  • Se estamos na velocidade correta da via
  • Se não existe nenhum problema maior, como uma luz de defeito acesa

Agora, de nada adianta querer saber se está na velocidade correta olhando  para o indicador de combustível do tanque. Apesar de “obvio”, muitas vezes fazemos isso com os relatórios financeiros.

Para começar a desenvolver todo esse trabalho de análises, precisamos ter no mínimo três relatórios:

Orçamento 

Todas as principais empresas do mundo fazem esse trabalho de orçamento, que consiste em montar o cenário dos próximos anos, para que consiga dentro das suas possibilidades, se organizar para sanar os vários desafios que fazem parte da atividade.

Pensando em nosso setor, vamos imaginar uma empresa de fornecimento de genética – quantos anos ela  precisou projetar/enxergar para ter disponível hoje as fêmeas que serão comercializadas para atender as granjas em todo País, por exemplo.

Um orçamento bem feito pode ajudar o produtor a se organizar melhor ao invés de esperar o caixa avisar que algo está dando errado, e assim gerando os efeitos colaterais indesejados como juros, multas, e atrasos em fornecimento de insumos para a produção.

Não poderia deixar de mencionar um fato muito curioso dos orçamentos que normalmente acompanho, onde é comum serem considerados somente cenários positivos e cenários de crescimento, o que é certo que não vai ocorrer.

Nessa hora precisamos conseguir andar sobre a tênue linha entre o otimismo e o pessimismo. Em resumo, quem tiver a melhor visão do seu negócio e do mercado vai conseguir se posicionar de forma mais adequada.

Fluxo de Caixa 

Aqui estamos em um ambiente que os produtores convivem diariamente, uns de forma mais amigável e outros nem tanto!

O fluxo de caixa é um relatório elaborado com as informações de entrada e saída de recursos, ou seja, pagamentos e receitas.

Empresas e produtores que possuem um sistema de gestão alimentado de forma correta conseguem visualizar a linha do tempo com o cruzamento dessas informações em tempo real.

Seguindo a nossa analogia, é mais fácil fazer uma curva perigosa à esquerda  (falta de recursos) quando se tem uma placa com a distância correta fazendo essa indicação, ainda mais se estiver a noite e chovendo, algo que a suinocultura nos proporciona todos os anos, meses e porque não falar semanas.

Uma característica interessante que devemos destacar é que muitas vezes no dia a dia pode passar desapercebido pelo empreendedor é de que – caixa atual positivo, com tranquilidade pode ser indicativo de prejuízos futuros, e o contrário também é verdadeiro –  caixa apertado pode estar significando crescimento, investimentos, aumento no peso de abate, visando maior lucro posterior, enfim, quem está melhor informado toma a melhor decisão sempre.

D.R.E

Esse relatório é um dos meus preferidos com toda certeza, pois é ele que responde qual foi o resultado de todo o processo, se chama Demonstrativo de Resultado de Exercício.

É um relatório contábil, que ajustado para realidade do seu negócio, vai te informar se sua atividade teve lucro ou não.

Até para falar em lucro precisamos entender um pouco mais sobre como essas ferramentas funcionam, uma vez que existem mais de um tipo de lucro, como:

  • Lucro bruto
  • Lucro Operacional
  • Lucro líquido

A ferramenta de DRE, quando bem trabalhada, conseguirá informar ao produtor o resultado de todo exercício, apresentando do faturamento bruto até o último dado possível que é o resultado do exercício.

Analisando esse relatório poderemos identificar rapidamente um dos fatores primários e mais importantes, se a operação está saudável ou não, pois é comum granjas com operações saudáveis, mas com “pesos” de outros exercícios fazendo com que não sobre dinheiro no final do mês, dentre outros tantos desdobramentos que são possíveis.

Abaixo temos um gráfico simples apenas para ilustrar um pouco do que tratamos acima, onde temos:

  • Linha azul é a meta média de faturamento projetada para 2020.
  • Linha verde a média de faturamento real em 2020.
  • Linha laranja, o valor real faturado mês a mês.

Fonte: Autor do artigo
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Óleo essencial de orégano melhora desempenho de porcas e leitões

Óleo essencial de orégano fornece uma ferramenta natural para melhorar a saúde e o desempenho de porcas e progênies

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Reginaldo Sérgio Teixeira Filho, gerente Vendas Anpario Plc

Estamos atravessando hoje no mundo uma das maiores crises pandêmicas da era moderna, a Covid-19 transformou nossos hábitos, ações e condições humanas rapidamente. Talvez como nunca tivemos tais desafios sociais e políticos ficamos perplexos com toda a situação. Porém, como afirma o filósofo Yuval Noah Harari, “a melhor defesa que os seres humanos têm contra patógenos não é o isolamento – é a informação”.

Neste momento devemos ter mais força no agronegócio, pois somos nós que temos que garantir a continuidade da produção e que a população permaneça sendo abastecida com alimentos seguros, segundo a própria Confederação da Agricultura e Pecuária. Hoje temos uma grande vantagem competitiva em relação aos outros países na suinocultura brasileira, a boa situação sanitária é evidenciada pelos índices produtivos alcançados por seus rebanhos tecnificados, que são semelhantes aos de outros países onde a atividade também é desenvolvida.

No Brasil, as principais doenças de suínos relatadas são multifatoriais e virais, geralmente imunossupressoras, e causam elevada morbidade, mortalidade variável e, principalmente, redução no desempenho com aumento no custo de produção. Outro fato relevante e desafiador, é o desenvolvimento da resistência do uso de antibióticos em suínos e, consequentemente, o banimento das moléculas para uso como promotores de crescimento.

Várias são as opções de substituição dos antibióticos no mercado, por exemplo, prebióticos, probióticos, simbióticos, vacinas, óleos essenciais naturais, ácidos orgânicos, entre outros.

Foi realizado trabalho nos EUA, em que foi verificado o efeito do óleo essencial natural de orégano na saúde da progênie e no desempenho das porcas suplementadas.

Foram utilizadas 200 fêmeas LW x LR alocadas aleatoriamente, com tratamento controle (CON) ou suplementadas com óleo essencial natural de orégano (OS) e equilibradas quanto à paridade no serviço.

As dietas (CON) gestação e lactação, foram formuladas para atender ou exceder os requisitos da NRC (NRC, 2012) e as dietas (OS), foram suplementadas com 500g / t de óleo essencial de orégano, durante a gestação e lactação até o desmame (~ 19 dias). Todos os leitões foram marcados no nascimento e realocados conforme o necessário. Todos os leitões foram registrados, independenmente de vivos, natimortos, mortos. O peso dos leitões foi medido no nascimento, no dia 2 e dia 19, para avaliar os números de nascidos, desmamados e crescimento da leitegada para cada tratamento. Amostras de leite foram coletadas de 30 porcas (15 por tratamento) dentro de 48 horas após o parto.

O número médio de leitões nascidos vivos foi conservado em ambos os grupos de tratamento (14,61 vs 14,36 para CON e OS, respectivamente). No desmame, o peso médio dos leitões foi semelhante, mas o peso da leitegada foi numericamente mais pesado do que as porcas suplementadas com OS, devido ao aumento do número de leitões desmamados.

As remoções (mortalidade e abate) mostraram uma tendência de redução (p = 0,05) após a suplementação de OS com um maior número de leitões desmamados (11%) e uma redução de 2% na mortalidade pré-desmame em comparação com o controle (11,13 vs 9,09 para CON e OS, respectivamente).

As melhorias na capacidade de sobrevivência dos leitões resultaram em um número significativamente maior de leitões desmamados de porcas suplementadas com OS, visto também nas análises de IgA e IgG, segundo as análises ​​pelo risco relativo (rr = 0,92) (p = 0,0001).

As diferenças citadas acima, proporcionam um benefício econômico significativo, comum número maior de leitões desmamados por porca/ano, fornecendo uma margem sobre o valor de alimentação de U$ 74 por porca/ano.

O óleo essencial de orégano fornece uma ferramenta natural para melhorar a saúde e o desempenho de porcas e progênies. Melhora o desempenho e a saúde do desmame, que podem ter efeitos significativos no desempenho da vida e no uso de medicamentos.

Outro estudo foi realizado para demonstrar como o óleo essencial de orégano pode ser uma alternativa natural aos antibióticos para melhorar o desempenho dos leitões pós desmama. Foi realizado um estudo em uma unidade comercial na Grécia desde o desmame até os 21 dias de vida. Os leitões foram alocados aleatoriamente em uma 1 das 6 dietas de tratamento de 8 a 21 dias de idade, enquanto foram submetidos a estressores naturais associados ao desmame. Dos dias 1 a 7 do estudo, uma dieta basal comercial inicial foi fornecida a todos os grupos. O desempenho dos leitões foi medido considerando o ganho médio diário (GMD), mortalidade, escore de diarreia e conversão alimentar (FCR). Os níveis fecais de E. coli também foram monitorados.

O ganho médio diário foi significativamente melhorado com a inclusão de 0,5 kg / t do óleo essencial natural de orégano, em comparação ao controle negativo e dietas contendo colistina ou ácido orgânico. O óleo essencial natural de orégano reduziu a mortalidade em 11,1% quando adicionado a 0,5 kg / t em comparação ao controle negativo.  Também reduziu significativamente os escores de diarréia e forneceu uma das porcentagens mais baixas de amostras fecais com resultado positivo para E. coli.

O óleo essencial natural de orégano teve desempenho igual ou significativamente melhor que o tratamento com antibióticos durante o período pós-desmame, fornecendo uma ferramenta natural para reduzir os antibióticos nesse período crítico na vida dos leitões.

O óleo essencial natural de orégano mantêm a integridade intestinal dos suínos, fortalecendo o sistema imune, com isso se observa a melhoria no desempenho zootécnico, conversão alimentar, aumentando o ganho de peso e diminuindo a mortalidade. Também foi verificado extra proteção e controle para Salmonella spp, E.Coli, Brachyspira spp e Ileíte (Lawsonia intracellularis).

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

A importância do pH dos detergentes na higienização das granjas

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta

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 Artigo escrito por Rildo Belarmino, biólogo e gerente Técnico Neogen Brasil

A higienização possui dois objetivos: Preservar a saúde dos animais e evitar a proliferação de microrganismos patogênicos, evitando assim o risco eminente a possíveis doenças transmitidas por fungos, bactérias e vírus. As medidas higiênicas e de profilaxia ambiental dos locais representam um aspecto essencial na economia e contribuem para a inocuidade dos alimentos, deixando-os assim livres de salmonelas, E. coli, Campylobacter entre outros.  Simultaneamente também previnem ou reduzem a difusão de patógenos. É importante ressaltar que uma superfície que não foi suficientemente limpa não pode ser desinfetada, pois os resíduos presentes protegem os microrganismos da ação dos desinfetantes.

“Um programa básico de limpeza e desinfecção tem um baixo custo, sendo que os custos com tratamentos antimicrobianos normalmente são superiores, sem considerar o prejuízo com queda no desempenho zootécnico”, cita a doutora Anne de Lara, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

  • Dentro de conceito de limpeza temos
  • Limpeza seca: Varredura e retirada de todos os resíduos antes da limpeza úmida.
  • Limpeza Úmida: jateamento de água e utilização dos detergentes.
  • É imprescindível lembrar que uma não substitui a outra.
  • Outro fator importante é rotação dos pH dos detergentes nas limpezas úmidas, sendo 3 semanas com pH alcalinos e uma semana com pH ácido, e assim sucessivamente.
  • O uso de detergente na limpeza úmida é essencial para o sucesso da higienização, reduzindo em até 90% a carga de microrganismos patogênicos.

Desafios da Limpeza são eles:

  • Presença de Biofilme
  • Presença de matéria orgânica
  • Tipos de superfícies
  • Desafios microbiano
  • Surtos de doenças

Biofilme

É uma fina camada geralmente resistente de microrganismos (como bactérias) que se formam e revestem várias superfícies. Estas células aderentes são frequentemente incorporadas dentro de uma matriz de Substância Polimérica Extracelular (EPS). Biofilme é uma substância polimérica extracelular, que também é referido como limo.

Abordando especificamente a questão do rodizio de pH dos detergentes, temos 4 tipos de matéria dentro das granjas que precisam ser removidas, para que a ação dos desinfetantes seja o mais efetiva possível, e também para que estas sujidades não neutralizem a ação dos desinfetantes por diferença de carga eletrostática, uma vez que a matéria orgânica é  aniônica (-) e a maioria dos desinfetantes são catiônicos(+).

Como podemos observar, os detergentes alcalinos têm uma maior ação sobre matéria orgânica (esterco, restos de ração, pelos, penas) e lipídios , e os detergentes ácidos tem uma melhor ação sobre matéria biológica (bactérias, vírus, fungos e principalmente biofilme), atuando através da oxidação, e também sobre matéria mineral (carbonatos de cálcio e magnésio) presentes principalmente em granjas onde temos “água dura”. Quando utilizamos um detergente alcalino, alternando com um detergente ácido, estamos removendo os quatro tipos de matéria que encontramos dentro da granja. Como já foi dito anteriormente, nossa recomendação é realizar 3 limpezas com detergente alcalino e uma limpeza com detergente ácido, sucessivamente, variando conforme o protocolo da granja.

Modo de Ação dos detergentes

  • Solubilizar sujidades/ partículas de sujeira
  • Deslocar matéria orgânica
  • Emulsificar partículas sólidas/sujas
  • Diminuir tensão superficial entre a sujeira e a superfície
  • Combater os fatores de dureza de água
  • Hidrólise da Biopelícula

Conclusão

Uma excelente higienização depende de bons detergentes e de um protocolo de trabalho com etapas bem definidas, realização da rotação dos pH dos detergentes na rotina de higienização das granjas, com utilização de produtos de qualidade e registrado nos órgãos regulatórios para suas finalidades.

Além da preocupação de uma excelente higienização, precisamos nos preocupar com os resíduos dos detergentes pós limpeza, e para isso dependemos de uso de detergentes biodegradáveis.

Nosso maior objetivo é cuidar dos animais, mas acima de tudo é cuidar do planeta. Todos os dias nós protegemos as pessoas e os animais que gostamos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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