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Suínos / Peixes Saúde Animal

Benefícios das adaptações ambientais para o desempenho de suínos em terminação

Existem várias opções para manter o ambiente térmico nos níveis desejados

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eliene Justino, Felipe Norberto Alves Ferreira e Vinícius Mundim e Barros, da Agroceres Multimix

Com a temperatura mais amena no inverno, agora é a melhor hora para pensar em preparar os galpões para o calor do verão. A evolução genética tem proporcionado aos suínos um crescimento mais rápido e mais magro, porém, os animais produzem mais calor corporal devido ao aumento da atividade metabólica.

O ambiente térmico para o suíno envolve fatores que afetam a troca de calor entre o animal e seus arredores e essa troca pode ser sensível ou latente. Para ocorrer a troca de calor sensível, é necessário uma diferença de temperatura entre a superfície da pele do suíno e as superfícies adjacentes (piso, parede) ou o ar circundante (ventilação).

Nos suínos, a troca de calor latente ocorre apenas por evaporação, já que os suínos não suam. À medida que as temperaturas do ar e da superfície em torno do suíno se aproximam à temperatura de sua pele, a troca de calor por evaporação torna-se o único método para perder calor. Na evaporação, a transferência de calor é realizada pela troca de umidade entre o ar circundante e o trato respiratório do suíno (isto é, pela respiração) ou entre o ar circundante e a superfície da pele do suíno quando está “molhada”. O conhecimento sobre como os suínos perdem ou ganham calor é fundamental para entender a interação entre o animal e seu ambiente.

Em resposta ao estresse térmico, os suínos diminuirão o consumo de ração no esforço para reduzir a produção de calor corporal e, consequentemente, haverá redução no ganho de peso.

Não há dúvida de que o estresse térmico reduz a eficiência da instalação (quantidade de kg de carne produzida por ano), pois aumenta acentuadamente o tempo necessário para atingir o peso de abate. No entanto, o efeito do estresse térmico sobre a eficiência alimentar depende tanto da temperatura como do peso do suíno. Para estresse térmico moderado, a eficiência alimentar geralmente aumenta devido ao efeito da restrição alimentar sobre a composição do ganho de peso corporal (mais carne magra/menos gordura). Eficiência alimentar reduzida é reportada em suínos nas fases crescimento/terminação mantidos a temperatura superior a 30°C. Essa diminuição na eficiência alimentar está relacionada a uma proporção reduzida da ingestão de energia disponível para o crescimento dos tecidos, o que é explicado principalmente por uma forte redução no consumo de ração.

Portanto, é importante preparar as instalações para manter o bom desempenho dos suínos na terminação, nas diferentes épocas do ano.

Técnicas

O resfriamento evaporativo é uma técnica de arrefecimento que utiliza a evaporação da água para baixar a temperatura do ar. Quanto maior a temperatura ambiente e menor a umidade relativa do ar, mais eficiente é o sistema de resfriamento evaporativo.

O túnel de ventilação com resfriamento evaporativo é uma alternativa, na qual podemos controlar os fatores relacionados à temperatura ambiente efetiva, ou seja, temperatura ambiente, umidade relativa do ar, radiação solar e velocidade do ar. A temperatura crítica superior, quando os suínos começam a sentir calor, está por volta de 23°C para os animais na fase de terminação. No entanto, devemos considerar – além da temperatura ambiente – o nível de umidade relativa do ar, o isolamento térmico do galpão que minimiza a influência da radiação solar, a velocidade do ar e a taxa de ventilação. É imprescindível verificar a distribuição da temperatura, umidade e velocidade do ar ao longo do galpão.

Enquanto a taxa de ventilação para suínos em terminação, durante outono/inverno, pode ser ao redor de 40 m3/h/suíno (ventilação mínima), a taxa de ventilação aumenta para 200 m3/h/suíno durante a primavera/verão. Para operar efetivamente, os galpões mecanicamente ventilados não podem ter entradas falsas de ar, como portas ou janelas abertas, frestas nas portas, paredes, cortinas ou no forro. A vedação do galpão é fundamental manter a pressão estática suficiente e garantir que a velocidade do ar alcance todos os pontos até o final do galpão.

Existem várias tecnologias para monitorar o ambiente térmico e as respostas fisiológicas dos animais. O monitoramento efetivo e em tempo real é necessário para tomar as decisões adequadas de investimento no ambiente. A frequência respiratória é um bom indicador de monitoria do conforto térmico do suíno, simplesmente contada via observação humana, à medida que a cavidade torácica se expande e se contrai. Consideramos conforto térmico para os suínos em crescimento e terminação até 40 movimentos respiratórios por minuto.

Destacamos a seguir os resultados obtidos no experimento de um pesquisador em 2008 e em granjas comerciais, onde foi avaliado o desempenho de suínos alojados em galpão com ventilação natural ou ventilação artificial (ventiladores/exaustores com resfriamento evaporativo).

  • Experimento na granja “A”

Os resultados de desempenho de suínos alojados em galpão com ventilação natural e em galpões com dois sistemas de ventilação artificial (pressão positiva: ventilador lateral e nebulização ou pressão negativa: ventilação tipo túnel e nebulização). O experimento foi realizado no período do outono-inverno com variação na temperatura ambiente externa de 14,9 a 34,5°C de 61 a 96 dias, de 12,8 a 32,1°C de 97 a 131 dias e 12,0 a 31,1°C de 132 a 166 dias de idade.

A condução do experimento na estação outono-inverno pode ter contribuído para a falta de efeito significativo dos dois sistemas de ventilação artificial sobre o desempenho dos suínos. Porém, considerando-se o período total do experimento, houve melhorias no ganho de peso (44 g/dia para a ventilação lateral com nebulização e 60 g/dia para a ventilação tipo túnel com nebulização) e no peso aos 166 dias de idade (5,0 kg a mais para a ventilação lateral com nebulização e 6,1 kg a mais para a ventilação tipo túnel com nebulização). A conversão alimentar foi ligeiramente pior no galpão com ventilação tipo túnel e nebulização, no entanto, sem diferença significativa.

  • Estudo de caso na granja comercial “B”

Os resultados da granja “B” foram obtidos de três lotes (1685 suínos) alojados no galpão climatizado e três lotes (1321 suínos) alojados no galpão com ventilação natural no período de agosto/2015 a abril/2016. Os suínos alojados no galpão climatizado (pressão negativa: ventilação tipo túnel e resfriamento evaporativo) apresentaram maior ganho de peso diário, melhor conversão alimentar e maior peso vivo aos 160 dias de idade, em relação aos suínos alojados no galpão com ventilação natural.

Conforto térmico

Quando os suínos são mantidos na zona de conforto térmico (galpão climatizado), a produção de calor é menor e maior proporção da energia ingerida pode ser direcionada para o ganho de peso. O pior resultado dos animais alojados em condições ambientais adversas, submetidos ao calor, pode estar associado a menor eficiência dos suínos na utilização da energia para crescimento, visto que, parte dos nutrientes é desviada para a dissipação do calor em altas temperaturas.

  • Estudo de caso na granja comercial “C”

Os resultados da granja “C” foram obtidos de 9 lotes (3.733 suínos) alojados no galpão climatizado e 30 lotes (12.015 suínos) alojados no galpão com ventilação natural no período de fevereiro/2018 a março/2019. Os galpões com ventilação natural foram identificados como GN1, GN2 E GN3 e o galpão com ventilação tipo túnel e resfriamento evaporativo foi identificado como GN4. Na Figura 4, temos a vista interna dos galpões.

Resultados

O ganho de peso diário (GPD) apresentou grande amplitude, com as maiores médias para o GN3 (0,830 kg) e o GN4 (0,836 kg). O GN4 contribuiu para maior uniformidade dos animais.

Mortalidade

A mortalidade apresentou a maior amplitude entre as variáveis estudadas e a menor média para o GN4 (2,37%).

Refugos 

A quantidade de animais eliminados (refugos) também apresentou grande amplitude entre as variáveis estudadas, sendo que o GN4 apresentou a menor média (1,54%) de animais eliminados.

Conclusões

A falta de efeito significativo da climatização sobre o ganho de peso diário na granja “C”, pode ser devido à ocorrência de fatores não controlados em todos os galpões, como, por exemplo, o alto desafio sanitário e a variação na densidade de alojamento na creche, no fornecimento de ração, na umidade no piso das baias, no controle da temperatura ambiente, umidade relativa do ar e ventilação. No entanto, foi possível concluir que o sistema de climatização no GN4 contribuiu para maior uniformidade dos lotes e menor quantidade de animais eliminados no período analisado.

Quanto mais aprendermos sobre os impactos dos diversos fatores do ambiente no desempenho dos suínos, mais estaremos preparados para reduzir os efeitos das situações adversas encontradas nas granjas.

Existem várias opções para manter o ambiente térmico nos níveis desejados. Os suínos certamente se adaptarão ao meio ambiente, mas muitas vezes isso tem um custo. Esse custo pode estar na forma de consumo extra de ração durante períodos de estresse pelo frio, ou redução no consumo de alimento e ganho de peso durante períodos de estresse por calor. Avaliar o ambiente em intervalos regulares e assegurar a manutenção do ambiente dentro de uma faixa ótima de temperatura ambiente efetiva reduzirá a suscetibilidade de estressores induzidos termicamente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Manejo

Diarreias na maternidade: como diagnosticar o agente que está causando o problema?

A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Sarah Rodrigues Chagas, médica veterinária, doutoranda em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás; Lívia Mendonça Pascoal, médica veterinária, professora de Sanidade de Suínos da Universidade Federal de Goiás; e Mariana Dall’Agnol, médica veterinária, especialista em Sanidade Animal pela Universidade Federal de Goiás

As diarreias na maternidade são causas recorrentes de preocupação para produtores rurais e veterinários. Em geral, quando ocorrem acometem grande parte dos leitões, causando aumento de mortalidade, perda de peso, desuniformidade e aumento dos gastos com medicamentos. A fim de reduzir as perdas e economizar recursos com medicamentos, o diagnóstico assertivo da doença é crucial. Para isso, existem algumas particularidades que devem ser levadas em consideração na coleta e envio da amostra dependendo da suspeita diagnóstica.

Suspeita de colibacilose neonatal

Causada pela Escherichia coli, essa doença é talvez a mais comum na maternidade de granjas de suínos. A suspeita recai sobre a colibacilose neonatal quando a diarreia tem início nas primeiras horas de vida do leitão, podendo também surgir até o terceiro dia de vida. Em geral, toda a leitegada é acometida, apresentando diarreia aquosa amarelada, rápida desidratação e “aspecto sujo”. A mortalidade é alta.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se enviar pool de fezes de leitões acometidos, colhidas diretamente da ampola retal, utilizando suabe ou coletor universal esterilizado evitando o contato do frasco coletor com a pele do leitão. Em caso de necropsia, pode-se enviar também alças intestinais. O material deve estar refrigerado e chegar ao laboratório em até 48 horas.

Suspeita de clostridioses

Existem três espécies de Clostridium mais conhecidas por causarem diarreias em maternidade: C. perfringens tipo A, C. perfringens tipo C e C. difficile. O tipo C é raro no Brasil e se diferencia das demais por causar diarreia sanguinolenta. Os outros dois causam diarreias amareladas, que variam de aquosa à pastosa, e acometem leitões na primeira semana de vida, mas em geral C. difficile leva à uma maior mortalidade.

Por se tratarem de bactérias anaeróbias, nem todos os laboratórios de bacteriologia conseguem realizar seu isolamento. É recomendado verificar e garantir que o laboratório para o qual a amostra será enviada faz esse tipo de cultivo. O ideal é realizar necropsia de alguns animais acometidos e coletar alças intestinais com conteúdo fecal, amarrando as extremidades com barbante, antes de realizar o corte, para garantir que não haja entrada de oxigênio. Outra opção é realizar um suabe retal e acondicionar em meio de cultura específico, como o tilglicolato. Diferente da amostra com suspeita de colibacilose, o tempo entre envio e processamento deve ser o menor possível, não ultrapassando quatro horas.

O curto tempo pode ser impeditivo para a realidade do campo, de forma que a solicitação de um exame de Reação em Cadeia de Polimerase (PCR) pode ser mais adequado. Nesse caso a amostra pode chegar ao laboratório em até 48 horas, devendo ser encaminhada refrigerada.

Suspeita de rotavirose

Rotavírus é o principal agente viral que causa transtorno gastrointestinal em leitões de maternidade. Acomete os animais nos primeiros dias de idade, causando vômitos e diarreia branco-amarelada que não responde à antibioticoterapia. A severidade varia de acordo com manejos e grau de imunidade das matrizes, e a letalidade fica entre 3 e 30%, podendo chegar a 50%.

Para diagnóstico laboratorial, deve-se colher amostras de fezes em coletor universal esterilizado nas primeiras 24h após o início da diarreia e enviar a um laboratório que realize PCR. A amostra deve ser enviada refrigerada e é recomendada a busca de outros agentes pois infecções bacterianas concomitantes são comuns.

Suspeita de Cistoisosporose

Essa doença é causada pelo protozoário Cystoisospora suis, anteriormente denominado Isospora suis. Por esse motivo, muitos ainda fazem referência à doença como isosporose. Os sinais clínicos de diarreia ocorrem entre cinco e 25 dias de vida, não ocorrendo antes do quinto devido ao ciclo de vida do agente. A diarreia é amarelada, cremosa ou pastosa, possui odor rançoso ou azedo e não responde a antibióticos. Em geral, a maior incidência se dá em períodos quentes e úmidos que favorecem a esporulação do oocisto no ambiente.

O ideal é coletar pool de fezes de vários animais diretamente da ampola retal. A coleta de fezes diretamente do piso também é possível, pois não compromete o resultado do exame parasitológico (técnica de contagem de ovos por grama de fezes – OPG). Porém, deve-se ter o cuidado de não coletar detritos do piso, pois esses sim podem afetar o correto diagnóstico. Vale lembrar também que a amostra coletada do piso não pode ser destinada a outros exames. A amostra deve ser enviada em refrigeração e chegar ao laboratório em no máximo 48 horas após a coleta.

Pontos importantes

Vale ressaltar que esses agentes patogênicos podem acometer os animais concomitantemente e, por isso, pode ser necessário mais de um teste diagnóstico.

Encaminhar junto às amostras uma ficha de identificação dos animais e da propriedade também é importante. Em geral, os laboratórios possuem uma ficha própria e, por isso, é recomendável acessar o site do seu laboratório de preferência ou entrar em contato via telefone e e-mail, solicitando esse documento. As informações pedidas incluem nome do solicitante, contato (endereço, telefone, e-mail), espécie animal, faixa etária, curso da doença e achados de necropsia.

É recomendado também contatar o laboratório antes do envio das amostras para esclarecer qualquer possível dúvida, garantindo a qualidade da amostra e seu processamento.

Existem ainda outros exames laboratoriais que podem ser solicitados para auxiliar no diagnóstico das doenças. Entre eles está o exame histopatológico, que é complementar aos exames de identificação do agente; todavia, esse não foi o foco do presente artigo.

Considerações finais

O diagnóstico laboratorial é uma importante ferramenta para o profissional de campo. Esse deve ser sempre associado à experiência do clínico para a tomada de decisão sobre a saúde da granja.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Circovirose em suínos e os genótipos do PCV2: preciso de uma vacina nova?

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Tatiane Fiúza, médica veterinária, mestre em Ciências Veterinárias e coordenadora Técnica de Território da Boehringer Ingelheim

O PCV2 é o agente causador da circovirose suína e, desde 1998, tem sido associado a sinais clínicos respiratórios e entéricos, perdas reprodutivas e a Síndrome Multissistêmica do Definhamento Suíno (SMD). A circulação do circovírus é endêmica na suinocultura tecnificada e, por ser uma doença imunossupressora, leva a alta mortalidade, baixo desempenho e predispõe os animais a agentes secundários, comprometendo a produtividade e consequentemente, causando perdas econômicas expressivas. Nem sempre a doença é fácil de ser identificada, pois os sinais clínicos são inespecíficos. Além do mais, na sua maioria dos casos a doença cursa na forma subclínica, limitando discretamente o crescimento dos animais, afetando a conversão alimentar e agravando a ocorrência de outras doenças. O controle é baseado na prevenção de riscos, redução de fatores predisponentes e, principalmente, em vacinação.

Já foram identificadas diferentes variantes do PCV2 (PCV2a, PCV2b, PCV2c, PCV2d, PCV2e e PCV2f), entretanto sabe-se que a semelhança entre estas é alta (Tabela 1). A maior prevalência do PCV2a ocorreu até meados de 2003, a partir deste momento o PCV2b passou a ser o genótipo mais prevalente. Em meados de 2009, foi identificada uma nova variante, o PCV2d, que se difundiu nos rebanhos de diversos países (Imagem 1). Segundo um estudo feito por Rodrigues et al. (2018), no Brasil, a maior prevalência atualmente é do PCV2b (68,8%), seguido do PCV2d (24,9%) e PCV2a (6,3%). Ainda pouco significante para suinocultura tecnificada, o PCV2c foi identificado pela primeira vez na Dinamarca e em suídeos selvagens no Brasil, e o PCV2f em suínos no México e EUA, mas em baixa prevalência.

 

Granjas com adequado programa de vacinação têm menor circulação do PCV2, de modo que a utilização de vacinas comerciais eficazes promove a redução de sinais clínicos, evitam mortalidades pela doença e melhoram os indicadores zootécnicos. No Brasil, as taxas de rebanhos vacinados ficam em torno de 98% e, de forma geral, as vacinas têm-se demonstrado eficazes em reduzir a carga viral no sangue e nos tecidos linfóides, bem como evitar manifestações clínicas da doença. A vacinação de leitões deve ser definida de forma estratégica, para que os mesmos estejam protegidos no momento de maior exposição ao agente. Além disso, para promover uma proteção mais efetiva no plantel pode-se ampliar o programa de vacinação incluindo leitoas de reposição e fêmeas gestantes/lactantes, minimizando perdas reprodutivas, reduzindo a circulação viral e a pressão de infecção.

As vacinas com PCV2a ainda são a maioria no mercado e diversos estudos mostram que estas são efetivas frente aos genótipos PCV2b e PCV2d, que têm sido mais prevalentes na atualidade. Dentre essas, há vacinas com alta tecnologia de adjuvante que permitem a imunização em uma dose única, sem causar reações adversas, onde o antígeno é liberado lentamente por 900 horas protegendo os animais até o abate. Esta vacina, composta apenas PCV2a, quando comparada à outra vacina composta por PCV2a e PCV2b, mostrou-se eficiente em reduzir o percentual de animais infectados pelo vírus frente a um desafio com o genótipo “d”.

Em um outro estudo, leitões foram desafiados com PCV2b e imunizados com vacina composta por PCV2a. Não houve depleção linfóide, assim como detecção viral por imuno-histoquímica nos linfonodos ilíacos, mesentéricos e traqueobrônquicos (Tabela 2), mostrando a eficácia da vacina na proteção dos animais. A eficácia da vacina composta pelo PCV2a também foi demonstrada frente a uma infecção simultânea de PCV2d e PCV2b. Os animais vacinados apresentaram uma mortalidade 10% menor (Gráfico 1) e um ganho de peso diário de 36,7g a mais até as 22 semanas de vida (Gráfico 2). O desempenho no crescimento dos animais e a taxa de mortalidade são os indicadores mais importantes para avaliar a eficácia de uma vacina contra a circovirose no campo. O esperado é que a mesma promova proteção dos animais, sem reações adversas, e que isso seja revertido em melhores desempenhos zootécnicos e ganhos econômicos dentro da produção.

 

 

As mutações do PCV2, até o momento, não foram tão expressivas para que as vacinas compostas pelo PCV2a tenham eficácia reduzida frente ao PCV2b e PCV2d. O que vai definir o sucesso no controle da circovirose é a escolha de uma vacina de qualidade, que promova proteção rápida e duradoura, sem causar reações adversas. O programa de vacinação deve ser adequado ao status sanitário de cada granja e deve-se garantir o manejo correto de vacinação, assegurando os protocolos indicados pelos fornecedores.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Benefícios da utilização de ácidos orgânicos microencapsulados na suinocultura

É importante estabelecer um programa de utilização de produtos, verificando qual a dose e forma de apresentação mais adequada de ácido orgânico para uso

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Caroline Facchi, engenheira Agrônoma, especialista em fábrica de ração, mestre em Sanidade e Produção Animal, doutoranda em Ciência Animal na linha de nutrição de monogástricos e atua na área de Pesquisa & Desenvolvimento da BTA Aditivos;

e Tiago Goulart Petrolli, doutor em Zootecnia na área de Nutrição e Produção de Monogástricos e pesquisador dos cursos de graduação em Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc/Xanxerê 

Um dos grandes desafios da suinocultura moderna é controlar a ação de patógenos, frente as constantes restrições de uso de antibióticos, e minimizar o efeito das altas condições de estresse que acometem os animais nas granjas. Esses fatores podem levar a grandes perdas de eletrólitos e ao aumento de endotoxinas séricas, pois as condições estressoras promovem interferências nas funções da barreira intestinal, estimulando o sistema imune. Essa estimulação excessiva leva à piora das funções e a danos das vilosidades intestinais, diminuindo a área de absorção de alimentos, exigindo um maior consumo de energia para a manutenção da saúde intestinal.

Uma ferramenta alternativa para melhora na saúde do animal baseia-se na utilização de ácidos orgânicos nas dietas. Sua inclusão auxilia na redução mais rápida do pH no lúmen estomacal, o que resulta em menor tempo para alcançar o pH ótimo necessário para a ativação do pepsinogênio em pepsina nesse órgão. O efeito disso é a melhora na digestibilidade da proteína, além do aumento na atividade de outras enzimas, o que é de suma importância em suínos pós-desmana, devido à baixa produção de ácido clorídrico em animais jovens. Os produtos resultantes da digestão das proteínas pela pepsina no estômago chegam ao duodeno e estimulam a secreção de enzimas pancreáticas e bicarbonato, no qual pode apresentar função significativa sobre a regulação do esvaziamento gástrico, que se torna mais lento.

Os ácidos orgânicos utilizados na nutrição animal, além de melhorar a absorção de nutrientes, auxiliam no controle de contaminações microbiológicas, pois agem diretamente sobre bactérias patogênicas reduzindo o pH do interior da célula a nível intestinal. Esses compostos alteram a concentração de íons H+ no interior da célula bacteriana, fazendo com que o patógeno gaste excessiva quantidade de energia na tentativa de normalizar o pH do interior da célula. Esse alto consumo de energia ocasiona restrição nas atividades de síntese de DNA e proteínas no interior da célula patogênica, resultando em morte da célula bacteriana por esgotamento energético. Os principais ácidos orgânicos de utilização na nutrição animal são o ácido láctico, propiônico, butírico, fórmico, acético e cítrico.

A decisão de qual tipo de ácido orgânico deverá ser fornecido e em qual formato físico varia de acordo com as necessidades do animal, podendo ser incorporado na dieta na forma líquida ou pó. Ambas as formas têm restrição de consumo para suínos, devido a alteração de palatabilidade. Uma terceira forma que vem ganhando amplo espaço é a de fornecimento de ácidos orgânicos microencapsulados, que possuem um revestimento externo, não ocasionando em alterações sensoriais para o animal.

As principais vantagens da utilização dos ácidos orgânicos microencapsulados se referem ao seu poder de atuação nas diferentes condições do TGI, proporcionando melhora na digestibilidade e absorção de nutrientes, por induzir aumento na secreção pancreática e biliar. Outro benefício é a manutenção da integridade intestinal, com efeito sobre a saúde das vilosidades e diminuição do turnover celular, o que contribui com menor gasto energético para esse processo, quando na ocorrência de desafio sanitário.

É importante ainda ressaltar a redução de bactérias patogênicas no lúmen intestinal em função da incorporação dessas moléculas na dieta, fornecendo ao animal uma forma mais eficiente de controle microbiológico. Adicionalmente, os ácidos orgânicos compreendem uma alternativa promissora no controle de Salmonella, visto que a maior parte da contaminação desse grupo de microrganismos ocorre nas porções mediais e distais do intestino, onde os ácidos orgânicos microencapsulados possuem maior efetividade.

Outro ponto a ser considerado com relação aos ácidos orgânicos microencapsulados é sobre questões de manipulação em fábrica de rações. Este produto é de fácil manuseio devido ao seu revestimento, o que protege a liberação dos odores característicos de cada ácido, tornando a sua utilização mais segura. Eles também apresentam maior fluidez que os ácidos livres e propiciam melhor capacidade de mistura quando adicionados a ração.

A utilização deste aditivo se consolida no mercado como uma alternativa promissora, porém para maior efetividade da aplicação dessa tecnologia, esse processo deve caminhar em paralelo com o manejo da granja e da fábrica de ração, possibilitando as boas práticas de produção e garantindo a biosseguridade do ambiente.

É importante estabelecer um programa de utilização de produtos, verificando qual a dose e forma de apresentação mais adequada de ácido orgânico para uso, sendo os blends de ácidos os mais indicados para garantir melhores resultados.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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