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Biológicos no manejo de pragas, doenças e nematoides traz incremento de até oito sacas de soja por hectare
Resultado foi confirmado em trabalho realizado pela Fundação MT, que conduz em todo o estado diversos experimentos que demonstram ganhos de produtividade e redução de problemas comuns nas lavouras com a adoção de bioinsumos.

As dúvidas sobre a eficácia e as possibilidades de resultados importantes com o uso de produtos biológicos na agricultura têm ficado cada vez mais no passado. As pesquisas que consideram alternativas mais sustentáveis no manejo de controle de pragas, doenças e nematoides são parte fundamental desse processo e na Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) já são realizadas há quase duas décadas. Assim como em outros momentos, experimentos feitos pela instituição na última safra de soja demonstram incremento de produtividade, bem como redução da população de pragas, nematoides e maior controle de doenças na cultura.
De 25 a 28 de abril este tema estará em evidência no 23º Encontro Técnico Soja, evento tradicional da Fundação MT que acontece em Cuiabá, mas também com transmissão online. No dia 27, pesquisadores estarão reunidos no talk show “Aplicabilidade do uso de biológicos no sistema de produção”, onde vão trazer discussões sobre controle biológico e sustentabilidade e mostrar resultados de pesquisas em entomologia, fitopatologia e nematologia. Um dos estudos se refere ao Projeto Biológicos, que há quatro anos é realizado nas culturas de soja e algodão, e o Ensaio Protetores, iniciado mais recentemente nas mesmas culturas.
Resultados do Projeto Biológicos
A divulgação das estratégias e resultados do Projeto Biológicos, conduzido pela área de Fitopatologia e Biológicos da Fundação MT, faz parte dos seus objetivos. Na safra de soja 2022/23 o trabalho foi conduzido no Centro de Aprendizagem e Difusão, em Sapezal-MT (CAD Oeste), com a semeadura da soja em 19 de outubro. Nesta edição, participaram as empresas Biocontrol e Lallemand com o posicionamento de seus produtos bionematicidas, bioinseticidas e biofungicidas em dois tratamentos, o biológico e o integrado.

Fitopatologista e pesquisador da Fundação MT, João Paulo Ascari: “o caso dos nematoides, mesmo utilizando cultivar sensível houve redução da população e nos tratamentos sem bioinsumos houve multiplicação dos parasitas” – Fotos: Divulgação/Fundação MT
De acordo com João Paulo Ascari, fitopatologista e pesquisador da Fundação MT, mancha alvo e cercospora foram as doenças mais presentes, além de baixa pressão de lagartas e percevejos, e média a alta pressão de mosca-branca. Entre os nematoides, houve presença de nematoide de cisto (Heterodera glycines), nematoide das galhas (Meloidogyne spp.), das lesões radiculares (Pratylechus spp.) e nematoide espiralado (Helicotylenchus spp.).
No padrão de manejo integrado, onde foi realizado o tratamento de sementes e aplicações foliares com produtos químicos, além do uso de biocontroladores, o pesquisador detalha que houve redução de até 40% na população de nematoides e de 30% na população de pragas com relação ao tratamento testemunha (apenas com inoculante biológico e sem manejo desses problemas). Em relação às doenças, o controle foi de até 50%, considerando a mancha alvo e cercosporiose como as principais. “No caso dos nematoides, mesmo utilizando cultivar sensível houve redução da população e nos tratamentos sem bioinsumos houve multiplicação dos parasitas”, completa o especialista.
Consequentemente, a resposta em produtividade também foi satisfatória com a adoção dos produtos sustentáveis e, de modo geral, o incremento chegou a até oito sacas de soja por hectare. “Esse era o nosso objetivo, mostrar que o uso de biocontroladores é uma forma de alcançar mais sustentabilidade, incrementando o manejo já praticado e obtendo resultados em produtividade satisfatórios ao produtor e com menor impacto ao meio ambiente”, pontua João Ascari.
O Projeto Biológicos segue acontecendo na safra de algodão, e a proposta é que os tratamentos sejam repetidos por mais três safras (soja e algodão) para verificar a consistência dos dados, e com espaço para novas empresas parceiras.
Ensaio Protetores
Também conduzido em Sapezal na cultura da soja, este ensaio utiliza indutores de resistência, além de três diferentes biofungicidas e ainda fungicidas sítio-específicos. O papel dos indutores é auxiliar a planta a ter um sistema de defesa mais ativo e capaz de se defender dos patógenos mais rápido. Já os biofungicidas têm a responsabilidade de reduzirem e até impedirem o desenvolvimento das ameaças, e ainda podem atuar na indução de resistência das plantas.
A pressão de mancha alvo é considerada alta na região, além disso, o inóculo da doença está presente o ano inteiro devido as culturas de soja e algodão multiplicarem o patógeno. João Ascari explica que o ensaio é um ponta pé para essa complexidade que vem surgindo no controle não só de mancha alvo, mas de cercospora também, e procura entender que outras alternativas são viáveis além dos multissítios, que ainda são fundamentais no controle, como alcançar mais produtividade e manejo anti-resistência a fungicidas.
A cultivar utilizada é representativa na região do estudo e sensível às principais manchas foliares. Com o uso das ferramentas biológicas, o controle das doenças chegou a cerca de 30% em relação à testemunha sem fungicidas. Já o incremento em produtividade foi de até cinco sacas por hectare. “Os resultados para soja foram muito bons, chamou a atenção a forma como os biológicos e indutores têm contribuído no controle de doenças. Vamos investir mais energia nesse ensaio, replicando em outros CAD’s para comprovar o efeito também regional”, detalha o profissional.
Pesquisa de quase duas décadas
Na área de Entomologia, os trabalhos com o uso de fungos e bactérias entomopatogênicas são desenvolvidos pela Fundação MT desde 2007 no controle de lagartas. A partir de 2013, com a ocorrência de Helicoverpa armigera, as pesquisas se intensificaram nas culturas de soja e algodão. Além disso, a instituição participou do desenvolvimento de diferentes produtos à base de vírus para controle de Spodoptera frugiperda no algodão e no milho.
Para controle de mosca-branca, a Fundação MT tem realizado trabalhos com o uso de fungos entomopatogênicos e produtos à base de Beauveria bassiana, onde é possível observar o controle efetivo com a integração de químico e biológico. Todos os trabalhos acontecem nas áreas próprias de pesquisa em diferentes regiões do Estado, e em áreas de parceiros.
Nas últimas safras de soja, as pesquisas estiveram voltadas para controle de mosca-branca, lagarta Spodoptera eridania e avaliação de controle de percevejo marrom com o uso de parasitoide de ovos. Também foi realizado um trabalho de manejo de lagartas com uso de parasitoide de ovos de lepidópteros e manejo integrado de pragas, comparado ao manejo realizado pelo produtor.
Na pesquisa que envolveu o uso de parasitoide de ovos de lagartas, o resultado foi de R$ 42,33 por hectare a menos em relação ao manejo do produtor e com a mesma produtividade. Já no manejo de percevejos com uso de parasitoide de ovos de percevejo a produtividade foi superior em relação ao manejo do produtor e não houve diferença para a qualidade da semente. “Isso nos mostra que é possível adotar o controle biológico, no entanto, é necessário ter o monitoramento da área com foco na praga alvo para identificar o momento correto para o uso dos bioinsumos e, se a população da praga aumentar, deve-se fazer uso de controle químico”, destaca Lucia Vivan, entomologista e pesquisadora da Fundação MT.
A especialista ressalta ainda que para o controle de pragas nem sempre há aumento de produtividade, mas que é possível observar o uso mais racional de produtos químicos, redução de surtos de população e controle por períodos maiores se comparado ao controle químico. “Para o uso de produtos biológicos é importante que o produtor faça o monitoramento constante da sua área, identifique as primeiras infestações e acompanhe a flutuação populacional da praga. O manejo integrado com químico e biológico tem mostrado bons resultados em diferentes culturas”, completa.
Mais informações
Todo esse panorama da aplicabilidade de biológicos no sistema de produção também poderá ser acompanhado após o Encontro Técnico Soja, através do aplicativo da Fundação MT que recebe o conteúdo na íntegra. Além dos especialistas da instituição, também estará presente o pesquisador Wagner Bettiol, da Embrapa Meio Ambiente, que vai retratar a importância dos bioinsumos de forma ampla, com os cuidados que precisam ser adotados no uso, os ganhos para o sistema, na fixação de carbono, ciclagem de nutrientes, entre outros.

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Copercampos reinaugura unidade de grãos em Otacílio Costa com investimento de R$ 16 milhões
Estrutura modernizada aumenta capacidade e agilidade no recebimento de soja e milho, beneficiando produtores da região.

A Copercampos reinaugurou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, a unidade de armazenagem de grãos de Otacílio Costa, na serra catarinense, após um amplo processo de modernização que recebeu investimentos superiores a R$ 16 milhões. A estrutura, implantada originalmente em 2012, ganhou nova moega, secador, instalação de tombador, caixa de carregamento e silo de armazenagem, garantindo mais eficiência, segurança e rapidez no fluxo de recebimento.
Com as melhorias, a unidade passa a ter capacidade estática de 380 mil sacos de 60 kg, além de maior agilidade operacional durante a safra, reduzindo filas e otimizando a logística dos associados da região.
Segundo o presidente da Copercampos, Luiz Carlos Chiocca, a obra atende uma necessidade prática do produtor, principalmente pelo ritmo acelerado da colheita no município. “Hoje estamos aqui em Otacílio inaugurando uma obra de suma importância para o produtor, que vai agilizar a sua colheita e o descarregamento, evitando filas e transtornos. Aqui a safra ocorre muito rápido devido ao clima e isso traz um grande benefício”.
Para o Diretor Superintendente da Copercampos e também produtor associado Lucas de Almeida Chiocca, que atua na região há mais de 15 anos, o investimento reforça a proximidade da cooperativa com quem produz. “Eu, como produtor há mais de 15 anos em Otacílio Costa, saio daqui com o coração cheio de alegria. A Copercampos mais uma vez está do lado do produtor, fazendo um grande investimento para resolver o problema do momento. O mais importante é o recolhimento do grão.”
O crescimento também foi destacado pelo prefeito de Otacílio Costa, Fabiano Baldessar, que ressaltou a transformação produtiva do município ao longo dos anos. “Otacílio Costa saiu de 700 a 800 hectares de lavoura entre 2009 e 2011 para hoje mais de 17 mil hectares, segundo dados da Epagri. Essa reinauguração é mais uma conquista e representa uma segunda virada de chave no agro do nosso município”, comentou.
A estrutura ampliada já será fundamental para a safra 2026, cuja previsão de recebimento é de aproximadamente 500 mil sacos de soja e 100 mil sacos de milho, volume que demonstra o novo patamar produtivo regional.
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Preços agropecuários caem 3,75% em janeiro, aponta Cepea
Todas as categorias registraram queda, com hortifrutícolas e grãos liderando a retração mensal.

Em janeiro, o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/CEPEA) registrou queda nominal de 3,75% em relação ao mês anterior.
O resultado mensal se deve à retração observada para todos os subgrupos do Índice, com destaque para o IPPA- Hortifrutícolas (-7,69%) e o IPPA-Grãos (-5,44%), seguidos pelo IPPA-Pecuária (-2,74%) e pelo IPPA-Cana-Café (-0,63%).
Já o IPA-OG-DI apresentou leve alta de 0,92% no mês, indicando que, em janeiro, os preços agropecuários tiveram desempenho inferior ao dos industriais.
No cenário internacional, os preços dos alimentos em dólares avançaram 0,33%, enquanto o Real se valorizou 2,11%, o que resultou em queda de 1,79% dos preços internacionais de alimentos medidos em reais.
Na comparação anual (janeiro/26 frente a janeiro/25), o IPPA/CEPEA caiu expressivos 8,19%, com quedas em todos os grupos: IPPA-Hortifrutícolas (-17,68%), IPPA-Cana-Café (-8,78%), IPPA-Grãos (-7,85%) e IPPA-Pecuária (-7,09%). No mesmo período, o IPA-OG-DI se desacelerou 2,21%, e os preços internacionais de alimentos acumulam queda de 19,12% em Reais e de 8,76% em dólares, refletindo também a valorização de 11,36% do Real em um ano.
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Cooperativas fortalecem cadeias de aves, suínos e leite em Santa Catarina
Dados apresentados mostram que 70% dos avicultores da cooperativa já possuem sucessão familiar definida, garantindo continuidade no campo.

Reflexões estratégicas sobre o futuro do cooperativismo, o protagonismo jovem e a força das cadeias produtivas catarinenses. Assim iniciou a programação do Sebrae/SC no terceiro dia do 27º Itaipu Rural Show em Pinhalzinho. O evento reuniu duas palestras que dialogaram diretamente com os desafios e as oportunidades do agronegócio: União que Gera Valor: Engajamento e Cooperativismo no Campo, com Dieisson Pivoto, e Cadeia de Aves e Suínos em SC, com Marcos Zordan.

Diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan
Pivoto destacou como o cooperativismo transforma união em desenvolvimento econômico e social. Ele apresentou a trajetória da Cooper Itaipu como exemplo de organização e visão estratégica. Também abordou a atuação da Aurora Coop, formada por 14 cooperativas, com mais de 850 produtos no portfólio e presença em mais de 80 países, a cooperativa demonstra a dimensão que o modelo pode alcançar quando há integração e gestão eficiente.
Entre as contribuições da cooperativa aos seus sócios e à comunidade, Pivoto ressaltou a geração de renda ao cooperado, a assistência técnica no campo, a industrialização da produção e a criação de oportunidades que fortalecem toda a região. “Somos parte importante na alimentação do mundo. O cooperativismo gera valor quando fortalece o produtor, apoia a comunidade e prepara as próximas gerações para dar continuidade a esse legado”, afirmou.
Com foco especial na juventude, a palestra abordou a necessidade de incentivar o cooperativismo desde cedo, aproximando os jovens do modelo e reforçando seu papel na tradição e na inovação. O futuro do cooperativismo, segundo ele, depende diretamente do engajamento das novas gerações.
O diretor técnico do Sebrae/SC, Fábio Zanuzzi, aprofundou o debate ao falar sobre sucessão e permanência no campo. “Um dos grandes desafios é a continuidade não só do jovem na propriedade rural, mas também no modelo cooperativista. Temos percebido mudanças de comportamento entre as gerações, e isso exige uma comunicação mais próxima e estratégica. Precisamos ouvir o jovem, entender seus anseios e reconhecer que a velocidade dele é diferente da geração anterior”.
Cadeia de aves e suínos

Complementando a programação, a palestra “Cadeia de Aves e Suínos em SC”, ministrada pelo vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Zordan, trouxe uma análise sobre a importância estratégica dessas cadeias produtivas para a economia catarinense e nacional. “Conectamos a cadeia de suínos, aves e leite ao cooperativismo, seja por meio da Aurora Coop ou das cooperativas filiadas. Precisamos mostrar ao produtor o que estamos fazendo e o que o futuro nos espera nessas atividades”, explicou.
Zordan esclareceu a diferença entre os sistemas de integração, como ocorre na suinocultura, avicultura e na produção independente do leite, ressaltando a importância da segurança para o produtor na tomada de decisão. “Precisamos que esses produtores sintam firmeza ao decidir investir nessas atividades. O futuro aponta para aumento do consumo de alimentos e isso exige produtividade. E produtividade é a única forma de melhorar a rentabilidade”, enfatizou.
O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop expôs dados relevantes da avicultura regional. “Atualmente, cerca de 70% dos avicultores ligados a Aurora Coop já têm sucessão familiar encaminhada. No Brasil, esse índice gira entre 3% e 5%. Isso é resultado de um trabalho contínuo das cooperativas, das filiadas, da cooperativa e de todos que fortalecem o setor. Quando o produtor tem renda compatível, o filho fica na propriedade. Se o filho fica, a sucessão está garantida”, salientou.
Capacitação

Palestrante Dieisson Pivoto – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
“Encerramos a rodada de palestras desta sexta-feira (20), demonstrando a importância do desenvolvimento regional com iniciativas como o Programa Encadeamento Produtivo. Quando estruturamos as cadeias de aves, suínos e leite dentro de uma lógica cooperativista, estamos fortalecendo todos os elos, da produção primária à industrialização, da assistência técnica ao acesso ao mercado. Isso gera previsibilidade, competitividade e sustentabilidade econômica para o produtor”, concluiu Zanuzzi.
A atuação do Sebrae/SC qualifica esses elos, promove integração, gestão eficiente, inovação e planejamento estratégico. O desenvolvimento não ocorre apenas pelo aumento de produção, mas pela organização sistêmica da cadeia, adoção de tecnologia, ganho de produtividade e agregação de valor.




