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Avicultura Nutrição

Balanço eletrolítico na nutrição de aves

As perdas econômicas são mais acentuadas na fase final de criação dos frangos, quando esses são submetidos a períodos de calor intenso

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Artigo escrito por Everson Xavier Ferreira, consultor técnico comercial de aves na Agroceres Multimix e Franciely Benthien da Costa, consultora técnica comercial de aves de corte na Agroceres Multimix

Um dos maiores problemas enfrentados pela indústria avícola em países de clima tropical como o Brasil, são as significativas perdas zootécnicas e econômicas, decorrentes da severidade climática que atinge a produção avícola, perdas essas ocasionadas pelo estresse calórico, relacionadas – principalmente – a altas temperaturas, associadas à umidade relativa do ar alta, ou seja dias quentes e chuvosos. Entretanto, clima quente e seco também gera perdas significativa na produção, mas o processo de ofegação torna-se menos eficiente com a umidade mais alta.

Submeter as aves à temperatura e umidade elevadas, faz com que as mesmas saiam da zona de conforto térmico, ocasionando aumento da temperatura corporal e alcalose respiratória. Essa condição resulta em um impacto extremamente negativo sobre o desempenho animal, afetando a eficiência alimentar, consumo de alimento, taxa de crescimento e sobrevivência (figura 1). As perdas econômicas são mais acentuadas na fase final de criação dos frangos, quando esses são submetidos a períodos de calor intenso.

Com o aumento da temperatura do ambiente e aumento da umidade relativa do ar, a capacidade da ave em dissipar o calor é reduzida e com isso temos uma elevação da temperatura corporal, a aves fisiologicamente buscam de subterfúgios para minimizar este problema. A ave busca aumento da sua superfície corporal, abre asas, agacha-se com as mesmas abertas, eriça as penas, busca locais menos adensados no aviário, barbela e crista aumentam de tamanho, buscam a cama fresca com maior frequência, reduzem o consumo de alimento, aumentam o consumo de água e principalmente buscam através do aumento da frequência respiratória essa troca de calor, ficando ofegante.

A evaporação da água (resfriamento evaporativo) pelo trato respiratório constitui o principal mecanismo da ave, que está em estresse calórico, adota para resfriamento e redução da temperatura corporal. Esse mecanismo dá-se devido a ave ter a capacidade de aumentar a frequência respiratória, sendo esse mecanismo crítico para a manutenção da temperatura corporal.

A hiperventilação pulmonar, ocasionada pelo aumento dos movimentos respiratórios, leva a perdas significativas de CO2 fazendo com que ocorram alterações no equilíbrio ácido-básico sanguíneo das aves que e dependendo do tempo de exposição, podem levá-las a óbito. Devido a insuficiente oxigenação, o ritmo cardíaco aumenta na tentativa de suprir mais oxigênio para o metabolismo oxidativo dos tecidos em rápido crescimento, causando uma hipertensão pulmonar. Com prolongada falta de oxigênio, mecanismos de regulação do organismo da ave são acionados para manter a homeostase. O quadro é agravado ainda mais pelo aumento da resistência ao fluxo sanguíneo no pulmão, que promove o desequilíbrio entre a necessidade e o fornecimento de oxigênio e a insuficiência cardíaca. A predisposição à ascite é maior nos frangos porque o pulmão é rígido e fixo na cavidade torácica e o peso do órgão em relação ao peso corporal diminui em função da idade.

Contudo, a maior taxa de ventilação alveolar, ainda que necessário para o resfriamento, resulta em diminuição na pressão de CO2 e, consequentemente, em perturbações no equilíbrio ácido básico.

Outro ponto que devemos considerar é o relativo gasto energético demandando pelas aves na dissipação do calor, no qual ocorre uma grande demanda da energia ingerida na dieta para manutenção da temperatura corporal.

Outra situação observada em aves em estresse calórico é o significativo aumento do consumo de água, para compensar a perda de água na respiração e aumentar a capacidade de disseminação de calor que, por consequência os rins aumentam a produção de urina e maior perda de potássio ( K+), Sódio(Na+) e Cloro(Cl-) fundamentais na manutenção da pressão osmótica e no equilíbrio ácido básico.

Abaixo, é possível observar um quadro desenvolvido para ajudá-lo a fixar os conceitos de acidose e alcalose, tanto metabólica quanto respiratória. Observe o que acontece com o pH e as concentrações de HCO3 e pCO2 em cada uma das situações ácido-base:

Essas variações no equilíbrio ácido básico decorrente de aves em estresse térmico, têm custos elevadíssimos para a indústria avícola, custo esses decorrentes de perdas zootécnicas generalizadas, como; redução do ganho de peso, aumento da conversão alimentar, mortalidade final elevada, redução na qualidade interna e externa dos ovos (gema e casca), queda da capacidade de resposta imune, entre outras.

Os eletrólitos podem ainda ser descritos como substâncias químicas, que se dissociam nos seus constituintes iônicos, tendo como função fisiológica principal a manutenção do equilíbrio ácido-base corporal. A prevenção do desequilíbrio hidroeletrolítico pode ser obtida pela incorporação de cátions e ânions na dieta, sendo usualmente expressos em mEq/kg. Os eletrólitos essenciais à manutenção da pressão osmótica e no equilíbrio ácido-base dos líquidos corporais são: sódio (Na+), potássio (K+) e o cloro (Cl–). Além de as aves os exigirem em quantidades mínimas em sua alimentação – para satisfazer suas necessidades nutricionais -, é fundamental que a proporção entre eles seja respeitada, para manter o equilíbrio ácido-base e obter o máximo desempenho das aves.

O potássio (K+) é o principal cátion do fluído intracelular, enquanto o sódio (Na+) e o cloro (Cl–) são os principais íons do fluído extracelular. O controle da perda de água nas células é obtido pelo equilíbrio desses íons no meio intracelular e extracelular. O K+ está envolvido em muitos processos metabólicos, incluindo: o antagonismo arginina-lisina, condução nervosa, formação do glicogênio, contração muscular, síntese de proteínas teciduais, manutenção do equilíbrio intracelular, reações enzimáticas, balanço osmótico e equilíbrio ácido básico. Consequentemente, mudanças no equilíbrio de K+ podem afetar as funções celulares e o controle da quantidade de água no meio celular.

Atualmente, a importância do Na+ na manutenção das funções vitais normais é bastante conhecida. O sódio é o principal cátion presente nos fluídos extracelulares, atuando essencialmente: no equilíbrio ácido básico, pressão osmótica corporal, atividade elétrica das células nervosas e do músculo cardíaco, permeabilidade celular e absorção dos monossacarídeos e aminoácidos. Por ser o principal cátion do líquido extracelular e estar obrigatoriamente acompanhado de um número igual ao dos ânions, cloro e bicarbonato, o sódio é o principal responsável pela osmolaridade dos líquidos.

O cloro (Cl–) é predominante no líquido extracelular; sua função principal é a manutenção do equilíbrio químico com os cátions presentes. Sabe-se que o excesso de sódio é excretado pelos rins, e o cloro (Cl–) normalmente o acompanha. O cloro participa ainda do efeito tampão no sangue em intercâmbio com o bicarbonato. O aumento do Cl– plasmático favorece a retenção de H+ e diminui a reabsorção de HCO–3 pelos rins, sendo essa uma resposta à alcalose metabólica.

O K+ e o Na+ são íons alcalogênicos e quando suas concentrações são aumentadas, em relação à concentração do Cl–, o pH dos fluídos corporais aumenta, podendo caracterizar a alcalose metabólica. No entanto, o Cl– é um íon acidogênico e sua alta concentração na dieta contribui para a diminuição do valor do balanço eletrolítico e, neste caso, o pH pode diminuir, estando abaixo do normal, podendo assim caracterizar uma acidose metabólica.

O balanço eletrolítico da dieta

O balanço eletrolítico na nutrição das aves é definido como: a diferença entre os principais cátions e ânions da dieta e, portanto, um tema de grande importância na produção animal. O balanço dos eletrólitos no organismo pode influenciar no crescimento do animal, no apetite, desenvolvimento ósseo, resposta ao estresse térmico e no metabolismo de certos nutrientes, como: aminoácidos, minerais e vitaminas.

Um dos primeiros estudiosos a discutir a importância do balanço eletrolítico, estudando os fundamentos do balanço cátion-ânion para suínos e aves, entendeu que o animal regula o balanço eletrolítico pela alteração da acidez líquida ingerida e excretada. Para manter o balanço eletrolítico, deve-se regular a ingestão e a excreção de ácidos. Nas situações em que o animal encontra-se em equilíbrio ácido-básico, sem excesso ou deficiência de ácido, podemos aplicar a seguinte equação:

Todos os eletrólitos poderiam ser incluídos nas equações de cálculo do balanço eletrolítico, no entanto, alguns desses íons não são considerados, devido à importância secundária no equilíbrio ácido básico, pois, é apenas o potencial eletrolítico dos elementos que pode classificá-los em termos de importância no equilíbrio básico do organismo. Esses elementos têm capacidade de funcionar como eletrólitos, mas estão presentes em pequenas quantidades nas rações e em baixas concentrações nos tecidos das aves, reduzindo, naturalmente, seu impacto sobre o equilíbrio ácido básico. Por essa razão, a expressão foi reduzida para: Na+ + K+ – Cl– (mEq/kg).

As matérias-primas utilizadas nas rações de aves possuem diferentes concentrações de sódio, potássio e cloro. Portanto, dependendo da composição das dietas utilizadas, torna-se necessária a correção dos valores de balanço eletrolítico das rações. Um exemplo da modificação do balanço eletrolítico, causada pela composição da dieta, são as rações com inclusão de farinhas de origem animal como fonte proteica, que reduzem a inclusão do farelo de soja, um ingrediente responsável por grande parte do fornecimento de potássio às dietas.

A suplementação de sais nas rações ou na água dos animais tem sido usada para aumentar a ingestão de íons específicos, corrigindo mudanças no equilíbrio ácido-básico. Essa suplementação é feita através da inclusão de compostos alcalinos, visando aumentar o valor do balanço eletrolítico; ou a inclusão de compostos ácidos, para diminuir o valor do balanço eletrolítico, conforme a necessidade. Entre os compostos alcalinos, destacam-se: o bicarbonato de potássio (KHCO3), carbonato de potássio (K2CO3) e o bicarbonato de sódio (NaHCO3), e entre os compostos ácidos: o cloreto de potássio (KCl), cloreto de amônio (NH4Cl) e o cloreto de cálcio (CaCl2).

Muitas pesquisas demonstram que a correção do balanço eletrolítico através da adição de sais nas dietas é útil, não só para melhorar o desempenho dos animais, mas também uma ferramenta bastante utilizada para minimizar os efeitos do desbalanço de eletrólitos causado pelo estresse calórico.

Carbonato de Potássio

O carbonato de potássio consiste em um sal branco, solúvel em água e fortemente alcalino (pH básico). Muito utilizado na indústria, esse produto tem como principal utilização a fabricação de sabão, vidro e porcelana. Além dessa função, ele também pode ser utilizado para a fabricação de fertilizantes, visto que proporciona à planta maior resistência ao ataque de pragas, além de ser utilizado na alimentação animal em especial em frangos de corte.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Segundo ABPA

Ásia, África e Europa mantém alta das exportações de carne de frango em 2020

Principal destino das exportações de carne de frango do Brasil, a Ásia importou 1,635 milhão de toneladas nos 12 meses de 2020

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Arquivo/OP Rural

As vendas de carne de frango para mercados da Ásia, da África e da Europa mantiveram a alta das exportações brasileiras no ano passado, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Principal destino das exportações de carne de frango do Brasil, a Ásia importou 1,635 milhão de toneladas nos 12 meses de 2020, resultado 5,8% superior ao registrado no mesmo período de 2019. Principal destino das exportações brasileiras (destaque entre os maiores destinos) (com 16,3% do total), a China importou 673,2 mil toneladas (+15%). Outros destaques da região, Singapura e Vietnã importaram, respectivamente, 124,2 mil toneladas (+27%) e 53,1 mil toneladas (+105%).

Já para a África foram destinadas 555,7 mil toneladas ao longo do ano, resultado 5,1% maior em relação a 2019. Um dos destaques foi o Egito, com 58,7 mil toneladas (+15%).

Para a União Europeia (sexto principal destino das exportações brasileiras, considerada como um único mercado) foram exportadas 252,2 mil toneladas em 2020, volume 1% superior ao realizado no mesmo período de 2019.

Já para os países Extra-UE foram embarcadas no ano passado 120,3 mil toneladas, número 10,1% maior em relação ao efetivado no mesmo período de 2019. A Rússia é o destaque da região, com 83,9 mil toneladas (+30%).

Para os países do Oriente Médio foram exportadas 1,335 milhão de toneladas nos 12 meses de 2020, número 5,7% menor em relação ao mesmo período de 2019. O Iêmen e a Jordânia importaram, respectivamente, 112,4 mil toneladas (+6,1%) e 56,8 mil toneladas (+18,9%).

Por fim, para os países da América foram embarcadas 225,1 mil toneladas em 2020, número 15,5% menor em relação ao efetivado no ano interior.

“Os bons resultados na maior parte das regiões importadoras de carne de frango mostram a forte capilaridade das exportações brasileiras e reforçam as boas expectativas para os embarques em 2021, com a recuperação dos níveis de importações, em especial, para os principais destinos do Oriente Médio, que registraram melhora nos níveis das importações no último bimestre de 2020”, analisa Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Conforme já divulgado pela associação na primeira semana de janeiro, as exportações brasileiras de carne de frango encerraram o ano de 2020 com alta de 0,4% em relação ao ano anterior, com total de 4,23 milhões de toneladas. Segundo a ABPA, ocorreram 67 novas habilitações de plantas exportadoras de carne de frango em 2020, para países como Coreia do Sul, Filipinas, Egito, Bolívia, Peru, Singapura, Vietnã, África do Sul, Japão e Canadá.

Fonte: Assessoria ABPA
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Avicultura Segundo Cepea

Competitividade da carne de frango pode seguir elevada em 2021

Expectativa é de que a diferença entre os preços da proteína avícola e os das carcaças bovina e suína continue elevada

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Divulgação/ABPA

Em 2020, a competitividade da carne de frango bateu recorde, e, para 2021, a expectativa é de que a diferença entre os preços da proteína avícola e os das carcaças bovina e suína continue elevada.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a retomada do crescimento econômico tende a ocorrer de forma gradual, e, com isso, o poder de compra dos consumidores deve continuar enfraquecido, o que, por sua vez, pode favorecer as vendas de carne de origem avícola, que é negociada a valores mais baixos que os das concorrentes.

Quanto às vendas externas, apesar do empenho da China (maior comprador da carne brasileira) de aumentar a produção interna de frango, em 2021, as exportações brasileiras para esse destino devem continuar crescentes.

Além disso, espera-se que outros países também elevem as aquisições, como é o caso do Japão, o terceiro maior parceiro comercial do Brasil nesse segmento.

Fonte: Cepea
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Avicultura Cooperativismo

Lar assume unidade de aves e fábrica de rações e anuncia investimento de R$ 60 milhões

Abate pode ser estendido aos sábados com ampliação de 20% na capacidade atual, gerando 400 novos empregos

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Divulgação/Copagril

A Lar Cooperativa Agroindustrial, com sede em Medianeira, assumiu na manhã de segunda-feira (04) o comando da unidade industrial de aves da Copagril, instalada em Marechal Cândido Rondon, e da fábrica de rações, no município de Entre Rios do Oeste, no Paraná. A unidade de aves e a fábrica de rações antes pertencentes à cooperativa agroindustrial rondonense foram vendidas em novembro do ano passado à Lar, após um projeto de intercooperação entre ambas as cooperativas.

 O ato de transmissão de comando contou com a presença dos diretores presidentes da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, e da Copagril, Ricardo Silvio Chapla, demais diretores das duas cooperativas, prefeitos e lideranças. O evento, restrito a poucas pessoas devido às normas de prevenção à Covid-19, aconteceu no mais novo frigorífico da Lar.

Com mais esta planta, a Lar passa a abater aves em quatro unidades: Matelândia, Cascavel, Rolândia e Marechal Rondon. As 925 mil aves abatidas ao dia fazem a Lar ocupar o 4º lugar no abate de frangos no Brasil, atrás da BRF, JBS e Aurora.

A aquisição de ativos da Copagril pela Lar foi aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), conforme publicado no Diário Oficial da União no último dia 29. A aquisição também contempla máquinas, equipamentos, móveis e utensílios, contratos de produção avícola com parceiros integrados, bem como a unidade industrial de abate de aves e a unidade industrial de rações. O valor da operação não foi divulgado pelo Cade, mas, de acordo com informações da Lar, foi na ordem de R$ 410 milhões.

Investimento

O diretor-presidente da Lar anunciou durante a solenidade R$ 60 milhões de investimento nas duas plantas industriais. “Sabendo da enorme responsabilidade, nós já nascemos aqui com 2.150 funcionários. Certamente estamos entre as empresas que mais empregam nesta cidade e agora com tudo organizado e uma transição feita da melhor forma. Deixo o reconhecimento à Copagril, pois em um ano e meio de conversações chegamos à intercooperação. Lar e Copagril farão juntas muitas atividades”, destacou.

Segundo Rodrigues, na avicultura o aumento de aviários e de integrados sempre terá o entendimento entre as duas cooperativas. Ele salientou que o quadro de funcionários da Copagril permanece. “Mantém e amplia, pois o que a Lar mais precisa é gente para trabalhar. Somos a cooperativa que mais emprega no Brasil. Temos 20.700 funcionários a partir de segunda e precisamos de todos, porque são pessoas que foram treinadas e escolhidas pela Copagril”, enalteceu.

“Existe aqui um represamento de pessoas que querem produzir mais frango, como também produtores que desejam entrar na atividade e a Lar tem essa capacidade imediata de produzir mais frango sem ampliar aqui. Diríamos que com alguns investimentos nessa planta nós vamos poder abater mais, quem sabe até aos sábados, o que em Matelândia e Cascavel já acontece. Vamos dar atenção à área de frios para produzir mais e estocar, além da necessidade de resolver o gargalo de água, o que gera um investimento inicial de R$ 20 milhões. Outra questão é que se abatermos aos sábados aumentaremos em 20% a capacidade de abate, então precisaremos mais 20% de frango e mais 400 funcionários, e isso está nos planos da Lar”, ressaltou.

Rodrigues disse que a intenção é fazer isso no curto prazo. “Se eventualmente houver frango em excesso aqui, no começo podemos abater em Cascavel ou Matelândia até ampliar aqui. É um pouco da história do ovo e da galinha, o que vem primeiro? Não adianta aumentar a capacidade da planta se ainda não tem frango no campo, então a produção de frango é a primeira a começar para a partir de então ampliar a indústria”, salientou, revelando que o objetivo futuro é dobrar o abate de aves, que hoje é de 170 mil ao dia.

Fábrica de rações

No que tange à fábrica de rações em Entre Rios do Oeste, o diretor-presidente da Lar anunciou um investimento imediato de R$ 40 milhões. “A fábrica será exclusiva para frango, inclusive como se produz ração farelada e não peletizada vamos fazer com que a indústria de Entre Rios do Oeste produza ração farelada para toda a Lar na fase inicial e a ração peletizada vamos trazer de Santa Helena ou Medianeira. A ração peletizada dá mais eficiência na conversão alimentar, depois vamos colocar duas peletizadoras importadas em Entre Rios do Oeste para no curto prazo termos a farelada e a peletizada também”, detalhou, informando que os equipamentos seriam entregues em Medianeira, mas haverá remanejamento para Entre Rios do Oeste.

Ele comentou que no momento há deficiência de energia elétrica para a indústria de rações de Entre Rios do Oeste. “É algo que já vem sendo trabalhado e nos parece que pelo mês de abril ou maio a subestação estaria reforçada. Aí, cabe à Lar puxar uma linha com maior potência para poder rodar essa indústria. Nossa expectativa é de que a médio prazo, em torno de meio ano, possamos ter essa indústria em condições de produzir mais ração”, pontuou.

Receptividade

Rodrigues assegura que os prefeitos da microrregião acolheram muito bem a intercooperação entre e Lar e Copagril, mas enaltece que a parceria é exclusivamente na atividade avícola. “No começo acredito que foi uma surpresa para todos, por ser um negócio que vinha sendo tratado há um ano e meio entre as diretorias das duas cooperativas. Uma das partes do negócio era o acordo de confidencialidade porque o mercado precisa receber a notícia quando ela vai efetivamente acontecer, e não a expectativa de notícia. Quando os prefeitos souberam nós fomos procurá-los. Em algumas cidades houve mudança de comando, em outras não”, mencionou.

No que se refere aos associados, o diretor-presidente da Lar reforçou que os associados da Copagril permanecem trabalhando com a cooperativa rondonense, enquanto outros podem entrar como Lar. “Não há nenhuma dificuldade nos produtores ingressarem como Copagril, modelo utilizado pela Central Aurora com as suas filiadas. Buscamos este modelo de relação fiscal, com notas fiscais sem prejuízo para o associado Copagril”, explicou, ampliando: “As notas fiscais permanecem emitidas para Marechal Rondon e Entre Rios do Oeste. O Serviço de Inspeção Federal (SIF), Cade e outros registros necessários foram aprovados em tempo recorde. Queremos ter mais unidades para produzir ovos férteis, serão construídos mais aviários, abatidas mais aves, o que vai gerar mais empregos, aumentar o faturamento e arrecadar mais impostos que continuarão nos dois municípios”, evidenciou Rodrigues.

Copagril

O diretor-presidente da Copagril, por sua vez, destacou que a intercooperação com a Lar ocorre para o crescimento da atividade avícola. “A Copagril vai crescer em todas as outras atividades. Há projeção, investimentos e melhorias para este e aos próximos anos. A intercooperação com a Lar vai proporcionar oportunidades em outras atividades”, projeta.

Segundo Chapla, há um frigorífico em Toledo que abate filé de tilápia e a intenção é ampliar o leque de atividades. “A microrregião tem potencial para isso. Trabalhamos, temos conversas há muito tempo com duas cooperativas que estão muito bem estruturadas na área de peixes e não descartamos parceria nos próximos meses para incrementar essa atividade na nossa área de atuação”, declarou.

Ele disse que nos primeiros dias devem ocorrer ajustes na indústria de esmagamento de soja comprada em leilão para, quem sabe, ser colocada em funcionamento em quatro meses. “Será um ano de muitos ajustes e melhorias, com investimento expressivo nessa indústria. Na área de grãos teremos ampliação em várias unidades. Projetamos grandes investimentos na suinocultura e na atividade de leite, das quais nunca nos descuidamos. Temos capacidade e trabalharemo para gerar aos associados mais oportunidades e fontes de renda. Na avicultura podemos até dobrar produção e abate de frango que nossa coirmã Lar se compromete em absorver a produção dos avicultores associados da Copagril”, finalizou.

Fonte: O Presente
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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