Suínos Mercado
Bolsas de Suínos garantem preço e segurança para produtores brasileiros
Com a bolsa, o suinocultor tem mais informações e maior segurança no momento de comercializar o suíno

Quem trabalha com a suinocultura sabe a grande montanha-russa que é esse mercaado. Alguns anos está bom, em outros nem tanto. Os preços pagos e também custeados pelo suinocultor fazem toda a diferença no ânimo de todos da cadeia. Mas algo que tem ajudado muitos suinocultores de diversos Estados é a Bolsa de Suínos. Uma ferramenta utilizada por suinocultores de vários estados, como Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A partir dela, o suinocultor tem mais informações e maior segurança no momento de comercializar o suíno, sabendo que o preço que está recebendo é o justo para o momento.
Cada Bolsa com as suas particularidades, trocando informações, os Estados conseguem definir um preço, fazendo o suíno brasileiro mais valorizado e o suinocultor mais bem remunerado. Para entender como funciona isso, a reportagem de O Presente Rural conversou com os responsáveis das Bolsas de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
Santa Catarina
O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, explica que a Bolsa de Suínos de Santa Catarina era feita em forma de pesquisa de mercado até o ano de 2018. “Em julho daquele ano aconteceu uma reunião em Concórdia com os representantes do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Assim, começamos a trabalhar com uma bolsa unificada entre esses Estados. Mais tarde entrou também Goiás e Minas Gerais”, lembra. No início a Bolsa de Santa Catarina acontecia todas as segundas-feiras. “Mas a de Minas Gerais sempre acontecia na quinta-feira, por isso uma sempre servia de referência para a outra”, conta.
De acordo com Lorenzi, Santa Catarina define os preços da Bolsa a partir das informações que são coletadas com produtores de todas as regiões do Estado. “Eles passam para nós a comercialização que tiveram na semana, os preços acertados e as tendências de mercado para a próxima semana. A Bolsa fica sobre aquilo que foi vendido e mais a perspectiva de mercado para a próxima semana”, explica. Ele conta que trabalhar dessa forma tem sido um grande balizador de mercado, já que a maioria dos suinocultores independentes do Estado se espelham na Bolsa para vender os animais, assim como os grandes produtores de suínos já têm contrato firmado com o preço da Bolsa.
No início de janeiro, informa o presidente da ACCS, houve uma mudança na Bolsa e ela passou a acontecer nas quintas-feiras, assim como acontece em Minas Gerais e São Paulo. “Fizemos essa mudança para unificar a informação. Então, na parte da manhã conversamos com os produtores e próximo ao meio dia conversamos entre os responsáveis pelas Bolsas de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais para alinharmos as negociações e preços sobre aquilo que é a realidade do mercado”, explica.
Para Lorenzi, a Bolsa tem sido muito positiva para os suinocultores catarinenses. “Se a gente olhar a avaliação do que fazemos, aqui trabalhamos com regiões específicas como o Extremo-Oeste, Meio-Oeste e Sul do Estado. Então, por mais que a gente compila os dados e colocamos um valor único na Bolsa, acrescentamos também como ficaram as negociações nessas regiões. O Extremo-Oeste sempre tinha o menor preço de todos, mas isso, por falta de informação de mercado”, comenta. Segundo a liderança, hoje a região tem o melhor preço do Estado, porque como não há tantos produtores independentes naquela região e a procura é muito grande os produtores começaram a se organizar melhor com o preço. “Em geral houve uma unificação de preços no Estado”, diz.
O presidente da ACCS conta que após o fechamento da Bolsa os preços são enviados para grupos de WhatsApp de suinocultura de todo o país, além de outras redes sociais, site da associação e nas rádios regionais do Estado. “O pessoal já sabe que na quinta-feira tem o preço da Bolsa. É importante ser essa referência e aumenta a nossa responsabilidade, mas estamos aí para fazer bem feito”, acrescenta.
Lorenzi comenta que 2019 foi um ano histórico para a suinocultura. “Tivemos até março uma retração de preços, mas depois disso começou uma recuperação e os custos de produção ficaram estáveis. A gente conseguiu recuperar parte do dinheiro perdido nos últimos quatro anos”, conta. Para ele, a expectativa é que 2020 continue promissor. “Mas com um diferencial. Percebemos que os custos de produção estão aumentando, especialmente quanto ao preço do milho e do farelo de soja. Então, com os custos de produção aumentando, pode diminuir um pouco a margem de lucro do produtor comparando ao ano passado”, afirma.
Minas Gerais
Funcionando há 40 anos, desde 1980, a Bolsa de Suínos do Estado de Minas Gerais (BSEMG) tem se tornado uma referência, não somente ao suinocultor mineiro, mas também para outras Bolsas do país. De acordo com o presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), João Carlos Leite, as reuniões da Bolsa acontecem todas as quintas-feiras, quando são definidos os preços para a semana. “Definimos o preço a partir de uma análise que fazemos do nosso software, das informações que temos, para ser algo justo para todos”, informa.
Ele explica que este software que a Bolsa utiliza trata-se de uma plataforma que conta com informações de produção, comercialização, exportação, entre outros. Destas informações são retirados dados relativos ao total de animais vendidos, peso médio de cargas, peso médio de vendas avulsas, idade média das cargas, animais retidos, retenção para o dia da venda, venda prevista, venda realizada, animais vendidos por faixa de pesos, entre outros dados estão disponíveis para análise. “Isso torna possível o entendimento do mercado no qual a entidade está inserida. E nos ajuda bastante no momento de definir o preço, porque dá mais confiabilidade ao que estamos fazendo. Tanto o produtor quanto o frigorífico se sentem mais seguros em adotar os preços”, afirma.
Para Leite, é possível entender e prever os movimentos de mercado quando se trabalha em cima de números. “A Bolsa de Suínos de Minas Gerais trabalha hoje com uma arrojada plataforma de dados que mapeia diariamente e entende o mercado através de dados gentilmente cedidos por suinocultores e que são automaticamente retirados de seus sistemas de gestão, o que nos dá a segurança de entender a disponibilidade de suínos no Estado de forma automatizada e bastante precisa. Temos vários outros dados que complementam a plataforma, mas vale lembrar das exportações e do acompanhamento do abate oficial a nível Brasil. O processamento desses dados permite acompanhar a disponibilidade interna de carne suína (DICS). Isso tudo facilita a tomada de decisão dos suinocultores na hora da discussão de mercado junto aos frigoríficos” conta.
A tomada de decisão de preços é feita na própria sede da ASEMG, onde eles tem um espaço somente para isso. “Negociamos com produtores e frigoríficos. A intenção é chegar em um consenso com o melhor preço para todos”, diz. Para Leite, se não tiver a Bolsa, tanto o produtor quanto o frigorífico ficam sem referência. “Dessa forma, todos saem tranquilos, sabendo que vão negociar a um preço justo. É bom para todos”, comenta. Segundo ele, existe uma relação de confiança entre todos os envolvidos.
Além de todos os dados do software que são analisados, no momento da decisão do preço também são levados em conta fatores como mercado interno, externo e as exportações. “No mercado interno vemos os preços que estão sendo praticados em São Paulo e no Sul. Mas nós pegamos também o que está acontecendo no nosso mercado para definir um preço. Além disso, acompanhamos ainda todo o mercado externo no geral”, comenta. Os preços que são decididos na Bolsa são informados imediatamente para todos os suinocultores não somente de Minas, mas também do país. “Temos grupos de WhatsApp, no nosso Twitter, outras redes sociais e também no nosso site”, informa.
Para Leite, a média praticada em 2019 foi positiva. “Superou as expectativas dos suinocultores. Podemos dizer que ano passado foi um ano bom para nós. Teve toda a questão da China e o mercado de carnes foi positivo”, analisa. Segundo ele, as expectativas é que 2020 seja parecido. “As informações que temos é que este ano continue a mesma movimentação do ano passado. Não dá pra China se recompor ainda. Mas, para 2021 não se fala muito ainda”, explica.
São Paulo
Funcionando como um parâmetro de preços para o suinocultor de São Paulo, a Bolsa de Suínos é feita no Estado há 25 anos, desde 1994. Com algumas peculiaridades das demais, a cotação da Bolsa paulista é feita diariamente, porém, uma vez por semana é oficializado o valor que será referência na comercialização, explica o presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira Júnior. “A Bolsa foi criada para que o produtor e o frigorífico possam ter condições de sinalizar o preço mais próxima da realidade do mercado”, informa.
De acordo com Ferreira, a definição de preços, como ocorre cotação diária, é oficializada nas quintas-feiras. “Nós fazemos uma pesquisa junto aos frigoríficos e aos produtores. Na oportunidade eles têm a chance de opinar sobre o preço de referência ou de comercialização”, explica. A liderança expressa que a participação dos suinocultores é decisiva na precificação, uma vez que quanto mais produtores participam, a possibilidade de ocorrer algum erro na referência é menor. “A Bolsa tem sinalizado positivamente para os produtores. Ela acaba sendo uma referência, um patamar de pesquisa de mercado. E já que existe há muitos anos, ela é um instrumento que ajuda o produtor na decisão de venda e gestão”, comenta.
Ferreira informa que os preços são baseados observando o mercado como um todo, tanto São Paulo quanto Estados com maior consumo. “Observamos também como estão as exportações naquela semana ou mês. Prevalece sempre a teoria da oferta e da demanda, por isso que é importante a cotação, porque ela nos baliza tanto no preço, quanto na oferta dos animais”, diz.
Após a cotação ser feita, os preços já são encaminhados para todos. “A informação é online. Assim que termina a Bolsa já é divulgado o preço através de todas as ferramentas que temos disponíveis, como redes sociais, WhatsApp, e-mail e site. Nós trabalhamos muito para que a informação chegue o mais rápido possível ao nosso produtor”, conta Ferreira. Ele informa que a Bolsa ocorre de forma presencial em Campinas, SP. Mas quando há necessidade de fazer de forma online, ela é realizada dentro da estrutura física da associação, que está localizada na cidade de Espírito Santo do Pinhal, SP.
Para Ferreira, o primeiro semestre do ano passado foi negativo para o setor, porém, no semestre seguinte foi mais positivo em termos de preço. “Ocorreu uma rentabilidade no segundo semestre que desafogou um pouco o produtor, já que as perdas de 2017 e 2018 foram grandes”, comenta. Já quanto a 2020, a liderança diz que a associação está sugerindo que o produtor trabalhe este ano para melhorar os investimentos, principalmente na fábrica de ração, instalações, equipamentos e material genético. “O importante é que o suinocultor tenha uma granja forte em termos de competitividade na produção e produtividade”, conta.
Segundo ele, é importante que primeiro o produtor arrume a casa no que foi estragado nos últimos anos, especialmente 2017 e 2018. E somente em um segundo momento que ele pense em aumentar o plantel. “Isso por ainda existir instabilidade no mercado. Temos que ter cautela em aumentar a produção sem saber para onde vamos vender”, diz.
Além disso, há expectativas ainda para melhora no mercado interno, acredita Ferreira. “A economia dá sinais de melhora e isso significa que o trabalhador brasileiro, tendo emprego e salário, tem a possibilidade de um maior consumo de proteína animal. Por isso, acreditamos que este ano será positivo para os produtores”, comenta. Porém, a preocupação, segundo a liderança, está nos custos de produção. “Principalmente no mercado de milho e farelo de soja em questão do câmbio, já que hoje ele tem grande participação em virtude da maioria dos produtos, como milho, vitaminas e aminoácidos, serem todos dolarizados”, explica.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de fevereiro/março de 2020 ou online.

Suínos
Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil
Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.
Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação
Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.
O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.
SBSS
As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.
Tecnologia e negócios
Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.
O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.
Programação geral do 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair
Terça-feira (11)
13h30 – Abertura da Programação Científica
Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim
14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann
14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa
15h25 às 15h55 – Mesa Redonda
16h00 às 16h30 – Coffee break
16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua
17h10 às 17h30 – Perguntas
17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS
18h30: Palestra de Abertura
20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR
Quarta-feira (12)
Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila
08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira
09h20 as 09h50 – Mesa Redonda
09h50 às 10h20: Coffee Break
Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto
10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez
11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber
12h às 12h30 – Mesa Redonda
12:30 às 14h – Intervalo para almoço
12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos
Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske
15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise
15h30 às 16h: Coffee Break
16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae
16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima
17h35 às 18h – Mesa Redonda
18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)
20h: Happy Hour na PIG FAIR
Quinta-fera (13)
08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva
09h10 às 09h30 – Perguntas
9h30 às 10h – Coffee Break
Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato
10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin
11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós
11h45 às 12h15 – Mesa Redonda
12h15 – Sorteio de brindes e encerramento
Suínos
Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef
Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra “Mercado e valorização da proteína“, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

Fotos: Shutterstock
Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.
Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.
A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.
Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.
Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.
O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.
Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.
Novo caminho para a carne suína
Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.
Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.
Comunicação como ferramenta
Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.
Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.
Notícias
Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%
Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste
A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi
O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.
A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.
Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.
Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.
Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa
O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.
Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.
O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.
Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.
Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.
A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.
Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.
Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.
A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.




