Bovinos / Grãos / Máquinas
Boi 7-7-7: Conceito reduz tempo de abate em 30%
Boi 7-7-7 propõe que animal ganhe sete arrobas em cada uma das três fases: cria, recria e terminação; método é da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA)
A intenção de muitos pecuaristas brasileiros é produzir mais, com melhor qualidade e em menor tempo. Melhorar o manejo da propriedade e investir em tecnologias são algumas das estratégias utilizadas para o produtor que busca sempre por melhores resultados. Uma solução oferecida ao produtor brasileiro nos últimos anos e que tem dado resultado é o chamado Boi 7-7-7. Tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da unidade de Colina, interior de São Paulo, é uma opção ao pecuarista de gado de corte. A intenção é que o produtor tenha um melhor rendimento e resultado dos animais em menos tempo de produção.
O primeiro passo para que o produtor adote a tecnologia na propriedade é ter uma meta de como deseja fazer isso. Segundo o pesquisador da APTA, Gustavo Rezende Siqueira, o produtor precisa ter um objetivo em três fases: na cria, recria e terminação. “O mais importante é o produtor saber onde ele quer chegar na produção, ter uma meta produtiva”, diz. Siqueira afirma que isto não é algo simples e exige muito esforço e dedicação por parte do produtor. “O pecuarista precisa ter muita dedicação e vontade para fazer isso na propriedade. As metas do Boi 7-7-7 são audaciosas e é preciso que ele tenha gestão e muito empenho na própria propriedade. São os principais requisitos para que a tecnologia funcione”, destaca.
Siqueira explica o conceito do Boi 7-7-7. De acordo com ele, cada sete significa uma fase da produção. “O ideal é fazer o animal desmamar com sete arrobas aos oito meses, ganhar outras sete nos 10-12 meses seguintes e engordar mais sete em confinamento a pasto ou com ração no período máximo de 120 dias”, informa. O pesquisador diz que com os três setes, o pecuarista consegue abater novilhos de 22-24 meses com 21 arrobas, alcançando produtividade muito acima da média nacional e ainda incorporando ao sistema produtivo um item muito valorizado pelos frigoríficos: acabamento de carcaça. “O conceito garante aumento na receita da fazenda, devido à maior velocidade de giro do rebanho e à produção de mais arrobas por animal, estratégia fundamental em tempo de bezerro valorizado”, diz.
O pesquisador acrescenta que, com a tecnologia, os resultados são obtidos em dois anos, no máximo. “No sistema tradicional de produção, são necessários, no mínimo, três anos para o animal atingir 18 arrobas. Com o Boi 7-7-7, além da produção precoce, a tecnologia pode aumentar em até 30% os lucros do pecuarista”, afirma.
Segundo o pesquisador, o segredo da tecnologia está na suplementação e dieta dos animais. “A parte principal em que o produtor precisa se preocupar é com a nutricional”, comenta Siqueira. De acordo com ele, a base de qualquer sistema de produção intensiva é o bezerro, e é ali que está o primeiro sete. Para desmamar machos com 210 quilos aos oito meses de idade, conforme propõe o conceito do Boi 7-7-7, o produtor precisa investir em boa genética, acertar o manejo reprodutivo e garantir nutrição adequada às matrizes. “A produção começa, portanto, na barriga da vaca”, afirma. Ele comenta que as matrizes merecem comer capim o ano inteiro, ou seja, sem restrições alimentares.
Siqueira conta que as sete arrobas da recria – segundo sete -, são o maior desafio para o pecuarista. Ele explica que em sistemas de exploração convencional, esse período se estende por dois longos anos, mas a proposta é reduzi-lo a 10-12 meses, agilizando o ciclo e liberando áreas para mais animais, o que eleva a produtividade. “Não é fácil fazer os animais ganharem, a pasto, uma média de 580/g/cab/dia nesta fase”, diz. Ele comenta que o principal gargalo são os 150 dias de seca posteriores à desmama, quando os animais, além de enfrentarem o estresse causado pela separação da mãe, precisam se adaptar a uma dieta exclusivamente forrageira e dela extrair nutrientes para acelerar o desenvolvimento. “Para facilitar o manejo, eu proponho subdividir a recria em três estações distintas: inverno, verão e outono, estabelecendo assim estratégias nutricionais para cada uma delas separadamente”, orienta.
O pesquisador explica que após acumular sete arrobas na recria, é fundamental que os animais sejam confinados ou terminados a pasto com ração para ganhar tempo e conferir acabamento à carcaça. “O produtor tem 10-12 meses para fazer as arrobas do meio (recria) e apenas quatro para produzir as sete finais, o que exige aporte de energia e genética adequada”, informa. Siqueira acrescenta que caso tenha boa oferta de pasto e lhe falte infraestrutura o pecuarista pode optar pela terminação intensiva a pasto (TIP), que está crescendo no Brasil, devido ao menor custo e baixo investimento em instalações. “Na APTA fornecemos, em cochos colocados no pasto, cerca de oito a 10 kg/cab/dia de ração (2% do peso vivo). Trata-se de um nível de suplementação semelhante ao do confinamento convencional; a diferença é que os animais ficam em piquetes maiores e têm o capim como fonte de volumoso”, explica.
O pesquisador destaca que a proposta do Boi 7-7-7 é viável em boa parte do território nacional, desde que se respeite as peculiaridades de cada região. A tecnologia já é utilizada por pecuaristas dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Rondônia, principais regiões brasileiras produtoras de gado de corte.
Além disso, Siqueira destaca que a tecnologia pode ser adotada em qualquer raça de bovinos de corte. “Pode ser que algumas deem melhor resultado do que outras, mas pode ser utilizada em todas as raças”, argumenta. O tamanho da propriedade também não é problema, segundo o pesquisador. “Temos casos de grandes, médios e pequenos produtores que utilizam o conceito Boi 7-7-7 e que dá certo. É uma tecnologia que todo pecuarista pode utilizar, porque ela só vai dar resultados se o produtor quiser e se dedicar”, afirma.
Nutrição
O segredo para o funcionamento da tecnologia na propriedade é o investimento do produtor na nutrição do animal. Segundo Siqueira, o pecuarista pode ter um desembolso maior, mas isso porque ele precisa investir na dieta. “(O investimento) é compensado com o ganho de peso do animal, porque ele ganha mais peso em menos tempo”, lembra o pesquisador. Ele argumenta que a produção de bovinos com qualidade e em tempo 30% menor requer estratégia. “É necessário que sejam utilizadas diversas ferramentas para atingir esse resultado. O trabalho envolve, principalmente, manejo de pasto e suplementação alimentar”, diz.
Siqueira conta que a dosagem da suplementação varia. De acordo com ele, quanto maior o peso do animal, maior a dosagem. “Essa suplementação ajuda na engorda e não causa nenhum prejuízo para a saúde do animal. Pelo contrário, ela proporciona mais bem estar a ele”, afirma. Sem contar que, em produção normal, os pecuaristas precisam de três anos para fazer o giro – período entre o início da produção até o abate. Já com a tecnologia APTA, é possível fazer um giro e meio neste período. “Essa precocidade do sistema é importante para toda a cadeia pecuarista”, comenta.
O pesquisador reitera que a tecnologia viabiliza também a produção de animais inteiros, ou seja, não castrados, mas com boa gordura de cobertura. “Esse ganho conserva melhor a carcaça no processo de refrigeração. No sistema normal de criação, o animal inteiro engorda mais rápido, porém a camada de gordura de cobertura – importante para a proteção da carcaça durante o resfriamento – é menor”, afirma.
A tecnologia, de acordo com Siqueira, traz ainda o benefício ambiental, já que a precocidade na produção de gado significa menor emissão de gás metano na atmosfera. Além disso, quem também se beneficia com o sistema Boi 7-7-7 é o consumidor, que tem acesso a uma carne com melhor qualidade, incluindo sabor e maciez, além de coloração mais atrativa, afirma o pesquisador.
Pecuaristas que não conhecem a tecnologia Boi 7-7-7 podem entrar em contato com a APTA para aprender e adotar na propriedade.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
