Suínos
Bem-estar animal: o que pensam os especialistas das maiores agroindústrias do Brasil
Representantes da BRF, Seara e Frimesa compartilham com O Presente Rural os avanços, desafios e tendências que consolidam o bem-estar animal como eixo estratégico de sustentabilidade, eficiência e competitividade no setor suinícola.

De exigência técnica a valor corporativo. De demanda social a diferencial competitivo. O bem-estar animal nas agroindústrias brasileiras percorreu uma trajetória de evolução que hoje o posiciona como um dos pilares da sustentabilidade, da eficiência produtiva e da reputação no mercado global. Mas como as empresas têm lidado com esse tema na prática? Quais aprendizados foram determinantes? E o que esperar dos próximos anos?
Essas e outras questões estarão em pauta no painel “Evolução dos programas de bem-estar animal nas agroindústrias”, que integra a programação do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura 2025, em Chapecó (SC). O debate será realizado no dia 12 de agosto, com a participação de representantes de peso da cadeia produtiva: Josiane Busatta (médica-veterinária, mestre em Zootecnia com ênfase em Bem-estar animal, coordenadora do programa Bem-estar Animal feito na BRF e consultora de Bem-estar Animal na BRF), Vamiré Luiz Sens Júnior (médico-veterinário, pós em Gerenciamento de Projetos, MBA em Agrobusiness, mestre em Bem-Estar Animal e gerente executivo de Sustentabilidade Agropecuária na Seara Alimentos), Fabrício Murilo Beker (Engenheiro agrônomo formado, pós em Gestão Empresarial e Marketing, pós em Suinocultura Industrial, mestre em Tecnologia e Ambiente e gerente de Fomento Agropecuário da Pamplona) e Kauany Dalle Molle Navarro (médica-veterinária, especialista em higiene, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal, pós em manejo e sanidade de suínos e responsável técnica e responsável pela sanidade e Bem-Estar Animal na unidade da Frimesa de Assis Chateaubriand – PR).
Com exclusividade para O Presente Rural, três dos quatro painelistas compartilharam suas visões e experiências sobre os avanços do bem-estar animal nas agroindústrias, antecipando aos leitores os principais temas que estarão em debate durante o evento. O Presente Rural também entrou em contato com o representante da Pamplona, mas não recebeu resposta até o fechamento dessa edição, em 1º de agosto.
O Presente Rural – Como foi o processo de evolução interna da BRF para transformar o bem-estar animal em uma diretriz corporativa estruturada e transversal?

Josiane Busatta: “Na BRF, a integração entre áreas como produção, qualidade e sustentabilidade é essencial para garantir que o bem-estar animal seja efetivo e sustentável” – Fotos: Divulgação
Josiane Busatta – Transformar o bem-estar animal em um valor corporativo exigiu o engajamento de toda a cadeia. A evolução do bem-estar animal dentro da BRF foi um processo construído com muito comprometimento e ciência. Ao longo dos anos, com o amadurecimento da companhia e o aumento das expectativas da sociedade, ele passou a ocupar um espaço estratégico. Hoje, bem-estar animal é uma diretriz corporativa estruturada e transversal, integrada às decisões de negócio, à cultura organizacional e às metas de sustentabilidade.
Esse avanço é fruto de investimento em capacitação técnica, em parcerias com instituições científicas e em escuta ativa com nossos públicos de interesse. Criamos procedimentos robustos, indicadores de desempenho e auditorias internas e externas que garantem a conformidade e a melhoria contínua. Além disso, o tema está presente em fóruns multidisciplinares dentro da empresa, o que garante que ele seja considerado desde o planejamento até a operação, envolvendo áreas como agropecuária, sustentabilidade, qualidade, P&D e comunicação.
O Presente Rural – A evolução nas agroindústrias exige integração entre diferentes áreas – produção, qualidade, sustentabilidade. Como a BRF faz isso funcionar na prática?
Josiane Busatta – Na BRF, a integração entre áreas como produção, qualidade e sustentabilidade é essencial para garantir que o bem-estar animal seja efetivo e sustentável. Isso acontece por meio de uma governança estruturada, com comitês multidisciplinares, fluxos de comunicação claros e metas compartilhadas. Cada área tem seu papel técnico bem definido, mas todas trabalham com um olhar sistêmico, entendendo que o resultado depende da colaboração.
Quando falamos em manejo animal, a produção precisa garantir que os procedimentos sejam executados corretamente, a qualidade monitora os indicadores e conformidades e os aspectos regulatórios e de clientes, e a sustentabilidade avalia os impactos e oportunidades de melhoria.
Essa abordagem colaborativa permite que decisões sejam tomadas com base em dados, evidências e alinhamento estratégico. O resultado é uma operação ainda mais eficiente, ética e alinhada com os compromissos da BRF.
O Presente Rural – Quais aprendizados mais impactaram a BRF na jornada por certificações e compromissos públicos de bem-estar animal?
Josiane Busatta – A jornada da BRF em busca de certificações e compromissos públicos de bem-estar animal trouxe aprendizados valiosos que impactaram na forma de atuar. Um dos principais foi entender que o bem-estar animal vai muito além da conformidade legal — ele exige uma abordagem proativa, baseada em ciência, transparência e melhoria contínua.
Ao buscar certificações reconhecidas internacionalmente, percebemos a importância de padronizar processos, investir em capacitação contínua das equipes e fortalecer a rastreabilidade em toda a cadeia. Isso nos levou a desenvolver indicadores mais robustos, processos e monitoramentos padronizados e uma cultura interna robusta.
Ao longo dos anos enfrentamos desafios importantes que exigiram resiliência, adaptação e muito trabalho em equipe. Um dos principais foi a padronização de práticas em uma operação de grande escala e com diferentes realidades regionais. Garantir que todos os elos da cadeia, desde os produtores integrados até as unidades industriais, estivessem alinhados com os mesmos critérios técnicos é um processo que demanda investimento em capacitação, comunicação clara e acompanhamento constante.

Foto: Shuttertsock
Outro aprendizado importante foi o valor da escuta ativa e do diálogo com stakeholders (ONGs, clientes, academia e consumidores), tanto para construção como para acompanhamento das metas públicas. Os compromissos públicos nos desafiam a sermos transparentes, a prestar contas e a evoluir com base em evidências e expectativas sociais.
O Presente Rural – Quais tendências futuras devem moldar os programas de bem-estar animal nas grandes agroindústrias, e como a BRF está se preparando para elas?
Josiane Busatta – O futuro dos programas de bem-estar animal nas grandes agroindústrias será moldado por uma combinação de avanços tecnológicos, exigências regulatórias mais rigorosas, e uma sociedade cada vez mais consciente e exigente em relação à origem dos alimentos. Entre as principais tendências, destacam-se o uso de tecnologias como sensores e inteligência artificial, o monitoramento completo da cadeia produtiva e a valorização de indicadores baseados no comportamento e na saúde dos animais, e não apenas em parâmetros produtivos.
Outra tendência importante é a integração do bem-estar animal com os pilares e agendas ESG, como mudanças climáticas, uso racional de recursos naturais e saúde única (One Health). Isso exige uma abordagem ainda mais sistêmica e colaborativa.
A BRF já vem se preparando para esse cenário. Estamos investindo em inovação, com projetos que utilizam visão computacional e análise de dados para monitorar o comportamento animal, além de fortalecer parcerias com centros de pesquisa e startups. Também estamos aprimorando nossos indicadores, sensibilizando e capacitando continuamente nossas equipes para lidar com essas novas demandas.
Nosso objetivo é estar à frente das transformações, garantindo que o bem-estar animal continue sendo um pilar estratégico da nossa produção responsável e sustentável.
O Presente Rural – Quais foram os principais saltos na política de bem-estar animal dentro da Seara nos últimos anos, e como isso se reflete na cadeia produtiva?

Vamiré Luiz Sens Júnior: “Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a estrutura de governança do bem-estar animal na Seara, tornando esse tema transversal à operação”
Vamiré Luiz Sens Júnior – Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a estrutura de governança do bem-estar animal na Seara, tornando esse tema transversal à operação. Estreitamos conversas e relacionamentos com a academia, clientes e ONGs ligadas ao tema. Realizamos uma análise detalhada dos processos e interfaces e isso nos permitiu mapear oportunidades de trabalho.
Desenvolvemos o site de Sustentabilidade, onde é possível encontrar e acompanhar as iniciativas, compromissos públicos e evoluções das boas práticas de produção na empresa. Esta iniciativa promoveu maior transparência em relação aos nossos avanços no tema, possibilitando inclusive a participação em pesquisas de mercado por stakeholders.
Atualmente, todas as equipes e produtores da Seara são treinados nos cinco domínios de bem-estar animal, de modo que essa forma de produção seja incorporada pelos colaboradores e se reflita naturalmente no manejo dos animais. Isso ocorre de forma espontânea e torna-se parte intrínseca do processo. Um animal bem cuidado, com saúde, boa nutrição, em um ambiente limpo e confortável, apresenta bem-estar geral positivo. E um estado mental positivo, por sua vez, significa condições ideais para a máxima expressão do seu potencial zootécnico, seja no ganho de peso ou na produtividade. Não há nada mais sustentável do que isso!
Estimulamos a melhoria contínua dos nossos processos, seja nas granjas, com a adoção de novas tecnologias e equipamentos; na gestão da informação ou nas práticas de manejo, sanidade e reprodução. Contamos com especialistas exclusivamente dedicados, sempre atentos às melhores referências globais e focados em garantir estratégias e padrões produtivos que promovam mais qualidade de vida para os animais.
O Presente Rural – Na sua visão, o que levou o tema a deixar de ser apenas uma exigência técnica para se tornar um eixo estratégico nas agroindústrias?
Vamiré Luiz Sens Júnior – O bem-estar animal passou a impactar diretamente três frentes centrais do negócio: performance, reputação e acesso a mercados. Do ponto de vista da performance, um animal criado em boas práticas de bem-estar expressa melhor seu potencial zootécnico, aproveita mais eficientemente a ração, ganha peso com mais rapidez e apresenta melhor desempenho em menos tempo. Os avanços em ciência e tecnologia têm contribuído para uma compreensão mais precisa das necessidades dos animais, facilitando a adoção de práticas que asseguram seu bem-estar. Um animal saudável e bem cuidado resulta em produto de alta qualidade, com maior valor agregado. Isso se traduz em eficiência de custo, possibilitando a oferta de um produto de qualidade a preços acessíveis para diferentes faixas de poder aquisitivo.
No aspecto reputacional, é importante destacar que a percepção dos consumidores está cada vez mais sensível e atenta a essas questões. Eles demonstram preocupação com aspectos éticos e de responsabilidade social, especialmente quanto ao tratamento dado aos animais. A demanda por esses produtos tem incentivado as agroindústrias a incorporarem o bem-estar animal de forma mais estruturada em suas estratégias comerciais, oferecendo maior transparência sobre suas boas práticas.
Por fim, em relação ao acesso a mercados, o bem-estar animal, quando associado a boas práticas específicas, pode se tornar um diferencial competitivo, abrindo portas para nichos e mercados premium. Ao mesmo tempo, observa-se uma evolução nas exigências regulatórias, com leis mais rigorosas e padrões de certificação que demandam um tratamento mais adequado aos animais. Nesse contexto, o bem-estar animal passa a ser não apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma exigência legal, viabilizando o acesso a novos mercados e clientes.
O Presente Rural – O que as agroindústrias brasileiras ainda precisam ajustar para que a evolução em bem-estar seja mais homogênea e duradoura em todo o setor?
Vamiré Luiz Sens Júnior – Para avançar de forma ainda mais consistente, é fundamental investir em capacitação e educação continuada. É necessário promover programas de qualificação para produtores e gestores, assegurando que compreendam a importância, os benefícios e as melhores práticas relacionadas ao bem-estar animal. Além disso, é importante buscar, junto ao governo ou a entidades de apoio, linhas de financiamento com condições acessíveis e competitivas que possibilitem a execução de melhorias nas instalações, a aquisição de novas tecnologias e, especialmente, o apoio às pequenas e médias agroindústrias na implementação de boas práticas de bem-estar animal.
Após a publicação da Instrução Normativa nº 113 do Ministério da Agricultura e Pecuária, de 16 de dezembro de 2020, que estabelece as boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos de criação comercial, torna-se essencial acompanhar continuamente a evolução no atendimento aos requisitos. Isso permitirá avaliar o nível de engajamento do setor ao longo do tempo.
Diante do aumento da percepção sobre bem-estar animal por parte dos consumidores, também é válido destacar a importância de iniciativas de marketing que levem mais informação e educação ao público. Isso contribui para a valorização dos produtos certificados por práticas de bem-estar, estimulando, assim, a evolução de toda a cadeia produtiva.

Foto: Divulgação/BRF
O Presente Rural – Olhando para os próximos cinco a dez anos, como você projeta o papel do bem-estar animal na competitividade do Brasil no mercado global?
Vamiré Luiz Sens Júnior – Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a demanda por alimentos deverá dobrar até 2050. Diante desse cenário, será cada vez mais necessário produzir alimentos de forma sustentável, por meio de sistemas produtivos altamente eficientes, que otimizem o uso dos recursos naturais e assegurem a saúde do planeta. Nesse contexto, o bem-estar animal se apresenta como um caminho essencial para que possamos contribuir com esse grande desafio global.
O Brasil possui diversas fortalezas na suinocultura. Podemos destacar a sanidade, a rastreabilidade, os sistemas de produção integrados, a segurança alimentar, a disponibilidade de grãos, a mão de obra qualificada, o uso de tecnologia e a eficiência produtiva. Nossos indicadores de desempenho estão entre os melhores do mundo, agregando valor à produção e permitindo a captura de custos diferenciados, o que torna nossos produtos de alta qualidade mais acessíveis. E tudo isso só é possível com a aplicação consistente de práticas de bem-estar animal.
Precisamos dar maior visibilidade e transparência ao mercado, mostrando com mais clareza como produzimos e como as boas práticas estão integradas ao nosso sistema produtivo. Assim, poderemos abrir novas portas comerciais e levar nossos alimentos a ainda mais mercados, gerando elevados níveis de confiança e satisfação entre os consumidores.
O Presente Rural – De que forma a Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal dentro das unidades industriais e nas propriedades integradas?
Kauany Dalle Molle – A Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal desde 2018 por meio de práticas e investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação, tanto nas unidades industriais quanto nas propriedades integradas. O programa começou com o treinamento das equipes operacionais e melhorias das estruturas, criando assim as bases para uma cultura sólida de bem-estar animal. Nos anos seguintes foram implantadas melhorias que reduziram estresse e mortalidade, com ventilação, sombrite, uso de eletrólitos, além da modernização do processo de insensibilização. Também foram incorporadas tecnologias de gestão, como o rastreamento via aplicativo para monitorar transporte e embarque, além de enriquecimento ambiental, com brinquedos, cortinas e climatização para diferentes estações do ano. Essas ações permitiram que a cooperativa não só melhorasse a qualidade de vida dos animais, mas também a padronização de manejos, reduzindo perdas e obtendo certificações internacionais, como a WQS, reforçando seu compromisso com os padrões globais de bem-estar e produtividade.
O Presente Rural – Quais marcos técnicos ou institucionais você destacaria como pontos de virada nesse processo evolutivo dentro da cooperativa?

Kauany Dalle Molle: “A Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal desde 2018 por meio de práticas e investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação, tanto nas unidades industriais quanto nas propriedades integradas”
Kauany Dalle Molle – Entre 2018 e 2025 a Frimesa consolidou uma trajetória marcante de avanços tecnológicos e institucionais que transformaram o bem-estar animal em um dos pilares estratégicos de sua atuação. O primeiro ponto de virada ocorreu em 2018, com a criação de um programa estruturado em bem-estar animal, que inclui a capacitação das equipes, instalações das rampas de descarregamento com inclinação igual ou inferior a 15 graus, nebulizadores nas áreas de espera e uso de câmeras para treinamentos baseados em situações reais. Essas ações estabeleceram a base de uma cultura organizacional voltada ao cuidado com os animais e o alinhamento entre a teoria e a prática do manejo.
Em 2020, a Frimesa modernizou o abate ao substituir a insensibilização elétrica por CO2, eliminando o bastão elétrico, reduzindo em 90% o estresse dos animais, alinhando-se assim à portaria 365 de 2021 e padrões internacionais. Entre 2021 e 2022 ampliou o foco em bem-estar animal com climatização das áreas de espera, rastreamento via aplicativo e enriquecimento ambiental nas baias, unindo tecnologia, conforto e eficiência operacional. Entre 2018 a 2024 essas ações foram padronizadas com estruturas e manejos, alcançando baixos índices de mortalidade e estresse, além da certificação WQS em todas as unidades, reconhecimento internacional que validou a seriedade do programa de bem-estar animal da Frimesa.
O Presente Rural – Como o tema do bem-estar animal tem sido integrado às estratégias de sanidade e produtividade da Frimesa?
Kauany Dalle Molle – Já em 2019 o foco passou a ser a melhoria de ambiência e de saúde física dos suínos, com a instalação de sombrite e ventiladores para reduzir o estresse dos animais e a adoção de uso de eletrólito para todos os animais, medida essa que resultou em uma redução de 60% da condenação por hipertermia. Esse período foi fundamental para conectar o bem-estar animal à produtividade e à qualidade do produto final.
Essas melhorias foram sendo incorporadas às estratégias de produção e manejo. Com o tempo, o programa passou a integrar não só infraestrutura e capacitação, mas também ferramentas de gestão como o rastreamento via aplicativo para transporte e embarque. Todas essas ações contribuíram para a padronização de manejos e para a redução de perdas, com reflexos diretos na produtividade e na sanidade dos animais.
O Presente Rural – O que deve mudar nos próximos anos para que o bem-estar animal avance ainda mais dentro do modelo cooperativo e industrial?
Kauany Dalle Molle – É necessário ampliar a tecnologia, fornecer a capacitação contínua das equipes, buscar certificação com mais abrangência e aprofundar a questão do bem-estar animal à produtividade e sustentabilidade, consolidando a cooperativa como uma referência global nesse tema.
O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Suínos
Suíno vivo varia entre R$ 6,63 e R$ 6,94 nas principais praças do país
Levantamento do Cepea mostra diferenças nas cotações entre os estados produtores.

Os preços do suíno vivo apresentaram pequenas variações entre os principais estados produtores do país na segunda-feira (09), de acordo com dados do indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).
Em Minas Gerais, o animal foi cotado a R$ 6,76 por quilo, sem variação no dia nem no acumulado do mês. No Paraná, o preço ficou em R$ 6,70/kg, com queda diária de 0,15% e alta de 1,67% no mês.
No Rio Grande do Sul, a cotação atingiu R$ 6,78/kg, registrando alta de 0,15% no dia e acumulado mensal de 0,74%. Já em Santa Catarina, o valor permaneceu em R$ 6,63/kg, sem alteração diária e com avanço de 1,84% em março.
Em São Paulo, o indicador apontou R$ 6,94/kg, com recuo diário de 0,14% e alta de 0,58% no acumulado do mês.
Os valores consideram o suíno vivo nas condições posto ou a retirar, conforme a praça de referência, segundo o Cepea.
Suínos
Seminário em Minas Gerais discute uso responsável de antibióticos na suinocultura
Evento gratuito reúne produtores e técnicos para debater práticas mais seguras e eficientes na produção de suínos.

O Seminário Técnico Uso Racional de Antimicrobianos na Suinocultura será realizado no dia 25 de março, reunindo produtores, técnicos e profissionais do setor para debater estratégias que garantam uma produção mais responsável, eficiente e alinhada às exigências sanitárias e de mercado. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas clicando aqui.
O evento é promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), em parceria com a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG) e a Cooperativa dos Granjeiros do Oeste de Minas (COGRAN), com apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), Associação de Suinocultores do Centro Oeste Mineiro (ASSUICOM) e Cooperativa dos Produtores Rurais do Oeste de Minas Gerais (COOPEROESTE). O objetivo é ampliar o conhecimento técnico sobre o uso prudente de antibióticos na produção animal, além de tratar de temas como bem-estar animal e desafios regulatórios na alimentação dos suínos.
O seminário acontece no Suntory Business Hotel, em Pará de Minas (MG), com início às 8 horas, com a abertura oficial e boas-vindas aos participantes.
Segundo o presidente da ASEMG, Donizetti Ferreira Couto, o evento é essencial para fortalecer a suinocultura na região. “Discutir o uso racional de antimicrobianos, compartilhar conhecimento e alinhar práticas entre produtores e técnicos contribui diretamente para uma produção mais sustentável, segura e competitiva”, afirma.
A programação inclui a palestra “Uso prudente e eficaz de antibióticos na suinocultura”, com o médico veterinário Maurício Dutra, que trará orientações práticas e atualizações técnicas. Em seguida, o Auditor Fiscal Federal Agropecuário José Anselmo, do MAPA, abordará a visão do órgão sobre a importância do uso racional de antimicrobianos, desafios regulatórios e aspectos legais relacionados à alimentação animal.
Após o coffee break, a diretora técnica da ABCS, Charli Ludtke, apresentará a palestra “Bem-estar animal na suinocultura”, mostrando práticas que melhoram as condições de manejo e aumentam a produtividade nas granjas.
O seminário será encerrado com um almoço de confraternização, promovendo a troca de experiências entre os participantes e fortalecendo a rede de contatos dentro da cadeia produtiva da suinocultura.

Suínos
Vacinas autógenas ganham relevância na suinocultura, mas esbarram em limites técnicos e regulatórios
Apesar do potencial estratégico para controlar patógenos específicos, vacinas autógenas ainda enfrentam desafios de produção, custo, logística e regulamentação que limitam sua aplicação em larga escala na suinocultura.

Em sistemas intensivos de produção de suínos, marcados por alta densidade animal e elevada pressão sanitária, o controle de enfermidades permanece como um dos principais desafios produtivos. Nesse contexto, as vacinas autógenas se mostram como uma alternativa estratégica, sobretudo em situações em que vacinas comerciais não contemplam variantes específicas dos agentes circulantes no campo.
Produzidas a partir de microrganismos isolados do próprio rebanho, essas vacinas permitem uma resposta imunológica mais direcionada. De acordo com a médica-veterinária Michelle Marques, o diferencial está justamente na especificidade. “As vacinas autógenas são desenvolvidas com base na realidade sanitária da granja, o que aumenta a chance de uma resposta mais eficaz frente aos patógenos envolvidos”, explicou durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).
Utilizadas globalmente há mais de um século, as vacinas autógenas possuem regulamentação consolidada em países europeus desde a segunda metade do século passado. No Brasil, seu uso começou de forma mais consistente a partir da década de 1990 e, atualmente, é normatizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com exigências quanto à produção em laboratórios credenciados, biosseguridade e rastreabilidade.
Na prática, esses imunizantes têm sido empregados no controle de agentes como Streptococcus suis, Glaesserella parasuis, Actinobacillus pleuropneumoniae e cepas específicas de Escherichia coli e Salmonella spp., especialmente quando não há vacinas comerciais eficazes. Ainda assim, a aplicação em larga escala encontra limitações. “O tempo necessário para isolamento, caracterização e produção da vacina é um fator crítico, principalmente em surtos que exigem resposta rápida”, observou Michelle.
Custo e logística
Outro desafio relevante está no custo e na logística envolvida, além da dificuldade de isolamento bacteriano em situações de infecções múltiplas ou baixa viabilidade dos agentes. Em sistemas integrados, a complexidade aumenta, já que patógenos semelhantes podem circular entre granjas, mas com variações genômicas suficientes para comprometer a eficácia vacinal. “Nem sempre é simples definir uma cepa representativa quando há múltiplas origens e circulação intensa de animais”, pontuou a veterinária.
Regulamentação
Do ponto de vista regulatório, embora o Brasil tenha avançado na definição de critérios técnicos, ainda existem entraves relacionados à agilidade na liberação das vacinas. A consulta pública da Instrução Normativa nº 31 surgiu como uma tentativa de modernizar esse marco, propondo maior flexibilidade sem comprometer a segurança sanitária. Para Michelle, esse equilíbrio é fundamental. “A regulamentação precisa garantir controle e rastreabilidade, mas também permitir respostas compatíveis com a dinâmica dos sistemas intensivos”, afirmou.
Potencial das vacinas autógenas

Médica-veterinária Michelle Marques: “As vacinas autógenas são desenvolvidas com base na realidade sanitária da granja, o que aumenta a chance de uma resposta mais eficaz frente aos patógenos envolvidos” – Foto: Divulgação/Abraves
Apesar das limitações, o potencial das vacinas autógenas é reconhecido como complementar às estratégias tradicionais de biossegurança. Sua efetividade, contudo, depende da integração com manejo, diagnóstico preciso e vigilância epidemiológica contínua. “Não se trata de uma solução isolada, mas de uma ferramenta que precisa estar inserida em um programa sanitário bem estruturado”, reforçou.
Diante da intensificação da suinocultura e da crescente variabilidade dos agentes infecciosos, o avanço tecnológico aliado a ajustes normativos tende a ampliar o papel das vacinas autógenas. “A consolidação dessa ferramenta pode representar um passo importante para a sustentabilidade sanitária e produtiva da suinocultura brasileira”, ressaltou Michelle.
Á edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!



