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Biocompetitividade é resultado direto da integração do agro

Fórum em São Paulo destacou a integração entre lavoura, pecuária, floresta e indústria como caminho para ampliar a competitividade, a sustentabilidade e a eficiência do agronegócio brasileiro.

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O Fórum Integração e Biocompetitividade: a solução brasileira, organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta), reuniu, em março, em São Paulo, autoridades, lideranças, empresários, engenheiros, técnicos, pesquisadores e profissionais do agronegócio para enfatizar como a biocompetitividade é resultado direto da integração entre o setor, as cadeias produtivas e os agentes.

“A biocompetitividade é a consequência natural de um sistema integrado, científico e bem estruturado”, disse Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Abag. Segundo ele, o agro brasileiro vive uma nova realidade que exige preparo técnico e inovação institucional. “Estamos diante de um novo cenário. Precisamos de capacidade técnica, de um sistema financeiro mais moderno e alinhado às demandas do campo e, principalmente, de integração”.

Por isso, para Carvalho, a conexão entre os elos produtivos é o caminho para consolidar esse novo ciclo. “A integração dos sistemas é fundamental para garantir escala, sustentabilidade e competitividade ao Brasil”.

Sistema ILPF ao produtor de pequeno porte

Fórum Integração e Biocompetitividade: a solução brasileira, organizado pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela Rede ILPF (Integração Lavoura Pecuária-Floresta), reuniu, em março, em São Paulo – Foto: Gerardo Lazzari

De modo contrário ao senso comum, o Sistema Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) também apresenta viabilidade para o pequeno produtor rural, assinalou o professor da Unoeste, Neimar Nagano, no painel “Modelos Produtivos Integrados”, durante o fórum. “A ILPF é para todos, do pequeno produtor, passando pelo médio, até o grande”.

Na liderança do Projeto PPPS (Pequena Propriedade Produtiva Sustentável) da Unoeste, Nagano desenvolve na região do Pontal do Paranapanema, interior de São Paulo, iniciativa de capacitação e de transferência de tecnologia para expansão do Sistema ILPF junto a produtores de pequeno porte na região. “Os sistemas integrados têm o potencial justamente para diversificar a renda do produtor de menor porte, com base nas atividades que ele já desenvolve”.

Moderado por Camila Leonelli, gerente de Sustentabilidade da Syngenta, o painel trouxe também o case da produtora Flávia Garcia, gestora da Fazenda Jacaratiá, como exemplo de integração produtiva com geração de valor agregado. “A origem da fazenda era a pecuária. Em determinado momento, enxergamos nas plantas medicinais uma oportunidade de integrar a lavoura a um novo sistema produtivo”. A partir dessa visão, nasceu uma microdestilaria para a produção de óleos essenciais.

João Brunelli Jr., assessor técnico da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), falou sobre o trabalho realizado pela instituição para promover e consolidar a integração produtiva entre diferentes perfis de produtores no Estado de São Paulo e afirmou que cada propriedade é um projeto único, com seus próprios recursos, limitações e capacidades. “O papel da assistência técnica é justamente identificar essas características e construir um plano adequado.”

INDÚSTRIA NA ILPF

O painel Integração Agroindustrial aprofundou o debate sobre a incorporação da indústria aos sistemas produtivos integrados como estratégia para ampliar competitividade e sustentabilidade. O moderador Luiz Carlos Corrêa Carvalho, vice-presidente da Abag, defendeu a ampliação do conceito de ILPF com a inclusão direta da agroindústria no modelo. “Precisamos acrescentar a indústria ao sistema ILPF. Integrar a indústria ao processo produtivo é fundamental para fortalecer a biocompetitividade”.

Para Walmir Segatto, diretor-presidente executivo da Credicitrus, o modelo de crédito precisa estar integrado ao produtor. “A eficiência operacional nas operações financeiras é essencial para criar margens de receita capazes de sustentar as despesas.” Para Segato, o cooperativismo tem sido vetor desse ciclo virtuoso. “O crédito dentro do sistema cooperativista hoje gera um ciclo produtivo positivo para os associados, não apenas no Brasil, mas com conexão ao mercado global”.

No painel, Álvaro Duarte, diretor-presidente da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag) analisou que as organizações de pesquisa perceberam que é preciso combinar financiamento estruturado, participação de empresas e políticas públicas para acelerar o desenvolvimento científico. “Hoje vemos institutos acoplando unidades de pesquisa e desenvolvimento de empresas, criando ambientes colaborativos capazes de desenvolver tecnologias aplicadas à agricultura e à pecuária”.

Governança e sustentabilidade

Durante o painel “Escala, Sustentabilidade e Oportunidade”, Juliana Cibim, sócia da ERM Brasil, destacou a governança como eixo estruturante da integração produtiva, trazendo caminhos para o desenvolvimento da sustentabilidade do ponto de vista social, ambiental e econômico. “A gestão da sustentabilidade precisa estar fortalecida e consolidada dentro do negócio, especialmente em um mundo de incertezas”.

Sobre o papel estratégico do crédito, Victor Bachega, superintendente de Agronegócios no Banco Bradesco, reafirmou a importância de se financiar corretamente, com estratégia e sustentabilidade econômica e a capacidade do Brasil liderar a transformação da segurança alimentar global.

Moderado por Eduardo Bastos, da CCarbon/USP, o painel trouxe também as avaliações de Rui Rosa, diretor executivo da Rede ILPF, sobre a mobilização institucional que consolidou o programa. “A Rede ILPF mobilizou a Embrapa, grupos empresariais e centros de pesquisa para assumir um compromisso real de transformação no campo.” Para ele, a mobilização gera resultados concretos. “Integração significa redução de riscos econômicos, melhoria do IDH regional e múltiplas atividades na mesma área, o que muda a realidade do produtor”.

Para Eduardo Bastos, “o agronegócio brasileiro vai crescer, mas as emissões do setor não, exatamente pelo fato que soluções sustentáveis, que promovem aumento de matéria orgânica no solo e sequestram carbono, como, por exemplo, o Sistema Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) registram expansão no setor”.

Fonte: O Presente Rural

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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