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Boletim do Deral aponta oportunidades externas e desafios internos para o agro paranaense
Setores de suínos, cereais e bovinos vivem cenário de ajustes produtivos, concorrência global e novas estratégias de mercado.

O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), traça um panorama dos desafios e oportunidades do agronegócio paranaense no mercado externo nesta semana. O documento evidencia que o desempenho do Estado, neste início de 2026, está intrinsecamente ligado à diplomacia comercial internacional e ao status sanitário, fatores que hoje definem o acesso a mercados de alta remuneração e a sustentabilidade de cadeias produtivas importantes.

Foto: Ari Dias/AEN
Um exemplo disso é o setor de suínos, que vive um momento de transição estratégica, focando em mercados “premium” internacionais que pagam valores acima da média global. O Paraná começa a colher os frutos do reconhecimento como área livre de febre aftosa sem vacinação. O status permitiu um o avanço recente sobre o mercado peruano e o Estado agora trabalha para conquistar espaços nos Estados Unidos e Canadá.
A estratégia é importante porque esses mercados remuneraram acima da média de venda do produto no período – estabelecida em US$ 2,55/kg. Quem lidera o ranking de melhor remuneração para a carne suína brasileira é o Japão, pagando cerca de US$ 3,42/kg.
Contudo, o sucesso nas vendas externas não é uniforme e depende diretamente da diplomacia comercial. Dos dez países que melhor remuneraram o produto, observa-se que o Paraná ainda não exporta volumes expressivos para o Japão, Estados Unidos e Canadá, que ocuparam, respectivamente, a 4ª, 18ª e 17ª posições entre os principais destinos da carne suína “in natura” brasileira.
Em 2025 a carne suína foi o oitavo item mais vendido pelos produtores do Paraná para o Exterior. Foram US$ 573 milhões, crescimento de 41% em relação a 2024.
Cereais

Conforme o boletim do Deral, o mercado de trigo inicia o ano sob forte pressão, enfrentando margens estreitas e a concorrência direta com a segunda safra de milho. O principal fator é o recuo de 14% nos preços do trigo em relação aos praticados no início de 2025. Em janeiro, a média da saca foi de R$ 62,19, valor que atualmente equivaleria a um custo de aproximadamente 56 sacas por hectare.
Além disso, o cereal de inverno perde espaço em regiões onde o milho safrinha oferece maior rentabilidade. O plantio do milho já cobre 12% dos 2,84 milhões de hectares estimados para a cultura este ano, se confirmada, esta área estabelecerá um novo recorde para a cultura. O trigo também sofre com o excesso de oferta global e as importações históricas realizadas pelos moinhos locais em 2025, o que limita as chances de recuperação de preços no curto prazo.
Bovinos

Foto: Gisele Rosso
No setor de bovinos, a análise destaca um encurtamento histórico na margem de preços entre machos e fêmeas. A diferença média entre bois e novilhas destinadas ao abate no início de 2026 está menor do que em anos anteriores, impulsionada por reajustes mais expressivos nos preços das fêmeas.
Considerando os dados parciais de janeiro, a valorização dos machos em relação às novilhas foi de R$ 12,6 por arroba. Já na comparação entre machos e vacas, o diferencial atingiu R$ 20,62 por arroba, mantendo vantagem para os animais machos em ambas as categorias.

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Ranking do VBP mostra concentração da força agropecuária em municípios paranaenses
Levantamento mostra que cidades líderes em geração de riqueza rural também enfrentam maior demanda por crédito, gestão financeira e segurança jurídica.

O desempenho do agronegócio paranaense reflete não apenas a capacidade produtiva do setor, mas também o nível de organização, acesso ao crédito e planejamento estratégico dos produtores rurais. O ranking dos municípios que mais geram Valor Bruto da Produção (VBP) no Estado evidencia essa realidade ao reunir cidades que movimentam bilhões de reais na atividade agropecuária.

Entre os principais destaques estão Toledo, que lidera o ranking com R$ 4,72 bilhões e participação de 2,51% no VBP estadual, seguida por Cascavel, com R$ 3,63 bilhões (1,93%), e Castro, com R$ 3,62 bilhões (1,92%). Também figuram entre os dez primeiros colocados Santa Helena, Guarapuava, Carambeí, Marechal Cândido Rondon, Dois Vizinhos, Assis Chateaubriand e São Miguel do Iguaçu, todos com resultados bilionários na geração de riqueza agropecuária.
Além de demonstrar a força produtiva regional, o ranking também evidencia desafios que acompanham o crescimento do setor. Municípios com maior geração de valor tendem a concentrar volume elevado de crédito rural, maior número de contratos bancários e maior exposição a oscilações de juros, além de intensificação da fiscalização sobre as atividades produtivas.
Esse cenário amplia o risco financeiro e jurídico para os produtores rurais, especialmente quando não há estrutura adequada de gestão. Especialistas apontam que, diante da expansão da atividade agropecuária, torna-se cada vez mais necessária a adoção de práticas voltadas à gestão de dívidas, planejamento jurídico, estruturação estratégica de crédito e proteção patrimonial.
Nesse contexto, o fortalecimento do agronegócio não está relacionado apenas ao aumento da produção, mas também à capacidade de sustentar o crescimento de forma estruturada e segura, garantindo a continuidade das propriedades rurais e a estabilidade econômica dos produtores.
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Associativismo herdado da família fortalece trajetória de produtor rural em Chapecó
Produtor de soja e pecuarista relata como a qualificação, a troca de experiências e o acesso a serviços contribuíram para permanecer competitivo e confiante no futuro do agronegócio.

A agricultura e o associativismo vêm da família. O produtor rural Júlio César Kovaleski de Chapecó (SC) conheceu cedo a importância do Sindicato do Produtor Rural de Chapecó. Associado desde 2004, o produtor de soja e pecuarista possui uma propriedade no campo que compartilha o espaço com a esposa, a natureza e a esperança diária no agronegócio.
Kovaleski relembra que o pai é associado ao sindicato desde 1992. “A gente tem meio que isso no sangue. Meu pai e meu avô foram fundadores de uma cooperativa. Então isso vem, de certa forma, como uma herança.” Segundo ele, a entidade cumpre um papel estratégico para quem vive da agricultura. “Acredito que o sindicato é a principal ferramenta que a gente tem para defender o agricultor. Precisamos de alguém que nos represente.”

Presidente do Sindicato e o produtor Júlio César Kovaleski
Outro ponto importante é a oferta de cursos e treinamentos. Para Kovaleski, a qualificação é fundamental para manter a competitividade e permanecer na atividade. “O produtor que ficar para trás não vai conseguir sobreviver na agricultura. Os cursos funcionam como uma mola propulsora para o agricultor se manter na propriedade”, avaliou.
Entre as capacitações que realizou, ele cita o curso de manutenção de máquinas como essencial para a rotina no campo. “Ajuda a antecipar ou até evitar quebras dos equipamentos. E hoje em dia, tudo é muito caro, então precisamos saber lidar com as ferramentas que temos”, pontua. Ele também participou do Assistência Técnica e Gerencia (ATeG), a primeira realizada em Chapecó em 2016. “A convivência com outros produtores, o contato com os técnicos, sempre traz novos conhecimentos, novas formas de enxergar problemas antigos, e também de solucioná-los”, relata.
Entre os serviços mais utilizados por sua família estão os convênios oferecidos com médicos, clínicas e laboratórios. A dificuldade de acesso a planos de saúde no meio rural torna esse tipo de benefício especialmente relevante. “Uma das principais carências no meio rural é a questão dos planos de saúde. O sindicato ajuda muito nisso, com os atendimentos e exames que conseguimos por meio dos convênios”, explica.
Kovaleski enfatizou ainda a importância de incentivar os jovens a buscarem formação, especialmente nas áreas ligadas à tecnologia. Ao falar sobre o significado do sindicato, ele resume na palavra proteção. “E claro, com o tempo, formamos uma família dentro do sindicato. Isso é muito importante, ter esse amparo, essa rede”, conclui.
Serviço sindicato rural

Segundo Kovaleski, a entidade cumpre um papel estratégico para quem vive da agricultura
O presidente do Sindicato dos Produtor Rural de Chapecó, Luiz Carlos Travi, realça que a entidade oferece serviços voltados ao fortalecimento do produtor rural. Em parceria com o Senar e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), o sindicato disponibiliza mais de 150 cursos de capacitação em diversas áreas. Outro atendimento a ATeG oferecida de forma gratuita, que desde 2016 contribui para a modernização do campo, oportuniza no crescimento da produção, da organização e da eficiência.
O Sindicato, a Federação e o Senar atuam de forma integrada para ampliar as oportunidades aos produtores. Além da capacitação técnica, a entidade oferece assistência médica por meio de parcerias com mais de 24 clínicas, além de convênios com laboratórios e empresas que prestam serviços jurídicos e contábeis. Todos os anos, o sindicato também promove ações voltadas ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e ao Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR), organiza e repassa informações essenciais para a gestão do produtor rural.
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Calendário agropecuário destaca força produtiva e diversidade do campo catarinense em 2026
Cronograma reúne feiras, exposições e leilões, fortalecendo comercialização, integração rural e controle sanitário dos rebanhos.

A força e a diversidade da agropecuária catarinense ganham destaque no Calendário de Eventos Agropecuários do ano de 2026, que reúne 456 atividades com a presença de animais, distribuídas por todas as regiões do Estado. Publicado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), o cronograma evidencia a organização do setor, o compromisso com a sanidade animal e a relevância econômica e cultural do agro em Santa Catarina.
O calendário é exclusivo para eventos que envolvem animais. A Sape é responsável pela autorização desses eventos, e os que constam no calendário já são considerados aprovados, conforme a Portaria Sape nº 2/2026, desde que atendam às normas sanitárias vigentes e às orientações da Cidasc. O calendário pode ser acessado no site, na aba “eventos”, acesse clicando aqui.
A programação, construída em parceria com entidades públicas e privadas do setor agropecuário catarinense, contempla feiras, exposições, leilões, competições, encontros técnicos, eventos esportivos e manifestações tradicionalistas. O objetivo é divulgar, incentivar e fortalecer a comercialização de animais, seus produtos e subprodutos, além de promover a integração entre o meio urbano e o meio rural e valorizar a cultura catarinense.
Santa Catarina se destaca como um dos principais produtores de alimentos do Brasil, sendo líder nacional na produção de carne suína, moluscos e pescados, além de ocupar a segunda posição na produção de carne de aves. O Estado também se destaca na produção de leite e na apicultura.
“O Calendário de Eventos Agropecuários é mais uma demonstração da força, da organização e do protagonismo da agropecuária de Santa Catarina. São eventos que movimentam a economia, promovem inovação, fortalecem a sanidade animal, mantém as tradições culturais e valorizam o trabalho dos nossos produtores, consolidando o Estado como referência nacional e internacional “, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
A sanidade animal é um dos maiores patrimônios da agropecuária catarinense. Santa Catarina mantém o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, reconhecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (Omsa), além de ser certificada como área livre de peste suína clássica e apresentar baixas prevalências de doenças como brucelose e tuberculose bovina e bubalina. Esses resultados são fruto da parceria sólida entre produtores rurais, Governo do Estado e iniciativa privada.
“O Calendário de Eventos Agropecuários é uma ferramenta estratégica produzida pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária que organiza e confere previsibilidade às atividades do setor em Santa Catarina. A Cidasc atua diretamente na execução desses eventos, assegurando a defesa agropecuária e a sanidade animal. Como são iniciativas que concentram grande número de animais e envolvem significativo interesse econômico, o controle sanitário é fundamental para evitar a disseminação de doenças. Nossa atuação abrange desde a testagem e o monitoramento da sanidade dos rebanhos até a promoção do bem-estar animal, que é um dos pilares do trabalho da defesa agropecuária no Estado”, destaca a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.
Os eventos agropecuários com a presença de animais que não constam no Calendário Oficial precisam passar por análise individual e autorização específica por meio de ofício. Para isso, o organizador do evento deve procurar a Cidasc do seu município.
Acesse o calendário clicando aqui.



