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Baixa procura em cursos de Medicina Veterinária preocupa associação da categoria na Alemanha

Para sanar essa evolução perigosa que pode comprometer o bem-estar dos animais, o país alemão busca facilitar a imigração de trabalhadores.

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Fotos: Assessoria

A Associação Federal de Veterinários Praticantes (BPT), se mostrou preocupada com a fraca procura de jovens para seguir carreira no setor da Medicina Veterinária. A entidade sabe da importância deste setor para atender as exigências do mercado consumidor que estada cada vez mais exigindo mais cuidados na produção animal, seja em questões de bem-estar, bem como na saúde animal que consecutivamente reflete na saúde humana também, tanto do produtor quanto do consumidor final.

Além de qualidade de vida e saúde do produtor, as doenças também podem comprometer a saúde financeira das fazendas, pois se os animais forem acometidos por infecções, parasitoses, doenças em geral, problemas metabólicos ou de fertilidade, isso tudo pode afetar o desempenho dos animais e, portanto, a situação econômica da fazenda.

A base do sucesso da produção pecuária é, e continuará sendo, a população animal saudável, porém sabe-se que para isso, o médico veterinário deve cada vez mais contribuir com sua capacidade profissional, competência consultiva e conhecimento em questões de manutenção da saúde e alimentação para uma produção mais eficiente e que atenda as exigências do mercado.

Falta de novos veterinários

No entanto, estes requisitos veterinários cada vez mais complexos enfrentam um problema sério na Alemanha: a escassez de veterinários. Dos atuais cerca de 22.000 veterinários praticantes na Alemanha (incluindo cerca de 12.000 proprietários de consultórios e 10.000 veterinários empregados), apenas cerca de 3.500 trabalham no cuidado veterinário de animais de fazenda. “Os recursos veterinários estão se tornando cada vez mais escassos, especialmente nas áreas rurais, porque há uma falta de descendentes na prática curativa”, explica Heiko Färber, diretor administrativo da Associação Federal de Veterinários Praticantes (BPT). Há muitas razões para isso. Para além do desejo de proximidade com a cidade e de conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, as condições de trabalho, por vezes ainda difíceis, mas também os insuficientes procedimentos de seleção para os estudantes de veterinária desempenham um papel para a geração mais jovem. Os requisitos legais cada vez maiores e a burocracia agravam ainda mais a situação.

Uma análise da aplicação nacional do Regulamento da UE relativo aos medicamentos veterinários reforça essa tese. A atual (primeira) alteração à Lei dos Medicamentos Veterinários não só cria mais obrigações de comunicação, como também se destina a reduzir ainda mais os tratamentos antibióticos necessários, embora a utilização de antibióticos na produção animal já tenha sido reduzida em mais de 60% nos últimos dez anos. Esta conquista reforça ainda mais de que os veterinários e produtores estão enfaticamente comprometidos com a ideia One Health. Uma nova redução dos tratamentos antibióticos necessários acarreta o sério risco de efeitos negativos na saúde animal e, por conseguinte, no bem-estar dos animais. Isto foi reforçado recentemente em uma auditoria de peritos da Comissão da Alimentação e da Agricultura do Bundestag, em outubro deste ano.

Cobertura nacional em risco

“Tudo isso é um grande dilema, porque não só a busca às vezes malsucedida por veterinários empregados causa problemas. Isso é agravado pelas práticas com arranjos sucessórios que não podem mais ser mudados. Se tudo continuar no ritmo que esta, em breve não será mais possível garantir um atendimento veterinário integral”, prevê Färber. “No entanto, se os animais doentes ou feridos não puderem mais ser adequadamente tratados devido à falta de capacidade veterinária, isso poderá comprometer o bem-estar animal”, continua Färber.

Para sanar essa evolução perigosa que pode comprometer o bem-estar dos animais na Alemanha, o país busca facilitar a imigração de trabalhadores qualificados que serão cedidos pelo Governo Federal, porém essa estratégia não parece ser suficiente do ponto de vista da associação veterinária.

Pelo contrário, o que é necessário é uma rápida flexibilização da Lei do Horário de Trabalho, a fim de poder mobilizar o grupo cada vez maior de veterinários empregados de forma mais flexível, e uma redução maciça da burocracia, de modo a que o tempo de trabalho cada vez menor possa surgir um efeito efetivo deste tempo disponível para ser utilizado para o trabalho com animais e, por conseguinte, para a saúde animal.

Finalmente implementando o gerenciamento de portfólio em lei

“A saúde animal e o bem-estar animal também seriam mais bem servidos se forem usados os recursos escassos na prática pecuária para intensificar os cuidados veterinários do rebanho”, explica Heiko Färber. Desde abril de 2021, as visitas obrigatórias de veterinários estão ancoradas na legislação de saúde animal da UE. Infelizmente, este requisito sensato da UE ainda não foi transposto para o direito nacional. “A rápida implementação da gestão do setor exigida por unanimidade pelo BPT e todas as associações veterinárias teria um efeito muito mais rápido e duradouro sobre a situação sanitária nas explorações agrícolas e também contribuiria de forma mais eficaz para uma maior redução do uso de medicamentos do que novas obrigações de notificação com benefícios questionáveis”, afirma Färber.

As visitas regulares e estreitas prestam serviços valiosos para o bem-estar dos animais, bem como para a proteção da saúde dos consumidores e a proteção jurídica do agricultor enquanto produtor de alimentos. Eles também contribuem para o fato de que alimentos de alta qualidade podem ser produzidos economicamente lucrativos com animais saudáveis, porque a integração do manejo de estoque pelo veterinário da fazenda no processo de produção pode reduzir os custos de tratamento, garantir um uso mais direcionado de medicamentos veterinários e, ao mesmo tempo, otimizar ainda mais o uso de antibióticos. O trabalho veterinário torna-se, assim, um fator de custo muito relevante e rentável para o produtor.

Inovações para mais bem-estar animal

Paralelamente aos canais reguladores, muitas vezes morosos, as inovações técnicas podem garantir condições de criação adequadas às espécies e, assim, melhorar o bem-estar dos animais. Isso é muito importante para Heiko Färber: “Os Prêmios de Bem-Estar Animal, que a BPT apresenta junto com o DLG, servem exatamente a esse propósito. Dos novos desenvolvimentos/inovações apresentados na EuroTier, serão selecionados aqueles que servem particularmente o bem-estar animal e a saúde animal.” Os três vencedores deste ano são dedicados à detecção precoce automatizada de doenças respiratórias na granja, à saúde da e ao bem-estar de vacas leiteiras. “Com essas inovações impressionantes, conseguimos algo para os animais muito mais rápido do que com a lei regulatória. Para mim, este é um trabalho dentro dos padrões One Health”, diz Färber.

Prêmio

Entrega do “Prêmio Bem-Estar Animal” como parte do Evento Internacional de Saúde Animal na quinta-feira, 17.11.2022, das 18h30 às 19h30, Sala 1b (nível do salão), Centro de Convenções da EuroTier em Hanover.

Fonte: O presente Rural com informações da Ass. da EuroTier

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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA

Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

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Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos

Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.

No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.

Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.

Carne suína

Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intr­a-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.

Aves

Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.

O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intr­a-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.

Cotas do acordo

Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos

A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.

Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.

Confira a Nota Setorial na íntegra:

NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.

O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.

No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.

Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.

No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intr­a-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.

Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.

Fonte: O Presente Rural
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União Europeia aprova assinatura de acordo comercial com Mercosul

Decisão envolve um mercado de mais de 700 milhões de consumidores e um PIB combinado próximo de US$ 22 trilhões. Apesar da resistência de alguns países, o acordo é tratado como estratégico para o futuro do comércio global.

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Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: "Este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável" - Foto: Divulgação/Comissão Europeia

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou há pouco a aprovação, por ampla maioria dos países que integram a União Europeia (UE), do acordo de livre comércio com o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”, escreveu Ursula em sua conta na rede social X. “Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, acrescentou a presidente da comissão responsável por elaborar propostas de leis para todo o bloco e por executar as decisões do Parlamento e do Conselho europeu.

Foto: Divulgação

Com o resultado confirmado, a presidente da Comissão Europeia poderá viajar para o Paraguai, já na próxima semana, para ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa pro-tempore do bloco.

Em um comunicado mais extenso, divulgado na página da Comissão, Ursula disse esperar ansiosamente pela assinatura do acordo que, para entrar em vigor, ainda terá que ser aprovado no Parlamento Europeu. “Em um momento em que o comércio e as dependências [comerciais e econômicas] estão sendo usadas como armas, e a natureza perigosa e transacional da realidade em que vivemos se torna cada vez mais evidente, este acordo comercial histórico é mais uma prova de que a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável”, diz no documento.

Mais cedo, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, comentou, em sua conta no X, que além de seu país, votaram contra o acordo Áustria, França, Hungria e Irlanda. Pelas regras do bloco, para ser aprovada, a proposta tinha que obter o aval de ao menos 15 dos 27 Estados-Membros que, juntos, representem ao menos 65% da população total do bloco.

Repercussão
No Brasil, a decisão foi comemorada por lideranças políticas e empresariais. Responsável por promover os produtos e serviços brasileiros

Foto: Marcos Oliveira/Agência Brasil

no exterior, a Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) afirma que o acordo estabelece um mercado de quase US$ 22 trilhões, com o potencial de incrementar as exportações brasileiras para a União Europeia em cerca de US$ 7 bilhões. “Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, comentou o presidente da agência, Jorge Viana, em nota.

Viana também destacou a qualidade da pauta exportadora brasileira com o bloco europeu: “Mais de um terço daquilo que o Brasil exporta para a região é composto de produtos da indústria de processamento.”

O acordo prevê redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte como motores e geradores para energia elétrica, motores de pistão (autopeças) e aviões. Todos representam áreas estratégicas para inserção competitiva do Brasil.

Também haverá oportunidade positiva para couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Haverá redução gradativa das tarifas, até zerá-las, sobre diversas commodities (sujeitos a cotas).

Fonte: Agência Brasil
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Soja, bovinos e milho impulsionam crescimento do VBP do Maranhão em 2025

As três principais cadeias produtivas responderam pela maior parte do faturamento agropecuário estadual, que somou R$ 18 bilhões no ano e registrou recuperação frente a 2024.

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Foto: Divulgação

O Valor Bruto da Produção (VBP) do Maranhão encerrou o ciclo de 2025 com um faturamento de R$ 17.972,23 milhões. O resultado aponta para uma recuperação sólida de 10,56% em relação aos R$ 16.255 milhões registrados em 2024. No entanto, o crescimento local ocorre em um ritmo inferior à dinâmica nacional: enquanto o Brasil viu seu VBP saltar 15,2% no mesmo período (de R$ 1,22 trilhão para R$ 1,41 trilhão), o Maranhão perdeu espaço relativo, reafirmando sua posição como o 13° do VBP agropecuário entre as unidades da federação.

Foto: Divulgação

A participação do Maranhão no VBP brasileiro é de apenas 1,27%. Embora o estado apresente uma trajetória de recuperação após a queda acentuada vista em 2023 (R$ 16,6 bilhões), ele não consegue acompanhar a tração dos grandes estados produtores.

O Mato Grosso, líder do ranking, fatura R$ 220,4 bilhões, um montante 12 vezes superior ao maranhense. Na prática, o estado opera em uma “ilha” de baixa representatividade, onde o crescimento nominal de R$ 1,7 bilhão em um ano não é suficiente para alterar sua relevância no cenário macroeconômico do país.

Soja e pecuária

A composição do agro maranhense é amplamente dominada pelas lavouras, que respondem por 76% (R$ 13,7 bilhões) do faturamento, enquanto a pecuária detém 24% (R$ 4,2 bilhões).

As 5 principais atividades em 2025:

  1. Soja: R$ 8.668,4 milhões

  2. Bovinos: R$ 3.872,7 milhões

  3. Milho: R$ 2.937,6 milhões

  4. Mandioca: R$ 618,9 milhões

  5. Algodão: R$ 529,8 milhões

No segmento de proteínas animais, além dos bovinos, se destaca a produção de ovos (R$ 205,7 milhões), Leite (R$ 101,8 milhões) e suínos

Foto: Giovanna Curado

(R$ 45,5 milhões). O setor de frangos, com R$ 18,6 milhões, permanece como uma atividade de baixa escala no estado. O trigo não possui registro de produção relevante nos dados apresentados.

Entre 2018 e 2025, o Maranhão viveu um movimento de alta e baixa: após um crescimento acelerado entre 2019 e 2022, quando atingiu o pico de R$ 18,4 bilhões, o estado sofreu dois anos de retração (2023 e 2024). O resultado de 2025 marca o fim da tendência de queda, mas ainda situa o estado abaixo do patamar recorde de três anos atrás. Isso indica que o crescimento atual é majoritariamente nominal, reflexo de uma recuperação de preços ou áreas específicas, e não necessariamente uma expansão estrutural da base produtiva.

Os dados indicam que o agronegócio maranhense enfrenta uma dependência severa de um tripé composto por Soja, Bovinos e Milho, que juntos somam R$ 15,4 bilhões, ou 86% de todo o VBP estadual. A fragilidade reside na retração de culturas de subsistência e mercado interno, como feijão e mandioca, além da queda na cana-de-açúcar. Com a menor participação nacional (1,27%), o estado permanece vulnerável às oscilações de preços de commodities globais, sem possuir uma base de diversificação agrícola ou industrialização de proteína animal (frangos e suínos) forte o suficiente para elevar seu patamar no ranking brasileiro.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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