Suínos
Bem-estar favorece produtividade na suinocultura, diz pesquisador
A suinocultura brasileira opera com princípios de manejo humanitário e dialoga abertamente sobre quais seriam os benefícios de elevar o nível de bem-estar animal em quesitos como as baias de gestação coletiva para matrizes.
No entanto, o produtor tem dúvidas quando o assunto é agregação de valor ao produto, acesso a mercados, custos de implantação, linhas de financiamento e, especialmente, sobre a produtividade do sistema de baias coletivas sob as características do país.
Por sua vez, a ciência ainda tem poucos estudos adequados à realidade brasileira, apesar de farta demonstração sobre ganhos de produtividade com o modelo em outros países. Algumas das principais pesquisas sobre o tema no Brasil são realizadas pelo Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da USP.
Segundo o professor da unidade, Adroaldo Zanella, o bem-estar animal influencia positivamente a produtividade do rebanho. Dor, sofrimento e frustração têm custos metabólicos, que comprometem respostas imunológicas e prejudicam o desempenho. Nossas pesquisas indicam que animais felizes respondem de forma muito mais eficiente ao desmame ou doenças, relata.
Sobre isso, produtores consultados pela ABCS (ler texto Granjas brasileiras se adiantam a regras e pressão do mercado sobre bem-estar) relataram ganhos com o uso de baias coletivas em aspectos como número de animais por funcionário, o peso de nascimento dos leitões, número de nascidos vivos, condições de parto, longevidade das matrizes e docilidade.
O pesquisador identificou que o cuidado com a fêmea no período de gestação influencia toda a existência do animal, desde feto, leitão, animal terminado, reprodutores até gerações futuras. A saúde e o bem-estar começam no útero. Uma gestação estressada gera animais medrosos, agressivos e susceptíveis a doenças e problemas comportamentais, sustenta.
O Departamento investiga, atualmente, o ambiente pré-natal e neonatal em suínos quanto a desafios sociais, de doenças, nutricionais e também questões relacionadas com emoções positivas e negativas.
O nosso objetivo é buscar soluções práticas para problemas como estresse do desmame, alojamento no período da gestação e enriquecimento ambiental. É de extrema importância que pesquisas sejam realizadas no Brasil, resume.
Autor de tese de doutorado sobre o tema, Zanella defende que a gestação coletiva é vastamente superior às celas individuais no fornecimento de condições básicas de bem-estar para fêmeas suínas.
Por outro lado, a American Veterinarian Medical Association (AVMA, do inglês Associação dos Médicos Veterinários dos Estados Unidos) defende que as gaiolas reduzem a competição por alimentos entre as matrizes e as interações agressivas, além de facilitarem o cuidado com os animais. O professor Adroaldo discorda.
Fêmeas mantidas em celas individuais de gestação tem comportamento anormal, redução na massa muscular e na deposição óssea, alteração no sistemas do cérebro responsáveis pela sensação positiva. Ainda assim, baias coletivas mal manejadas também são uma receita para desastre, alerta.
Por isso, especialistas defendem a importância da formação de mão-de-obra especializada, definição dos modelos ideais para cada região ou tipo de propriedade e outros tópicos são fundamentais.
O setor produtivo está discutindo o tema de forma singular, positiva e amigável. Os produtores têm a oportunidade de liderar estas discussões, com embasamento científico, para consolidar a suinocultura brasileira no mercado global e com garantias de sustentabilidade, analisa.
O especialista lembra, ainda, que a prática ampla de bem-estar animal na suinocultura, desde o transporte, manejo pré-abate e abate, favorece a qualidade da carne.
O fenômeno da carne PSE (Pálida, Flácida e Exsudativa, do inglês) é desencadeado pelos hormônios de estresse, que reduzem o pH da carne e desnatura as proteínas miofibrilares. Esta carne pode ser reconhecida pela cor, textura e pela água que deposita na embalagem, detalha.
Por fim, Zanella frisa que as vantagens produtivas do bem-estar animal podem ser contestadas apenas se a avaliação dos dados for feita de maneira muito restrita, sem considerar tópicos extremamente relevantes.
Quando a análise dos dados inclui externalidades como preferência do consumidor, qualidade de vida do tratador, responsabilidade corporativa, ética e principalmente critérios de sustentabilidade, as práticas de bem-estar são sempre melhores e sustentáveis, finaliza.
Fonte: ABCS

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.






