Suínos
Biologia molecular fortalece eficácia de vacinas autógenas na suinocultura
Ferramentas genéticas permitem identificar cepas relevantes e ampliar o controle de infecções bacterianas nos rebanhos.

As infecções bacterianas representam um dos maiores desafios sanitários e econômicos da suinocultura moderna. Agentes como Actinobacillus pleuropneumoniae, Actinobacillus suis, Glaesserella parasuis, Pasteurella multocida, Streptococcus suis e Salmonella spp. causam desde pneumonia e poliserosite até septicemias, aumentando mortalidade e reduzindo o desempenho produtivo. As vacinas autógenas, formuladas a partir de isolados obtidos na própria granja, surgem como alternativa personalizada. No entanto, para garantir proteção eficaz, é essencial selecionar criteriosamente os agentes que comporão o antígeno. É aí que a Biologia Molecular exerce papel fundamental.
Diversidade intraespécie dos principais patógenos
Um dos grandes obstáculos na produção de vacinas autógenas é a enorme diversidade genética encontrada dentro de uma mesma espécie bacteriana. Entre os principais patógenos da suinocultura, o A. pleuropneumoniae se destaca por apresentar múltiplos sorotipos e perfis variados de toxinas da família Apx (ApxI, ApxII, ApxIII e ApxIV), fatores diretamente relacionados à sua virulência e ao impacto clínico observado nos rebanhos. Outro agente de relevância crescente é o A. suis, que pode causar quadros respiratórios agudos e septicemia em diferentes fases de produção, apresentando genes de toxinas semelhantes aos do App (como ApxI e ApxII) e grande diversidade genética entre isolados. A G. parasuis, por sua vez, é composta por mais de uma dezena de sorotipos, dos quais apenas alguns estão claramente associados a quadros graves de poliserosite, ressaltando a importância da tipagem molecular para distinguir isolados patogênicos daqueles de baixa relevância clínica. Já a P. multocida demonstra ampla variação nos fatores de virulência, como cápsula e toxinas, que influenciam sua capacidade de causar desde pneumonias até quadros septicêmicos.
O S. suis representa outro desafio, com dezenas de sorotipos descritos e múltiplos genes de virulência, como mrp, epf e sly, associados a manifestações clínicas severas como meningite, artrite e septicemia, sendo frequentemente reportados em isolados de granjas brasileiras. Por fim, as Salmonella spp. apresentam grande diversidade de sorotipos e subtipos genéticos que determinam diferentes quadros clínicos no rebanho, variando desde infecções entéricas até septicêmicas, o que reforça a necessidade de caracterização molecular detalhada para definir a relevância dos isolados em surtos específicos.
Papel da biologia molecular
A elevada variabilidade intraespécie observada nos principais patógenos da suinocultura evidencia que métodos tradicionais, baseados apenas em características fenotípicas ou em culturas bacterianas, podem ser insuficientes. Esses procedimentos, embora importantes, apresentam limitações em distinguir isolados clinicamente relevantes daqueles que possuem baixo potencial patogênico. As técnicas de Biologia Molecular permitem superar essa limitação ao revelar a assinatura genética dos patógenos.
Entre as ferramentas mais utilizadas destacam-se:
PCR e qPCR
Identificam rápida e especificamente a espécie bacteriana.
Detectam genes de virulência e resistência.
Tipagens moleculares (ERIC-PCR, REP-PCR, MLST)
Diferenciam isolados e definem se um surto é causado por uma única variante ou polimicrobiano.
Sequenciamento genômico (WGS/NGS)
Gera o perfil completo da cepa: fatores de virulência, marcadores de resistência, inserções genéticas e variações genéticas interespécie.
Análise filogenética
Relaciona isolados da granja examinada com diferentes granjas e regiões, permitindo rastrear dispersão e origem de cepas e melhora o entendimento epidemiológico.
Benefícios práticos para o produtor e o veterinário
A integração dessas ferramentas no processo de seleção de isolados para vacinas autógenas resulta em vantagens tangíveis:
- Maior eficácia vacinal
• Formulações incluem cepas representativas do surto, garantindo resposta imune direcionada. - Redução no uso de antibióticos
• Controle mais eficiente das infecções diminui a necessidade de tratamentos, alinhando-se às demandas por produção sustentável. - Monitoramento epidemiológico contínuo
• Perfis moleculares formam um banco histórico, identificando tendências, recorrências ou introdução de novas variantes. - Decisões sanitárias objetivas
• Veterinários e produtores fundamentam estratégias de imunização em dados genéticos sólidos, minimizando incertezas.
Conclusão
A grande diversidade genética intraespécie dos patógenos suínos torna insuficiente o uso exclusivo de métodos tradicionais para seleção de isolados em vacinas autógenas. As técnicas de Biologia Molecular, ao identificar genes de virulência, perfis clonais e relações filogenéticas, asseguram a inclusão de cepas realmente relevantes para o contexto clínico de cada granja. Esse rigor tecnológico potencializa a eficácia imunológica, fortalece o acompanhamento epidemiológico e reduz a dependência de antibióticos, consolidando a Biologia Molecular como pilar estratégico na sanidade suína moderna.
A referências bibliográficas estão com os autores. Contato: heloiza.irtes@pahc.com
Artigo escrito por Equipe de Biologia Molecular do Laboratório de vacinas autógenas da Phibro Saúde Animal
A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.

Suínos
Preço pago ao suinocultor em 2026 registra queda de 17%
Excesso de animais nas granjas pressionam ofertas e derrubam preços em Mato Grosso.

As cotações de praticamente todos os produtos da cadeia suinícola registram quedas expressivas neste início de 2026. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o movimento de baixa está diretamente relacionado ao período de férias escolares, que reduz o consumo interno, aliado ao aumento da oferta tanto de animais vivos quanto de carne suína no mercado. Em Mato Grosso, de acordo com levantamento realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), somente no mês de janeira a queda foi de aproximadamente 17% do valor pago ao produtor.
O Cepea destaca que, enquanto a demanda interna não se recupera e a oferta continuar elevada, o setor deve continuar enfrentando dificuldades para sustentar as cotações no curto prazo. A queda nos preços atinge os diferentes elos da cadeia de forma desigual, mas os produtores independentes são os mais impactados, por estarem mais expostos à volatilidade do mercado.
Em Mato Grosso no mês de dezembro, a Bolsa de Suínos, realizada entre suinocultores e compradores, encerrou com o preço de R$ 8,00 por quilo do animal vivo. Já na primeira cotação de janeiro, o valor recuou para R$ 7,85. Na segunda quinzena do mês, nova queda levou o preço a R$ 7,55, e, na semana seguinte o valor acordado entre produtores e frigoríficos ficou estabelecido em R$ 7,15. Já para a primeira semana de fevereiro o valor está cotado em R$ 6,65, queda de 17%.
De acordo com o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, essas reduções já eram esperadas e fazem parte de um movimento cíclico do mercado, especialmente em função das férias coletivas adotadas por grandes frigoríficos no fim do ano, o que reduz o ritmo de abates.
“Esse cenário provoca o represamento de animais nas granjas, elevando temporariamente a oferta de suínos disponíveis para o abate. Além do período de férias escolares, que também interfere na queda de consumo. Diante desse desequilíbrio, o excesso de animais nas granjas e baixa demanda fazem com que os preços caiam naturalmente”, explica.
Apesar do cenário desafiador no curto prazo, a avaliação do setor é de que o movimento seja passageiro. A expectativa é de que, com a normalização das escalas de abate e o ajuste da oferta, as negociações retornem a patamares mais equilibrados após o Carnaval. Ainda que o período da Quaresma tradicionalmente esfrie o consumo de carne suína, a projeção é de retomada gradual dos preços na sequência.
“Para 2026, a expectativa segue positiva. O setor avalia que o ano deve apresentar desempenho semelhante ao de 2025, sem risco de quedas acentuadas e com perspectivas de um mercado mais firme no médio prazo”, pontuou Tannure.
Suínos
Desempenho reprodutivo das matrizes define a rentabilidade da suinocultura
Eficiência na cobertura, altas taxas de parição e manejo preciso são decisivos para maximizar o número de leitões desmamados por fêmea ao ano.

O desempenho reprodutivo das fêmeas é um dos principais pilares da lucratividade na suinocultura. Mais do que números em planilhas, ele representa a eficiência de todo o sistema de produção, desde a maternidade até o abate. A capacidade de uma granja manter taxas de parição elevadas, alcançar metas de cobertura e assegurar o nascimento de leitões viáveis determina, em última instância, o retorno econômico do investimento. Mas atingir esse equilíbrio é um desafio complexo, que exige precisão técnica, disciplina operacional e uma compreensão profunda da fisiologia e das necessidades das matrizes suínas.
Em um setor cada vez mais competitivo, no qual cada leitão desmamado representa o resultado de uma cadeia de decisões técnicas, a reprodução deixou de ser apenas uma etapa do ciclo produtivo para se tornar uma engrenagem estratégica. “O sucesso no desempenho do plantel de matrizes é fundamental para a lucratividade da suinocultura”, afirma o médico-veterinário e doutor em Reprodução Animal Fernando Pandolfo Bortolozzo, professor titular do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Médico-veterinário e doutor em Reprodução Animal Fernando Pandolfo Bortolozzo, professor titular do Departamento de Medicina Animal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS): “A atenção individual às matrizes é essencial. Intervenções corretas no parto, redução de brigas e manejo higiênico de injetáveis reduzem doenças e mortalidade” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Em sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro em Belo Horizonte (MG), Bortolozzo destacou que existem múltiplos fatores que podem comprometer o sucesso reprodutivo, reduzindo o número de leitões entregues por fêmea ao longo do ano. Segundo o especialista, dados levantados em estudos conduzidos pelo grupo de pesquisa da UFRGS mostram que o número de leitões desmamados por lote no Sítio 1, etapa da produção onde estão alojadas as matrizes e ocorre o nascimento dos leitões, depende essencialmente de quatro variáveis: alcançar a meta de cobertura, taxa de parição, número de leitões nascidos vivos e mortalidade pré-desmame.
Embora o Sítio 1 funcione de forma independente em termos de estrutura, o professor ressalta que, dentro do modelo produtivo da suinocultura, o desempenho dos leitões nas fases seguintes – Sítio 2 (creche) e Sítio 3 (terminação) – é determinante para o sucesso econômico do sistema como um todo. “O leitão produzido no Sítio 1 precisa desenvolver bem nas fases subsequentes. Caso contrário, se perde parte do retorno do investimento feito na reprodutora”, explica o médico-veterinário, apontando dois fatores como decisivos para o sucesso reprodutivo das granjas: atingir a meta de cobertura dos lotes e assegurar altas taxas de parição.
Meta de cobertura
Na rotina das granjas, alcançar a meta de cobertura parece uma meta básica, mas representa um dos maiores desafios práticos. “Se não inseminarmos o número de matrizes pré-definido no lote, dificilmente atingiremos o alvo de leitões a desmamar”, observa Bortolozzo.
As fêmeas que compõem o lote de cobertura incluem as matrizes desmamadas, as leitoas de reposição e, eventualmente, as chamadas fêmeas de oportunidade, aquelas que, por algum motivo, não faziam parte do lote original, mas estão aptas à inseminação. “A manutenção de uma política rigorosa de descartes e o controle da mortalidade pré-inseminação são determinantes para preservar a qualidade do grupo”, pondera, ressaltando: “A reposição é outro ponto-chave. Precisamos garantir não só a qualidade das leitoas, mas também o fluxo contínuo e equilibrado de reposição, respeitando o número de fêmeas necessário em cada lote. Quando as metas de cobertura são atingidas respeitando critérios técnicos e de qualidade, a taxa de parição tende a alcançar ou até superar as metas definidas”.
Por outro lado, quando as metas quantitativas forçam o uso de fêmeas fora do padrão desejado, os riscos aumentam. “Se baixamos o rigor de seleção para atingir o número planejado de inseminações, acabamos utilizando matrizes com maior probabilidade de falhas reprodutivas”, alerta.
Produtividade ao longo da vida

Para Bortolozzo, a produtividade da matriz deve ser compreendida ao longo de todo o seu ciclo de vida. “O desempenho produtivo e a viabilidade econômica caminham juntos. Uma fêmea só começa a gerar retorno financeiro real a partir do terceiro parto”, destaca.
O desenvolvimento corporal das leitoas é o ponto de partida. O peso ao nascer e a qualidade fenotípica das leitegadas influenciam o desempenho futuro. “O bom crescimento nas fases de maternidade e creche é essencial para que a leitoa atinja o peso ideal na primeira inseminação. Isso impacta diretamente a longevidade produtiva”, pontua.
Outro aspecto decisivo é a indução adequada da puberdade, que permite o fluxo contínuo de leitoas de reposição. “Falhas nesse processo comprometem a taxa de cobertura e a estrutura etária do plantel”, diz.
Eficiência na inseminação
A eficiência reprodutiva também depende da precisão nos manejos de inseminação artificial. “A detecção de estro é um ponto crítico. A inseminação deve ocorrer no momento certo, com técnica adequada e sob condições de higiene rigorosa”, enfatiza.
Segundo o professor da UFRGS, a qualidade das doses de sêmen, desde a produção até o armazenamento e transporte, deve ser monitorada de forma constante. “Uma falha no controle da temperatura ou no tempo de uso da dose pode comprometer todo o lote”, reforça.
Equilíbrio que sustenta a fêmea

A manutenção de um escore de condição corporal adequado é outro fator determinante para a longevidade e o desempenho das fêmeas. A avaliação deve ser periódica, especialmente no desmame e a cada 30 dias durante a gestação. “Ajustar o plano nutricional conforme a condição da fêmea é essencial para equilibrar desempenho, bem-estar e produtividade”, menciona, acrescentado: “O uso de ferramentas como o Caliper, que reduz a subjetividade da avaliação visual, é recomendado. Sistemas automatizados de pesagem também podem ser aliados na gestão individualizada do rebanho”.
O aspecto nutricional, segundo o doutor em Reprodução Animal, é um dos mais desafiadores na atual genética suína, que exige altíssimo desempenho. “As matrizes representam uma fração pequena do plantel em número, mas consomem grande parte da ração total. É indispensável calibrar equipamentos de alimentação e garantir que todas as fêmeas recebam a quantidade e a qualidade de ração adequadas”, observa.
Além da ração, a água desempenha papel essencial. “Temperatura, fluxo e limpeza dos bebedouros precisam ser monitorados. O consumo de água está diretamente ligado ao consumo de ração e à produção de leite. Isso é ainda mais crítico na lactação”, salienta Bortolozzo.
Lactação

Durante a lactação, as fêmeas, especialmente as primíparas, enfrentam um grande desafio energético. “O principal meio de minimizar o catabolismo é maximizar o consumo de ração e água. Isso depende de uma boa ambiência, de ingredientes de qualidade e, em períodos quentes, de dietas formuladas com maior teor de gordura”, aponta o especialista.
A perda excessiva de peso nessa fase compromete não apenas o retorno ao cio, mas também a longevidade da fêmea. “O cuidado com as primíparas define muito do que será o futuro reprodutivo do plantel”, reforça.
Descarte
Manter uma política de descarte bem definida é outro pilar da sustentabilidade econômica. “A fêmea precisa permanecer no rebanho até pelo menos o terceiro parto para começar a dar retorno. Descartes excessivos ou mal direcionados alteram a estrutura etária e reduzem a produtividade”, explica Bortolozzo.
Segundo ele, a decisão deve ser técnica, embasada em indicadores de desempenho e condição corporal. “Nem toda fêmea com baixa produção deve ser descartada imediatamente. É preciso avaliar se a causa é transitória ou permanente”, pondera.
Saúde e bem-estar

Nenhum plano reprodutivo tem sucesso sem saúde e bem-estar. “A atenção individual às matrizes é essencial. Intervenções corretas no parto, redução de brigas e manejo higiênico de injetáveis reduzem doenças e mortalidade”, salienta, destacando a importância da aclimatação das leitoas à microbiota da granja de destino. “Essa adaptação prepara o sistema imune e reduz riscos sanitários no início da vida reprodutiva”.
Além disso, a observação diária é indispensável. “A equipe precisa ser treinada para identificar rapidamente as fêmeas que reduzem o consumo ou não se levantam. Designar um funcionário responsável pelo monitoramento e medicação das matrizes enfermas faz diferença direta no desempenho reprodutivo”, afirma.
Integração de fatores
Para Bortolozzo, o sucesso reprodutivo é resultado da soma de ações bem executadas. “Não existe um único ponto de virada. A eficiência vem da integração entre manejo, nutrição, sanidade e ambiente”, sintetiza.
Garantir a sustentabilidade econômica da granja exige atingir metas de cobertura e altas taxas de parição, sem abrir mão de critérios de seleção. “O desafio é fazer isso de forma consistente, com base em dados, treinamento e comprometimento da equipe”, enaltece.
Suínos
Lucas Piroca assume presidência da comissão científica do SBSS
Transição planejada marca a saída de Paulo Bennemann após oito anos e a chegada de Lucas Piroca, com foco em manter o padrão técnico e ampliar a participação da cadeia produtiva na construção do SBSS.

Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a comissão cientifica do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) passou por uma mudança, durante reunião realizada na última sexta-feira (30), foi anunciado uma mudança na presidência. Após oito anos à frente da comissão, o médico-veterinário Paulo Bennemann deixa o cargo, que passa a ser ocupado pelo médico-veterinário e ex-presidente do Nucleovet, Lucas Piroca.

Comissão Cientifica do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) passou por uma mudança, durante reunião – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
A transição ocorre de forma planejada, segundo a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin. A saída de Bennemann está relacionada a motivos profissionais, especialmente ligados à sua carreira pessoal, e foi conduzida de maneira natural dentro da estrutura da comissão. “Quando escolhemos um sucessor, buscamos alguém que, além da competência técnica, tenha alcance, proximidade com patrocinadores, afinidade com os temas do evento, as universidades, profissionais do setor e os membros da comissão”, destacou.
Legado
Médico-veterinário com experiência nas áreas de nutrição e suinocultura, Paulo Bennemann avaliou como desafiadora e enriquecedora a oportunidade de presidir a comissão científica do SBSS. “Estar à frente da comissão foi um grande desafio pelo porte que o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura alcançou. A construção da programação, a definição de como levar informação prática e aplicada ao corpo técnico e ao desenvolvimento da suinocultura sempre foi um trabalho coletivo”, afirmou.
Bennemann comentou que os avanços do evento são resultado do esforço conjunto da comissão. “Não é uma construção individual. São

Médico-veterinário Paulo Bennemann e a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
várias pessoas pensando em um bem comum. Para o meu crescimento, principalmente pessoal, foi muito importante estar à frente da comissão, conviver e trocar informações com os colegas. Deixo minha contribuição nesse momento, mas sigo colaborando com o Nucleovet”, pontuou.
Ao relembrar as principais conquistas ao longo de sua gestão, Bennemann enfatizou a relevância do Simpósio como um evento de destaque nacional. “O Nucleovet conquistou, ano após ano, uma visibilidade muito grande para a produção animal, não apenas para a suinocultura, mas também a avicultura e, mais recentemente, a bovinocultura. Ver o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura sendo reconhecido como um evento que agrega valor é a principal satisfação”, avaliou.
Ele também pontuou o diferencial do SBSS na forma de apresentar o conhecimento. “É um evento científico, mas pensado em ciência aplicada ao campo. Não se limita a especialistas em suínos, mas envolve todas as pessoas da cadeia produtiva. Esse é o grande diferencial que tornou o Simpósio tão relevante no cenário nacional”, completou.

Lucas Piroca assume presidência da Comissão Científica do SBSS – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
Novos desafios
Ao assumir a presidência da comissão científica, o médico-veterinário com atuação na área de produção de proteína animal, Lucas Piroca, salientou o compromisso de manter o padrão já estabelecido e ampliar a participação da cadeia produtiva na construção do evento.
Segundo Lucas, o trabalho já começou com a compilação de sugestões para a próxima programação. “Recebemos 19 recomendações e a ideia é chegar a um número próximo ao que já foi trabalhado anteriormente, mantendo a diversidade de temas. Vamos organizar essas propostas em painéis para discutir coletivamente”, explicou.
Lucas comentou que essa lógica de construção coletiva está alinhada à forma como o conhecimento se distribui na cadeia produtiva. “O conhecimento está disperso pela sociedade, dividido em pedaços incompletos e, muitas vezes, contraditórios entre os indivíduos. Isso torna impossível que uma única pessoa detenha todo o conhecimento. Esse conceito, associado a Friedrich Hayek, reforça que o funcionamento da sociedade e também da cadeia produtiva, depende de informações descentralizadas. Ao mesmo tempo, é preciso usar a razão para navegar nessas incertezas”, pontua.
O novo presidente também destacou que realizou um levantamento de programações de eventos nacionais e internacionais para servir de

Médico-veterinário Paulo Bennemann, presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin e o médico-veterinário e ex-presidente do Nucleovet, Lucas Piroca – Foto: Karina Ogliari/MB Comunicação
referência. “Compilei as programações dos principais eventos que já divulgaram seus conteúdos, no Brasil e fora dele, para que possamos nos inspirar. Também solicitamos a avaliação da última edição para identificar pontos de melhoria. Espero manter o excelente padrão estabelecido pela comissão anterior, sob a liderança do Paulo, e proporcionar ainda mais voz à cadeia produtiva. Queremos trazer ideias, demandas e dores do setor para abordar temas técnicos e científicos com aplicabilidade prática, permitindo que o conhecimento gere valor real para toda a cadeia”, concluiu Lucas.
SBSS
Médicos-veterinários, zootecnistas, produtores rurais, consultores, estudantes, pesquisadores e demais profissionais da agroindústria já podem garantir sua inscrição para o 17º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que será realizado entre os dias 11 a 13 de agosto de 2026, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC)



