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Banco Central dos EUA sustenta juros elevados e reforça cenário de aperto financeiro global

Dólar forte, Treasuries em alta e risco geopolítico ampliam restrição de liquidez e adiam cortes.

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Foto: Divulgação/FED

O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75%, em decisão amplamente esperada pelo mercado, mas marcada por um nível elevado de incerteza. O comunicado oficial e as Projeções Econômicas Trimestrais (SEP) indicam uma autoridade monetária pressionada por choques externos, sobretudo energia, e por mudanças estruturais na economia americana.

Imagem criada por chatGPT

A leitura predominante no comitê é que a inflação tende a permanecer pressionada ao longo de 2026, especialmente diante da escalada nos preços de petróleo e gás, em meio à guerra no Irã e às disrupções logísticas no estreito de Ormuz.

Pela sexta reunião consecutiva, a decisão não foi unânime. O economista e membro do Conselho de Governadores do Sistema da Federal Reserve, Stephen Miran, votou contra a manutenção e defendeu um corte de 0,25 ponto percentual.

A posição dissidente reflete preocupação crescente com sinais de desaceleração no mercado de trabalho. Ainda assim, a maioria optou por manter uma postura conservadora, avaliando que o avanço recente dos preços de energia elevou o risco de contaminação inflacionária no curto prazo.

Inflação alta por mais tempo

O Fed revisou para cima sua projeção do Índice de Preços ao Consumidor (PCE) para o fim de 2026, de 2,4% para

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

2,7%. Na prática, o movimento reconhece que a convergência para a meta de 2% foi adiada, agora projetada apenas para 2027.

A revisão ocorre em um contexto de pressão simultânea em energia e alimentos, dois componentes altamente sensíveis a choques geopolíticos. Esse cenário reforça a leitura de que a inflação atual não é apenas transitória, mas carrega elementos mais persistentes.

Produtividade sustenta cenário de cortes

Apesar do ambiente inflacionário mais adverso, o Fed promoveu ajustes relevantes em suas estimativas estruturais. O crescimento potencial da economia foi elevado de 1,8% para 2,0%, enquanto a taxa neutra de juros subiu de 3,0% para 3,1%.

Essas revisões indicam uma mudança importante de diagnóstico: a autoridade monetária passa a incorporar o impacto da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, como vetor de aumento de produtividade.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Na prática, isso sugere que a economia americana pode crescer em ritmo mais forte sem gerar pressões inflacionárias proporcionais no longo prazo. Essa leitura ajuda a explicar por que o chamado “gráfico de pontos” (dot plot) ainda indica possibilidade de corte de juros ao longo deste ano, mesmo diante de uma inflação resiliente.

Energia e geopolítica

O pano de fundo da decisão permanece sendo a incerteza global. A alta do petróleo, impulsionada por riscos no fornecimento e gargalos logísticos, atua como principal canal de transmissão inflacionária no curto prazo.

Nesse contexto, o Fed se vê diante de um dilema clássico: preservar a credibilidade no combate à inflação ou responder a sinais de desaceleração econômica. Com o ambiente externo deteriorado, a escolha, por ora, foi pela cautela.

O resultado é um cenário de juros elevados por mais tempo, inflação acima da meta e maior sensibilidade da política

Foto: Divulgação/FED

monetária aos desdobramentos geopolíticos, um quadro que tende a reverberar também sobre economias emergentes e cadeias globais, incluindo o agronegócio.

Credibilidade em teste no pós-meta frustrada

No entanto, a credibilidade do Federal Reserve passa a operar em uma zona de risco. Após anos sem convergir de forma consistente para a meta de 2%, a leitura de que a inflação atual seria novamente transitória, agora atribuída a choques exógenos como guerras e tarifas, encontra resistência crescente entre agentes de mercado.

A repetição desse diagnóstico, ainda que sob justificativas distintas, fragiliza a ancoragem de expectativas. Na prática, quanto mais tempo a inflação permanece acima da meta, maior o prêmio exigido pelos investidores e menor a margem de manobra da política monetária.

Um “dovish hold” sob pressão estrutural

A decisão do Federal Open Market Committee de manter os juros entre 3,50% e 3,75% não se resume a uma pausa convencional. Trata-se de um movimento tático em um ambiente caracterizado por ruído geopolítico elevado e transformações na oferta agregada.

Foto: Divulgação/FED

Ao mesmo tempo em que reage ao choque inflacionário associado ao conflito no Irã e à desorganização do mercado de energia, o Fed revisa para cima o PIB potencial, agora em 2%. Esse ajuste sinaliza uma mudança de regime: a política monetária passa a considerar explicitamente ganhos de produtividade associados à difusão da inteligência artificial para sustentar um crescimento mais robusto sem gerar inflação proporcional.

Essa mudança de diagnóstico altera a função de reação do banco central. Em vez de responder apenas ao ciclo econômico tradicional, o Fed passa a incorporar uma variável estrutural, ou seja, uma tecnologia, como amortecedor de pressões inflacionárias futuras.

Inflação restringe cortes no curto prazo

Mesmo com essa leitura otimista no longo prazo, o quadro corrente impõe limitações. Com o índice PCE projetado

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

em 2,7% ao fim de 2026 e inflação de serviços ainda resiliente, os modelos indicam maior persistência inflacionária do que a precificada anteriormente.

Na prática, isso reduz de forma significativa o espaço para cortes imediatos. A combinação de inflação acima da meta, energia pressionada e mercado de trabalho ainda relativamente firme exige cautela adicional.

Janela para flexibilização é estreita

Embora o “dot plot” ainda sinalize cortes ao longo do ano, a análise técnica, baseada em matrizes de variância e covariância dos principais indicadores, sugere que a probabilidade de redução de juros no curto prazo é limitada.

Junho e setembro aparecem como janelas estatisticamente estreitas, uma vez que o Fed precisa observar a dissipação do choque de oferta antes de iniciar um ciclo de afrouxamento com segurança.

Foto: Divulgação/Freepik

Nesse contexto, ganha força a hipótese de um único corte de 0,25 ponto percentual apenas em outubro de 2026, condicionado ao comportamento de variáveis financeiras endógenas, como condições de crédito, volatilidade de mercado e expectativas inflacionárias.

Energia segue como variável-chave

A trajetória do petróleo permanece como fator determinante. Caso os preços se mantenham elevados por um período prolongado, o choque deixa de ser temporário e passa a reconfigurar a dinâmica inflacionária global.

Para o Fed, isso significa prolongar o ciclo restritivo. Para o restante do mundo, incluindo economias dependentes de commodities e logística intensiva, como o Brasil, implica um ambiente mais desafiador, com crédito caro, demanda incerta e maior volatilidade nos preços.

O diagnóstico é de transição entre um choque externo ainda em curso e uma aposta estrutural de longo prazo. O risco

Foto: Geraldo Bubniak

está no intervalo entre esses dois vetores, onde a inflação persiste, mas os ganhos de produtividade ainda não se materializaram plenamente.

Aperto financeiro global

O fortalecimento do DXY, índice que mede a força do dólar americano em comparação ao Euro, Iene, Libra Esterlina, Dólar Canadense, Coroa Sueca e Franco Suíço, com alta superior a 2%, e a elevação dos rendimentos das Treasuries de 10 anos vêm funcionando, na prática, como um aperto monetário adicional. Esse movimento encarece o crédito, valoriza o dólar e reduz liquidez global, mesmo sem mudanças formais na taxa básica.

A alta do VIX, índice de volatilidade da Bolsa de Chicago, reforça esse efeito. Em cenários de maior aversão ao risco, a resposta típica da política monetária é adiar movimentos expansionistas. Ou seja, o próprio mercado já incorporou parte do aperto necessário diante do risco geopolítico.

Foto: Shutterstock

Esse contexto permite ao Federal Reserve adotar uma postura de ‘paralisia vigilante’: manter juros elevados enquanto observa a dissipação dos choques, sem necessidade imediata de novas altas.

Economia mais resiliente

A revisão da taxa neutra (r*) para 3,1%, combinada com a elevação do PIB potencial para 2%, sugere uma mudança estrutural relevante. Modelos econométricos indicam que a economia americana pode sustentar crescimento mesmo com juros nominais mais elevados, sem entrar em recessão profunda.

O fator central dessa resiliência é o ganho de eficiência associado à incorporação de tecnologia, especialmente inteligência artificial. Na leitura do Fed, esse vetor compensa parcialmente os custos impostos por choques externos, como energia e disrupções logísticas.

Mercado de trabalho

Apesar da resiliência macroeconômica, surgem sinais de fadiga no mercado de trabalho. Dados recentes de folha de

Foto: Divulgação

pagamento apontam desaceleração nas contratações, o que eleva o risco de deterioração mais ampla caso o aperto financeiro persista.

Diante disso, o Fed sinaliza disposição de relativizar a volatilidade de curto prazo nos preços de energia para evitar um ajuste mais abrupto no emprego. Trata-se de uma calibragem delicada: conter a inflação sem provocar um desaquecimento excessivo da economia.

O cenário ganha complexidade com a transição na presidência do banco central norte-americano, de Jerome Powell para Kevin Warsh em 15 de maio. O processo adiciona incerteza institucional e tende a aumentar a inércia decisória no curto prazo.

Em momentos de sucessão, a tendência histórica é de maior cautela, com decisões menos disruptivas até que a nova liderança consolide sua estratégia.

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Janela técnica para corte

Dentro desse quadro, outubro de 2026 aparece como a principal janela para uma eventual flexibilização monetária. A combinação entre desaceleração gradual do mercado de trabalho, evidenciada pelos dados mais fracos de payroll, e a expectativa de alívio nos preços de energia no segundo semestre cria condições mais favoráveis.

A hipótese mais consistente, neste momento, é de um corte isolado de 0,25 ponto percentual.

Corte pontual preservaria credibilidade

Um ajuste dessa magnitude funcionaria como movimento de calibragem, e não como início de um ciclo agressivo de

Foto: Divulgação/FED

afrouxamento. O objetivo seria validar a leitura de que a inflação, embora persistente, retomou trajetória de convergência.

Ao mesmo tempo, preservaria a credibilidade do Fed diante de choques ainda presentes, especialmente no custo de energia. O equilíbrio buscado é claro: iniciar a normalização sem comprometer o controle inflacionário.

O pano de fundo permanece inalterado: um ambiente em que política monetária, geopolítica e transformação tecnológica operam de forma simultânea, reduzindo a margem de erro da autoridade monetária e elevando o grau de incerteza global.

Fonte: O Presente Rural

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

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A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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