Bovinos / Grãos / Máquinas
Balde Cheio reverte para a sociedade R$ 44,41 para cada real investido
Produtores de leite de 375 municípios de 18 estados brasileiros adotam a tecnologia, que atribuem mais sustentabilidade à atividade.

Dados de 2022 apontam que para cada R$ 1 investido em 2022 no Programa Balde Cheio da Embrapa, R$ 44,41 foram revertidos para a sociedade brasileira. O valor reflete a adoção da metodologia para produções de leite de 375 municípios de 18 estados brasileiros. Mais de três mil propriedades leiteiras receberam consultoria individualizada de 247 técnicos em treinamento continuado.
O programa está na estrada há 25 anos, promovendo maior sustentabilidade ambiental e melhoria na qualidade de vida dos produtores de leite. Os números estão no Relatório de Avaliação de Impactos do Programa Balde Cheio , elaborado em conjunto pelos centros de pesquisa da Embrapa: Pecuária Sudeste (SP), que é líder do Programa; Cocais (MA), Rondônia (RO) e Pesca e Aquicultura (TO).

Fotos: Gisele Rosso
A aplicação da metodologia propicia aumento da produtividade e do rendimento, em função da intensificação e melhorias nos sistemas de produção. Em 2022 foram comprovadas propriedades em diferentes estados e com níveis tecnológicos iniciais muito diversos. “Nesse sentido, chama a atenção que, independentemente da produtividade inicial ou da região, a produção com a aplicação de tecnologias adequadas para cada estágio multiplicado por três ou quatro vezes”, destaca o coordenador do Balde Cheio, André Novo, que também é chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste. Estima-se que as propriedades integrantes do programa tenham produtividade anual de 4.485 litros por hectare, enquanto a média geral brasileira é de 1.180 litros por hectare ao ano.
“O Balde Cheio promoveu uma mudança de chave dentro do processo de gestão da propriedade. Ao falar de gestão, refiro-me à propriedade, não apenas ao controle financeiro, do que entra e o que sai”, elogia Ingergleice Abreu, produtora da Agropecuária Saint Expedit, integrante do programa há três anos.
Para ela, a equipe auxiliou na tomada de decisões a curto, médio e longo prazos. Inclusive animais que antes eram descartados, passaram a receber outro manejo e se tornaram produtivos. “Aprendemos que, com medidas simples, podemos oferecer maior conforto animal, o que deixou o rebanho mais produtivo”, pontua, destacando a importância do técnico. “Tem sido fundamental a presença constante do técnico, que nos ajuda muito tirando dúvidas e nos apoiando. A equipe não exige nada, não vende nada. As coisas são acordadas”, ressalta o produtora.
Abreu salienta, ainda, que muitas pessoas acreditam que os investimentos são altos, mas não é bem assim. “A ideia é otimizar o processo com o menor custo possível”, enfatiza.
Criado para melhorar o desempenho da pecuária leiteira, o Balde Cheio atua por meio da capacitação contínua de técnicos e produtores. O método contribui para o
incremento da renda, em bases sustentáveis, com adoção de ferramentas de gerenciamento de propriedades e tecnificação, considerando a realidade local. Ou seja, o programa compartilha soluções de forma customizada, conforme as características de cada estabelecimento rural, de forma participativa, em que todos se corresponsabilizam pela tomada de decisões.
Sustentabilidade ambiental
O Balde Cheio também promove a sustentabilidade ambiental. “Temos percebido resultados positivos, no sentido de nascentes sendo preservadas e águas em curso descontaminadas”, afirma o zootecnista da Embrapa Pesca e Aquicultura Cláudio Barbosa, responsável pelo projeto no Tocantins. Segundo ele, os efeitos negativos das estimativas diminuíram nas propriedades. “Houve aumento de áreas de sombra por meio do plantio de árvores, beneficiando a fauna silvestre, pássaros e insetos polinizadores. Além disso, houve preservação de matas ciliares e conservação de solos com declividades, evitando-se erosões”, sublinha.
Outro ponto relevante notado no Tocantins e no Pará foi o abandono do uso da queima anual. Com a entrada no Balde Cheio, os produtores contam que deixaram a prática de lado. Nos estados de São Paulo e Rondônia, alguns ressaltaram o aumento do consumo de água depois do Balde Cheio, com a segurança das pastagens. Já não há que dizer respeito à qualidade do recurso, o efeito foi bom. No Tocantins e no Pará, os animais não pisoteiam mais as margens de cursos d’água, contribuindo para a preservação e a redução do assoreamento. Há relatos de que, devido à maior preservação dos cursos d’água nesses estados, houve aumento da mata ciliar.
“A conservação da biodiversidade e a recuperação ambiental são fundamentais para a sustentabilidade da atividade. O conjunto de práticas preconizado pelo Balde Cheio permitiu ainda conter a pressão pela abertura de novas áreas para pastagens. Além disso, alguns animais silvestres voltaram a ser vistos, assim como a vegetação nativa e áreas de preservação que eram usadas para sombreamento foram poupadas”, observa Barbosa.
25 anos de trajetória
A iniciativa foi da Embrapa Pecuária Sudeste, em 1998, e idealizada pelo pesquisador aposentado Artur Camargo, que sempre viu o programa como uma possibilidade de melhorar a autoestima do produtor de leite e dar dignidade às pessoas e bem-estar às vacas. Camargo priorizou, durante todos os anos à frente do Balde Cheio, uma mudança de vida e de percepção de mundo.
O Balde Cheio capacita profissionais de assistência, extensão rural e pecuaristas em técnicas, práticas e processos agrícolas, zootécnicos, gerenciais e ambientais. A capacitação ocorre na propriedade rural, transformada em sala de aula. Também há aulas teóricas para extensionistas e produtores nas regiões de abrangência do programa.
As propriedades utilizadas como “salas de aula” são chamadas de Unidades Demonstrativas (UDs), e recebem visitas de produtores periodicamente. Dessa forma, mais pessoas são alcançadas. Já as fazendas que apenas recebem assistência do técnico são designadas Propriedades Assistidas (PAs). “A Unidade Demonstrativa e as Propriedades Assistidas, acompanhadas por um técnico, formam uma rede de aprendizagem dinâmica em que as escolhas tecnológicas são realizadas de acordo com o estágio de desenvolvimento de cada propriedade e adaptadas às condições locais. O ritmo da introdução de cada passo é determinado por uma série de fatores e de forma gradativa em um processo semelhante ao conceito de “troca de marchas” de um carro”, explica André Novo.
Para participar do programa, o produtor deve cumprir alguns critérios, como, por exemplo, realizar exames anuais nos animais para detecção de brucelose e tuberculose, fazer o acordo com o consultor e anotar os controles zootécnicos e econômicos econômicos da propriedade.
Segundo Novo, as parcerias são obrigatórias para o programa. Assim, são possíveis cooperações com serviços de extensão rural governamentais, associações de produtores, cooperativas, organizações não governamentais, prefeituras, fundações, agências de desenvolvimento e, principalmente, profissionais autônomos ligados à extensão rural.
Apesar do conceito e dos elementos-chave serem os mesmos desde o início, o programa passa continuamente por melhorias. Desde 2017 funciona em rede. Vários
centros de pesquisa da Embrapa foram chamados para participar, além de parceiros externos. Atualmente, 13 Unidades da Embrapa ( Acre (AC), Agroindústria de Alimentos (RJ), Café (DF), Clima Temperado (RS), Cocais (MA), Gado de Leite (MG), Rondônia (RO), Semiárido (PE) ), Tabuleiros Costeiros (SE), Pecuária Sul (RS), Pesca e Aquicultura (TO), Agricultura Digital (SP) e a Unidade Mista de Pesquisa e Transferência de Tecnologias (UMIPT) de Francisco Beltrão (PR) estão engajadas para fortalecer o compartilhamento da ciência e das tecnologias.
Impacto das tecnologias
A produção de leite médio brasileiro é de menos de 100 litros por dia. No Balde Cheio, a maioria (cerca de 75% dos participantes) produz mais de 200 litros por dia. Tal fato confirma a metodologia como potencializadora do desempenho e dos resultados do trabalho do pecuarista.
A maior produtividade nas fazendas está relacionada a várias tecnologias e conceitos utilizados de forma customizada, como sanidade animal, bem-estar, gerenciamento, supervisão, manejo intensivo de pastagens, estruturação de rebanhos, eficiência na reprodução e preservação ambiental. Os impactos sociais e econômicos direcionados pela metodologia Ambitec-Agro com adoção de práticas nos estados de Rondônia, São Paulo, Maranhão e Tocantins estão relacionados, principalmente, ao bem-estar e saúde animal, geração de renda, agregação de valor na propriedade, segurança alimentação e qualificação dos trabalhadores e pecuaristas.
Apesar de o número total de propriedades atendidas ter aumentado em quase 60% em 2022 em relação a 2021, a distribuição não foi abundante. Houve aumento significativo em Rondônia e Tocantins, e expansão moderada no Rio de Janeiro e Paraná. A assinatura de parceria com a Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural ( Emater ) de Rondônia, permitiu a expansão do número de técnicos e produtores atendidos. Rio de Janeiro, Tocantins e Paraná também tiveram maiores taxas de adoção em comparação a 2021.
Nenhum programa ocorreu incremento no número de técnicos em treinamento. Eram 200 em 2018, passaram para 222 (2021) e para 247 profissionais em 2022.
No total, foram 99 parcerias em 2022. São laticínios, cooperativas, associações de produtores, órgãos de extensão rural oficiais ou privados, ONGs, bancos, entidades do Sistema “S” (entidades corporativas externas ao treinamento profissional, assistência social, consultoria, pesquisa e assistência técnica), que atua no âmbito local, garantindo a adoção do Balde Cheio.
Balde Cheio e os ODS
O programa contribui para o cumprimento de vários Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS ):
ODS 1 – Erradicação da pobreza, em função das ações que visam reduzir a proporção de homens, mulheres e crianças que vivem em situação de pobreza, especialmente no campo.
ODS 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, o programa colabora para acabar com a fome no campo e alcançar a segurança alimentar. Com a melhoria da qualidade da produção local, beneficia tanto os produtores quanto o sistema de produção regional.
ODS 3 – Saúde e bem-estar, o princípio básico do Balde Cheio é o de garantir uma vida saudável e promover o bem-estar para todos no campo.
ODS 8 – trabalho decente e crescimento econômico, a diversificação e uso de tecnologias busca agregar qualidade e valor aos produtos, a intensificação sustentável e o crescimento das propriedades leiteiras.
ODS 10 – Redução das desigualdades, o Balde Cheio fomenta o desenvolvimento integral dos produtores e de suas famílias. A metodologia reforça o compromisso de melhorar a vida no campo e eliminar a vulnerabilidade de pequenos produtores familiares.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Prêmio nacional coloca Oeste do Paraná entre as referências em queijos artesanais
Região conquistou 53 medalhas na 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil. Resultado evidencia avanço tecnológico da produção regional e o fortalecimento das agroindústrias participantes do Projeto de Queijos Finos.

A produção de queijos artesanais do Oeste do Paraná foi um dos destaques da 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil, uma das principais competições nacionais voltadas aos produtos lácteos artesanais. Somando os resultados obtidos pelo Biopark e pelas agroindústrias participantes do Projeto de Queijos Finos, a região conquistou 53 medalhas entre 75 produtos inscritos, desempenho que reforça o avanço técnico da cadeia leiteira regional.

Foto: Divulgação
Entre os premiados estão os queijos Origem, Granatoo e Tomme Negro D’Oeste, desenvolvidos pelo Laboratório de Queijos Finos do Biopark, que receberam medalha de ouro. Das 19 tecnologias apresentadas pela instituição no concurso, 15 foram premiadas.
Segundo a gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) do Biopark, Carolina Trombini, o resultado representa um novo patamar para o trabalho desenvolvido pela instituição. “Nas edições de 2024 e 2025 do evento, os queijos desenvolvidos no Biopark conquistaram 12 medalhas em cada ano e isso já demonstrava a qualidade e a consistência do trabalho realizado. Mas neste ano conseguimos superar essa marca e alcançar um novo recorde: o maior número conquistado pelo Biopark Educação em uma única edição da premiação”, afirma.

Foto: Divulgação
Além dos produtos desenvolvidos pelo Biopark, as queijarias participantes do Projeto de Queijos Finos conquistaram 38 medalhas com receitas próprias. O desempenho evidencia o amadurecimento das agroindústrias que receberam apoio técnico ao longo do processo de desenvolvimento dos produtos.
O projeto atende pequenas e médias propriedades rurais e oferece consultoria em todas as etapas da produção, desde a avaliação da qualidade do leite e a adequação das queijarias até a transferência de tecnologias, acompanhamento da fabricação, desenvolvimento de embalagens e orientação para inserção no mercado.
De acordo com a pesquisadora Nayara Leontino Scherpinski, responsável pelo acompanhamento das propriedades, o trabalho vai além da fabricação dos queijos. “O trabalho começa muito antes da produção do queijo. Cada propriedade passa por um diagnóstico técnico, avaliação da qualidade do leite, orientação sobre a estrutura da queijaria e acompanhamento durante todo o processo de implementação da tecnologia, até que o produtor domine completamente a produção”, explica.
Outro destaque da premiação foi a conquista da Manteiga Ghee Santo Expedito, eleita o Melhor Produto Lácteo do

Foto: Divulgação
Paraná. Além dos produtos desenvolvidos com apoio do projeto, diversas agroindústrias também receberam medalhas com queijos autorais e outros derivados lácteos.
Para o pesquisador e mestre queijeiro Kennidy de Bortoli, o desempenho demonstra a evolução técnica alcançada pelos produtores da região. “Eu não estou surpreso com esse resultado, porque conheço a capacidade desses produtores. Mas estou profundamente impressionado. Inscrever 75 produtos e conquistar 53 medalhas é um feito gigantesco. Este reconhecimento confirma que estamos no caminho certo e valoriza todo o cuidado que essas famílias têm com a qualidade do leite, dos queijos e de cada etapa da produção”, destaca.
Com o resultado, o Oeste do Paraná amplia sua presença entre as principais regiões produtoras de queijos artesanais do país. As premiações também refletem o investimento em qualificação, inovação e agregação de valor à produção leiteira, fatores que têm contribuído para diversificar a renda das propriedades rurais e fortalecer o desenvolvimento de produtos com identidade regional.
Medalhas de queijos projeto de queijos finos: 15
Ouro
- Queijo Origem – Queijaria Flor da Terra
- Queijo Granatoo – Queijos Ludwig
- Queijo Tomme Negro D’Oeste – Produtos Elis
Prata
- Queijo Deleite – Queijaria Flor da Terra
- Queijo Entardecer D’Oeste – Queijaria Flor da Terra
- Queijo tipo Brie – Queijaria Flor da Terra
- Queijo tipo Cheddar Inglês – Queijos Ludwig
- Queijo tipo Abondance – Produtos Elis
- Queijo Tomme Negro D’Oeste – Vila Belli
- Queijo tipo Bel Paese – Granja Santo Expedito
- Queijo Jack Joss – Sítio Della Pasqua
- Queijo Luar – Queijos Stein
- Queijo tipo Edam – Queijos Stein
Bronze
- Queijo Nostra Terra – Queijaria Flor da Terra
- Queijo tipo Morbier Café – Queijaria Atani
Medalhas de produtos lácteos autorais dos produtores associados ao queijos finos: 38
Ouro
- Queijo Coalho com Ervas Finas – Queijaria Meu Propósito
- Manteiga – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Parmareal – Queijos Ludwig
- Manteiga Ghee Santo Expedito – Granja Santo Expedito
- Queijo Malte – Granja Santo Expedito
- Queijo Coalho – Sítio Della Pasqua
- Queijo José – Queijaria Meu Propósito
Prata
- Queijo Mulato – Produtos Elis
- Queijo Coalho Com Alho – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Coalho Com Chimichurri – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Coalho Com Orégano – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Da Motta – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Colonial – Queijos Stein
- Queijo tipo Coalho – Queijos Stein
- Queijo Defumado – Granja Santo Expedito
- Manteiga Sem Sal – Granja Santo Expedito
- Manteiga Temperada – Granja Santo Expedito
- Queijo Ouro Branco – Granja Santo Expedito
- Queijo com Ervas Finas – Granja Santo Expedito
- Queijo maturado com café – Granja Santo Expedito
- Queijo maturado Mito Brasileiro – Granja Santo Expedito
- Queijo na Graspa – Granja Santo Expedito
- Queijo Pérola Negra de São Camilo – Granja Santo Expedito
- Doce de Leite – Sitio Della Pasqua
- Doce de leite com Café – Sitio Della Pasqua
- Queijo Coalho Condimentado – Sítio Della Pasqua
- Queijo Donna Rossi – Atani
- Queijo Lamour – Atani
Bronze
- Iogurte com Abacaxi – Produtos Elis
- Queijo Colonial – Vila Belli
- Doce de Leite – Queijaria Meu Propósito
- Manteiga com Sal – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Bordô – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Coalho Com Pimenta Calabresa – Queijaria Meu Propósito
- Queijo Colonial com Ervas Finas – Queijos Ludwig
- Doce De Leite Pastoso – Granja Santo Expedito
- Queijo Maturado Mito Do Brasil – Granja Santo Expedito
- Queijo Tipo Comté – Granja Santo Expedito
Bovinos / Grãos / Máquinas
Entidades defendem que regras da União Europeia não sejam incorporadas à pecuária brasileira
Em nota conjunta, organizações afirmam que exigências comerciais de mercados específicos não devem ser incorporadas à legislação nacional e defendem que decisões regulatórias sejam baseadas em critérios técnicos e científicos.

Um grupo de 14 entidades representativas da pecuária brasileira divulgou uma nota conjunta manifestando-se contra uma eventual incorporação, à legislação nacional, de exigências da União Europeia relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Na avaliação das organizações, regras adotadas por um mercado importador não devem se transformar em obrigações para toda a cadeia pecuária do país.
As entidades afirmam que defendem o uso responsável de antimicrobianos, desde que baseado em critérios técnicos, científicos e nas normas estabelecidas pelas autoridades sanitárias brasileiras. Segundo a nota, o Brasil possui um sistema oficial de controle sanitário consolidado, que garante a utilização desses produtos de forma segura e alinhada aos padrões internacionais.

Foto: Shutterstock
O documento destaca ainda que os antimicrobianos autorizados pelo Codex Alimentarius, referência internacional reconhecida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), continuam sendo ferramentas importantes para a produção pecuária. Conforme as entidades, quando empregados de forma responsável, esses produtos contribuem para a saúde e o bem-estar animal, melhoram a eficiência alimentar e favorecem o desempenho dos rebanhos.
Na avaliação do grupo, restringir tecnologias reconhecidas internacionalmente sem respaldo científico pode reduzir a competitividade da pecuária brasileira e comprometer a eficiência dos sistemas de produção.
Exigências restritas aos mercados de destino
As organizações defendem que as exigências estabelecidas por países importadores sejam cumpridas apenas pelos

Foto: Shutterstock
produtores e empresas que optarem por comercializar com esses mercados.
Segundo a nota, transformar essas exigências em regras de alcance nacional imporia custos, limitações operacionais e aumento da burocracia para produtores voltados ao mercado interno ou para países que adotam critérios diferentes.
As entidades também afirmam que essa medida abriria um precedente para que futuras exigências externas, inclusive relacionadas a aspectos ambientais ou produtivos, passassem a influenciar a formulação das políticas públicas brasileiras.

Foto: Shutterstock
Para o grupo, esse cenário poderia comprometer a soberania regulatória do país, a segurança jurídica e a competitividade de um dos principais segmentos do agronegócio.
Defesa de debate técnico
No documento, as entidades defendem que qualquer alteração na regulamentação brasileira seja amplamente discutida e fundamentada em evidências científicas, avaliação de riscos e na realidade da produção pecuária nacional.
O grupo também ressalta que a construção de novas regras deve considerar os impactos sobre toda a cadeia produtiva, especialmente para pequenos produtores.
As organizações afirmam apoiar a ampliação da presença da pecuária brasileira nos mercados internacionais e

Foto: Divulgação
reconhecem a necessidade de atender às exigências sanitárias dos países importadores quando houver interesse comercial. No entanto, defendem que essas exigências permaneçam restritas às cadeias destinadas a esses mercados, sem alterar o marco regulatório aplicável a toda a produção nacional.
Ao final da nota, as entidades reiteram confiança no sistema brasileiro de defesa agropecuária e conclamam o governo federal, o Congresso Nacional e o setor produtivo a preservar a soberania regulatória, a segurança jurídica e a competitividade da pecuária brasileira, mantendo as decisões sobre a produção nacional fundamentadas em critérios técnicos e científicos.
A manifestação foi assinada por entidades representativas da pecuária de diferentes regiões do país, entre elas Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Associação dos Pecuaristas de Rondônia (Apron), União Nacional da Pecuária (Unapec), Sociedade Rural Brasileira (SRB), Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), Associação dos Criadores do Pará (Acripará), Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso (ACNMT), Associação Grupo Pecuária Brasil (GPB) e Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável (MBPS).
Bovinos / Grãos / Máquinas
Saiba o que mudou na pecuária de Mato Grosso para 45% dos bovinos serem abatidos com até 24 meses
Participação de animais jovens no abate atingiu o maior nível da série histórica, enquanto caiu a presença de bovinos acima de 36 meses, reflexo dos investimentos em genética, nutrição e manejo.

A pecuária de corte de Mato Grosso passou por uma mudança significativa no perfil dos animais enviados aos frigoríficos. No primeiro semestre de 2026, 45% dos bovinos abatidos no Estado tinham até 24 meses de idade, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2006.

Foto: Divulgação
Os dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram uma redução expressiva no tempo necessário para os animais atingirem condições de abate. Há duas décadas, em 2006, apenas 2% dos bovinos abatidos no Estado tinham menos de dois anos. No mesmo período, a participação dos animais com mais de 36 meses caiu de 65% para 22%.
A mudança está relacionada ao avanço de tecnologias aplicadas dentro das propriedades, com maior adoção de melhoramento genético, estratégias nutricionais, manejo de pastagens e ferramentas de gestão da produção. Com ciclos mais curtos, os pecuaristas conseguem aumentar o giro do capital investido e produzir mais carne utilizando a mesma área.

Foto: Fernando Dias
Segundo o diretor de projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a redução da idade de abate é um dos principais indicadores da evolução da pecuária estadual. “A redução da idade de abate é um dos principais indicadores da evolução da pecuária mato-grossense. Ela mostra que o produtor investiu em tecnologia, melhoramento genético, manejo e nutrição para produzir mais carne em menos tempo”, avalia.
Mais animais jovens no frigorífico
A mudança no perfil dos bovinos também acompanha o desempenho da produção em Mato Grosso. No primeiro semestre de 2026, o Estado registrou o abate de 3,65 milhões de animais, aumento de 3,58% em relação ao mesmo período de 2025.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelos machos, cujo volume de abate aumentou 13,05%. Já o envio de

Foto: Shutterstock
fêmeas aos frigoríficos caiu 4,26%, movimento associado à retenção de matrizes por parte dos pecuaristas para ampliar os rebanhos.
Além do impacto econômico, o abate de animais mais jovens também é apontado como um indicador de eficiência produtiva. Um ciclo mais curto reduz o tempo de permanência do bovino na propriedade, melhora o aproveitamento dos recursos disponíveis e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa por quilo de carne produzida. “Além dos ganhos econômicos, especialistas apontam que animais abatidos mais jovens também contribuem para uma pecuária mais sustentável. Com um ciclo produtivo mais curto, o bovino permanece menos tempo na propriedade, utiliza os recursos naturais de forma mais eficiente e reduz a emissão de gases de efeito estufa por quilograma de carne produzida, indicador cada vez mais valorizado pelos mercados internacionais”, destaca Bruno de Jesus Andrade.
A mudança observada em Mato Grosso reflete uma estratégia de intensificação da produção, com foco em elevar a produtividade por animal e por área, mantendo a competitividade da carne produzida no Estado nos mercados interno e externo.



