Avicultura
Biosseguridade é prioridade para reabertura de mercados da avicultura paranaense
Reunião da Comissão Técnica de Avicultura do Sistema Faep em Cascavel reforça investimentos em treinamento, cultura sanitária e estratégias para retomar exportações afetadas pela influenza aviária.

O investimento contínuo em biosseguridade na avicultura é o principal pilar para a reabertura total de mercados, conforme conclusão dos integrantes da Comissão Técnica (CT) de Avicultura do Sistema Faep, reunidos nesta terça-feira (28), em Cascavel, no Oeste do Paraná. O encontro, sediado no Sindicato Rural do município, envolveu representantes de avicultores das principais regiões produtoras do Estado para debater estratégias em prol da cadeia produtiva.
Em maio de 2025, pela primeira vez, o Brasil registrou um caso de influenza aviária em granjas comerciais. O foco isolado no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul, resultou no fechamento temporário de mercados externos para o frango brasileiro.
Com a superação da crise, diversos países já retomaram as importações, mas ainda faltam dois importantes players: China e partes da União Europeia. “Apesar de alguns mercados ainda não terem sido reabertos, já reconquistamos boa parte do nosso prestígio internacional após a crise da influenza. É uma questão de tempo até retomarmos mais negócios. Isso é fruto de anos de investimento e mudança de cultura, e muitas dessas decisões nasceram na nossa comissão”, analisou Diener Gonçalves, presidente da CT de Avicultura do Sistema Faep. “Temos uma avicultura robusta e um sistema sanitário exemplar. Isso é um trunfo para reabrirmos mercados após a crise da influenza aviária”, destacou o presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Para o consultor técnico em avicultura Marcos Scherer Junges, o Brasil é altamente competitivo no cenário global, e os produtores devem manter o foco na biosseguridade para que a reabertura de mercados de forma mais rápida e eficiente. “No cenário global, estamos cada vez mais próximos de situações de colapso, e a biosseguridade vem justamente para nos auxiliar nesse sentido”, explicou.
Junges ressaltou que biosseguridade vai muito além de investimentos em estruturas físicas, envolvendo principalmente o treinamento e a consolidação de uma cultura entre os elos da cadeia produtiva. “Precisamos focar no treinamento das pessoas que atuam nas granjas, criar rotinas claras e práticas, de modo que todos saibam o que deve ser feito e como deve ser feito. A maior parte da biosseguridade está nas atitudes e nos comportamentos do dia a dia”, enfatizou.
Atualmente, o Paraná é o maior produtor nacional de frango e, em muitos municípios, a atividade representa a principal fonte de renda, conforme dados do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP).
Programação
Durante a reunião, outros temas também foram abordados. Técnicos do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep apresentaram dados do levantamento de custos de produção elaborado pela entidade, além de discutirem a tomada de subsídios sobre contratos de integração e outros assuntos gerais propostos pelos participantes.
A programação da CT incluiu ainda uma visita à Feira da Indústria Latino-Americana de Aves, Suínos e Peixes (AveSui), realizada de 28 a 30 de outubro, no Centro de Convenções e Eventos de Cascavel Pedro Luiz Boaretto.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.



