Conectado com

Avicultura

Biosseguridade para matrizes e frangos precisam ser adaptáveis

Medidas de biosseguridade garantem o bem-estar dos animais e das pessoas envolvidas na produção, além, é claro, de garantir a segurança dos alimentos que chegam na mesa dos consumidores.

Publicado em

em

Shutterstock

As ações de biosseguridade na produção comercial de aves são fundamentais para evitar a entrada e propagação de doenças na granja. As medidas garantem o bem-estar dos animais e das pessoas envolvidas na produção, além, é claro, de garantir a segurança dos alimentos que chegam na mesa dos consumidores.

Os procedimentos de biosseguridade a serem implementados e aplicados em um sistema de produção de matrizes de corte que vão produzir ovos para a produção de frangos são aqueles contemplados como os dez elos da corrente de biosseguridade: isolamento físico do sistema; fluxo operacional; limpeza e desinfecção; monitoramento e análise; possível erradicação de enfermidades; vacinação e medicação; auditorias de rotina; educação continuada; plano de contingência e recursos financeiros.

PhD em Medicina Veterinária, Luiz Sesti: “Os programas de biosseguridade sempre estarão diretamente ligado à realidade epidemiológica e objetivos de operação de cada granja” – Fotos: Divulgação

Para o PhD em Medicina Veterinária, Luiz Sesti, antes de desenhar um programa de biosseguridade é necessário saber qual o tipo de produção avícola industrial o programa será implementado. Portanto, segundo ele, um programa de biosseguridade sempre deve ser flexível e adaptável. “Ou seja, saber qual tipo de granja para definir o escopo e o nível de detalhes dos procedimentos do programa de biosseguridade desenhado especificamente para aquele sistema de produção”, explica Sesti.

Via de regra, será necessário corrigir, adaptar e atualizar o programa, sempre com o objetivo de manter a maior eficácia possível dentro das limitações econômicas e operacionais do sistema de produção.

Sem receita

Um erro básico apontado por Sesti, e muito comum na avicultura industrial, é a busca por uma “receita de bolo”, ou seja, um conjunto qualquer de procedimentos de biosseguridade que possam ser aplicados e efetivos em qualquer situação. “Todo sistema de produção que inicie sua atividade desta maneira já começa errando drasticamente”, ressalta.

De acordo com Sesti, a melhor e principal ferramenta para a biosseguridade é a educação continuada de todos os envolvidos dentro do sistema de produção. “Uma equipe treinada e constantemente atualizada sempre será o melhor caminho para um programa de biosseguridade eficiente”, destaca.

Pontos de atenção

Segundo Sesti, três pontos básicos devem ser considerados dada a importância da biosseguridade na avicultura industrial. Ele cita primeiro a saúde pública, ou seja, a produção de proteína animal extremamente nutritiva, saudável e livre de contaminações por agentes zoonóticos que possam afetar a saúde dos consumidores.

Outro ponto é a manutenção do nível de saúde dos plantéis brasileiros, de maneira que a exportação de produtos avícolas e material genético não seja afetada.

PhD em Medicina Veterinária, Luiz Sesti: “O programa de biosseguridade sempre estará diretamente ligado à realidade epidemiológica e objetivos de operação de cada granja”

A terceira questão apontada por Sesti faz referência a rentabilidade e sobrevivência da atividade avícola. Conforme ele, plantéis enfermos não desempenham bem zootecnicamente e colocam em risco a continuidade do sistema de produção. “Além disso, a oferta de empregos e manutenção da mão-de-obra nas zonas de produção podem ser seriamente prejudicadas”, destaca.

Outro ponto extremamente importante que precisa ser observado é o fato de que praticamente todos os sistemas de produção avícola produzem alimentos para consumo humano (ovos e carne fresca ou industrializada). “Os procedimentos do programa de biosseguridade deverão obrigatoriamente contemplar a prevenção da transmissão de agentes infecciosos zoonóticos dos produtos avícolas destinados para o nosso consumo”, menciona.

O terceiro pilar de atenção é a ciência sobre os desafios causados por agentes infecciosos presentes na região, estado ou país em que está localizado o sistema de produção. “Isto será chave, por exemplo, para o planejamento da produção e para a definição do programa de vacinação das aves”, orienta Sesti.

Existem situações de sistemas de produção especializados, tais como as granjas SPF (Specific Pathogen Free/Livre de Patógenos Específicos) onde se aplicam os mais estritos procedimentos de biosseguridade possíveis tecnicamente. “Nestes sistemas se originam matérias-primas indispensáveis à produção de insumos e antígenos para vacinas de uso animal e humano”, explica.

Perdas

Qualquer agente que possa causar enfermidade em um sistema de produção será um propagador de perdas econômicas, não somente para a empresa afetada, mas também para a região e o país onde a empresa está situada.

De acordo com Sesti, tais perdas se apresentam como mortalidade e baixo desempenho zootécnico, entretanto, existem enfermidades que causam impactos mais significativamente que esses: o impacto político. A Newcastle e a Influenza Aviária, por exemplo, são enfermidades capazes de afetar toda uma indústria mundialmente conhecida, tal como a indústria avícola brasileira. “Uma cadeia produtiva que exporta cerca de 40% da sua produção”, destaca Sesti. Portanto, se o Brasil fosse afetado por uma dessas enfermidades, isso geraria enormes perdas econômicas geradas pela imediata parada de exportação de carne avícola com duração mínima de até seis meses, afirma Sesti. “Caso isso ocorresse, o país teria que provar a erradicação da enfermidade para todo o mercado mundial, o que geraria perdas econômicas imensuráveis”, afirma.

Biossegurança e Biosseguridade

Biossegurança é a tradução literal da palavra “biosafety” (inglês). Refere-se explicita e unicamente à saúde humana. Há inclusive uma lei nacional publicada em 24 de março de 2005 que descreve as diretrizes de biossegurança que devem ser utilizadas pelo país, além de contar com uma comissão específica nomeada responsável (CTNBio).

Sesti explica que as normas e planos de biossegurança são permanentes, praticamente imutáveis (a não ser para tornarem-se ainda mais restritos). “O objetivo de um programa de biossegurança é risco zero e 100% proteção para o ser humano”, afirma Sesti.

Esta definição é aplicada geralmente para pessoas que trabalham em laboratórios humanos, no desenvolvimento de organismos geneticamente modificados, laboratórios e fábricas onde se manuseiam qualquer tipo de material que possa afetar a saúde humana (biológicos, químicos, radiativos, etc.).

Em geral, as normas de biossegurança estão intimamente ligadas ao princípio da precaução, que prevê, em linhas gerais, que se algo pode afetar a saúde humana, em algum momento, deve ser proibido.

Biosseguridade é algo totalmente diferente, relacionada única e exclusivamente à saúde animal, principalmente àquelas espécies criadas com o objetivo industrial de produzir alimento humano. Biosseguridade é a tradução literal da palavra “biosecurity” (inglês) que surgiu na segunda metade da década de 1980 dentro da indústria suinícola dos Estados Unidos, conceito imediatamente absorvido e implantado pela indústria avícola.

De acordo com Sesti, as normas de biosseguridade, ao contrário das de biossegurança, são e devem ser flexíveis, adaptáveis e evolutivas. De outra maneira, biosseguridade impediria a produção de proteína animal nas indústrias avícolas e suinícolas. “Biosseguridade prevê o uso de riscos conhecidos e assumidos, sem os quais não poderia haver produção animal economicamente rentável”, ressalta.

Ainda conforme Sesti, um programa de biosseguridade, ao contrário de um programa de biossegurança, se adapta a uma situação epidemiológica específica. Além disso, pode tratar de prevenção, controle/convivência ou erradicação, com o objetivo de conseguir uma produção de proteína animal de alta qualidade com custos acessíveis. “Basicamente, biosseguridade está relacionada à Medicina Veterinária preventiva e à produção de proteína animal”.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura Editorial

O Nordeste avícola já não cabe no rodapé

Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.

Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.

A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.

Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
Continue Lendo

Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

Publicado em

em

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock

A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura No Noroeste do Estado

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência

Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Ilustração

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação

A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.

De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.

A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.

Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi

A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.

A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.