Conectado com

Suínos / Peixes Biossegurança

Biossegurança na produção de suínos: o que o produtor pode (e deve) fazer para reforçar a proteção de seu plantel

Manutenção de boas práticas de biossegurança é um exercício contínuo, que exige planejamento, diretrizes claras e muita disciplina

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 A sanidade é hoje um dos principais pontos de atenção na suinocultura. O registro de enfermidades nos últimos anos, sejam elas emergentes ou reemergentes, tem causado grandes prejuízos aos suinocultores em várias partes do mundo e colocado o setor em estado de alerta. Mais do nunca, a execução de um bom programa de biossegurança deve ser tratada como prioridade máxima pelos produtores. A manutenção de boas práticas sanitárias, no entanto, requer planejamento, políticas e diretrizes claras, disciplina e, sobretudo, o comprometimento de todos os envolvidos. Em entrevista exclusiva ao Presente Rural, Gustavo Simão, gerente de Serviços Veterinários da Agroceres PIC, enumera uma série de dicas e procedimentos de biossegurança essenciais para impedir a introdução de enfermidades nas unidades de produção de suínos.

O Presente Rural (OP Rural) – Como você analisa a atual situação sanitária da suinocultura mundial?

Gustavo Simão – A sanidade é hoje uma das principais preocupações da suinocultura. O avanço de enfermidades com alto potencial de disseminação, como a Peste Suína Africana (PSA) por exemplo, vem demonstrando a necessidade de reforçarmos as políticas e padrões quanto a estrutura e procedimentos de biossegurança, tanto em nível oficial, através dos órgãos de defesa sanitária, como nas unidades de produção. A situação exige atenção e empenho de todos. Neste momento, temos que intensificar nossos esforços para evitar a entrada de doenças, mas, caso isso ocorra, temos que ter medidas claras de contenção e contingência. Em se tratando de vírus, como PSA, por exemplo, para o qual não temos nenhuma arma efetiva, como a vacina, a preparação e as medidas de prevenção devem ser  ainda maiores.

OP Rural – Qual o papel dos programas de biossegurança nesse cenário?

GS – Tem um papel absolutamente prioritário. A biossegurança compreende um amplo conjunto de medidas para mitigação de risco durante os manejos diários, que são essenciais para o funcionamento de uma unidade de produção de suínos. Da mesma forma que as empresas possuem regras e uma filosofia de trabalho, as boas práticas de biossegurança devem fazer parte de sua cultura. Somente com um bom programa de biossegurança, elaborado a partir da realidade e das características da granja ou do sistema de produção, é possível definir as normas a serem executadas, promover treinamentos e mensurar, a partir de indicadores e auditorias, as vulnerabilidades e o que é preciso fazer para aprimorar, continuamente, a proteção das unidades de produção.

OP Rural – Sob o ponto de vista da biossegurança, quais são os eventos de maior risco para a entrada de patógenos numa granja?

GS – Baseando-se em resultados de modelos epidemiológicos, sem dúvida, seriam, primeiro, a movimentação de animais – o que engloba introdução de animais de reposição no plantel residente, sem passar por quarentenas, carregamento de descartes sem critérios claros de inspeção dos caminhões após lavação e desinfecção e procedimentos corretos durante o carregamento, dentre outros. Em seguida, a entrada de pessoas, o ingresso de ração contaminada, equipamentos e materiais sem passar por processo rigoroso de fumigação, alimentos, doses inseminantes sem procedência confiável, a destinação de animais mortos e, por fim, o acesso livre às composteiras por animais silvestres e situações que atraiam pragas carreadoras de patógenos, como roedores e pássaros.

OP Rural – Que medidas precisam ser adotadas quanto a movimentação de animais nas granjas, por exemplo?

GS – É necessário monitorar o trânsito de veículos na unidade de produção. Para isso, é preciso intensificar os processos de lavação, desinfecção e secagem dos caminhões e automóveis. Outro ponto importante é que todos os veículos cumpram o período de vazio sanitário antes de sua entrada na granja, com o objetivo de garantir a secagem completa na maioria dos casos. Nesse sentido, o TADD é uma tecnologia que vem ganhando espaço, pois promove a desinfecção dos caminhões por secagem forçada com ar aquecido. Uma vantagem adicional deste processo é a não necessidade de período de vazio sanitário após a lavagem, secagem e desinfecção, otimizando o tempo de utilização dos veículos no transporte de animais. Em resumo, somente os veículos inspecionados e aprovados devem ser autorizados a entrar.

Além disso, a entrada e saída dos suínos deve respeitar o fluxo unidirecional e a divisão das áreas limpa, intermediária e suja da granja, limitando o contato do colaborador interno com a carroceria do caminhão. São medidas importantíssimas, pois até que se prove o contrário, o caminhão deve ser considerado um vetor potencial de contaminação por circular em locais de risco, como outras unidades de produção e frigoríficos.

Já as granjas que adotam o sistema de produção fechado, têm como grande vantagem a autorreposição de fêmeas, evitando a introdução de leitoas e reprodutores de origem externa, uma vez que a atualização genética do plantel é feita internamente com o apoio de Genética Líquida, ampliando, assim, a proteção sanitária da granja.

OP Rural – A entrada de pessoas na granja é outro ponto crítico. Como se deve agir nesse sentido?

GS – É preciso restringir ao máximo as visitas à unidade de produção. Somente pessoas essenciais ao funcionamento da granja devem ter sua entrada autorizada. Ainda assim, devem seguir um rigoroso protocolo de biossegurança, como banho, troca de roupas e calçados e cumprir o tempo de vazio sanitário. Para atender a essas medidas, as instalações do vestiário precisam ser adequadas, de modo a permitir a correta realização dos procedimentos de rotina, como por exemplo, a utilização de bancos como barreira física, para serem deixados os calçados, dispor de armários na áreas suja e limpa, possibilitando a organização das vestimentas e toalhas em seus devidos lugares. Também é importante manter uma sinalização clara dos limites entre as áreas suja, intermediária e limpa, facilitando o aprendizado das ações corretas na granja.

OP Rural – E quanto ao ingresso de equipamentos, materiais e utensílios, como proceder?

GS – A entrada de quaisquer equipamentos deve obedecer rígidas normas de descartes de embalagem como papelão e plásticos, na área suja, e desinfecção completa e eficiente do restante dos materiais. Todo objeto, seja ele suprimento ou equipamento, antes de ingressar na granja precisa fazê-lo através das salas de descontaminação, utilizando fumigação com desinfetantes aprovados, e das câmaras de descontaminação, utilizando luz ultravioleta ou álcool 70%, dependendo do tipo de material, seguindo o protocolo específico da unidade de produção. O tipo de produto, dosagem e tempo de exposição devem ser, rigorosamente, seguidos e são fundamentais para garantir o processo de fumigação e reduzir o risco de introdução de patógenos por essa via. Detalhes dos procedimentos podem ser encontrados em nosso Guia de Biossegurança.

OP Rural – A compra e uso de insumos para fábrica de ração é outro ponto de vulnerabilidade. Que normas de biossegurança devem ser adotadas para mitigar a introdução de agentes por essa via?

GS – É preciso redobrar a atenção e controlar a importação desses insumos, principalmente os originados dos países de risco, onde a transmissão de PSA entre granjas permanece ativa. Estudos recentes, realizados por pesquisadores renomados, mostraram que vários vírus podem resistir a diferentes oscilações de humidade e temperatura, como em viagens intercontinentais de navios e, mesmo dentro de ingredientes de ração comumente importados.  Portanto, a orientação em relação as ações de mitigação de risco, em se tratando de suplementos de fábrica, é aguardar, pelo menos, 30 dias após a chegada do container. Somente após esse período, os suplementos devem ser distribuídos e utilizados, já que a inativação natural da maioria dos vírus ocorre quando o produto é armazenado durante 78 dias na temperatura de 21ºC. Esse tempo é facilmente atendido considerando o processo de importação e os 30 dias após a chegada. Outra orientação é a fumigação do interior do container com aplicação de formaldeído e exposição de, pelo menos, uma hora. O exterior também deve ser descontaminado com a ajuda de desinfetantes aprovados.

OP Rural – Reforçar outras medidas de biossegurança, como o manejo da composteira, é outro expediente a ser adotado?

GS – Se imaginarmos que os vírus e bactérias possuem diferentes períodos de incubação, ou seja, de tempo distintos para iniciar os sinais clínicos mais severos e chamar a atenção do produtor ou do sanitarista, podemos estar diante de uma “torneira” vazando a dias. Isso significa que o patógeno poderá estar por toda parte, inclusive na composteira. Portanto, podemos concluir que seria uma fonte de contaminação e, portanto, uma ameaça para granjas vizinhas, quando pensamos nos raios de atuação das moscas e animais silvestres. E se a composteira não estiver devidamente telada, bem manejada e com critérios rigorosos de acesso por parte dos colaboradores, a disseminação acontecerá de forma mais comum do que imaginamos. Dessa forma, a perda do controle do foco pode representar a perda da guerra contra algum vírus exótico que possa vir a entrar no país. Assim, temos o compromisso de cuidar da compostagem considerando-a uma porta de entrada de doenças da mesma forma que as outras já citadas.

OP Rural – Diante do impacto econômico causado pelas doenças na suinocultura, pode-se concluir que prevenir é sempre mais barato do que remediar. Daí a importância de o produtor rever, frequentemente, suas práticas de biossegurança?  

GS –  O trabalho de prevenção de qualquer enfermidade é um esforço coletivo, que envolve as autoridades sanitárias oficiais e o setor privado. Mas o engajamento do produtor é fundamental. Para se ter uma ideia do impacto econômico causado por algumas doenças exóticas ao Brasil, como PRRS, por exemplo, estudos recentes publicados pela Universidade do Estado de Iowa, nos EUA, estimaram quedas de até 5 leitões desmamados/fêmea/ano após introdução do vírus de alta patogenicidade em UPLs negativas, e aumento da mortalidade em recrias e terminações podendo chegar em 25%. Os EUA estimam que os prejuízos para conviverem com o agente (forma endêmica) podem estar na ordem de U$ 700 milhões/ano. As granjas brasileiras têm um bom nível sanitário, quando comparado com outros países produtores importantes. O fortalecimento das medidas de biossegurança nos sistemas de produção continua a ser a principal forma de prevenção. Ao garantir sua correta execução, a empresa ou o produtor podem reforçar a segurança sanitária de sua granja e reduzir o risco da entrada de qualquer agente infeccioso.

OP Rural – Para finalizar, o que a Agroceres PIC vem fazendo para reforçar a cultura da biossegurança entre seus colaboradores e clientes?

GS –  Tratamos a biossegurança com prioridade máxima e temos levado essa mensagem para todos os nossos clientes. Nos últimos 5 anos, por meio de uma equipe dedicada a essa área, implementamos inúmeros procedimentos de mitigação de risco em nossas unidades e em nossa rede de multiplicação. Para comunicar estas regras de biossegurança ao mercado, criamos vídeos educativos que apresentam, de forma bastante ilustrada e didática, as normas e protocolos de biossegurança que devem ser praticados nas unidades de produção. Todos os vídeos estão disponíveis em nosso aplicativo e no canal técnico de nosso site, podendo ser acessados facilmente. Investimos ainda na biossegurança do transporte, como a renovação de 100% das carrocerias da frota, permitindo melhor qualidade de lavação e desinfecção, instalação do sistema de desinfecção TADD, treinamentos constantes de toda equipe e, por fim, participação ativa junto aos órgãos competentes na elaboração de planos de contingência para os principais agentes que ameaçam a nossa suinocultura.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

doze + 11 =

Suínos / Peixes Suinocultura

Melhoramento genético para máxima eficiência alimentar: uma nova abordagem

O compromisso é produzir um animal com alto ganho de peso diário e ao mesmo tempo com alta eficiência alimentar

Publicado em

em

Divulgação

 Artigo escrito por Mariana Anrain Andreis, Msc. em Melhoramento Genético Animal e geneticista chefe na DNA América do Sul

Na suinocultura tecnificada, a maior parte dos custos de produção estão ligados a alimentação, no Brasil essa participação varia entre 70-80%, dependendo do sistema de produção avaliado. Assim, a redução dos custos via aumento da eficiência em conversão alimentar se tornou essencial em nosso sistema de produção.

Consequentemente, a eficiência alimentar passou a ser uma das grandes preocupações dos programas de melhoramento genético de suínos em todo mundo, e tal característica ganhou grande relevância nos índices de seleção de linhagens. Os resultados foram surpreendentes e, em três décadas, foi possível produzir 1kg de carne suína com 600g a menos de ração.

Mas o que se está selecionando?

Quando o melhoramento genético de suínos passou a incluir a C.A. (Conversão Alimentar) no índice de seleção? Que característica foi essa? A C.A. é a razão entre o consumo de ração e o ganho de peso do animal, dentro de determinado período.

Cabe lembrar que, nos programas de melhoramento, todas as características são avaliadas dentro de intervalos de tempo e sabemos que o consumo e o ganho de peso são características altamente correlacionadas, tanto geneticamente quando fenotipicamente. Esta razão, portanto, que conhecemos como C.A., pode ser alterada de duas formas: reduzindo o numerador (Consumo alimentar) ou aumentando o denominador (Ganho de peso). De que forma isso pode impactar as populações de suínos que estão sendo melhoradas?

Acompanhemos dois exemplos

Na tabela abaixo pode-se notar que dois animais, apesar da mesma C.A., têm desempenhos distintos, entretanto, o Animal 02, com o maior G.P.D (Ganho de Peso Diário), é muito mais rentável, em situações normais de mercado, tanto ao produtor quanto à indústria, por conta do seu maior peso vivo para a mesma idade e, consequentemente, melhor rendimento.

Analisando com um pouco de atenção o modelo biológico, animais de alto GPD alongam seu tempo de crescimento de estrutura óssea e atrasam a deposição de gordura. Essa deposição de gordura tem um custo energético bem superior, fazendo com que a eficiência da conversão de alimento em kg de peso vivo seja pior nesta última fase. Ou seja, “atrasando” o período de deposição de gordura, o animal de maior G.P.D. permanece mais tempo na fase mais eficiente do seu crescimento.

Ao observarmos o Animal 01 na tabela acima, podemos supor que seu baixo G.P.D. pode ter sido consequência de um consumo inferior, falta de apetite ou por outros fatores. Com consumo baixo, mesmo com G.P.D. menor, sua C.A. será adequada, podendo “confundir” processos de seleção altamente pautados nesta variável.

Nesse contexto vale a seguinte reflexão: O que é melhor? Um animal de 160 dias com 110kg e C.A. de 2,0 ou outro com a mesma idade e C.A., porém com 130 kg de peso vivo?

Gráfico 1: modelo biológico de crescimento em animais com perfis de G.P.D. distintos

E como o melhoramento genético pode trabalhar essas características?

De maneira geral, as publicações científicas são consistentes em afirmar que a seleção baseada em um modelo multicaracterístico que inclua as duas características que compõe uma razão é mais eficiente do que a seleção diretamente aplicada sobre a razão. O modelo multicaracterístico é aquele que inclui duas ou mais características e suas correlações e realiza a estimação do valor genético de todas conjuntamente. Isso significa dizer que a seleção direta sobre a proporção – nesta discussão, sobre a C.A. – é complicada pela maneira desproporcional pela qual a pressão de seleção é exercida sobre as características que a compõe, ou seja, o consumo e o ganho de peso. Quando se trabalha com um modelo multicaracterístico usando um índice de seleção, pode-se colocar uma pressão de seleção determinada sobre cada característica, o que deve resultar, portanto, em uma quantidade previsível de ganho genético.

Além disso, usando um modelo multicaracterístico podemos aproveitar a correlação genética existente entre as duas características, aumentando a acurácia da predição do valor genético para as duas variáveis – Ganho de peso e Consumo – assim como das demais características de produção correlacionadas com estas.

Analisando os aspectos biológicos, genéticos e estatísticos, não há maneira mais efetiva de diminuir a C.A. do que se realizar o processo de seleção, dentro de um modelo multicaracterístico, para as duas variáveis que compõe esta razão: Consumo e ganho de peso.

Embasadas nessas análises, alguns programas de melhoramento modernos não fazem seleção direta para Conversão Alimentar. Ao contrário, buscam máxima eficiência alimentar otimizando o ganho genético das variáveis que determinam essa conversão. O compromisso é produzir um animal com alto ganho de peso diário e ao mesmo tempo com alta eficiência alimentar. A seleção individualizada para as variáveis ganho de peso diário e consumo alimentar (ao invés da seleção direta para a CA) é seguramente a melhor forma de alcançar esses objetivos, principalmente em mercados onde se busca alcançar pesos de abate mais elevados com eficiência de conversão e rendimento de carcaça.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Suinocultura

Pisos térmicos são opção para bem-estar na maternidade

Suinocultor utiliza e garante que a diferença sentida é grande; principais benefícios são redução da mortalidade e ganho de peso dos leitões

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Garantir total bem-estar animal conseguindo assim melhores resultados é o que muitos suinocultores vem fazendo ao longo dos anos. A adoção de tecnologias que ajudem isso tem facilitado o trabalho dos produtores. Esse é o caso do suinocultor do Oeste do Paraná César Luis Scherer, que há sete anos adotou em suas granjas pisos térmicos. Pode parecer algo simples, mas os resultados trazidos foram surpreendentes e satisfatórios, garante o suinocultor. Scherer possui duas granjas: a Vô Manzke, com aproximadamente 700 matrizes, e a Granja Tigrinho, com aproximadamente 1,8 mil matrizes, sendo as duas no município de Toledo.

 Nas duas granjas Scherer utiliza exclusivamente piso térmico nos escamoteadores. “Comecei a usar este sistema de aquecimento desde o inverno de 2013, quando instalamos no Granja Vô Manzke. Agora, na construção da Granja Tigrinho, não hesitamos e, em todas as 420 baias, foi instalado o piso térmico”, informa.

De acordo com o suinocultor, as principais diferenças sentidas na granja após a instalação dos pisos térmicos foram a redução da mortalidade e o ganho de peso dos leitões. “O ambiente aquecido dentro do escamoteador faz com que o leitão procure aquele espaço e não fique próximo a matriz. Com isso, reduz a mortalidade por esmagamento. Ele vai até a matriz somente no momento da amamentação. Por outro lado, como não passa frio ele se desenvolve melhor, que resulta em um ganho de peso maior”, explica.

Scherer destaca que o custo da energia diferencia um pouco depois da instalação dos pisos térmicos. “Mas obvio que com o ganho de peso e redução da mortalidade, compensam”, garante. Outro fato citado pelo suinocultor que foi observado na propriedade, comparando com o passado, foi a redução dos chamados leitões de refugo. “Temos a produção de leitões mais uniformes”, afirma. Mais um ponto positivo observado foi quanto ao resultado da mortalidade de leitões nos crechários. “A média dos últimos seis meses foram de 1.27%, que segundo os técnicos é excelente. Demonstra que os animais desmamados estão preparados e com boa saúde”, diz.

Para o suinocultor, é indispensável implementar um sistema que de conforto térmico e bem-estar ao leitão, para alcançar bom desempenho na atividade de produção de leitões desmamados. “Dentre as opções que estão postas (lâmpada incandescente, Resistência Elétrica, lâmpada infravermelha e Piso térmico), o piso térmico em primeiro lugar apresenta baixo custo de manutenção e dificilmente apresenta problemas. Enquanto lâmpadas, mesmo que com certa resistência, acabam quebrando e sempre é necessário desmontar para fazer a limpeza. Outro fator interessante do piso térmico é o controle absoluto da temperatura de forma extremamente simples. Também é fácil fazer a limpeza e não requer desmontagem. Fica um ambiente limpo e bem higienizado”, assegura.

Scherer reconhece que o desempenho da produção de leitões envolve muitas variáveis, como manejo, limpeza, ambiência, alimentação adequada. “Variáveis que se somam. Mas é importante mencionar que temos alcançado excelente resultados e, no último ano, as granjas mencionadas, alcançaram o segundo e o terceiro lugar na premiação de maior número de leitões porca ano, promovido pela Cooperativa Copagril”, conta. Ele comenta que a estimativa é que neste ano as granjas alcancem mais de 32 leitões vendidos porca ano (atualmente no resultado parcial 32,82), com desmame aos 28 dias.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos / Peixes Pesquisas apontam

Nova tecnologia em probióticos para leitões dispensa uso de antibióticos

A TCP foi desenvolvida no Brasil, e na suinocultura os testes estão sendo realizados através de uma parceria  com a UFPR

Publicado em

em

Divulgação

É uma realidade no momento atual o movimento de agências reguladoras ao redor do mundo pela orientação de reduzir ao máximo o uso de antibióticos preventivos e também de estimuladores de crescimento na produção pecuária. Em função dessa demanda, foi criada a TCP (Tecnologia do Consórcio Probiótico) – um ecossistema harmônico no qual os microrganismos presentes criam uma solução baseada em probióticos para saúde e nutrição de leitões.

A combinação desses microrganismos não produz competição entre eles, ao contrário, produz metabólitos (ácidos orgânicos, enzimas, aminoácidos, vitaminas e açucares) que multiplicam os microrganismos benéficos quando atuam diretamente sobre a matéria orgânica existente, recuperando e restaurando o meio em que se aplicam. As soluções resultantes dessa tecnologia podem ser apenas metabólitos ou microrganismos vivos.

A TCP foi desenvolvida no Brasil, e na suinocultura os testes estão sendo realizados através de uma parceria  com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Segundo o pesquisador Geraldo Alberton, da UFPR, a tecnologia tem o diferencial de ser focada não somente no animal, com produtos de fermentação aplicados no indivíduo, mas também com produtos aplicados no ambiente. Ele explica que isso é essencial, uma vez que a saúde do animal depende do equilíbrio com a limpeza e com a qualidade microbiológica do ambiente em que ele vive.

“Na natureza os suínos têm um contato íntimo com o solo, ingerem o solo. Inclusive nos suínos recém-nascidos, essa ingestão de solo é responsável pela suplementação de ferro, já que ele nasce com a reserva muito pequena e o leite da mãe não suplementa. Na suinocultura nós temos que fazer essa suplementação do ferro de forma injetável, ou seja, é da natureza do animal interagir com o solo e ingerir solo. Ele é fonte de bactérias benéficas que vão formar a microbiota do animal”, explica Alberton.

Resultados confirmam

De acordo com Alexandre Silva, gerente da granja Cerutti (Palotina/Paraná), os resultados da tecnologia já podem ser vistos, principalmente na saúde dos animais, mudança no manejo e resultados além dos que eram antes contabilizados na propriedade. Ele usa a TCP desde agosto de 2018 e, mesmo com desconfiança no início, garante que os benefícios surpreenderam.

“No que diz respeito à avaliação que a gente faz, pelo menos no meu caso, é muito positiva. Porque precisamos reduzir, se não em 100%, o máximo possível o uso de antibióticos. Nesse sentido, a TCP veio para solucionar isso. A tecnologia está fazendo uma diferença grande, a gente está diminuindo consideravelmente o uso de antibióticos e melhorando muito o desempenho de produção da granja com o uso do produto”, revela.

Como principais benefícios do uso da TCP, ele cita a redução quase total do uso de antibióticos injetáveis tanto em leitões quanto em fêmeas adultas, bem como uma maior facilidade de manejo. “A fêmea aceita muito bem na ração, ela deixa a ração mais gostosa e, além disso, essa fêmea sai muito melhor, o score corporal dela sai muito melhor da maternidade para a próxima gestação. Ganhamos em peso, ganhamos em desempenho, em [menor] mortalidade, ganhamos em menos antibióticos e menos necessidade de manejar o animal”, completa o produtor.

Pesquisa estrutura solução

Para chegar ao resultado apresentado, os pesquisadores da nova tecnologia tiveram que realizar testes com ecossistemas de microrganismos até chegarem a um blend natural probiótico líquido em forma de aditivo alimentar à base de microrganismos e leveduras. Fizeram o mesmo para aplicação no ambiente chegando a uma solução natural probiótica líquida em forma de antimicrobiano à base de microrganismos, ambos produzidos pela TCP. No primeiro estudo promovido pelo professor Alberton foram respeitadas quatro etapas de aplicação. Ele levou em consideração a preparação e a manutenção da sala, a aplicação nos escamoteadores e também com os animais.

Na preparação da sala, o blend TCP para aplicação no ambiente foi utilizado no piso das gaiolas de maternidade e escamoteadores 48 horas antes do alojamento das matrizes. Já na manutenção ele foi aplicado no piso das gaiolas de maternidade por meio de bomba costal três vezes por semana.

Nos escamoteadores, foi aplicado com borrifador, sem diluição, três vezes por semana. Já o blend TCP para aditivo alimentar foi fornecido para as porcas e para os leitões, diariamente. Para as matrizes forneceu-se diretamente no cocho, sobre a ração, pela manhã no 1° trato.

“Para os leitões, o fornecimento nos primeiros 3 dias de vida o produto foi dado diretamente na boca dos leitões, na dose de 3ml/animal/dia, sem diluição. A partir do quarto dia de vida, a mesma dose foi colocada no cocho dos animais, sendo que do 4° ao 7° dia o produto foi oferecido na forma líquida e, a partir do 8° dia, misturado com a ração de maternidade, na diluição de 1:3. A partir do 15° a quantidade por animal foi aumentada para 5 ml, na mesma diluição”, apontou ele em seu estudo.

O estudo indicou que, dos 413 leitões nascidos, foram desmamados 366 dentro do experimento. Dos demais 47 leitões, 29 vieram a óbito e 18 foram remanejados para porcas que não pertenciam ao teste. A principal causa das mortes foi esmagamento, portanto, sem influência do teste. De acordo com os resultados, os leitões e as porcas que foram tratados ganharam 408 gramas a mais que o grupo sem tratamento, um ganho que representa praticamente 5kg a mais por leitegada.

“Apesar de não ter influenciado os parâmetros sanitários, o desempenho zootécnico sofreu influência dos tratamentos. Conforme notado durante o teste, tanto as matrizes como os leitões se interessavam mais pela ração quando a TCP era adicionado ao trato. É possível que isto tenha melhorado a ingestão de ração pelas porcas e pelos leitões, embora esta variável não tenha sido avaliada. Com relação aos leitões, muitos estudos já demostraram que o peso ao desmame não é influenciado pelo consumo de ração do leitão na maternidade, e sim pela ingestão de leite”, completou.

Para o futuro, outros estudos estão em andamento para comprovação da utilização da TCP para combater microrganismos patogênicos e melhoramento de produtividade. “Estamos inciando um segundo estudo, desta vez os leitões serão acompanhados na fase de creche também, em torno de 700 leitões serão acompanhados. O objetivo é novamente avaliar ganho de peso e a saúde dos animais. Nós temos uma expectativa muito boa, porque a suinocultura evoluiu para um ambiente que exige uma tecnologia que combate os agentes patogênicos não só no intestino, mas no ambiente dos animais”, conclui o professor. A intenção é disponibilizar a tecnologia para empresas interessadas a partir de 2021.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
PORK EXPO

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.