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Balanço parcial do Rally da Safra 2025 revela contrastes regionais e nova projeção para soja

Técnicos concluem 50% da etapa soja e constatam problemas no Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul; recordes de produtividades em outros seis estados evitam queda maior na produção.

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Foto: Divulgação/Rally da Safra

Os resultados parciais do trabalho de campo do Rally da Safra 2025, após mais de 36 mil quilômetros percorridos em seis estados para avaliação de lavouras de soja, levaram a Agroconsult, organizadora da expedição, a divulgar uma nova estimativa de safra. Diante da piora na situação climática que impactou as lavouras no Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul e dos bons resultados de campo do Centro Norte, a nova projeção aponta para 171,3 milhões de toneladas – redução de 1,1 milhão de toneladas sobre o número pré-Rally, porém ainda 15,8 milhões de toneladas acima da temporada passada.

“Apesar da projeção ter sido alterada em apenas 1,1 milhão de toneladas na estimativa da safra brasileira, as mudanças foram significativas quando avaliamos individualmente cada estado”, afirma André Debastiani, coordenador da expedição técnica. A soma de todas as alterações de produção nos estados ultrapassa 11,2 milhões de toneladas em relação a janeiro, sendo que Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais e a região do Mapitoba acrescentaram cinco milhões de toneladas à safra nacional, enquanto Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina retiraram 6,2 milhões de toneladas.

A Agroconsult também ampliou em 100 mil hectares a área plantada no país, que passa a ser de 47,6 milhões de hectares – 1,7% acima da última temporada – a partir da avaliação de área por imagem de satélite da safra 24/25 realizada pelo Cropdata. A produtividade média brasileira é de 60 sacas por hectare (60,5 no pré-Rally).

Com outras cinco equipes pela frente, o Rally tem a missão de consolidar os resultados dos estados do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. A partir desta semana, os técnicos irão percorrer Goiás, Minas Gerais, a região do Matopiba – Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia – e o Rio Grande do Sul.

Os dados preliminares do Rally consolidam os estados em três grupos. No primeiro, com perdas irreversíveis, especialmente diante da situação do Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, a preocupação com o clima se concretizou e virou um problema para os produtores. Há inclusive abandono de áreas em razão da estiagem e ondas de calor nos dois estados. O Rio Grande do Sul enfrentou um período de pelo menos 30 dias consecutivos sem chuvas e temperaturas acima de 40 graus. A situação, que já era crítica na metade Sul do estado, acabou se espalhando para outras regiões e a estimativa de produtividade caiu para 39 sacas por hectare (49,5 sacas por hectare no pré-Rally). A safra é projetada em 16 milhões de toneladas, contra 20,5 milhões de toneladas em 23/24.

Fotos: Eduardo Monteiro

Já o Mato Grosso do Sul sofreu com o encurtamento do ciclo nas áreas prejudicadas pela estiagem. O Rally esteve em campo no estado, na última semana, constatando as perdas in loco. A produtividade foi reduzida para 49,5 sacas por hectares (56,5 sacas por hectare no pré-Rally).

Produção histórica no Mato Grosso

Nos estados do Centro-Norte, porém, o cenário é outro. Os dados coletados no campo com o Rally da Safra e os levantamentos da Agroconsult mostram um segundo grupo com ótimo potencial produtivo, formado por seis estados. O destaque é o Mato Grosso que registra aumento de produtividade de 63 sacas por hectare (em janeiro, no pré-Rally) para 66,5 sacas por hectare, novo recorde. Os técnicos da expedição avaliaram, pela segunda vez nesta temporada, as lavouras do Oeste, Médio-Norte e Sudeste do estado. O estande elevado de plantas, o alto número de grãos por hectare e o peso dos grãos apontam que, pela primeira vez na história, a safra poderá ultrapassar 50 milhões de toneladas – o equivalente ao volume do Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, juntos.

A Bahia, com estimativa de 70 sacas por hectare (67 no pré-Rally), tem a maior produtividade média nacional. Goiás, com 68 sacas por hectare (65,5 em janeiro) e Minas Gerais, com 67 (66 na projeção anterior), além do Tocantins e Maranhão, integram o grupo dos estados com ótimo potencial produtivo e que também vão registrar produtividades recordes.

Foto: Giovane Rocha

Já o terceiro grupo, com bom potencial, registrou intercorrências, mas traz produtividade inalterada para o Piauí, com 60 sacas por hectare, pequena elevação em Rondônia (60 sacas por hectare) e queda nos estados do Paraná (62,5 sacas por hectare), São Paulo (63,5) e Santa Catarina (65).

No total, os técnicos irão percorrer mais de 80 mil km por 13 estados – Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia, Pará –  que respondem por 95% da área de soja e 72% da área de milho, para avaliar as condições das áreas de soja durante as fases de desenvolvimento das lavouras e de colheita até 22 de março. Outras seis equipes avaliarão as lavouras de milho segunda safra em maio e junho.  Técnicos da Agroconsult e das empresas patrocinadoras visitarão produtores rurais nas regiões Sudeste do Mato Grosso, Sudoeste de Goiás, Planalto do Rio Grande do Sul e Oeste do Paraná, entre abril e maio. No mesmo período serão realizados eventos técnicos regionais em Luís Eduardo Magalhães (BA), Não-Me-Toque (RS) e Maringá (PR).

Nesta edição, o Rally está presente ainda nos principais eventos do agronegócio: Show Rural, em Cascavel (PR); ExpoDireto, em Não-Me-Toque (RS); Bahia Farm Show, em Luis Eduardo Magalhães (BA), e Tecnoshow Comigo, em Rio Verde (GO).

O trabalho das equipes e o roteiro completo da expedição poderão ser acompanhados pelo Rally da Safra, clique aqui para acessar.

Fonte: Assessoria Rally da Safra

Notícias Mesmo com mercado desafiador

Paraná atinge 2° maior patamar de exportações da história em 2025

De janeiro a dezembro, Paraná comercializou para fora US$ 23,6 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Apesar de 2025 ter sido um ano desafiador no cenário internacional, as exportações paranaenses cresceram 1,2% na comparação com 2024. De janeiro a dezembro, foram comercializados US$ 23,6 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes). É o segundo melhor resultado da série iniciada em 2019, atrás apenas de 2023, quando foram US$ 25,3 bilhões enviados ao Exterior.

O ano de 2025 foi marcado por embargos sanitários à agropecuária brasileira após a ocorrência de casos de gripe aviária no Rio Grande do Sul, elevação de tarifas de importação pelos Estados Unidos e a queda das cotações internacionais de commodities. Mesmo assim, o Paraná superou o volume de mercadorias enviadas ao exterior em 2024, que alcançaram naquele ano US$ 23,3 bilhões.

O aumento de um ano para o outro pode ser atribuído à ampliação das vendas de cereais, carne suína e automóveis. No primeiro produto, o incremento na balança de exportações do Paraná foi de 106%, saltando de US$ 574 milhões em 2024 para US$ 1,2 bilhão em 2025. Os cereais responderam por 5% do total enviado ao mundo pelo Estado.

Foto: Jonathan Campos/AEN

A venda de carne suína registrou um crescimento de 41,7%, passando de US$ 404 milhões para US$ 573 milhões, enquanto as exportações paranaenses de automóveis passaram de US$ 667 milhões para US$ 823 milhões. Juntos, eles representaram 5,9% das exportações paranaenses em 2025, crescimento de 1,3 ponto percentual em relação aos 4,6% de 2024.

De acordo com o diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, os resultados comprovam a competência das empresas exportadoras paranaenses, superando as adversidades impostas no âmbito internacional. “Apoiadas pelo Governo do Estado, essas empresas não somente conseguiram, em muitos casos, ampliar participação em mercados tradicionais, como também estabeleceram novos negócios em países emergentes, o que explica o desempenho positivo observado em 2025”, analisou.

No topo dos produtos mais exportados pelo Paraná em 2025 estão a soja em grão e a carne de frango. O primeiro chegou a US$ 4,6 bilhões e uma participação equivalente a ⅕ de tudo o que foi comercializado com o mercado internacional. Já o segundo item representou 15% de tudo que foi vendido ao exterior, alcançando US$ 3,5 bilhões.

Considerando que as importações estaduais de mercadorias produzidas no exterior atingiram US$ 20,2 bilhões, foi alcançado um superávit comercial de US$ 3,5 bilhões pelo Paraná em 2025. É o terceiro ano consecutivo de saldo comercial positivo. Os itens mais importados no Estado foram adubo e fertilizantes (US$ 3 bilhões), óleos e combustíveis (US$ 1,3 bilhão) e produtos químicos (US$ 1,3 bilhão).

Destinos

Em relação aos mercados que receberam os itens produzidos localmente, os principais aumentos foram do Irã, que registrou incremento de 66% em 2025, Argentina (50,5%) e Índia (24%). No caso do Irã, houve crescimento de US$ 496 milhões para US$ 823 milhões, ao passo que as exportações do Paraná para a Argentina subiram de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,8 bilhão. As vendas para a Índia contabilizaram US$ 546 milhões no ano passado, ante US$ 440 milhões em 2024.

A China continua como principal parceiro comercial do Estado, chegando a US$ 5,3 bilhões e uma participação de 22,5% no total exportado em 2025. A Argentina é a segunda, com 7,7% de participação e os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar, com US$ 1,2 bilhão comercializado e 5,1% de representatividade na lista de parceiros comerciais do Paraná.

Confira AQUI  o informativo do comércio exterior paranaense com dados de 2025 e 2024.

Fonte: AEN-PR
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Brasil endurece regras para produtos agropecuários na bagagem de viajantes

Novas regras ampliam exigências de declaração, reforça a fiscalização do Vigiagro e atualiza a lista de itens autorizados e proibidos. Medidas entram em vigor a partir de 04 de fevereiro.

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Foto: Divulgação/Freepik

A entrada de produtos agropecuários no Brasil transportados na bagagem de viajantes passará a obedecer a novas regras a partir de 04 de fevereiro. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou, no Diário Oficial da União, um novo regulamento que reforça o controle sanitário nas fronteiras com o objetivo de impedir a introdução de pragas e agentes causadores de doenças que possam ameaçar o patrimônio agropecuário, o meio ambiente e a saúde pública do país.

Foto: Divulgação/Freepik

As normas abrangem uma ampla gama de itens. Estão incluídos animais e vegetais, bebidas, materiais genéticos destinados à reprodução animal e à propagação de vegetais, produtos de uso veterinário e para alimentação animal, fertilizantes, corretivos, inoculantes, estimulantes, biofertilizantes, agrotóxicos, alimentos, produtos de madeira, além de outros produtos, subprodutos e derivados de origem agropecuária. A portaria estabelece listas de produtos autorizados e proibidos, que poderão ser atualizadas a qualquer momento, conforme a ocorrência de eventos sanitários, a evolução do conhecimento técnico para a gestão de riscos zoofitossanitários e mudanças nos procedimentos aduaneiros.

A fiscalização ficará a cargo do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), responsável por analisar riscos fitossanitários, zoossanitários e sanitários, bem como o atendimento aos padrões de identidade e qualidade exigidos. A atuação segue exigências internacionais e está alinhada aos interesses estratégicos do agronegócio brasileiro, altamente dependente do status sanitário para manter mercados externos abertos.

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart, o novo regulamento fortalece a proteção do agro nacional ao reduzir a possibilidade de entrada de pragas e doenças por meio da bagagem de viajantes. Para ele, as medidas também ampliam o caráter preventivo da Defesa Agropecuária, ao oferecer maior segurança sanitária, previsibilidade e clareza para quem ingressa no país, em consonância com compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

Um dos pontos centrais das novas regras é a exigência de declaração de produtos agropecuários. O viajante que transportar itens que

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dependam de autorização de importação deverá preencher documento específico emitido pelo Mapa. Essa autorização será encaminhada eletronicamente pelo serviço técnico emissor às unidades do Vigiagro nos pontos de ingresso no território nacional. Entre as informações exigidas estão a descrição detalhada dos bens, quantidade, forma de acondicionamento, país de origem e de procedência, modal e via de transporte, local de ingresso, identificação completa do viajante e o prazo de validade da autorização.

O regulamento também reforça o descarte obrigatório de produtos proibidos. A orientação é que o viajante faça o descarte voluntário nos contentores agropecuários disponíveis nos pontos de ingresso antes de se dirigir ao controle aduaneiro. Caso ainda esteja portando esses produtos, deverá declará-los por meio da Declaração Eletrônica de Bens do Viajante e apresentar-se à unidade do Vigiagro pelo canal “Bens a Declarar”.

Com as novas regras, o governo busca fechar brechas sanitárias associadas ao trânsito internacional de pessoas, uma das principais vias de disseminação de pragas e doenças. Para um país líder global na produção e exportação de alimentos, o reforço do controle nas fronteiras é visto como estratégico para preservar a competitividade do agro brasileiro e a confiança dos mercados importadores.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil mantém otimismo com acordo Mercosul-UE

Acordo é visto como estratégico em meio a tensões globais, mas enfrenta entraves políticos no bloco europeu.

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Foto: Divulgação

O governo brasileiro mantém uma postura otimista em relação à conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, mesmo diante das resistências políticas e setoriais que ainda travam o avanço do tratado no bloco europeu. “O próximo acordo, fruto de um longo trabalho, mais de duas décadas, é Mercosul-UE. Está bem encaminhado. Quero reiterar que nós estamos otimistas”, disse o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, ressaltando que a assinatura do tratado teria relevância estratégica para o comércio global em um contexto marcado por conflitos, instabilidade geopolítica e avanço do protecionismo.

Foto: Shutterstock

A assinatura do acordo era esperada para dezembro, durante a Cúpula do Mercosul, mas foi adiada diante da falta de consenso entre os países europeus. As maiores resistências partiram da França, onde agricultores pressionam o governo contra o tratado, e de setores conservadores da Itália. O presidente francês, Emmanuel Macron, já afirmou que não apoiará o acordo sem novas salvaguardas para proteger os produtores rurais do país, o que tornou Paris o principal polo de oposição dentro da União Europeia.

Apesar do impasse político, a Comissão Europeia informou nesta semana que houve avanços técnicos nas negociações, o que mantém o acordo no radar das autoridades do bloco, ainda que sem data oficial para assinatura.

Mesmo após eventual formalização, o tratado ainda enfrentará um longo caminho institucional. No Brasil, o texto precisará passar pela

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

análise do Executivo e do Congresso Nacional. Na Europa, será necessário o aval do Conselho Europeu e do Parlamento Europeu, além da ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países-membros da União Europeia.

Alckmin ressaltou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é priorizar o diálogo e o fortalecimento do multilateralismo. Segundo ele, além do acordo com a UE, o governo trabalha para avançar em novas frentes comerciais em 2026, como um tratado entre Mercosul e Emirados Árabes Unidos e a ampliação de preferências tarifárias com Índia, México e Canadá.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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