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Boi gordo volta a ganhar valor com arroba cotada a R$ 328,10

Alta registrada na terça-feira (14) interrompe recuo dos últimos dias, segundo o Indicador CEPEA/ESALQ.

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Foto: Ana Maio

O mercado do boi gordo registrou recuperação na terça-feira (14). De acordo com o Indicador CEPEA/ESALQ, a arroba foi cotada a R$ 328,10, alta de 1,08% em relação ao dia anterior.

A valorização interrompe a sequência de oscilações observada nos últimos dias, quando o indicador chegou a R$ 324,60 na segunda-feira (13). Na sexta-feira (10), a cotação havia encerrado em R$ 326,65, enquanto nos dias 8 e 9 de julho permaneceu em R$ 324,70.

Apesar da alta diária, o mercado ainda acumula desvalorização no comparativo mensal. Segundo o Cepea, o indicador registra queda de 2,47% em relação ao mesmo período do mês.

Em dólar, a arroba também apresentou avanço. A cotação passou de US$ 63,25 na segunda-feira para US$ 64,65 na terça-feira.

Fonte: O Presente Rural com Cepea

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Novo modelo pioneiro de engorda terceirizada ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira

Sistema remunera o confinamento pelo alimento efetivamente fornecido aos animais e mede o desempenho pela eficiência na conversão em carne.

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Foto: Divulgação/Maximus Agronegócio

Ultrapassar a marca de 100 mil bovinos abatidos em um único ano é a meta traçada para 2026 pela Maximus Agronegócio, especializada em confinamento e prestação de serviços de engorda. A projeção é alcançar cerca de 110 mil animais enviados ao frigorífico, resultado sustentado por três unidades de confinamento instaladas nos municípios de Sertãozinho, Clementina e Sales, no interior de São Paulo. A empresa adota um modelo de engorda terceirizada em que a remuneração é baseada na quantidade de matéria seca efetivamente fornecida aos animais.

Zootecnista e proprietário da Maximus Agronegócio, Neto Sartor: “No confinamento remunerado por diária tende a buscar o menor consumo possível que ainda permita atingir o ganho de peso esperado pelo cliente, reduzindo seus custos operacionais e ampliando sua margem” – Foto: Divulgação

A modalidade, introduzida no Brasil há quase dez anos pelo zootecnista e proprietário da empresa, Neto Sartor, é hoje o principal formato de contrato utilizado pela Maximus. Em 2025, 89,5% da prestação de serviço de engorda da companhia foi realizada com base no modelo de matéria seca, em vez das tradicionais cobranças por diária ou por arroba produzida.

A modalidade proposta se coloca como uma alternativa à resistência ainda presente na relação entre pecuaristas e o modelo de boitel: a insegurança sobre o custo-benefício da engorda, desempenho dos animais e regras comerciais para animais de diferentes padrões raciais que ingressarão no ciclo de engorda em confinamento.

No modelo adotado pela Maximus, o produtor paga pelo alimento efetivamente fornecido ao seu lote, enquanto o desempenho da operação é medido pela eficiência na conversão da matéria seca em carne. Segundo Sartor, esse sistema busca alinhar os interesses entre a empresa e o pecuarista, diferentemente do modelo tradicional de cobrança por diária. “Nos modelos de confinamento remunerados por diária, os incentivos entre quem presta o serviço e quem entrega os animais podem não estar alinhados. Como o ganho de peso tanto vivo quanto de carcaça está diretamente relacionado ao consumo de alimento, o produtor busca maximizar a ingestão para acelerar o desempenho do rebanho. Já o confinamento remunerado por diária tende a buscar o menor consumo possível que ainda permita atingir o ganho de peso esperado pelo cliente, reduzindo seus custos operacionais e ampliando sua margem”, explica.

De acordo com Sartor, a cobrança por quilo de matéria seca elimina esse desalinhamento. “No modelo baseado na cobrança por quilo de matéria seca consumida, essa divergência deixa de existir. Prestador de serviço e pecuarista passam a compartilhar o mesmo objetivo: elevar o consumo dos animais e maximizar a eficiência na conversão da matéria seca em ganho de carcaça”, afirma.

Além de dar mais clareza à relação comercial, o formato reduz algumas interferências como o peso de entrada dos animais, a distância viajada ou as características raciais dos indivíduos que irão compor o lote. Em viagens mais longas, por exemplo, a perda de peso no transporte, comumente chamada de “quebra de viagem”, pode alterar significativamente o peso do lote no desembarque, mas esse fator não interfere nos custos de engorda desses animais.

A intenção é fazer com que a engorda terceirizada seja percebida pelo pecuarista como ferramenta de gestão e não apenas como uma alternativa temporária para falta de estrutura própria. “O produtor deposita um patrimônio importante quando manda seus animais para um confinamento. Por isso, ele precisa entender exatamente a composição da conta, quais são as regras e qual resultado pode esperar. O boitel só se sustenta quando gera valor para o pecuarista”, destaca o

Foto: Divulgação/Maximus Agronegócio

diretor da Maximus Agronegócio, Pablo Campos.

Modelo surgiu a partir de dificuldades do mercado

 

A origem da Maximus está diretamente ligada a essa necessidade de construir uma relação mais previsível entre confinamento e produtor. Antes de criar a empresa, Sartor atuava como consultor e enfrentava dificuldades para encontrar operações que recebessem os animais de seus clientes com regras claras, transparência comercial e condições adequadas para diferentes perfis de rebanho.

Na época, ele observava obstáculos recorrentes, como divergências sobre peso de entrada, impacto das viagens, critérios de cobrança e limitações para receber animais com características distintas. A partir dessa experiência, decidiu empreender e montar o seu próprio boitel para então servir ao mercado como uma alternativa que solucionava estes mesmos desafios. Após visitar uma operação de engorda terceirizada nos Estados Unidos, Neto se inspirou em um modelo semelhante e o adaptou à realidade brasileira, criando a cobrança por quilo de matéria seca fornecida aos animais.

A empresa iniciou suas atividades em 2017, em uma unidade arrendada no município de Sabino, também no interior paulista. Logo no início, prestou serviço de quarentena à exportação de gado vivo para dois navios que deixaram o Brasil pelo Porto de Santos, mas em março de 2018 a Maximus retornou ao planejamento inicial e redirecionou a estrutura para a engorda de bovinos.

Até o final daquele ano, a empresa abateu cerca de 20,3 mil animais. Em 2019, primeiro ano completo na operação de engorda, o volume avançou para aproximadamente 34,7 mil cabeças, seguidos de outros 43 mil animais em 2020. Em 2025, a operação encerrou o ano com 96.993 animais abatidos.

A expansão levou à formação da atual estrutura, composta pelas unidades de Sertãozinho, Clementina e Sales. A empresa agora trabalha na padronização de processos, no fortalecimento da gestão, da governança e na integração das operações para sustentar o próximo ciclo de crescimento.

Além da prestação de serviço de engorda, ao longo de sua história, a Maximus se especializou também em atender marcas especificas de carne com foco em volume, regularidade de fornecimento e padronização de carcaça. A companhia também oferece antecipação de recebíveis para clientes com animais nas unidades.

Fonte: Assessoria Maximus Agronegócio
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Pequenas propriedades concentram 80% da pecuária de corte em Mato Grosso

Levantamento do Indea mostra que quatro em cada cinco fazendas de bovinocultura de corte no estado têm até 320 hectares, evidenciando o peso dos pequenos produtores na liderança nacional do rebanho bovino.

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Foto: Divulgação/Imac

Apesar de abrigar o maior rebanho bovino do país, Mato Grosso tem sua pecuária de corte sustentada majoritariamente por pequenas propriedades. Dados do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea) mostram que, das 106.009 fazendas dedicadas à atividade no estado, 85.005 possuem até 320 hectares, o equivalente a 80,1% do total.

Além da liderança nacional em número de bovinos, a pecuária de corte também é a atividade econômica com maior número de estabelecimentos em Mato Grosso. O segmento responde por 9,36% de todas as empresas registradas no estado, superando setores como o cultivo de soja, o comércio varejista de vestuário, o transporte rodoviário de cargas e a construção civil.

Foto: Fabiano Bastos

A estrutura da atividade inclui ainda 12.583 propriedades de médio porte, que representam 11,8% do total, e 8.417 grandes fazendas, correspondentes a 7,9%.

Entre os municípios com maior número de propriedades voltadas à bovinocultura de corte, Colniza ocupa a primeira posição, com 3.762 fazendas cadastradas. Na sequência aparecem Cáceres (3.218), Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051).

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, os números evidenciam que a competitividade da pecuária estadual está apoiada em uma ampla base de produtores. “Quando observamos que mais de 90% das propriedades pecuárias são de pequeno porte, percebemos que a pecuária mato-grossense é construída por milhares de produtores que geram renda, empregos e movimentam a economia local. Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, afirma.

Segundo Andrade, a presença da bovinocultura em praticamente todas as regiões do estado contribui para o desenvolvimento econômico dos municípios e fortalece a cadeia produtiva. “Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, salienta.

Fonte: Assessoria Imac
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Integração entre lavoura e pecuária transforma prejuízo de US$ 215 por hectare em resultado positivo

Estudo de 25 anos mostra que a diversificação da produção reduz os impactos das quebras de safra, aumenta a estabilidade da renda e melhora as condições do solo.

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Foto: Divulgação/Rede ILPF

A integração entre lavoura e pecuária pode reduzir os impactos das oscilações climáticas sobre a produção agrícola, aumentar a rentabilidade das propriedades e melhorar a qualidade do solo. A avaliação é do professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho, que apresentou resultados de pesquisas conduzidas ao longo de décadas no Sul do Brasil.

Professor do Departamento de Plantas Forrageiras e Agrometeorologia da UFRGS, Paulo Carvalho

Segundo o pesquisador, os levantamentos mostram que a região convive com uma elevada variabilidade climática e com a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos, cenário que amplia os riscos para os sistemas produtivos. Nos últimos 30 anos, o Rio Grande do Sul registrou frustração de safra em 44% das lavouras de soja e em mais de 50% das de trigo. Para Carvalho, os dados demonstram que a diversificação da produção é uma das principais estratégias para reduzir a vulnerabilidade das propriedades.

Um experimento de longa duração, conduzido durante 25 anos no estado, evidencia os ganhos da integração. Em sistemas exclusivamente agrícolas, a produtividade da soja variou de mais de 70 sacas por hectare em anos favoráveis para menos de 10 sacas por hectare em períodos de seca. Quando o gado é incorporado ao sistema para o pastejo das plantas de cobertura no inverno, a renda obtida com a pecuária é convertida em equivalente de produção de soja, elevando o resultado médio para 73 sacas por hectare.

Foto: Rodrigo Alva

O impacto econômico também é expressivo. Em anos de clima favorável, o sistema integrado proporciona receita superior ao dobro da obtida apenas com a agricultura. Já em anos de quebra de safra, enquanto a lavoura isolada registra prejuízo de US$ 215 por hectare, a integração entre agricultura e pecuária gera resultado positivo de US$ 189 por hectare.

Para Carvalho, a presença dos animais reduz a exposição da propriedade às oscilações do mercado e do clima. Enquanto a produtividade da soja apresenta variações superiores a 30%, a pecuária registra oscilações inferiores a 10%, funcionando como um fator de estabilidade para o sistema produtivo.

Foto: Gabriel Faria

As pesquisas também mostram benefícios físicos, químicos e biológicos ao solo. Utilizando técnicas de análise tridimensional, os pesquisadores verificaram que o pastejo moderado aumenta a conexão entre os macroporos do solo, favorecendo a infiltração e o armazenamento de água. O efeito resulta em aumento de 14% na capacidade de retenção hídrica.

Outro resultado observado foi o incremento de 140% na ocorrência de fungos benéficos em áreas manejadas com integração lavoura-pecuária. Esses microrganismos favorecem a absorção de fósforo pelas plantas, contribuindo para o aumento gradual da produtividade da soja ao longo dos anos.

Fonte: Assessoria UFRGS
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