Conectado com

Suínos

Biologia molecular fortalece eficácia de vacinas autógenas na suinocultura

Ferramentas genéticas permitem identificar cepas relevantes e ampliar o controle de infecções bacterianas nos rebanhos.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As infecções bacterianas representam um dos maiores desafios sanitários e econômicos da suinocultura moderna. Agentes como Actinobacillus pleuropneumoniae, Actinobacillus suis, Glaesserella parasuis, Pasteurella multocida, Streptococcus suis e Salmonella spp. causam desde pneumonia e poliserosite até septicemias, aumentando mortalidade e reduzindo o desempenho produtivo. As vacinas autógenas, formuladas a partir de isolados obtidos na própria granja, surgem como alternativa personalizada. No entanto, para garantir proteção eficaz, é essencial selecionar criteriosamente os agentes que comporão o antígeno. É aí que a Biologia Molecular exerce papel fundamental.

Diversidade intraespécie dos principais patógenos

Um dos grandes obstáculos na produção de vacinas autógenas é a enorme diversidade genética encontrada dentro de uma mesma espécie bacteriana. Entre os principais patógenos da suinocultura, o A. pleuropneumoniae se destaca por apresentar múltiplos sorotipos e perfis variados de toxinas da família Apx (ApxI, ApxII, ApxIII e ApxIV), fatores diretamente relacionados à sua virulência e ao impacto clínico observado nos rebanhos. Outro agente de relevância crescente é o A. suis, que pode causar quadros respiratórios agudos e septicemia em diferentes fases de produção, apresentando genes de toxinas semelhantes aos do App (como ApxI e ApxII) e grande diversidade genética entre isolados. A G. parasuis, por sua vez, é composta por mais de uma dezena de sorotipos, dos quais apenas alguns estão claramente associados a quadros graves de poliserosite, ressaltando a importância da tipagem molecular para distinguir isolados patogênicos daqueles de baixa relevância clínica. Já a P. multocida demonstra ampla variação nos fatores de virulência, como cápsula e toxinas, que influenciam sua capacidade de causar desde pneumonias até quadros septicêmicos.

O S. suis representa outro desafio, com dezenas de sorotipos descritos e múltiplos genes de virulência, como mrp, epf e sly, associados a manifestações clínicas severas como meningite, artrite e septicemia, sendo frequentemente reportados em isolados de granjas brasileiras. Por fim, as Salmonella spp. apresentam grande diversidade de sorotipos e subtipos genéticos que determinam diferentes quadros clínicos no rebanho, variando desde infecções entéricas até septicêmicas, o que reforça a necessidade de caracterização molecular detalhada para definir a relevância dos isolados em surtos específicos.

Papel da biologia molecular

A elevada variabilidade intraespécie observada nos principais patógenos da suinocultura evidencia que métodos tradicionais, baseados apenas em características fenotípicas ou em culturas bacterianas, podem ser insuficientes. Esses procedimentos, embora importantes, apresentam limitações em distinguir isolados clinicamente relevantes daqueles que possuem baixo potencial patogênico. As técnicas de Biologia Molecular permitem superar essa limitação ao revelar a assinatura genética dos patógenos.

Entre as ferramentas mais utilizadas destacam-se:

  • PCR e qPCR

    • Identificam rápida e especificamente a espécie bacteriana.

    • Detectam genes de virulência e resistência.

  • Tipagens moleculares (ERIC-PCR, REP-PCR, MLST)

    • Diferenciam isolados e definem se um surto é causado por uma única variante ou polimicrobiano.

  • Sequenciamento genômico (WGS/NGS)

    • Gera o perfil completo da cepa: fatores de virulência, marcadores de resistência, inserções genéticas e variações genéticas interespécie.

  • Análise filogenética

    • Relaciona isolados da granja examinada com diferentes granjas e regiões, permitindo rastrear dispersão e origem de cepas e melhora o entendimento epidemiológico.

Benefícios práticos para o produtor e o veterinário

A integração dessas ferramentas no processo de seleção de isolados para vacinas autógenas resulta em vantagens tangíveis:

  1. Maior eficácia vacinal
    • Formulações incluem cepas representativas do surto, garantindo resposta imune direcionada.
  2. Redução no uso de antibióticos
    • Controle mais eficiente das infecções diminui a necessidade de tratamentos, alinhando-se às demandas por produção sustentável.
  3. Monitoramento epidemiológico contínuo
    • Perfis moleculares formam um banco histórico, identificando tendências, recorrências ou introdução de novas variantes.
  4. Decisões sanitárias objetivas
    • Veterinários e produtores fundamentam estratégias de imunização em dados genéticos sólidos, minimizando incertezas.

Conclusão

A grande diversidade genética intraespécie dos patógenos suínos torna insuficiente o uso exclusivo de métodos tradicionais para seleção de isolados em vacinas autógenas. As técnicas de Biologia Molecular, ao identificar genes de virulência, perfis clonais e relações filogenéticas, asseguram a inclusão de cepas realmente relevantes para o contexto clínico de cada granja. Esse rigor tecnológico potencializa a eficácia imunológica, fortalece o acompanhamento epidemiológico e reduz a dependência de antibióticos, consolidando a Biologia Molecular como pilar estratégico na sanidade suína moderna.

A referências bibliográficas estão com os autores. Contato: heloiza.irtes@pahc.com

Artigo escrito por Equipe de Biologia Molecular do Laboratório de vacinas autógenas da Phibro Saúde Animal

A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Alta do milho reduz poder de compra do suinocultor pelo sexto mês seguido

Cereal sobe 4,6% em março e chega a R$ 70,96/sc em Campinas. Com suíno a R$ 6,94/kg, produtor compra 5,87 kg de milho por kg vendido.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O avanço dos preços do milho voltou a pressionar a relação de troca da suinocultura paulista em março. Dados do Cepea mostram que, na parcial até o dia 17, o poder de compra do produtor caiu pelo sexto mês consecutivo, refletindo a valorização do insumo frente à estabilidade do preço do animal.

Foto: Ari Dias

No período, o suíno vivo posto na indústria foi negociado à média de R$ 6,94 por quilo no estado de São Paulo (SP-5), leve alta de 0,5% em relação a fevereiro. Já o milho, principal componente da ração, registrou aumento mais expressivo: no mercado de lotes de Campinas (SP), a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 70,96, avanço de 4,6% no mesmo comparativo e a maior variação mensal desde março de 2025.

Com isso, a relação de troca se deteriorou. Neste mês, a venda de um quilo de suíno vivo permite a aquisição de 5,87 quilos de milho, queda de 3,9% frente ao mês anterior.

Apesar da piora no curto prazo, o indicador ainda mostra leve recuperação na comparação anual, com ganho de 2%. Segundo o Cepea, a valorização do milho está associada à oferta restrita no mercado spot e à demanda aquecida para formação de estoques, em um ambiente de incertezas no mercado internacional.

Fonte: O Presente Rural com Cepea
Continue Lendo

Suínos

Brasil abre mercado para carne suína resfriada em Singapura

Acesso ao país asiático amplia valor agregado das exportações do setor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O governo brasileiro concluiu negociações que ampliam o acesso da carne suína ao mercado internacional. O principal avanço é a autorização para exportação de carne suína resfriada para Singapura, um mercado considerado estratégico por demandar produtos de maior valor agregado.

Em 2025, Singapura importou mais de US$ 710 milhões em produtos agropecuários do Brasil, com destaque para carnes, café e itens de origem vegetal. A abertura para a carne suína resfriada tende a fortalecer a presença brasileira no país asiático e ampliar as oportunidades para o setor produtivo.

Além disso, o Brasil também garantiu a liberação para exportação de macadâmia e castanha de caju para a Turquia, que está entre os dez maiores importadores mundiais de castanha de caju. No último ano, as exportações brasileiras para o país superaram US$ 3,2 bilhões, com destaque para soja, algodão e café.

Com os novos acordos, o agronegócio brasileiro soma 548 aberturas de mercado desde o início de 2023. Os resultados são fruto da atuação conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

Fonte: Assessoria Mapa
Continue Lendo

Suínos

Nova ferramenta da Embrapa amplia inteligência e gestão na suinocultura brasileira

Aplicativo atualizado permite acompanhar custos, gerar relatórios detalhados e tomar decisões mais precisas sobre granjas de suínos e frangos.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A Embrapa Suínos e Aves, em parceria com a Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), reforça o apoio à gestão econômica da suinocultura com a atualização do aplicativo Custo Fácil. Agora em sua quarta versão, a ferramenta está disponível para Android e iPhone (iOS), com novo desenho de interface e funcionalidades ampliadas, tornando ainda mais prática a organização e análise dos dados das granjas.

Voltado a produtores, gestores, assistência técnica e estudantes, o aplicativo permite estimar o custo de produção, a rentabilidade e a geração de caixa de granjas de suínos e frangos de corte em sistemas de integração. A proposta é oferecer uma visão clara e estruturada da atividade, facilitando a tomada de decisão em diferentes horizontes de curto e longo prazo.

Entre as funcionalidades, o usuário pode cadastrar múltiplas granjas e lotes, inserir informações detalhadas sobre alojamento, desempenho produtivo, investimentos, mão de obra, receitas e despesas. A partir desses dados, o sistema gera indicadores de desempenho, gráficos e relatórios completos, que podem ser compartilhados por e-mail ou aplicativos de mensagens.

O aplicativo também permite o acompanhamento detalhado dos custos, com possibilidade de ajustes e correções, além de oferecer análises e orientações que auxiliam na negociação e na gestão financeira da produção. Todos os cálculos seguem metodologias desenvolvidas pela Embrapa e por institutos de pesquisa em economia agropecuária do Brasil e do exterior, garantindo consistência técnica às informações.

Outro diferencial é o acesso a estatísticas anônimas de custos de outros usuários e a integração com o Repositório de Dados de Pesquisa da Embrapa, o Redape, ampliando o repertório de informações disponíveis para análise. A ferramenta ainda conta com uma biblioteca de conteúdos sobre gestão, custos de produção, custo da mão de obra familiar e capital investido, baseada em cursos gratuitos oferecidos pela instituição.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

De acordo com o pesquisador da Embrapa, Marcelo Miele, a crescente demanda por soluções acessíveis e metodologicamente consistentes têm impulsionado o desenvolvimento dessas ferramentas, contribuindo para maior precisão nas análises econômicas do setor. “A ferramenta permite a formação de uma base de dados com o desempenho dessas granjas, precisamos agora mobilizar os produtores e associações para que a gente consiga acompanhar um número significativo de granjas, que permita montar essa base de dados que vai trazer um retrato com informações úteis para o setor”. explica.

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, com a evolução do aplicativo e a ampliação das ferramentas de estimativa, Embrapa e ABCS fortalecem a geração de inteligência para a suinocultura brasileira, promovendo eficiência, transparência e sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.

Saiba mais clicando aqui.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.