Suínos
Bem-estar animal: o que pensam os especialistas das maiores agroindústrias do Brasil
Representantes da BRF, Seara e Frimesa compartilham com O Presente Rural os avanços, desafios e tendências que consolidam o bem-estar animal como eixo estratégico de sustentabilidade, eficiência e competitividade no setor suinícola.

De exigência técnica a valor corporativo. De demanda social a diferencial competitivo. O bem-estar animal nas agroindústrias brasileiras percorreu uma trajetória de evolução que hoje o posiciona como um dos pilares da sustentabilidade, da eficiência produtiva e da reputação no mercado global. Mas como as empresas têm lidado com esse tema na prática? Quais aprendizados foram determinantes? E o que esperar dos próximos anos?
Essas e outras questões estarão em pauta no painel “Evolução dos programas de bem-estar animal nas agroindústrias”, que integra a programação do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura 2025, em Chapecó (SC). O debate será realizado no dia 12 de agosto, com a participação de representantes de peso da cadeia produtiva: Josiane Busatta (médica-veterinária, mestre em Zootecnia com ênfase em Bem-estar animal, coordenadora do programa Bem-estar Animal feito na BRF e consultora de Bem-estar Animal na BRF), Vamiré Luiz Sens Júnior (médico-veterinário, pós em Gerenciamento de Projetos, MBA em Agrobusiness, mestre em Bem-Estar Animal e gerente executivo de Sustentabilidade Agropecuária na Seara Alimentos), Fabrício Murilo Beker (Engenheiro agrônomo formado, pós em Gestão Empresarial e Marketing, pós em Suinocultura Industrial, mestre em Tecnologia e Ambiente e gerente de Fomento Agropecuário da Pamplona) e Kauany Dalle Molle Navarro (médica-veterinária, especialista em higiene, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal, pós em manejo e sanidade de suínos e responsável técnica e responsável pela sanidade e Bem-Estar Animal na unidade da Frimesa de Assis Chateaubriand – PR).
Com exclusividade para O Presente Rural, três dos quatro painelistas compartilharam suas visões e experiências sobre os avanços do bem-estar animal nas agroindústrias, antecipando aos leitores os principais temas que estarão em debate durante o evento. O Presente Rural também entrou em contato com o representante da Pamplona, mas não recebeu resposta até o fechamento dessa edição, em 1º de agosto.
O Presente Rural – Como foi o processo de evolução interna da BRF para transformar o bem-estar animal em uma diretriz corporativa estruturada e transversal?

Josiane Busatta: “Na BRF, a integração entre áreas como produção, qualidade e sustentabilidade é essencial para garantir que o bem-estar animal seja efetivo e sustentável” – Fotos: Divulgação
Josiane Busatta – Transformar o bem-estar animal em um valor corporativo exigiu o engajamento de toda a cadeia. A evolução do bem-estar animal dentro da BRF foi um processo construído com muito comprometimento e ciência. Ao longo dos anos, com o amadurecimento da companhia e o aumento das expectativas da sociedade, ele passou a ocupar um espaço estratégico. Hoje, bem-estar animal é uma diretriz corporativa estruturada e transversal, integrada às decisões de negócio, à cultura organizacional e às metas de sustentabilidade.
Esse avanço é fruto de investimento em capacitação técnica, em parcerias com instituições científicas e em escuta ativa com nossos públicos de interesse. Criamos procedimentos robustos, indicadores de desempenho e auditorias internas e externas que garantem a conformidade e a melhoria contínua. Além disso, o tema está presente em fóruns multidisciplinares dentro da empresa, o que garante que ele seja considerado desde o planejamento até a operação, envolvendo áreas como agropecuária, sustentabilidade, qualidade, P&D e comunicação.
O Presente Rural – A evolução nas agroindústrias exige integração entre diferentes áreas – produção, qualidade, sustentabilidade. Como a BRF faz isso funcionar na prática?
Josiane Busatta – Na BRF, a integração entre áreas como produção, qualidade e sustentabilidade é essencial para garantir que o bem-estar animal seja efetivo e sustentável. Isso acontece por meio de uma governança estruturada, com comitês multidisciplinares, fluxos de comunicação claros e metas compartilhadas. Cada área tem seu papel técnico bem definido, mas todas trabalham com um olhar sistêmico, entendendo que o resultado depende da colaboração.
Quando falamos em manejo animal, a produção precisa garantir que os procedimentos sejam executados corretamente, a qualidade monitora os indicadores e conformidades e os aspectos regulatórios e de clientes, e a sustentabilidade avalia os impactos e oportunidades de melhoria.
Essa abordagem colaborativa permite que decisões sejam tomadas com base em dados, evidências e alinhamento estratégico. O resultado é uma operação ainda mais eficiente, ética e alinhada com os compromissos da BRF.
O Presente Rural – Quais aprendizados mais impactaram a BRF na jornada por certificações e compromissos públicos de bem-estar animal?
Josiane Busatta – A jornada da BRF em busca de certificações e compromissos públicos de bem-estar animal trouxe aprendizados valiosos que impactaram na forma de atuar. Um dos principais foi entender que o bem-estar animal vai muito além da conformidade legal — ele exige uma abordagem proativa, baseada em ciência, transparência e melhoria contínua.
Ao buscar certificações reconhecidas internacionalmente, percebemos a importância de padronizar processos, investir em capacitação contínua das equipes e fortalecer a rastreabilidade em toda a cadeia. Isso nos levou a desenvolver indicadores mais robustos, processos e monitoramentos padronizados e uma cultura interna robusta.
Ao longo dos anos enfrentamos desafios importantes que exigiram resiliência, adaptação e muito trabalho em equipe. Um dos principais foi a padronização de práticas em uma operação de grande escala e com diferentes realidades regionais. Garantir que todos os elos da cadeia, desde os produtores integrados até as unidades industriais, estivessem alinhados com os mesmos critérios técnicos é um processo que demanda investimento em capacitação, comunicação clara e acompanhamento constante.

Foto: Shuttertsock
Outro aprendizado importante foi o valor da escuta ativa e do diálogo com stakeholders (ONGs, clientes, academia e consumidores), tanto para construção como para acompanhamento das metas públicas. Os compromissos públicos nos desafiam a sermos transparentes, a prestar contas e a evoluir com base em evidências e expectativas sociais.
O Presente Rural – Quais tendências futuras devem moldar os programas de bem-estar animal nas grandes agroindústrias, e como a BRF está se preparando para elas?
Josiane Busatta – O futuro dos programas de bem-estar animal nas grandes agroindústrias será moldado por uma combinação de avanços tecnológicos, exigências regulatórias mais rigorosas, e uma sociedade cada vez mais consciente e exigente em relação à origem dos alimentos. Entre as principais tendências, destacam-se o uso de tecnologias como sensores e inteligência artificial, o monitoramento completo da cadeia produtiva e a valorização de indicadores baseados no comportamento e na saúde dos animais, e não apenas em parâmetros produtivos.
Outra tendência importante é a integração do bem-estar animal com os pilares e agendas ESG, como mudanças climáticas, uso racional de recursos naturais e saúde única (One Health). Isso exige uma abordagem ainda mais sistêmica e colaborativa.
A BRF já vem se preparando para esse cenário. Estamos investindo em inovação, com projetos que utilizam visão computacional e análise de dados para monitorar o comportamento animal, além de fortalecer parcerias com centros de pesquisa e startups. Também estamos aprimorando nossos indicadores, sensibilizando e capacitando continuamente nossas equipes para lidar com essas novas demandas.
Nosso objetivo é estar à frente das transformações, garantindo que o bem-estar animal continue sendo um pilar estratégico da nossa produção responsável e sustentável.
O Presente Rural – Quais foram os principais saltos na política de bem-estar animal dentro da Seara nos últimos anos, e como isso se reflete na cadeia produtiva?

Vamiré Luiz Sens Júnior: “Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a estrutura de governança do bem-estar animal na Seara, tornando esse tema transversal à operação”
Vamiré Luiz Sens Júnior – Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a estrutura de governança do bem-estar animal na Seara, tornando esse tema transversal à operação. Estreitamos conversas e relacionamentos com a academia, clientes e ONGs ligadas ao tema. Realizamos uma análise detalhada dos processos e interfaces e isso nos permitiu mapear oportunidades de trabalho.
Desenvolvemos o site de Sustentabilidade, onde é possível encontrar e acompanhar as iniciativas, compromissos públicos e evoluções das boas práticas de produção na empresa. Esta iniciativa promoveu maior transparência em relação aos nossos avanços no tema, possibilitando inclusive a participação em pesquisas de mercado por stakeholders.
Atualmente, todas as equipes e produtores da Seara são treinados nos cinco domínios de bem-estar animal, de modo que essa forma de produção seja incorporada pelos colaboradores e se reflita naturalmente no manejo dos animais. Isso ocorre de forma espontânea e torna-se parte intrínseca do processo. Um animal bem cuidado, com saúde, boa nutrição, em um ambiente limpo e confortável, apresenta bem-estar geral positivo. E um estado mental positivo, por sua vez, significa condições ideais para a máxima expressão do seu potencial zootécnico, seja no ganho de peso ou na produtividade. Não há nada mais sustentável do que isso!
Estimulamos a melhoria contínua dos nossos processos, seja nas granjas, com a adoção de novas tecnologias e equipamentos; na gestão da informação ou nas práticas de manejo, sanidade e reprodução. Contamos com especialistas exclusivamente dedicados, sempre atentos às melhores referências globais e focados em garantir estratégias e padrões produtivos que promovam mais qualidade de vida para os animais.
O Presente Rural – Na sua visão, o que levou o tema a deixar de ser apenas uma exigência técnica para se tornar um eixo estratégico nas agroindústrias?
Vamiré Luiz Sens Júnior – O bem-estar animal passou a impactar diretamente três frentes centrais do negócio: performance, reputação e acesso a mercados. Do ponto de vista da performance, um animal criado em boas práticas de bem-estar expressa melhor seu potencial zootécnico, aproveita mais eficientemente a ração, ganha peso com mais rapidez e apresenta melhor desempenho em menos tempo. Os avanços em ciência e tecnologia têm contribuído para uma compreensão mais precisa das necessidades dos animais, facilitando a adoção de práticas que asseguram seu bem-estar. Um animal saudável e bem cuidado resulta em produto de alta qualidade, com maior valor agregado. Isso se traduz em eficiência de custo, possibilitando a oferta de um produto de qualidade a preços acessíveis para diferentes faixas de poder aquisitivo.
No aspecto reputacional, é importante destacar que a percepção dos consumidores está cada vez mais sensível e atenta a essas questões. Eles demonstram preocupação com aspectos éticos e de responsabilidade social, especialmente quanto ao tratamento dado aos animais. A demanda por esses produtos tem incentivado as agroindústrias a incorporarem o bem-estar animal de forma mais estruturada em suas estratégias comerciais, oferecendo maior transparência sobre suas boas práticas.
Por fim, em relação ao acesso a mercados, o bem-estar animal, quando associado a boas práticas específicas, pode se tornar um diferencial competitivo, abrindo portas para nichos e mercados premium. Ao mesmo tempo, observa-se uma evolução nas exigências regulatórias, com leis mais rigorosas e padrões de certificação que demandam um tratamento mais adequado aos animais. Nesse contexto, o bem-estar animal passa a ser não apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma exigência legal, viabilizando o acesso a novos mercados e clientes.
O Presente Rural – O que as agroindústrias brasileiras ainda precisam ajustar para que a evolução em bem-estar seja mais homogênea e duradoura em todo o setor?
Vamiré Luiz Sens Júnior – Para avançar de forma ainda mais consistente, é fundamental investir em capacitação e educação continuada. É necessário promover programas de qualificação para produtores e gestores, assegurando que compreendam a importância, os benefícios e as melhores práticas relacionadas ao bem-estar animal. Além disso, é importante buscar, junto ao governo ou a entidades de apoio, linhas de financiamento com condições acessíveis e competitivas que possibilitem a execução de melhorias nas instalações, a aquisição de novas tecnologias e, especialmente, o apoio às pequenas e médias agroindústrias na implementação de boas práticas de bem-estar animal.
Após a publicação da Instrução Normativa nº 113 do Ministério da Agricultura e Pecuária, de 16 de dezembro de 2020, que estabelece as boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos de criação comercial, torna-se essencial acompanhar continuamente a evolução no atendimento aos requisitos. Isso permitirá avaliar o nível de engajamento do setor ao longo do tempo.
Diante do aumento da percepção sobre bem-estar animal por parte dos consumidores, também é válido destacar a importância de iniciativas de marketing que levem mais informação e educação ao público. Isso contribui para a valorização dos produtos certificados por práticas de bem-estar, estimulando, assim, a evolução de toda a cadeia produtiva.

Foto: Divulgação/BRF
O Presente Rural – Olhando para os próximos cinco a dez anos, como você projeta o papel do bem-estar animal na competitividade do Brasil no mercado global?
Vamiré Luiz Sens Júnior – Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a demanda por alimentos deverá dobrar até 2050. Diante desse cenário, será cada vez mais necessário produzir alimentos de forma sustentável, por meio de sistemas produtivos altamente eficientes, que otimizem o uso dos recursos naturais e assegurem a saúde do planeta. Nesse contexto, o bem-estar animal se apresenta como um caminho essencial para que possamos contribuir com esse grande desafio global.
O Brasil possui diversas fortalezas na suinocultura. Podemos destacar a sanidade, a rastreabilidade, os sistemas de produção integrados, a segurança alimentar, a disponibilidade de grãos, a mão de obra qualificada, o uso de tecnologia e a eficiência produtiva. Nossos indicadores de desempenho estão entre os melhores do mundo, agregando valor à produção e permitindo a captura de custos diferenciados, o que torna nossos produtos de alta qualidade mais acessíveis. E tudo isso só é possível com a aplicação consistente de práticas de bem-estar animal.
Precisamos dar maior visibilidade e transparência ao mercado, mostrando com mais clareza como produzimos e como as boas práticas estão integradas ao nosso sistema produtivo. Assim, poderemos abrir novas portas comerciais e levar nossos alimentos a ainda mais mercados, gerando elevados níveis de confiança e satisfação entre os consumidores.
O Presente Rural – De que forma a Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal dentro das unidades industriais e nas propriedades integradas?
Kauany Dalle Molle – A Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal desde 2018 por meio de práticas e investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação, tanto nas unidades industriais quanto nas propriedades integradas. O programa começou com o treinamento das equipes operacionais e melhorias das estruturas, criando assim as bases para uma cultura sólida de bem-estar animal. Nos anos seguintes foram implantadas melhorias que reduziram estresse e mortalidade, com ventilação, sombrite, uso de eletrólitos, além da modernização do processo de insensibilização. Também foram incorporadas tecnologias de gestão, como o rastreamento via aplicativo para monitorar transporte e embarque, além de enriquecimento ambiental, com brinquedos, cortinas e climatização para diferentes estações do ano. Essas ações permitiram que a cooperativa não só melhorasse a qualidade de vida dos animais, mas também a padronização de manejos, reduzindo perdas e obtendo certificações internacionais, como a WQS, reforçando seu compromisso com os padrões globais de bem-estar e produtividade.
O Presente Rural – Quais marcos técnicos ou institucionais você destacaria como pontos de virada nesse processo evolutivo dentro da cooperativa?

Kauany Dalle Molle: “A Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal desde 2018 por meio de práticas e investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação, tanto nas unidades industriais quanto nas propriedades integradas”
Kauany Dalle Molle – Entre 2018 e 2025 a Frimesa consolidou uma trajetória marcante de avanços tecnológicos e institucionais que transformaram o bem-estar animal em um dos pilares estratégicos de sua atuação. O primeiro ponto de virada ocorreu em 2018, com a criação de um programa estruturado em bem-estar animal, que inclui a capacitação das equipes, instalações das rampas de descarregamento com inclinação igual ou inferior a 15 graus, nebulizadores nas áreas de espera e uso de câmeras para treinamentos baseados em situações reais. Essas ações estabeleceram a base de uma cultura organizacional voltada ao cuidado com os animais e o alinhamento entre a teoria e a prática do manejo.
Em 2020, a Frimesa modernizou o abate ao substituir a insensibilização elétrica por CO2, eliminando o bastão elétrico, reduzindo em 90% o estresse dos animais, alinhando-se assim à portaria 365 de 2021 e padrões internacionais. Entre 2021 e 2022 ampliou o foco em bem-estar animal com climatização das áreas de espera, rastreamento via aplicativo e enriquecimento ambiental nas baias, unindo tecnologia, conforto e eficiência operacional. Entre 2018 a 2024 essas ações foram padronizadas com estruturas e manejos, alcançando baixos índices de mortalidade e estresse, além da certificação WQS em todas as unidades, reconhecimento internacional que validou a seriedade do programa de bem-estar animal da Frimesa.
O Presente Rural – Como o tema do bem-estar animal tem sido integrado às estratégias de sanidade e produtividade da Frimesa?
Kauany Dalle Molle – Já em 2019 o foco passou a ser a melhoria de ambiência e de saúde física dos suínos, com a instalação de sombrite e ventiladores para reduzir o estresse dos animais e a adoção de uso de eletrólito para todos os animais, medida essa que resultou em uma redução de 60% da condenação por hipertermia. Esse período foi fundamental para conectar o bem-estar animal à produtividade e à qualidade do produto final.
Essas melhorias foram sendo incorporadas às estratégias de produção e manejo. Com o tempo, o programa passou a integrar não só infraestrutura e capacitação, mas também ferramentas de gestão como o rastreamento via aplicativo para transporte e embarque. Todas essas ações contribuíram para a padronização de manejos e para a redução de perdas, com reflexos diretos na produtividade e na sanidade dos animais.
O Presente Rural – O que deve mudar nos próximos anos para que o bem-estar animal avance ainda mais dentro do modelo cooperativo e industrial?
Kauany Dalle Molle – É necessário ampliar a tecnologia, fornecer a capacitação contínua das equipes, buscar certificação com mais abrangência e aprofundar a questão do bem-estar animal à produtividade e sustentabilidade, consolidando a cooperativa como uma referência global nesse tema.
O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Suínos
ABCS intensifica atuação no Congresso em ano decisivo para o agro
Entidade reforçou prioridades da suinocultura nas comissões temáticas do Instituto Pensar Agro, entre as quais envolvem regras de bem-estar animal, controle de javalis e rotulagem de produtos de origem animal.

A equipe política da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) intensificou sua atuação no Instituto Pensar Agro (IPA), entre terça (27) e quarta-feira (28), participando ativamente das comissões temáticas responsáveis por organizar e conduzir as principais pautas do setor junto à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
A gerente de Relações Governamentais da entidade, Ana Paula Cenci, explica que este é o momento em que as instituições do setor se debruçam sobre temas considerados estratégicos para o agro. “Cada assunto é avaliado conforme seus impactos diretos sobre a produção, a competitividade e a sustentabilidade das cadeias produtivas. A ABCS exerce papel relevante nesse processo, ao levar às comissões a visão técnica e a realidade da suinocultura brasileira”, afirma.
Entre os temas prioritários em debate estão o controle e o manejo de javalis, as normas de bem-estar animal e as propostas relacionadas à rotulagem de alimentos de origem animal. São agendas que afetam diretamente o dia a dia do produtor, a segurança sanitária e a relação do setor com o consumidor, exigindo posicionamento qualificado e articulação institucional.
O trabalho ganha ainda mais relevância em 2026, ano marcado pelo calendário eleitoral. Com uma agenda legislativa naturalmente mais curta, o primeiro semestre se consolida como o período mais estratégico para o avanço das pautas setoriais e para o diálogo com parlamentares e com o Poder Executivo.
“Sem dúvida, a atuação da ABCS nas comissões temáticas do IPA reforça o compromisso da entidade com a defesa dos interesses da suinocultura nacional. A participação ativa contribui para a construção de consensos, a antecipação de riscos regulatórios e a promoção de um ambiente normativo mais previsível, equilibrado e alinhado à realidade do campo”, conclui Cenci.
Suínos
Canetas emagrecedoras redesenham dieta do brasileiro e impulsionam consumo da carne suína
Avanço de medicamentos à base de GLP-1 muda o consumo de calorias, reduz carboidratos e fortalece a demanda por proteínas, colocando a suinocultura brasileira em posição estratégica em 2026.

O ano de 2026 começou e já anuncia grandes mudanças para o agronegócio e o varejo alimentício no Brasil: a redistribuição no consumo de calorias. Se em anos anteriores o foco era o preço, hoje a dieta do brasileiro é ditada por uma combinação de busca por longevidade e o avanço crescente de medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic e Mounjaro, as chamadas canetas emagrecedoras. Um relatório divulgado pelo Itaú BBA indica que o fenômeno, que começou como uma tendência de saúde, agora redesenha a demanda da porteira para dentro, alterando o equilíbrio entre as lavouras e a pecuária.

Foto: Claudio Pazetto
Projeções de mercado das consultorias IQVIA e Itaú BBA estimam que o Brasil tenha entre 4 e 6 milhões de usuários regulares desses medicamentos, com maior concentração nas classes A e B, consolidando o país como o segundo maior mercado mundial da categoria. É importante ressaltar que esses dados refletem o mercado auditado, mas o alcance real é ainda maior ao considerarmos o uso off-label (uso de remédios adquiridos de forma clandestina).
Além disso, o acesso facilitado e a quebra de patentes prevista para este ano impulsionam o setor; a expectativa, segundo analistas do mercado financeiro como o BTG Pactual, é que o volume de vendas mantenha um crescimento significativo, podendo atingir até 80% com a chegada dos genéricos.
Neste cenário de redução do apetite, o consumidor come menos e escolhe melhor. Segundo dados do setor, cerca de 56% dos usuários desses fármacos afirmam fazer escolhas mais saudáveis, priorizando porções menores e nutricionalmente superiores. O impacto direto é uma queda acentuada na demanda por carboidratos refinados e uma ascensão das proteínas.
Essa mudança ocorre porque a recomendação nutricional para quem utiliza esses tratamentos subiu para até 1,6g de proteína por quilo corporal (visando a manutenção da massa magra), enquanto a estimativa de queda no consumo de carboidratos chega a -10,1% em snacks e -8,8% em panificação. Isso coloca os frigoríficos e produtores de proteína animal como os grandes beneficiados a longo prazo.
Neste cenário, a carne suína consolida sua posição estratégica. O relatório indica que o Brasil deve liderar o crescimento global de

Fotos: Divulgação/HB Audiovisual
produção de carne suína em 2026 (projeção de +1,3% a +3,8%) beneficiado pelo baixo custo da ração e pela migração do consumo de carboidratos para carnes. A tendência de “Smart Foods”, apontada pela Euromonitor, também abraça a carne suína pela sua praticidade, impulsionando o desenvolvimento de embutidos de alta qualidade, com menor teor de sódio e rótulos mais limpos, atendendo ao público que busca saciedade rápida com densidade nutricional.
Já no varejo, a palavra de ordem é a “Servitização”. Supermercados deixaram de ser apenas depósitos de produtos para se tornarem centros de consultoria e experiência, a exemplo de redes que já oferecem nutricionistas em loja e curadoria de produtos.
A tendência apontada por consultorias como Kantar e Mintel é a hiperpersonalização nutricional: com o auxílio de IA e Retail Media, as redes passarão a oferecer ofertas baseadas no perfil metabólico e necessidades de saúde do cliente. As marcas próprias também irão evoluir em 2026, se consolidando como escolhas premium para quem busca alimentos funcionais, como snacks de proteína e itens prontos para o consumo.

Presidente da ABCS, Marcelo Lopes: “A ABCS atua como o elo estratégico que traduz essas novas demandas de consumo em oportunidades reais, garantindo que a suinocultura brasileira esteja sempre um passo à frente, e pronta para atender” – Foto: Divulgação/Arquivo OP Rural
Ainda de acordo com o Itaú BBA, embora o cenário seja favorável para as proteínas, o setor de grãos enfrenta o desafio de se adaptar. A redução gradual no consumo de cereais para alimentação humana direta obriga o campo a focar ainda mais na eficiência da ração animal, já que a demanda por carne segue em níveis históricos.
Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a mensagem é clara: quem não entender que o consumidor mudou o hábito na farmácia, perderá competitividade na gôndola. “Em um mercado que se redefine em tempo recorde, a antecipação é o nosso maior diferencial. A ABCS atua como o elo estratégico que traduz essas novas demandas de consumo em oportunidades reais, garantindo que a suinocultura brasileira esteja sempre um passo à frente, e pronta para atender”, finaliza.
Suínos
Embrapa estrutura rede nacional de dados para antecipar riscos sanitários na suinocultura
Central integra informações de granjas de todo o Brasil para reforçar vigilância epidemiológica, biosseguridade, sustentabilidade e competitividade do setor.

A Embrapa Suínos e Aves disponibiliza nesta semana a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma estratégica que integra e analisa dados sanitários de granjas de todo o País para apoiar a tomada de decisão, fortalecer a vigilância epidemiológica, biosseguridade, controle de doenças e ampliar a sustentabilidade da suinocultura brasileira.

Foto: Monalisa Pereira/Embrapa
De grande relevância no cenário mundial, a suinocultura se destaca pelos elevados padrões sanitários, pela produtividade e pelo compromisso com a sustentabilidade. Diante do desafio do monitoramento contínuo desses parâmetros, a Embrapa e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se uniram para estruturar a ferramenta, que agrega dados sanitários estratégicos para a cadeia produtiva, a partir de parcerias com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs).
Santa Catarina, estado que abriga a Unidade da Embrapa, é o maior produtor e exportador de suínos do Brasil. Em 2024, alcançou um recorde histórico, com 17,97 milhões de suínos abatidos, reforçando a importância de ações estruturadas para a sanidade dos rebanhos. A saúde animal é um fator decisivo para a produtividade e para a redução de perdas nas granjas e no abate.
Entre os principais desafios estão as Doenças do Complexo Respiratórios Suíno (PRDC), responsáveis por perdas significativas devido à

Pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella: ” – Foto: Monalisa Pereira/Embrapa
redução de ganho de peso, condenação de carcaças, aumento da mortalidade e maior uso de antibióticos. O PRDC é uma enfermidade multifatorial, resultante da interação entre fatores não infecciosos e patógenos virais e bacterianos, como o vírus da Influenza suína, o vírus da Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRSV), o Circovírus Suíno Tipo 2 (PCV2), Mycoplasma hyopneumoniae e outros agentes bacterianos. “Como o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, manter a saúde dos rebanhos é essencial”, afirma a pesquisadora Janice Zanella, líder da pesquisa.
E conhecer e entender os dados e informações sanitárias, realizando análises preditivas e retrospectivas é parte da estratégia, o que torna a CISS um instrumento inovador.
Central de inteligência transforma dados em ação
A Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) também materializa o conceito de Saúde Única ao integrar saúde animal, saúde humana e proteção ambiental. “Animais saudáveis reduzem o uso de antibióticos, a mortalidade, o impacto ambiental e, consequentemente, geram alimentos mais seguros”, destaca Janice.
Da mesma forma, o monitoramento de agentes zoonóticos, principalmente vírus emergentes, visa identificar precocemente a circulação de patógenos na interface humano-animal-ambiente, antecipar riscos de surtos e epidemias, orientar medidas de prevenção e controle, e proteger a saúde pública, a produção animal e a segurança ambiental dentro da abordagem de Saúde Única.
Na prática, a Embrapa atua por meio da CISS em parceria com Laboratórios de Diagnóstico Veterinário (LDVs), que fornecem dados provenientes de milhares de amostras coletadas em granjas de todo o País. Essa cooperação é um pilar estratégico para o funcionamento da plataforma, pois possibilita a consolidação estruturada de resultados de diagnósticos laboratoriais, como testes de PCR, análises patológicas e outros exames de rotina relacionados a doenças endêmicas da suinocultura. Com isso, forma-se um banco de dados amplo e representativo da situação sanitária dos rebanhos suínos brasileiros.
A integração contínua dessas informações permite identificar e acompanhar mudanças nos padrões sanitários ao longo do tempo, considerando variáveis como faixa etária, unidades da federação, tipo de amostra analisada, natureza do problema sanitário e sistema de produção. Inspirada no modelo do Swine Disease Reporting System (SDRS), da Universidade Estadual de Iowa, nos Estados Unidos, a CISS oferece análises dinâmicas e atualizadas para diferentes atores do setor.

Foto: Lucas Scherer/Embrapa
Outro aspecto central do trabalho é a padronização e a interoperabilidade dos dados. Um dos principais desafios da integração, segundo a pesquisadora, é o fato de os LDVs utilizarem testes, ensaios e sistemas de gestão de informações laboratoriais (SGIL) distintos. Para viabilizar a troca e a análise conjunta das informações, é fundamental a adoção de padrões diagnósticos internacionalmente reconhecidos, como o Logical Observation Identifiers, Names and Codes (LOINC) e o SNOMED CT, que garantem a representação consistente do conteúdo clínico. Esse processo de codificação é conduzido pelo professor Rafael Nicolino, da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com os analistas da Embrapa Dirceu Benelli e Armando Amaral.
Os dados consolidados pela CISS subsidiam a elaboração de relatórios técnicos agregados e anonimizados, que apoiam a formulação de políticas públicas e ações estratégicas de órgãos de defesa sanitária, indústrias e produtores. No projeto piloto, a prioridade é a pneumonia enzoótica suína, permitindo o planejamento de estratégias mais proativas de prevenção e controle.
Além disso, a iniciativa fortalece a rede laboratorial brasileira ao ampliar a cooperação técnico-científica entre a Embrapa e os laboratórios colaboradores, contribuindo para a capacitação de equipes, padronização de processos e consolidação de uma rede nacional de vigilância em saúde suína. Esse trabalho estruturado representa o primeiro passo para transformar informações dispersas em inteligência estratégica, fortalecendo a sanidade, a sustentabilidade e a competitividade da suinocultura brasileira.
Resultados preliminares
O projeto-piloto da CISS focou inicialmente no teste de PCR para o agente da pneumonia enzoótica dos suínos, o Mycoplasma

Foto: Diuvlgação/Embrapa
hyopneumoniae (MHyo), um dos patógenos mais relevantes do Complexo Respiratório Suíno (PRDC). Entre outubro de 2019 e dezembro de 2025 foram analisadas 253.674 amostras submetidas para PCR de MHyo, gerando 10.821 registros. Os estados com maior frequência de submissões ao longo dos anos estudados foram Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
As análises revelaram tendências claras e sazonalidade. A maior ocorrência e o pico de positividade foram observados no primeiro semestre de 2022. Em maio daquele ano, por exemplo, 38% dos registros de MHyo foram positivos. O maior índice de submissões coincidiu com a maior positividade, o que demonstra que o diagnóstico laboratorial é um grande aliado para embasar medidas de tratamento, prevenção e controle na prática.
Outro trabalho recente mostrou uma alta taxa de positividade no diagnóstico de circovirus suíno tipo 2 (PCV2) entre 2020 e 2025. Esses estudos indicaram que o genótipo PCV2d é o predominante atualmente no Brasil, embora as coinfecções de genótipos (PCV2b + PCV2d) ainda sejam consideradas relevantes.

Foto: Divulgação
O modelo do SDRS dos EUA, que analisou a intensificação da vigilância diagnóstica de influenza (comparando dados em suínos e humanos) durante pandemias, apoia as estratégias de monitoramento e prevenção de influenza com risco zoonótico no Brasil via CISS.
Em resumo, a ferramenta CISS, é versátil, e quando embasada em dados de qualidade poderá ser empregada em diversos estudos e análises, que por sua vez poderão derivar para outros trabalhos.
IA e genômica
Os próximos passos da Embrapa, de acordo com Janice, incluem a ampliação do monitoramento para outros agentes importantes além do Mycoplasma hyopneumoniae e a incorporação de mais laboratórios de diagnóstico veterinário parceiros. “O objetivo é criar uma rede nacional integrada, além de um comitê gestor”, enfatiza.
Outra iniciativa que está no planejamento da equipe é disponibilizar relatórios mensais ao setor e realizar encontros virtuais para debater sobre os dados oriundos das análises.
A tecnologia será um pilar essencial para o futuro da vigilância sanitária. O uso de inteligência artificial (IA), análise de big data e sequenciamento genômico tem o potencial de transformar os estudos epidemiológicos. Essas ferramentas permitirão a previsão de surtos, a identificação de variantes emergentes e a aceleração das respostas sanitárias. “O desafio, contudo, é transformar esses avanços em ferramentas acessíveis e sustentáveis para o setor produtivo”, observa a pesquisadora.
Ela complementa que o médico-veterinário e o pesquisador da área animal atuam diretamente em saúde pública, sendo considerados

Foto: Divulgação
agentes de saúde global. Eles estão na linha de frente na identificação de doenças, na comunicação de riscos às autoridades de saúde e na pesquisa.
Comunicar esse papel é fundamental para mostrar que a saúde animal está intrinsecamente ligada à saúde das pessoas e ao equilíbrio ambiental. A CISS não será apenas uma plataforma para analisar dados, mas sim para dar suporte a quem realmente está na linha de frente. “Fazer parte dessa linha de frente da saúde global é uma responsabilidade e um privilégio, e demonstra que o Brasil pode liderar soluções em sanidade animal que impactam, positivamente, todo o planeta”, enfatiza a pesquisadora.
Pesquisar suínos é estratégico para a saúde global
A intensificação da vigilância de vírus em animais de produção se tornou crucial após eventos como as pandemias de influenza e covid-19, que expuseram o risco global da circulação silenciosa de patógenos. Os suínos são considerados uma espécie-chave, uma vez que podem ser infectados por vírus humanos e de aves, como a influenza A zoonótica, o que abre caminho para a recombinação genética e a eventual criação de novos vírus.

Foto: Divulgação
A influenza, por exemplo, é endêmica em rebanhos suínos de países produtores, incluindo o Brasil. Agentes endêmicos na suinocultura causam grande impacto econômico, afetando a biosseguridade, o bem-estar animal, e ocasionando o uso excessivo de antimicrobianos. Para o Brasil, a manutenção da saúde do rebanho é vital para fornecer proteína de qualidade e nutritiva, tanto para o mercado doméstico como o de exportação. E preservar a credibilidade brasileira como produtor e exportador confiável de proteína animal, garantindo o cumprimento das exigências dos mercados.
Entenda as semelhanças entre vigilância sanitária e tráfego aéreo
Para entender a integração dos dados na vigilância sanitária, é possível compará-la a um grande sistema de tráfego aéreo.
Cada laboratório de diagnóstico veterinário (LDV) é como uma torre de controle local, gerenciando voos (amostras) de sua região. O desafio é que cada torre usa um sistema de rádio e coordenadas ligeiramente diferentes (SGILs e terminologias únicas).
A Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS) age como um sistema de radar nacional unificado, que obriga todas as torres a usar a mesma linguagem e os mesmos códigos de identificação (como LOINC e SNOMED CT). Isso permite que os “pilotos” (veterinários e produtores) vejam em tempo real onde estão os congestionamentos (picos de positividade) e quais são as rotas de riscos (novos surtos), protegendo assim a malha aérea inteira (a cadeia produtiva e a saúde pública global).
Conceito de Saúde Única
A abordagem de Saúde Única (ou Uma Só Saúde, One Health em inglês) parte da compreensão de que existe interconexão entre a saúde

Foto: Divulgação
de humanos, animais, plantas e meio ambiente. Rompe com a visão fragmentada de saúde humana, animal e ambiental, que ainda prevalece em alguns setores, dificultando a vigilância e o controle de doenças transmissíveis e a gestão de riscos ambientais.
Janice menciona aspectos contemplados nos pilares do conceito de Saúde Única. Dentro da saúde humana, são tratadas as preocupações com doenças, gestão de resíduos, resistência a antimicrobianos e sanidade vegetal nos sistemas agroalimentares, bem com a qualidade e saudabilidade dos alimentos. São questões que se replicam no caso da saúde animal em que se incluem os aspectos de biosseguridade e bem-estar dos indivíduos.
Dentro da saúde ambiental, a perda dos recursos naturais, a conservação da biodiversidade, a degradação ambiental e os resíduos nocivos, a vulnerabilidade das mulheres e das comunidades tradicionais e ribeirinhas aos efeitos da mudança climática e de práticas como o desmatamento ou a mineração não foram esquecidas.

Foto: O Presente Rural
No caso da ciência, diante de possíveis futuras pandemias e, internamente, quando da condução de pesquisas na Embrapa relacionadas à Saúde Única, a pesquisadora chama a atenção para a importância da interdisciplinaridade e integração de conhecimentos. “Temos que trabalhar fora das caixinhas, fora dos silos, apesar de nossas formações de origem. E precisamos de bons dados para estudos preditivos”, destaca.
O tema Saúde Única vem recebendo atenção e direcionamento expressivos na agenda institucional da Embrapa. Está conectado a todos os objetivos estratégicos do Plano Diretor da Embrapa (PDE) e a vários portfólios de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Exemplo recente é o livro lançado em novembro de 2025, durante a COP 30, Saúde Única: Caminho para Resiliência do Planeta. Em 142 páginas, 12 autores da Empresa, entre eles a pesquisadora Janice Zanella (primeira autora), se dedicam a um tema que amplia a percepção sobre saúde, trazendo-a para uma abordagem mais holística.



