Suínos
Bem-estar animal: o que pensam os especialistas das maiores agroindústrias do Brasil
Representantes da BRF, Seara e Frimesa compartilham com O Presente Rural os avanços, desafios e tendências que consolidam o bem-estar animal como eixo estratégico de sustentabilidade, eficiência e competitividade no setor suinícola.

De exigência técnica a valor corporativo. De demanda social a diferencial competitivo. O bem-estar animal nas agroindústrias brasileiras percorreu uma trajetória de evolução que hoje o posiciona como um dos pilares da sustentabilidade, da eficiência produtiva e da reputação no mercado global. Mas como as empresas têm lidado com esse tema na prática? Quais aprendizados foram determinantes? E o que esperar dos próximos anos?
Essas e outras questões estarão em pauta no painel “Evolução dos programas de bem-estar animal nas agroindústrias”, que integra a programação do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura 2025, em Chapecó (SC). O debate será realizado no dia 12 de agosto, com a participação de representantes de peso da cadeia produtiva: Josiane Busatta (médica-veterinária, mestre em Zootecnia com ênfase em Bem-estar animal, coordenadora do programa Bem-estar Animal feito na BRF e consultora de Bem-estar Animal na BRF), Vamiré Luiz Sens Júnior (médico-veterinário, pós em Gerenciamento de Projetos, MBA em Agrobusiness, mestre em Bem-Estar Animal e gerente executivo de Sustentabilidade Agropecuária na Seara Alimentos), Fabrício Murilo Beker (Engenheiro agrônomo formado, pós em Gestão Empresarial e Marketing, pós em Suinocultura Industrial, mestre em Tecnologia e Ambiente e gerente de Fomento Agropecuário da Pamplona) e Kauany Dalle Molle Navarro (médica-veterinária, especialista em higiene, inspeção e tecnologia de produtos de origem animal, pós em manejo e sanidade de suínos e responsável técnica e responsável pela sanidade e Bem-Estar Animal na unidade da Frimesa de Assis Chateaubriand – PR).
Com exclusividade para O Presente Rural, três dos quatro painelistas compartilharam suas visões e experiências sobre os avanços do bem-estar animal nas agroindústrias, antecipando aos leitores os principais temas que estarão em debate durante o evento. O Presente Rural também entrou em contato com o representante da Pamplona, mas não recebeu resposta até o fechamento dessa edição, em 1º de agosto.
O Presente Rural – Como foi o processo de evolução interna da BRF para transformar o bem-estar animal em uma diretriz corporativa estruturada e transversal?

Josiane Busatta: “Na BRF, a integração entre áreas como produção, qualidade e sustentabilidade é essencial para garantir que o bem-estar animal seja efetivo e sustentável” – Fotos: Divulgação
Josiane Busatta – Transformar o bem-estar animal em um valor corporativo exigiu o engajamento de toda a cadeia. A evolução do bem-estar animal dentro da BRF foi um processo construído com muito comprometimento e ciência. Ao longo dos anos, com o amadurecimento da companhia e o aumento das expectativas da sociedade, ele passou a ocupar um espaço estratégico. Hoje, bem-estar animal é uma diretriz corporativa estruturada e transversal, integrada às decisões de negócio, à cultura organizacional e às metas de sustentabilidade.
Esse avanço é fruto de investimento em capacitação técnica, em parcerias com instituições científicas e em escuta ativa com nossos públicos de interesse. Criamos procedimentos robustos, indicadores de desempenho e auditorias internas e externas que garantem a conformidade e a melhoria contínua. Além disso, o tema está presente em fóruns multidisciplinares dentro da empresa, o que garante que ele seja considerado desde o planejamento até a operação, envolvendo áreas como agropecuária, sustentabilidade, qualidade, P&D e comunicação.
O Presente Rural – A evolução nas agroindústrias exige integração entre diferentes áreas – produção, qualidade, sustentabilidade. Como a BRF faz isso funcionar na prática?
Josiane Busatta – Na BRF, a integração entre áreas como produção, qualidade e sustentabilidade é essencial para garantir que o bem-estar animal seja efetivo e sustentável. Isso acontece por meio de uma governança estruturada, com comitês multidisciplinares, fluxos de comunicação claros e metas compartilhadas. Cada área tem seu papel técnico bem definido, mas todas trabalham com um olhar sistêmico, entendendo que o resultado depende da colaboração.
Quando falamos em manejo animal, a produção precisa garantir que os procedimentos sejam executados corretamente, a qualidade monitora os indicadores e conformidades e os aspectos regulatórios e de clientes, e a sustentabilidade avalia os impactos e oportunidades de melhoria.
Essa abordagem colaborativa permite que decisões sejam tomadas com base em dados, evidências e alinhamento estratégico. O resultado é uma operação ainda mais eficiente, ética e alinhada com os compromissos da BRF.
O Presente Rural – Quais aprendizados mais impactaram a BRF na jornada por certificações e compromissos públicos de bem-estar animal?
Josiane Busatta – A jornada da BRF em busca de certificações e compromissos públicos de bem-estar animal trouxe aprendizados valiosos que impactaram na forma de atuar. Um dos principais foi entender que o bem-estar animal vai muito além da conformidade legal — ele exige uma abordagem proativa, baseada em ciência, transparência e melhoria contínua.
Ao buscar certificações reconhecidas internacionalmente, percebemos a importância de padronizar processos, investir em capacitação contínua das equipes e fortalecer a rastreabilidade em toda a cadeia. Isso nos levou a desenvolver indicadores mais robustos, processos e monitoramentos padronizados e uma cultura interna robusta.
Ao longo dos anos enfrentamos desafios importantes que exigiram resiliência, adaptação e muito trabalho em equipe. Um dos principais foi a padronização de práticas em uma operação de grande escala e com diferentes realidades regionais. Garantir que todos os elos da cadeia, desde os produtores integrados até as unidades industriais, estivessem alinhados com os mesmos critérios técnicos é um processo que demanda investimento em capacitação, comunicação clara e acompanhamento constante.

Foto: Shuttertsock
Outro aprendizado importante foi o valor da escuta ativa e do diálogo com stakeholders (ONGs, clientes, academia e consumidores), tanto para construção como para acompanhamento das metas públicas. Os compromissos públicos nos desafiam a sermos transparentes, a prestar contas e a evoluir com base em evidências e expectativas sociais.
O Presente Rural – Quais tendências futuras devem moldar os programas de bem-estar animal nas grandes agroindústrias, e como a BRF está se preparando para elas?
Josiane Busatta – O futuro dos programas de bem-estar animal nas grandes agroindústrias será moldado por uma combinação de avanços tecnológicos, exigências regulatórias mais rigorosas, e uma sociedade cada vez mais consciente e exigente em relação à origem dos alimentos. Entre as principais tendências, destacam-se o uso de tecnologias como sensores e inteligência artificial, o monitoramento completo da cadeia produtiva e a valorização de indicadores baseados no comportamento e na saúde dos animais, e não apenas em parâmetros produtivos.
Outra tendência importante é a integração do bem-estar animal com os pilares e agendas ESG, como mudanças climáticas, uso racional de recursos naturais e saúde única (One Health). Isso exige uma abordagem ainda mais sistêmica e colaborativa.
A BRF já vem se preparando para esse cenário. Estamos investindo em inovação, com projetos que utilizam visão computacional e análise de dados para monitorar o comportamento animal, além de fortalecer parcerias com centros de pesquisa e startups. Também estamos aprimorando nossos indicadores, sensibilizando e capacitando continuamente nossas equipes para lidar com essas novas demandas.
Nosso objetivo é estar à frente das transformações, garantindo que o bem-estar animal continue sendo um pilar estratégico da nossa produção responsável e sustentável.
O Presente Rural – Quais foram os principais saltos na política de bem-estar animal dentro da Seara nos últimos anos, e como isso se reflete na cadeia produtiva?

Vamiré Luiz Sens Júnior: “Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a estrutura de governança do bem-estar animal na Seara, tornando esse tema transversal à operação”
Vamiré Luiz Sens Júnior – Nos últimos anos, ampliamos de forma significativa a estrutura de governança do bem-estar animal na Seara, tornando esse tema transversal à operação. Estreitamos conversas e relacionamentos com a academia, clientes e ONGs ligadas ao tema. Realizamos uma análise detalhada dos processos e interfaces e isso nos permitiu mapear oportunidades de trabalho.
Desenvolvemos o site de Sustentabilidade, onde é possível encontrar e acompanhar as iniciativas, compromissos públicos e evoluções das boas práticas de produção na empresa. Esta iniciativa promoveu maior transparência em relação aos nossos avanços no tema, possibilitando inclusive a participação em pesquisas de mercado por stakeholders.
Atualmente, todas as equipes e produtores da Seara são treinados nos cinco domínios de bem-estar animal, de modo que essa forma de produção seja incorporada pelos colaboradores e se reflita naturalmente no manejo dos animais. Isso ocorre de forma espontânea e torna-se parte intrínseca do processo. Um animal bem cuidado, com saúde, boa nutrição, em um ambiente limpo e confortável, apresenta bem-estar geral positivo. E um estado mental positivo, por sua vez, significa condições ideais para a máxima expressão do seu potencial zootécnico, seja no ganho de peso ou na produtividade. Não há nada mais sustentável do que isso!
Estimulamos a melhoria contínua dos nossos processos, seja nas granjas, com a adoção de novas tecnologias e equipamentos; na gestão da informação ou nas práticas de manejo, sanidade e reprodução. Contamos com especialistas exclusivamente dedicados, sempre atentos às melhores referências globais e focados em garantir estratégias e padrões produtivos que promovam mais qualidade de vida para os animais.
O Presente Rural – Na sua visão, o que levou o tema a deixar de ser apenas uma exigência técnica para se tornar um eixo estratégico nas agroindústrias?
Vamiré Luiz Sens Júnior – O bem-estar animal passou a impactar diretamente três frentes centrais do negócio: performance, reputação e acesso a mercados. Do ponto de vista da performance, um animal criado em boas práticas de bem-estar expressa melhor seu potencial zootécnico, aproveita mais eficientemente a ração, ganha peso com mais rapidez e apresenta melhor desempenho em menos tempo. Os avanços em ciência e tecnologia têm contribuído para uma compreensão mais precisa das necessidades dos animais, facilitando a adoção de práticas que asseguram seu bem-estar. Um animal saudável e bem cuidado resulta em produto de alta qualidade, com maior valor agregado. Isso se traduz em eficiência de custo, possibilitando a oferta de um produto de qualidade a preços acessíveis para diferentes faixas de poder aquisitivo.
No aspecto reputacional, é importante destacar que a percepção dos consumidores está cada vez mais sensível e atenta a essas questões. Eles demonstram preocupação com aspectos éticos e de responsabilidade social, especialmente quanto ao tratamento dado aos animais. A demanda por esses produtos tem incentivado as agroindústrias a incorporarem o bem-estar animal de forma mais estruturada em suas estratégias comerciais, oferecendo maior transparência sobre suas boas práticas.
Por fim, em relação ao acesso a mercados, o bem-estar animal, quando associado a boas práticas específicas, pode se tornar um diferencial competitivo, abrindo portas para nichos e mercados premium. Ao mesmo tempo, observa-se uma evolução nas exigências regulatórias, com leis mais rigorosas e padrões de certificação que demandam um tratamento mais adequado aos animais. Nesse contexto, o bem-estar animal passa a ser não apenas uma questão de responsabilidade social, mas também uma exigência legal, viabilizando o acesso a novos mercados e clientes.
O Presente Rural – O que as agroindústrias brasileiras ainda precisam ajustar para que a evolução em bem-estar seja mais homogênea e duradoura em todo o setor?
Vamiré Luiz Sens Júnior – Para avançar de forma ainda mais consistente, é fundamental investir em capacitação e educação continuada. É necessário promover programas de qualificação para produtores e gestores, assegurando que compreendam a importância, os benefícios e as melhores práticas relacionadas ao bem-estar animal. Além disso, é importante buscar, junto ao governo ou a entidades de apoio, linhas de financiamento com condições acessíveis e competitivas que possibilitem a execução de melhorias nas instalações, a aquisição de novas tecnologias e, especialmente, o apoio às pequenas e médias agroindústrias na implementação de boas práticas de bem-estar animal.
Após a publicação da Instrução Normativa nº 113 do Ministério da Agricultura e Pecuária, de 16 de dezembro de 2020, que estabelece as boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos de criação comercial, torna-se essencial acompanhar continuamente a evolução no atendimento aos requisitos. Isso permitirá avaliar o nível de engajamento do setor ao longo do tempo.
Diante do aumento da percepção sobre bem-estar animal por parte dos consumidores, também é válido destacar a importância de iniciativas de marketing que levem mais informação e educação ao público. Isso contribui para a valorização dos produtos certificados por práticas de bem-estar, estimulando, assim, a evolução de toda a cadeia produtiva.

Foto: Divulgação/BRF
O Presente Rural – Olhando para os próximos cinco a dez anos, como você projeta o papel do bem-estar animal na competitividade do Brasil no mercado global?
Vamiré Luiz Sens Júnior – Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a demanda por alimentos deverá dobrar até 2050. Diante desse cenário, será cada vez mais necessário produzir alimentos de forma sustentável, por meio de sistemas produtivos altamente eficientes, que otimizem o uso dos recursos naturais e assegurem a saúde do planeta. Nesse contexto, o bem-estar animal se apresenta como um caminho essencial para que possamos contribuir com esse grande desafio global.
O Brasil possui diversas fortalezas na suinocultura. Podemos destacar a sanidade, a rastreabilidade, os sistemas de produção integrados, a segurança alimentar, a disponibilidade de grãos, a mão de obra qualificada, o uso de tecnologia e a eficiência produtiva. Nossos indicadores de desempenho estão entre os melhores do mundo, agregando valor à produção e permitindo a captura de custos diferenciados, o que torna nossos produtos de alta qualidade mais acessíveis. E tudo isso só é possível com a aplicação consistente de práticas de bem-estar animal.
Precisamos dar maior visibilidade e transparência ao mercado, mostrando com mais clareza como produzimos e como as boas práticas estão integradas ao nosso sistema produtivo. Assim, poderemos abrir novas portas comerciais e levar nossos alimentos a ainda mais mercados, gerando elevados níveis de confiança e satisfação entre os consumidores.
O Presente Rural – De que forma a Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal dentro das unidades industriais e nas propriedades integradas?
Kauany Dalle Molle – A Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal desde 2018 por meio de práticas e investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação, tanto nas unidades industriais quanto nas propriedades integradas. O programa começou com o treinamento das equipes operacionais e melhorias das estruturas, criando assim as bases para uma cultura sólida de bem-estar animal. Nos anos seguintes foram implantadas melhorias que reduziram estresse e mortalidade, com ventilação, sombrite, uso de eletrólitos, além da modernização do processo de insensibilização. Também foram incorporadas tecnologias de gestão, como o rastreamento via aplicativo para monitorar transporte e embarque, além de enriquecimento ambiental, com brinquedos, cortinas e climatização para diferentes estações do ano. Essas ações permitiram que a cooperativa não só melhorasse a qualidade de vida dos animais, mas também a padronização de manejos, reduzindo perdas e obtendo certificações internacionais, como a WQS, reforçando seu compromisso com os padrões globais de bem-estar e produtividade.
O Presente Rural – Quais marcos técnicos ou institucionais você destacaria como pontos de virada nesse processo evolutivo dentro da cooperativa?

Kauany Dalle Molle: “A Frimesa vem evoluindo suas práticas de bem-estar animal desde 2018 por meio de práticas e investimentos em infraestrutura, capacitação e inovação, tanto nas unidades industriais quanto nas propriedades integradas”
Kauany Dalle Molle – Entre 2018 e 2025 a Frimesa consolidou uma trajetória marcante de avanços tecnológicos e institucionais que transformaram o bem-estar animal em um dos pilares estratégicos de sua atuação. O primeiro ponto de virada ocorreu em 2018, com a criação de um programa estruturado em bem-estar animal, que inclui a capacitação das equipes, instalações das rampas de descarregamento com inclinação igual ou inferior a 15 graus, nebulizadores nas áreas de espera e uso de câmeras para treinamentos baseados em situações reais. Essas ações estabeleceram a base de uma cultura organizacional voltada ao cuidado com os animais e o alinhamento entre a teoria e a prática do manejo.
Em 2020, a Frimesa modernizou o abate ao substituir a insensibilização elétrica por CO2, eliminando o bastão elétrico, reduzindo em 90% o estresse dos animais, alinhando-se assim à portaria 365 de 2021 e padrões internacionais. Entre 2021 e 2022 ampliou o foco em bem-estar animal com climatização das áreas de espera, rastreamento via aplicativo e enriquecimento ambiental nas baias, unindo tecnologia, conforto e eficiência operacional. Entre 2018 a 2024 essas ações foram padronizadas com estruturas e manejos, alcançando baixos índices de mortalidade e estresse, além da certificação WQS em todas as unidades, reconhecimento internacional que validou a seriedade do programa de bem-estar animal da Frimesa.
O Presente Rural – Como o tema do bem-estar animal tem sido integrado às estratégias de sanidade e produtividade da Frimesa?
Kauany Dalle Molle – Já em 2019 o foco passou a ser a melhoria de ambiência e de saúde física dos suínos, com a instalação de sombrite e ventiladores para reduzir o estresse dos animais e a adoção de uso de eletrólito para todos os animais, medida essa que resultou em uma redução de 60% da condenação por hipertermia. Esse período foi fundamental para conectar o bem-estar animal à produtividade e à qualidade do produto final.
Essas melhorias foram sendo incorporadas às estratégias de produção e manejo. Com o tempo, o programa passou a integrar não só infraestrutura e capacitação, mas também ferramentas de gestão como o rastreamento via aplicativo para transporte e embarque. Todas essas ações contribuíram para a padronização de manejos e para a redução de perdas, com reflexos diretos na produtividade e na sanidade dos animais.
O Presente Rural – O que deve mudar nos próximos anos para que o bem-estar animal avance ainda mais dentro do modelo cooperativo e industrial?
Kauany Dalle Molle – É necessário ampliar a tecnologia, fornecer a capacitação contínua das equipes, buscar certificação com mais abrangência e aprofundar a questão do bem-estar animal à produtividade e sustentabilidade, consolidando a cooperativa como uma referência global nesse tema.
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Sistema digital reforça controle sobre uso de dejetos suínos no campo
GeoFert registra origem, transporte e aplicação de biofertilizantes e busca ampliar transparência no pós-licenciamento ambiental das granjas.

O GeoFert é uma solução tecnológica desenvolvida pela ciência agropecuária para ampliar a rastreabilidade no processo de transformação de dejetos suínos em biofertilizantes. Trata-se de um sistema digital de gestão que utiliza georreferenciamento com o fim de organizar as atividades de coleta, transporte e aplicação desses resíduos. Concebida no âmbito do projeto Modelo de Gestão Ambiental para Áreas com Produção Intensiva de Animais na região Sul do Brasil (SMART), a tecnologia está em fase de validação por parceiros privados para ser transferida com segurança e sustentabilidade à cadeia suinícola.
A produção intensiva de suínos, especialmente em regiões de elevada concentração animal como o oeste de Santa Catarina, enfrenta um desafio persistente: o manejo adequado dos dejetos. Cerca de 95% dos resíduos são líquidos e destinados à fertilização do solo. Embora ricos em nutrientes e essenciais para a manutenção da fertilidade, o uso inadequado pode gerar impactos ambientais significativos devido aos riscos de contaminação hídrica e de degradação do solo.
A sustentabilidade da atividade depende de uma gestão integrada que considere produção, meio ambiente e exigências regulatórias. Em Santa Catarina, o licenciamento ambiental de granjas suinícolas utiliza o Sistema de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS) desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves (SC), que realiza cálculo de excreção animal, estimativa de oferta de nutrientes, dimensionamento de estruturas e recomendação de adubação. O sistema contribuiu para padronizar e tornar mais ágil o licenciamento no estado.
Entretanto, a etapa de pós-licenciamento, quando o produtor deve comprovar a destinação correta dos efluentes prevista na Licença de Operação, permanece como um dos pontos mais críticos do processo. O desafio se intensifica em granjas que utilizam áreas de terceiros (cedentes) ou que dependem de frotas públicas —geralmente de prefeituras ou de associações de máquinas— para realizar o transporte dos resíduos.
Nesses casos, a necessidade de controle, transparência e rastreabilidade é ainda maior. “Em muitos municípios, essa etapa ainda depende de registros manuais ou de controles fragmentados, o que dificulta a verificação e compromete a transparência do processo”, diz o pesquisador da Embrapa Cláudio Miranda.
Por isso, o GeoFert foi criado para programar, registrar e verificar cada etapa da aplicação dos biofertilizantes. Ele armazena informações como granja de origem dos efluentes, propriedades receptoras, datas e horários das aplicações e coordenadas geográficas dos locais fertilizados.
GeoFert usa dados do Cadastro Ambiental Rural
Segundo Miranda, um dos diferenciais desse sistema é a integração de informações de rastreamento das máquinas e os estabelecimentos agrícolas, tendo por base os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). “Isso reforçará a conformidade legal de prestadores de serviços agrícolas (prefeituras, associações de máquinas ou empresas privadas), bem como assegurará maior agilidade, transparência e economicidade no atendimento das solicitações dos serviços agrícolas demandados pelos agricultores”, ressalta.
Diferentemente de soluções comerciais de rastreamento de frotas, o GeoFert foi desenhado especificamente para suprir as necessidades da cadeia suinícola e as exigências de comprovação ambiental pós-licenciamento, complementando as funcionalidades do SGAS no planejamento e execução das atividades.
Público-alvo
O sistema pode ser utilizado por produtores rurais, órgãos ambientais, consultorias e empresas de assistência técnica, prefeituras, associações de máquinas e prestadores de serviços agrícolas.
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O Brasil na terceira posição mundial em exportações de carne suína veio para ficar?
Números recordes, diversificação de mercados e decisões de longo prazo no campo e na indústria ajudam a entender se o avanço brasileiro é resultado de construção ou de circunstância

O Brasil encerrou 2025 ocupando, pela primeira vez, a terceira posição no ranking mundial de exportações de carne suína. O dado chama atenção, mas não se sustenta isoladamente. Ele é resultado de um conjunto de movimentos que envolvem mudanças no comércio internacional, rearranjos de demanda, decisões estratégicas no campo e na indústria e uma construção produtiva que vem sendo feita ao longo de anos. Diante desse cenário, a questão central que se impõe não é apenas a posição alcançada, mas se esse avanço é estrutural ou circunstancial – e se pode ser sustentado nos próximos anos.
Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que os embarques brasileiros de carne suína totalizaram 1,510 milhão de toneladas em 2025, volume 11,6% superior ao registrado em 2024, quando as exportações somaram 1,352 milhão de toneladas. Trata-se de um recorde histórico para o setor. Em termos de receita, as vendas externas alcançaram US$ 3,619 bilhões, crescimento de 19,3% em relação aos US$ 3,033 bilhões do ano anterior.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Esse avanço é resultado, antes de tudo, de fatores estruturais da suinocultura brasileira, ainda que o contexto internacional tenha acelerado esse movimento em alguns momentos” – Foto: Jaqueline Galvão/O Presente Rural
Com esse desempenho, o Brasil superou o Canadá e passou a ocupar a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de carne suína, atrás apenas de Estados Unidos e União Europeia, considerada como bloco econômico. A confirmação definitiva da posição ainda depende da divulgação final dos dados canadenses, mas o movimento já reposiciona o país no comércio global da proteína.
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o avanço não pode ser interpretado como um fenômeno isolado ou meramente oportunista. “A confirmação da posição depende, ainda, da divulgação final de dados do Canadá. De qualquer forma, eu diria que esse avanço é resultado, antes de tudo, de fatores estruturais da suinocultura brasileira, ainda que o contexto internacional tenha acelerado esse movimento em alguns momentos. O Brasil vem construindo essa posição ao longo de muitos anos, com base em sanidade, organização produtiva, integração entre indústria e produtores e acesso gradual a mercados”, afirma.
Segundo Santin, fatores conjunturais também tiveram papel relevante, mas não explicam sozinhos o resultado. “É evidente que disputas comerciais, oscilações de demanda e eventos sanitários em outras regiões do mundo criaram janelas de oportunidade. Mas elas só foram aproveitadas porque o Brasil estava preparado. Não foi um crescimento oportunista ou episódico. Foi a consolidação de uma base técnica e produtiva sólida, que permitiu responder quando o mercado global precisou”, completa.
Mudança no tabuleiro dos destinos internacionais
Um dos elementos mais relevantes de 2025 foi a mudança no perfil dos destinos da carne suína brasileira. Pela primeira vez em anos, a China deixou de ser o principal comprador, cedendo espaço às Filipinas, que se tornaram o maior destino da proteína nacional.
As Filipinas importaram 392,9 mil toneladas de carne suína brasileira em 2025, crescimento de 54,5% em relação a 2024. Na sequência aparecem China, com 159,2 mil toneladas (queda de cerca de 33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%).
A retração chinesa ocorreu em um contexto de recomposição do rebanho local, reduzindo a necessidade de importações. Ao mesmo tempo, países do Sudeste Asiático e da América Latina ampliaram suas compras, absorvendo parte significativa da oferta brasileira.

Presidente da Frimesa, Elias Zydek: “O Brasil tem um sistema de produção competitivo para ocupar espaço e atender o aumento da demanda” – Foto: Divulgação/Frimesa
“Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores. Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, destaca Santin.
Para o presidente da ABPA, essa diversificação representa um divisor de águas para o setor. “Sem dúvida essa diversificação é um dos movimentos mais relevantes da suinocultura brasileira nos últimos anos. Reduzir a dependência excessiva de um único mercado foi um quadro impulsionado, também, por uma decisão estratégica, que traz estabilidade e reduz riscos”, afirma.
Santin acrescenta que a nova configuração muda o perfil do setor. “Hoje, as Filipinas se consolidaram como um parceiro central, ao lado de mercados como Japão, Chile e outros países da Ásia e da América Latina. Isso muda o perfil do setor, que passa a trabalhar com diferentes exigências sanitárias, padrões de consumo e modelos de contrato. Essa capilaridade torna a suinocultura brasileira mais resiliente e menos exposta a oscilações bruscas de política ou de demanda em um único país”, avalia.
Produção elevada, consumo estável e excedente exportável
O avanço das exportações ocorreu em um cenário de produção elevada. Os dados de 2025 ainda não foram consolidados pela ABPA, mas indicam crescimento. Em 2024, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,305 milhões de toneladas. O consumo per capita foi estimado em 18,6 kg, indicando um mercado interno relativamente estável, capaz de absorver volumes importantes sem impedir o crescimento das exportações.

Mario Faccin, CEO da Master Agroindustrial, detalha planos de expansão voltados ao mercado externo: “Vamos ampliar o plantel em 20 mil a 22 mil matrizes e aumentar os suínos abatidos por dia para atender o mercado externo”, afirma o CEO da Master Agroindustrial, Mario Faccin – Foto: O Presente Rural
Esse equilíbrio entre oferta doméstica e excedente exportável é apontado como um dos pilares do modelo brasileiro. “O crescimento recente está muito mais associado a ganhos de produtividade do que a uma simples expansão de produção. Houve aumento de produção, sim, mas ele foi gradual e planejado. O grande diferencial da suinocultura brasileira nos últimos anos foi a eficiência”, afirma Santin.
Segundo ele, os avanços ocorreram em múltiplas frentes. “Avançamos em genética, manejo, nutrição, sanidade e integração. Isso permitiu produzir mais com a mesma base produtiva, com melhor conversão alimentar, menor mortalidade e maior padronização. Esse é um crescimento mais sustentável, que reduz riscos e dá previsibilidade. Tudo isso, pautado pela própria demanda do mercado, seja o interno ou o internacional”, completa.
Oferta, mercado interno e equilíbrio
O crescimento da produção e das exportações levanta, inevitavelmente, questionamentos sobre riscos de desequilíbrio entre oferta e demanda. Para Santin, o setor tem conseguido administrar essa equação.
“Esse é um ponto que o setor acompanha com muita atenção, com cada empresa fazendo as suas escolhas estratégicas relativas à própria produção. Até aqui, houve equilíbrio entre oferta e demanda. O mercado interno brasileiro segue absorvendo volumes importantes, com consumo relativamente estável, enquanto as exportações funcionam como válvula de equilíbrio”, afirma.
Ele reforça que a expansão não ocorre de forma dissociada do mercado. “A produção brasileira não está dissociada do mercado. A expansão ocorre de forma gradual, guiada por sinais de demanda identificados pelas próprias empresas. A diversificação de destinos e a previsibilidade sanitária ajudam justamente a evitar desequilíbrio”, diz.
Sul: o eixo da exportação

Fotos: Shutterstock
O desempenho brasileiro tem base territorial concentrada. Santa Catarina responde por mais da metade das exportações brasileiras de carne suína, consolidando sua liderança histórica no setor. O estado bateu recordes de volume e faturamento em 2025, com forte presença em mercados como Japão, Filipinas e China, além de crescimento relevante para o México.
No Paraná, a Frimesa Cooperativa Central exerce papel determinante. A cooperativa é responsável por mais da metade da carne suína exportada pelo estado e respondeu, em 2025, por 8,2% das exportações brasileiras da proteína.
Para o presidente da Frimesa, Elias Zydek, o comércio internacional de carne suína é altamente dependente de fatores externos. “O comércio global da carne suína entre os países representa cerca de 8% de toda a produção mundial. Fato que confirma a produção destinada ao autoconsumo dos países. Desta forma, o crescimento mundial do comércio (exportações) depende do crescimento do consumo per capita e da redução da produção interna dos países”, afirma.
Zydek destaca que o Brasil reúne condições para ocupar esse espaço. “Nesse contexto, o Brasil tem um sistema de produção competitivo para ocupar espaço e atender o aumento da demanda. O mercado da carne suína depende muito de fatores externos como exigências de acordos comerciais, regulamentos sanitários, barreiras comerciais de tarifas, cotas e ressalvas e política cambial”, observa.
Investimentos e expansão industrial
O avanço das exportações é acompanhado por decisões estruturais de investimento. A Master Agroindustrial, em Videira (SC), opera com 40 mil matrizes em sistema verticalizado, produzindo cerca de 1,1 milhão de suínos terminados por ano. Aproximadamente 350 mil animais são vendidos vivos; o restante é destinado aos mercados interno e externo.

A empresa anunciou uma expansão focada exclusivamente na exportação. “Vamos ampliar o plantel em 20 mil a 22 mil matrizes, mas não vamos aumentar a oferta de suíno vivo. Vamos aumentar porque nossa capacidade industrial está aumentando. Vamos passar de três mil suínos abatidos por dia para cinco mil. E todo esse crescimento está direcionado não para o mercado interno, mas exclusivamente para o mercado externo”, afirma o CEO da Master Agroindustrial, Mario Faccin.
Na Frimesa, o planejamento segue a mesma lógica de crescimento gradual. “A expansão das exportações serão supridas com o aumento gradativo do número de matrizes pelas cooperativas filiadas e com a melhoria contínua da produtividade no sistema de produção”, afirma Zydek.
O plano industrial da cooperativa prevê alcançar 15 mil suínos abatidos por dia até 2027. Entre 2027 e 2032, está prevista a ampliação para 23 mil suínos abatidos por dia, com a implantação de uma nova linha de processamento.
Sustentação do terceiro lugar
A consolidação do Brasil como terceiro maior exportador mundial de carne suína ocorre em um ambiente de competição crescente. Enquanto o Brasil diversificou mercados e manteve custos competitivos, o Canadá enfrentou desafios e uma produção mais estagnada, perdendo fôlego relativo no comércio global.
Para Zydek, o Brasil reúne condições para manter a posição conquistada, embora o cenário exija atenção permanente. “O Brasil vai consolidar essa posição por longo tempo, devido às boas vantagens comparativas e competitivas que temos na suinocultura. Os desafios maiores estão no contexto geopolítico, relações internacionais, política macroeconômica e possíveis barreiras a serem criadas”, afirma.
O dirigente também destaca a importância da adaptação às exigências dos mercados. “O sistema de produção de suínos no Brasil já atingiu um bom nível de competitividade. A Frimesa implementou o Programa Suíno Certificado que atende todas as exigências do mercado internacional”, diz.
Do ponto de vista industrial, a mudança de patamar implica novos desafios. “O Brasil já está inserido no mercado internacional com seu sistema produtivo altamente competitivo. O desafio de agora em diante é atender às novas exigências que possam acontecer, como por exemplo, as necessidades ou escolhas dos consumidores”, destaca Zydek.
Para Ricardo Santin, o Brasil tem condições de sustentar a posição, mas o ranking não deve ser tratado como objetivo em si. “Acredito que o Brasil tem condições de sustentar essa posição nos próximos anos, mas é importante evitar uma leitura estática do ranking. O comércio internacional é dinâmico, e mudanças sempre podem ocorrer”, afirma.
“O que nos dá confiança é que o Brasil reúne fatores estruturais sólidos: sanidade reconhecida, capacidade produtiva, eficiência e diversificação de mercados. Isso nos coloca em uma posição confortável para manter relevância. Mas é importante reforçar: não trabalhamos com o objetivo de ‘defender posições em rankings’. Nosso foco é ser um fornecedor confiável, previsível e responsável. Se continuarmos cumprindo esse papel, a posição no ranking será consequência natural”, frisa o presidente da ABPA.
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Suínos
APCS celebra 59 anos destacando força da suinocultura paulista
Entidade reforça atuação na comercialização e compra de insumos, movimentando milhões de reais e fortalecendo a competitividade dos produtores.

A Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) chega aos seus 59 anos de fundação reafirmando seu compromisso com o desenvolvimento da suinocultura paulista e com a geração de resultados concretos para seus associados.
Por meio de seus principais braços de gestão associativista, a Bolsa de Comercialização de Suínos do Estado de São Paulo “Mezo Wolters” e o Consórcio Suíno Paulista “Vanderlei Bressiani”, a entidade vem demonstrando eficiência, transparência e profissionalismo nas operações que realiza.
Na área de comercialização, a Bolsa de Suínos movimenta semanalmente cerca de 29.000 suínos, com peso médio de 116 kg e preço médio registrado na última bolsa de R$ 7,09/kg. Considerando uma média de 4,2 semanas por mês, o volume financeiro envolvido na formação de preços pode alcançar aproximadamente R$ 100.173.192,00 mensais, demonstrando a relevância da Bolsa para o mercado paulista.

Valdomiro Ferreira Júnior, presidente na Associação Paulista de Criadores de Suínos
Já no Consórcio Suíno Paulista, apenas na compra de aminoácidos, realizada por meio de licitação e analisada pela comissão responsável, foi adquirido para entrega no mês de abril um volume de R$ 3.512.681,54.
Ainda ao longo do mês, serão incorporadas novas aquisições, incluindo farelo de soja, macros, antibióticos, injetáveis, material de inseminação e produtos de limpeza, ampliando significativamente o volume negociado.
Somente nos dois primeiros meses do ano, o Consórcio já registrou compras próximas de R$ 47.843.000,00, números que refletem o alto nível tecnológico e produtivo das granjas paulistas, sempre em busca de insumos de qualidade para a melhor nutrição e desempenho dos suínos.
Todo esse trabalho reforça o compromisso da gestão da Bolsa de Comercialização e do Consórcio Suíno Paulista com os princípios de transparência, organização e profissionalismo, fundamentais para o fortalecimento do setor.
Por isso, o Presidente das instituições, Ferreira Júnior, convida todos os associados para, no próximo dia 27 de março, após o evento ETC/TOPIGS, nas dependências do Hotel Premium, em Campinas, participarem do almoço de confraternização que marcará a comemoração dos 59 anos da APCS.



