Avicultura
Biosseguridade é elevada ao extremo das bisavós aos pintinhos
Nesta entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, o diretor de Operações da Aviagen Brasil, Leandro München, fala sobre o processo produtivo das bisavós que chegam ao Brasil e como a biossegurança é essencial para garantir a qualidade da produção.

O jornal O Presente Rural entrevistou o diretor de Operações da Aviagen Brasil, Leandro München. Nesta entrevista, München fala sobre o processo produtivo das bisavós que chegam ao Brasil e como a biossegurança é essencial para garantir a qualidade da produção. Ele explica como são as instalações para os animais, os cuidados sanitários que precisam ser observados e a importância de investir em pessoas, estruturas e meio ambiente para produzir uma fonte de proteína sustentável. A Aviagen é uma das principais empresas de genética avícola do mundo. Confira.
O Presente Rural – De onde veem as bisavós para o Brasil e como funciona o processo produtivo até chegar nos pintinhos?
Leandro München – As bisavós que chegam ao Brasil são oriundas das aves pedigree da Aviagen nos Estados Unidos e Reino Unido. Recebemos ovos de linhas puras (pedigree), que são incubados no incubatório de bisavós. Então, os pintinhos de 1 dia (bisavós) são alojados em granjas da Aviagen, específicas para recria e produção. Todo o fluxo desse processo ocorre em ambientes preparados e controlados, pensando na segurança biológica, ambiental e de bem-estar animal.
O Presente Rural – Como são as instalações para esses animais e como funciona os programas de biosseguridade?
Leandro München – Isolamento, restrições de acesso, movimentações de pessoas, equipamentos e planejamento estratégico são conceitos-chave para o sucesso dos programas de biosseguridade da Aviagen. Não deve haver exceções. As instalações nas unidades (granjas) são construídas para maximizar o controle operacional de todos os fatores externos. O modelo construtivo tem o compromisso com facilidade de higienização e sanitização do ambiente, oferecendo às aves o máximo conforto e bem-estar animal. As granjas são isoladas e monitoradas em tempo integral. Seus veículos e equipamentos são exclusivos. Quando falamos de ração, temos nossa unidade de produção de ração, onde o acesso também é controlado e segue as mesmas regras de controle, como vazio sanitário, suabe e alto controle de acesso (banhos, desinfecção, vazio sanitário, análises). Contamos com o mais eficiente sistema de tratamento térmico de rações, realizando controle laboratorial de todas as partidas de produção tanto na fábrica quanto nas granjas. Enfim, nada acessa qualquer unidade sem controle. Todo o controle de biossegurança integra-se às normas de compartimentação e IN56 e soma-se a isso rígidas normas internas de biossegurança da Aviagen.
O Presente Rural – Qual é o tempo de produção de bisavós, avós e matrizes e quanto produzem?
Leandro München – O tempo da ave em produção deve sempre respeitar os conceitos de biossegurança e bem-estar animal, esses são fatores inegociáveis. Preconizamos que nossas bisavós produzam até 60 semanas de idade. Já as avós da Aviagen têm o standard de produção até 65 semanas de idade.
O Presente Rural – Quais os cuidados sanitários que precisam ser observados nesse processo?
Leandro München – Esse tópico é crítico e crucial para o sucesso operacional. O primeiro cuidado é ter pessoas preparadas, comprometidas, treinadas e com as melhores estruturas em todas as fases do processo. Seguir o conceito de excelência é a melhor ferramenta: antecipar fatos, prever incidentes e estar vigilante ao que ocorre farão a diferença. Por isso, as instalações (granjas, incubatórios, fábricas de ração, fábrica de maravalha e laboratórios) seguem padrões específicos e restritos, implementados pela Aviagen. Fisicamente temos de ter isolamento das unidades, barreiras de contenção, controle de acesso de tudo que poderá acessar a unidade (pessoas, materiais, veículos, maravalha, ração). Nada acessará uma unidade sem a realização de vazio sanitário monitorado. Falando sobre riscos microbiológicos (vírus e bactérias), pessoas, estruturas, ovos, aves, materiais e rações, entre outros, são analisados constantemente. Foco em ser preventivo e preditivo.
O Presente Rural – Quanto custoso e importante é esse processo para não trazer problemas em toda a cadeia seguinte?
Leandro München – O comprometimento da Aviagen e suas equipes vai além de nossas estruturas físicas. Nossas atitudes convergem para oferecer alimentação para as futuras gerações, oferecendo material genético de alto desempenho e qualidade para a produção de uma fonte de proteína sustentável ao mundo. Assim, investir em biossegurança, em pessoas, estruturas e meio ambiente são vistos por nós como algo essencial. A excelência em tudo que fazemos nos norteia. Esforços, dedicação e responsabilidade demandam altos investimentos financeiros, pois estamos sempre olhando além do horizonte atual.
O Presente Rural – Para onde vai a produção da Aviagen?
Leandro München – Acreditamos no Brasil e, em especial, em nosso povo, empresários, produtores e empresas. Assim, a produção que temos no Brasil destina-se principalmente ao mercado local, tanto para os produtos matrizes quanto avós, porém atende também aos clientes localizados nos países da América do Sul. Também temos habilitações estratégicas para atender países da América Latina, Europa e África. Seguimos crescendo aqui, mas também ampliando nossas operações na América Latina.
O Presente Rural – Quais são os principais desafios e os pontos de maior atenção até a produção de pintinhos de um dia?
Leandro München – Precisamos de um planejamento estratégico e pessoal altamente capacitado. O principal desafio começa pelo cumprimento rígido dos padrões de biossegurança, sendo esse o primeiro passo. E, também, nunca esquecer de garantir o bem-estar das aves, pois esses dois pilares entregarão às aves as condições corretas para otimizar a produção de ovos com alto padrão de qualidade. A rastreabilidade de linhagem e o transporte seguro dos ovos até o incubatório são também fatores muito importantes. Nas plantas de incubação, soma-se ao processo a alta tecnologia para oferecer aos nossos parceiros o alto padrão genético.
O Presente Rural – Como é feito o transporte até a chegada e recepção nas granjas?
Leandro München – O transporte dos pintinhos de 1 dia pode ser realizado via aérea e em caminhões climatizados exclusivos, com as aves rastreadas e acondicionadas em caixas, preconizando o conforto, bem-estar animal e biossegurança das aves. Todo processo com temperatura e umidade controladas.
O Presente Rural – Fale sobre a evolução, os valores genéticos incorporados aos pintos de um dia.
Leandro München – A seleção de indivíduos de alto potencial seguirá cada dia mais aprimorada com novas tecnologias e alta capacidade de análise de dados. A genética seguirá
na busca por aumentar a sustentabilidade da cadeia de produção, atendendo o mercado de proteínas. A evolução genética continuará trazendo benefícios da granja à mesa do consumidor. Com eficiência de transformação de proteínas, a cada dia consome-se menos grãos para o mesmo resultado, que gera um produto dia a dia mais competitivo.
O Presente Rural – Quais são as novidades na área genética para o futuro?
Leandro München – Para o futuro estamos prevendo ganhos similares graças à alta tecnologia empregada no programa de melhoramento genético da Aviagen, tais como a digitalização e rastreabilidade de aves (pedigree) para registro de consumo de alimentos em tempo real, fortalecendo a seleção para conversão alimentar. Atualmente, o uso de tomografia computadorizada já é uma realidade em nossas unidades. Utilizamos essa tecnologia para melhorar, avaliar as aves e selecionar características de desempenhos. Adicionalmente, a seleção genômica que busca a identificação de marcadores e genes no DNA da ave tem aumentado e muito a precisão da seleção pelos geneticistas. Vejam, não modificamos DNA mas, sim, analisamos e associamos essa informação com outro imenso número de dados, para isso há necessidade do uso de ferramentas de análise de dados. Enfim, a evolução genética está associada a pessoas capacitadas, observação, capacidade de captar dados e principalmente, da análise de todas as características das famílias de indivíduos.
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Avicultura
Conbrasfran 2026 atrai expositores e líderes da avicultura nacional
Conferência em Gramado registra 60% dos espaços comerciais vendidos meses antes do evento, reforçando papel estratégico para a cadeia produtiva.

A 2ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), promovida pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), já apresenta forte mobilização empresarial meses antes de sua realização, marcada para 23 a 25 de novembro, em Gramado, na serra gaúcha.
A Central de Negócios do evento registra cerca de 60% dos espaços comercializados, refletindo o interesse de empresas fornecedoras, indústrias e parceiros estratégicos em integrar um ambiente qualificado de relacionamento, visibilidade institucional e construção de agenda setorial, antecipa o presidente Executivo da Asgav e organizador do evento, José Eduardo Santos. “Surpreendeu a quantidade de expositores já confirmada”.
A conferência tem uma configuração estratégica, técnica e empresarial que atrai lideranças, profissionais e produtores do setor. A Conbrasfran 2026 vai reunir representantes de todos os elos da cadeia produtiva para discutir inovação, eficiência, sustentabilidade, gestão e tendências de mercado. A programação é estruturada para estimular troca de experiências, atualização técnica e conexões de alto nível.
“O objetivo da Conbrasfran é fortalecer a integração da cadeia produtiva e ampliar o diálogo entre indústria, fornecedores e especialistas, criando um ambiente estratégico para a evolução da avicultura brasileira”, afirma Santos. Para ele, a adesão antecipada à área de negócios reforça o papel do encontro como espaço estruturante para o setor, consolidando a conferência como ponto de convergência da avicultura nacional.
“Em um ambiente que exige planejamento, visão integrada e capacidade de adaptação, a mobilização antecipada do mercado demonstra a importância de fóruns capazes de antecipar debates e alinhar estratégias”, encerra o executivo. Outras informações sobre a 2ª Conbrasfran, realizada pela Asgav, podem ser encontradas na página do evento, acesse clicando aqui, através do Instagram @conbrasfran, do What’sApp (51) 9 8600.9684 ou do e-mail conbrasfran@asgav.com.br.
Avicultura
Queda de energia mata 20 mil frangos no Oeste do Paraná
Interrupção no fornecimento compromete ventilação de aviário em São Miguel do Iguaçu e causa prejuízo de R$ 150 mil.

Uma interrupção no fornecimento de energia elétrica resultou na morte de 20 mil frangos de corte em uma granja de São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, na terça-feira (03). As aves tinham 26 dias de criação e estavam a menos de três semanas do envio para uma cooperativa da região. O prejuízo estimado pela proprietária da área, Sandra Bogo, é de R$ 150 mil.
A mortalidade foi identificada por volta do meio-dia. No mesmo dia, as aves foram recolhidas e descartadas conforme os protocolos de biosseguridade exigidos para esse tipo de situação.
De acordo com a produtora, a propriedade possui gerador de energia, mas a instabilidade no fornecimento comprometeu o funcionamento do equipamento, afetando o sistema de ventilação do aviário. No momento da ocorrência, os termômetros marcavam cerca de 35°C no município, com sensação térmica próxima de 40°C, conforme dados do Simepar.
As altas temperaturas, associadas à falta de ventilação, agravaram a situação. Conforme orientações da Embrapa Suínos e Aves, a faixa ideal de conforto térmico para frangos em fase final de criação varia entre 21°C e 24°C.
A granja possui três aviários de 1.500 metros quadrados cada, com 20 mil aves alojadas em cada estrutura. Apenas um dos galpões foi afetado. Segundo Sandra, o produtor responsável pela atividade conta com seguro que cobre danos estruturais e mortalidade de animais, mas a liberação de eventual indenização depende da análise técnica do laudo.
Em nota, a Copel informou que o desligamento na região de Nova Santa Rosa do Ocoy foi causado pelo rompimento de um cabo de energia. A empresa afirmou que o fornecimento ao cliente mencionado ficou interrompido por 17 minutos, entre 11h16 e 11h33, período em que equipes realizaram manutenção e manobras para restabelecer o serviço a partir de outra fonte. A companhia acrescentou que redes aéreas estão sujeitas a interferências externas, como contato com vegetação, e que vem investindo em tecnologias para reforçar a operação do sistema.
Avicultura
Rio Grande do Sul registra foco de gripe aviária em aves silvestres
Secretaria da Agricultura informa que caso não altera status sanitário do Estado nem impacta o comércio de produtos avícolas.

O governo do Estado, por meio do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), detectou foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1), conhecida como gripe aviária, em aves silvestres encontradas na Lagoa da Mangueira, no município de Santa Vitória do Palmar, na Reserva do Taim.
A Seapi esclarece que a infecção pelo vírus da gripe aviária em aves silvestres não afeta a condição sanitária do Rio Grande do Sul e do país como livre de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), não impactando o comércio de produtos avícolas. Também ressalta-se que não há risco na ingestão de carne e de ovos, porque a doença não é transmitida por meio do consumo.
O vírus foi identificado em aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba. A notificação de animais mortos ou doentes foi atendida pelo Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS), no dia 28 de fevereiro, e as amostras coletadas foram enviadas para o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade referência da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA), que confirmou a doença.
O SVO está no local para aplicar as medidas e os procedimentos para a contingência da Influenza Aviária na região. A vigilância está sendo realizada na região por servidores da Seapi, em parceria com as equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Além disso, ações de educação sanitária e conscientização serão realizadas na região.
O diretor do DDA, Fernando Groff, informa que serão conduzidas medidas de vigilância e prevenção nas criações de subsistência locais. “O Rio Grande do Sul convive com o vírus da influenza desde 2023, e temos priorizado as atividades de prevenção e reforço das condições de biossegurança das granjas avícolas, de forma contínua, visando proteger o plantel avícola e manter a condição sanitária do nosso Estado”, ressaltou Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em animais devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou através do WhatsApp (51) 98445-2033.




