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Bem-estar animal está associado a ganhos de produtividade, diz Embrapa
Criação na sombra melhora conforto térmico do animal, além de favorecer o sequestro de carbono e diversificar a renda na propriedade rural.

A intensificação de atividades agropecuárias pode estar associada a boas práticas, como o bem-estar animal, e garantir ganhos de produtividade aos produtores. Pesquisas nessa linha desenvolvidas pela Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), foram apresentadas na última quinta-feira (16) ao superintendente de Agricultura e Pecuária no Estado de São Paulo, Guilherme Campos. Ele esteve no Centro de Pesquisa na Fazenda Canchim e também na Embrapa Instrumentação, localizada na mesma cidade, para conhecer o trabalho dos pesquisadores.
A pedido do ministro Carlos Fávaro, Guilherme está visitando todas as estruturas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Estado. A ideia é aproximar a gestão do Mapa das equipes que atuam na linha de frente, seja na pesquisa, na fiscalização, no fomento ou nos setores administrativos.
Na Embrapa Pecuária Sudeste, o superintendente foi recebido pelo chefe geral Alexandre Berndt, que mostrou a estrutura da fazenda e falou do intenso trabalho de recuperação que vem sendo realizado desde setembro de 2021, quando um incêndio de grandes proporções atingiu a unidade.
Em seguida, acompanhado pelos pesquisadores Alexandre Rossetto Garcia, Patrícia Anchão, Patrícia Menezes, Teresa Alves e Sandra Aparecida Santos, ele conheceu de perto os resultados de pesquisas relacionados ao sistema ILPF – Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. “O animal criado na sombra tem considerável redução no consumo de água porque vive numa condição de conforto térmico mais adequada. O bem-estar animal é uma tendência irreversível”, disse o superintendente.
A tecnologia que agrega na mesma área a lavoura, o gado de corte ou de leite e as árvores ainda favorece o aumento da taxa de lotação, o sequestro de carbono, a diversificação da renda e a recuperação do solo, entre outras vantagens. “A produtividade é maior. Ou seja, o produtor que investir em ILPF vai ganhar mais”, disse após a visita. Guilherme teve a oportunidade de conhecer as florestas plantadas de eucalipto – há 12 anos – e um experimento com árvores nativas.
No sistema integrado com gado de leite, os pesquisadores mostraram a ordenha voluntária mecanizada, uma espécie de robô que faz a coleta de leite no centro de pesquisa. A automação facilita a gestão da propriedade por reduzir a necessidade de mão de obra e padronizar o processo. As vacas são atraídas à ordenha pela oferta de alimento e pelo alívio da pressão no úbere. O sistema fica disponível 24 horas.
Por fim, Guilherme conheceu a vitrine de forrageiras e novos cultivares de gramas lançados recentemente pelo centro de pesquisa e devidamente registrados no Mapa. São produtos que exigem menos manutenção, ideais para plantio em margens de rodovias, ferrovias e aeroportos.

Laboratório da Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP) – Fotos: Ana Maio/SFA-SP
Embrapa Instrumentação
Na Embrapa Instrumentação, o superintendente foi recebido pelo chefe geral José Manoel Marconcini e sua equipe de gestores, além dos pesquisadores Luiz Alberto Colnago e Paulo Cruvinel. Ele conheceu os laboratórios nacionais multiusuários de nanotecnologia e de agrofotônica.
Chamaram a atenção de Guilherme as pesquisas que permitem automatizar processos de avaliação de produtos. Esse mecanismo elimina eventual subjetividade na análise, acelera o trabalho e padroniza a avaliação, o que poderia incrementar o trabalho de fiscalização do Mapa.
A equipe também apresentou pesquisas na área de detecção precoce de doenças em vegetais; o uso de nanofios de polímeros para possível aplicação em curativos, máscaras ou outros fins; a criação de novos materiais, como adubos; embalagens comestíveis que podem interessar à indústria alimentícia; além da nanoemulsão de cera de carnaúba que, pulverizada em frutas, aumenta a vida de prateleira.
O superintendente esteve acompanhado por Danilo Kamimura, agrônomo e chefe da Divisão de Defesa Agropecuária da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Estado de São Paulo (SFA-SP).

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Comissão Europeia anuncia aplicação provisória do acordo Mercosul-UE e enfrenta reação da França
Medida pode antecipar redução de tarifas enquanto ratificação completa segue sob contestação judicial no bloco europeu.

A União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, numa tentativa de antecipar os efeitos comerciais do tratado enquanto o processo formal de ratificação segue em curso nos países-membros.

Foto: Divulgação
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a medida busca assegurar ao bloco a “vantagem do pioneirismo”. “Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”, declarou.
Pelas regras europeias, acordos comerciais precisam ser aprovados pelos governos nacionais e pelo Parlamento Europeu. A aplicação provisória, no entanto, permite que parte das disposições comerciais — como a redução de tarifas — entre em vigor antes da conclusão de todo o trâmite legislativo. Segundo a Comissão, o acordo poderá começar a valer provisoriamente dois meses após a troca formal de notificações entre as partes.
A decisão ocorre em meio a resistências políticas dentro da própria União Europeia. Parlamentares liderados por deputados franceses aprovaram no mês passado a contestação do acordo no tribunal superior do bloco, movimento que pode atrasar sua implementação integral em até dois anos.
A França tem se posicionado como principal foco de oposição. O presidente Emmanuel Macron afirmou que a iniciativa foi “uma surpresa

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
ruim” e classificou como “desrespeitoso” o encaminhamento do tema. O governo francês argumenta que o acordo pode ampliar as importações de carne bovina, açúcar e aves a preços mais baixos, pressionando produtores locais que já realizaram protestos recentes.
Em janeiro, 21 países da UE votaram a favor do tratado, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve. Defensores do acordo, como Alemanha e Espanha, sustentam que a ampliação de acesso ao mercado sul-americano é estratégica para compensar perdas comerciais decorrentes de tarifas impostas pelos Estados Unidos e para reduzir dependências externas em cadeias de insumos considerados críticos.
Concluído após 25 anos de negociações, o acordo prevê a eliminação de cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre exportações europeias, sendo apontado pela Comissão como o maior pacto comercial do bloco em termos de potencial de redução tarifária.
No Mercosul, Argentina e Uruguai ratificaram o texto nesta semana. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o acordo, que ainda depende de aval do Senado para concluir o processo interno de ratificação.
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Acordo Mercosul-UE pode entrar em vigor até o fim de maio
Texto aguarda votação no Senado, enquanto União Europeia sinaliza aplicação provisória e governo prepara regulamentação de salvaguardas comerciais.

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira (27), em São Paulo, que o acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia pode entrar em vigor até o fim de maio.

Vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin: “Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência” – Foto: Divulgação
Segundo Alckmin, a expectativa do governo é que o texto seja aprovado pelo Senado Federal nas próximas duas semanas. O acordo já passou pela Câmara dos Deputados nesta semana e, se confirmado pelos senadores, seguirá para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Agora foi para o Senado e nós temos expectativa de que aprove em uma ou duas semanas. Aprovado no Senado e assinado pelo presidente Lula, teremos uns 60 dias para a vigência. Esse é o plano. Então, se a gente conseguir resolver em março, até o fim de maio já pode entrar em vigência o acordo”, declarou o vice-presidente.
No âmbito regional, o Parlamento da Argentina ratificou o texto na quinta-feira (26), movimento já acompanhado pelo Uruguai, ampliando o alinhamento interno no bloco sul-americano.
União Europeia
Do lado europeu, a Comissão Europeia informou nesta sexta-feira que pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida busca assegurar ao bloco europeu a chamada “vantagem do pioneirismo”, permitindo a implementação de dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o processo legislativo.
Em regra, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos acordos de livre comércio tanto pelos governos nacionais quanto pelo

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado e Gpoint Studio/Freepik
Parlamento Europeu. No entanto, parlamentares europeus,liderados por deputados franceses, aprovaram no mês passado uma contestação judicial ao acordo no tribunal superior do bloco, o que pode retardar sua implementação integral em até dois anos.
Mesmo com a necessidade de aprovação pela assembleia europeia, o mecanismo de aplicação provisória permite que União Europeia e Mercosul iniciem a redução de tarifas e coloquem em prática outros compromissos comerciais enquanto o processo de ratificação completa seu curso institucional.
Salvaguardas
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo encaminhou nesta sexta-feira proposta à Casa Civil para regulamentar as salvaguardas previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. Esses mecanismos permitem suspender a redução de tarifas caso haja aumento expressivo das importações que provoque desequilíbrios no mercado interno.
Após a análise da Casa Civil, o texto ainda deverá passar pelos ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A expectativa, segundo Alckmin, é concluir essa regulamentação nos próximos dias, antes mesmo da votação do acordo pelo Senado. “O acordo prevê um capítulo sobre salvaguarda. A gente espera que nos próximos dias, antes ainda da votação do Senado [sobre o acordo], que a salvaguarda seja regulamentada”, disse.

Foto: Divulgação
Ele afirmou que a abertura comercial prevista no tratado parte da premissa de ganhos para consumidores e empresas, com acesso a produtos de melhor qualidade e preços mais baixos. Ressaltou, contudo, que o instrumento de salvaguarda funcionará como mecanismo de proteção em caso de desequilíbrio. “Agora, se tiver um surto de importação, você precisa de uma salvaguarda, que suspende aquela redução de impostos. Isso está previsto para os europeus também e é isso que será regulamentado.”
Sobre o acordo
Pelo cronograma negociado, o Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. A União Europeia, por sua vez, zerará tarifas sobre 95% dos bens exportados pelo bloco sul-americano em até 12 anos.
O tratado abrange um mercado de mais de 720 milhões de habitantes. A ApexBrasil estima que a implementação do acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, além de ampliar a diversificação da pauta externa, com potencial impacto também sobre segmentos industriais.
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Mercosul e Canadá realizam oitava rodada de negociação para acordo comercial em Brasília
Blocos avançam em capítulos técnicos e preparam nova etapa em abril. Comércio bilateral Brasil-Canadá somou US$ 10,4 bilhões em 2025.

O Mercosul e o Canadá concluíram nesta sexta-feira (27), em Brasília, a oitava rodada de negociações do acordo de livre comércio entre as partes. As tratativas, retomadas em outubro de 2025 após período de menor dinamismo, sinalizam a intenção de ambos os lados de acelerar a construção de um marco jurídico para ampliar o fluxo de comércio e investimentos.

Foto: Divulgação
De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Agricultura, a rodada reuniu os negociadores-chefes e promoveu encontros presenciais dos grupos técnicos responsáveis pelos capítulos de comércio de bens, serviços, serviços financeiros, comércio transfronteiriço de serviços, comércio e desenvolvimento sustentável, propriedade intelectual e solução de controvérsias.
A estratégia brasileira é avançar simultaneamente na consolidação de textos e na troca de ofertas, etapa considerada sensível em acordos dessa natureza por envolver redução tarifária, regras de acesso a mercados e compromissos regulatórios. Uma nova rodada está prevista para abril, quando os grupos técnicos deverão aprofundar a convergência em áreas ainda pendentes.
Para o governo, o acordo com o Canadá se insere no esforço de diversificação de parceiros comerciais em um cenário internacional
marcado por maior fragmentação geoeconômica e disputas tarifárias. A avaliação é que a integração produtiva com a economia canadense pode ampliar oportunidades em setores como agroindústria, mineração, energia e serviços.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões, com superávit brasileiro de US$ 4,1 bilhões, segundo dados oficiais. O saldo favorável reforça o interesse do país em consolidar acesso preferencial ao mercado canadense, ao mesmo tempo em que busca ampliar a previsibilidade regulatória para empresas dos dois lados.



